Estranha Atração

1 Capítulo I — Estranha Arrogância


Notas iniciais
Hey *--* Eu de novo, com mais uma fanfic. Simplesmente não consigo parar hahaha' Essa fanfic é baseada em vários livros (claro que tem muitas coisas minhas aqui também) mas o principal é Paixão Sem Limites. Tanto que aqui também se passa em Rosemary, Florida. Espero que vocês gostem tanto quanto eu. Esse primeiro capítulo está um pouco parecido com o do livro, mas varias coisas que tem lá não terão aqui. No próximo vocês vão ver. Boa leitura...

Capítulo I — Estranha Arrogância

Felicity

O que eu costumava a ver ao meu redor pequenas casas agarradas umas nas outras, não mansões que tinha espaço para abrigar cinco famílias. E pela quantidade de automóveis caros e importados ao redor da casa posso concluir que não cheguei em uma boa hora. Parei a picape Ford que um dia foi da minha mãe em um lugar mais distante para não atrapalhar ninguém. Meu pai não havia me dito que daria uma festa esta noite. Na verdade ele não tinha me dito nada.

Ele tampouco havia aparecido no funeral da minha mãe. E ainda não sei como lidar com isso. Se eu não precisasse de um lugar para morar, não estaria ali. Tive que vender a pequena casa em que cresci para pagar os últimos quatro meses de tratamento da minha mãe. Foi tempos difíceis, mas tenho que conseguir me manter forte. Não posso desabar. Pelo menos, não agora.

Estive brigando com meu próprio orgulho durante três longos dias. Não queria ligar para o meu pai. Lembrar que ele não apareceu nem uma vez se quer durante os quatro anos e meio de batalha contra o câncer da minha mãe, foi complicado. Porém eu não tinha muita escolha: Ele é o meu único parente vivo.

E eu preciso dele.

Olhei para a imensa casa de três andares em uma boa localização na praia de Rosemary, Flórida, e suspirei. Essa era sua nova casa. Sua nova família. E eu nunca irei me encaixar aqui.

Destranquei a porta da minha picape e joguei uma perna para fora, mas um barulho na parte de trás do meu carro me assustou. Prendi a respiração por alguns segundos que me pareceram intermináveis. Pensei em pegar a arma que tenho escondida embaixo do meu banco, mas um cara apareceu na minha frente antes mesmo de conseguir me mover direito.

Seus olhos brilhantes e o sorriso divertido nos lábios foram a única coisa que me impediu de gritar alto.

— Está perdida, gata? — ele perguntou.

Analisei bem o seu rosto procurando qualquer vestígio que me indicasse um serial killer ou um estuprador, mas não encontrei nada. Apenas um belo rosto acompanhado de um sorriso encantador.

— Essa é a casa do James Smoak?

Ele me observou por um tempo com a testa franzida. Parecia estar processando as minhas palavras ainda. Fiquei com medo. Abaixei o meu braço bem devagar e toquei o metal gelado da minha arma. Quero estar preparada para qualquer movimento suspeito dele.

— James? — repetiu devagar. Comecei a concordar com a cabeça quando ele finalmente olhou nos meus olhos. — Perai, o novo padrasto do Oliver se chama Jam. Eu o conheci a pouco tempo, antes dele viajar com Moira para Londres. Acho que é ele quem você está procurando.

Espere... Oliver? Londres? O quê? Meu pai não pode ter ido para Londres. Quando liguei e perguntei se poderia ficar com ele por algumas semanas até arrumar dinheiro o suficiente para partir, ele concordou na hora e me passou o endereço. Nunca me disse que não estaria aqui.

— Sabe quando ele volta? — perguntei com um pouco de desânimo na voz. Céus, onde eu vou dormir.

— Sinto muito, gata, mas não sei — respondeu, trocando o peso de uma perna para a outra. — Mas pelo que soube ele e Moira estão em uma espécie de segunda lua de mel.

Era o meu fim. Deveria saber que depois de tantos anos sem dar noticias, James não iria me ajudar assim. Nem mesmo sendo a própria filha dele pedindo por ajuda.

