Notas iniciais
Cap pronto. Deu trabalho mas tá aí!
Boa leitura!
Pode ter algumas palavras erradas, mas foi porque eu não revisei, ok?

Desde o dia da reunião Enid não conseguia pensar em outra coisa. As palavras de Caliel ecoavam em sua mente. "Isso pode ser o início de uma guerra. E se for, não podemos perder". Isso a perturbava, a fez perder noites de sono.
Evan passou a noite com ela em sua casa, de sábado para domingo e de domingo para segunda. Foi uma medida de proteção inventada por ele mesmo. Caso o misterioso feiticeiro voltasse ele estaria ali para protegê-la. Mas ele não podia estar em todos os lugares. Principalmente na escola, e Enid tinha que ir para lá na segunda-feira.
- Dany vai estar lá. Ele vai protegê-la. — Evan tentou argumentar quando Enid se recusou a levantar-se da cama.
- Não estou preocupada com minha segurança. É que, depois de tudo isso sobre chave, e Uziel, e bruxos e feiticeiros, Evan, não dá para se concentrar em qualquer outra coisa.
Evan assentiu e depois manteve os olhos fixos nos dela. As pupilas pretas cobriam quase toda a íris azul-escuro como se ele estivesse em alerta o tempo todo. Talvez ele realmente estivesse. Não, ele estava.
- Tudo bem, eu sei disso, mas se você faltar não vai conseguir uma bolsa em Harvard, ou Yale, ou Tennessee — ele disse e sorriu.
Enid bocejou e fechou os olhos, o ignorando e tentando voltar ao mundo dos sonhos. Mas de súbito Evan a pegou no colo e a levou até o banheiro, colocando-a embaixo do chuveiro e o ligou. A água estava morna mas fez Enid tremer com o sobressalto. Ela gritou e riu ao mesmo tempo. Tentou fugir, mas Evan a empurrou de volta para o chuveiro, e acabou se molhando também.
As suas roupas estavam molhadas — o pijama de flanela com ovelhinhas e o conjunto de moletom de Evan. Ele parou para pegar ar, depois de uma crise de riso.
- Acho melhor a gente se livrar dessas roupas — ele disse com um sorriso malicioso.
Enid, sem perder tempo, arrancou o casaco do moletom dele. Evan a ajudou e depois a prendeu na parede usando seu corpo.
- Apressadinha — ele ronronou e beijou o pescoço dela. Os seus lábios molhados e frios fizeram Enid se arrepiar.
Ela brincou com o cabelo dele enquanto ele tirava a blusa dela, espalhando beijos pelos seus seios. Enid teve um choque de realidade.
- Meu Deus, minha mãe vai acordar daqui a pouco — ela disse tentando se esquivar e fechar o chuveiro, mas Evan a impediu.
- Não feche o chuveiro — ele disse e seus olhos brilharam, seu rosto travesso. — Se sua mãe ouvir o chuveiro vai achar que você está tomando banho.
- O que, tecnicamente eu deveria estar fazendo. — Enid disse, tentando argumentar.
- O que você não vai estar tecnicamente fazendo. O que você vai estar fazendo é bem melhor que isso.
Enid teve que rir. Evan se livrou da calça de moletom molhada e depois tirou o short do pijama de Enid. Ela deu de ombros, cedendo, enquanto Evan a colocava em seu colo. Enid cruzou as pernas em volta dele e o beijou vorazmente.
Os beijos de Evan foram descendo por seu corpo, e pararam próximo à calcinha. Enid estava tão feliz e animada que riu um pouco alto demais. Mas qual era o problema se o chuveiro cobria o som de suas risadas e gemidos?

- Você viu a garota nova? — Angelin perguntou a Enid juntando-se a ela na mesa do refeitório na hora do almoço.
Enid enrugou a testa.
- Garota nova? — ela perguntou, confusa.
- É. Chegou hoje na escola e já veio arrumando confusão. Odiei ela! — Angelin fez aquela cara que as meninas metidas fazem e que dá nojo.
- Como você pode odiar a garota se você nem a conhece? — Enid perguntou entre risos.
- Simplesmente odiei! — Angelin se curvou sobre a mesa, o rosto cheio de indignação. — Você acredita que ela chamou Hilary Adams de "sem noção"???
