Eternal Heart

4 Capítulo 3 - Little Monster


Notas iniciais
♥ Boa Leitura! ♥

Dois dias haviam se passado.

Carlisle estava enfurnado em seu escritório, pesquisando em tudo o que existe sobre, bem, o meu estado. Falando em meu estado, só está piorando. Minhas mudanças assustam até Rosalie, que estava feliz demais quando cheguei em casa. Alguns gostam, outros se assustam. Minha família está num cabo de guerra, e sou quem está sendo guerreada.

Rosalie e Esme acham que eu não posso fazer isso com... Um bebê!

Entende!? Vê se pode: chamam o monstrinho de bebê! Emmett não se opõe a nada, mas Rosalie é a Rosalie, então ele está com ela. Carlisle nunca passaria por cima de Esme, e nunca teria uma opinião diferente da dela.

Esses homens não tem opinião própria! Mas, pelo menos, ele chama de feto, então eu sei que não está assim tão a favor.

Alice e Jasper estão mais do que assustados com o monstrinho dentro de mim. Todos podem ouvir o coração, rápido e quente. Não é um coração normal. E sem contar nos chutes, que à dois dias atrás eram até fofos, e que agora parecem querer tirar minha barriga do lugar. Isso mataria qualquer humano.

Na verdade, o monstrinho me faz lembrar de uma coisa que eu disse para o Victor. Quando eu menti para ele sobre o que Diana disse: "ela acha que sou filha de Lúcifer..." Eu disse para ele. Mas agora parece que eu estou carregando o filho de Lúcifer. Mas, bem, o filho é do Victor, então seria loucura pensar nele dessa forma.

Coloquei o queixo apoiado na mão, e Rosalie apoiou a sua na minha perna. Jasper pendeu a cabeça de lado, e Alice repousou a sua no ombro dele. Esme colocou o cabelo para trás. Eu me mexo, eles se mexem. É assim sempre, eles não se separam de mim nem por um segundo. Acham que posso fazer alguma coisa com o monstrinho dentro de mim, e Alice e Jasper acham que elas podem me impedir.

Suspirei.

Espera, isso me faz ser Lúcifer?

— Angel? — Carlisle me chamou, e todos se levantaram.

Revirei os olhos.

Odeio quando ele me chama, por que eu já sei para o que é. E o Victor nem aqui está, para poder dizer que é minha obrigação fazer isso. Pois é, ele adora dizer o óbvio.

Enfim, Emmett insistiu para que ele fosse ver Charlie, por que de algum jeito todos sabiam que eu estava aqui. Carlisle acabou tirando licença no hospital, e disse que precisava cuidar de mim. Isso se espalhou, e bem, onde eu estou, Victor está. Se ele não visitasse logo o pai... Não seria nada bom com a minha sede de recém-criado.

Me levantei devagar.

Quanto mais eu demorar...

Rosalie me pegou nos braços e em um segundo eu estava na sala do meu pai.

Me irritei, ajeitando a camisa que subiu enquanto ela me colocava no chão. Eu tenho que prestar mais atenção. Odeio ser pega desprevenida.

— Não adianta, você tem que fazer isso. Carlisle precisa saber se... – ela começou.

— Essa coisa está bem? — completei.

O problema é que toda vez que eu me referia ao pequeno monstro dentro de mim, minha voz mudava. Era como uma adoração espontânea. Como os devotos reverenciavam seus deuses. Mesmo que eu queira ser maldosa, não consigo. E é claro, todos eles percebem isso.

A única coisa que não entendem é a minha insistência em não aceita-lo.

— Deite-se — Carlisle disse.

Ele havia literalmente transformado a biblioteca em uma sala de hospital.

Eu evitava olhar para a tela do monitor, de onde o monstrinho era visto. Carlisle tentou enfiar a agulha em mim na noite anterior, para tentar ver melhor o que o monstrinho é, mas o... Feto não gostou, e isso me fez não gostar também, já que ele literalmente surtou em chutes dentro de mim.

Ele tentou de novo essa manhã. Foi mais fácil. Era como se o monstrinho já estivesse esperando por isso, e se comportou direitinho. Porém, a bolsa — como Carlisle disse que é chamado onde os bebês ficam quando estão dentro de uma mulher — é muito forte, e a agulha não pôde ser penetrada.

— Hoje da para ver melhor o feto – ele disse.

— Bebê — Rosalie o corrigiu.

Suspirei de propósito.

— Já terminou? — perguntei, mesmo sabendo que não.

— Quase — Carlisle disse.

— Sabe, o que eu acho? — eu comecei, mas Rosalie me cortou.

— Sim, e não estamos interessados em ouvir outra vez.

— Querida, por favor — Esme sussurrou.

Estavam todos na sala, assistindo ao espetáculo.

Carlisle baixou minha blusa e me estendeu a mão para que eu levantasse. Jasper e Alice esperavam na porta, ansiosos assim como Esme e Rosalie, para ouvir o que Carlisle iria dizer.

Ele não precisou. Eu já sabia. O sangue não parava em meu organismo, a sede me cansava, vomitar era mais cansativo ainda. Meu corpo estava enfraquecendo. Logo, eu estaria totalmente drenada.

— O feto está sugando toda a energia dela. Quase não tem mais sangue em seu organismo – ele disse, como se eu não estivesse ali.

E, sinceramente, eu não estava. Minha mente estava tão longe quanto possível.

— Está crescendo rápido demais, não sei quanto tempo ela vai aguentar – Carlisle continuou.

— Angel é imortal. Vampiros são imortais... – Rosalie começou, mas logo foi interrompida por Carlisle.

— Mas até o nosso veneno tem limites. Sem sangue, Angel irá dissecar, e seu corpo não vai passar de uma pedra...

— E não salvaríamos nem ela e nem a coisa – Jasper disse.

— Devíamos tirar isso logo – Alice falou.

— Coisa? Isso? Qual o problema de vocês? Não enxergam? É apenas um bebê! – Rosalie interveio.

— Possivelmente – Jasper se alterou.

— Parem! Essa briga não faz bem para Angel. – Esme disse.

— O feto não faz bem para Angel! – Alice disse.

— Bebê! Fala a palavra, Alice. Ele é apenas um bebezinho – Rosalie insistiu.

A discussão continuou, Carlisle falava algumas palavras, apenas quando alguma coisa médica era questionada, Esme ainda tentava parar com a briga, mas Rosalie estava disposta a tudo, e Alice e Jasper também, pelo visto.

Eu tentava não prestar atenção. Mas perder o foco de algo que está no centro, é difícil para alguém que lê mentes.

Notas finais
XOXO