Eternamente

29 Capítulo 29


Sabe quando você quer simplesmente desaparecer do nada, ou reza para um buraco abrir bem abaixo de você? Pois é, eu queria que uma dessas duas coisas acontecesse comigo. Ou simplesmente voltar a algumas semanas atrás e não concordar com essa maluquice do Gabe. Droga, mas se eu não tivesse nesse plano de namoro nós não estaríamos juntos agora. Mas olhando para a minha família, a cara deles, a minha mãe... Eles me ensinaram a nunca mentir, e olha o que eu fiz. Eu enganei a minha família! Que ódio de mim!

– Estou esperando a resposta, Emily Campbell.

Merda! Quando a minha mãe me chama pelo nome inteiro, é sinal que eu estou ferrada e enterrada. Só me resta é falar toda a verdade. Sem mais mentiras nenhuma.

– Emy, que história é essa que você e o seu amigo estão namorando? Você nunca me falou nada disso quando estávamos saindo.

– Uma vez! Vocês saíram uma vez! – Gabe falou nervoso, e eu quase tive que segurá-lo para não partir para cima do George.

– George... Eu e o Gabe estamos namorando, agora.

– Vocês? Mas você sempre me falou que eram amigos.

– Nós somos, mas acabamos nos apaixonando e tudo mais. Estamos noivos.

– O que? Isso não pode ser verdade. Eu achei que ficaríamos juntos, Emy. Eu estava esperando a sua volta. Estávamos trocando mensagens.

– Mensagens? Que tipo de mensagens? – Gabe perguntou nervoso.

– Espera ai, Gabe. Daqui a pouco eu falo com você.

– George, você é um homem legal, cavalheiro e tudo mais, mas eu amo o Gabe, e quero ficar com ele.

–Mas...

– Ela disse que está comigo cara.

– Gabe, por favor...

Gabe se afastou, e eu pude falar com George com mais tranquilidade. Pedi licença, e fui até o escritório falar com ele, claro que o Gabe reclamou, mas naquele momento eu nem dei bola para o ciúme dele.

Assim que entramos no escritório, pedi para que George se sentasse. Não queria magoá-lo, mas tinha que dizer a verdade. Se eu dei alguma esperança, eu juro que não queria, até porque, eu disse que não queria relações naquele momento. Quero dizer, até eu ter a visão do Gabe como meu namorado.

– E então, vai me dizer alguma coisa ou vamos passar o dia aqui?

Respirei fundo e fui até a cadeira que estava ao lado da dele.

– George, eu realmente gostei de ficar com você. O tempo que passamos juntos, as nossas conversas, tudo aquilo foi especial pra mim. Eu até achei que poderíamos ter algo, mas a gente não manda no coração, não é? Sei que posso estar sendo uma idiota, mas não da á para ficarmos juntos. Eu amo o Gabe.

George ouvia tudo, e nem tentou interferir, o que me deu medo, porque homem quando fica muito quieto... Gabe quando ficava muito quieto, era porque ele está pensando em alguma forma de acabar com a vida da pessoa.

– Bem que você poderia dizer alguma coisa. – falei ironicamente.

– Eu achei que poderíamos ter um futuro. Você é a garota ideal! Mas eu posso dizer que eu já havia percebido que o Gabe já tinha o seu coração. Aquele dia que ele ficou com ciúme, o jeito que ele te olhava... Você sempre foi dele, Emy. Eu gosto de você de um jeito especial, e queria tentar algo, mas não dá para competir com o coração.

Posso chorar? Sim, ele estava sendo um fofo! Argh! Por isso eu odiava machucar as pessoas.

– George, você vai achar a sua garota ideal. Eu sou a do Gabe, e a sua pode estar por ai. Quando você menos esperar, ela pode aparecer. Eu gostaria muito que ficássemos amigos, porque a sua amizade se tornou especial pra mim. Amigos? – falei, estendendo a mão para ele.

– Claro, Emy. Eu espero que você seja feliz com o Gabe, e espero ter a sua amizade também. – disse, pegando a minha mão, e selando uma amizade.

– George, como você descobriu o endereço da minha casa?

