Eternamente

11 Capítulo 11 Bônus Gabe


Notas iniciais
Oi, amores! Cheguei mais cedo e com um bônus do nosso Gabe. Antes de tudo, eu queria falar que o Nyah está tirando toda a pontuação da história. Ela está sem parágrafo e pontos, mas isso só acontece por aqui :(( Enfim, eu ia postar mais cedo, mas hoje meu dia foi péssimo. Acordei com dor, fui para o hospital, e só terminei agora, então está sem revisão :( Espero que gostem, e não matem esses dois, eles ainda não sabem dos sentimentos. Beijos

Estar novamente em casa, depois de um bom tempo sem pisar aqui, me traz boas lembranças, mas ao mesmo tempo eu me lembro de algumas coisas ruins. Eu e a princesa estávamos aqui na cozinha, esperando um chamado da minha mãe para comparecermos à sala de jantar. Estava tão nervoso com tudo aquilo, e minha mãe demorava cada vez mais. Eu queria apenas um jantar com a minha família, apenas as pessoas que eu amava, mas a família da Patrícia teve que aparecer para fazer o ar da graças. Não sei por que meu pai ainda tem contato com eles, porque pra mim, eles são um bando de interesseiros e invejosos, principalmente o bastardo do Daniel, que me inferniza desde criança. Aquele ser, que parece que veio dos infernos, nunca me deixou em paz, e vivia me perseguindo, mas o que é dele está guardado.
Assim que a minha mãe gritou para entrarmos, segurei firme a mão da princesa, dei um beijo em sua bochecha e sorri. Queria mostrar para ela que eu estava sempre ao seu lado, e que tudo daria certo.

Ao entramos na sala de jantar, nos deparamos com os olhares surpresos de todos. Além da nossa família, estavam alguns amigos da família, que eu até gostava, e os Sullivan. Sorri para todos os presentes, menos claro, para a Patrícia, que não tirava os olhos de mim, e o bastardo do Daniel, que não tirava os olhos da Emy. Será que é pecado desejar a morte de alguém? Ou que ele fique cego? Se for, eu vou para o inferno.

Depois de todos os abraços, sorrisos, e lágrimas, a Patrícia decidiu abrir a matraca, falando o quanto eu estava bonito. Espera ai, quem perguntou pra ela? Ah, eu que não fui, mas enfim, deixe a garota aparecer, já que ela estava ofuscada pela beleza da Emy.

Eu percebi que ninguém perguntou sobre namoro, nem nada, então me deu um alívio em pensar que talvez eles tenham esquecido. Mas, mais uma vez, a ser abriu a boca e perguntou se eu não iria levar trazer uma namorada. Eu tentei cortar o assunto, falando que estava na hora do jantar, mas ela ainda insistiu. Deus me segure! E para piorar, o bastardo abelhudo insistia mais ainda, mas o que me enfureceu foi o olhar que ele dava para a Emy. Será que ele não percebeu que ela estava comigo? Se for o caso, eu posso dar uns óculos para ele, para ver se ele enxerga melhor as coisas ao seu redor. Percebi que não iria adiantar eu adiar falar sobre isso, já que até o meu pai se meteu no meio da conversa, e ele ainda sorria. Se ele soubesse da missa a metade...

Tinha chegado a hora. Segurei firme a mão da Emy, e olhei em seus olhos, mostrando que eu também estava nervoso. Mas parecia que, todas as vezes que eu olhava nos olhos azuis, os maravilhosos olhos azuis da princesa, eu me sentia forte, e pronto para enfrentar uma batalha.

– Bem, eu não estava pretendendo contar agora, mas já que a Patrícia começou com o assunto. — falei olhando bravo para ela. — Eu queria falar que o meu namoro começou há pouco tempo, por isso nós não falamos sobre isso.

Bem, eu tinha começado bem, agora faltava falar a parte principal. Será que eles iriam acreditar em mim, em nós? Só me arriscando para saber.

– Quem é meu filho? Você a trouxe? Qual o nome dela? Minha mãe perguntou.

Jesus dê-me força! Não gagueje, não gagueje...

Sim, eu a trouxe.

Cadê? — minha madrinha perguntou.

