Esse Nosso Jeito - Perina
27 Capítulo Vinte e Sete
Notas iniciais
"Paz e amor, é o que eu quero para nós."
Jorge e Mateus
Quatro semanas depois
Depois de descobrir que teria uma menininha fiquei super contente, e falava para todos o quanto feliz estava. Uma pena não dizer o mesmo que a Karina, ela deu uma surtada básica. E eu a compreendi apesar de tentar tirar as ideias loucas da cabeça dela. Escutei ele falando com Dandara que o medo dela é que nossa filha seria toda menininha, iria querer saber de bonecas, laços e maquiagem e ela não tinha como ensinar essas coisas, pois nunca as aprendera. Desde cedo o pai mostrou a luta pra ela, ela foi criada por um homem e por isso era assim, o medo dela é não saber se vai agradar a filha. Algumas semanas se passaram e ela deu uma acalmada e parou de pirar, mas agora ela está pirando por outra coisa.
A fundação CJK criada respectivamente por Camila, Jade e Karina será inaugurada hoje. Eu fiquei sabendo disso quando Karina estava com 4 meses e achei um absurdo, foi logo depois do casamento da Bianca, mas eu sabia que era algo que as três realmente sonhavam dava para ver o brilho nos olhos de cada uma enquanto explicava para mim e para os caras — João e Cobra além de não saberem também, não ficaram muito felizes por sermos os últimos a saberem — que aquilo era o sonho delas e que estava tudo encaminhado para o sucesso. E claro, que nós como somos os três bobões apaixonados pelas diretoras e donas do projeto, fizemos de tudo para ajudá-las. João usou sua empresa para patrocinar todas as ações voltadas para informática e administração da Fundação, o que atribuiu bastante fundos para elas. Cobra que tem uma linha de roupas, suplementos e outras coisas voltadas para o Muay Thai entrou patrocinando para o lado dos esporte da fundação, e se candidatou como professor.
E eu por último, mas não menos importante fiz o que faço de melhor: me apareci. A mídia já estava marcando em cima dos integrantes da Flux depois do nascimento do Bernardo — filho de Sollace e meu afilhado — e de algumas fotos que saíram minhas com Karina. E quando descobriram que minha namorada estava grávida e que era a famosa lutadora de Muay Thai, pappazzos acampavam no nosso prédio, e eu recebia telefonemas para entrevistas. Por insistência da Karina, eu ignorei só que depois de descobrir sobre a ONG delas e vendo meus amigos ajudarem e eu não fazendo nada, tive a brilhante ideia de dá uma entrevista. E foi como ajudei, depois de responder perguntas sobre meu namoro/vida a dois com a Karina, e falar sobre o acréscimo nos meses de adiamento da volta da banda, fiz a perfeita divulgação da Fundação CJK. Minha esquentadinha no começo não ficou nada feliz, mas depois de várias pessoas se juntarem a causa e querer patrocinar ou somente doar algo, ela viu que me aparecer e levar ela e seu trabalho junto foi uma ótima e grande ajuda.
Estou terminando de me arrumar, enquanto Karina está na cozinha comendo, o que ela no momento só sabe fazer. Ela acha que estou indo pra Ribalta, mas tenho coisas mais importantes para fazer. Não é só a inauguração que é importante hoje, minha linda terá grandes surpresas.
– Karina, meu amor. — eu digo, quando saio do quarto. A encontro sentada no sofá de cabeça baixa. — O que aconteceu?
– Estava pensando no bebê, ou melhor, na bebê. — ela diz, e eu sei que já vem uma de suas crises sobre o sexo da nossa filha.
– Karina, de novo com isso? Eu pensei que você já tinha superado isso. Todos sabem e te disseram que será uma ótima mãe. E depois podemos fazer um menino. — a consolo, e tento fazer uma piadinha que não resulta em nada.
– Um garoto seria tão mais fácil. Eu poderia ensinar a ele a lutar, ou a jogar futebol. E você a andar de skate, e tocar guitarra. Meu pai adoraria o levar pra algum estádio e seu pai? Ele iria com certeza ensinar coisas sobre motores. — Karina diz divagando.
– Esquentadinha, você está surtando de novo. Já conversamos sobre isso, você será uma mãe incrível e tudo que você disse, vai poder ensinar a nossa menininha. Isso que você está fazendo é sexíssimo.
– Não é nada! — ela exclama, mas então coloca a mão na cabeça. — Verdade, eu estou sendo meu pai quando não queria me deixar lutar.
– Exatamente, você é incrível K. Não precisa se preocupar.
– Mas se ela gostar de laços, maquiagens, vestidos e ..
