Esse Nosso Jeito - Perina
29 Capítulo Vinte e Nove
Notas iniciais
"E cada verso meu será para te dizer que eu sei que vou te amar por toda minha vida."
Vinicius de Morais
Quatro semanas ...
Acabei de sair do consultório da médica com Karina, ela veio fazer a ultima ultrassom. A doutora disse que agora faltam poucas semanas para Alexandra nascer, sim já escolhemos o nome da nossa pequena. Depois de vermos os significados dos nomes, esse foi o que mais gostamos.
– Vamos almoçar no meu pai? — Karina pergunta enquanto entramos no carro.
– Sim, e jantaremos no meu pai. — eu digo fazendo uma careta, e logo completo. — Mas antes preciso passar na Ribalta, pra pegar alguns papéis.
– Ah que bom, posso dá um oi pro Duca, e o Lucas ainda deve ta lá com o Alan. Os dois são as crianças que mais ficam naquela academia. Literalmente, filhos de peixes, peixinhos são.
– O Lucas só cresce, e ele me pediu pra passar outro final de semana lá em casa. — eu digo rindo, Lucas adorava dormir na nossa casa, pois parecíamos três crianças.
– Eu adoro quando ele vai lá pra casa, já to vendo ele crescendo e não querendo jogar com a gente.
– Acho difícil, ele te venera praticamente. — eu digo a acalmando.
Quando chegamos no Catete, estacionou o carro em frente a Ribalta e deixo Karina descer e vou para garagem.
Assim que volto, entro na academia e vejo Karina conversando com Nat, enquanto no ringue Lucas e Alan treinam, apesar da óbvia diferença de idade, o pupilo de Duca é melhor do que eu no muay thai, não que seja dificil isso.
– Chegou o novo papai — Duca diz dispensando a turma e vindo em minha direção. — E ai maluco, vem pra quando??
– Mês que vem é o mais tardar. — Karina o responde.
– É uma coisa de louco o parto, se tem coração fraco nem assite.- Duca fala pra mim.
– Entao o Pedro nem pode ficar na sala. — Nat brinca.
– Deixem o meu medroso em paz.- Karina diz pegando minha mão.
– Linda, fica aqui embaixo com eles. Eu tenho que ir lá, mas não quero que suba escada. — digo, e logo subo pra Ribalta.
Chegando na sala dos professores, encontro a última pessoa que gostaria de encontrar.
– E ai famosinho. — Ricardo diz ao me ver.
O ignoro e vou para a parte de arquivos e começo a procurar alguns domcumentos. Quando os acho e estou quase saindo, Ricardo para na minha frente.
– Posso dá uma palavrinha com você. — ele diz, mas não deixa que eu respondo. — Estou muito feliz por você e a Karina, mas estava pensando esses dias numas coisas. Tipo a partenidade daquele bebê.
– Acho melhor você não pensar, e nem falar nada sobre isso. Não tenho mais paciência pra você.
– Não me importo, vou continuar meu raciocinio. — ele fala, e então chega bem perto de mim. — Eu e você transamos com a Karina mais ou menos na mesma época, então acho possível que essa criança seja minha.
Na mesma hora que ele diz isso, raiva me consome. Eu sabia que ele estava muito tranquilo em todos esses meses, e sempre que me via com a Karina fazia questão de parecer um anjo, pois até hoje a K ainda acha que ele é uma ótima pessoa.
Eu sei que ele está mentindo, e isso que me dá mais ódio. O modo como ele fala essas coisas que poderiam acabar com uma recém familia, a frieza dele me enoja.
– Olha aqui. — eu digo, o pegando pelo colarinho enquanto ele sorri. — Nunca mais fale nesse tom, sobre a minha noiva.
– Ei não estou querendo assumir nada, fico feliz em não criar uma crinça. O sangue pode ser meu ou seu, mas dos dois modos você vai criar.
– Cala a boca. — eu digo tão próximo do seu rosto, que chegam a jorrar cuspes. — Olha eu sempre não gostei de você, mas a partir do momento que você fala sobre minha familia, eu não apenas não gosto de você. Eu o odeio.