Gastaria apenas algumas semanas até que conseguisse uma boa grana e pudesse ir para outro lugar. Quem sabe voltar para a casa, onde minha mãe e meu irmão estão enterrados. Meu plano era simplesmente ficar aqui até conseguir o que preciso e assim, voltar para a minha cidade na Califórnia. Alugaria um lugar e tentaria esquecer meus demônios.

— O que quer com o Jam? — a voz arrastada do cara me tirou da tempestade dos meus pensamentos.

— Eu, hã, sou a filha dele. Felicity.

Minha confissão pareceu o surpreender, pois o vi arregalar os olhos e prender a respiração. Mas essa reação durou apenas alguns segundos, já que logo depois ele estava com a cabeça para trás, rindo. Muito. E alto.

Ergui minhas sobrancelhas completamente confusa com sua atitude. O que havia de engraçado nisso? Sério, eu não via graça alguma. Esperei que ele me explicasse, quando na verdade ele me estendeu a mão.

— Venha cá, Felicity. Vou te apresentar a uma pessoa. Ele vai amar conhece-la — disse, enquanto me ajudava a sair da picape.

Fui até meu porta malas e peguei minha mala. Não havia tanta coisa. Na verdade, eu não tinha muitas roupas ou sapatos. Mas conseguia sobreviver.

— Deixe que eu levo isso — pegou a mala da minha mão e eu tranquei o carro, seguindo-o em direção a casa.

— Você parecia assustada quando te achei. Pensei que estivesse mesmo perdida — deu uma breve olhada no meu corpo e virou para frente, sorrindo. — E eu iria adorar ajuda-la a encontrar o que precisa — escutei-o murmurar.

Naquele momento tive a certeza que ele não era uma má pessoa. Era apenas um homem a procura de uma diversão. Porém, comigo ele não conseguiria nada.

— Eu me assustei com você — admiti, enquanto subíamos os degraus em direção a porta. — Estava prestes a puxar minha arma para você — E com essa confissão ele parou brutalmente.

— Arma? Você disse mesmo arma? — perguntou com os olhos arregalados em minha direção. — Aquela coisinha de metal que dispara bolas de fogo?

Senti vontade de ri diante da sua expressão. Sua pele bronzeada ficou pálida e fiquei temerosa de que ele fosse desmaiar ali mesmo.

— Sim, essa mesmo — concordei. — Mas fique tranquilo que não irei aponta-la para você. Bom, pelo menos não agora — decidi provoca-lo um pouco mais de medo. Se ele tivesse qualquer intenção de me fazer algum mal, não tem mais.

— Caralho — rugiu.

Dei um suspiro. Talvez não devia ter tocado nesse assunto, mas não consegui evitar.

— Eu ainda não sei o seu nome — o lembrei, na intenção de faze-lo esquecer da arma.

— Me chame do que quiser, gata. Mas meu nome é Thomas, ou Tommy. Eu sou... uh... amigo do Oliver.

— Oliver? — novamente esse nome. — Quem é Oliver?

Tommy tornou a sorrir.

— Não conhece o Oliver? — perguntou-me e eu neguei. — Porra, que bom que decidi vim aqui hoje — pareceu dizer consigo mesmo. — Vamos, vou mostrar a você quem ele é.

Voltamos a subir os degraus de madeira e Tommy empurrou a porta de entrada, revelando uma grande multidão. Fiquei um pouco nervosa em entrar. Toda essa gente rica me apavora. Com toda a certeza eu não vou me encaixar aqui. Senti um puxão em minha mão e percebi que Tommy me puxava em meio a toda aquela gente.

Uma garota morena surgiu na nossa frente, impedindo a passagem e ouvi Tommy bufar. Ela não o olhou de imediato, mas sim a mim. Me encarou por um longo tempo antes de seguir seu olhar ao homem a minha frente.

— O que essa ela faz aqui? Você não pode deixa-la entrar — bateu a unha longa e bem cuidada no peito dele.

— Pare de ser uma cadela, Helena. Vá procurar algum idiota pra comer você — disse as palavras com uma tranquilidade que me impressionou. — Tenho certeza que não será difícil de encontrar. Esse seu rostinho lindo atrai qualquer um que quiser — piscou em sua direção antes de voltar a me puxar.

