Esse Nosso Jeito - Perina
12 Capítulo Doze
Notas iniciais
"Ás vezes só precisamos nos arriscar, mas será que é a hora pra isso?"
Thamires Dias
Acho que nunca vou parar do fugir do Pedro, ainda mais essa versão do meu moleque de 25 anos. Ele mudou tanto, e eu achava que ele sempre seria daquele jeito sempre. Eu me sinto tonta só de lembrar do nosso beijo no elevador, eu ainda não acredito que estava pronta pra fazer qualquer coisa com ele ali. E quando a porta abriu eu já estava correndo, e vi o João pelo caminho. Quando cheguei no carro, logo conectei meu celular no plug e liguei para Jade e estava doida pra matar aquela vadia.
– Oie amiga linda. — ela fala docemente.
– Não me vem com esse amiga linda. Quando você pretendia contar pra mim e pra Camila que o Pedro e o João são moradores da nossa nova casa?
– O João mora aí também? — escuto Camila gritar.
– Você sabia disso Camila? Que o Pedro mora no mesmo andar que a gente, e o João dois abaixo. — eu digo ainda com raiva, mas prestando atenção no trânsito.
– Eu fiquei sabendo hoje sobre o Pedro, e juro que não sabia do João. Se vocês quiserem a gente se muda. — Jade diz.
– Por mim não precisa, João é o último cara que eu pretendo que faça que eu desista dos nossos sonhos. — Camila fala determinada, e eu queria me sentir assim no quesito Pedro.
– E você K? Pode viver no mesmo prédio que o Pedro? — Jade pergunta.
– Eu não sei. Só que eu irei morar por que somos adultas e não temos que ficar com raiva por causa dos amores da adolescência. — falo mais pra mim mesma do que pra elas.
Depois disso desligo e vou direto pra casa do meu pai, chegando lá eu conto que estou voltando pra Rio, e os que mais comemora são Lucas e meu pai. Bianca fica com medo de que eu vá ficar dividindo quarto com ela de novo, e eu a aviso que ela está pra casar e que não precisa ficar brigando por causa de quarto. Dandara diz que fica feliz por eu está voltando e então comemos em família e eu não penso em Pedro pelo menos até a hora de dormir.
•••
Acordo no outro dia e não tem ninguém em casa, Bianca deve está na Ribalta assim como Dandara, Lucas deve está no colégio e meu pai deve está na academia. Tomo um banho, pego uma roupa da Bianca, uma calça jeans e uma blusinha, e tomar café e logo depois deixo Creuza em casa cozinhando o almoço e vou pra academia, sei que Duca está dando aula então vou direto pro escritório onde meu pai está.
– E aí seu Gael? — entro rindo, e me sentando na cadeira a sua frente.
– Ela cresceu e começou a gostar de dormir até tarde. — ele resmunga. — Mas já que está aqui, eu gostaria que você fosse buscar o Lucas, eu estou ocupado e ainda estou vendo essa coisa toda do Cobra.
– Sim, mestre. — eu falo rindo, e então fico séria. — Eu vim mais cedo, por que queria ver o Cobra. Quando vou poder?
– Não sei filha. O João iria hoje vê-lo, e o menestrel também. Só que eu liguei pedindo que eles fosse outro dia, queria aproveitar que você está aqui e jantarmos em família e o esquisito Spinelly é da família.
– Okay se você diz. — eu concordo. — Sério que você chamou o João pra jantar por vontade própria?
– Sim, chamei. Mas você vai subir na Ribalta e vai dizer a Dandara que ele que disse que iria jantar com a gente. Por que senão ela vai achar que eu amo aquele menino, que agora finge ser homem.
– Pai, você o ama tanto quando eu o amo como irmão. Ele nos conquistou e você ama negar isso.
– E sempre negarei. — ele diz sorrindo. — Tem como fazer outro favor, avisa isso pra Dandara e ver se ela pode ir buscar o Lucas. Faz isso?
– Claro, vou lá agora. — fala e penso em ir eu mesma buscar o Lucas.
