Eternamente

28 Capítulo 28


Notas iniciais
Oi amores! Obrigada pelos comentários! Vocês são demais! Fanpage da história no facebook: Eternamente Minha fanpage: Autora de romances - Mayara Silva

A cadela gritava para eu parar, mas a minha raiva era tanta, que meu rosto queimava. Desci aquela escada com a intenção de desmascará-la. Ela iria passar vergonha na frente de toda essa sociedade que ela tanto gosta. Iria apenas de calcinha e sutiã, e não estou nem ai com fotos e com que as pessoas vão falar. Já falam de mim, um a mais não vai mudar. Mas essa puta não vai ficar falando da minha mãe, e muito menos ficar inventando que eu estou quero fazer o golpe no baú. Eu nunca precisei disso, e nunca vou precisar. O que eu sinto pelo Gabe é verdadeiro. Nunca pensei em dar golpe na família dele, até porque, eles também são a minha família. E, diferente dessa aqui, eu fui criada nos bons princípios.

– O que você vai fazer, princesa? Por favor, pense...

– Cala a boca, Gabe! Senão o próximo é você! – gritei furiosa com ele.

Gabe calou na hora, e apenas me seguiu. Era bom ele ficar quieto mesmo, senão iria sobrar pra ele.

Atravessei a sala, e todos que estavam ali me olharam e ficaram perplexos com o que eu estava fazendo. Isso porque eu só estava puxando o cabelo dela, e ela vestida daquele jeito. Eu estava sendo bem boazinha, ainda.

– Pra onde você está me levando, Emily? Sua louca! Você vai se arrepender. – ela gritou, mas eu não estava nem ai para essa galinha.

– Vou mostrar quem você é.

– Você não...

– Calada! Não é hora de galinha cacarejar.

Levei-a para a parte da piscina, onde estavam praticamente todos os convidados. Gabe ainda me seguia, e tentou me impedir algumas vezes, mas acho que ele percebeu que seria em vão.

Cheguei perto de todos, e a arrastei ainda mais para o meio do pessoal.

–Mas o que é isso? – gritou a galinha velha, mãe da Patrícia.

Eu nem precisava gritar, já que todos já estavam praticamente me olhando, principalmente meus pais e padrinhos.

– Filha, o que você está fazendo? – mamãe perguntou.

– O que eu estou fazendo? Bem, eu estou só mostrando quem é a verdadeira Patrícia.

– Solta a minha filha, sua...

– Cala a boca! Eu não falei com você! O assunto aqui é entre eu e a sua filha. – gritei, apontando o dedo na cara dela, sem nenhum medo dessa vaca.

– Você está me machucando, Emily.

– É pra machucar mesmo. Eu vou arrancar fio por fio desse cabelo falso. Aliás, tudo em você é falso, não é?

– Querida, se acalme.

– Já vou me acalmar, madrinha. Espera eu só acabar com a raça dessa aqui, daí eu consigo me acalmar.

– Mas porque essa raiva toda? – mamãe perguntou.

– Por quê? Vejam bem, queridos convidados. Essa mulher aqui, sim, essa mesmo. – falei apontando pra ela. – Essa mulher é uma vadia! – gritei.

– Ninguém fala assim da minha filha. – o pai dela falou.

– Você também é outro, junto com a sua mulher e seu filho. Toda a família de interesseiros. Só quiseram ficar amigos dos meus padrinhos, por causa do dinheiro.

– Isso é mentira, Agnes. Nós somos amigas.

– Mentira! – gritei. – Tantas vezes, quando eu era criança, eu escutei você rindo da cara da madrinha. Falando o quanto ela era boba por você acreditar nessa amizade.

– Emily, meu cabelo!

– Cala a boca! Daqui a pouco eu acabo com você.

– Agnes...

