Estórias curtas de cada um
5 Capítulo 5 - Susi
Susi era uma menina muito meiga mas tinha diversos problemas na família: sua mãe já havia falecido e seu pai bebia dia e noite, gastando todas as economias que recebia da morte de sua esposa com bebidas. Então ele nunca estava “presente” para ela, ela teve que aceitar e amadurecer cedo, pois ela tinha que cuidar dele, dela e da casa.
Isso com o tempo foi a desgastando tanto, e foi assim que ela o conheceu, ele não era nenhum pouco bom para ela, mas a mesma não percebia isso. Ele dizia,
— Tudo que acontece com a gente, nós merecemos para amadurecermos. — ele afirmou enquanto a observava secar as lágrimas de saudades de sua mãe.
Ela via isso como uma forma de consolo, mas claramente não era. Ele fazia questão de ficar abraçando constantemente meninas que ele conhecia com o tempo, elogiando elas, quase nunca fazendo o mesmo com ela. Mas ele dizia
— Apenas abracei uma amiga, Susi! Deixa de ‘nóia! Isso é coisa da sua cabeça. — brandou raivoso enquanto se afastava dela.
— Eu sinto muito por estar sufocando você, amor. Não vai se repetir eu juro. — murmurava trêmula enquanto implorava por perdão.
Ela aceitava qualquer coisa dele, cada ato de ‘amor’ pois para ela aquilo era mais do que suficiente e ele já fazia muito e talvez ela não o merecesse. A fazendo aceitar qualquer tipo de comportamento dele, qualquer fala, ação que ele possuía com ela. Ela já se sentia tão cansada, que era isso que era o máximo que ela conseguiria, quem mais iria querer estar com ela, lutando por ela? Mas isso foi a cansando tanto, que a fez desmoronar várias vezes, pois era constante esses comportamentos dele, tanto com ela quanto com suas “amigas”.
Pois aos poucos ele foi reforçando isso em sua cabeça. Ela não estaria nessa situação se ele não tivesse encontrado ela tão vulnerável, ela precisava de um apoio, e não possuía amigos pois não tinha tanto tempo para sair socialmente com nenhuma delas, e todas elas também tinham uma visão distorcida dela, pois a viam como doente e desinteressante pela vida que ela tinha. Tanto que os rumores que rolavam é que ela se relacionava com homens mais velhos por dinheiro, só pelo simples fato dela ter que ir constantemente mais cedo para casa e ter recebido dinheiro de alguns pais às vezes por ela ensinar aos filhos deles aos finais de semana, e às vezes eles não recebiam a tempo de a pagar em casa.
Ele dizia isso a ela de forma descontraída, pois ele não desmentiu nada, então ela não sabia mais o que deveria fazer, pois de um lado ela quer ficar bem e livre dele, mas de outro ela achava que precisava dele, pois quem mais estaria ali por ela? Sendo que ele não a ajudava em nada, ele só era um problema a mais na vida dela, mas ela estava presa a isso.
Ela já estava adoecendo, estava tão mal com tudo aquilo, ela não sabia a quem recorrer, pois não tinha ninguém que a ajudasse, começou a sofrer de apagões, tudo aquilo já estava a afetando demais. O ponto alto de tudo isso foi ver o seu namorado a traindo com uma dessas “amigas” que ele possuía. E já mais tarde em casa logo depois ela encontra seu pai caído perto da escada sangrando, ela apaga novamente com tudo aquilo e se depara com todo aquele sangue pois o seu corpo estava perto do seu pai, então o sangue dele a alcançou. Ela depois chamou a ambulância, mas ela sabia que já era tarde.
Ela foi interrogada, precisava colaborar com a polícia, ela teve que aguentar tudo isso sem forças alguma, ela só sabia chorar, não aguentando mais nada, sem mais ninguém. Ela puxa a arma do policial, mas antes mesmo dela tirar a própria vida ele a segura e encaminha para um hospital psiquiátrico, ela visivelmente precisava de ajuda, então lá ela permaneceu medicada pois ela já era uma ameaça para si mesma.
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