Las Vegas, 1999

Spencer sentia-se muito feliz. Tinha uma namorada que o amava, cheerleader, bonita — não queria mais nada. Saíra de ao pé da sua namorada, quando ouviu uma voz

— Ela está a trair-te — a voz era suave e feminina, mas dominante.

Spencer virou-se e viu uma rapariga morena, da sua idade, que lhe sorria.

— O que disseste? — perguntou ele.

— Ela está a trair-te — repetiu ela.

— Não — Spencer abanou a cabeça — Ela ama-me.

— Na verdade — a rapariga aproximou-se — não.

— E porque haveria de acreditar em ti? — perguntou Reid — Nem sei o teu nome.

— Natalie Jones — a menina sorriu.

— Spencer Reid — ele também sorriu — Mas porque é que dizes que ela me está a trair?

— Primeiro, quando curtiram à bocado, ela não entrelaçou os dedos no teu cabelo. Isso pode significar duas coisas, que tu beijas mal ou que ela não te ama. Eu estava a observar e vi que tu beijas bem, por isso...

— Isso não significa nada — disse ele, recusando-se a acreditar.

— Eu sabia que ias dizer isso — disse Natalie, tirando um papel do bolso e entregando-o a Spencer — Por isso, eu segui-a e descobri onde se encontram, e as horas a que se encontram. Se quiseres, podemos ir lá hoje.

— Obrigada, acho eu... — disse ele, triste — Porque fizeste isto? Acabámos de nos conhecer!

— Tu és como eu, Reid — ela sorriu — E eu não gosto de ver pessoas assim tristes.

Reid olhou para o papel, esboçando um sorriso tristonho.

— Vamos andando?

— Estava a ver que não perguntavas. — ela sorriu.

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Virgínia, 2016

Spencer Reid e a equipa saíam carrinha preta à porta da Academia do FBI. Derek Morgan tirou os óculos de sol, assobiando.

— O que eu já passei nestes edifícios... — disse ele, dando uma risada.

— Vamos andando — disse Hotch — Vamos reunir com a diretora da academia no seu gabinete.

Ao longe, uma rapariga ruiva, baixinha e sorridente aproximou-se.

— Muito boa tarde — disse a rapariga, apertando as mãos à equipa — Marie Jane. A diretora pediu-me para vos acompanhar ao vosso gabinete durante o caso.

Passaram pelos corredores da academia, até chegarem ao gabinete da diretora.

O gabinete estava decorado em tons de azul. Tinha dois sofás brancos com almofadas e uma mesinha de vidro com um jarro de flores. Reid sentou-se no sofá como o resto da equipa e esperou. Cinco minutos depois, a porta abriu-se e uma mulher alta, morena e esbelta que sorria.

— Bem vindos à academia — disse ela — Toda a STAFF da academia vai ajudar na investigação.

— Aaron Hotchner. Agente especial Derek Morgan, Jennifer Jareau, David Rossi e Dr. Spencer Reid — a diretora apertou a mão de todos mas, ao chegar a Reid, estacou.

— Reid

— Natty — disse ele — Há quanto tempo...

— É... — disse ela abraçando-o. Quando se largaram, Natalie mudou de assunto — Fiquem à vontade e chamem-me se precisarem de alguma coisa.

Então apressou-se a sair.

Reid estava congelado. Ela voltara. Ela.

— Então, Reid — perguntou Morgan, brincalhão — Qual é a tua história com a diretora da academia?

— Sim — disse Emily — Parece que se conhecem há muito tempo...

— Conhecemo-nos na escola — disse ele, sentando-se — Ficámos bons amigos. Foi ela que me guiou neste caminho do comportamento humano.

— Parece que foram bem mais do que amigos — sussurrou JJ a Rossi, esforçando-se para que Reid não ouvisse.

Hotch intreviu.

— Temos que trabalhar — disse ele, entregando as pastas a todos.

Reid suspirou. Não fazia a mínima ideia de como ia conseguir trabalhar com ela na sua cabeça