– Madrinha, eu nunca contei para a senhora, porque sempre fui boba, achando que ela iria melhorar, mas eu vi que não. Que essa ai, vai ser sempre assim. Fria e interesseira. Igual ao marido, o filho e essa vaca aqui.

– Mentirosa! A nossa família não é assim. Minha filha não é assim.

– Mentirosa é você! Sabe o que essa mulherzinha estava fazendo agora pouco? – todos balançaram a cabeça negativamente. – Pois bem, queridos. Essa aqui estava no quarto do meu noivo, se oferecendo pra ele.

Todos olharam abismados, e ela não parava de dizer que era mentira. Ah, você vai ver a mentira.

– Mas o que me tirou a paciência, foi ela falar sobre a minha família. Eu tenho orgulho de ser filha da empregada e do motorista. Tenho orgulho de morar na casa dos fundos, e tenho orgulho de quem eu sou. Posso ser bem sucedida hoje, mas eu sempre terei os pés no chão. Sempre vou me lembrar do meu passado, mas com orgulho de ter vencido honestamente, e não dormindo com o namorado dos outros. – gritei. – Eu nunca vou precisar dar o golpe em ninguém, porque eu não me chamo Patrícia. Nunca vou precisar ser amiga de ninguém rico, porque eu não sou você, e não sou da sua família. Eu fui criada para ser honesta e verdadeira. Tive bons modos e bons estudos. Já você...

– Teve por causa dos meus tios. Senão, você seria a empregada da casa. – gritou de volta, e eu puxei ainda mais o cabelo dela, fazendo com que ela olhasse em meus olhos.

– E seria com orgulho. Ser empregada não é defeito, é um trabalho como todos os outros. É honesto, e não precisa passar por cima de ninguém. Você é uma cadela, arrogante, metida, safada e burra! – falei olhando em seus olhos, e acabando de arrancar os cabelos dela.

Os fios estavam em minhas mãos. E, realmente, eram falsos mesmo. Olhei com nojo, e joguei na cara dela. Minha raiva era tanta, que não vi quem estava falando comigo, e muito menos se estavam tirando foto ou outra coisa.

– Sua idiota! Você arrancou meu cabelo! Eu vou acabar com você!

Ela veio para cima de mim, mas eu estava bem mais preparada do que ela. A vadia tentou me dar socos, mas eu fui mais esperta. Coloquei-a por baixo, e comecei a dar tapas em seu belo rosto plastificado.

– Nunca mais fale de mim. – um tapa. – Da minha família. – outro tapa. – Nunca mais se aproxime do meu noivo. – outro tapa. – E de ninguém da minha família. – e mais um belo tapa.

Eu dei tanto na cara dela, e nem senti me puxando de cima dela. Minha raiva era tanta, que nem pensei que poderia ter machucado bastante a cadela. Ela merecia mais. Muito mais. Eu estava me debatendo nos braços de alguém. Mas eu senti que estava ficando fraca, e a minha respiração nula. Tentei puxar o ar, mas ele não estava chegando. Droga! Eu quero respirar! Alguém me deitou no chão, e várias pessoas se formaram ao meu redor, mas o que eu via era apenas alguns borrões. Gabe apareceu no meu campo de visão, mas, do nada, eu apaguei.

***

Acordei com um bip chato na minha cabeça. Quando finalmente consegui abrir os olhos, percebi que estava em uma cama. Mas não era a minha, era a cama de um... Hospital? Eu estava em um hospital? Mas por quê? Olhei para o lado, e Gabe estava com a cabeça em minha cama, e suas mãos sobre a minha.

– Gabe. – o chamei sussurrando.

Ele levantou a cabeça rapidamente.

– Princesa? Ah, meu Deus! Você está bem?

– Estou.

– Eu fiquei tão preocupado com você. Eu fique...

– Porque eu estou aqui? –perguntei séria.

– Você desmaiou por causa da falta de ar, então trouxemos você para cá. Achamos melhor você receber ajuda médica.

