Notas iniciais
Tenha uma boa leitura e não se esqueça de deixar o seu comentário.

Prólogo

Um quarto velho e lotado de poeira. Aranhas e escorpiões caminhando pelo cômodo. Deitada numa cama velha, com os meus braços amarrados por cordas. O colchão era duro como pedra. O teto tinha rachaduras e gotejava naquela noite chuvosa. Eu estava desesperada, pois tudo à minha volta me dava nojo e fazia com que eu tivesse vontade de fugir. Contudo, ele me impedia. Ele estava sobre mim, tirando-me a virgindade sem que eu o permitisse. Eu não podia fazer nada, havia uma faca nas mãos dele. Aquilo cheirava a morte.

Senti as mãos dele sobre o meu corpo nu. A minha alma gelava a cada suspiro, a cada gemido dele. Enojava-me saber que estava sendo tocada sem o meu consentimento. O medo permeava cada uma das minhas terminações nervosas, mas não podia gritar, pois ele ameaçava esfaquear todo o meu corpo se eu manifestasse qualquer tipo de ação que o contrariasse. Estuprava-me com violência e sem qualquer indício de dó, além de me torturar durante o processo, esfregando a sua faca pelos meus lábios, rasgando-me um sorriso de orelha a orelha.

_Se não vai sorrir por bem, vai sorrir por mal! – exclamou ele.

_Para... Por favor... Para... – implorava, entre um gemido e outro de pura dor e nenhum prazer.

Ele nada respondeu, mas também não fez menção de parar.

Sentia o gosto do meu próprio sangue enquanto ele se deleitava em me desfigurar tanto por fora quanto por dentro. Ser estuprada e torturada ao mesmo tempo era terrivelmente humilhante, eu não aguentaria por muito mais tempo, estava morrendo nos braços dele.

_Não me machuca... – pedi, sentindo as lágrimas de dor e revolta escapando pelos meus olhos negros como a noite, negros como as trevas.

_Eu te machuco quantas vezes julgar necessário, porque sou eu que dito as regras no recinto, não você. – sussurrou ele no meu ouvido, mordendo o meu lóbulo com força e logo depois levando os seus lábios escarlate de encontro aos meus, fazendo com que eu sentisse o gosto do meu sangue se misturar com o da saliva dele. A sua boca tinha sabor de ódio, vingança e amor. Tinha o sabor de uma alma perdida.

Faltava pouco, eu tinha que suportar.

Ele estava terminando.

Notei que ele atingiu o seu prazer máximo, pois os seus gemidos em certo momento soaram como rugidos e ele se desacelerou, saindo de cima de mim e se deitando ao meu lado. A minha vontade era de destruí-lo naquele momento, pois não suportaria mais a presença daquele ser repugnante. Contudo, eu não tinha opção senão permanecer como estava: Amarrada a uma cama, ao lado de um assassino em série, sentindo que toda a minha vida foi levada após aquele estupro, embora o meu coração ainda batesse e os meus pulmões ainda se enchessem de ar.

_Você é minha agora e eu também sou seu. – pronunciou-se – Peça-me o que quiser – beijou o meu rosto e observou de cima a baixo o meu corpo lotado das marcas da sua ultraviolência, sorrindo de maneira doentia – Peça-me.

_Agora... – eu mal conseguia falar direito, gaguejava, vacilava – Agora que a... Agora que a minha vida está... Bom, está acabada... Eu não tenho mais razão em continuar existindo.

_Está pedindo que eu te mate? – ele lambeu os lábios, notei a perversão no seu olhar, o palhaço sorriu de lado e pareceu ter se sentido abençoado pelo o que tinha acabado de ouvir – Mas, amor, isso será um prazer...

_Então, não espere... – sorri, não sei se foi um sorriso verdadeiro – Eu agora sou sua, nós pertencemos um ao outro. Ame-me, odeie-me, mate-me, eu te amo, estilhaça-me!

Acho que ele disse que também me amava, mas não tinha total certeza, pois o estupro e a tortura haviam me entorpecido de certa forma. Apesar de tudo, senti-me ungida pelo seu suposto “eu te amo”. Aquelas foram as últimas palavras que eu ouvi da boca dele, antes que ele segurasse a sua faca, analisasse a lâmina com cuidado, deliciasse-se com a situação e por fim esvaísse toda a minha vida com uma lenta e dolorosa apunhalada no coração. Incrivelmente eu não senti dor, não senti nada. Minto, senti que era amada.

Era estranhamente maravilhoso.

Mas... Eu ainda estava viva!

_Tudo o que me mata só me faz sentir mais viva – sussurrei.

Senti que tudo se desmanchou. Ele sumiu, o quarto sumiu, eu também sumi.

Despertei com a respiração ofegante e o coração quase escapando pela boca.

_Foi só um sonho, foi só um sonho! – gritei, enquanto chorava copiosamente – Não, mas aquele sonho de novo não... Tenho tido esse sonho quase todas as noites desde a minha adolescência. Quando isso vai parar? Quando isso vai parar?

Senti que aqueles sonhos jamais parariam de assombrar as janelas da minha mente e que eu seria consumida aos poucos pelo meu próprio delírio.

Eu estava louca, louca de ódio, louca de tristeza, louca de medo...

Louca de amor.

Notas finais
O que achou? Novamente eu peço: Comente, mesmo que seja um review pequeno. Eu ficarei agradecida. Ah, e não precisa ter medo de mim. Sempre nutri uma paixão imensa pelo Coringa, mas não sou psicopata.