Eternally Hunted

11 10 - Falando de bruxas...


Notas iniciais
Hey beautiful people! Tá aí mais um capítulo revelador. Prontos para ficar em choque?? Ready or not, here I'm come xD

Mais tarde naquele dia, quando Evan chegou em casa o tempo estava nublado. Trovões e relâmpagos iluminavam o céu escuro, cheio de nuvens assustadoramente negras escondendo todo o azul límpido do céu.
Entrado na casa Evan percebeu que estava estranhamente silenciosa. Não que ele não gostasse do silêncio, mas depois que Maxine se mudou para lá ele não ouvia silêncio absoluto. Àquela hora da tarde ela já deveria estar em casa — provavelmente pintando as unhas e ouvindo aquelas músicas de hip-hop obscenas.
— Maxie? — ele chamou, tirando o casaco e pendurando-o no cabideiro ao lado da porta. — Você está aí?
Silêncio. Ela não estava. Então, para aproveitar esse momento, ele subiu até seu quarto, tirou a roupa e foi tomar banho.
Enquanto sentia a água morna desfazer os nós de seus músculos tensos, ele pensava em Enid. Pensava nos últimos acontecimentos, na casa em chamas, nos pesadelos dela, em Saab e Caius. O amor de sua vida corria perigo, e ele faria de tudo para salvá-la.
Saiu do box e se enrolou numa toalha. A chuva começou a cair levemente sobre a janela de vidro transparente do seu quarto, e um relâmpago iluminou o céu. Pouco a pouco o vídeo foi ficando molhado e embaçado. Evan vestiu uma calça de moletom e uma camisa de manga, deixou o cabelo molhado e bagunçado. Estava com fome então saiu do quarto para ver o que tinha para comer.
Então ouviu vozes. Não era exatamente vozes, mas uma voz que sussurrava baixinho. Se ele não fosse nephilim e sua audição não fosse tão bem apurada, ele não ouviria.
— Maxie? — ele chamou novamente.
Nenhuma resposta.
Ele seguiu a voz em passos lentos. Caminhou pelo corredor, indo até a escada do sótão. Encostou a orelha na portinha que ficava no teto. Era dali que vinha os sussurros.
Lentamente abaixou a porta, trazendo a escada para baixo e subiu. Passou pelo caminhou estreito até o sótão, lugar onde ele sinceramente nunca havia ido antes.
Os sussurros ficaram mais claros. Era latim arcaico. Ele bisbilhotou pela brecha entre a porta e o sótão e se surpreendeu com o tamanho do lugar. O teto, o chão e as paredes eram revestidas de madeira e o lugar estava abarrotado de caixas. Era escuro e apenas uma vela lançava sombras bruxuleantes nas paredes.
E ali, no meio do sótão estava uma pessoa. Uma mulher de cabelos curtos e escuros. Ela sussurrava as palavras como um mantra, e isso parecia doer.

"Libera me ab omnibus malis.
Libera me ab omnibus malis.Curaret me, libera me."

Evan traduziu rapidamente: livra-me do mal, livra-me do mal, cure-me, livre-me. Era um mantra, uma oração. Um conjuro.
A mulher seguiu sussurrando e uma brisa leve a rodeava, fazendo seu cabelo esvoaçar para cima lentamente. Ela estava em posição fetal, e começou a tremer. O conjuro mudou um pouco.

"Lucem, protegat, libera-me."