– Mas, eu me lembro de estar batendo na cadela, e depois de alguém me puxando e só me lembro de borrões.

– Daí, trouxemos você para cá! Emy, eu fiquei tão louco de preocupação. Você não voltava. Mesmo com a bombinha, você ao voltava. Eu até cheguei a pensar que tinha te perdido. Se isso acontecesse...

– Mas eu estou bem. – falei.

– Você ainda está brava comigo? Eu não fiz nada. Juro!

Não deveria estar, já que ele não tem culpa que a outra é oferecida. Mas só de saber que já dormiram juntos... Argh! Isso me sobe uma raiva!

– Não! Sei que não tem culpa de nada. Mesmo ficando com raiva de lembrar que vocês dois...

– Erro! Todo mundo comete erros na vida, não é? Ela foi o pior erro que cometi. Se eu pudesse voltar atrás, eu nunca, nunca mesmo, teria dormido com ela.

– Jura? Apesar de tudo, ela é bonita e tal...

– Mas ela não é você! A única que meus olhos enxergam é você! Do que adianta ser bonita, se é podre por dentro. Como diz minha mãe: “Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento”. Mas vamos esquecê-la, ok? Depois da surra que você deu. Acho que ela passará um tempo em casa, já o rosto dela...

– Ficou feio?

– Feio? Bem, só tinha algumas unhadas, alguns sangues, alguns toques de vermelho. – falou rindo, e eu o acompanhei.

Depois de todos entrarem para saberem como eu estou, pedi para irem embora para descansarem. Mesmo relutantes, meus pais e padrinhos foram para a casa. Pedi para Gabe ir também, mas ele bateu o pé, e disse que de lá só sairia comigo. Fofo, né?!

Ninguém tocou no assunto da minha briga, mas eu sabia que vou escutar algumas broncas da minha mãe, mas sei que ela vai me apoiar também. Afinal eu fiz o que muitas pessoas tinham vontade de fazer na Patrícia.

***

Estava acordada, e comendo aquela comida horrível de hospital. Como era sem sal, meu Deus! Minha mãe já havia ligado milhões de vezes, mas eu pedi para que ela não viesse, já que eu iria receber alta hoje mesmo. Gabe estava na cafeteria. Ah, como fui burra. Nem para pedir para ele me trazer alguma coisa boa de lá. Mas duvido muito que alguém iria me deixar comer. Tinha que comer isso aqui mesmo. Argh!

Empurrei a bandeja para o lado, quando vi a porta se abrindo, e uma Vic toda desesperada vindo em minha direção.

– Tia Emy. Tia Emy. Tia Emy. – ela falava desesperada.

– Vic, minha linda! Que saudades de você!

– Eu também. Porque você está aqui? Está dodói? Teve neném?

– Não, querida. A tia passou mal, mas já estou bem. E você. Como está?

– Bem. Eu não fui à sua festa ontem, porque meus pais saíram. – falou tristemente.

– Ah, tudo bem. A festa estava chata mesmo. E o príncipe? – falei rindo. Claro que eu dei uma melhorada básica.

– Ele está bem. Estou cuidando muito bem dele. Está grande e forte.

– Jura? Ah, eu vou querer vê-lo.

– Ele vai embora quando você e o tio Gabe se casarem?

– Não, querida. Você é a irmã e babá dele. Você vai cuidar.

– Jura? Ah, eu serei uma ótima irmã. – disse rindo. Ela parou de repente, e parecia estar pensando em alguma coisa. – Eu vou ser convidada para o seu casamento, tia?

– Claro que vai, querida. Porque está perguntando?

– Ah, porque sempre dizem que isso é coisa de adulto, aquilo é coisa de adulto. Eu nunca sei quando é coisa de criança. E eu quero ser convidada, porque eu amo aqueles doces. O bolo também.

– Ah, então você vai para comer?

– Também. Mas eu quero ver você vestida de princesa.