Respirei fundo e tentei me controlar. Emy estava tremendo e gelada. Eu não queria passar mais nervoso para ela.

Vocês estão olhando para ela.

Todos ficaram sem entender, e olhavam entre si. E eu queria sair correndo com a Emy.

Como assim, Gabe? — meu pai perguntou sério.

Bem, a minha querida e amada namorada é a Emily.

Pronto, falei! Agora é aguardar o julgamento de todos.

O que? Patrícia gritou.

Menos dela. Quando eu digo que esperava o julgamento da minha família, eu citei os Hunter e os Campbell, não esse bando de idiotas. Eles nem gostam de mim, e eu sei muito bem do que a Patrícia gosta.

Eu estava nervoso com tudo aquilo. Os olhares, a mentira, que martelava em minha cabeça, o medo de descobrirem e medo da princesa passar mal de novo. Estava com raiva dos olhares indignados da Patrícia, os pais dela com um olhar mortal para a Emy, que por mim é bom eles terem cuidado, porque se eu ouvir alguma coisa, algum chingamento ou piadinha para cima princesa, eu esqueço que eles são velhos conhecidos. A Emy é mais importante do que qualquer coisa. Assim como, é bom o Daniel para de ficar encarando. Maldito!

Quando eu achei que iria dar alguma merda, a melhor pessoa do mundo, a pessoa pelo qual eu daria a minha vida olhou pra mim e sorriu. Aquele sorriso me desarmava completamente. Ele era o meu antídoto, assim como os seus beijos delicados. Sorri de volta, tentando tranquilizá-la ao máximo.

Tudo vai ficar bem, princesa. Mantenha a calma! eu falei, tentando passar calma para ela, mesmo estando nervoso.

Assim que eu falei em seu ouvido, eu senti alguma coisa estranha, como se fosse um arrepio. Minha mãe sempre falava que poderia ser algum espírito, e eu sempre tinha medo, mas ali era algo diferente. Era como se fosse um arrepio gostoso, e eu queria sentir de novo. Foco Gabe, foco!

Quando eu ia dizer algo, Patrícia se intrometeu. Puta que pariu! Será que essa mulher não percebe o quanto é desagradável? Se ela quiser, eu posso muito bem falar aqui, na cara dela.

Gabe, como assim você está namorando ela? Vocês são amigos, ou sei lá o que vocês são. Isso não pode acontecer!

Não pode acontecer? Quem é ela para falar sobre o que eu posso ou não posso fazer? Nem da família ela é.

Patrícia, o que eu faço da minha vida é problema meu. Sim, somos amigos, e sempre iremos ser. Mas, quem nunca se apaixonou pela melhor amiga, não é amor?!

Bem, eu tive que chamar a Emy de amor, porque daria mais credibilidade ao nosso teatrinho. Eu senti que ela ficou rígida ao meu lado, e que tinha ficado sem palavras. Eu tinha que dar um jeito de disfarçar isso.

Olha, o nosso amor é tão forte, que ela ficou sem palavras. Calma, amor, não precisa ficar nervosa. falei acariciando o seu rosto, e olhando na imensidão dos belos olhos azuis.

Eu poderia ficar horas admirando o seu rosto, mas eu tinha que enfrentar a família ainda.

Impossível! Até ontem você não tinha namorada, e agora aparece amarrado com ela.

Com ela? Quem ela pensa que é para falar desse jeito? A Emy é mais mulher do que ela. E porque diabos, ela ainda queria enfiar o bico no meio da conversa?

Patrícia, eu já te falei. A minha vida só quem precisa saber é eu e a Emy. Você não é nada minha, e então não dê palpite na minha vida. Acho melhor você se preocupar com a sua.

Pronto. Talvez agora ela dê um pouco de paz para a minha cabeça. A vida dela deve ser bem chata, porque está tão interessada na minha. Ah, já sei o que deve ser: falta de uma boa transa, ou de pinto. Aquela lá é ninfomaníaca, e eu bem sei disso.

Olhei para o meu pai, e fiquei esperando alguma reação dele. Parece que eu estava vendo as engrenagens em sua cabeça.

