Eternal Flames
3 Nova casa
Notas iniciais
Se passaram uma semana e chegou a data em que nós iriamos nos mudar para a casa da vovó. Ela iria nos buscar no hospital.
Arrumei minhas poucas roupas numa mala suja e empoeirada junto com as roupas da minha irmã, fomos para a entrada do hospital onde o médico me proibiu de tomar muito sol na região da queimadura e que isso só ia prejudicar o processo de recuperação.
–Minhas netas!- Vovó disse nos abraçando tão forte que eu perdi o ar.
–Olá vovó- eu disse
–Como vocês estão? Meu deus Luana você está toda machucada!- ela disse com preocupação.
Vovó era uma mulher carinhosa, cabelos escuros e olhos azuis que perdeu seu marido numa guerra a muito tempo atrás, eu me lembro que quando passávamos as férias na sua humilde casa entre as montanhas ela nos contava como ele era corajoso e bonito.
O médico insistiu em conversar sobre a minha pele com vovó. Eles ficaram por mais de meia hora até que ela se despediu e fomos para o carro.
Era um Gurgel cinza escuro, meio empoeirado. Entramos e nos sentamos no bando traseiro, que fedia a naftalina.
–Esse carro é bem antigo não é vovó?- Duda perguntou abrindo um pacote de balas.
–Sim minha neta-ela riu e continuou- esse carro era do avô de vocês que ficou comigo como uma herança.
–Parece uma relíquia- eu disse sorrindo.
Ela sorriu e seguimos estrada. Entramos numa rodovia e após uns quarenta minutos fomos para uma estrada de terra com várias arvores que a fechava.
–Daqui a uma hora chegamos meninas.- ela disse nos fazendo sorrir.
Eu estava apreciando a paisagem, eram arvores e mais arvores até que peguei no sono.
Acordei com minha avó me chamando. Sai do carro peguei minhas malas e quando me virei para ver a casa quase desmaiei.
–Vó essa casa é linda!- eu disse jogando as malas no chão.
–Obrigada querida sabia que iria gostar- ela respondeu colocando a mão no meu ombro.
–Onde está a Duda?
–Já entrou correndo!
–Vou entrar também- respondi tentando correr mas minhas pernas doíam.
Entrei na casa e ela tinha uma mobília toda antiga, e era lindo. Uns vasos com orquídeas me encantavam.
Subi as escadas brancas e pálidas e entrei em um quarto com um papel de parede florido, olhei para a minha cama perfeitamente arrumada, toda branca e cobertas por luzes de natal só que brancas.
Coloquei minhas malas no chão e fui despejando todas as roupas sem perder um único detalhe da casa.
Desci as escadas e sai para tomar um ar fresco. Me sentei na escadaria do lado de fora e fiquei ali vendo o balançar das arvores que pareciam dançar naquele dia ensolarado.
Me levantei de fiquei olhando aquela casa ao lado, linda e parecia mais antiga que a da minha avó que agora também era minha. De repente uma tontura repentina fez minhas pernas amolecerem e minha visão ficar embaçada, só consegui ver alguém me segurando pelo braço e me fazendo sentar nas escadas da minha casa.
–Ei? Você está bem?
–Acho que sim.- disse meio tonta.
Olhei para o rosto de quem me ajudou e ele era lindo. Seus olhos azuis enxergavam até minha alma, eu já tinha visto aqueles olhos antes aquela vós e aquele sorriso de lado.
–Te conheço de algum lugar?- ele perguntou sentando ao meu lado.
–Não sei- eu dei um sorriso e olhei pro chão.
–Lua?- Duda perguntou
–Oi?- respondi virando o rosto para trás e ele fazendo o mesmo.
–Hum , me desculpe se atrapalhei- ela disse com um sorriso malicioso.
–Não atrapalhou nada eu já estava entrando- eu respondi me levantando.
–é acho que não me apresentei, me chamo Luiz Felipe mas pode me chamar de Luiz- ele disse estendendo a mão
–Prazer, meu nome é Luana- respondi apertando sua mão
–Lua é seu apelido?- ele perguntou fazendo Duda me olhar.
–Só para os íntimos, já que eu não te conheço muito bem não me chame assim- respondi entrando pra dentro de casa.
Eu acho que fui um pouco grossa com ele mas não liguei muito pra isso.
–Luana!- Duda disse furiosa
–O que ?- respondi me virando bruscamente.
–Você foi uma ogra com o menino!- ela disse colocando as mãos na cintura.
–Ah que se dane, eu nem conheço ele e já vem com intimidade?- respondi também colocando as mãos na cintura.
Ai começamos a discutir até que vovó separou a briga e fomos sentar para almoçar. Comemos lasanha de frango, uns dos meus pratos preferidos.
Passei o dia inteiro andando pela casa e saindo pra fora. Chegando de noite, vovó fechava todas as janelas e portas da casa e disse que iria se deitar.
Eu e Duda ficamos na sala assistindo televisão, ela não era muito grande mas quebrava o galho. Quando o solo bateu Duda me obrigou a subir com ela e ir dormir e nós fomos mas não sei se era uma boa ideia.
Coloquei meu pijama e me deitei, fiquei olhando para aquele teto empoeirado e meio bege, pensando de como minha vida iria mudar a partir dali. Peguei no sono mas as memorias não me deixavam em paz. Sonhei com fogo, dor, mamãe, papai, Felipe, com a casa sendo consumida pelas chamas e dos olhos azuis que me acalmavam.
Mas ao mesmo tempo ele também foi embora e um turbilhão de coisas vieram a minha mente, dei um grito abafado que fez minha irmã sair correndo para o meu quarto.
–Luana, o que aconteceu?- ela disse ofegante.
–Sonhei com muitas coisas, me desculpa- eu disse em meio as lágrimas.
Vovó também entrou no quarto e ficaram abraçadas comigo, elas eram as únicas pessoas que me veem chorar. Tomei um gole de agua e voltei a dormir, agora meus sonhos eram mais serenos e tranquilos.
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