Estilhaça-me

18 Capítulo 17 - Para Sempre Quebrada: Parte 2


Notas iniciais
Sim, você vai ficar muito, mas muito, mas muuuito chocado com esse capítulo! Se ficou polêmico? Ficou sim o_o

Capítulo 17

_Você quer ser estilhaçada, Vany? – perguntou.

Fuzilei-o com os olhos.

_Não quero, mas devo – segurei o seu pescoço – Tortura-me... Faça-me perder tudo o que eu ainda tenho de mais precioso... Mata-me – olhei para a sua boca — Eu me sentirei ungida... – o meu corpo tremia – Estilhaça-me, eu me sentirei abençoada... – mirei os seus lábios – Beija-me, abraça-me, ama-me, mata-me, eu te amo, estilhaça-me! – e com toda a força que ainda me restava tomei os seus lábios e o beijei profundamente. Era insano como nunca. Mas eu precisava dele, tão somente... Dele...

Percebi que ele estava tirando a sua faca do bolso. Tirou a minha roupa. Notei que ele não pôde evitar olhar para a nossa marca de amor. A marca que ele também tinha. Aquela era a nossa, a nossa marca de amor.

Deitou-me no próprio chão do banheiro, tirou também a sua roupa e deitou-se sobre mim. Esfregou a faca dele no meu braço, fazendo cortes superficiais. Arranhou todo o meu corpo. Deu-me socos na barriga, fazendo-me gritar tanto de dor quanto de prazer. Era estranho, talvez eu estivesse me tornando uma masoquista. Mas eu gostava, eu amava aquilo. Eu o amaria para sempre, para sempre e sempre...

_Desculpa... – ele falou no meu ouvido – Mas eu não sei se você vai sobreviver a tudo isso, portanto os cortes não serão tão profundos... Vou fazer de tudo para que você aguente firme por esses longos três dias, Hellen Parker...

De novo trocando o meu nome.

Era difícil entendê-lo.

Mas eu o amava, eu sabia que o amava.

Quando percebi, estávamos fazendo sexo no chão do banheiro. Ele me torturava ao mesmo tempo em que me dava todo o seu amor, todo o amor da sua ultraviolência. No momento em que nós chegamos ao nosso ponto alto, eu já estava com o corpo todo cortado. Contudo, eu não sentia dor. Eu não sentia mais nada. Nada. Talvez o meu corpo sentisse dor. Mas a minha alma não sentia nada, nada. Não era amor, não era ódio mortal. Era nada, completamente nada. Eu não era nada, nada.

Todo o meu corpo parecia uma enorme colcha de retalhos. O meu sangue escorria em filetes pelos meus seios, pela minha barriga e pelas minhas pernas. Havia hematomas por todo canto, devido aos socos. Havia apenas duas áreas intactas: A minha omoplata onde se localizava a marca de amor e o meu rosto que só continha as mesmas cicatrizes que ele me deu dias atrás. Curiosamente ele preservou algumas partes de mim. Mas de qualquer forma eu estava quebrada. Quebrada como um espelho. Idêntica a um espelho; eu era um espelho. Um espelho estilhaçado.

Como eu podia estar viva? Era o amor. Com certeza era o amor.

A força do nosso amor.

Após três dias de pura tortura e, em certos momentos, de sexo, eu estava bem pior. E sem comida. Eu estava quase morrendo, quase morrendo... Mas eu nem tinha forças para fugir. E quem disse que eu queria fugir? Eu nunca quis fugir, não de verdade. Se um dia eu conseguisse escapar, sempre sentiria falta dele e voltaria para os braços dele, porque eu não conseguia, eu não podia ficar sem ele, eu não podia, eu simplesmente não podia. Eu estava viciada nele. Eternamente viciada nele.