– Ah, que linda. Você irá me ver, querida. A tia te ama muito.

– Eu também, titia. – disse me beijando.

***

Graças a Deus eu estava voltando para a casa. Nunca gostei de hospitais, e não aguentaria ficar mais um dia por lá. Principalmente pela comida.

Vic quis ir para a casa, porque disse que tinha que dar o almoço para o príncipe. Estou vendo que ela é mais dela do que meu. Ai, essa menina...

Gabe parou o carro na garagem, mas percebemos que havia um carro diferente na porta de casa.

– De quem será esse carro, Gabe?

– Deve ser de algum amigo do meu pai. – respondeu, colocando as mãos na minha cintura. – Está com medo das broncas da madrinha?

– Sim e não. Sei que ela vai entender, mas sei que ela vai me repreender também. Meu pai talvez vá querer me matar, mas depois ele cai em si. – falei rindo.

– Estou aqui com você, ok?

– Eu sei. E é por isso que eu te amo ainda mais! Meu príncipe.

– Minha princesa.

Depois de alguns minutos, muito bem aproveitados com tantos beijos, nós entramos. Escutamos vozes vindas da sala. Percebi a voz da minha mãe, madrinha, padrinho, pai e de mais um homem. A voz não era estranha, mas eu também não me lembrava dela.

– Boa tarde, família. – Gabe disse sorrindo. E eu o acompanhei.

Todos olharam sérios para nós, e ficamos sem entender o motivo.

– O que aconteceu por aqui? – perguntei.

– Que história é essa que você tem outro “namorado” em Washington, Emily? – mamãe perguntou brava.

– Mas eu não tenho outro. Eu namoro o Gabe, e vocês sabem disso. – falei rindo, mas percebi que tinha outra pessoa no canto da sala.

– Oi, Emy. Que saudades de você! – ele disse, vindo em minha direção e me dando um beijo.

Meu Deus! Era o George. O próprio George Adams. Em carne e osso. Bem aqui na minha frente. Eu estou completamente ferrada! Toda a mentira do namoro vai aparecer! Deus me ajude!

Gabe

Gente, a treta estava formada. Era gritaria de um lado, e a Emy parecia que estava possuída por algo maligno. Meu Deus, essas duas vão rolas escada a baixo! Tentei chamar outras vezes, mas ninguém me escutava.

– O que você vai fazer, princesa? Por favor, pense...

– Cala a boca, Gabe! Senão o próximo é você! – gritou furiosa pra mim.

Eu não! Bem, eu não tenho cabelo grande, então ela vai querer puxar outras coisas. Ai, só de pensar... Pobrezinho dele. Já sinto a dor. Óbvio que eu calei na hora, porque, namorado bom, é namorado calado. E vivo! Apenas a segui, caso ela precisasse de reforços. Não, eu não iria bater na louca. Mas vai que tem segundo e terceiro round, né? Tem que dar aquele apoio.

Patrícia gritava, mas a Emy tinha uma garganta melhor ainda. Ela gritava mais alto. Muito mais. Tentei impedir algumas vezes, mas eu não sou louco de atravessar o caminho dela. Emy a levou para a área da piscina, então todos os convidados viram que iriam rolar um MMA bem ali.

Gritos e xingamentos foram ouvidos de todas as partes. Era minha madrinha, a mãe da Patrícia, Emy, Patrícia. Estava uma loucura. Eu só não filmei porque seria sacanagem. A princesa estava possuída, gente! Ela falou de todo mundo. Mencionou sobre os pais da louca, o que nunca foi minha surpresa o interesse deles. Acho que até os meus pais sabiam que eles não prestavam.

– Mentirosa é você! Sabe o que essa mulherzinha estava fazendo agora pouco? – todos balançaram a cabeça negativamente. – Pois bem, queridos. Essa aqui estava no quarto do meu noivo, se oferecendo pra ele.

