Notas iniciais
Hey hey people! Tá aí mais um cap que irá explicar algumas coisas.
Obs.: eu inventei tudo aí, então não tem nenhum compromisso com a realidade).
Boa leitura!

No sábado de manhã Enid marcou uma "reunião" com Dany, Evan e Vine na casa de Evan. O silêncio predominava o escritório. Ninguém dizia nada. E essa foi a pior reação que Enid imaginara que eles teriam ao contar sobre o que acontecera noite passada.
Os olhos atentos de Evan ficaram sombrios por um momento e aquilo deixou Enid mais aflita. Todas as vezes que ele a olhava daquele jeito ela sabia que devia temer algo, mesmo sem saber o que era.
- Sinistro — disse Dany, de repente. Uma única palavra chamou a atenção de todos.
- Um vulto? — Vine perguntou, pensativo.
- Sim. — Enid respondeu. — Um vulto preto.
A mandíbula de Evan enrijeceu como se ele tivesse se lembrado de algo. Ele sumiu do escritório numa velocidade sobrenatural. Não demorou um segundo e ele estava de volta com a caixa da chave nas mãos. Ele a abriu e seus músculos relaxaram.
- Está aqui — ele falou, aliviado.
- Claro que está, por que não estaria? — Dany perguntou, curvando-se um pouco para ver a chave brilhante feita de rubi.
- Não sei. Achei que pudessem ter pego a chave. — Evan respondeu e depois fechou a caixa.
Enid se jogou no sofá ao lado de Vine e suspirou. Ela estava cansada. Não fechara os olhos durante a noite toda. Pensou em ligar para Evan, mas não queria preocupa-lo.
- O que vocês sabem sobre a chave? — Dany perguntou mais a Vine e Evan que Enid.
- Caliel não quis me contar muita coisa. Apenas disse que eu devia guardá-la muito bem. Não deu nenhuma informação — disse Evan.
- Talvez devêssemos chamá-lo. — Vine falou e já pegou o telefone. — Precisamos de explicações.
- Talvez o que aconteceu a Enid possa ser por causa da chave. — Dany disse.
- Eu acho que aquilo aconteceu a Enid exatamente por causa da chave. — Evan falou e seus músculos ficaram tensos novamente.
- Mas por que eles procuraram a ela? Ela não está com a chave — disse Dany.
- Talvez eles achassem que ela estava com a chave.
- Será que foram burros o suficiente para achar que Enid estava com a chave?
- Ei! — Enid exclamou balançando as mãos, para chamar a atenção deles. — Enid está aqui ouvindo o que vocês estão falando.
Dany deu um suspiro e se levantou.
- Não deu para você ver nada além de um vulto preto? — ele perguntou.
Enid balançou a cabeça.
- Não. Apenas isso. Mas o vulto parecia uma capa preta. Seja quem for estava embaixo da capa.
Evan coçou o queixo, pensativo.
- Eles só podem estar procurando a chave — ele disse mais para si mesmo.
Enid olhou para ele.
- Quem são exatamente "eles"? — ela perguntou.
Evan se levantou e foi até a estante de livros. Ele procurava um livro em especial.
- "Eles" podem ser muitas coisas — ele disse enquanto passava os olhos pelas prateleiras. — Satânicos, seitas de adoradores de demônios, os próprios demônios... Há centenas de "eles" possíveis que querem a chave.
Enid deu de ombros.
- Humano não era, pode ter certeza. Aquele troço estava... mexendo com o tempo.
Dany levantou as sobrancelhas mais admirado que surpreso.
- Mexendo com o tempo? — ele perguntou.
- É. O céu ficou muito escuro, as nuvens meio que o seguiam. Ficaram tão escuras que a luz da lua não passava por elas.
- Feiticeiros! — Evan exclamou e pegou um livro da estante.
O livro não tinha nada de especial. Era de capa dura de couro, e apenas isso. As páginas estavam amareladas. Enid se aproximou para ler, mas estava escrito com uma letra estranha e em outra linguagem.
- Pelas características que você disse só pode ser um feiticeiro. — Evan disse enquanto folheava o livro.
Ele parou em uma página que havia uma imagem horrenda de uma mulher de capa preta seminua. Ela estava curvada sobre uma pedra grande e uma criatura que Enid não sabia como descrever estava sobre ela parecendo... aspirar sua alma. Foi a coisa mais horrenda que Enid vira em sua vida.
- Está louco, Wondervill? — Dany perguntou e deu uma risada nervosa. — Feiticeiros não existem, isso é maluquice.
Evan sorriu sarcasticamente e deu um tapinha amigável no ombro de Dany.