– Meu amor, não pira. A criança não nascem já correndo atrás de um batom. E você vai ser a melhor mãe do mundo, pois é duas coisas que muitas mulheres não conseguem ser e vai passar isso pra nossa filha.
– Aé? O que?
– Você é corajosa e linda. — digo, me abaixando e ficando entre as pernas dela e acaricio sua barriga. — E nossa filha vai puxar isso de você, e minha inteligência é claro.
– Ai meu Deus, você estará perdida! — ela diz rindo, e colocando a mão por cima da minha.
– Está nada, ta bom Paulie. — digo dizendo o nome que eu quero.
– Nem tenta, não vamos chamar nossa filha de Paulie só por causa que você cismou que é o feminino de Paul (N/A: O carinha do Beatles, só pra vocês saberem. E eu não sei escrever o sobrenome do cara. kk ). — ela diz, esticando o braço para eu ajudá-la se levantar. — Acho melhor ir encontrar as meninas, hoje de tarde inauguramos a fundação.
Ela diz, e então vi andando até a porta e eu pego minhas coisas e saio com ela. Me despeço com um beijinho, depois passo no apê do João e vamos direto para a casa.
Assim que chegamos em frente a casa, vejo o carro do Gael estacionado e sei que ele não está sozinho.
– Ele que está montando o berço né? — João pergunta enquanto entramos.
– Sim, apesar que meu pai está uma fera por isso. — eu digo, abrindo o portão. — Só que no fundo ele sabe que fazer um berço não está ao alcance dele.
– Isso é completamente verdade. — João diz, e então rimos. Então entramos, eu ainda sinto aquela felicidade infinita toda vez que entro nesta casa, a minha casa. A casa onde eu e Karina iremos criar nossa filha.
– Pai? Gael? — eu chamei, mesmo sabendo que eles só estariam no andar de cima.
– Pedro que bom que chegou, temos uma surpresa para você. — Gael diz, aparecendo no corredor assim que João e eu chegamos ao fim da escada.
– Eu adoro surpresas! — João disse animado. — Aquelas que não são para mim então, são as melhores.
Vamos direto para o quarto e eu sorrio ao ver que além de estar pintado, no centro tem um berço digno de um Oscar para berços.
– Pensei que terminaríamos de pintar o quarto hoje? — disse para meu pai.
– Sim, só que sabemos que você está ansioso para mostrar a casa pra Karina. — meu pai respondeu. — E não foi nada, não é Gael?
– Isso mesmo. — ele concorda e então me encara. — Apesar de você não querer casar legalmente e na igreja com minha filha.
– Ela que não quer, por mim casamos qualquer hora. Já me sinto marido dela de qualquer forma. — eu digo, e Gael dá um sorrisinho.
– Karina nunca facilita. Só que continuando, fiquei completamente feliz e satisfeito quando me mostrou a casa que comprou, e ainda mais quando me deixou ajudar a restaurá-la e principalmente por poder fazer o berço da minha primeira netinha.
– Um mês atrás, ele não podia ouvir nem a palavra avô e agora fala da netinha em todos os instantes possíveis. — João diz rindo.
– Seremos dois avôs babões. — meu pai fala dando um tapinha nas costas do Gael.
– Eu que agradeço a vocês, eu bati o olho na casa e algo me chamou a atenção. Eu espero que a Karina goste, pois senão ferrou tudo.
– Ela vai amar, isso eu tenho certeza. — Gael diz e então roda o quarto. — Você escolheu um lugar perto da Fundação, e ainda é perto do Catete, onde ela cresceu e a família dos dois moram.
– E vamos admitir, por mais que a Karina não seja convencional. Acho que ela vai amar decorar a casa como ela queira, e o quarto da minha sobrinha também. — João fala animado.
– Isso é verdade. A casa está em perfeitas condições, vocês só precisaram decidir os moveis, mobília e eletros. E se não quiserem, tem Delma e Tomtom para ajudar, essas duas sabem decorar um lugar. — meu pai diz, e então olha para o Gael. — Imagino que se chamar Dandara, ela também adoraria.
– Com certeza, ela consegue milagres. — Gael sorri ao dizer.
– E o maior de todos, é ela ainda estar casada com você. — João diz sério, e eu seguro o riso.
Passamos o resto da manhã ali, terminando de tirar todas as tralhas e baldes de tinta, entre outras coisas. Depois fomos cada um para sua casa, para se arrumar para inauguração que seria ás cinco.
