Esta Rua
1 Se esta rua, se esta rua, fosse minha....
Notas iniciais
Capitulo unico
Aline andava pelas pedras coloridas que formavam desenhos abstratos na calçada. Lindos mosaicos de traços infantis tão pouco admirados, obras primas que para os olhos dos outros eram somente pedaços de pedra esparramados...
As imagens sem forma, aos poucos, foram substituídas por pedra negras e lisas, com desenhos de diamantes simétricos entre elas. A moça levantou a cabeça, curiosa para ver o que teria mudado as cores do chão. Se deparou com um bosque com altos portões de ferro negro.
-- Se esta rua, se esta rua fosse minha... - a voz dela era quase melancólica, assim como o sorriso recém-formado que se encontrava em seu rosto. -- eu mandava, eu mandava ladrilhar... com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante.... Só para o meu, para o meu amor passar.
Não havia musica melhor para descrever o que ela sentia. Uma cantiga que as crianças cantavam alegremente, sem nunca parar para tentar entende-la.
Continuou cantando enquanto andava, com a voz fraca e baixa, com um tom triste
-- Nesta rua, nesta rua tem um bosque... que se chama, que se chama Solidão... — os diamantes continuavam estampados na calçada negra, até o fim do bosque, coincidentemente chamado \"Solidão\". Por um momento, ela pensou que aquele fosse o cenário que inspirou o compositor desconhecido, mas acabou concluindo que era o contrario. — Dentro dele, dentro dele mora um anjo... que roubou, que roubou meu coração.
Estava perto da entrada, entre as grades se observava a grama alta e as árvores curvadas que proibiam a luz de invadir o local, dando um ar sombrio a ele. Antes que pudesse continuar a canção, uma voz rouca fez isso por ela. Mas não era uma voz desconhecida...
-- Se eu roubei, se eu roubei teu coração... é porque tu roubaste o meu também. — Aline apressou os passos para ver quem cantava. Sentado em cima de um tronco partido, havia um anjo. Mas não parecia um anjo qualquer: uma auréola quebrada flutuava sobre sua cabeça e uma das asas estava escondida sob gases ensanguentadas, assim como seu pescoço, e de algumas frechas se viam penas escuras e afiadas, diferentes as da asa exposta. Ele retirou a franja castanha dos olhos e sorriu — Se eu roubei, se eu roubei teu coreção... é porque, só porque te quero bem.
Enquanto cantava, o suposto anjo estendeu os braços, a convidando para um abraço. Aline se aproximava com passos pequenos e leves. Logo, estava correndo, com grossas lagrimas escorrendo pelo rosto e ficando para tras.
O abraçou, aproveitando o calor divino daquele ser. Ele a olhava com ternura, envolvendo-a em seus braços, consolando-a. O Anjo conhecia o motivo de sua imensa tristeza. Alias, ele era o motivo de sua imensa tristeza.
Dos portões enferrujados, duas senhores assistiam a cena, um pouco modificada: a jovem garota chorava abraçada a um dos troncos, e chamava baixo por um certo \"Rafael\".
-- Coitadinha — a mais idosa disse para a outra, com pena no olhar e na voz. — Soube que o noivo dela morreu recentemente, cujo nome era Rafael...
Notas finais
Reviews, prufavô? *^*
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