Esse Nosso Jeito - Perina
11 Capítulo Onze
Notas iniciais
“Esquecer algo marcante é difícil, mas esquecer seu primeiro amor é impossível.”
Artista Desconhecido
Eu não acredito que ela fugiu. Karina enlouqueceu com os anos só pode. Assim que o elevador começou a descer, ela começou a se arrumar desesperadamente, e quando ele parou no andar do João, ela passou em disparada e desceu as escadas, quando sai do meu entorpecimento percebo que João está em frente ao elevador com mais dois moradores.
– É impressão minha ou eu acabei de ver a minha irmã? A Karina? — ele pergunta confuso.
– Vamos para sua casa que eu tento te explicar. — eu respondo, e já vou andando pro seu apartamento.
Ele vem atrás de mim, e logo estamos sentados em seu sofá e eu fico tentando entender o que acabou de acontecer, eu e Karina estávamos conversando, então eu a provoquei e estava tudo bem, mas então eu vi que ela estava nervosa, e não do tipo brava, mas nervosa por algo que estava sentindo e no outro momento eu estava a prensando na parede do elevador e no outro ela estava correndo.
– Você pode me contar o que a Karina ta fazendo aqui no Rio ou melhor presa no elevador com você? — João pergunta impaciente.
– Pelo que eu sei, ela está morando no mesmo andar que eu. — eu falo e ele me olha chocado. — Elas estão vindo pro Rio.
– Elas você quer dizer, Camila também? — ele pergunta apavorado. E se levanta abruptamente. — Ela não pode morar no mesmo prédio que eu, isso não pode acontecer.
– Por que está surtando desse jeito? Karina aqui no mesmo prédio que é o problema, como eu vou ficar longe dela? — pergunto.
– Como eu vou ficar longe da Camila? Pedro não sei se lembra, eu deixei ela pra tentar ser ator viajando com meu pai, e quando eu voltei ela estava com tanta raiva de mim que me ignorava completamente.
– João, meu amigo, você que foi o errado da história. Por que foi deixar ela por causa disso?
– Era meu pai, Pedro. Eu queria me conectar com ele de alguma forma e então todos começaram a falar que eu estava cada vez mais parecido com ele, e então ele apareceu com um teste num filme que faríamos juntos.
– Você é um idiota, João. Como largou a Cah, ela era a única que te aguentava. — eu aponto pra ele.
– O hipocrisia em pessoa. E você que terminou com a K porque precisa se concentrar na sua carreira. — ele acusou.
– A diferença que Karina e eu decidimos isso juntos, achamos que ficaríamos juntos de qualquer forma.
– Em falar em ficar juntos, vocês dois não transaram no elevador não né? Senão terei que usar as escadas pro resto da minha vida.
– Não viaja. — eu reclamo lhe dando um tapa na nuca.
– Nunca vi Karina tão vermelha e correndo daquele jeito. O que rolou?
– A gente se beijou, ou melhor, eu meio que a ataquei e ela atacou de volta. — eu digo meio que suspirando. — Ai o elevador pegou de novo, e sua irmã surtou e saiu correndo.
– Eu só acho que se Camila e Karina vierem pra cá, você e eu meu amigo Pedroso, estamos super ferrados.
Ignoro seu comentário mordaz, e tento me lembrar o que eu estava tentando fazer antes de ver a K no elevador. Eu estava indo falar com o João sobre o Cobra.
– Então o que você ficou sabendo dessa parada do Cobra ser acusado de ter matado uma garota?
– Pelo o que Gael disse, o Cobra não quer ver ninguém. A única coisa que os advogados falaram pra ele é que Cobra disse que foi armação pra cima dele. Eu liguei pra ele e ele não atendeu, então mandei mensagem e ele respondeu isso. — João conta e então pega o celular e me mostra.
" Viciadinho, não liga ou mande mensagem. Vem até mim, que eu explico. E trás o fracote."
– Será que o fracote sou eu? — perguntei e João deu um sorrisinho.
– Obvio que é você, o Cobra nos chama do mesmo jeito de quanto tínhamos 17 anos. — ele rir.
Então acabamos esquecendo o assunto meninas, e combinamos que depois que eu saísse da Ribalta a gente iria pra casa do Cobra, em Niterói e tentaríamos ver o que o babaca fez.
♫
Acordei cedo no dia seguinte e me arrumei para ir pra Ribalta, saindo de casa dei uma olhada no corredor pra saber se Karina estava a vista, deve está no 705, já que é o único desocupado. Entro no elevador sozinho e me lembro dos bons momentos de ontem, não que eu queria reviver o romance com a Karina só que ela sempre mexe comigo e eu adoro seus beijos e o quão entregue ela é comigo. Sacudo a cabeça pra tirar isso da mente, e vou pra garagem pegar meu carro.
Ao chegar na porta da Fábrica, vejo um menininho saindo correndo e logo o pego no colo já que ele estava pra atravessar a rua.
– Alan Menezes, volta aqui garoto. — vejo Nat vir correndo desesperada e para respirando fundo quando me vê com o menino no colo. — Nossa obrigado, Pedro. E você, moleque, não me assuste desse jeito.
– Então você é o famoso Alan? Sabia que seu pai ....
– Eu o que, seu menestrel? — Duca aparece rindo pra mim, que ainda estou com o menino no colo.
– O que é menestel? — ele pergunta pros pais que estão olhando pra gente.
– Menestel, é o que você pode chamar seu pai. — eu digo, e então a Nat começa a rir, e Duca tira a criança do meu colo.