_Acabaram-se os três dias... – disse ele – Eu sinto muito por tudo, Vanilla – ao menos ele voltou a falar o meu nome real – Mas o seu rosto continua o mesmo. Não há nada aí além das cicatrizes que eu já tinha te deixado antes. Eu não tive coragem de ferir o seu rosto de novo. Ele é lindo demais, é como uma joia, não posso feri-lo, não posso. E quanto à omoplata, também não pude desfigurar a nossa marca de amor. Ela esta aí como sempre esteve, igualzinha à minha, impecável. E eu fico surpreso como você não morreu... Mas... Se você quiser morrer, eu te permito. Ninguém merece sofrer tanto assim... Eu destruí a sua alma... Agora não há mais razão para viver...

Senti o sangue escorrendo pela minha vagina.

Eu abortei o feto, tudo se foi, não restou mais nada na minha placenta.

_Não há mais razão para viver... – falei – Você está certo...

Ele me segurou nos braços e me levou até a cama, abandonando ali no banheiro o feto abortado. Pesaroso, pegou a minha mão também desfigurada pelos cortes e a levou até o seu rosto. Eu o acariciei.

_Eu estava errado – disse ele – A Hellen não é e nunca foi o amor da minha vida... É você, é você... Você é o amor da minha vida... Você suportou muito mais, muito mais do que ela suportaria... Desculpa por tudo, por tudo... Mas, me diga... Você quer morrer? Eu te deixo morrer para que não sofra mais... – olhou-me nos olhos – Eu sinto muito... Eu te amo, eu te amo tanto... – e chorou. Eu nunca o vi chorando. Ele chorou, chorou, chorou por mim. As lágrimas dele tinham sido o seu maior presente. O seu maior presente... Ele era belo, estranhamente belo. Eu o amava, eu o amava...

_Você me ama? – perguntei.

_Sim, eu já disse, eu te amo!

_Eu também te amo – fiz uma pausa – Então vamos morrer juntos...

_Juntos... – entregou-me uma arma – Você atira em mim – pediu – E depois você atira em si mesma... Nós vamos morrer, morrer juntos...

_Eu não quero te matar... – suspirei – Você me completa... – e entreguei-lhe a arma – Por favor, façamos o contrário... Você me mata e depois você se mata...

Ele olhou para a arma e olhou para mim. Fechei os olhos. Esperei a morte.

Mas ela não veio.

_Desculpa, eu também não posso te matar! – gritou – Você me completa, você me completa! – e chorou ainda mais – largou a arma e beijou a minha boca – Eu vou tratar dos seus ferimentos até que tudo sare e você fique boa novamente. Os cortes não foram profundos... Você já perdeu o bebê, mas não vai perder a vida!

_Por que você não me mata de uma vez? – gritei.

_Eu não posso, eu sinto muito...

E não falamos mais nada.

Ele tratou dos meus ferimentos, como prometido.

Após longas semanas, eu fiquei boa novamente. Apesar de ainda ser uma colcha de retalhos, a maioria dos machucados sumiram, pois eram superficiais. Alguns ficariam para sempre. Seriam mais marcas. Mais marcas de amor.

_Eu nunca mais vou te torturar... – falou.

_Você promete?

_Eu prometo. – disse ele, sorrindo insanamente – Mas só se você me prometer outra coisa...

_O quê? – perguntei.

_Você tem que prometer que vai ser a minha parceira no mundo do crime.

Lembrei-me de todo o mal que ele me fez.

Eu amei aquele mal.

O mal não era mau.

O mal era bom.

E eu o espalharia pelo mundo...

Como uma prova de amor...

Como uma insana prova de amor...

_Eu prometo... – falei, beijando-o com violência.

_Obrigado – disse ele, sorrindo maliciosamente.

_Obrigada digo eu... Por tudo, por tudo... – sorri da mesma forma que ele.

O mundo que esperasse por mim.

Eu seria a mais nova criminosa de Gotham City.

Vanilla Foster semearia o caos.

Sim, o doce caos...

O caos do amor...

Tão somente o caos do amor...

Notas finais
Agora só falta o capítulo 18 e o epílogo, daí acaba.