- Eu sou um ser híbrido filho de um anjo caído que matou o chefe de uma seita ante anjos caídos que tinham ajuda de demônios — ele disse e seu sorriso ficou mais aberto. — Você ainda acha que o sobrenatural é maluquice?
Dany sorriu.
- Tudo bem. Então feiticeiros existem — ele disse.
- Sim. — Evan apontou para a página do livro.
Dany deu uma olhada e depois levantou as sobrancelhas, admirado.
- É latim — ele disse.
- Latim arcaico. — Evan corrigiu e passou os olhos pela página. — Aqui diz que feiticeiros são nada mais que humanos que venderam sua alma à um demônio em troca de poderes e eternidade.
- Aham. — Dany assentiu. — E como isso funciona?
Enid se sentiu excluída da conversa e se curvou sobre o livro para mostrar que também estava ali. Era assim desde que Evan e Dany viraram amigos. Quando começavam a conversar eles se trancaram em um mundinho masculino onde eles falavam sobre carros, esportes e, raramente, coisas sobrenaturais. Enid ficava de fora, apenas ouvindo a conversa.
- Demônios se alimentam de almas — disse Evan com uma tranquilidade perturbadora. — Então, se alguém o conjura e pede poder e eternidade ele faz um pacto com essa pessoa.
- Alma por poder. — Dany concluiu.
- Exatamente. Mas há tipos diferentes de pacto, tipos diferentes de feiticeiros.
- Bruxas existem? — Enid perguntou. Era uma pergunta boba, mas era apenas para ela ser incluída na conversa.
Evan sorriu e pôs o braço em volta da cintura dela.
- Sim, amor. Esse é um tipo diferente de feiticeiro. Na verdade, bruxas são mais poderosas e não são eternas.
Enid assentiu.
- E qual é a diferença? — Dany perguntou.
Evan falou ainda olhando para o livro:
- Às bruxos seguem uma religião. São apenas humanos que recebem... uma bênção, ou algo do tipo, de um ou mais deuses. — Ele passava os olhos pelas páginas do livro. — Feiticeiros são os que praticam uma técnica, ou seja, a feitiçaria. Bruxos podem ser feiticeiros, mas nem todo feiticeiro pode ser um bruxo.
Dany balançou a cabeça.
- Tá, e o que são os feiticeiros? — ele perfurou.
Evan apontou para uma página do livro.
- Feiticeiros são, basicamente, praticantes de magia. Usam seus poderes para praticar algo. Bruxas podem praticar magia, mas seguem uma religião de deuses pagãos. — Evan respondeu lendo o livro. — Aqui diz que bruxas são muito ligadas a natureza. Na verdade os seus poderes são ligados aos elementos naturais.
Dany piscou, achando aquilo incrível.
- Qualquer um pode ser um bruxo? — ele perguntou e sorriu, admirado.
Enid deu um tapa no braço dele.
- Daniel, qual é o seu problema?! — ela o repreendeu. — Que é, quer virar um bruxo agora?
Dany se esquivou de Enid e Evan riu.
- Não, Enid — ele respondeu e riu.
- Bom, bruxaria é mais como uma religião, ou seja, qualquer um pode ser bruxo. Mas a magia não vem da religião. A magia escolhe quem poderá ser feiticeiro. — Evan olhou para Enid, seguida de Dany. — Acreditem, um dom pode ser uma maldição.
Vine entrou no escritório, aflito e pegou a chave.
- Caliel está a caminho — ele disse e depois deu uma olhada em Dany. — Você... vai ficar?
Dany riu sarcasticamente.
- Você realmente acha que eu vou perder isso?
Evan sorriu. Enid olhou para Dany, desconfiada. Ela não conseguia entender o porquê ele achava tudo aquilo tão divertido. Uma pessoa com juízo se afastaria disso. O contrário de Dany — ele se envolvia cada vez mais.

Caliel chegou minutos depois. Ele estava exatamente como Enid se lembrava, cabelos loiro-escuros, olhos azuis da cor de safiras, corpo atlético, semelhança absurda com Evan.
- Vim o mais rápido que pude — disse ele antes que qualquer um pudesse cumprimentá-lo. — Algum problema?
Evan se aproximou do pai, e para surpresa de todos, o abraçou. Foi um abraço breve, mas deixou até Caliel surpreso. E feliz.
- Por enquanto não é um problema. — Evan disse e deu um sorriso fraco.
- Precisamos de respostas — disse Vine, sem rodeios.
Caliel o olhou, confuso, e depois assentiu, receoso.
- Como assim? — ele perguntou.
- Precisamos de informações sobre a chave. — Enid disse.
Caliel não esboçou nenhuma expressão. Apenas ficou ali olhando para ela.