– Não pode me chamar desse jeito, entendeu filho? — Duca explica, mas vejo o sorriso bobão na sua cara quando o menino agarra seu braço.
– Vem Alan, eu vou te evar pra casa por que você não dá paz pro seu pai trabalhar. — Nat diz pegando o menino no colo e dando um beijo no Duca. — Te vejo em casa, e tchau Pedro.
– Tchau. — me despeço, e sorrio pro Duca. — O menino é lindo e esperto, puxou a mãe com certeza.
– Hahaha! Nossa como você é hilário. Vou trabalhar por que não sou um famoso folgado.
Ele entra e eu subo pra Ribalta sorriso, sempre fui com a cara do Duca, ele sempre foi o bom moço. Quando se casou com Nat, ele me convidou e como a Sol estaria pois foi madrinha dele, aproveitamos e fizemos um showzinho na recepção. Ele e Nat agora casados e com o Alan, óbvia homenagem ao irmão do Duca, o pequenino tem 3 anos e já muito esperto. Quando chego na sala os professores já estavam ali, e o primeiro a encrencar comigo é o tal de Ricardo. Qual o problema desse cara?
– O famosinho resolveu aparecer?
– Desculpe atrasar um minuto senhor perfeição, é que o filhinho do Duca quase que saiu correndo pra rua, e então eu o peguei e acabei falando com Nat e Duca.
– Ele está bem? — Dandara pergunta preocupada, enquanto Bianca faz careta.
– Você ainda tem problemas com ele Bi? — pergunto curioso.
– Não tenho nenhum problema com ele, ou com sua familia e além do mais meu pai o considera como um filho.
–É seu pai sempre amou o Duca, já eu ... — eu paro no meio da frase. E vejo Dandara e Bianca trocarem um olhar e sorrirem uma pra outra.
– Ciúmes Pedrinho? — Dandara pergunta debochada.
– Não, não é ciúmes. — digo emburrado e então Luisa rir e Ricardo pirraga.
– Podemos fazer a pauta de hoje ou iremos ficar falando do idio.., quer dizer, senhor Ramos.
Eu o ignoro e então nos preparamos e vamos cada um pra sua aula. Hoje eu peguei uma das ideias do Nando, e coloquei cada um num instrumento e começamos com melodias, e depois passamos pra música. Eu estava com um plano de juntar a minha aula com a Dandara pra eles poderem ver a sintonia da voz com instrumento, só que falaria isso com a Dandara depois. Quando acabe a aula na parte da manhã, fui direto pra sala de professores, e paro ao ouvir a voz da Karina.
– Sério Ricardo? Eu não sabia que você gostava de luta. — ela diz com uma voz que não é dela.
– Sim, eu adoro. E eu me lembro de você lutando, você é fenomenal. É uma pena você ter acontecido o que aconteceu. — escuto a voz do Ricardo, e sei que ele está dando em cima dela. E eu sorrio, pois sei que ela não irá gostar dele falando do acidente.
– É foi uma pena mesmo. — ela diz ríspida.
– Só que tudo se resolveu né, minha sobrinha que mora em São Paulo, faz luta na sua academia. Nicole, conhece?
– Nossa a Nicole é sua sobrinha, ela é fofa demais e linda.
–Puxou o tio. — o babaca diz, e Karina dá uma risadinha.
– O que você está fazendo aqui escondido? — Dandara diz atrás de mim me assustando.
– Nada. — digo sorrindo amarelo, mas então ela escuta outra risadinha do babaca com Karina.
– Entendi. — ela diz e vai entrando. — Karina, minha linda, não sabia que viria aqui.
– Oi Dandara. — Karina responde, e então eu entro. — Meu pai pediu pra avisar que João está vindo jantar hoje em casa, e se você pode ir buscar o Lucas. A parte do Lucas já está resolvido, eu mesma vou buscá-lo.
– Ah! que bom querida, hoje teremos mais um convidado. — Dandara fala. E Ricardo me vê e faz uma careta.
– Pedir licença faz bem, famosinho. — ele fala e então Karina me vê e fica vermelha na hora.
– O que está fazendo aqui? — Karina pergunta.
– Estou dando aulas aqui, a Bianca me pediu. — eu falo e ela bufa.
– Que bom que está aqui Pedro. — Dandara fala como se não tivesse me visto. — Gostaria de te chamar pra jantar lá em casa hoje, sabe dá boas vindas pro corpo docente daqui.
– Nem pensar. — Karina reage na hora, e então pra irritá-la eu me viro pra ela e sorrio.
– Por que não? — falo e então me viro pra Dandara. — Eu aceito Dandara. Quer que eu leve algo?
– Não precisa Pedrinho. Só venha ás oito. — ela diz e então se vira pro Ricardo. — Eu posso flalar com você um minutinho?
– Claro. Tchau Karina, a gente se vê. — ele diz beijando ela no rosto, e ela abre um imenso sorriso.
– Com certeza. — ela responde, e ele sai da sala. Ela se aproxima de mim, e com raiva diz. — Você não vai lá em casa.
– Por que não? — pergunto inocentemente.
–Você sabe o por que. Não se faz de besta. — ela responde.
–Não sei do que está falando. Será que é por causa de ontem? — sorrio malicioso, ela cora e então passa por mim me empurrando e eu escuto.
–Você é um imbecil. — e eu sorrindo arrumo minhas coisa, pra ir almoçar no restaurante.
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