Estilhaça-me
10 Capítulo 9 - P de Passional
Notas iniciais
Capítulo 9
Acordei-o.
_Eu sonhei com ela!
_Sonhou com quem, Vany? – ele não estava compreendendo o meu desespero.
_A sua ex-esposa. Ela me contou algo horrível! – eu não entendia porque estava tão estarrecida.
_Ah... De novo falando na Hellen Parker? Eu não acredito que seja de fato ela. Você só é uma maluca que tem alucinações, sonhos estranhos... Isso é tudo uma bobagem do seu inconsciente, eu já tive isso também!
_Você já sonhou com ela?
_Já. Várias vezes. Parecia que ela queria me dizer algo, porém eu nunca a escutei, porque, bom, eu não acredito em nada disso.
_Ah, agora eu entendi porque ela está invadindo os meus sonhos! Ela está me usando para passar a mensagem que você não quis ouvir! Você não acredita... Mas eu acredito! Foi por isso que ela disse que só eu podia te salvar!
_Salvar-me de que? De quem? Eu não preciso ser salvo, não estou em perigo, sei me virar, não sou um criminoso qualquer.
_Não, você não está entendendo... Ela quer te salvar de si mesmo!
_De mim mesmo? – ele estava entendendo ainda menos.
Eu estava pensando em como explicaria a ele sobre o aborto, mas...
(sempre há um “mas”, eu já estou um pouco cansada disso).
...Alguém arrombou a porta do nosso quarto.
Não. Ele não.
_Batman? – o Coringa deu um salto da cama – Você de novo não!
E o Batman veio acompanhado de uma... De uma palhacinha?
_Arlequina? Você também? – questionou o Coringa – Que palhaçada é essa? Não consigo entender mais nada, o que está havendo aqui?
_Aliei-me à Arlequina para descobrir o seu esconderijo e resgatar a garota perdida. Os pais dela estão desesperados – bradou o Batman – E eu não vou embora sem essa garota, preciso cumprir com o meu dever!
_Hey, pudinzinho! – a tal da Arlequina parecia cínica – Os pais da ruivinha aí imploraram de joelhos para o Comissário Gordon resgatá-la, mas como ele não deu conta do recado, o Batman foi a última escolha. O morceguinho aqui já sabia que você e ela tinham fugido do hospício no mesmo dia, pois deu em todos os noticiários, então ele resolveu procurar por vocês dois, mas não conseguiu. Sem saber onde procurar, ele recorreu a mim! Nós demos uma trégua, aliamo-nos e eu revelei a ele o seu esconderijo, cujo caminho eu sei de cor! Pelo visto o seu plano, pudim, tinha um furo: Você não podia ter me deixado viva! Eu fugi do hospício antes que você o explodisse!
_Como você sabia que eu ia explodir o hospício? – questionou o Coringa.
_A louca! Eu não sabia! – ela deu uma risada sarcástica – Fugi porque quis e coincidentemente fugi no mesmo dia que vocês dois, mas por sorte foi antes!
_Você fugiu sem querer me levar junto? Você jamais faria isso! – ele retrucou.
_Ah, por favor... Eu preferi escutar os conselhos que a Hera me deu há alguns anos e desisti de você... Na verdade, acho que vou até desistir de ser uma criminosa, porque eu nunca tive vocação pra isso, só me tornei uma do seu tipo para te agradar, mas como você não me quis de qualquer forma, preferi desencanar disso aí. Foi nesse momento em que o Batman me procurou. Ele disse para eu não tentar nada contra ele, senão eu me arrependeria, porém eu comentei que não era mais do crime e ele ficou muito feliz, inclusive falou que se ele percebesse que eu tinha mesmo mudado, poderia até me convidar para ajudá-lo contra você, já que eu sei todos os seus podres!
_Megera, você deveria ter morrido na explosão! Seria menos uma obsessiva no meu pé! – gritou o Coringa.
_Menos falação e mais ação! – bradou o Batman, agarrando-me – Venha comigo! Vou te levar de volta para os seus pais!
_Solte-a! – o Coringa tentou inutilmente ferir o Batman. O palhaço não era muito bom em combates corpo a corpo, portanto levou a pior. Um soco foi desferido justo no seu queixo e ele desmaiou.
_Vamos, Arlequina! – o Batman correu comigo no colo até o lado de fora da casa e a Arlequina foi atrás. Quando eu vi, lá estava estacionado o famoso Bat-móvel – Então, Vanilla, o que você acha de andar de Bat-móvel? – eu estava meio sem chão pelo o que aconteceu, então nem respondi, apesar de ter achado bem maneira a ideia de andar naquele carro fantástico.
Sentei no banco de trás ao lado da Arlequina. O Batman deu a partida.
