Estilhaça-me

5 Capítulo 4 - As Chamas Da Vingança: Parte 1


Notas iniciais
Heeeeeey people! Aqui estou eu, ouvindo o meu disco da Lorde, Pure Heroine e a minha inspiração está lá nas alturas :DDD. Então, alguém sentiu a minha falta? Claro que não x_x Mas vamos ao que interessa: A história! Bom, como esse capítulo ficou enooorme de grande, tive que dividi-lo em duas partes, então se você achar que o final ficou mal feito, foi de propósito, porque esse ainda não é o final do capítulo. Ahá! Morra de curiosidade até que eu lance a segunda parte, mwhahahahahahahahaha! Ah, e se você for muito sensível, prepare a caixa de lenços, porque a segunda parte vai te fazer chorar!

Capítulo 4

–-*--

A vida é como um tijolo: Você pode usar para construir uma casa ou afundar um cadáver.

–Lady Gaga

––*--

Despertamos ao mesmo tempo e vestimos as nossas roupas. Ele mal me deu um mero “bom dia” e já veio perguntando algo muito estranho:

_Você quer saber como eu consegui essas cicatrizes?

_Por que essa pergunta logo agora? Nós acabamos de acordar!

_Eu não sei, eu preciso contar para alguém.

_E essa que você vai contar é a história verdadeira?

_Como assim?

_Eu ouvi dizer que você tem várias versões para a mesma história.

_Hum, talvez a história seja verdadeira hoje e amanhã não seja mais – ele deu de ombros – Se eu quiser ter um passado, bom, eu quero que seja de múltipla escolha.

_E como eu vou decidir se acredito ou não?

_A escolha é sua.

_Tudo bem, conte-me, então.

Ele sorriu perversamente e começou a me contar o seu tão sombrio passado.

–-*--

POV Coringa

O nome dela era Hellen Parker.

Ela era a minha esposa.

E ela era bonita...

Eu havia me apaixonado perdidamente por ela e jurava todos os dias que jamais conseguiria sentir algo parecido por outra pessoa. Desenvolvi algo ainda mais forte por ela do que o amor. Desenvolvi uma obsessão completamente doentia pela mulher fantástica que ela era. O seu corpo escultural, a sua inteligência acima da média e os seus conselhos tão especiais me tiravam do chão e me transferiam a outra dimensão; uma dimensão onde eu não precisava temer o julgamento da sociedade, uma dimensão onde os meus sonhos eram verdade, uma dimensão onde eu era feliz.

Eu sentia que jamais encontraria alguém como ela.

Portanto eu precisaria manter distantes as chances de perdê-la.

Ela seria só minha, só minha...

Mesmo que para isso eu tivesse que usar a força.

Toda a força da minha ultraviolência.

–-*--

Ela era uma pessoa extremamente sociável, enquanto eu era um completo recluso, ou seja, o seu exato oposto. Apesar de pensar que aquilo fazia com que nós nos completássemos de certa forma, detestava o fato de que ela tinha uma facilidade descomunal para se relacionar com as pessoas, enquanto eu era péssimo em fazer amigos. Mas o maior problema nem era esse. O pior era ver que, como ela era a rainha da simpatia, vários homens desenvolviam sentimentos por ela, o que fazia com que eu sentisse algo terrível borbulhando dentro de mim. Eu nunca tinha sentido aquilo antes. Era um sentimento um pouco parecido com o ódio, mas possuía lá as suas particularidades: Era o ciúme. No entanto não pense você que o meu ciúme era como o de outro ser humano qualquer. Você sabe que eu sou diferente, que eu sinto diferente, você sabe disso. O meu ciúme era doentio, era algo que estava tomando proporções astronômicas e se apoderando de cada canto da minha mente, do meu coração e da minha alma. Eu pensava todos os dias se ela estava com alguém, se ela estava me traindo. À noite eu não já não conseguia mais pegar no sono, pois imaginava se a bela figura de mulher que dormia ao meu lado não era na verdade uma megera a fim de beijar belos homens às escondidas e depois me apunhalar pelas costas.