Eu ainda estou sem entender. Gabe, quando você me falou sobre uma namorada, eu achei que fosse outra garota, não a Emy. Porque você não contou que era ela?

Talvez pelo fato de que, tudo isso é uma mentira? De que a Emy não é a minha namorada, e eu tive que implorar para ela aceitar? Bem, vamos omitir os fatos, não é?!

Pai, é que foi meio complicado no começo. Nós estávamos tentando a todo custo esconder esse sentimento, mas teve uma hora que isso estava transbordando. Não conseguíamos esconder o que sentíamos, e bem, decidimos tentar.

Opa! Cadê um diretor de televisão para me contratar? Se eu não der certo na carreira de advocacia eu, com certeza, darei certo na carreira de ator. O Oscar está perdendo um astro. Eu falei com tanta emoção e seriedade que até eu acreditei. Mas é mentira. É claro que é mentira.

Mas quando eu liguei vocês já estavam juntos?

Não.

Estávamos pai, mas era muito recente, sabe.

É bem recente. Tipo... Um dia.

Sei. Mesmo assim, você deveria ter me contado, Gabe. Ficamos curiosos para descobrirmos quem era mulher misteriosa.

Pois bem, agora vocês sabem.

Sabem da mentira, essa pequenina mentirinha nossa, minha, ou sei lá...

Parece que o meu pai tinha se convencido, porque ele sorriu e percebi que tinha emoção em seus olhos. Eu sabia que não iria ser difícil, porque meu pai amava a princesa, como se ela fosse uma filha para ele.

Meus filhos, eu não acredito que vocês estão juntos. Eu estou tão feliz! mamãe falou chorando.

Obrigada, mãe! Nós também estamos muito felizes!

Eu estava feliz. Estava em casa, com a minha família, e estava namorando a Emy. Tudo bem que é de mentira, mas estava diante dos olhos de todos.

Minha madrinha chorava junto com a minha mãe. Elas choravam por tudo, igual à princesa. Era por filme, novela, ou por causa de um mosquito que pousou em cima da mesa. Tudo era motivo para elas chorarem.

O único que não tinha falado nada era o meu padrinho. Ele era sério em relação à Emy, pelo fato de que, ela era a mulher, e era filha única. Até eu, se tivesse uma filha, seria ciumento, mas como eu nunca vou ser pai, eu não irei me preocupar com isso.

Então vocês estão namorando?

Não!

Sim senhor!

Senhor! Eu estava nervoso com o olhar do meu padrinho. Isso porque eu o tenho como um pai, e ele me têm como um filho. Imagina se fosse ao contrário...

Pois bem. Eu espero que você a machuque, rapaz.

Não irei padrinho. Eu gosto muito dela.

O que não era mentira. Eu amava a Emy. Ela era como uma irmã, minha melhor amiga e companheira nas horas boas e ruins.

Emy estava quieta demais, e quando isso acontece, é porque ela está pensando demais. Eu não queria que ela colocasse tudo a perder justo agora. Queria que ela se sentisse bem, e que não ficasse nervosa, para o bem da saúde dela. Olhei para ela, com a esperança de que ela poderia falar alguma coisa. E eu fiquei aliviado quando eu vi que ela estava agradecendo a todos.

Bem, eu ouvi a todos os interessados, que é a minha família. E queria agradecer a todos pelo apoio, compreensão e amor. Confesso que fiquei com medo de não aceitarem, mas fico aliviada e feliz que tudo deu certo. Eu e o Gabe estamos felizes, ainda mais agora com vocês ao nosso lado. Obrigada!

Ufa! Ela finalmente tinha conseguido falar, sem gaguejar. E olha, ela passou uma verdade que eu fiquei abismado. Emy seria uma ótima atriz. Eu estava orgulhosa dela.