Solto sua blusa empurrando-o e pego minha pasta, mas quando estou saindo escuto-o.
– Isso mesmo, vai cuidar da grávida e da pequena vadiazinha que está pra nascer. — assim que ele termina de falar, eu me viro e o soco com toda a minha força, jogo minhas coisas no chão e o continuo desverindo socos nele. E vejo que ele não reaje, o que me dá mais ódio.
– Pelo amor de Deus, Pedro pare! — escuto Dandara gritar. Lentamente me viro, e vejo como essa cena parece. Eu estou atacando meu "colega" de trabalho.
– Dandara, que bom que chegou. — Ricardo diz se levantando, e fazendo cara de dor. — Pedro me atacou, e como sem...
– E com sempre, você está mentindo. — ela diz o interrompendo, o que nos surpreende. — Eu escutei tudo, e escutei claramente você chamando minha neta de vadiazinha.
– Não. Você escutou totalmente errado.
– Infelizmente, escutei perfeitamente bem. — ela diz com pesar, e se vira pra mim. — Karina está lá embaixo te esperando. Vá encontra-la. Eu tenho que assinar alguns papeis de um demissão por justa causa.
– Obrigado Dandara. — eu digo, e então me viro pro crápula do Ricardo. — E só pra você saber, eu sei que Karina nunca dormiria com você e sei que você bem que tentou. Mas ela tem um ótimo gosto para homens, tanto que vai se casar com o homem da vida dela.
Me viro e saio da sala, e nunca me senti tão relaxado, como me sinto nesse momento.
•
Eu e Karina estamos na mesa com Gael, Dandara, Lucas e Bianca. Como a maioria das vezes acontece, Henrique não está. Muito ocupado, o tal advogado.
– Ai, eu ensinei um monte de golpes para o Alan, e ele sabia esses golpes. Mas é claro que sou muito melhor que ele, por que ele é baixinho. — Lucas está super centrado em contar, sua impressionante manhã de treino na academia.
– Se eu fosse você não ficava muito confiante sobre ele ser baixinho, sua irmã Karina, era baixinha e ainda por cima lutou com um cara e o derrotou. — Gael diz todo orgulhoso.
– Vamos parar de falar de luta, por favor. — Dandara pede rindo.
– Vamos falar de teatro? Para né, mãe. — Lucas diz desdenhando. Fazendo Gael e Karina rirem, enquanto os artistas da mesa ficarem sérios.
– Cada dia que passa você se parece mais com seu pai. — Dandara fala revirando os olhos.
– Você falou isso como se isso fosse ruim. Eu quero ser igual ao papai. — ele diz estufando o peito. — Quer dizer, igual ao pai. Já sou grande pra chamar de papai.
– Vocês Duarte's são demais. — eu digo rindo.
– Em falar em Duarte, quando teremos uma pequena Bianca ou pequeno Henrique? — Gael pergunta animado. Bianca se engasga com o suco, e olha assustada para Karina.
– Pai, ficou louco? Você mesmo disse que estava cedo para ser avô. — Karina diz debochadamente.
– Isso é verdade, mas...
– Mas nada, Bianca não pode ter filho agora. Estou sendo egoísta a ponto de querer usar a titia aqui pra me ajudar. — K fala, mas sei que ela está ajudando a Bi que está completamente vermelha.
O almoço continua e a conversa também, eu sorrio sozinho ao ver essa familia que me acolheu tão bem tanto quando eu era jovem quanto agora. Logo depois, Bianca e Karina se enfiam no antigo quarto delas, Dandara volta para Ribalta depois de me dizer que Ricardo definitivamente não trabalha mais lá, Lucas vai pro quarto jogar video game, e eu fico com meu "amado" e "gentil" sogro.
– Eu não irei repetir isso, então escute atentamente. — ele diz, enquanto estamos sentados no sofá vendo a reprise de algum jogo. — Muito obrigado, e não me interrompa. Eu sei que não facilitei a sua vida quando vocês eram jovens, mas fique sabendo que sempre gostei de você. Você transformou minha meninha em mulher, coisa que foi muito dificil eu enxergar. Você será um ótimo esposo e pai, disso eu tenho certeza.