Um dia eu não resisti, peguei o celular dela sem a sua devida permissão e espionei as mensagens. Lá não havia nenhuma mensagem de texto que podia de fato comprovar que ela me traía, mas só de ver aquela caixa de mensagens lotada de nomes que eu desconhecia, como “Robert”, “Scott” e “Jeremy”, já me sentia completamente enraivecido. Quase quebrei o celular dela naquele momento. Sentia uma vontade infinitamente grande de atirá-lo ao chão e destruí-lo por completo, porém precisava me conter. Eu amava Hellen Parker, não podia destruir algo que era importante para ela. Naquela época eu era uma boa pessoa e ouvia mais a minha consciência antes de fazer algo que uma parte de mim dizia que era errado. Os meus demônios interiores não me atormentavam como me atormentam agora.

No entanto, uma satisfação da parte dela eu desejava.

_Quem são esses homens com quem você troca mensagens, Hellen? – questionei com muita seriedade no olhar, procurando esconder de alguma forma toda a fúria que estava guardada dentro do meu lado perverso, do lado que eu odiava, do lado que eu não queria ver e por isso mantinha guardado até o ponto em que as coisas se tornassem insustentáveis e toda a minha maldade contida viesse à tona.

_Essas mensagens são dos meus amigos – respondeu ela, parecendo ofendida com o meu tom de acusação – Por acaso está desconfiando de mim?

_Estou! Pois quando a senhorita Parker disse “sim” diante do padre, disse sim somente para mim e não para esse bando de aleatórios que te envia mensagens!

_Como pode me dizer algo assim? Eu nunca fiz nada, eu nunca te traí! Eu te amo e você sabe disso! – ela já gritava àquele ponto – Eu pago com a minha vida se isso não for verdade! Juro pelo meu nome escrito em alto relevo numa das lápides do cemitério de Gotham City que nunca tive nada com outro homem depois que eu e você começamos a nos envolver!

Fiquei em silêncio por alguns segundos, processando tudo o que ela tinha acabado de dizer. De qualquer forma eu ainda assim era incapaz de acreditar nas palavras que escapavam pelos rosados lábios finos dela. Eu acreditava piamente apenas no meu lado perverso que gritava dentro de mim palavras que ecoavam por todas as portas e janelas da minha mente: “Ela está te traindo, não acredite no que ela diz; Hellen Parker tirará toda a sua vida quando você menos esperar, estilhace-a”.

_O seu juramento até seria belo, isto é, se fosse verídico – permiti que o meu lado perverso falasse mais alto naquele momento – Agora você aprenderá a andar na linha, mesmo que seja por mal! – segurei-a pela alça da camisola e ergui a minha mão esquerda – Estilhaçar-te-ei, sua megera! – havia terror em seus olhos, ela não conseguia compreender o porquê de ser ameaçada daquela forma, ela não conhecia o meu outro eu, o meu lado perverso, o meu alter-ego. Ela não conhecia o Coringa.

_Você vai... Você vai me bater? – a sua voz falhava, mas aos poucos ganhava forças, ela era uma mulher que não se calava, não se omitia diante do perigo – Pois eu digo e afirmo com toda a certeza que quando jurei o “sim” em frente ao padre, aquele “sim” foi para o homem que eu amava, admirava e respeitava e não para esse monstro que está diante de mim agora! No que você se tornou? Não te reconheço mais! Por que está falando comigo nesse tom? O que houve? Onde está a sua confiança em mim? Que jeito estranho de amar!

_Esse é o meu jeito de amar! Amo-te com toda a minha ultraviolência! Não me cuspa palavras na face, você na realidade não sabe nada sobre mim, você não sabe do que eu sou capaz! – e cobri-lhe de tapas o rosto até deixá-la roxa; fi-la chorar.

E assim se seguiu durante vários meses, onze meses mais precisamente. Todos os dias eu dava um motivo para estapeá-la e fazer cortes tanto superficiais quanto profundos sobre todo o seu corpo. Hellen disse que queria o divórcio, mas retruquei que se ela tentasse de algum jeito se separar de mim, eu a encontraria e daria um fim nela.

Obviamente a megera não se conformou.