E então ela mesma disse a tradução exasperadamente e se curvou em agonia.
— Ilumine, proteja, livre-me! Me ajude, por favor! — deu um grito apavorante, e bateu a mão no chão e tudo ao lado foi arremessado contra a parede, fazendo o sótão sacudir. A vela apagou e tudo ficou escuro.
Evan sentia o cheiro que as bruxas deixavam ao conjurar. E então, se aproximou lentamente da mulher caída no chão, encolhida e trêmula. Ela chorava.
Evan mal a tocou e ela se virou instintivamente, e então ele se jogou para trás com o susto. Era Maxine.
Ou não era. Era seu rosto, mas suas feições estavam distorcidas. Algo como uma mancha preta parecia ter escorrido de seus olhos e secado abaixo deles — como uma olheira. Veias roxas estavam por todo o seu rosto, o distorcendo um pouco e fazendo-a parecer um monstro. E seus olhos... Seus olhos arregalados de medo e úmidos de lágrima estavam coloridos num amarelo tão intenso que iluminava a escuridão do sótão.
Ela estava confusa, olhava para todos os lados e depois se encolheu fechando os olhos com muita força.
Hesitante, Evan se aproximou dela, que se encolheu ainda mais. Pôs a mão no ombro dela e afagou carinhosamente até ela se acalmar.
Ele estava assustado. Aquilo estava errado. Maxine era uma garota normal, cheia de saúde e de vida. Não uma bruxa. Não podia ser. Não ela.
— Está tudo bem? — ele perguntou e notou o medo em sua própria voz.
Ela balançou a cabeça e depois a levantou. A sombra embaixo dos olhos sumiu lentamente e a cor da íris voltou a ser castanha. Mesmo na escuridão Evan enxergou sua amiga, a verdadeira Maxine. A que era só uma humana. Mas aquela Maxine também era a bruxa que estava conjurando a minutos atrás. E ele temia isso.
— Maxie... — ele suspirou a observando.
Os cílios dela estavam borrados porque as lágrimas haviam derretido a máscara de cílios, e as manchas marcavam o caminho das lágrimas. A sombra de olhos azul quase havia sumido e o batom estava borrado.
— Sinto muito por você ter que me ver nessa situação precária — ela disse com a voz embargada, mas sorriu. — Ninguém mais pode me ver assim. Prometa que não vai contar.
Evan cruzou os dedos, fazendo o sinal dos escoteiros.
— Palavra de escoteiro — disse depois.
Maxine levantou uma sobrancelha e depois deu uma risada fraca.
— Você nem foi escoteiro!
Evan a abraçou com força. Aquela era a Maxie Uri que ele conhecia.
— Sinto muito — ele disse.
— Sobre o quê? — Por um momento ela pareceu realmente confusa.
— Sobre isso.
— Isso o quê?
Evan a afastou e olhou em seus olhos. Ela estava realmente confusa. Que diabos estava acontecendo?
— Maxine, você não se lembra do que aconteceu?
Ela olhou rm volta. Seus olhos passaram pela vela caída, as caixas contra a parede, as rachaduras no teto.
— Ah, isso — ela disse simplesmente. — Lamento também.
Ela olhou para Evan, que a encarava, confuso. Então deu um sorriso fraco e depois fez uma careta.
— É que, quando eu não me controlo, eu meio que esqueço... Ai, você não vai entender...
— Eu quero entender. Mas, Maxine, uau! Isso é loucura.
— Eu sei. — Ela de recompôs em um instante, se levantou e caminhou para fora do sótão. — Não precisa entender, também. É maluquice.
E saiu. Evan a seguiu. Ela foi até o quarto, e se trancou lá.
— Maxine, por favor, me explique. — Evan pediu do outro lado da porta.
— Não. Eu te disse, é maluquice.
— Maluquice? — Evan quase riu. — Eu sou um nephilim e você diz que aquilo foi maluquice? Por favor, saía daí e me explique.
Ela hesitou por um instante. Evan esperou pacientemente, encostado na parede.
Minutos depois ela abriu a porta. Estava com o cabelo preso no alto da cabeça em um coque e sem maquiagem.
— Hum, você ainda está aí — ela murmurou, irritada.
— Estou. Por favor, me explique.
Ela se sentou na cama e pegou o celular. Parecia estar mandando uma mensagem. Depois mexeu nas unhas e quando notou que Evan ainda estava ali, esperando ela falar, disse:
— Ah, você quer que eu explique agora?
Evan riu, irônico.
— Não se faça de engraçadinha. Fala logo.
Ela se levantou e pegou um livro na escrivaninha. Não tinha nada na capa além de ser cor amarelo-ouro. Ela o abriu e uma brisa quente passou pelo quarto.
— Quer saber desde o início? — ela perguntou.
Ele assentiu com a cabeça e sentou ao lado dela, na cama.
— Do início — ela repetiu e suspirou. — Depois que você teve que ir embora de Memphis tudo mudou. Você com certeza achava que eu estava numa boa, mas a verdade é que meu mundo desabou. Minha mãe desapareceu, minha avó morreu e eu fiquei sozinha no mundo.
Evan ficou chocado, mas preferiu ao comentar ainda. E Maxine continuou, os olhos úmidos e a voz embargada.