Enid a observou, chocada. Como ela podia achar aquilo tão importante? Hilary Adams era só mais uma garota que balançava os pompons nos jogos em que as Vespas da Morrison High jogava. E, sim, ela era sem noção.
- Uau. Que chocante — disse Enid, sem animação.
Angelin abriu a boca para falar mais uma coisa, mas Cezar surgiu no refeitório quase correndo na direção delas, espalhafatoso.
- Vocês viram a aluna nova? — ele perguntou, animado.
- Pois é, eu vi! Ela é uma atrevida. — Angelin disse, demonstrando a sua indignação.
- Eu adorei ela! — Cezar exclamou e se curvou na mesa. — Vocês acreditam que ela chamou a Menina-que-só-usa-rosa de "sem noção"?
Enid revirou os olhos. Angelin levantou as sobrancelhas, exasperada.
- Por acaso, a "Menina-que-só-usa-rosa" é Hilary Adams, a chefe das líderes de torcida! — ela disse, gesticulando demais com as mãos.
Cezar a ignorou para olhar para Dany, que se aproximou deles com aquela mesma cara-de-tenho-uma-novidade-para-contar.
- Oi, pessoal! — ele exclamou e se sentou. — Vocês viram a garota nova?
- Vi! — Angelin quase gritou. — Ela é ridícula!
- Ela é linda — disse Cezar.
- Ela é incrível. — Dany completou e também se curvou sobre a mesa. — Vocês acreditam que...
- Ela chamou Hilary Adams de "sem noção"? — Enid completou e sorriu. — Já sabemos dessa história.
Dany riu, Cezar também, mas Angelin se manteve séria e apontou com o queixo para atrás de Enid.
- Falando na Rebelde... — ela disse.
Enid virou-se de costas, seguida de Dany e Cezar, seguidos do resto do refeitório. A menina nova entrou em grande estilo. Seus passos estalavam no chão com o salto das notas pretas de cano longo, as pessoas abriam espaço para ela passar, um silêncio total e absoluto manteve-se no refeitório.
Quando ela se aproximou mais Enid percebeu que os meninos estavam certos. Ela era linda e incrível. E ousada, atrevida, deslumbrante. A pele morena num marrom claro, cabelo curto na altura dos ombros, negros e com cachos grandes e graciosos, olhos castanhos cheios de delineador preto, boca carnuda e com batom vermelho. Era alta, esguia, cheia de curvas que estavam bem valorizadas com a blusa preta justa ao corpo, a calça de couro preta também.
Ela ignorou todas à sua volta, e caminhou (não, desfilou) até a bancada, pegou sua comida e andou até uma mesa vazia.
O som voltou quando ela se sentou. Centenas de adolescentes cochichavam pelos cantos, falando sobre ela. Mas a menina não demonstrava se preocupar. Na verdade ela estava muito concentrada na comida, colocando cada folha de alface na boca e mastigando delicadamente.
- Viu só? Eu disse que ela é linda. — Cezar disse a observando com os olhos brilhando.
- Você achou ela bonita?! — Angelin perguntou.
- Não. — Cezar balançou a cabeça. — Achei ela linda.
Dany sorriu, também olhando para ela.
- Tenho aula de latim avançado com ela — ele disse. — Ela é genial! Sabe quase tudo em latim!
- Uau — disse Enid. Não havia outra palavra que expressasse a reação dela. — E qual é o nome dela?
- Maxine. Maxine Uri.
- Até o nome dela é lindo! — Cezar exclamou. Ele parecia encantado.
- E o sobrenome dela é muito maneiro! — Dany completou.
A menina, Maxine, ficou quieta e continuou comendo. Ela não olhava para as pessoas que a encaravam. Não dava a mínima para eles.
- Ih! Olhem só, é Riley Cooper! — Angelin exclamou.
Riley Cooper apoiou-se na mesa da menina nova, jogando seu charme. Ele ela se aproximou dela, que demonstrava seu desinteresse. De onde estava Enid conseguiu ouvir o que ele disse.
- Ei, linda. Sou Riley Cooper — ele deu aquele sorriso de canto de boca que faz qualquer garota se apaixonar.