À noite, cheguei do meu trabalho e a vi deitada sobre a cama com roupas extremamente sensuais. Os seus cabelos lisos, longos e negros como a noite estavam soltos, a sua camisola era vermelha e um tanto transparente, as suas meias eram arrastão, as suas botas eram pretas e de cano longo. Havia um lápis de olho preto bastante carregado em apenas um dos seus olhos, o que me intrigava de certa forma. O seu batom era vermelho. Vermelho sangue. Vermelho vivo. Sangue vivo.

_Estilhaça-me! – disse ela, deitando-se sobre a cama e esperando por mim, para que chafurdássemos os nossos desejos mais íntimos e sombrios nos corpos um do outro. Há tempos eu não tinha uma noite de sexo selvagem, eu precisava de Hellen Parker. Mais do que nunca eu precisava de Hellen Parker.

Ela pediu que eu me sentasse na cama de costas para ela. Assim o fiz. Quando vi, fui atingido na cabeça por um objeto que eu não consegui identificar. Apenas senti um metal gelado me atingindo. Naquele momento, várias imagens completamente desconexas escorregaram pelas canaletas da minha mente tão perturbada. Depois, um baque: Não vi mais nada; fiquei inconsciente com o impacto. Eu jamais imaginava que a minha esposa seria capaz de me machucar, assim como houve um tempo em que ela nunca pensaria na hipótese de ser machucada por mim. Eu estava pagando na mesma moeda. Hellen Parker podia ser tudo, exceto injusta.

Despertei sentindo um gosto estranho na boca.

Desesperei-me quando percebi o que era.

Aquilo era sangue.

Eu estava provando o sabor do meu sangue.

O sabor do meu próprio sangue.

_O que significa isso? – perguntei, quando notei que havia algo diferente em minha boca.

_Shhh, quietinho! Não atrapalhe o processo, será menos doloroso para você.

Ela estava desfigurando o meu rosto com uma faca. A faca da cozinha.

E eu não podia me libertar, pois as minhas mãos e pés estavam amarrados por cordas à cama. Eu simplesmente não acreditava no que estava acontecendo. A minha esposa era de fato capaz de agir tão brutalmente daquela forma? Como ela tinha coragem de ver o meu sangue escorrendo pela minha boca? De ver que tudo aquilo foi causado pelas mãos dela? De ver que sem qualquer cerimônia o seu lado mais perverso estava sendo projetado da sua mente para o mundo real? Não havia remorso no seu olhar. Será que era assim que o meu olhar ficava quando eu arrebentava o corpo dela por causa de traições que eu nem ao menos sabia se eram verdadeiras?

_Pare... Hellen... Eu te amo... – implorei.

Ela riu sarcasticamente de um jeito que me doeu mais do que as feridas que ela estava me abrindo na boca.

_Que jeito estranho de amar! – ela repetiu exatamente o que havia dito no primeiro dia em que eu ousei estapeá-la. A minha ultraviolência a traumatizou e a marcou para sempre. E para que ficássemos quites, Hellen resolveu me marcar também, tanto no corpo pálido quanto na alma escura. Era doloroso. Mas era justo. Justíssimo. A vingança era destrutiva e sem volta, mas possuía razões plausíveis para tal. Acima de tudo eu digo que a vingança dela era justa, por mais cruel que fosse.

Porém, eu não deixaria que ela ficasse ali, torturando-me.

Permiti-me esquecer de que ela era a minha esposa.

Ela não era mais a minha esposa.

–-*--

Notas finais
Que tal o POV do Coringa? E antes que eu me esqueça: Mais uma música liberada: Numb do Linkin Park, que no caso seria como a Hellen Parker está se sentindo em relação ao Coringa. Quem for bem em reparar em detalhes, pode conferir que algumas das falas dela condizem com os versos da música. E que música foda, gente! Ah, e não se esqueçam de comentar. Só a Matry está comentando agora, quero que vocês sigam o exemplo da minha diva e comentem também, seus lindos u.u Beijos do Coringa pra vocês e até a segunda parte o/ #partiusegundaparte! PS: Vocês ficaram de plantão esperando a postagem desse capítulo? Oh, mas é claro que não, que cabeça a minha!