— Fui mandada para um orfanato. No início as coisas foram estranhas. Ninguém me dizia nada sobre minha mãe, nem me deixavam procurar por você. Mas dois anos depois tudo piorou.
"Coisas estranhas aconteciam comigo. Pesadelos, perdas de memórias. Copos quebravam na minha mão, depois janelas; as paredes tremiam quando eu ficava com raiva, as flores morriam quando eu chorava. Logo eu recebi fama de bruxa, e as crianças evitavam ficar perto de mim.
"Então ele foi me procurar. Sirius. Ele me levou para fora daquele lugar por algumas horas. Me explicou o que estava acontecendo comigo, falou sobre meus poderes, meu clã. Me falou de um passado que era meu mas eu desconhecia. E propôs que eu fosse com ele para a França, onde ele me ajudaria com os poderes, me ensinaria a controlá-los e usá-los a meu favor. Eu desconfiei. Disse a ele que preferia continuar onde eu estava mas que agradecia por sua intenção. Quando ele foi embora me disse uma frase que nunca esquecerei.
Ela parou, fazendo suspense, depois olhos nos olhos de Evan e de perdeu no azul intenso dos mesmos. Os seus olhos ficaram úmidos e uma lágrima caiu.
— Ele disse... "Não importa. Não está pronta ainda. Mas quando se deparar com a força dos seus poderes virá me procurar. Virá correndo para mim".
Evan a puxou para perto, a abraçando com muita força. Às lágrimas rolaram dos olhos de Maxine com facilidade, molhando a blusa de Evan.
Ele estava em choque. Nunca imaginou que isso havia acontecido com ela. Nunca, em um milhão de anos, cogitaria o fato de Maxine ser uma bruxa. Aquilo era demais até para ele, que estava que estava apenas ouvindo, ainda mais
para Maxine, que havia vivido.
Ela parou de chorar e se afastou dele. Evan acariciou sua mão, que
estava trêmula e presa a sua.
- Você tem ideia do quão assustada eu fiquei? Tem ideia? — ela
perguntou, soluçando.
- Não. — Evan apenas balançou a cabeça.
- Ele me deixou ir, mas depois disso eu tive vários presságios. Vinham
em pesadelos. Via coisas horríveis em sonhos, não conseguia acordar
daquele pesadelo. Então eu fugi do orfanato para pedir ajuda.
"Viajei por vários lugares e então encontrei Willa. Willa é uma bruxa
que me ajudou com meus poderes. Me deu várias explicações sobre meu
clã, sobre a Luz e a Trevas e também me falou sobre Sirius.
"Sirius, na verdade é o contratos de Suiris, o nome de um clã das
Trevas. Talvez o pior de todos. E ele queria me levar para seu clã.
Queria que eu fosse Suiris também. E pior, queria que eu fosse sua
mulher.
Ela engoliu em seco, demonstrando a repulsa e depois prosseguiu.
- Para os Suiris o casamento entre bruxos poderosos é como uma bênção.
Afinal, o filho de dois bruxos poderosos é duplamente poderoso. E esse
era o plano dele. Ter um filho com a grande bruxa híbrida.
- Híbrida? — Evan perguntou, confuso.
Maxine assentiu. Ela se afastou dele, indo até a janela. Continuou
falando e observando a tempestade que caía do lado de fora.
- Willa me contou que meus poderes são de ambas as dimensões. Sou meio
bem e meio mal. Meio Luz e meio Trevas. Mas as Trevas me quer mais,
assim como Sirius, e Ela quase me domina. Quando meus poderes se
manifestam eu não consigo me controlar, as trevas me consomem e eu...
- ela fechou os olhos com força, trêmula. — Eu preciso me acalmar,
contar até 13 e então abrir os olhos. Mas isso não funciona tão vem
como antes. Meus poderes evoluem a cada dia, e a cada dia as Trevas me
absorvem mais.
Ela parou, olhou para Evan e suspirou.
- Willa me disse que só há um jeito de me tirar das trevas e que só
uma pessoa sabe. Mas antes eu preciso encontrar meu pai.
Evan piscou.
- Seu pai?
- Sim. Ele está vivo, na verdade ele não não pode morrer. Ele... Evan,
ele é um Renegado.
Evan não sabia como reagir. Estava duplamente em choque. Maxine — a
menina que antes era amiga humana — era sua amiga bruxa-nephilim.
- Meu Deus...
- Sim. E agora, eu vim aqui procurá-lo. E preciso da sua ajuda. Se não
encontrá-lo rápido, se não me ajudarem rápido... Ela vai me dominar.
- Nem pense nisso. — Evan caminhou pelo quarto. Não sabia o que
pensar. — Talvez Caliel possa ajudá-la. Vou falar com ele. Quem sabe
ele não conhece Luandriel.
Maxine balançou a cabeça, assistindo e voltou a olhar para a tempestade.
- Sim. Talvez ele saiba — e então, com um sorriso fraco nos lábios,
passou o dedo pela janela, fazendo um símbolo que significava muito. O
símbolo da Luz para as bruxas. — Afinal, após a tempestade havia um
dia de sol.

Notas finais
E aí, chocados? Bom, espero que sim kkkk comentários, please u.U