Ah, chegou a minha parte. Falou meu nome, eu me intrometo.

– Isso é verdade! Ela tentou fazer... Coisinhas comigo. Sendo que sou noivo! – falei abismado para as pessoas.

A Emy começou a desabafar. Falou e falou bonito. Eu queria era arrancar a cabeça de cada um. Essa família de merda! Nenhum prestava. Não salvava nenhum! Tantas vezes eu ouvi o que falavam para a Emy, mas nunca sequer comentei com alguém, porque a Emy me pedia muito. Eu cresci ficando com raiva deles. Eles estavam machucando a minha menina, e eu não iria perdoar nunca!

E a briga continuava. Ninguém se atrevia a falar nada. Acho que estavam com medo do que ela poderia fazer, já aquele era um espírito que estava possuindo o corpo da minha noiva. Aquela não era a Emy. Não mesmo! Chama o padre!

Ops! Ou algum cabeleireiro. Tinha fios de cabelo na mão da Emy. E não eram dela. Gente, ela arrancou mesmo os cabelos da louca. Praticamente o cabelo dela era quase falso. Bem falso por sinal! Emy jogou os restos do que era um cabelo na cara dela, e isso atiçou a loucura da Patrícia.

– Sua idiota! Você arrancou meu cabelo! Eu vou acabar com você!

Agora é porrada! Era uma em cima da outra, puxão de cabelo, tapas. Está uma loucura! Mas a minha garota foi ais esperta. Ficou por cima e era tapa atrás de tapa. Essa é a minha garota!

– Briga, briga, briga, briga... – comecei a gritar, mas fui repreendido pela minha mãe.

– Pelo amor de Deus, Gabe. Faça alguma coisa! – minha mãe veio me pedindo desesperadamente.

Eu só ouvia os tapas, e todo mundo sem fazer nada. Principalmente eu.

– Vá tirar a Emy de lá. Ela vai acabar com a Patrícia. Tudo bem que ela merece...

– E eu vou ficar sem as minhas bolas, já que não tenho cabelo igual à louca. Deixe-as resolverem do jeito delas.

– Gabe, pelo amor de Deus! Não fique pensando besteiras. A Emy pode passar mal. Ou você se esqueceu de que quando ela fica nervosa, ela sente falta de ar.

Droga! Eu até me esqueci de que ela passava mal. Eu tinha que tirá-la de lá de alguma forma. Senão eu nunca iria me perdoar.

Peguei-a pela cintura, e comecei a puxá-la. Caramba, ela é forte! Ela se debatia, e gritava que queria bater mais. Que ela merecia mais. Eu até concordo com isso, mas o bem estar dela vem em primeiro lugar.

– Emy, calma! Por favor! – falei, mas ela não estava me escutando.

Senti que estava ficando fraca, e o meu desespero aumentou. Seu peito subia e descia rapidamente. E isso era sinal de que ela estava ficando sem o ar.

– Princesa, pelo amor de Deus, respira. Tente puxar o ar, por favor. – gritava desesperadamente.

Deitei-a no chão, e todos vieram ver o que estava acontecendo. Pedi para que buscassem a bombinha na casa dela, e a minha madrinha foi imediatamente buscar.

– Princesa, respira. Calma! Eu estou aqui. Não durma. Fique comigo! – tentei falar calmamente, mas o meu desespero era bem maior.

– Aqui. Faça-a puxar todo o ar, Gabe. – minha madrinha disse chorando.

Fiz com ela puxasse todo o ar, mas ao mesmo tempo ela desmaiou. Merda! O que eu faço agora? Meu medo estava estampado no rosto, e eu praticamente não conseguia sair do lugar.

– Vamos levá-la ao médico. Agora! – gritei.

Peguei-a no colo, e corri com ela para o carro. Meus padrinhos e pais viriam em outro carro. Meu objetivo era apenas fazê-la ficar bem. Se acontecer alguma coisa com ela... Eu morro!

