Estilhaça-me

11 Capítulo 10 - Matar É Fazer Uma Escolha: Parte 1


Notas iniciais
Oiii, eu demorei? Acontece que eu deveria ter postado esse capítulo ontem, mas a minha mãe me levou a uma psicóloga ¬¬ Tudo isso só por causa da minha criatividade, vocês acreditam nisso? A minha mãe diz que "eu tenho ideias demais". E como isso pode ser um problema? Isso é um dom! Bom, eu fico feliz por termos chegado ao décimo capítulo :3 E esse décimo capítulo será dividido em duas partes, mas o capítulo onze não será a parte dois, pois eu vou intercalar algumas coisinhas a respeito dos pais da Vanilla e do Batman no capítulo onze e só no capítulo doze que será lançada a parte 2, okay? Okay!

Capítulo 10

—Você gosta de pirulito de cereja, querida? – perguntou ela.

—Eu gosto sim...

—Então toma – ela tirou dois pirulitos de cereja da sua bolsa e me deu um deles – Já que você vai me ajudar, diga-me, você tem algum plano?

—Não... – eu não tinha nem ideia do que poderia fazer.

—Ah... Você é tão pouco esperta, Vanilla... Pelo jeito vai ser mais um fardo do que uma ajuda... – ela desembrulhou o seu pirulito e o colocou na boca. A sua expressão era irritada. Ela, pelo jeito, queria muito se vingar do Coringa. Perguntei-me se ela realmente tinha se esquecido da sua paixão pelo palhaço, ou se ainda escondia algum vestígio de amor por ele. Olhei-a de cima a baixo. Ela era linda. O Coringa não era nada bobo, pois só se envolvia com garotas bonitas, como a Arlequina e a Hellen.

—Eu tenho uma ideia! – exclamei.

—Ótimo, Vany, ótimo... Você tem um cérebro afinal... – ela deu uma risadinha idiota. Acabei rindo também, mas foi mais um riso de nervoso do que de qualquer outra coisa. Eu estava suando frio e não sabia exatamente o motivo – Elucide-me, qual o seu grande plano, cabelo de fogo?

—O meu plano é o seguinte: Eu seduzo o Coringa e...

Ela riu tanto que se engasgou com o seu pirulito.

—Você? Seduzindo alguém? Por favor, você nem tem curvas, minha filha! Mais reta do que você só se for uma tábua!

—Da licença, Arlequina, que ele é louco por mim e não por você, ok? – tentei me exibir, mas acabei parecendo estúpida.

—Pois eu duvido que você o tenha feito subir pelas paredes como eu fiz...

—Você tem certeza de que ainda não é apaixonada por ele? – indaguei.

—Tudo bem, eu confesso, estou morrendo de ciúmes de vocês dois, mas não espalha! – ela falou tão alto que foi quase um grito – Agora me conta logo o seu plano!

—Eu seduzo o Coringa, amarro-o numa cadeira e digo a ele algo como “Hoje eu vou te usar” e...

Ela começou a rir novamente.

—Hoje eu vou te usar? Não seja babaca, Vanilla, não seja babaca...

—Cala a boca! Continuando... Enquanto ele está amarrado, faço tipo um lap dance pra ele, entende?

—Lap dance? Tipo aquela dancinha que a Nicki Minaj fez pro Drake no clipe de Anaconda? Eu não sabia que você manjava dessas coisas vulgares, Vanilla... E eu aqui, achando que você era uma santinha filhinha de papai... Aposto que na verdade você é uma puta daquelas bem depravadas!

—Engula as suas palavras, Arlequina! Eu era virgem até o seu pudinzinho me estuprar! – eu estava furiosa.

—Ah, sim... O meu lindo te levou a inocência... Entendo perfeitamente... Continue contando o seu plano... – ela não me olhava nos olhos, parecia estar pensando em outra coisa – E eu sei que você adorou, não tente me enganar!

—Você nem se sensibilizou com a minha história? Você é meio fria, não é?

—Todas que se envolveram com ele tiveram que ter um bom nível de frieza.