– Um amigo meu mora aqui, e, provavelmente é amigo dos seus tios. Eu já estava aqui a trabalho, então eu iria de procurar de qualquer jeito, mas quando ele me disse seu nome e que você estava no hospital, eu não pensei duas vezes e vim aqui. Daí eu contei para a sua família quem eu era, mas acho que fiz burrada, não é?!

– Podemos dizer que sim, mas ao mesmo tempo você adiantou o que teríamos que contar um dia.

– Posso saber o que vocês fizeram?

Eu concordei e comecei a contar tudo. Desde a mentira que o Gabe inventou para o pai dele, até o exato momento que chegamos hoje.

– Então é isso? O começo do namoro de vocês foi tudo uma mentira, mas que agora é verdade?

– Pois é. Posso agradecer a essa mentira, mas agora eu estou completamente ferrada com ela. Isso tudo foi virando uma bola de neve gigante, e nós acabamos nos embolando nela. O jeito é contar tudo.

– Está preparada?

– Tenho que estar. Acho que estava na hora. Bem, eu acho que é melhor voltarmos para a sala, senão o Gabe aparece, e ai eu estou ferrada.

– Eu é que estou ferrado.

***

Cheguei à sala, e acho que era melhor eu ter ficado no escritório mesmo, porque pela cara de todos ali, eu estava frita em óleo fervendo. Até o Gabe me olhava com cara de “mais tarde eu te pego, Emily, e não será do jeito que você gosta”. Que merda eu fui me meter?

– Acho melhor eu ir, Emy. Eu estou com medo desse olhar do Gabe para nós. Acho que ele está se segurando para não pular no meu pescoço e me matar lentamente. – falou no meu ouvido.

– Obrigada por entender, George. Você é especial! – falei, o abraçando.

George se despediu de todos e foi embora. Era hora de enfrentar as feras e a fera do meu noivo. Virei para ele e dei o meu melhor sorriso. Quem sabe não funciona. Não é?!

– Não adianta vir com esse sorriso todo, Emily, eu te conheço.

Ah, esqueci que a minha mãe me conhecia muito bem, e que eu usava esse mesmo sorriso quando queria alguma coisa ou quebrava alguma coisa.

– Mãe, o que nós fizemos foi...

– Nós já sabemos. Gabe nos contou tudo, e assumiu a culpa.

Ele assumiu a culpa? Não, ele não pode ter feito isso.

– Mas... Espera ai, eu também tenho culpa. Eu aceitei ser namorada dele, e aceitei mentir para vocês.

– Eu sei, e que quero te dar um castigo por isso, mas não sei por que eu não consigo ficar brava com vocês. Sei que estão errados por ter mentido para nós, mas sei também que essa mentira contribuiu para alguma coisa, não é? – mamãe perguntou sorrindo.

Concordei, e Gabe fez o mesmo.

–Claro que não irão escapar do castigo. – papai disse bravo. – Eu te ensinei a não mentir, Emily. E você também, Gabe.

– Eu sei, padrinho, mas eu pedi para que a Emy fizesse isso. Ela não queria, mas implorei a ela.

Eles ficaram em silêncio, e eu já disse que odiava aquilo. Vai saber o que estava pensando na cabeça deles.

– Estão perdoados. – meu padrinho disse. – Mas isso não quer dizer que estão fora do castigo.

– Sem problemas, pai. O importante é que vocês entendam o que fizemos, e que não fiquem chateados conosco.

– Não ficamos, querido. Não depois que explicou tudo. O importante é que esse noivado é de verdade, não é?

– É a mais pura verdade, mãe. Pode acreditar nisso! – Gabe disse, me abraçando logo em seguida.

***

Após toda a conversa, eu sabia que Gabe queria saber de outra conversa que eu tive. Ele nem tentou nada, mas sabia que a curiosidade dele estava falando alto demais. Se ele não perguntou nada, é porque deve estar esperando eu começar.

– George entendeu muito bem o nosso relacionamento. – falei deitada no colo dele, enquanto ele lia alguns papeis.

Ele olhou pra mim e pensou um pouco.

