— Vamos, Reid — disse Natalie, cansada da corrida — está quase na hora. Daqui a cinco minutos perdêmo-los!

— Não... Sei se... Reparaste, mas... — disse ele, muito mais cansado que ela — eu não sou do... tipo atlético.

— Nem eu — disse ela, num tom autoritário — mas estou aqui, certo? Então mexe-me essas pernas e despacha-te.

Quando chegaram lá, esconderam-se atrás de um arbusto, esperando. Passado pouco tempo, ela chegara. Com ele. Reid sentiu uma onda de tristeza. Uma vontade incontrolável de chorar, mas não o ia fazer.

— Desculpa, Reid — disse Natty — Mas eu tinha que te dizer. Não queria que te magoasses. Que ela te deixasse como se fosses lixo.

— Não. A culpa não é tua. Tu foste uma ótima amiga. — disse ele.

Durante uns momentos, tudo o que se ouvia era o vento a bater nas folhas das árvores.

— O que faço agora? — perguntou ele.

Natty pegou-lhe na mão.

— Acaba com ela — disse ela, com uma voz confiante — Não a deixes humilhar-te mais.

Spencer sorriu.

— Não percebi ainda uma coisa — disse ele — Se ela não me amava, porque é que estava comigo?

— Tu és inteligente, Reid — disse-lhe ela — Ela estava a aproveitar-se de ti. Muitas pessoas o vão fazer durante a tua vida. Cabe-te a ti descobrir quem gosta de ti pelo que és e quem só quer saber do teu QI.

Reid estava triste, mas aliviado por saber que tinha pessoas que gostavam mesmo dele.

— Estás com cara de quem precisa de um bom lanche — disse Natalie, tentando animar Reid — A minha mãe fez tarte de morango. Eu digo-lhe que levo um amigo.

— A sério? — perguntou Spencer.

— Claro — disse ela, sorrindo — Tudo por um amigo.

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Marie Jane entrou no gabinete, com um sorriso.

— Bem, a diretora pediu-me para vos informar que vão ficar na academia até o caso acabar. A diretora disse que não quer que gastem recursos a irem para casa todos os dias, porque ainda são muitos quilómetros e seria desconfortável, por isso disponibilizou alguns quartos dos recrutas para vocês.

— Voltar aos tempos de recruta, JJ? — perguntou Emily.

— Podes crer!

Marie Jane ia sair, quando Reid se aproximou.

— Onde posso encontrar a diretora? — disse ele, quase sussurrando

— No gabinete dela, claro — disse ela — Quer que o acompanhe?

— Não é preciso, obrigado. Eu vou lá sozinho

Reid bateu à porta do gabinete. Ninguém respondera. Então, ele decidiu entrar.

O gabinete era bonito, minimalista, em tons de branco. Reid olhou em volta. Natalie não estava ali. Então, notou na porta perto da secretária. Spencer abriu a porta, deparando-se com Natalie enrolada numa toalha.

— Reid! — gritou ela — O que estás aqui a fazer?!

— Eu vim falar contigo — disse ele, olhando para ela: o cabelo molhado caído sobre os ombros, dando-lhe um ar muito sexy — Já passou muito tempo...

— Sim... — disse ela, tomando depois um tom irónico — E seria um ótimo momento para falar, se eu não estivesse enrolada numa toalha...

— Oh, sim — disse ele, como se tivesse acordado — Veste-te e... Depois falamos.

— Ótima ideia — ela riu-se — e por favor, nem penses em abrir a porta, Spencer Reid, se não eu mato-te!

Spencer fechou a porta, rindo-se. Aquele momento tinha sido estranho, mas estranhamente romântico.