Saio do escritório e vejo Duca gritando os alunos e eu balanço a cabeça, ele é o filho homem que meu pai pediu a Deus. Subo as escadas e vou direto pra sala dos professores, com certeza Dandara está no seu horário de almoço. Só que chego lá e me deparo com um moreno bonito, e que logo me vê abre um sorriso.
– Você deve ser a irmã da chefe? Beleza é de família. — ele fala e eu coro, faz tempo que um homem me elogia.
– Hum, obrigado. — eu falo sem graça.
– Que isso. Você está procurando ela ou sua madrasta?
– Eu vim falar com a Dandara, que na verdade é mãedrasta, ela não conseguiria ser má nunca. — eu falo e ele sorri.
– Sim, ela é um amor. — ele fala e então ficamos em silêncio. — Ela deve está vindo já. Alias, meu nome é Ricardo.
Me apresento a ele também, e ficamos uns cinco minutos e eu realmente me sinto a vontade com ele, e então começamos a falar sobre luta, e eu me surpreendo pelo o quanto ele entende do assunto.
– Sério Ricardo? Eu não sabia que você gostava de luta. — eu digo e sei que estou com minha voz de flertar.
– Sim, eu adoro. E eu me lembro de você lutando, você é fenomenal. É uma pena você ter acontecido o que aconteceu. — ele fala, e eu reviro os olho. Todos amam me lembrar disso.
– É foi uma pena mesmo. — eu digo um pouco grossa, se ele insistir nesse assunto, não sei o que farei.
– Só que tudo se resolveu né, minha sobrinha que mora em São Paulo, faz luta na sua academia. Nicole, conhece? — eu sorrio, pois ele não insiste. E eu posso aceitar esse flerte de novo, eu sei da menininha na hora que ele fala. É a única Nicole criança na academia.
– Nossa a Nicole é sua sobrinha, ela é fofa demais e linda.
– Puxou o tio. — ele diz e eu dou uma risadinha. Já sei que é um pouquinho pretensioso.
– Estou brincando. Mas seria bom você achar isso. — ele diz sedutor, e eu dou outra risadinha e ele se junta a mim.
– Karina, minha linda, não sabia que viria aqui. — Dandara aparece sorrindo.
– Oi Dandara. Meu pai pediu pra avisar que João está vindo jantar hoje em casa, e se você pode ir buscar o Lucas. A parte do Lucas já está resolvido, eu mesma vou buscá-lo.
– Ah! que bom querida, hoje teremos mais um convidado. — Dandara fala.
– Pedir licença faz bem, famosinho. — Ricardo fala e eu me viro pra ver quem é. E me surpreendo vendo Pedro, com uma blusa social branca que o deixa muito sexy, e eu coro com o pensamento.
– O que está fazendo aqui? — eu pergunto.
– Estou dando aulas aqui, a Bianca me pediu. — ele explica e eu bufo, é a cara da Bianca fazer isso.
– Que bom que está aqui Pedro. — Dandara fala. — Gostaria de te chamar pra jantar lá em casa hoje, sabe dá boas vindas pro corpo docente daqui.
– Nem pensar. — eu falo sem pensar.
– Por que não? Eu aceito Dandara. Quer que eu leve algo?
– Não precisa Pedrinho. Só venha ás oito. — ela diz e então se vira pro Ricardo. — Eu posso falar com você um minutinho?
– Claro. Tchau Karina, a gente se vê. — Ricardo fala e vem até mim e me dá um beijo na bochecha.
– Com certeza. — eu respondo sorrindo, e ele sai da sala. Eu me aproximo do Pedro. — Você não vai lá em casa.
– Por que não? — perguntou inocentemente.
– Você sabe o por que. Não se faz de besta. — ela respondi.
– Não sei do que está falando. Será que é por causa de ontem? — ele me pergunta sorrindo, e antes que eu faça algo estúpido como bater nele ou beijá-lo, passo por ele o empurrando.
