Esse Nosso Jeito - Perina
8 Capitulo Oito
Notas iniciais
“Sei que é difícil de esquecer essa dor.”
Banda Malta
O decorrer da semana correu tudo bem, apesar de às vezes eu me lembrar da Bete e sentir sua falta, e também não conseguir tirar certo cara da minha mente, realmente foi uma semana calma. Hoje é sexta e eu combinei com a Camila e Jade uma reunião com os investidores para o nosso novo projeto, sabe essa viagem me fez perceber algo que fazia tempo que eu tinha esquecido. Eu sinto falta de casa, e principalmente do Lucas, meu salvador. Essa semana eu não conseguia parar de me lembrar da semana após minha queda, o quanto meus amigos me ajudaram e que todos sabiam que eu não poderia lutar novamente e eu era a única não saber.
“Meu pai e eu estamos dentro do carro naquele silencio horrivelmente quieto, ele veio me pegar no hospital agora cedo, já se passou uma semana que eu fui estupida o suficiente para me machucar. Assim que meu pai me ajudou a subir as escadas e entrar em casa, encontro minha família e minhas amigas ali sorrindo. Eles estão me olhando esperançosamente, e vejo no rosto de cada um ali, será que é pena? E isso me intriga, por que sentiriam pena de mim.
– E ai maninha, sempre tentando matar a todos do coração, e se jogando de cabeça, ou melhor, joelho? – João diz e na hora é repreendido por meu pai, Dandara e Bianca. E eu sorrio de lado.
– Você é um idiota. – Camila fala empurrando ele.
– Não falei com você. – ele a responde.
– Cala a boca, os dois. – Jade fala, e então se aproxima de mim e me abraça. – Você me assustou, lutadora.
– Desculpa. – eu suspiro, e vejo o quanto ela está preocupada. – Eu estou bem.
– Seu Gael, eu e a Camila podemos ir pro quarto com ela? – ela pergunta, e meu pai me olha questionando, e eu aceno com a cabeça. Eu sei que as duas não vão ficar tão em cima de mim. Elas me ajudaram, pois ainda estava com os pinos e com as muletas, antes de ir para o quarto, me viro pra Dandara, meu pai.
– Cadê o Lucas?
– Está na escolinha. – Dandara responde, e eu continuo andando, mancando para o quarto.
Bianca veio conosco também, e as três me ajudaram a me deitar e me ajeitar na cama. A Jade pega o tablet e coloca no meu colo.
– O Cobra está em Chicago, ele mandou você ver esse vídeo. Quer que a gente saia?
Eu discordo com a cabeça, e pego o tablet e aperto o Play.
– E aí Loirinha? Você me matou de preocupação em, como que apronta uma dessa comigo? Vou relevar, só por que é você. K eu queria muito está com você, e fazer essa coisa toda de amigos, mas você sabe que não dá né? Eu só quero te dizer três coisas: primeira, seja forte. Segunda, eu sei que você é forte e vai superar tudo isso. E terceiro, eu te adoro e assim que eu voltar para o Brasil, to indo direto pra sua casa, e melhor deixar um espaço na sua cama, quem sabe a gente não pega. Tchau, e entre em contato em, e eu sei que você está corada agora. – o Cobra diz descontraído no vídeo, e ele acertou sobre eu corar quando ele me provoca, eu fico um tempo olhando pra ele e agradeço por ter tentado está comigo nessa hora.
Depois disso, as meninas tentaram me distrair de todas formas, e eu me afundei em mim mesma, os médicos ainda não me disseram se demoraria muito para eu voltar a lutar, e eu estava apreensiva com isso. Quando elas foram embora, eu me virei para um canto e tentei dormir, mas algo não parava de passar na minha cabeça. Todos estavam mais estranhos que o normal, como se soubessem de algo que eu não sei. Quando era final de tarde, a porta do quarto abre e sinto alguém na ponta da minha cama.
– K! Que saudades de você. – Lucas diz, tentado me beijar.
– Também estava, e como ta a escolinha?
– Eu sou muito esperto, a tia disse isso pra mim. – ela diz e então deita comigo.
– Eu já sabia disso, campeão. – eu digo.
– Você também é campeão, e eu to triste por que não vou mais ver você na TV. – ele fala e eu fico confusa.
– O que você quer dizer com isso?
– Ué você não vai mais lutar? Eu ouvi a mamãe e o papai falando com aquelas meninas.
– O que eles estavam falando?
– Eles “tavam” falando que você não vai mais lutar e que tem que contar pra você isso.”
E com essas palavras de uma criança inocente que descobri que nunca mais faria o que amava, e foi então que tudo desandou, mas a mesma criança me ajudou a superar, apesar de ter psicólogos tentando a vinco, eles não me conheciam.