Apenas assinto com a cabeça, e agradeço a ele também. Pois se não fosse por ele, eu nunca teria uma Esquentadinha para se chamar de minha. Ela nunca teria ido ao Pefeitão atrás de misto quente e suco, ela não estaria tão próxima de mim, logo abaixo de onde eu estudava música e o principalmente, ela não seria desse exato jeitinho que tanto amo.
•
Acabamos de chegar da casa do meu pai, depois de meses de insistência fomos jantar com ele e com Roberta que nos surpreende dizendo que estão querendo ter um filho. Não digo nada sobre esse assunto, para não me irritar e Karina me ajuda apertando minha mão por debaixo da mesa.
Karina logo sobe as escada devagar e vai tomar banho, fico um tempo na sala vendo alguns arquivos de alunos já que eles entraram de férias na semana que vem, já que estamos no começo de Julho. Depois de organizar tudo, pego uma salada de frutas que está na geladeira, e arrumo duas tijelas e as levo pro quarto. Encontro Karina com apenas uma calcinha, e terminando de por a camisola.
– Você é a mulher mais linda do mundo. — digo, colocando a bandeja no criado. E me aproximo dela por trás a abraçando.
– Mesmo eu estando deste tamanho? — ela pergunta.
– Principalmente assim, dá vontade de te engravidar de novo logo depois que nossa filha nascer.
– Nem brinca. Só essa aqui está sendo uma canseira. — ela diz rindo.
– Você só quer ter um filho? — pergunto meio apavorado.
– Lógico que não, estou apenas dizendo que Alexandra vai ter que esperar um tempinho pra ter outro irmão ou irmã.
– Que bom, pois pretendo fazer mais pequenos. — digo, beijando seu pescoço.
– Hoje o dia foi tão bom, queria mais dias assim. — ela fala, e então se vira pra mim. — O que você realmente achou sobre Roberta querer ter um filho com seu pai?
– Não sei, sabe. Eu acho tão fora de mão, meu pai já vai ser avô. Tem dois filhos praticamente adultos, e agora quer um bebê. — eu digo o que estou sentindo. — Na verdade, quero saber como minha mãe e Tomtom vão reagir.
– É complicado, mas acho que você sabe que estou aqui pra você. — ela diz, e eu lhe dou um beijo na testa.
– Sim, eu sei. Assim como eu estou aqui pra você.
Nos beijamos, e quando nos separamos estamos ofegantes. Isso parece que nunca muda, o sentimento só cresce cada vez mais. Ela se ajeita na cama, enquanto lhe dou a tijela com a salada de frutas. E me sento ao seu lado.
– Nem acredito que falta tão pouco pra nossa Alexandra nascer. — ela diz, entre uma colherada e outra.
– Eu também não acredito. — digo rindo. — Quem diria que sua vinda pro Rio, iria mudar nossas vidas.
– Eu estava confiante que você estaria em turnê, ou de férias bem longe daqui. Mas chego no Rio e a primeira pessoa que vejo e fico presa dentro de um elevador é você.
– O mundo nos quer juntos, Esquentadinha. — digo e ela rir.
– Isso eu queria discordar, mas parece destino mesmo. — ela fala. — Por exemplo, nós nos esbarrarmos no show do Nx Zero.
– Seu pai gostar da mãe do meu melhor amigo. — falo, e então digo também. — Eu ser o que escutou você chorando na academia.
– E eu ajudando a sua banda a gravar a Demo.
– Minha irmã sendo a capitã do team Perina.
– Foram tantas coisas, e eu me lembro de cada uma delas perfeitamente. — ela diz, colocando a tijela no criado. Me levanto pego a bandeja, e desço na cozinha e coloco dentro da pia. E subr pro quarto, apagando a luz.
No escuro não vendo nada, e apenas escutando nossas respirações, me deito ao seu lado.
– Quero ficar assim com você até estarmos velhinhos, moleque. — ela diz, e sei que ela está sorrindo no escuro.
– Eu também quero isso, Esquentadinha. Muito mesmo.
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