Sorri e a levei para a mesa. O jantar estava maravilhoso. Minha mãe e madrinha tinham caprichado. Desde criança, eu fui criado para ser simples, sem aquela graça de comer comida cheia de frescura, e de colocar pouco no prato. Isso era tão chato! Eu percebi que os Sullivan mal comiam. Eles tinham colocado tão pouco, que isso não sustentava nem a metade do meu estomago. Eles eram cheios dessas gracinhas, porque para eles o importante era manter a posse, não matar a fome. Grande besteira. Pra mim, o importante era: boa comida, boa companhia, e meu estomago não roncar de fome. A comida estava bem temperada, e eu tinha certeza que foi palpite da minha mãe, já que ela adorava um bom tempero, menos pimenta. Emy era alérgica a pimenta, nozes e amendoim. Eu me lembro da última que ela comeu pimenta, sem saber que na comida tinha. Foi parar no hospital, me deixando desesperado. Fiquei tão preocupado, que para não mostrar isso a ela, fiz muita piada e ria, mas dentro de mim estava um poço de preocupação.

A princesa estava sentada ao meu lado, e parecia estar feliz. Eu sabia que o que eu tinha pedido para ela fazer para mim foi egoísta, mas eu não poderia enfrentar a inquisição da minha família. Eu os amava muito, mas sabia que não iriam tirar da cabeça ideia de arrumar alguém pra mim, mesmo esse alguém sendo a Patrícia.

Olhei ao redor da mesa, e senti alguém me observando. E adivinhe quem era? Sim, o bastardo abelhudo. Ele sorria para a Emily, mas ela nem percebia isso, o que foi um grande alívio para a minha sanidade. Mas eu gostava de provocá-lo, então comecei a sorrir mais para ela, acariciava o seu rosto e passava os meus dedos levemente pelas suas costas, mesmo sabendo que ela tinha cócegas. Eu tinha que mostrar para ele que, ela não estava disponível hoje, nem amanhã e nem nunca. Para chegar perto dela ele iria ter que passar por cima de mim, e isso seria bem difícil. Chupa, otário!

Percebi que ela estava segurando a risada, e então perguntei o motivo. E como eu havia imaginado, era por causa das cócegas. Ela disse que iria gargalhar a qualquer momento, e eu amava quando ela dava a sua famosa gargalhada. Ela era perfeita, assim como ela.

Comecei a sussurrar em seu ouvido, mas com a intenção de que o bastardo possa ouvir.

Hum... Então eu te faço sentir cócegas? Eu amo a sua gargalhada, princesa. falei perto do ouvido dela, e senti os meus lábios em seu pescoço. A sensação de arrepio voltou, e estava tão boa.

Gabe, controle-se. ela me repreendeu.

Somos namorados. E eu não estou fazendo nada demais. Que eu saiba, estamos apenas conversando.

Só para mostrar quem é seu namorado, querida.

Ao pé do ouvido?

É para ninguém saber o nosso assunto, princesa.

Mesmo eu querendo que Daniel escute a nossa conversa, e esqueça que você existe.

Comporte-se, por favor, senão daqui a pouco eu saio daqui, e me sento ao lado do Daniel.

O que? Eu querendo que o filho da puta pare de ficar olhando para ela, e ela querendo sentar ao lado dele? De jeito nenhum. Nem por cima do meu cadáver.

Ok! Mas nem pense em sentar ao lado daquele bastardo. falei bravo.

Percebi que Daniel nos olhava sério, e claro, eu não queria perder a brincadeira. Levantei a taça que estava bebendo, e dei um sorriso sarcástico para ele. Quem está no topo, idiota? Quem é namorado da princesa? Bem, acho que sou eu. E mais uma vez... Chupa, bastardo!

Eu achei que poderia explodir de tanto que eu tinha comido, mas assim que eu vi a sobremesa abri um sorriso, me lembrando da minha infância com a princesa. Tinha o famoso bolo de chocolate da madrinha, que era o nosso bolo preferido. Lembrei-me das vezes em que eu e a Emy comíamos escondidos antes do almoço ou jantar, de quando comíamos de montão, sem medo de ser feliz. Olhei para a princesa, e vi os seus olhos brilhando, como se ela tivesse voltado a ser criança.

Tem bolo de chocolate? Eu quero, eu quero.

Eu ri da reação dela. Definitivamente ela tina voltado a ser criança naquele momento.

Eu sabia que você iria amar, querida. a madrinha falou sorrindo

E eu, madrinha? Eu não ganho um pedaço desta oitava maravilha? falei brincando.

