Eternal Flames
2 Hospital
Notas iniciais
Meus olhos foram se abrindo com dificuldade, a primeira coisa que vi em minha frente foi minha irmã Maria.
–Luana?- ela disse apertando minha mão
–Duda? O que aconteceu?- indaguei me levantando mas fui interrompida por uma dor forte nas costas.
–Quer que eu conte dês de o começo?- ela disse suspirando.
–Claro.
Ela deu uma breve pausa, um suspiro olhou pela janela e percebi uma lagrima brotando em seus olhos verdes.
–Tudo começou, quando papai estava arrumando o carro. Ele estava concertando um problema no tanque de gasolina, e mamãe estava fazendo almoço. Neste momento o gás da cozinha começou a vazar mas ninguém percebeu e então.- ela suspirou segurando as lágrimas e eu apertei sua mão- a gasolina começou a vazar e ai houve a explosão.
–Mas aonde está papai, mamãe e o Felipe?- Perguntei.
Ela somente chorou, chorou muito até poder me dizer.
–Eles estão mortos.
O choque foi tão grande que imagens de todos unidos vieram a minha mente, lembrei de um dia no parque em que estava eu mamãe, papai, Felipe e a Duda.
Felipe se machucou a mamãe curou dando um beijo em sua testa e cantando uma canção de ninar.
Lembrei também de muitas vezes de noite em que eu estava preocupada em algo e minha mãe dizia:
–Não fique pensando no passado, pense no que você pode fazer agora que mudara seu futuro.
Agora eles estavam mortos, as pessoas que mais amo na vida estavam mortos.
Fiquei por volta um dia até cair a ficha de que eles não voltariam nunca mais. Acordei no dia seguinte com uma forte dor na cabeça, olhei para minhas pernas e elas estavam cobertas com um tipo de pomada branca que os médicos diziam ajudar na recuperação já que as queimaduras foram de terceiro grau eu estava muito debilitada ainda.
–Lua, semana que vem nós nos mudaremos para a casa da vovó no interior. –Duda disse
–Mas e nossa casa?-perguntei confusa.
–Bem os bombeiros disseram que a casa foi totalmente consumida pelas chamas.
–Entendi. – dei uma pausa e continuei- Duda?
–O que?- ela respondeu me olhando.
–Aonde estão papai, mamãe e Felipe ?-perguntei segurando as lágrimas que insistiam em rolar em meu rosto.
–Lua eu sei que pode ser difícil pra você mas, o enterro deles será hoje no cemitério da cidade.
–Eu vou.- disse decidida.
–Os médicos disseram que você está muito debilitada pra ir.
–Como assim? Não vou poder ir no enterro das pessoas que mais amo?- Respondi alterando a vós que ficava cada vez mais alta.
–Lua entenda você está doente não tem como ir.
–Eu vou nesse enterro.- Gritei por fim.
Joguei os muitos fios que ligavam os aparelhos no chão e sentei na cama, joguei as cobertas e me levantei, o que foi inútil pois minhas pernas não aguentaram nem meio segundo em pé.
–Luana pare com isso só vai te prejudicar ainda mais!- ela disse aos berros.
–Eu vou nessa droga, e essa malditas pernas não vão me impedir.
Mas impediram, logo os médicos me colocaram na cama de novo a força e me sedaram, eu ainda chorava e muito. Como não ia conseguir ver as pessoas que marcaram a minha vida para sempre?
Enquanto dormia, sonhei com muitas coisas. Uma delas foram as chamas me consumindo, e levando tudo o que tinha de mais precioso. Vi também mamãe sorrindo e me abraçando, papai brincando com Felipe. Eles eram tão lindos, uma família que eu nunca imaginaria acabar do nada. Aquilo estava me sufocando cada vez mais.
Estava voltando aos sentidos novamente, eu me recusei a abrir os olhos. Ouvia a vós de Duda ressoar suavemente em meus ouvidos.
–Lua? Você está bem?- ela perguntou fazendo carinho no meu rosto.
–O que você acha?-respondi ainda fraca.
–O enterro deles acabou agora- ela disse apertando minha mão e senti uma lagrima cair no meu braço.
–Maria.
–O que?
–Obrigada por cuidar de mim, obrigada por não me abandonar, obrigada por tudo até quando agente brigava por você ser a irmã mais velha.
–Não me agradeça ainda, temos muito o que superar.
Sentei na cama ainda com os olhos fechados e abracei ela, mas abracei tão forte que faltaram ar nos meus pulmões, poderia ficar assim por horas.
Fale com o autor