Caio era um garoto especial, ele sempre acordava e não ao mesmo tempo. Sempre a noite, no mesmo horário, e ele sempre sentia que havia algo ali com ele, pois seu corpo não respondia. Independente de qual posição ele adormecesse, ele sempre sentia algo ali com ele. Mas era mais que isso, era algo maior, por mais que ele não conseguisse se mexer, ele conseguia sentir. Ele dormia só em seu quarto, em uma das várias vezes ele sentiu algo fazendo pressão em sua cama, como se estivesse subindo nela e se aproximando dele. Nesse dia ele estava dormindo de lado, ele sentia seu corpo tentar reagir, corresponder, gritar, andar, qualquer movimento possível. Mas nada adiantava, era tão angustiante.

Sempre que ele acordava, olhava em várias direções, ele não conseguia mais sentir aquilo fisicamente, mas se sentia observado, ele sabia que havia algo ali. Que tinha algo de errado. Ele até tentava falar para seus pais, que obviamente diziam que ele estava apenas tendo pesadelos, acabava que ia parando de falar a respeito disso, mesmo aparecendo com marcas em seu corpo, arranhões e pequenas manchas de roxidão em seu corpo. Era como se fosse cronometrado, se ele dormisse ele acabava sentindo tudo aquilo, então ele tentava ao máximo não adormecer. Tentava de tudo para se manter acordado: tomava muito café, energético, até mesmo medicamentos. Mas era em vão, pois seu corpo com um tempo não aguentava a exaustão, então ele percebeu que não adiantava mais pois já não acontecia apenas a noite.

E sim sempre que adormecia.

Sempre que acontecia, ele sentia um desconforto, mas não conseguia ver nada, como se alguma coisa o protegesse também, ou só estivesse brincando com toda aquela situação. Mas chegou um dia que aquilo ia mudar, então ele acabou adormecendo de bruços, então ele sentiu algo pressionando as costas, como se estivesse subindo em cima delas. Dessa vez conseguiu ver algo,

“Meu deus!” pensou em horror desejando nunca ter aberto os olhos. Uma massa densa e escura, no formato humano, sorria um deformado sorriso amarelo sombrio, de olhos também amarelos, mas isso não estava perto de terminar. Pois aquilo estava nitidamente se divertindo com toda aquela situação.

Então como um ato de desespero Caio tentou se debater, tentou gritar, tentou qualquer coisa, mas nada adiantava. Foi então que ele ouviu.

— Você acha que eu irei deixar você escapar disso?”

Era uma voz tão inconfundível e assustadora que ele nunca havia ouvido em canto algum. Depois disso ele sentiu a coisa se aproximar, o seu coração começou a acelerar tanto, que ele logo começou a sentir uma dor em seu peito.

Ele estava infartando, a dor fazendo sua vida esvair aos poucos.

Logo pela manhã seus pais o chamaram para tomar seu café, mas ele já não respondia. Passou mais um tempo e seus pais mais uma vez tentaram o chamar,

— Caio, querido! ‘Tá na hora de acordar!. — sua mãe bateu na porta abrindo-a devagar vendo o corpo do filho sem vida com os olhos esbugalhados para frente.

Em pânico chamaram a ambulância num ato movido pelo desespero. A causa da sua morte realmente foi infarto, mas foi alegado que foi causado por excesso de energético e medicamento que ele havia tomado em grandes quantidades e por muito tempo.

No final de tudo isso, ele só não foi escutado.