Claro, meu querido. Dê-me o seu prato.

Aqui em casa não tem miséria. A minha madrinha cortou um pedaço enorme do bolo, mesmo assim, eu iria comer e provavelmente repetir.

Emy ficou assustada com o tamanho do pedaço dela, mas eu falei que ela não precisava ficar com essa paranoia. Ela não precisava daquilo. Seu corpo era perfeito.

Isso mesmo, Emily, tem que cuidar do corpo. Daqui a pouco você vai sair rolando por ai feito uma bola. Ou pior, Gabe pode querer te trocar por alguém mais... Magra.

Quem abriu a porta do galinheiro? Quem deu permissão para ela falar? Como uma pessoa pode ser tão irritante, falsa e hipócrita. Quem ela pensa que eu sou? Ela realmente não me conhece. Será que ela acha que eu trocaria a Emy por ela? Nem se eu fosse louco. A princesa podia ser gorda, magra, ou de qualquer jeito, eu iria sempre querer ela. Emy tentou ser mais educada possível, mas eu senti que ela estava perdendo a paciência.

Você não tem que achar nada. O bolo é nosso, e nos deixe comer o tanto que nós quisermos. Aliás, eu acho que você está com inveja da Emy, porque ela pode comer, sem ter medo de engordar, já você... E outra, se ela virar uma bola ou não, o que eu acho impossível, quem é o namorado dela sou eu, e eu sempre vou estar com ela, seja gorda ou magra. Entendeu?

Falei sem pensar mesmo. Não estava nem ai para ela, e muito menos para a família dela. Ninguém mexe com a Emy. Patrícia sempre teve esse ar de invejosa, e eu sempre a quis afastada da princesa. Não queria que ela ficasse falando asneiras como essa. A mãe abriu a boca para me repreender, e eu senti que mamãe queria rir, assim como eu.

O resto do jantar estava sendo mais tranquilo, já que as doidas estavam caladas. Perguntei da minha avó, que estava viajando com os meus tios, e fiquei feliz em saber que ela chegaria ao outro dia. Vovó sempre foi nossa cúmplice em tudo. Muitas vezes eu fiz arte, e ela sempre me ajudava a esconder. Ela morava aqui em casa, mas vivia viajando com os amigos, ou alguém da família.

Assim que todos terminaram, decidiram ir até a sala para conversarem. Um amigo dos meus pais veio até a mim para me parabenizar sobre o meu trabalho. Perguntou algumas coisas sobre a Califórnia, e eu respondia todas educadamente, mesmo com uma maldita dor de cabeça. Em um momento de distração, percebi que a Emy não estava mais na sala e fiquei preocupado com o sumiço dela. Será que ela está passando e mal e foi para o quarto? Pra onde será que ela foi? Pedi licença para o senhor e fui atrás dela.

– Mãe, você viu a princesa? perguntei preocupado.

– Querido, eu a vi indo para a varanda.

– Obrigada, mãe.

Sem esperar, eu sai de casa, em direção à varanda. Assim que estava chegando perto dela, escutei uma voz masculina, que só depois eu fui perceber que era do Daniel.

Que bom. Eu estava pensando em passar um tempo por lá. Você deveria ser a minha guia turística, ou melhor, eu poderia ficar em seu apartamento, já que eu não gosto muito de fica em hotéis.

O que? Eu vou acabar com a raça desse desgraçado. Nunca, ouviram bem, nunca que ele vai chegar perto dela, muito menos se hospedar em seu apartamento. Eu mataria o bastardo antes. Como que ele pode vir até ela e ficar falando essas asneiras? Ele está dando uma cantada barata, e eu estou aqui paralisado, tentando conter a minha raiva antes que querer voar no pescoço dele.

Ah, eu não...

Sem pensar mais um minuto, eu corri para o lado da Emy e agarrei a sua cintura. Olhei sério o bastardo em minha frente e falei:

Algum problema por aqui, princesa?

Não tem problema nenhum por aqui, Gabe.

Filho da puta! É claro que eu tenho um problema aqui. Você está dando em cima dela. Você é o problema.

Eu falei com você? Eu acho que não, porque pelo o que eu sei você não é mulher.