- Que tipo de... — Caliel viu Dany e parou no meio da frase, assustado. Abriu a boca para dizer algo, mas fechou logo depois. Ele estava atônito.
Enid sorriu para ele e apoiou o braço no ombro de Dany.
- Tudo bem. Ele está conosco — ela disse.
Vine passou a mão pelo cabelo — uma mania dele que o deixava muito sexy — e andou pelo escritório.
- Ele sabe — disse ele.
Caliel levantou as sobrancelhas e encarou Dany, que deu um sorriso torto.
- De tudo? — Caliel perguntou.
- Sim, de tudo. — Dany assentiu.
Evan pegou a caixa com a chave e deu à Caliel, que a analisou com um certo desprezo.
- Você simplesmente deixou a chave comigo e não me deu informações, pai. Têm coisas que eu preciso saber sobre isso — disse Evan e apontou para a chave.
Caliel o olhou. Era muito incrível vê-los tão perto. Quase pareciam gêmeos, só não tanto porque Caliel tinha a aparência de um jovem de 25 anos, e Evan tinha 19 anos.
- Eu não queria deixar a chave com você, mas você é um filho muito teimoso — disse Caliel. — E eu não te contei as informações porque quanto menos souber menos estará em perigo.
- Tarde demais. — Vine disse e se aproximou dele. — Alguém está atrás da Enid.
- Eu acho que é por causa da chave. — Evan disse.
Caliel olhou para Enid, fazendo-a se arrepiar. Apesar do rosto angelical ele tinha uma postura assustadora. Era isso ou porque ela o viu matar um homem — apesar desse homem querer matá-lo também, e pior, matar Evan.
- O que aconteceu? — ele perguntou e andou até Enid. Os olhos atentos.
- Hã, foi algo como um vulto de capa preta. Foi em uma festa ontem. — Enid explicou mas sua voz falhou. — Bem, o vulto parecia procurar algo na minha bolsa.
Caliel assentiu e sentou ao lado dela. Dany teve algo como um espasmo ao ver Caliel tão de perto. Também, por Deus, ele já fora um anjo!
Caliel segurou as mãos de Enid. Ele tinha as mãos frias, mas seu toque era reconfortante.
- Ele fez algo a você? — ele perguntou. Ele parecia realmente preocupado.
- Não — ela balançou a cabeça. — Mas foi estranho.
- Evan acha que foi um feiticeiro — disse Dany e Caliel o encarou.
- Feiticeiro?
- É. Pelo que ela disse. As nuvens negras, a capa... — Evan responde e gesticulou para o livro.
- Pode ser... — Caliel hesitou. — E o por que você precisa saber sobre a chave, filho? Agora mesmo é que eu não posso te dizer nada.
- Como poderemos nos proteger se não sabemos nada sobre a chave?
Caliel continuou segurando a mão de Enid, mas olhava para Evan.
- Não, isso é perigoso.
- Mais perigoso ainda é eu não saber nada sobre essa droga! — Evan se exaltou e socou a mesa de madeira do escritório. A madeira cedeu e amassou.
Todos ficaram atônitos, olhando para Evan, que esticou os dedos para certificar-se de que não estavam quebrados.
Caliel se levantou e andou em passos lentos até o filho, hesitante.
- O que você quer saber? — ele perguntou.
Evan levantou a cabeça e olhou para Caliel. Os olhos estavam escuros, sombrios, assim como sempre ficam quando ele fica com raiva. A expressão dele mudava muito, dava medo. Enid temia ao vê-lo assim. Às vezes era difícil fazê-lo se controlar.
- Tudo — disse Evan. A expressão dele aliviou e ele inspirou fundo.
Caliel se sentou na beirada da mesa do escritório e hesitou.
- Onde e quando você a achou? — Vine perguntou.
- Na Grécia. Estive lá há cinco décadas. Fui contatar uns outros anjos caídos sobre o Lullaby. Dizer que havia um sucessor, que a esposa do "caçador" estava grávida. — Caliel respondeu sem hesitar.
Enid assentiu. Então ele guardava a chave por 50 anos.
- Onde exatamente? — Evan perguntou. Ele fitava o pai com atenção.
- Na Caverna de Hades. Fica situada no sul da Grécia. Há uma lenda que diz que o rio que corta a caverna seria um canal para a travessia das almas para o inferno — ele disse e hesitou. — Quis visitá-lo e lá... Eu achei a chave.
- Hum. Então, a chave estava escondida lá? — Vine perguntou.
- Não. O estranho é que ela estava simplesmente caída lá... Sei lá, não parece-me ser coincidência.
Dany coçou o queixo, pensativo.
- Hum, então você acha que alguém pode ter ido lá com a chave achando que podia abrir um portal? — ele perguntou.