Enquanto voltávamos a andar, escutei o pequeno grito raivoso dela.

Bem, mal cheguei e já tem gente que não gostam de mim. Boa, Felicity!

Fui empurrada algumas vezes enquanto andávamos. A maioria das pessoas ali estavam ou com uma garrafa de cerveja na mão, ou com duas. E quem não estava bebendo, estava beijando alguém. Quando paramos no meio da sala, onde havia dois grandes sofás vermelhos, meu olhar rapidamente seguiu para os azuis que encontrei. Ele estava sentado em um dos sofás, com varias garotas ao seu redor, duas em seu colo. E assim como os outros, uma garrafa de cerveja.

— Oliver, essa é a Felicity. Encontrei-a lá fora. Acho que ela é sua — Tommy disse, mais alto que a musica, ao dono dos olhos azuis.

Oliver olhou para mim e vi passar algo em seu olhar. Susto, talvez. Mas não durou muito. Olhou para Tommy por uns quatro segundos e depois voltou sua atenção para mim, me analisando de cima a baixo e coçou o queixo.

— Minha, é? — perguntou, ainda com os olhos em mim. Senti meu rosto queimar e agradeci por não haver tanta luz assim. — Acho que não.

— Ela é filha do Jam — respondeu. — Então, sim, ela é sua.

Não estava me sentindo a vontade ali. Por que estamos falando ele? Não poderíamos apenas ligar para o meu pai perguntar se posso ou não ficar?

— Não é problema meu — retrucou, com a voz rouca.

Agora ele olhava diretamente para Thomas.

— O pai dela esta viajando com a sua mãe e pelo que pude entender — ergueu minha mala. — ela veio aqui porque Jam a chamou. A casa é sua, cara. Você não vai deixa-la na rua, não é? — franziu a testa em total indignação.

Novamente, Oliver estava me olhando. Mas dessa vez não demorou nem meio segundo direito.

— Não tenho mais quartos e minha cama está cheia — sorriu, antes de levar a garrafa até seus lábios.

Então a casa era dele. Claro, eu deveria desconfiar... Meu pai não tem grana o suficiente para ter uma casa dessas. Pelo menos não tinha a quatro anos atrás.

Comecei a me sentir humilhada. James brincou comigo. Disse que eu poderia vir, quando na verdade a casa nem dele é. Me expôs na frente desse monte de riquinhos. Como se já não bastasse a dor da perda, o fato de não ter pra onde ir, agora tenho que lidar com a vergonha de ser traída pelo meu pai.

— Está tudo bem, Tommy. Eu já vou indo — puxei minha mala de suas mãos e sai apressadamente.

Eu tinha apenas vinte dólares no bolso. Vinte míseros dólares! E, para piorar, tenho quase certeza de que a minha gasolina está no fim. Só tinha que rezar para que durasse até eu encontrar um lugar para estacionar e dormi na picape mesmo. Não posso me dar ao luxo de alugar nem se quer um quarto de motel na beira de estrada, uma vez que preciso comer.

Meus olhos começaram a arder enquanto descia os degraus. Perdi minha mãe a menos de trinta dias atrás e ainda sofria pela perda da minha avó, que morreu a três meses atrás. Todos a minha volta vão embora. Simplesmente não sei se tenho forças o suficiente quando ainda estou sofrendo tanto.

Minha vida mudou drasticamente nos últimos três meses. Eu estou sozinha agora.

Sozinha para enfrentar os meus próprios demônios.

Assim que entrei na minha picape, deixei as lagrimas rolarem livremente pelo meu rosto. Um soluço alto escapou de mim, sem que eu conseguisse controlar. Não tinha que ser assim... Eu poderia ter consertado as coisas quando ainda era tempo.

Passei a palma das mãos pelo meu rosto e peguei minhas chaves, colocando-a na ignição. Mas então eu o vi vindo na minha direção. Oliver olhava fixamente para mim, enquanto chegava mais perto. Não precisava que ele me mandasse embora, já estou farta de tantas rejeições. Rodei a chave e olhei pelo retrovisor, preparando-me para dar ré.