Emy estava há um bom tempo dentro daquela maldita sala de exames. Todos estavam aqui, e estávamos aflitos.

– Porque ela foi bater na louca da Patrícia? Se ela não tivesse feito isso, ela estaria bem. – mamãe falou.

– A Emy tem esses tapas guardados há muito tempo. Ela não aguentou segurar mais.

– Convenhamos que, ela fez um pequeno estrago na cara da louca. Vocês viram como ficou? Todo arranhado, vermelho, e tinha até sangue. Emy tava nervosa mesmo. – mamãe disse rindo, e fizemos o mesmo. – Eu nem os vi indo embora. Acho que estavam com vergonha.

– Eu tenho certeza. Não vão aparecer tão cedo. O que eu acho ótimo! – falei, dando graças ao senhor.

– Todos nós, querido.

– Familiares da Srta Campbell? – um médico de meia idade veio falando. Nós nos levantamos correndo e perguntamos como ela estava.

O médico explicou que a causa do desmaio foi o estresse muito alto, e a alta da pressão. Ela teve sorte que conseguiu usar a bombinha antes de apagar completamente. Senão poderia ter acontecido coisa pior. Só de pensar, meu coração já palpita. Ela iria passar a noite no hospital por causa da pressão, que ainda estava alta.

Cada um entrou no quarto e ficou um pouco. Eu pedi para passar a noite com ela, porque não queria que ela se sentisse sozinha. Quando ela acordar, eu vou querer estar ao lado dela.

***

Estava cochilando, com a cabeça na cama dela e com as mãos sob as suas. Queria sentir que ela estava bem. Queria sentir a sua pulsação e ter a certeza de que foi um susto. Só isso.

– Gabe. – escutei meu nome ser chamado em sussurro. Achei que fosse até sonho, mas percebi que era verdade.

Levantei a cabeça rapidamente, e me deparei com aqueles pares de olhos que me deixavam loucos.

– Princesa? Ah, meu Deus! Você está bem?

– Estou.

– Eu fiquei tão preocupado com você. Eu fiquei...

– Porque eu estou aqui? –perguntou séria.

– Você desmaiou por causa da falta de ar, então trouxemos você para cá. Achamos melhor você receber ajuda médica.

– Mas, eu me lembro de estar batendo na cadela, e depois de alguém me puxando e só me lembro de borrões.

– Daí, trouxemos você para cá! Emy, eu fiquei tão louco de preocupação. Você não voltava. Mesmo com a bombinha, você ao voltava. Eu até cheguei a pensar que tinha te perdido. Se isso acontecesse...

– Mas eu estou bem. – falou.

O tom de voz que ela usava estava distante e seco. Não era a Emy doce e calma. Se ela não me perdoasse...

– Você ainda está brava comigo? Eu não fiz nada. Juro!

E nem iria fazer. Eu a amo! Nunca iria traí-la.

– Não! Sei que não tem culpa de nada. Mesmo ficando com raiva de lembrar que vocês dois...

– Erro! Todo mundo comete erros na vida, não é? Ela foi o pior erro que cometi. Se eu pudesse voltar atrás, eu nunca, nunca mesmo, teria dormido com ela.

Nunca mesmo! Além de ser chata, cadela, vadia, puta, galinha entre outros nomes, ela ainda era ruim de cama. Argh! Era mesmo! Ela era bonita, mas não compensava aquilo tudo.

– Jura? Apesar de tudo, ela é bonita e tal...

– Mas ela não é você! A única que meus olhos enxergam é você! Do que adianta ser bonita, se é podre por dentro. Como diz minha mãe: “Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento”. Mas vamos esquecê-la, ok? Depois da surra que você deu. Acho que ela passará um tempo em casa, já o rosto dela...

– Ficou feio?

Feio? Ela parecia mais o Freddy, daquele filme de terror.