Caliel o encarou e levantou as sobrancelhas. Ele parecia surpreso com a destreza de Dany.
- Talvez — assentiu.
Evan pegou a chave com delicadeza.
- O que sabe sobre a chave? — perguntou analisando a chave sob o sol.
- Pouca coisa. — Caliel pigarreou. — Pelo que sei ela é a chave do 3º Círculo.
- Como?! — Enid se exaltou. — Então os outros três Círculos já estão abertos?
Caliel balançou a cabeça.
- A hierarquia de Hades é diferente. O 6º Círculo é onde Lúcifer está preso. O primeiro Círculo é o mais baixo.
Evan levantou uma sobrancelha e pôs a chave sobre a mesa.
- Quem é o príncipe desse círculo?
- Uziel.
O rosto de Vine e Evan empalideceram. Enid esperou que eles dissessem alguma coisa, pois o silêncio a assustava ainda mais. E aí Caliel reagiu, levantando-se da escrivaninha e andando pelo escritórios, vendo os livros.
- Tem certeza de que é ele? — Evan perguntou, a voz rouca de pânico.
Caliel apenas assentiu com um leve movimento de cabeça. Evan se apoiou na mesa, recuperando-se do pânico. Enid resolveu reagir.
- Ei, quem é esse? — ela perguntou.
- Uziel? O nosso pior pesadelo, por enquanto — disse Vine com um pouco de sarcasmo.
- Esse demônio... Ele é mau. — Evan disse, aturdido.
- Todos os demônios são maus, Evan. — Dany disse.
- Mas esse tem algo em especial. — Evan retrucou.
Caliel tirou um livro da prateleira.
- Aqui está. Podemos saber um pouco mais sobre Uziel.
Ele abriu o livro e todos se aproximaram para ver. Era um livro pequeno, com poucas páginas. Parecia mais um diário.
- Um anjo caído que escreveu após um contato com Uziel. É pouco mas é o mínimo que podemos saber. — Caliel explicou.
O livro estava escrito em outra língua. Era estranha. Enid não conseguiu entender nada, mas Caliel leu e depois virou-se para eles.
- Bem, aqui diz que Uziel é um demônio que seduz por meio da beleza, da vaidade. Tem um grande poder persuasivo, sua presença é perturbadora. — Caliel leu e fez uma pausa. — É sábio e poderoso e têm uma legião de seguidores. Suas promessas sempre são cumpridas, e segundo o livro ele quer sair e prometeu aos seus seguidores que se o libertassem ele os presenteariam com tudo o que desejassem.
Dany levantou as sobrancelhas.
- Bom argumento. E quem são esses que querem libertá-lo? — perguntou ele.
- Muitos. Uziel também têm pactos com feiticeiros e bruxos.
Evan estalou os dedos.
- Isso nos dá mais uma pista sobre o vulto.
Vine analisava tudo em silêncio. Olhava para o livro, hesitante, e depois mexeu no cabelo novamente.
- O que mais pode nos contar? — ele perguntou à Caliel.
- Sei que ele foi um anjo do Senhor e caiu pouco depois da queda de Lúcifer e dos outros Renegados.
Evan começou a andar de um lado para o outro, apavorado. Ele olhava para o chão, fitando-o como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Ou estava tentando se concentrar.
- Enid está em perigo, pai — ele disse, ainda olhando para o chão.
- Todos estamos. Não estamos falando de um demônio da encruzilhada, ou de um torturador. Estamos falando de um dos príncipes do inferno. Um demônio muito, muito poderoso.
- Sim. Eu sei. Mas algum dos seguidores desse... — Evan fechou os olhos com força. — Um feiticeiro foi atrás dela. Isso pode piorar...
- Isso vai piorar. — A voz de Caliel fez Evan tremer. — Descobriram sobre a chave mais cedo do que imaginei. Agora, mais do que antes, vamos precisar proteger essa coisa.
Vine assentiu e ele fixou os olhos na caixa.
- Se alguém, qualquer um com conhecimento, pegá-la... Isso seria algo ruim.
- Não, Vine. — Evan disse. Ele parecia preocupado. Ou não, apavorado. — Isso seria algo terrível.
Caliel se levantou. Sua postura estava diferente, ele parecia tenso, preocupado. Os olhos azuis analisaram a sala e todos que estavam naquela reunião. Quando falou sua voz soou alta e bem clara.
- Preparem-se. Isso pode ser o início de uma guerra. E se for, não poderemos perder.

Notas finais
Comentários e recomendações se acharem que eu estou merecendo ;)
Fala aí, tenho uma mente meio maluquinha para conseguir inventar tanta coisa, não tenho? Kkkk
Beijooosss