Chego à academia e vou direto para o escritório, o Luís e Claudio já estavam sentados conversando com Jade e Camila.
– Desculpem o atraso, o transito estava horrível. – eu digo, deixando minha bolsa e me juntando a eles.
– Que isso, Senhorita Duarte. – Luís fala. – Estávamos apenas esperando a senhora.
Eu dou uma olhada para as meninas, e sorrimos juntas, a gente odeia que eles nos chamem assim, mas depois de tantos pedidos nada deu certo. Eles abrem a pasta e tiram as papeladas, e dá um contrato para cada.
Alguns meses atrás, Camila e eu estávamos no Skype com a Jade, e ela nos contou que queria se aposentar, disse que não aguentava mais viajar e nunca sossegar, mas também não queria parar de dançar. Foi quando Camila teve a brilhante ideia de criarmos uma sociedade. Eu e Jade na hora não conseguimos imaginar o que ela estava propondo, mas quando ela explicou foi ficando melhor. Eu quando deixei de lutar, resolvi abrir a academia, e meus advogados estão tentando abrir mais filiais, pois hoje em dia Muay Thai está cada vez mais popular. A ideia de a Cah era abrirmos uma fabrica totalmente beneficente, com estrutura para várias atividades dança, artes maciais, natação, mas computação, aula de canto, aula de música, teatro era uma extensão da fabrica de sonhos, só que com mais coisas e aberta a mais pessoas, crianças com deficiências e as sem tambem. Quanto mais ela contava, mais a gente se interessava, e assim meio que passamos os meses conversando e correndo atrás de patrocinadores, e financiadores para ver se a ideia saia do papel, e com a vinda da Jade, conseguimos fechar tudo.
Terminamos de ler o contrato e olhamos uma para cara da outra e sorrimos, era exatamente isso que estávamos querendo.
– O que acharam? – Claudio perguntou.
– Por mim está tudo certo. – Jade diz sorridente.
– Por mim também. – eu e Cah falamos juntas.
– Então vocês assinando o contrato, vamos só resolver apenas umas coisas. – Luís explica. – Como leram achamos o local perfeito, a mansão tem estrutura para as atividades que vocês querem fazer, e ela já está muito bem equipada.
– Sim, e tem mais um detalhe, como vocês disseram que querem mudar algumas coisas, aconselhamos vocês já começaram a esboçar como vão querer essas mudanças. – Claudio completa.
– Nem acredito meninas, vamos realmente fazer isso, certo? – Jade pergunta animada.
– Sim, vamos. – eu respondo sorrindo. – Foi difícil esconder do meu pai esse plano e principalmente esconder minha volta para o Rio.
– Era preciso, a gente tinha que ver se tudo sairia com os conformes. – Camila diz. – E tudo saiu, e agora é focar.
– Então senhoras, é só assinar. Mês que vem começa as obras e vocês tem esse tempo para conseguir ir para o Rio e arrumar moradia.
– Isso não é problema, eu mesma já estou com um apartamento pronto num edifico muito bom, separado para nós três. – Jade conta feliz.
– Quando você fez isso? – Camila pergunta.
– Logo que combinamos que a instituição seria no Rio, sou prevenida esqueceram?
Assinamos o contrato e logo os dois foram embora, nós ficamos ali na sala e abrimos um champanhe e brindamos a esse novo plano que começaremos daqui a um mês.
– Você já falou com os meninos, Karina? – Jade pergunta.
– Ainda não, irei deixar a academia na mão do Bernado, eu confio nele e sei que ele vai saber controlar isso aqui, a parte do escritório deixei com a Camila pra contratar alguém.
– E eu já contratei, a partir de segunda eu começo a treinar ela, e mais uma, por que não é fácil controlar essa academia.
– Eu queria saber desse apartamento dona Jade? – eu pergunto.
– Não arrume caso, Karina. – ela fala revirando os olhos. – Eu comprei mesmo, já que vocês duas não deixaram comprar o que a gente mora, e o lugar é ótimo, e dizem que mora famosos lá. Achei perfeito o lugar, e eles não revelam quem são os moradores. Nem eu sei quem mora lá e .... – meu celular interrompe ela, eu as olho pedindo desculpas e vejo que é meu pai.
– Hey pai. – eu atendo sorrindo.
– Oi filha, você está vendo as noticias? – ele pergunta preocupado.
– Não, eu nem tenho televisão aqui na academia. O que aconteceu seu Gael?
– Minha filha se senta, e respira. – ele avisa e eu já começo pensar em tudo de ruim que poderia acontecer.
– Fala logo o que aconteceu pai. – eu digo e coloco no alto falante, já que as meninas estão preocupadas também.
– O Cobra acabou de ser preso por assassinato.
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