– Entendeu mesmo, ou fingiu que entendeu?

– Claro que entendeu, Gabe. George é um bom rapaz, e eu quero que ele encontre alguém especial também.

– Não sendo você, ele pode encontrar quem ele quiser.

– Para de ser grosso, Gabe. George é um bom amigo, ok?!

– Hum... Espero que ele seja aquele amigo que fique longe.

Achei melhor parar por ali, porque não queria discutir com ele. Gabe quando queria ser chato, ele consegui com honra.

***

O castigo da minha mãe era fazer as compras do mercado. Tudo bem que eu não gostava muito de mercado cheio, mas pelo menos foi moleza. E lavar toda a louça, essa era a pior parte. Eu odiava lavar louça, mas era isso, ou levar bronca. É, melhor a louça. Após as compras e o jantar, eu estava me arrumando para sair com o Gabe. Ele estava bem melhor em relação a George, até porque eu não mencionei mais o nome dele.

Iríamos a uma boate nova junto com os nossos amigos, isso exclui o Chad, já que Gabe falou que, se ele fosse nós não iríamos.

– Está pronta? Meu Deus! — Gabe perguntou, paralisando na porta do meu quarto.

– Estou. E ai, gostou? – perguntei, dando uma volta para ele.

– Você está... Gostosa! Eu tenho a noiva mais linda e gostosa do mundo! – ele disse, chegando perto de mim e me beijando daquele jeito que só ele sabe fazer.

– Meu batom, Gabe. Agora vou ter que retocar. – falei rindo.

Após me olhar novamente no espelho e ter a certeza que aquela roupa era a certa, sai do quarto de mãos dadas com o noivo mais lindo que eu poderia ter. Gabe estava tão despojado com aquela calça jeans e camisa. Seu sorriso estava iluminando todo o meu ser e eu estava me sentindo completa com esse homem ao meu lado.

Após nos despedirmos de todos, e ouvir vários “Tomem cuidado!” “Não bebam muito!” “Dirijam com cuidado!” nós saímos de casa. Sabem qual é o castigo do Gabe? Ele não poderá dirigir, então quer dizer que eu serei a motorista da noite.

– Então eu vou dirigir um carrão hoje? – falei, rindo da cara dele, e colocando a chave no contato.

– Por enquanto, querida. Só espero que você não nos mate essa noite.

– Engraçadinho você, hein. Pelo menos eu é que estou dirigindo. – ri da careta dele.

– Vamos ou não?

– Ok, senhor mandão!

Estava dirigindo com a maior calma do mundo, até porque queria chegar bem, e também porque nunca dirigido um carro daquele. Vai saber o que pode fazer se eu acelerar demais.

– Você pode andar um pouco mais rápido, princesa, senão chegaremos só quando nossos amigos estiverem indo embora.

– Eu estou bem dirigindo desse jeito, e estamos quase chegando. – falei, parando no sinal vermelho e olhando para ele. – Até que estou dirigindo bem.

– Pra quem dirige aquele seu carro, dirigir esse é moleza. – falou rindo.

– Ok, Gabe, vamos parar com a gracinha?

– Estou brincando, meu amor. Sabe que eu te amo, não é?!

– Não sei? Ama?

– Claro que sim, princesa. Eu te amo e daria tudo por você!

Como não amar um homem desses? Impossível!

– Eu também te amo, muito! – falei, dando um selinho rápido.

Avistei o sinal verde, e segui rumo à boate. Eu conversava com o Gabe, quando um clarão apareceu do nada, batendo do lado dele.

– Gabe! Meu Deus! – gritei, sentindo o carro sendo arrastado, e depois não vi mais nada.

Gabe

Posso quebrar a cara dele? Óbvio que sim! Ele chega à minha casa, fala besteira e ainda beija a minha mulher. Eu vou fazê-lo voltar das cinzas de onde ele veio e nunca deveria ter saído. A praga já chegou causando. Maldito homem linguarudo! Vontade de socar a cabeça dele nessa parede, até ele sumir da minha frente.

– Estou esperando a resposta, Emily Campbell.

