Estilhaça-me
15 Capítulo 14 - Entorpecida
Notas iniciais
Capítulo 14
Ele me guiou até o seu esconderijo, excitando-me pelo caminho com as suas obscenidades sussurradas ao pé do meu ouvido. Ele tinha acabado de matar a minha mãe e eu estava prestes a fazer sexo com ele... Que tipo de ser humano desprezível eu era? Senti uma pontada no coração quando me lembrei do que ele tinha feito com a minha mãe, por mais que eu tenha implorado para que ele não o fizesse. Ele era um monstro e eu estava jogando o jogo dele, tornando-me, assim, um monstro também. Ele queria que eu fosse fria e insensível da mesma forma que ele era! Não, não, não!
_NÃO! – gritei, empurrando-o para longe de mim, fazendo com que ele se desequilibrasse e caísse no chão.
_Ah, por favor... Você vai se fazer de difícil de novo? – disse ele, levantando-se — Não seja estúpida, Vany Vanilla, você nem é mais virgem, então deixa de besteira!
_Você acabou de matar a minha mãe e agora quer que eu faça sexo com você? De maneira alguma! Eu não sou tão fria assim!
_Não? – perguntou ele, surpreso – Pois, para mim, você estava toda caidinha... Você não estava nem aí para a sua mãe agora a pouco, quando estava toda excitada por minha causa... Confessa, minha linda, você está louca para fazer sexo comigo, só está dando uma de difícil porque sabe que eu adoro isso!
_Ah, vai se danar! – dei um salto sobre ele, agarrando-lhe o pescoço. Ele nada fez. Obviamente eu não tinha força o suficiente para lhe causar dor.
_Ah, se eu não te amasse tanto assim, já teria decepado o seu pescoço, Vanilla... Você acha mesmo que é capaz de me enforcar? Ou pulou em cima de mim porque simplesmente queria uma desculpa para me agarrar? Mas que safada!
Eu fiquei vermelha. Afastei-me dele.
_Desculpa... – eu não entendi porque estava me desculpando.
_Porque você está pedindo desculpa? – aproximou-se de mim e acariciou o meu rosto – Você pode me tocar quantas vezes você quiser... Eu sou seu!
Suspirei e liberei um sussurro descuidado:
_Eu também... Sou sua... – aproximei-me dele e o abracei. Ele me abraçou de volta, com toda a sua força, quase quebrando todos os meus ossos.
_Então... Já que você é minha... Eu posso fazer o que eu quiser com você hoje, não posso? – ele beijou a minha orelha e depois a minha boca, depositando toda a fúria dos seus lábios molhados nos meus, entorpecendo-me por completo.
_Pode... – sussurrei numa voz praticamente extinta, já que os seus beijos eram tão violentos que me deixavam muitas vezes sem palavras. Aqueles eram os melhores beijos que eu já havia experimentado. Eram terríveis, mas me faziam sorrir. Sorrir insanamente. Realmente ele era um especialista em colocar um sorriso no rosto das pessoas, principalmente no meu rosto. Oh, o meu pobre rosto que aparentemente já havia perdido todos os motivos do mundo para sorrir! Oh, pobre de mim!
Ele me conduziu até a cama e me deitou com violência, caindo em cima de mim, machucando-me um pouco, mas eu nem me importei, continuei dançando conforme a sua música. Os seus beijos estavam me enlouquecendo e eu não tinha escolha, eu sabia que não tinha.
_Por que você às vezes é tão violento e em outras situações você me trata com tanto carinho? – indaguei.
_Eu já disse, esse é o meu jeito de amar... – arrancou a minha roupa com força e depois arrancou a sua – E você? Qual o seu jeito de amar?
_Eu amo... Com toda a minha alma... – respondi – Eu amo... Incondicionalmente...
_Eu também... – respondeu ele, enquanto usava a sua língua áspera para brincar com o meu ponto de prazer, enlouquecendo-me por completo. Os meus gemidos só se intensificavam mais e mais. Ele parecia em transe, chupando o meu clitóris repetidamente, enquanto eu já sentia os insanos espasmos do orgasmo. Gemi o seu nome, acordando-o do transe. Ele logo me penetrou com toda a sua força, fazendo-me sentir ainda mais e mais prazer.
_Você me entorpece... – falei, em meio a mais e mais gemidos de prazer.
_Você ainda não viu nada... – agarrou-me com toda a sua força e intensificou os movimentos, tornando tudo ainda melhor. Ele me beijava na boca, na orelha e até mesmo no pescoço, enquanto eu deslizava as minhas mãos nas suas costas, por vezes fincando as minhas unhas no seu corpo à medida que o prazer me invadia e me entorpecia cada vez mais e mais. Ele sabia exatamente como me deixar louca, tanto é que me preencher de tanto prazer e insanidade era uma tarefa extremamente simples para ele. Dentro do meu âmago eu sentia o amor, eu sentia o amor, pois sabia que mais um orgasmo estava chegando. Segurei com força os seus cabelos verdes e os puxei de leve, experimentando aquela deliciosa sensação. A excitação tomou conta de mim e durante alguns segundos não vi nada, apertei as minhas pálpebras e arranhei as costas dele, liberando louquíssimos gemidos que mais pareciam gritos de desespero.
_Você é louco! – falei, após retomar a minha consciência.
_Louco por você... – ele me olhou de cima a baixo, com a cara mais safada que ele poderia fazer – E eu quero mais...