Calei-me. O que ela disse era verdade. Para se apaixonar pelo Coringa, sem se importar com os milhares de crimes que ele já cometeu, tem que ter muita frieza mesmo. Era incrível como a palhacinha era capaz de me lascar um monte de verdades no meio da cara. Ela era mais esperta do que eu pensava. Bem mais.

—Ok, ok... – retomei o que eu estava falando antes de ela me interromper – Enquanto eu faço o lap dance, você chega por trás e dá um tiro na cabeça dele! – que plano mais macabro. Eu não queria que ele morresse e até aquele momento não estava entendendo porque estava compactuando com a vingança macabra que a Arlequina planejava.

—Fantástico! – ela bateu palmas e deu uns gritinhos histéricos, como se fosse uma criança de seis anos – Agora nós só precisamos encontrá-lo! Você tem alguma ideia de onde ele possa estar?

—Provavelmente nas proximidades do mesmo esconderijo de sempre. Só faz meia hora que eu fui resgatada pelo Batman; o Coringa não deve ter ido muito longe!

—Você tem razão. Vamos, então! Eu conheço o caminho direitinho! – ela me puxou pelo braço, feliz da vida, porém eu hesitei – O que houve? Você desistiu?

—Eu acho que sim. Pense só nos meus pais! Eles vão morrer de preocupação!

—Ah, danem-se os seus pais! Eu vejo nos seus olhos que você não dá a mínima pra eles, só está tentando justificar o medo que você sente do Coringa! – disse a Arlequina, ríspida.

—Nossa, que horror... Você tem razão! Eu só estou sendo covarde! Estranhamente os meus pais pouco me importam agora! – eu não acreditei no que tinha dito – Sabe, eu estou com medo de mim mesma por ser tão fria! Eu não acredito que os meus pais me importem tão pouco, que tipo de filha eu sou? O Coringa me cegou e agora eu não estou nem aí para ninguém que antes era importante para mim, pois o palhaço se tornou a minha única razão de viver, a única razão pela qual lutar! Isso não deveria ser normal, Arlequina, deveria?

—Em primeiro lugar, o meu nome agora é Soraya. Nós combinamos, lembra? Em segundo lugar, o Coringa é tão sedutor que faz você se esquecer de tudo o que era importante para você antes. Ele te corrói por dentro e faz você focar todas as suas forças apenas nele, tão somente nele. Note que eu enlouqueci porque só consegui pensar nele e em mais nada. Com você foi a mesma coisa. Até o Batman, veja só, esquece-se de tudo à sua volta e move mundos e fundos para capturá-lo! Eu acho que enlouquecer por ele não é lá muito legal, mas perceba que você só está fazendo o que qualquer outra pessoa normal faria na sua condição: Está ficando louca!

—Já que nada mais importa, vamos ficar loucas, Soraya? – dei-lhe a mão.

—Vamos então! – ela segurou a minha mão e saiu correndo comigo em direção ao esconderijo do vilão.

Encontramos o dito cujo no meio do mato, totalmente confuso. Nós nos escondemos atrás de um arbusto e o observamos. Ele estava caminhando de um lado para o outro, murmurando coisas que nós não conseguíamos ouvir.

—O meu pudinzinho parece preocupado... – disse a Arlequina – Você sabe mesmo como desequilibrar um homem, Vany!

Eu riria da piadinha dela, se não estivesse tão nervosa naquela situação.

—Escute aqui: Atraia-o para o esconderijo dele e eu te seguirei discretamente até lá. Não se preocupe, eu sou muito boa em passar despercebida, então ele não vai me pegar no meio do caminho. Quando levá-lo até o esconderijo, use o seu poder de sedução, amarre-o numa cadeira e faça o lap dance. Eu estarei do lado de fora da casa, esperando o seu sinal. Quando você der o sinal, eu quebrarei a janela do quarto e entrarei com uma arma. Pois é, eu estive carregando um revólver na minha bolsa esse tempo todo. Garotas más precisam de armas, fazer o quê? Agora vá lá, Vany Vanilla, e coloque o plano em prática – ordenou.