Ah, me lembrei. A questão aqui é sobre o nosso namoro. Então vamos focar nisso, depois eu acabo com a raça do linguarudo. Sabe quando a sua mãe te chama pelo nome inteiro, ou quando ela está com o chinelo na mão, e manda você passar correndo, mas daí você acaba levando uma chinelada dela? Pois bem, minha madrinha disse o nome completo da Emy, então isso não é coisa boa. Mas pelo menos não está com chinelo na mão para bater, ainda.

– Emy, que história é essa que você e o seu amigo estão namorando? Você nunca me falou nada disso quando estávamos saindo.

Oi?! Ah, quem chamou o intruso no meio de uma reunião familiar? É da MINHA FAMÍLIA, porra! Então isso quer dizer que não condiz a você!

– Uma vez! Vocês saíram uma vez! – falei nervoso, e quase parti com a parte de bater com a cabeça dele na parede, mas eu fui segurado pela Emy

– George... Eu e o Gabe estamos namorando, agora.

– Vocês? Mas você sempre me falou que eram amigos.

– Nós somos, mas acabamos nos apaixonando e tudo mais. Estamos noivos.

Chupa otário!

– O que? Isso não pode ser verdade. Eu achei que ficaríamos juntos, Emy. Eu estava esperando a sua volta. Estávamos trocando mensagens.

Juntos? Nem nos sonhos! E que porra de mensagens é essas? Será que ela estava me escondendo alguma coisa?

– Mensagens? Que tipo de mensagens? – perguntei nervoso, e contando até dez.

– Espera ai, Gabe. Daqui a pouco eu falo com você.

Esperar? Mas que... Não vou esperar merda nenhuma!

– George, você é um homem legal, cavalheiro e tudo mais, mas eu amo o Gabe, e quero ficar com ele.

–Mas...

– Ela disse que está comigo cara.

– Gabe, por favor...

Eu só falei a real na cara dele. Não precisa desse “mimimi” todo. Eles nem estavam juntos para esse ai ficar de abismado desse jeito. Achei melhor me sentar, porque meus punhos estavam prontos para acertar um rosto, mas quando eu achei que não podia piorar, ela decide falar com ele, e ainda por cima a sós. Posso isso? Falei que não, mas adiantou? Já sabem que não!

Ela sai e eu fico aqui, pronto para ser morto pela minha família. Deus, tenha pena de mim, por favor!

– Eu posso escolher o jeito que quero morrer? Não quero sentir dor, por favor. Se forem me matar, façam isso rápido. – falei, fechando os olhos e esperando a morte.

– Para de brincadeira, Gabe Hunter. Nós queremos uma explicação.

– Ok, pai. Vocês merecem uma explicação, mas não culpem a Emy, ela não tem culpa de nada. Eu pedi para ela fazer isso.

– Porque fizeram isso? Nós só queremos saber o motivo de mentirem para todos nós.

– Mãe, eu criei esse plano todo por causa do papai. Bem, o papai toda vez que ligava em casa ele perguntava se eu tinha namorada. Um dia, eu sem querer soltei que estava namorando, e ele ficou todo feliz e queria saber quem é. Claro que não tinha ninguém, e eu não iria trazer as meninas que eu pegava, até porque vocês não iriam acreditar.

– Porque não desmentiu, Gabe?

– Pai, do jeito que você ficou feliz, eu não tinha coragem. Fui um covarde nessa hora. Então veio a ideia da Emy ser a minha namorada. Ela não queria, até chegou a passar mal com a ideia, mas eu insisti muito até ela aceitar.

– Então tudo o que falaram foi mentira?

– Mais ou menos, madrinha. No começo até foi, mas depois eu fui percebendo que o que eu sentia era muito mais do que amizade. Eu me apaixonei pela Emy, quero dizer, acho que sempre fui apaixonado por ela, mas essa mentira deu um empurrãozinho. Acho que eu nunca teria percebido o quanto a amava se não fôssemos namorados de mentira. Eu peço perdão a vocês. Não queria mentir, mas tudo aconteceu tão rápido, e hoje o que eu tenho com e Emy é tão especial e único. Ela mudou o meu ser! Eu era eu Gabe baladeiro e que não estava nem ai com as mulheres, mas com ela é tudo diferente. Com ela eu quero tudo! Ela é meu tudo!