_Mais? – indaguei.
_É! – respondeu ele, olhando-me fixamente de um jeito predatório.
_Eu também quero mais! – fiquei de quatro para ele – Venha, eu não tenho medo de você, venha logo! – eu nem acreditei no que tinha dito. Eu estava me comportando feito uma puta, pois os meus pudores haviam desaparecido completamente naquele momento. Eu queria fazer sexo com ele da forma mais selvagem possível, sem nem me importar com mais nada, pois naquele momento o prazer era o mais importante, o resto poderia esperar, com certeza.
Bom, ele, pelo menos, pareceu ter adorado a minha atitude, pois quando me ouviu falando aquilo; gemeu no mais alto rugido e me penetrou na mais plena loucura, fazendo-me gemer logo no primeiro momento. Ele segurou todo o meu cabelo com a sua mão direita e o puxou com força, fazendo-me sentir uma dor enorme, pois quase tive a cabelereira ruiva arrancada, mas estranhamente aquilo me dava prazer. Tudo nele me dava prazer. Eu faria qualquer coisa por ele. Absolutamente qualquer coisa!
_Eu já disse que amo o seu cabelo, Vanilla? – eu meio que chorava de dor, à medida que ele puxava o meu cabelo. Aquilo era horrível, mas me entorpecia, deixava-me louca, apaixonadamente louca por ele.
_Se você ama tanto o meu cabelo, porque o puxa? – indaguei.
_Porque eu o quero pra mim... – sussurrou ao pé do meu ouvido – E eu também te quero, te quero pra mim... – intensificou os momentos, deslizando as suas mãos do meu cabelo para os meus seios, onde fez questão de massagear, brincando um pouco com os meus mamilos rosados.
_Você sabe... Exatamente... Como me deixar louca... – eu já estava perdendo a minha consciência novamente, permitindo que as minhas palavras se sufocassem e se transformassem em gemidos cada vez mais fortes e intensos. Aquilo era de rasgar a alma, mas eu era uma escrava do ritmo, uma escrava do ritmo que o Coringa me impôs. Eu aceitava de bom grado, porque aquela era a escolha da minha emoção, já que a razão se encontrava praticamente extinta naquele momento de mais pura selvageria e perversão sexual. Eu poderia ficar daquele jeito a noite toda. A noite toda.
_É? Está bom assim? – perguntou – Ou fica melhor assim? – deslizou uma das suas mãos pelos meus seios até alcançar o meu clitóris, onde massageava repetidamente com o polegar, enquanto me penetrava com cada vez mais força.
_Muito melhor a ass assimmm... – eu mal conseguia falar. De repente senti uma enorme onda de prazer me atingindo. Quando parecia que estava passando, veio outra e depois mais outra. Eu gemia intensamente a cada onda de prazer que me abatia. Gritei o nome dele. No limiar da minha consciência eu também podia ouvi-lo gemendo o meu nome, chegando ao seu ápice quase no mesmo instante em que eu cheguei ao meu. Nós dois perdemos o fôlego ao mesmo tempo e ele saiu de dentro de mim, deitando-me no peito dele e abraçando delicadamente o meu corpo, enquanto eu também abraçava o dele. Eu sentia as mãos dele no meu cabelo, acariciando os meus fios ruivos da maneira mais suave possível. Naquele momento parecíamos um casal normal, trocando gentis carícias após uma noite selvagem do mais insano amor.
Eu virei o meu rosto para o dele, sentindo a sua respiração tão ofegante quanto a minha. Os nossos lábios bem próximos. Eu falei, em meio a suspiros:
_Eu acho... Eu acho que tive um orgasmo múltiplo...
Ele sorriu com o canto da boca, sentindo-se o homem mais incrível do mundo.
_É? – indagou – E você quase me matou de prazer!
Eu não pude deixar de me sentir a mulher mais foda do mundo.
Mas acabei pensando na minha mãe morta. E no meu pai preso.
_Sabe... Às vezes eu não entendo que tipo de pessoa eu sou... – falei, um pouco triste – Como eu sou capaz de sentir prazer com o homem que matou a minha mãe? – uma lágrima desceu pelo meu rosto – Eu acho que deixei de ser a Vanilla que eu era... Aquela pessoa boa... Que se preocupava com os outros, que tinha valores, que sabia a diferença entre o certo e o errado... Eu acho que essa Vanilla não existe mais... E eu mesma tenho medo da nova Vanilla que surgiu quando eu me apaixonei por você... A Vanilla insana... A Vanilla fria e calculista... A Vanilla...
_Psicopata? – completou.
_Sim, a Vanilla psicopata... Eu sou uma psicopata agora... Todos os meus sentimentos pelas outras pessoas se foram... Agora eu só tenho sentimentos por você... Sentimentos de amor e ódio misturados na mesma proporção... Mas somente por você... Eu não odeio mais ninguém além de você... Eu não amo mais ninguém... Além de você...
_Então vamos ser insanos – ele segurou a minha mão – Vamos ser ilícitos, vamos ser criminosos, vamos ser palhaços, vamos ser estranhos, vamos ser psicopatas... – ele sussurrou a seguinte palavra no meu ouvido – Juntos...
_Juntos... – sussurrei de volta, antes de adormecer nos braços dele.
Hellen Parker não assombrou os meus sonhos.
Não havia mais Hellen Parker.
Naquele momento éramos somente eu e ele.
Juntos...
Tão somente juntos...
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