Acho que nenhum evento que contém todo nosso grupo e familiares pode ser considerado chato ou entediante. A Inauguração foi um sucesso, o que não é surpresa nenhuma. Estava cheio de fotógrafos, e alguns jornais pequenos também, e vários convidados, teve até aquela parada de cortar fitinha. A festa estava linda, tinha algumas plataformas onde se explicava que tipo de ensinos teriam no lugar, foram apresentados alguns professores e conselheiros que estariam ali todo o dia. Cada diretora fez um discurso, Camila contou que vivia uma vida onde somente os jogos a deixavam entretida, mas bastou vir para o Rio que conheceu as pessoas que ela sempre chamará de amigos e seu grande e esquisito amor pelo nerd da computação. Logo, depois Jade contou como a arte sempre foi importante na vida dela e que aprendeu isso com sua mãe, e que agora estava realizando dois sonhos em um. E então no final ela surpreendeu a todos quando levantou a mão direita, e deu um gritinho e disse:
– E depois de tantas conquistas, eu consegui uma quase impossível. Estou noiva de Ricardo Cobreola! Com direito a um pedido magnifico.
– Filha da puta! — todos nos surpreendemos com o berro de Karina, na casa em silêncio. — Você só nos conta agora. Grande amiga, em Gardel.
Depois das três se encarem, ou melhor, depois que Karina e Camila disseram algumas coisas a Jade, é a vez da Karina fazer seu discurso.
Ela para e pega o microfone, e abre um papel que estava em sua mão. E antes dela falar, ela me olha e sorri e eu fico que nem idiota, por que além de ser minha esquentadinha, ela nunca esteve mais linda. Sua barriga que já está bastante grande num lindo vestido preto simples e divino, assim como ela.
– Primeiro de tudo, eu anotei meu discurso e não serei espontânea como minhas amigas e sócias. Não consigo pensar em nada além de fraldas, será por que? — ela diz sorrindo e acariciando a barriga, e todos rimos. Ela então olha o papel e começa a falar. — Quando eu era mais nova, meu grande sonho era ser uma lutadora profissional. Meu pai de inicio não queria, mas acabou percebendo que não teria jeito, eu tinha puxado a teimosia dele. E eu realizei esse sonho, infelizmente um acidente me privou de fazer o que mais amava logo depois de ter conquistado tanto em poucos anos, só que não quero que tenham pena de mim ou digam: "Tadinha está fazendo isso, pois não pode fazer o que ama". Eu acho que apesar do que aconteceu sou uma pessoa muito sortuda, por que ao invés de me afundar na terrível dor de ver um sonho ser destruído, eu juntei os cacos e fui ensinar o que amava fazer. E agradeço muito por está aqui hoje, na frente das pessoas que amo e as pessoas que apoiam isso que eu e minhas amigas resolvemos fazer. Nem tudo está perdido quando achamos que está. Foi o que aconteceu comigo, e eu espero que qualquer jovem ou criança que entrar na CJK possa aprender isso, seja na música, na dança, na luta, no canto, na pintura ou em qualquer coisa. Você nunca pode desistir dos seus sonhos, e se algo acontecer ou impossibilitar você de chegar ao seu sonho. Sonhe algo novo e tente novamente. E se você não sabe como sonhar novamente, vem para fundação, quem sabe as nossas histórias e aulas te inspire a sonhar novamente.
O salão se rompeu em aplausos, e eu estava com os olhos cheios de lágrimas. Depois de um bom tempo na festa, resolvi que estava na hora de mostrar a Karina a nossa casa, e quando me aproximei dela e peguei sua mão, ela sorriu e apertou minha mão de volta.
– Estou tão orgulhoso de você. — eu sussurro pra ela, e lhe dou um beijo na testa. — E tenho algo para te mostrar.
Assim que digo, ela fica curiosa e logo estamos no carro a caminho da casa. Ao chegarmos, eu coloco minha gravata em seus olhos e a conduzo pra dentro da casa. Subimos a escada, e abro a porta do quarto devagar e a coloco bem ao lado do berço. E tiro a gravata.
Ela não diz nada, apenas roda o quarto com os olhos, passa a mão carinhosamente no berço e então se vira para mim.
– O que é isso? — ela pergunta.
– Um quarto de bebê. — digo sorrindo. — Especificamente, o quarto da nossa bebê.
– O que isso quer dizer?
– Além do óbvio, é bem simples, Esquentadinha. — eu digo, e então pego a caixinha no meu bolso e me ajoelho em sua frente. — Karina Duarte, eu te amo desde os meus 17 anos e parece que o sentimento só fica mais forte. Eu tenho a certeza que você é a mulher da minha vida e eu espero ser o homem da sua. Então aqui no meio do quarto que espero que seja da nossa menina, e nesta casa que espero que seja nossa, estou não apenas que seja minha esposa e mãe dos meus filhos. Com você eu quero tudo, e não me importo o que esse tudo incluí. Você quer se casar comigo?
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