Esta Rua
2 ...Nesta rua, nesta rua, tem um bosque...
Notas iniciais
"Mas... não é uma oneshoot? o.O"
Sim, era. Mas não é mais xP
Talvez venha mais um capitulo por ai ;3 (Talvez não)
Sem musica o3o~
Aline ficou ali, abraçado com ele por horas. Ele não reclamava, ele apenas sorria e acariciava os longos cabelos soltos dela, afastando os fios rebeldes do rosto dela, os prendendo com a mão e soltando em seguida.
Sussurrou alguma coisa.
Ela ficou sem respirar por alguns segundos. A voz dele continuava rouca e grossa, porém doce, com sempre foi. Era como se estivesse vivo.
-- Quer vir comigo? — Rafael sussurrou de novo, dessa vez com resposta.
-- Q-quero- Aline levantou o rosto, olhando o dele. Ele não era mais angelical do que quando estava na Terra, ou mais inocente. Era igual, somente mais... surreal.
Retirou-se as gases. A outra asa era sim diferente: era negra, com apenas duas ou três penas brancas. Em alguns pontos, havia menos penas, e no alto era despenada; era de onde vinha o sangue. Parecia menor, e, de alguma forma, mais real que a outra, e também parecia dolorida.
-- Por que... — parou a frase, apesar da curiosidade. Sabia que devia ser algo desagradável para ele.
-- Desobedeci. — vendo que ela não havia entendido, tratou de explicar. — Isso é, sou um anjo corrompido, ou um anjo caído. Como quiser.
Ainda queria saber mais. Muito mais. \"Por que?\", \"Como é o Céu?\", \"Como é morrer?\", \"Quem é Deus?\". Centenas de perguntas apareciam em sua cabeça. Um numero incontável.
-- E.. por que me deixou? — Pensou alto, alto demais. Não era algo que deveria perguntar, pois sabia que foi um acidente. Ele pegou a mão dela, se levantando do toco, e riu.
-- Não te deixei! Estou aqui, não estou? — ambas as mãos estavam dadas. As asas balançavam. E pouco a pouco ganharam força e movimento, se abrindo e se fechando, indo para trás e para frente, muito diferente das dos pássaros. Diferente do que Aline sempre imaginara. — E agora, estou te trazendo para perto de mim, para sempre.
O comentário fez com que um sorriso aparecesse no rosto de ambos. Os pés foram saindo do chão. Foram ficando sem apoio. Sem nada por baixo deles.
Um frio percorreu o corpo da garota, uma espécoe de medo, fazendo-a gritar e o abraçar. Era quase como nadar, mas não se sentia a àgua. Não tinha apoio além do corpo dele. Não tinha nada.
Em alguns segundos a luz ficou visível; o emaranhado de árvores curvadas havia ficado para trás, junto com algumas penas negras e o medo dela. Agora, seu rosto demonstrava um alegria imensa. Jamais, jamais, voar de avião ou saltar de queda-livre, por exemplo, se compararia a isso. Era muito mais.
-- Prepare-se — ele disse, tentando parecer alegre. Mas ainda era possível escutar uma certa tristeza na voz rouca.
E as mãos se soltaram. Seus corpos se desencontraram, o vento a engolia. Estava caindo, estava solta aos céus. Berrou, com todas as suas forças, não que isso fosse ajudar em alguma coisa.
Um frio ainda maior percorreu o corpo dela. Sua visão sumiu, sua respiração parou, seu sangue congelou, seu coração não batia mais, e seu corpo tremia, com os poucos pelos eriçados.
Antes que pudesse sentir qualquer coisa que fosse, parou no ar. Uma dor intensa nas costas, por alguns segundos, como se algo brotasse delas. Gritou, de dor, de medo de algo. Continuou gritando, com olhos fechados, até sentir a mão quente de Rafael segurando a dela.
Abriu os olhos, e encontrou as iris acastanhadas dele, que pareciam rir para ela.
--Pronto!
Havia algo diferente. Quando Rafael a puxou para o céu novamente, ela não precisou se agarrar a ele para voar. Ela, agora, tinha suas própia asas. Asas inpecavelmente brancas e penosas, surreais, belas. Agora, poderia conhecer o paraiso.
Dos portões enferrujados, assistiam as duas senhoras. Olhavam horrorizadas o cadaver jovem, embaixo da sombra projetada, sem saber o que fazer.
Aline havia se atirado de uma àrvore consideravelmente alta, talvez uma das mais altas e menos curvadas do bosque solitario. Mas havia feito isso como se fosse guiada, de forma inconsiente.
A morta sorria. Parecia estar numa paz inacreditavel, tanto a ponto de iluminar o corpo morto. E o mais estranho, era que uma de suas mãos estava fechada, como se segurasse firme a mão de alguém...
Notas finais
"Se ela morreu, o que teriamos no próximo capitulo? ._."
O motivo dele ter caido 8D
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