—Mas qual é o sinal que eu terei que te dar?

—Grite “Agora!” bem alto e eu ouvirei.

—Ok, porém ainda não estou muito segura...

—Foda-se, a hora é agora! – empurrou-me para fora do arbusto, tornando-me visível aos olhos do palhaço lunático.

—Vany, eu sabia que você voltaria para mim... – ele se virou na minha direção.

Eu estava imóvel, pois não sabia o que dizer. A única coisa que estava ao meu alcance naquele momento era improvisar:

—Sim, eu voltei... Eu não consigo viver sem você... – eu até que estava atuando bem. Ou talvez aquilo não fosse apenas uma atuação. Talvez eu realmente não conseguisse viver sem ele, sem os beijos dele.

—Eu também não vivo sem você... – e me beijou com força. Eu saí do beijo.

—Hoje eu estou a fim de algo bem mais divertido do que um beijo... – tentei fazer um olhar sedutor, mas acabou parecendo ridículo.

—Faça o que bem entender comigo... Eu sou todo seu, todo seu... – beijava-me a orelha. Estava mais fácil seduzi-lo do que eu imaginava.

—Hoje eu vou te usar... – usei aquela frase idiota. Ouvi uma risadinha idiota vindo do arbusto.

Seja mais discreta, Arlequina! Ele está apaixonado, mas não é idiota!

—Use-me, então... – respondeu ele. Por sorte não ouviu a risada da Arlequina.

Porém, ela continuou rindo.

Estúpida, depois diz que é discreta! Pare de rir, sua puta!

Ele percebeu as risadas.

—Tem mais alguém aqui, Vanilla? Alguém que eu não deveria saber que está aqui? – questionou, olhando-me ameaçadoramente.

Ele se aproximou do arbusto.

—Fuja, Arlequina, fuja! – gritei.

Contudo, ela não fugiu. Muito pelo contrário: Encarou o inimigo. Ela saiu do arbusto, sacou o revólver calibre 38 e o apontou para o seu pudinzinho:

—Quietinho, meu lindo! – disse ela, com a voz firme – Não ouse se aproximar!

—Rá! Até parece que você pode comigo! Você nem sabe atirar direito! – ele voou no pescoço da palhacinha, fazendo-a largar a arma.

—Vany, pegue a arma que eu deixei cair! – ela berrava.

Eu peguei a arma e a apontei, trêmula, para o Coringa. Eu já chorava, chorava como uma louca. O meu rosto estava vermelho e eu não parava de suar. Parecia que o meu coração ia escapar pela boca a qualquer momento. Eu nunca tinha atirado em alguém, eu nunca tinha matado alguém.

—Você não faria isso, Vany... – falou, enquanto segurava a Arlequina e tampava a sua boca, impedindo-a de falar ou fugir.

—Não superestime o meu caráter... – eu tremia.

—Não blefe, minha querida... É óbvio que você não vai atirar... – ele me olhava perversamente. Só ele conseguia me deixar nervosa daquele jeito.

A Arlequina, não sei como, conseguiu se livrar do Coringa, com um belo murro nas partes baixas dele. Ele caiu no chão, ajoelhado, gemendo de dor.

—Uau, que louco! – falei, sem pensar.

—É, eu aprendi um truque ou dois quando estava no hospício... A minha colega de quarto sabia lutar kung-fu. Ela era foda pra caralho, uma pena que tenha morrido na explosão... – e a Arlequina falava tanto palavrão que me deixava impressionada.

Ela pegou algumas cordas que estavam dentro da sua bolsa e amarrou os braços e as pernas do príncipe palhaço do crime.

—Uau, de onde saíram essas cordas? Tem tudo dentro da sua bolsa! – comentei.

—Eu sou uma mulher precavida, minha querida... E você já ouviu falar que na bolsa da mulher tem tudo? – ela estava toda sorridente.

—É... Principalmente se a mulher for uma criminosa... – concordei.

—Não atire em mim, Vanilla! – gritou o Coringa.

—E por que eu não atiraria em você? – questionei.

