Estilhaça-me

4 Capítulo 3 - Insano Amor


Notas iniciais
Hey, meus pervertidos preferidos, aqui está um capítulo cheio de safadeza! Ah, e mais duas músicas liberadas: "Animals" do Maroon 5 (eu não gosto da batida, da melodia e da voz, mas a letra tem tudo a ver) e "Born To Die" da Lana Del Rey.

Capítulo 3

O quarto era sujo e as paredes apodreciam com a sua tinta bege descascada. O único móvel que havia no cômodo era uma cama. Uma cama que trazia à tona coisas que eu gostaria de esquecer. Eu sentia um escorpião deslizando as suas patas sobre mim.

_Ah, e não se importe – disse ele, dando de ombros – Há tempos que eu não limpo isso aqui. Está lotado de aracnídeos! Sim, porque escorpiões são aracnídeos e não insetos, está bem? Mas vamos deixar a aula de biologia de lado e vamos ao que interessa! – ele se aproximou.

_Não me toque! – repeli-o.

_Hum, permita-me raciocinar... Você é... Difícil?

_Eu sou virgem. E não vou perder a minha virgindade com você!

_Gosto de garotas que cooperem, não é legal quando a presa foge do caçador.

_Não me chame de presa! Não me trate como se eu fosse um animal!

_Minha querida, nós somos todos animais... Animais sedentos... Sedentos um pelo outro... – ele fincou as suas unhas nos meus braços, assustando-me e ao mesmo tempo me entorpecendo de desejo – Quero que você seja minha essa noite!

_Mas eu... Eu não te quero... – e será que eu realmente não o queria?

_Você acha mesmo que me engana? Você tem mesmo coragem de negar o seu desejo? Negar olhando nos meus olhos? – ele levantou o meu queixo com a mão direita, evitando que eu desviasse o olhar – Pois negue a mim, negue, eu sei que é difícil aceitar que você sente atração por uma aberração como eu – ele apertou o meu rosto com violência – Porém, não negue a si mesma. Você sabe que sente, você sabe que sente prazer... – deslizou a sua mão pelas minhas costas, causando-me arrepios.

_Para... – falei, quase num sussurro.

_Quanto mais você diz para parar, mais quero o seu corpo junto ao meu – e quanto mais eu negava, mais sentia que precisava dele.

_Para... – a minha voz já se tornou praticamente inaudível, principalmente quando ele começou a beijar todo o meu rosto, inclusive a minha orelha – Para...

_Não negue a você... – ele me segurou bem forte, quase me deixando sem ar. Os nossos rostos estavam mais próximos do que nunca e o meu coração já parecia estar na minha goela – Eu posso ver nos seus olhos tudo o que você sente... Tudo o que você sente de mais íntimo por mim... Todo o seu amor e loucura... Tudo, tudo... Eu posso te sentir... Eu te sinto agora, te vivo...

_Eu também... Eu também te vivo... – sussurrei.

Eu podia sentir a respiração dele, assim como ele também podia sentir a minha. Não havia mais escolha, eu seria dele de qualquer maneira.

Laçou-me com força em seus braços e me beijou profundamente, agarrando-me como se eu fosse uma prisioneira que ousasse fugir das garras do seu carcereiro. Eu nunca havia beijado daquele jeito tão selvagem. Os beijos que eu dei ao longo da minha vida sempre foram lentos e românticos, mas aquele beijo, oh, aquele parecia que estava me sufocando, de tão insanamente profundo que era, de tão apaixonante que era.

Eu sentia as suas mãos deslizando pelos meus cabelos, pelo meu rosto, pela minha nuca, pelas minhas costas, enquanto eu fazia o mesmo com ele. A minha razão gritava dentro de mim, exigindo que eu parasse, mas a emoção insistia que eu continuasse a realizar todos os meus desejos mais loucos e sombrios. Insistia e insistia.

Ele me deixou sentada sobre a cama, continuando a me beijar. Eu estava enlouquecendo de desejo, mas a minha razão continuava gritando para que eu o impedisse. Eu não podia deixar a emoção vencer, não, eu não podia.

Mas se o meu coração dizia que era tão certo, porque parecia tão errado?

Dane-se, eu não era obrigada a fazer algo íntimo com ele, sendo que eu não me sentia totalmente à vontade.

_Afaste-se de mim! – empurrei-o.

_Facilite as coisas para mim, mocinha! – ele me jogou na cama e ficou por cima de mim – Porque eu não facilitarei para você!

Comecei a me debater, tentando me libertar dele.

_Meu amor, acalme-se... – ele falou em sussurros – Encare tudo isso como uma piada... Uma piada de mau gosto...

_A minha primeira vez não vai ser uma piada! Saia de cima de mim! – àquele ponto eu já gritava. Continuava a me debater, tentando, em vão, machucá-lo.

