Estado de amor e de sonhos
17 CAPÍTULO17
Palhoça e Jaraguá entraram no carro animadas:— Coloquem os sintos que eu não estou afim de pagar multa não! -aconselhou Chapecó bem umorada, tentando não rir da sua própriabrincadeira:— Sim! — concordou Jaraguá:— Sim senhora! — acrescentou Palhoça.— Foi bem de aula, mana? — quis saber Joinville:— Fui; hoje teve um teste surpresa e acho que todo mundo se ferrou!Chapecó entrou na conversa, sem deixar de olhar pra frente; estavadirigindo:— Estou sabendo que a senhora está namorando, que o garoto é superlegal, quero conhecer!— Eu vou te apresentar; você vai gostar dele!— O namorado dela é super legal, Chapecó — comentou Palhoça -, só que a
mãe dele começou a dar aula lá na escola e ninguém suporta ela!— Sério, mana? — perguntou Jaraguá surpresa, ela não sabia disso:— Seríssimo, maninha! Ela é professora de matemática, não pegou a suaturma mas dá aula pra mim; eu sinto te informar mas você vai ter quedomar a fera!E as quatro seguiram conversando. Chapecó aproveitou a ida a o shopping para fazer algumas compras;precisava de toalhas e roupa de cama. Não comprou muita coisa, apenas onecessário para alguém que morava sozinha.Passaram por mais algumas lojas, e já eram quatro horas da tarde quandoresolveram subir até a praça de alimentação. Chapecó estava andando pelo shopping ao lado de Joinville, e Jaraguáe Palhoça mais a frente delas, uma ao lado da outra, conversando:— Oi, meninas, que surpresa boa! — o coração de Chapecó estremeceu aoouvir aquela voz que ela conhecia tão bem. Olhou na direção da tal voz eencontrou Itajaí, bela como sempre foi, também carregando algumassacolas:— Oi — cumprimentou Chapecó meio sem jeito -, tudo bem?— Tudo bem! Passeando?— É; eu estava precisando comprar algumas coisas lá pra casa, toalha,roupa de cama, essas coisas!Itajaí olhou para o lado:— Tudo bem, Joinville? — perguntou sorrindo de leve:— Tudo bem! — respondeu a moça sem saber se deveria dizer mais algumacoisa. Palhoça e Jaraguá, a essa altura já estavam ao lado da irmã,paradas, observando a cena sem entender muita coisa:— E essas moças lindas, quem são?Foi Joinville quem respondeu, apontando suas adolescentes ao seu lado:— São minhas irmãs; Jaraguá e Palhoça!Itajaí cumprimentou as duas com um sorriso que Chapecó não conseguiadefinir, mesmo conhecendo-a tão bem como conhecia:— Você é amiga da minha irmã? — a pergunta de Jaraguá veio acompanhadapor um lindo sorriso que era só seu e de mais ninguém:— Sou; sou amiga da sua irmã e de Chapecó também!— Ah, se é amiga da minha irmã é minha amiga também!— Vocês parecem bem apegadas, não é?— Muita gente diz que eu e Joinville não parecemos irmãs; irmãosgeralmente brigam, ficam de cara feia, a gente não! A gente é superamiga!— Que coisa linda, Jaraguá!Chapecó, sentindo receio daquela situação, decidiu acabar com aquilo:— Bem, gente, é melhor a gente ir logo pra praça de alimentação; eupreciso sair daqui e fazer super mercado ainda hoje!Joinville e as meninas concordaram; despediram-se de Itajaí, que as viuse afastar:— Quer dizer que essa menina é a irmã preferida de Joinville? — Itajaífalava isso com sigo mesma, como se precisasse ouvir sua própria voz -,isso pode ser muito bom pra mim! Essa menina ainda vai ser muito útilpra mim; há se vai! — Está melhor, patroa? — assim perguntou carinhosamente Márcia, aoentrar no quarto de Florianópolis; ela estava deitada na cama, pálida,havia passado muito mal a alguns minutos:— Mais ou menos, Márcia!— Será que não é melhor ligar pras meninas e...?— Não, Márcia; Jaraguá vai acabar ficando nervosa, Joinville também, nãoprecisa ligar não! Eu vou melhorar, fica tranquila!— A senhora quer alguma coisa?— Acho que agora não, Márcia; ou melhor, interfona ali pro apartamentode Lages, pede se ela pode vir até aqui!Foi o que Márcia fez, e minutos depois, ali estava Lages; serena comosempre foi, sentada à beira da cama da amiga:— Eu estou com muito medo dessa vez, minha amiga — desabafouFlorianópolis enquanto sentia rolar uma lágrima de seus olhos -, eufiquei grávida quatro vezes e nunca foi tão difícil assim!— Mas você precisa relaxar também, minha querida; eu percebi ontemquando você teve aquele mal estar no meu apartamento, você acaba ficandonervosa e isso só piora as coisas! Tem que tentar relaxar, desencanar,entende?— A doutora Ana Luisa me falou a mesma coisa; ela disse que eu estoumuito tensa!— E está; isso não é bom pra você e nem pra ele! E as meninas?— Blumenau está no quarto estudando, Joinville foi pro shopping com anamorada e levou Jaraguá e Palhoça! A Márcia perguntou se não era melhorligar pra elas mas eu não quis, não ia adiantar nada! Márcia entrou calmamente no quarto, agora trazendo uma bandeja comdois copos cheios:
— Trouxe um chá — anunciou ela -, o meu chazinho milagroso de ortelã,gelado pra refrescar!— E é milagroso mesmo — afirmou Florianópolis sentando-se na cama -, sómesmo esse chá pra aliviar um pouco esses enjoos!Márcia deixou a bandeja e se preparou pra sair do quarto; mas antes,tocou na mão de sua patroa e disse:— Qualquer coisa que precisar, mas qualquer coisa mesmo, é só dar umgrito que eu venho voando pra cá!E saiu do quarto calma como sempre, fechando a porta. — E Blumenau — perguntou Lages retomando a conversa com a amiga -,está mais calma?— Eu já nem sei mais o que pensar; ela agora fez amizade com uma moça,Itajaí, faz direito na universidade também! Só que essa tal moça éex-namorada de Chapecó, Joinville me contou!Com a mão direita, Lages tocou a perna da amiga:— Eu ainda acho, Florianópolis, que a única coisa capaz de deterBlumenau é a verdade!— Eu já pensei nisso, Lages; eu tenho pensado muito nisso e até comenteicom o pai dela!— Eu acho que seria bom que ela soubesse; talvez isso fosse mudar acabeça dela, entende? E de fato, Blumenau estava cada vez mais próxima de Itajaí, e estavadecidida a fazer o que fosse necessário para não ter que conviver com onamoro de sua irmã com outra mulher. Acreditava que isso fosse mancharseu nome. O que ela jamais poderia imaginar é que sua vida iria mudar,sua forma de pensar iria mudar dentro de poucos dias.
Fale com o autor