– Você é um imbecil. — falo quando já estou fora, e vou direto pro meu carro buscar meu irmã. E tento me preparar pra um jantar na minha casa com meu pai e Pedro no mesmo lugar, e espero que o João não abre a boca sobre o incidente do elevador. Por que eu sei que ele sabe, os dois parecem duas meninas com segredinhos.
•••
Eu e Lucas chegamos em casa e logo fomos almoçar, e depois ele foi pra academia já que treinava também e adorava o Duca, eu fui também e aproveitei pra lutar um pouco. Logo depois, Duca me chamou pro ringue, e lutamos amigosamente e eu adorei demais. Apesar de ver meu pai branco toda vez que Duca me acertava um golpe, e eu sei que ele ta com medo, mas Duca sabe meus limites como ninguém, já que foi ele que me ajudou a voltar a treinar. Quando era de noite, Dandara estava com a mesa posta e mandando todo mundo pro banho, eu sai do meu e vi Bianca no quarto se arrumando.
– Fiquei sabendo que Dandara chamou o Pedro. Você está bem com isso? — ela pergunta.
– Não estou bem, mas vou levar esse jantar. Só não entendi o porque a Dandara o chamou. — eu digo, e me arrumo.
Escutamos a campainha e Bianca logo foi lá pra sala, Henrique também viria, eu ouço a conversa animada e meia hora depois meu pai aparece no quarto.
– Pode ir pra sala agora. — ele manda. — Eu sei que o capiroto ta lá, mas se eu tenho que passar por isso você também pode.
– Okay. — eu falo e saímos juntos e vejo Pedro e o ignoro a noite toda, e fico em silêncio sem conversar. Só que na hora de irmos jantar, Dandara resolve deixar Pedro ao meu lado, alegando que Lucas me distrai muito quando falo que quero sentar perto do meu irmão.
Quando já estávamos na sobremesa, eu sinto uma mão escorregar pela minha perna. Eu estremeço e fico parada em choque, e vejo Pedro sorrir ao meu lado. Eu pego sua mão e a tiro dali, e ficamos nisso umas três vezes, mas entao a mão dele está ali de novo em minha coxa e agora acariciando.
– Dá pra parar? — eu falo depois de não aguentar mais essa mão boba dele. Todos param de comer e me olham e eu fico totalmente vermelha.
– O que foi filha? — meu pai pergunta.
– É nada, pai. Só minha cabeça que está doendo. — eu digo e então me levanto. — Eu vou indo deitar, já que todos aqui são da família, menos o Pedro, não preciso pedir desculpas.
Eu saio da cozinha e vou pro quarto, e me sento na cama tentando respirar.
Eu não entendo, se Pedro está namorando e disse que estava feliz, por que ele está fazendo isso? Por que essa provocação toda?
– Você mente muito mal sabia? — me assusto com Pedro na porta.
– Sai daqui, meu pai vai te matar. — eu falo e percebo o quão infantil soou.
– Estou no banheiro pra eles. — ele fala e se aproxima. — Eu quero te pedir desculpas, eu não sei o que deu em mim pra te provocar.
– Você é um babaca. — eu digo, mas sei que gostei de todas provocações da noite, principalmente a mão boba. — Você tem namorada, será que ela sabe que você fica fazendo carinho na coxa alheia?
– Eu e Vicky demos um tempo. — ele fala e eu sinto alegria. Coisa que eu não deveria sentir de jeito nenhum! — Será que se eu não tivesse namorada, você se importaria de que eu ficasse com a mão na coxa alheia?
– Sim. Não. Quer dizer, Pedro isso não vem ao caso. Nossa história acabou. — eu digo tentando ser forte, e então num piscar de olhos e sou levantada e estou no colo dele.
– Sim, nossa história de adolescência acabou. Como pode ver, você é uma mulher lindamente crescida e eu um homem. — ele diz, perto de minha boca e eu tento me afastar, mas ele me puxa mais. — Mas acho que a gente pode fazer uma nova história, e agora de adulto. O que me diz?
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