_Não me faça usar cordas para te amarrar como eu fiz nos sonhos. Realizarei todos os meus desejos com você de uma forma ou de outra, porém eu penso que tudo seria mais mágico se você... Bom... Se você consentisse... – ele me olhou nos olhos, paralisando-me – E eu sei que você quer consentir... A sua única barreira são esses seus pudores que estão nublando a sua visão e não te permitindo realizar os seus desejos... Liberte-se desses pudores... – ele chupou o meu lóbulo, fazendo-me delirar – E eu juro que vou te fazer a mulher mais feliz do mundo. A mais feliz... Do mundo...

_Eu posso fazer uma pergunta? – a minha voz vacilava.

_Pergunte-me o que quiser... – ele beijava o meu rosto.

_Por que você me deseja tanto?

_Porque você é literalmente a garota dos meus sonhos... Quando eu comecei a sonhar com você, fiquei louco, queria saber de qualquer jeito quem era a garota que invadia a minha mente todas as noites... E quando eu vi que a mais nova interna do Asilo Arkham era você... Cismei, cismei que aquela era uma chance do destino. – ele fez uma pausa e falou olhando nos meus olhos – E quando o destino nos disponibiliza uma chance, nós precisamos agarrá-la da mesma forma que um assassino agarra a sua vítima, pois não sabemos se essa chance surgirá novamente... Você me entende? – tocou os meus lábios com o dedo indicador, fazendo-me gelar.

_Não, eu não te entendo e nem quero entender, seu doente! – gritei.

_Cale a boca, sua vadia! – e me deu um tapa no rosto.

_Cale você! Você não vale nada, nada! – as lágrimas escorriam pelo meu rosto.

_Porém eu sei que dentro do seu coração eu tenho valor, eu sei que tenho...

_Se você possui algum valor dentro de mim, é um valor nulo! O seu valor é desprezível!

_Ah, por favor, Vany Vanilla, você tinha mesmo que estragar o momento com esse papo de “valor nulo”? Eu não sou lá muito fã de matemática. Mas sou fã de você.

_Pare de fazer piada! Isso é sério!

_Eu não estou fazendo piada nenhuma, você já é a piada por si só.

_Chega de piadas! – dei-lhe um tapa no rosto.

_Há, e o que te faz pensar que pode me bater? – ele me segurou pelo pescoço, quase me sufocando. Curiosamente no seu olhar não havia nem amor, nem ódio, apenas frieza. Tanta frieza quanto a de um inverno russo. Ele não esboçava qualquer sentimento, o seu olhar era o mais distante que eu já havia visto. Tentar compreendê-lo em toda a sua totalidade era uma completa perda de tempo, pois ele não era algo que podia ser mensurado. Ele era um conjunto infinito. Um belíssimo conjunto infinito.

_Não me faça mal... Por favor... – eu estava sofrendo, sofrendo demais. Ele não queria soltar o meu pescoço, eu sentia que a minha vida já estava se esvaindo... – Pare... Deixe-me... Respirar...

Ele soltou o meu pescoço. Mal pude respirar e ele já arrancou toda a minha roupa, assustando-me. Notei que ele estava furioso, pois levou o meu vestido embora com toda a sua violência; com toda a sua ultraviolência. Eu chorava, chorava como se aquilo pudesse resolver algo. Gritar infelizmente não adiantava, pois ninguém passava ali por perto. Tentar medir forças com ele era tão inútil quanto perseguir nuvens. Eu estava perdida, completamente perdida. Eu digo isso porque quando chorar se torna de fato a única opção, quer dizer que o fim chegou. O fim da linha chegou.

_Pare de chorar, sua estúpida! – ele me beijava com força, quase arrebentando a minha boca. A saliva dele se misturava com o sabor das minhas lágrimas escorridas. Ele tirou a sua roupa rapidamente e novamente me segurou como se eu fosse uma presa – Eu te amo, eu te amo!

_Não, você não me ama! Você nem me conhece! – eu chorava ainda mais, agora que sentia que ele estava ainda mais próximo de mim. Não havia mais roupas, não havia mais barreiras. Eu estava vulnerável. Completamente vulnerável.

_Às vezes a gente não precisa conhecer para amar... – ele me penetrou com força, sem qualquer medo de me machucar – A gente só precisa sentir... – gritei, gritei ao sentir a pior dor do mundo, a dor tanto física quanto psicológica, a dor de ser violada sem o meu consentimento — Sentir que é verdadeiro, por mais falso que pareça – ele nem se incomodava com os meus gritos desesperados – Sentir que é possível.