Mas então ele desligou.

A merda do carro simplesmente desligou.

— Ah, não — tentei novamente, mas apenas fez um ruído. — Não, não, não. Isso não pode estar acontecendo — murmurei assim que percebi que a gasolina tinha acabado.

Soltei um suspiro alto e abri a porta, saindo. Oliver estava poucos passos de distancia de mim, com as mãos no bolso e a cabeça entortada levemente para o lado.

— Problemas?

— É. Acho que é a gasolina — falei, um pouco constrangida.

Ele passou a língua no lábio inferior e continuou me olhando, igual fazia lá dentro. Mas agora eu podia vê-lo melhor. Oliver era lindo. Muito lindo, na verdade. E... eu não devia estar reparando nisso.

— Quantos anos você tem? — surpreendeu-me com sua pergunta.

— Vinte e um — respondi, baixinho, colocando minhas mãos no bolso de trás da calça jeans.

Ele iria chamar o guincho? Tomara que não, pois não tenho dinheiro para pagar.

— Seu rosto parece com o de um anjo — murmurou ele, com admiração.

O quê? Ele estava mesmo dizendo isso?

— Hã, obrigada — agradeci, confusa.

Oliver pareceu em transe por alguns segundos. Deu mais um passo na minha direção e suspirou baixinho.

— Por que está aqui? — perguntou, com a voz séria e grave.

Eu poderia mentir. Poderia dizer que não é da sua conta. Mas se eu quisesse ter um lugar para dormir pelo menos essa noite, a melhor maneira é começando a ser sincera.

— Minha mãe morreu de câncer a pouco menos de um mês atrás — engoli o nó que se formou na minha garganta. Ainda é complicado falar sobre isso. — Tive alguns outros problemas também... Acabei tendo que vender minha casa e não tenho pra onde ir. James disse que eu poderia ficar com ele até conseguir um outro lugar. Então me deu esse endereço e eu vim — contei, omitindo alguns detalhes que não achei importante.

— Sinto muito pela sua mãe — lamentou, apenas assenti. — Jam sabe que viria hoje? — tornou a perguntar e novamente assenti.

Ouvi um suspiro escapar de sua boca e alguns xingamentos baixos. Droga, será que ele vai chamar a policia?

— Olha, eu realmente não quero você aqui — disse. Senti um aperto no peito e o peso da maldita nota de vinte dólares no bolso, lembrando-me que estou na merda. — Você é problema do James, não meu. E eu não gosto nem um pouco dele, e não deveria ajudá-lo. Mas — Espera... Mas? — Merda, não acredito que estou fazendo isso — murmurou consigo mesmo. — Eu tenho um quarto nos fundos, ele é da Clary, a empregada que minha mãe contratou. Mas ela só fica aqui quando minha mãe está. E como ela está em Londres gastando a porra do meu dinheiro com o seu pai, o quarto está vazio — parou, tomando uma respiração e um suspiro. — O quarto é seu. Pelo menos até os nossos pais chegarem e James vê o que faz com você.

Meu coração pulou de alivio. Quase cai de joelhos ali mesmo. Não iria dormir em um banco de carro. Oh, Deus... Talvez nem tudo esteja perdido assim.

— Obrigada — agradeci, com um sorriso tremulo. — Não vai ser por muito tempo. Só preciso de algumas semanas para arrumar um emprego e juntar meu dinheiro.

— Tudo bem. Te dou um mês — disse, sem praticamente nenhuma emoção na voz. — Depois quero você fora. E enquanto isso vou tentando falar com o idiota do Jam — resmungou.

Assenti. Não podia fazer mais nada a não ser concordar. Eu tinha um lugar pra ficar durante um mês. E estava mais do que grata por isso. Um mês era o suficiente para mim conseguir minha grana.

— Vou chamar o Tommy para ajudar você — informou, enquanto se virava e seguia para a agitação da casa.

— Obrigada — agradeci novamente, mas ele nem ao menos olhou para trás.

Notas finais
Estou bastante ansiosa pelos comentários. Adoraria receber a opinião de vocês.Em breve estarei com um novo capítulo.Beijos ♥