– Mas e esse rapaz que está aqui? Ele disse que ele e a Emy...

– Ele é um pé no saco! Não é nada da Emy, e acha que pode ter alguma coisa. Eles saíram uma vez, e na cabeça dele eles já estão namorando. Emy trocou mensagens com ele, mas só isso. Não houve namoro e nada mais.

– Você jura que está dizendo a verdade, Gabe?

– Eu juro por tudo o que é mais sagrado. A Emy não tinha nada com ele.

– Apesar de tudo, nós acreditamos em vocês. Dá pra ver o quanto se amam. Pelo menos essa mentira ensinou vocês de alguma forma.

– Pode acreditar que sim, padrinho. Eu e a Emy aprendemos muito nesse pouco tempo. Principalmente sobre o amor.

– Pelo menos isso, não é?! -mamãe disse sorrindo.

***

Essa conversa estava demorando demais. Eu estava já ficando louco, quando eu a vi saindo do escritório junto com o linguarudo. Olhei para ela com aquele olhar que a fazia tremer, mas não do jeito bom. Já para ele eu dei meu olhar de “estou contando até dez para não te matar”. O bastardo ainda sussurrou no ouvido dela, e bem na minha frente. Depois não fala que eu não quero matá-lo e com razão.

– Não adianta vir com esse sorriso todo, Emily, eu te conheço.

Eu também te conheço, princesa. Mas esse sorriso funcionava comigo. Ela tinha o poder de me desarmar por completo.

– Mãe, o que nós fizemos foi...

– Nós já sabemos. Gabe nos contou tudo, e assumiu a culpa.

– Mas... Espera ai, eu também tenho culpa. Eu aceitei ser namorada dele, e aceitei mentir para vocês.

– Eu sei, e que quero te dar um castigo por isso, mas não sei por que eu não consigo ficar brava com vocês. Sei que estão errados por ter mentido para nós, mas sei também que essa mentira contribuiu para alguma coisa, não é?

Castigo? Ninguém tinha me falado em castigo. Tem algo errado ai. Eu ia protestar, mas achei melhor apenas concordar e sorrir. Só não podia ser chinelada.

–Claro que não irão escapar do castigo. – o padrinho disse bravo. – Eu te ensinei a não mentir, Emily. E você também, Gabe.

– Eu sei, padrinho, mas eu pedi para que a Emy fizesse isso. Ela não queria, mas implorei a ela.

Silêncio, o mais puro silêncio... Dava para escutar até o barulho do relógio.

– Estão perdoados. – meu pai disse. – Mas isso não quer dizer que estão fora do castigo.

– Sem problemas, pai. O importante é que vocês entendam o que fizemos, e que não fiquem chateados conosco.

– Não ficamos, querido. Não depois que explicou tudo. O importante é que esse noivado é de verdade, não é?

– É a mais pura verdade, mãe. Pode acreditar nisso! –falei, abraçando-a logo em seguida.

***

Era óbvio que eu estava me corroendo de curiosidade para saber o que eles haviam falado naquele escritório. Só não queria dar um de desesperado e curioso. Iria esperar a vontade dela. Se ela quiser me fala, ok, se não quiser, eu descubro de alguma forma.

Decidi trabalhar um pouco, mas quem disse que eu estava conseguindo prestar atenção. Caramba, ela estava demorado para falar!

– George entendeu muito bem o nosso relacionamento. – falou deitada no meu colo.

Glória a Deus ela falou! Mas ele entender tão rápido assim? Meio estranho para quem achou que tinha um relacionamento com ela.

– Entendeu mesmo, ou fingiu que entendeu?

– Claro que entendeu, Gabe. George é um bom rapaz, e eu quero que ele encontre alguém especial também.

Bom rapaz? Puf! Pra mim ele não é bom rapaz. Não mesmo!

– Não sendo você, ele pode encontrar quem ele quiser. – falei, mas acabei soando grosso.