- Maxine Uri — a garota respondeu sem nem olhar para ele.
- Você é nova na cidade e eu tava pensando se você não queria sair comigo, ver por aí.
Maxine o olhou. Riley deu aquele sorriso torto de novo e ela revirou os olhos.
- Obrigada, mas não estou a fim.
Riley ficou chocado. Enid também. Uau. Nunca uma menina havia sido tão seca com ele. Nunca uma menina havia negado algo a ele. Na verdade, ninguém nunca ousaria negar algo a um dos populares! Menina corajosa!
- Como? — Riley perguntou, as narinas infladas.
- Eu disse "obrigada, não estou a fim". — Maxine repetiu e bebeu sua Sprite pelo canudo. — Mais alguma coisa?
Riley estava atônito. Ele se curvou mais sobre a mesa e colocou algo ao lado da bandeja dela. Um papel.
- Se mudar de ideia, me liga — ele disse.
Maxine pegou o papel, o leu e devolveu a Riley.
- Não vou. Pode ficar com o seu número.
Ele estava ficando irritado.
- Fica com o número — insistiu.
Ela balançou a cabeça.
- Incrível como as coisas são! Meu Deus, não têm nem cinco horas que eu estou na escola e as pessoas me analisaram, julgaram e tentaram me chamar para sair! Qual é, eu só quero acabar de almoçar em paz! Será que posso???
Riley ficou a observando. Todo o refeitório estava a encarando agora. Enid estava boquiaberta.
- Fica. Com. O. Número. — Riley disse cada palavra tentando convencê-la.
- Eu. Não. Quero. A. Droga. Do. Seu. Número. — Maxine rebateu, irritada. — Mas talvez eu dê para alguma nerd cheia de espinhas. Tenho certeza de que ela irá querer.
Riley pegou o número com muita raiva. Maxine apenas o observou sair de perto dela e voltou a comer.
- Ela é doida! — Angelin exclamou, atraindo a atenção de Enid.
- Não. Ela só tem atitude. — Cezar a defendeu.
- Ela vai ser odiada. — Angelin sorriu. — Riley vai acabar com ela.
- Sei não, achei que ele gostou dela. — Dany disse, olhando para Maxine.
Angelin riu sarcasticamente.
- Aham. Riley Cooper nunca abaixaria o nível desse jeito. Não depois de namorar Hilary Adams — ela disse e deu de ombros. — Quero distância dessa menina. Detestei ela.
Enid riu de Angelin. Era inveja porque Maxine é bonita, ousada e chamava atenção por onde passava.
- Vou falar com ela. — Dany disse, simplesmente. — Vou usar nossa aula juntos como desculpa.
Angelin arregalou os olhos e gesticulou dramaticamente.
- Dany! Aquela garota é encrenca! — ela disse e fez uma careta.
Dany olhou para Maxine e depois olhou para Enid. Seus lábios formaram um sorriso diabólico. O olhar que eles trocaram fez com que Enid soubesse a próxima fala de Dany.
- Ótimo. Eu adoro perigo.

A última aula de Enid foi a de educação física. Ela estava no jogando vôlei, tentando se distrair. Mas não estava funcionando.
Toda vez que ela fazia o saque, ou jogava a bola para o alto para que Gabe marcasse um ponto ela pensava no vulto. Ou melhor, no feiticeiro.
Aquilo estava por aí, rondando a mente dela, fazendo-a olhar para trás enquanto andava pela rua, ter medo de escuro, ter medo de tempestades durante a noite — por causa das nuvens negras. Tudo isso estava mexendo com o psicológico dela.
- Enid, cuidado!
Como um flashback a mesma coisa que aconteceu meses atrás aconteceu novamente. Antes que Enid pudesse reagir a bola de vôlei da Nike bateu na sua testa com tanta força que a fez cambalear e cair. Não desmaiou, mas viu tudo girar e sentiu uma dor de cabeça insuportável. Ouviu as meninas correndo até ela e sentiu um par de mãos a ajudando a levantar.
- Você está bem? — Uma voz feminina perguntou.
As mãos levaram Enid ao banco e a pôs sentada lá com a cabeça entre os joelhos. Quando o mundo parou de girar ela levantou a cabeça, que doía demais.