_PARA, PARA, POR FAVOR! – o meu carrasco estava me destruindo tanto por dentro quanto por fora, mas dessa vez não era um sonho; era real. Perguntei-me se não teria sido melhor se eu tivesse morrido no Asilo Arkham durante a explosão. O que eu simplesmente não conseguia entender era que ele não tinha qualquer vestígio de remorso por estar me levando a inocência. Também não havia vestígio de dó. Ele não sentia dó. Não era possível que ele sentisse amor. Ele não sentia nada. Nada, nada! – DEIXE-ME IR, DEIXE-ME LIVRE! – a minha dor física estava passando, mas a psicológica não. E eu senti bem na parte mais profunda do meu âmago que a dor psicológica nunca passaria, jamais passaria. Aquela dor era eterna. E eu a levaria comigo. Levaria como uma cicatriz. Não seria uma cicatriz no rosto, como a dele, mas uma cicatriz na alma, o que, veja, era bem pior do que uma cicatriz física. A dor era maior, muito maior; Infinitamente maior.

_Eu não vou parar, você sabe que eu não vou... – e continuava a me beijar, dando-me muito medo, ódio e repulsa pela sua pessoa. Todavia o mais estranho era que eu estava começando a sentir prazer. Um prazer que eu não conhecia antes.

_Eu não consigo entender... – falei, entre um gemido e outro de dor.

_O que, amor? – ele nunca se desacelerava, parecia estar com cada vez mais e mais desejo.

_Eu não consigo entender... – liberei um gemido baixinho, dessa vez de prazer – O que eu estou sentindo... Sinto tanta coisa ao mesmo tempo... A dor que você me causa é a pior que eu já senti, mas também...

_Também te excita? – ele gemia no mesmo compasso em que eu gemia. Eu não sei como, mas nós tínhamos uma espécie de laço que nos ligava. E todos sabem de uma regra nesse mundo: Há laços; Há laços que não podem ser rompidos.

_Eu... Eu não sei... – soltei mais um gemido de prazer.

_E esses gemidos? – questionou.

_Antes eram de dor... – lambi os lábios – Agora são de prazer... – olhei para ele, notei um sorriso em seu rosto. Sorri em retorno – Venha, faça-me sentir até que a dor não importe! Venha, venha! Tão somente, venha!

Naquele momento a vontade dele aumentou descontroladamente e os seus gemidos se transformaram em rugidos. Ele se acelerou sobre mim de maneira voraz, enlouquecendo-me. A dor havia sido substituída por uma sensação muito melhor: A sensação de prazer. Por mais doentio que parecesse, eu estava sentindo algo maravilhoso dentro do meu coração, algo que preencheu o vazio que havia na minha alma, algo que me completou como nada seria capaz de me completar; senti-me feliz, plenamente feliz.

Eu não entendia, não entendia porque sentia prazer com o Coringa, sendo que ele me forçou a fazer sexo com ele, sendo que ele me violou. No entanto, eu não conseguia evitar, eu simplesmente não conseguia evitar a explosão de sentimentos que invadia o meu coração a cada gemido que nós liberávamos ao mesmo tempo. Eu admito que estava doente, muito doente. Mas eu estava doente da melhor forma possível: Eu estava doente de amor. E existia forma mais bela e poética de adoecer?

Nem tudo o que é fantástico precisa ser exatamente correto.

De repente atingi o ápice, notei que os meus gemidos se intensificaram e que eu estava sendo invadida por uma profunda sensação de loucura e prazer, tornando-me entorpecida por alguns segundos, fazendo com que eu me esquecesse de tudo ao meu redor. Naquele momento éramos nós dois e mais ninguém, matando os nossos desejos antes que eles nos matassem. Era errado? Era. Mas eu já não me importava com questões de certo e errado de qualquer forma. Um dia você simplesmente cansa de negar e para de seguir as regras ditadas pela razão; passa a desbravar o desconhecido apresentado pela emoção. E eu desbravei a emoção. E me sinto felicíssima por isso. Sinto-me ungida, sinto-me abençoada.

Percebi que ele também chegou ao seu ponto máximo de prazer. Saiu de cima de mim, deitou-se ao meu lado e falou:

_No nosso sonho eu te mato. Você quer que eu te mate?

_Não, essa noite não. Pelo menos essa noite não. – respondi.

E adormecemos lado a lado, com a certeza de que era amor. Era, não era?

–-*--

Eu não acredito no que eu fiz.

Mas eu amo o que eu fiz.

Sinto-me doentia.

No entanto sinto-me feliz.

Insanamente feliz.

Notas finais
O próximo capítulo já está escrito e está tão grande que será dividido em dois. Aguardem novas surpresas a partir de agora! Ah, e é claro, não se esqueçam de comentar. Quanto mais comentários eu receber nesse capítulo, mais rápido eu postarei os capítulos que estão por vir, portanto nada de timidez, manifestem-se, nem que seja só para dizer: "Legal, continua", ok?