– Para de ser grosso, Gabe. George é um bom amigo, ok?!

– Hum... Espero que ele seja aquele amigo que fique longe.

Droga! Acabei soando como mal educado. Claro que eu não queria brigar com ela, ainda mais por causa dele, mas esse George me tirava do sério. Emy não falou mais nada, e eu quis evitar uma briga, até porque quando Emy quer defender alguém, ela consegue fazer isso com honra.

***

Combinamos de sair com nossos amigos após o jantar. Claro que eu perguntei se o Chad ia, porque se ele fosse nós não íamos. Não o queria perto da minha mulher. Nunca mais!

Acabei de me arrumar de forma simples, mas sabia que a minha noiva iria amar. Fui até a casa da Emy, e para a minha surpresa, ela estava vestida de um jeito que me deixou louco.

– Está pronta? Meu Deus!

– Estou. E ai, gostou? – perguntou, dando uma volta para mim. Eu até poderia morrer de ciúme, mas ela estava tão sexy com aquele vestido.

– Você está... Gostosa! Eu tenho a noiva mais linda e gostosa do mundo! – falei, chegando perto dela, e dando aquele beijo que ela gosta.

– Meu batom, Gabe. Agora vou ter que retocar. – falou rindo.

O batom era de menos, a minha vontade era arrancar aquele vestido e jogá-la na cama, fazendo-a gritar meu nome a noite toda. Mas já tínhamos combinado, então não poderíamos voltar atrás. Porém, eu vou me perder nessa mulher mais tarde, e será do jeito que gostamos e por muito tempo.

Despedimo-nos de todos, e saímos. Meu castigo era o pior de todos: não dirigir. Eu achei que a Emy deixaria burlar o castigo, mas ela é tão certinha que não deixou.

– Então eu vou dirigir um carrão hoje? – falou, rindo da minha cara, e colocando a chave no contato.

Argh! O jeito é deixá-la dirigir, mesmo eu reclamando.

– Por enquanto, querida. Só espero que você não nos mate essa noite. – falei brincando.

– Engraçadinho você, hein. Pelo menos eu é que estou dirigindo. – falou, rindo da careta de desgosto que eu fiz. Uma coisa que eu gostava de fazer era dirigir, e estava proibido disso.

– Vamos ou não?

– Ok, senhor mandão!

Ela dirigia tão calmamente, que eu achei que, se fôssemos a pé nós chegaríamos mais rápido. Ou ela estava com medo de dirigir mesmo.

– Você pode andar um pouco mais rápido, princesa, senão chegaremos só quando nossos amigos estiverem indo embora.

– Eu estou bem dirigindo desse jeito, e estamos quase chegando. – falou, parando no sinal vermelho e olhando para mim. – Até que estou dirigindo bem.

– Pra quem dirige aquele seu carro, dirigir esse é moleza. – falei rindo.

Ah, aquele coisa nem pode ser chamado de carro. Era um perigo ambulante, que assim que chegarmos a casa, eu mandaria para sumir com aquilo. Era um perigo mesmo!

– Ok, Gabe, vamos parar com a gracinha?- ela odiava que eu falava daquela coisa.

– Estou brincando, meu amor. Sabe que eu te amo, não é?! –falei rindo.

– Não sei? Ama?

– Claro que sim, princesa. Eu te amo e daria tudo por você! – daria a minha vida por ela.

– Eu também te amo, muito! – falou, dando um selinho rápido, me fazendo ficar com mais vontade dela.

O sinal ficou verde, e eu olhei para o lado, perdendo a visão, já que um farol apareceu. Eu percebi que ele iria bater, então me coloquei sobre o corpo da Emy, para que não aconteça nada com ela. O carro bateu do meu lado, e eu senti uma dor forte, mas eu queria protegê-la de tudo. Eu disse que daria a minha vida por ela, e eu estava fazendo isso.

– Gabe! Meu Deus! – ela gritou, apagando logo em seguida.

– Princesa? – falei, tentando gritar, mas a minha voz não saia. – Eu te amo tanto... – e tudo se apagou. Não sentia mais dor, apenas vi uma escuridão profunda.