– Feio? Bem, só tinha algumas unhadas, alguns sangues, alguns toques de vermelho. – fale rindo, e ela me acompanhou.

Todos estavam aqui. Chamei um por um para verem que ela estava bem. Emy pediu para que fosse embora, e assim fizeram. Ficamos apenas nós dois. Ela me pediu para ir embora, mas não iria fazer isso. Nunca! Só sairia de lá com ela.

***

Eu estava na cafeteria esperando a pequena visita de hoje. Falava ao telefone com a minha madrinha, e ela queria saber de tudo. Expliquei que ela iria receber alta hoje, e que estava bem. Disse que viria para cá, mas falei que não precisava. Depois de muito insistir, ela acabou aceitando.

– Titio! – Vic veio correndo para os meus braços.

– Pequena! Como você está linda!

– Mamãe me arrumou para eu visitar a tia Emy. Ela está dodói?

– Ela passou um pouquinho mal, mas já está bem.

Cumprimentei meus tios, e eles pediram para mandar um beijo para a Emy.

– Então, quando eu vou poder ver a titia? Quero falar sobre o príncipe.

– Agora! Vamos?

– Sim! – falou toda animada.

Ficamos perto da porta do quarto dela, quando Vic virou-se para mim e sorriu. O que será que ela está aprontando?

– Titio, você pode ficar aqui fora?

– Por quê?

–Quero ter um assunto de mulher para mulher.

– Como assim? –falei rindo.

– Não ria, tio. Isso é sério!

– Não estou. Juro!

– Tudo bem. Eu vou entrar, e você ficará esperando aqui fora, ok?

Eu não iria discordar. Não depois de ela nem esperar a minha resposta e entrar correndo no quarto. Essa garota não existe!

***

Após deixarmos Vic em casa, já que ela teria que cuidar do príncipe, senão ele iria morrer de fome. Partimos para a nossa casa. Finalmente ela iria descansar com calma, e iria ficar calminha. Eu faço questão de deixá-la assim.

Estacionei o carro, mas avistei outro bem diferente. Nunca tinha o visto por aqui. Será que era algum amigo do meu pai?

– De quem será esse carro, Gabe?

– Deve ser de algum amigo do meu pai. – respondi, colocando as mãos na cintura dela. – Está com medo das broncas da madrinha?

– Sim e não. Sei que ela vai entender, mas sei que ela vai me repreender também. Meu pai talvez vá querer me matar, mas depois ele cai em si. – falou rindo.

– Estou aqui com você, ok?

– Eu sei. E é por isso que eu te amo ainda mais! Meu príncipe.

– Minha princesa.

O beijo dessa mulher melhorava a cada dia. E eu só não a levei para outro lugar, porque queria que ela descansasse primeiro. Nossa família estava na sala, mas tinha outra voz estranha. Parecia que eu conhecia, mas era tão vago na minha cabeça.

– Boa tarde, família. – falei sorrindo.

Todos olharam sérios para nós, e ficamos sem entender o motivo.

– O que aconteceu por aqui? – Emy perguntou.

– Que história é essa que você tem outro “namorado” em Washington, Emily? – a madrinha perguntou brava.

Namorado? Ela não tinha namorado por lá. Ela estava saindo com o George, mas não eram namorados. E nem serão!

– Mas eu não tenho outro. Eu namoro o Gabe, e vocês sabem disso.

– Oi, Emy. Que saudades de você! – mas que... Que brincadeira é essa?

O filho da puta renasceu das cinzas? George, o babaca Adams estava bem aqui, na nossa frente. Na minha sala e dando um beijo na minha mulher. Eu vou arrancar as bolas dele! Merda! Agora estamos ferrados! Tudo o que escondemos vai por água abaixo, porque ele vai falar não namorávamos antes de vir para cá. Nosso namoro de mentira, que virou verdade, vai ser descoberto. E Serei um homem morto pelos próprios pais! Socorro!