—Ai, chega de drama, Vany! – choramingou a Arlequina – Atira nele e acaba logo com isso! Ou você prefere que eu atire?

A voz dela já estava me irritando.

—Cale-se, Arlequina! – e ameacei atirar nela. Ela, assustada, saiu correndo e desapareceu na mata. O Coringa, impaciente, perguntou:

—E agora? Eu estou todo amarrado aqui. Você vai me libertar ou vai me matar? A escolha é sua.

—A escolha é minha? – perguntei surpresa – Durante todo esse tempo eu nunca tive escolha de nada! Você sempre decidiu tudo! Fico até um pouco surpresa sabendo que agora posso decidir alguma coisa...

—Você não ameaçou matar a Arlequina? – senti um aperto no coração – Por que não me mataria também? Pois então, se você sempre pensou que não tinha escolha de nada, hoje até que está tendo umas escolhas bem interessantes. Vai me matar ou não?

Começou a chover. Mantive a arma apontada para ele, contudo não disparei.

—Você destruiu a minha vida, tem consciência disso? – perguntei.

—Não, eu não destruí a sua vida, minha linda... Eu só a tornei mais interessante, não se esqueça disso! E não me venha com sermões! Ataque primeiro; ameace depois!

—Cale-se! Eu estou com a arma! Eu dito as regras por aqui! – eu já não sabia mais o que dizer. As minhas lágrimas se misturavam à chuva.

—Nossa... Para uma ruivinha cheia de pudores até que você está se sentindo bem poderosa com um revólver calibre 38 nas mãos... Imagina só se fosse uma metralhadora ou uma bazuca? Sabe, eu já empunhei essas armas... E a sensação é... Inigualável! Dá um prazer tão grande quanto o prazer sexual, talvez.

—Você me estuprou, me deu cicatrizes! Você acabou com tudo o que eu tinha! Você me transformou em alguém como você! – eu gritava como uma louca.

—Em primeiro lugar... Você amou ser estuprada e amou ganhar as cicatrizes...

—Não ponha palavras na minha boca! – interrompi-o.

—Eu não estou pondo palavras na sua boca... Eu só estou traduzindo o que o brilho dos seus olhos está dizendo... Agora, continuando o meu raciocínio: Eu não te transformei em alguém como eu, porque você não é e nunca vai ser como eu. Ninguém nunca será como eu. Eu estou na vanguarda, estou à frente do meu tempo. A única coisa que eu fiz foi libertar a garota que estava o tempo todo dentro de você: A garota sadomasoquista, problemática por natureza, lotada de traumas e lamúrias em seu passado, louca, paranoica e obsessivamente apaixonada... Eu inspiro o pior nas pessoas. E foi isso o que eu inspirei em você. Eu te recriei em sua forma mais extraordinária. E me sinto abençoado pela minha criação. Eu amo a minha criação!

—Pois esta noite a criação se volta contra o criador! – gritei.

—Atire em mim, então! Atire! Disparar uma bala é algo tão simples! Basta puxar o gatilho e pronto! Está tudo acabado! Eu já te disse... A escolha foi dada! A arma está em suas mãos. A decisão é de ninguém menos que você! Então por que não atira? — Eu não sabia porque estava hesitando em atirar – Tudo bem, não responda. Eu já sei por que você não quer atirar. Não precisa ser um gênio para saber. Você me ama, pronto!

—Eu não te amo, eu te odeio!

—O ódio e o amor nascem nas mesmas regiões do cérebro, minha cara. Você tem mesmo certeza de que consegue separar totalmente um sentimento do outro? Porque você sabe... Num momento como esse, toda a sua vida depende disso!

—E por que toda a minha vida depende disso, posso saber? Você se julga tão importante assim? Como se a sua morte pudesse mudar o curso da minha vida toda?

Ele me olhou fixamente de um jeito desafiador e me disse:

—E realmente a minha morte vai mudar o curso da sua vida. Não vai?

E mesmo que eu não quisesse admitir, ele estava certo.

Atirar ou não atirar? Eis a questão.

Notas finais
Um pouco de humor e muita, muita, muita emoção :3. COMENTEM!!!