Ou é mulher e eu não sei. Talvez eu coloque uma peruca nesse idiota.

É que você...

Eu não conseguia mais ouvir a voz dele, muito menos ficar perto.

Quieto! Eu perguntei para a Emily, não para você. E então princesa, algum problema?

Não! Eu estava aqui tomando um ar.

E o Daniel veio te atormentar?

Claro que veio te atormentar.

Eu não vim fazer nada, Gabe. Eu estava conversando com a Emy.

Emily. O nome dela é Emily.

Ele ainda insistia em chamá-la de Emy. Isso era intimo demais, e eu não deixaria ter essa intimidade toda com ela.

Estou vendo que ainda continua um ciumento e tanto, Gabe. E pior, ainda a chama de princesa. Isso é tão infantil.

Infantil? Que porra é essa que ele está falando? Eu vou socar a cara desse filha da puta. Ele não tem nenhum direito de falar assim comigo.

Eu estava prestes a ir para cima dele, mas a Emy me segurou. Se não fosse por ela, eu teria arrancado os dentes desse babaca.

Calma, Gabe. Ele só quer fazer você perder a paciência.

Calma, Gabe. Mantenha a calma! Conte até dez e respire fundo.

Infantil? Eu não acho que estou soando infantil.

Está agindo como então?

Como um homem. O homem que é protetor e possessivo com a pessoa que está ao seu lado. Eu não irei o deixar chegar perto dela, nem de brincadeira.

Como um namorado, querendo proteger a mulher que ama de um bastardo abelhudo.

Uau! Realmente você está apaixonado, Gabe. É ver para crer!

Apaixonado? Eu não estou apaixonado. Eu apenas o conheço suficiente, e sei que ele não presta. É um sem vergonha invejoso. Eu protejo as pessoas que eu amo, e eu estou fazendo isso com a princesa. Eu a amo como uma irmã.

Daniel, por favor, deixe-me as sós com o Gabe.

Finalmente ele iria sair daqui. Deus, obrigado!

Ok, pombinhos. Boa noite Gabe e princesa.

Desgraçado! Como ele ousa chamá-la de princesa? E bem na minha frente. Só eu posso chamá-la assim, só eu. Eu inventei esse apelido, eu sou amigo dela desde criança, eu estive ao lado dela. Eu sempre estarei com ela, nas horas boas e ruins, então acho que esse apelido me pertence. Deus dê-me paciência, porque se der força, eu o mato!

Calma. Não vai se estressar por causa dele. Não vale a pena.

Respira, Gabe. Isso mesmo, ele não vale a pena.

Bastardo filho da puta! Abelhudo do caralho! Eu vou arrancar aquilo que ele chama de pinto.

Gabe, para! Estamos na casa dos seus pais. Eu não quero que eles presenciem uma briga, porque e isso que o Daniel quer. Eles não merecem ver o filho trocando socos com um idiota.
Meus pais não merecem mesmo, mas mesmo assim.

Mas ele merece.

Eu também acho que sim, mas não agora, ou nunca. Eu quero ter paz nessas férias. E você tente se controlar.

Ok. Eu vou me controlar. Tentar pelo menos.

Controle? É tudo o que eu não tenho nesse momento.

Acho bom. E essa cena de ciúmes? A sua desenvoltura falando sobre o nosso namoro, e me chamando de amor também. Você soube enganar direitinho.

Eu enganei direito? Juro que não pensei em mais nada. Eu sai falando, mas nem prestei atenção nas palavras. Esse ciúme que eu sinto é algo natural. Eu sempre irei sentir ciúmes de qualquer idiota eu ousar chegar perto dela. Deus, eu estou com uma coisa martelando a minha cabeça, e não é a dor que eu estou sentindo. Estou com medo de alguma coisa. Mas o que será?

É... Eu soube mentir direitinho. Nós dois.

Ela tinha se saído otimamente bem. Soube falar com desenvoltura, mas eu algo em minha cabeça e meu coração estava querendo dizer alguma coisa. Acho que isso era sinal de cansaço.

Está tudo bem?

Está. Eu estou cansado da viagem, fora a dor de cabeça infernal.