- Você está bem? — Gabe perguntou sentando-se ao lado dela.
- Estou... Minha cabeça vai explodir, mas estou bem.
Gabe chamou a treinadora.
- Vá para a enfermaria, srta. Arrow — mandou a treinadora Monroe, e voltou a comandar o jogo, simplesmente.
Enid cambaleou até o vestiário. Ela tinha um comprimido na mochila e ia tomá-lo. Quando chegou ao vestiário sentiu como se uma janela tivesse sido aberta. Um vento frio fez seus cabelos agitarem e sua pele eriçar.
Tentou ignorar aquilo e o pressentimento ruim que teve, e foi até a sua mochila para pegar o analgésico. O vento soprou mais perto do seu corpo, uma brisa muito fria, tão leve que chegava a assoviar. Enid quis sair dali correndo, mas seu corpo estava paralisado.
E então ela viu de novo. O vulto encapuzado. Surgiu na sua frente como um borrão, como uma fumaça densa e escura. Arrastou-se como um verme pelo chão de piso verde, passando entre os bancos como um fantasma.
Enid fechou os olhos, esperando-o ir embora. Ela sentiu ele se aproximando, ficando bem perto dela. E de novo o cheiro. Eucalipto. Um cheiro muito forte de eucalipto.
- A chave não está aqui. — Enid disse, a voz trêmula. — Alguém me ajude! Socorro! SOCORRO! — gritou.
Abriu os olhos. O vulto estava bem perto. Tentou se mexer, mas seu corpo não reagia aos comandos do cérebro. Precisava correr.
Deu um impulso com os pés, e conseguiu se movimentar. Correu pelo vestiário, procurando uma saída. Quando chegou a porta o vulto estava lá. Ela não conseguiu freiar os passos, e a coisa mais estranha aconteceu. Ela passou por dentro do vulto, como se realmente fosse um fantasma, uma alma sem corpo.
Quando se viu do lado de fora quis sorrir por ter escapado. Mas então sentiu a pele queimar, o ouvido zumbir, os olhos perderem o foco. O vulto ainda estava ali, na porta. Apontava para ela e uma voz estranha saia do capuz.
- Socorro! — Enid gritou e tentou correr. — Alguém me ajude! Socorro!
Descontrolada, ela correu para longe da quadra de esportes. Passou pelos corredores que ainda estavam em aula, correu para longe do corredor da biblioteca e dos laboratórios. Tentou correr para o jardim, mas algo chocou contra o seu corpo com fanta força que ela caiu.
- Enid? — perguntou uma voz familiar. — O que houve?
Enid olhou para cima e viu Cezar. Aliviada, ela se jogou nos braços dele. As lágrimas queimaram os seus olhos, mas não conseguia chorar. Tudo o que ela fez foi abraçá-lo com muita força, achando que de alguma forma ele pudesse fazê-la esquecer dos seus últimos minutos de terror.
- Caramba, parece que você viu um fantasma! — Cezar disse, brincalhão.
- Quase isso. — Enid respondeu, gaguejando. — Achei ter visto uma coisa...
- Você está bem? — Cezar a afastou para observá-la.
Enid piscou os olhos e forçou um sorriso.
- Estou bem. Eu levei uma bolada na cabeça jogando vôlei, eu acho que foi isso — ela disse, tentando soar convincente.
Cezar a avaliou, sério. Depois ele riu. Covinhas nas bochechas, olhos semicerrados, brilho nos olhos. Ele havia acreditado.
- Meu Deus! Essas coisas sempre tem que acontecer com você! — ele riu mais. — Vamos, vou te levar à enfermaria.
Enid deixou ele levá-la até ela, apoiando-se no braço dele. A enfermeira a medicou e deixou em observação. Cezar manteve-se ao lado de Enid, esperando que ela melhorasse.
E então, deitada na maca e olhando para o teto pintado de branco, Enid percebeu uma coisa.
Era a segunda vez que ela via o vulto e pela segunda vez Cezar a salvou.

Notas finais
Comentários, por favor! Recomendações também são muuuito bem-vindas!
Beijooss
Love ya *--*