_Então... Você é a mais nova coelhinha do meu pudinzinho... – a Arlequina tentava puxar papo comigo.
Dei uma risada.
_Você chama o Coringa de pudinzinho?
_Ah, ok, eu tenho que parar com isso... Eu não sou mais apaixonada por ele, então chega de apelidos carinhosos, você não concorda?
_Você já foi apaixonada por ele? – questionei.
_Sim, não foi isso o que eu falei? Por quê? Ciúmes só porque eu sou mais gostosa do que você? Claro, porque, querida, você é uma vareta!
Dei outra risada. Ela era muito engraçada. Porém o Batman permanecia sério, não parecendo muito a fim de conversar.
_O Batman é tão sério... – comentei – Fico me perguntando em como ele topou fazer uma trégua com uma doida igual a você, ainda mais que, pelo o que eu entendi você já foi a parceira de crime do Coringa!
_O Batman é um cara muito determinado. Ele faz de tudo para salvar a cidade, mesmo que para isso tenha que recorrer a medidas drásticas, como se aliar ao inimigo. E, mudando de assunto... O meu pudinzinho fez um belo estrago no seu rosto... Fico pensando em como ele nunca quis me deixar cicatrizes... Você acha que eu ficaria estilosa com elas? – ela fez uma careta besta. Só não sorri porque ter cicatrizes no rosto não era nada estiloso, era um pesadelo.
_Talvez você ficaria estilosa de cicatrizes, Arlequina... – tentei agradá-la.
_Não me chame mais de Arlequina, esse é um apelido dos meus tempos com o pudinzinho... Quero um nome novo... Que tal Soraya?
_Soraya? É, talvez... – falei, dando de ombros.
O Batman me deixou em frente à minha casa. A Arlequina desceu junto comigo.
_Porque você está vindo junto comigo?
_Eu não tenho rumo, então eu te sigo, ué! – ela se virou para o Batman — Valeu, Batman! A gente se esbarra por aí! E se precisar de uma nova Robin para você, eu estarei aqui! – ela acenou para o Homem-Morcego. Eu não consegui ver direito, mas acho que ele sorriu.
Eu olhei para a Arlequina, ela olhou para mim.
_Então, acabou... – Eu não conseguia esconder o meu ar de decepção. A verdade é que eu não queria ser salva pelo Batman – Eu não quero voltar para os meus pais, eu não quero voltar para a faculdade de arquitetura... Eu quero... O Coringa...
_Vixi, a obsessão te pegou, chuta que é macumba, minha filha! – a Arlequina pôs as mãos nos meus ombros, expressando preocupação – Não volte para o pudinzinho, pois ele vai destruir a sua vida, como quase destruiu a minha! Aliás, destruiu mesmo, porque agora não tenho bosta nenhuma! O hospício era onde eu vivia, mas agora que o pudinzinho explodiu aquele treco todo, não tenho mais nada! E para completar, a polícia está no meu encalço e se me encontrarem, como não há mais hospício, vou para a cadeia, oh, mas que lixo!
_O Coringa acabou com tudo o que você tinha, não foi?
_Foi. Porém, eu não me arrependo. Ele é um homem apaixonante...
_É... Todas que já se envolveram com ele dizem isso... – lembrei-me de Hellen Parker.
_E eu estou a fim de matá-lo! – não acreditei no que a Arlequina disse – Antes de sair dessa vida de crime, quero acertar umas contas com ele, quero assassiná-lo, já que ele quase me matou tanto por dentro quanto por fora um monte de vezes!
_Você quer vingança? – questionei.
_Eu quero. E é melhor você não vir junto, você é só uma menininha, isso aqui é coisa de gente grande, estou a fim de cometer um crime passional e é melhor você não se meter. Volta para os braços do seu papaizinho e da sua mamãezinha que vai ser melhor para você!
_Não! – bradei, batendo o pé – Eu não sou uma menininha, já passei por provações demais e amadureci muito nos últimos tempos para ser referida dessa forma! Eu vou com você!
_Vai? Mas por quê? Você não tem nada com isso!
_Porque eu também quero...
_Quer o quê?
_Vingança... – respondi, com os olhos mais negros do que nunca. A minha alma era pútrida, o meu coração era gelado. E eu o amava, mas ao mesmo tempo queria que ele pagasse pelo o que fez comigo e com a Hellen. Ele podia ser incrível, mas havia destruído a minha vida. Eu precisava destruí-lo, precisava, mesmo que isso custasse a minha vida. Se bem que a minha vida já não valia mais nada de qualquer forma.
A palhacinha me olhou, pensou um pouco e assentiu:
_Ok... Como você quiser, querida... Feito? – ela me ofereceu a mão.
Eu hesitei por um segundo, porém apertei-lhe a mão, sorrindo doentiamente.
_Feito!
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