Vá se deitar, Gabe. Você me parece estar mesmo abatido
É eu estou indo. Vim aqui para me despedir.

Acho bom. Boa noite, Gabezinho.

Eu adorava quando ela me chamava daquele jeito. Só ela podia, afinal, ela tinha criado o apelido quando era criança.

Boa noite, princesa.

Dei um beijo de boa noite, e esperei para ver se ela iria para os eu quarto, ou se ficaria na sala. Dei graças a Deus quando a vi ir para o quarto, porque senão o bastardo poderia dar em cima dela de novo, e eu não iria me responsabilizar pelos meus atos. Subi para o quarto e me joguei na cama. Eu queria era só dormir.

Acordei um pouco mais tarde que o normal. Levantei-me e fui tomar um bom banho. Coloquei uma roupa confortável e desci para tomar o café da manhã.

Deparei-me com mamãe a madrinha na mesa. Elas estavam rindo de alguma coisa.
– Bom dia, meus amores. falei, dando um beijo em cada uma.

– Bom dia, meu filho. mamãe falou.

– Bom dia, meu menino. a madrinha me disse sorrindo.

Perguntei do meu pai e do padrinho, mas infelizmente eles tiveram que sair mais cedo hoje.

Começamos a conversar, mas estava sentindo falta da princesa. É tão comum nos encontrarmos pela manhã, que quando não estou junto com ela, ou pelo menos falo com ela, eu sinto falta. Mandei uma mensagem, e estava esperando ansiosamente para vê-la.

– O que você está rindo, meu filho. minha mãe perguntou.

– Ah, não é nada, mãe.

– Sei, esse sorriso se chama Emily?

Eu fiquei sem resposta. Minha mãe sabia muito de mim, não tanto igual à Emy, mas sabia.

– Não precisa responder. Eu vejo em seus olhos o amor de vocês.

Já era a terceira pessoa que falava isso.

– Mãe, nosso namoro está recente. Não sei se é um amor ainda.

– Eu sei que é, meu filho. Sempre foi. Você e a Emy formam um lindo casal. Eu fico muito feliz com esse namoro. Eu posso sentir a felicidade de vocês.

Ah, mãe... Eu me senti um lixo agora. Estava mentindo para a minha mãe, a mulher que eu amo; a mulher que me deu a vida. Estou me sentindo ruim com isso.

– Obrigada, mãe. agradeci sorrindo.

Continuamos conversando, até que eu senti a presença dela, o perfume dela.

– Bom dia! Emy falou sorrindo para todos nós.

Ela sentou-se ao meu lado e sorriu. Perguntou sobre o meu pai e o padrinho, e a madrinha respondeu a mesma coisa que falou pra mim. Assim que acabamos o café, fomo até a sala de vídeo para vermos alguma coisa.

Perguntei qual filme ela queria, e para a minha surpresa, ou não, ela escolher um de romance. Tentei fazer com ela mudasse de ideia, mas estava sendo impossível. Ela começou a falar sobre o amor dos personagens, e eu fiquei de boa aberta. Como pode alguém ser tão inteligente? A Emy tinha todas as qualidades do mundo, mas eu amava a sua inteligência. O filme realmente era bom, já tinha assistido muitas vezes com ela, e todas às vezes ela chorava. Mas será que esse amor todo era verdadeiro? Não sei se pode existir alguém que mude, ou que viva um amor como o deles.

Deitamos no sofá, e ficamos juntos assistindo o filme. Quando estava na metade, escutei a voz da minha avó. Ela apareceu na sala, e nós corremos para abraça-lá. Ela chorava e dizia o quanto nos amava. Eu estava com saudades desse abraço tão fofo da minha avó. Depois de tantas perguntas, ela resolveu falar de namoro. Eu tenho certeza que tem um dedinho da minha mãe nisso, porque ela foi muito direta.

Vovó, nós estamos namorando.

Namorando? Mas cadê o namorado e a namorada de vocês?

Ela não tinha entendido? Vamos lá, vamos enfrentar a vovó. Olhei para Emy para ver se ela poderia falar no meu lugar.

Vovó, eu e Gabe estamos juntos.

Vocês? Tipo juntos? Namorados?

Ela nos olhou desconfiada. Seu olhar ia para mim e para a Emy. Ela era esperta.

Sim.

Meu Jesus! Que alegria! Meus dois netinhos juntos. Quando isso aconteceu? -ela falava gritando e sorrindo.

Bem vó, desde anteontem? Mas eu não podia falar a verdade, mas não queria enganá-la. Minha vó era muito esperta, então teríamos que ter cuidado com ela.

Há pouco tempo. eu falei.

Eu não poderia estar mais feliz. Eu vou ligar para os seus tios, eles vão amar a novidade.

E assim, vovó saiu cantando toda alegre. Eu sabia que ela iria gostar, mas não poderíamos dar tanta bandeira.

Pois é, temos mais o apoio da vovó, Gabe.

Pois é, Vamos voltar ao filme.

O resto do filme foi cheio de lágrimas da Emy. Ela amava filmes de romance, e eu sempre acabava assistindo com ela.

Escutei todos os meus tios e primos chegarem. Estávamos saindo da sala, quando escutei a voz da nossa pequena Vic.

– Tia Emy. ela gritou feliz.

Ela amava a princesa. Vic a chamava de tia, assim como eu de tio, mesmo sendo primo dela. Era a pequena da família, e tinha toda a atenção, amor, e carinho. A Vic era muito esperta. Ela falava que estava grande, e que não era mais um bebê, isso porque ela só tem seis anos. Depois de todo o abraço e beijo, ela correu em minha direção, e eu a levantei, fazendo avião com ela. Seus gritinhos ecoavam pela sala, e eu amava aquilo.

Minha mãe nos chamou para o almoço. Estávamos todos sentados e conversando animadamente, parecendo uma família italiana. Para variar, Vic quis sentar ao lado da princesa, e eu sentei do outro lado. Minha vó nos olhava e sorria, e eu tinha que passar a verdade. Sorria para a Emy, e coloquei as mãos na perna dela. Ela me olhou e repreendeu e eu sorri, mas parecia que outra pessoa tinha percebido a minha mão e sem a menor cerimônia perguntou o porquê eu estava colocando a mão na perna dela.

– Ah, é que...

Querida, eles estão namorando. minha mãe falou sorrindo.

Vic soltou um gritinho de felicidade e abriu um enorme sorriso.

Namorando? O titio está namorando a tia Emy?

Ela parecia que tinha ganhado um brinquedo.

Sim querida, eu e a princesa estamos juntos.

Sorri para ele e pisquei.

Princesa?

Eita! Ela não sabia que eu chamava a Emy assim. Seus olhinhos brilharam quando ouviram o apelido de princesa.

É o jeito que o seu tio me chama desde criança. Emy falou sorrindo.

Ah, entendi. Então quer dizer que você é um príncipe?

Eu um príncipe? Acho que não. Eu sou totalmente o contrário de um príncipe. Não acredito nesses romances de livros. Não acredito que possa existir um amor tão forte. Pra mim é apenas diversão. Só isso.

Estava comendo a minha comida tranquilamente, quando escutei uma tosse e todos os olhares foram para a pequena garotinha em pé na cadeira. Lá vem bomba.

Bem, já que você é um príncipe e a tia uma princesa. Cadê o beijo? Príncipes e princesas se beijam no filme.

Beijo? Como assim beijo? Eu não daria um beijo na princesa. Nós somos amigos, e isso nunca passou pela nossa cabeça. Eu nunca, nunca mesmo, a beijei. E não posso fazer isso hoje.

Beijo? Emy perguntou assustada.

Ela estava assustada, assim como eu. Todos estavam olhando para nós, e eu queria sair correndo dali.

Aham. Eu quero ver o beijinho apaixonado, como na Branca de Neve.

Estava numa fria. Minha vó me olhava esperançosa, meus tios sorriam, meus pais e padrinhos também. O que eu vou fazer. Beijo ou não beijo? Mas algo estranho está passando dentro de mim. Parece que me deu uns cinco segundos, e me deu vontade de poder dar um beijo nela, mesmo que for de mentira. Mas isso não pode acontecer, não vai acontecer.