Esse Nosso Jeito - Perina
9 Capitulo Nove
Notas iniciais
“Você não vai conhecer alguém melhor que ela.”
Henrique e Juliano
Eu e Vicky estamos há algumas semanas sem nos falar, depois que a pressionei sobre sua saída pra balada, e ela me contou que sua prima tinha terminado com o noivo e que precisava sair, e que suas amigas a convocaram já que ela conhece o dono da boate, eu realmente não acreditei muito, mas sempre soube que ela era festeira. Ela disse que me daria um espaço para pensar, e que eu precisava confiar nela, e eu resolvi aceitar, e é até bom, preciso tirar a Karina que parece estar sob minha pele, e isso não tem como dá certo.
Ontem eu recebi um telefonema que me surpreendeu bastante, estava em casa à toa, já que não faço mais nada depois da Sol entrar nos 7 meses, resolvemos parar de tocar, eu tinha acabado de sair do banho quando meu telefone tocou.
– Oi Pedro é a Bianca. – ela falou assim que fiquei realmente surpreso.
– Oi Bianca?
– Eu sei que não nos falamos, faz algum tempo. – ele disse e então deu uma pausa. – Okay, vou ser sincera com você, Pedro. Não sei se lembra ou sabe, mas eu virei diretora da Ribalta e gostaria de te fazer um pedido muito especial!
– Eu sabia sim Bianca, depois que a Lucrécia se foi, você e Dandara começaram a cuidar de tudo já que o Ed ficou muito mal e Nando estava conosco na banda. Que favor você gostaria?
– O Antonio, que era professor de música aqui na Ribalta teve que entrar de licença, ele está em coma, sofreu um acidente. E como sei que você está desocupado, pois com a Sol grávida a Flux deu um tempo, eu gostaria de saber se você toparia dá umas aulas aqui, além de ter vários fãs seus aqui, você saca bem da parte instrumental da coisa. Você topa? — ela pediu, e eu sorri, sinto saudades da Ribalta, quem sabe não me divirto.
– Quer saber, topo sim. Quando é preciso ir pra ai? — pergunto ansioso.
– Poderia ser amanhã, hoje não teremos aulas, os alunos querem visitar o professor, então amanhã de manhã você pode vim?
– Posso sim, e Bianca obrigado por me chamar.
– Pedro eu sempre gostei de você, e apesar de não ser mais meu cunhado, eu sei que você é muito bom no que faz e ama. — ela disse, e então se despediu e desligou.
Eu fiquei um pouco com raiva da Bianca por um tempo, pelas palhaçadas dela com a K, mas como a própria irmã já tinha perdoado ela, eu que não ficaria como o amargurado da história.
Agora acabei de chegar na Ribalta, e parei na academia e acabei olhando o ringue e me lembrando de quando voltei dos shows com o Dinho Ouro Preto, e Karina e eu transamos no meio do ringue, eu sorrio com a lembrança.
– Posso saber o motivo de está sorrindo desse jeito e olhando minha academia, menestrel? — Gael para ao me lado, e eu fico vermelho, pois nunca poderia responder isso sem que ele quisesse me matar.
– Nada, apenas me lembrando como sentia falta dessa fábrica. — respondo e ele me olha estranho.
– O que está fazendo aqui? — ele pergunta curioso.
– Bianca me chamou pra dá aula para o pessoal já que o professor não pode dá mais. — repondo e vejo que ele se surpreende.
– Gael é sempre muito bom falar com você, mas tenho que ir. — digo sarcástico e me viro para subir, e escuto ele murmurar.
– Esse ai continua abusado.
Voltar pra Ribalta é tão nostálgico que sorrio melancolicamente, vou direto para sala dos professores e vou entrando. Na mesa está Bianca, Dandara, e uma mulher e outro cara.
– Ele chegou! — Bianca diz animada. — Luisa e Ricardo, gostaria de apresentar a vocês o Pedro, nosso novo professor de música.
– Oi gente. — cumprimento por educação.
– Sério que o famosinho irá trabalhar aqui? — o tal de Ricardo reclamou, me olhando de cima em baixo.
– Sim, Ricardo. Ele irá. — Bianca é firme.
– Você tem algum problema com isso? — eu pergunto, já não gostando do cara.
– Sim, todos praticamente. — ele diz. — Você é o tipico famoso se fazendo de bom moço, quando se cansar vai pegar suas coisa e nem vai ligar para os alunos que está deixando.
– Olha aqui, o mané ... — eu começo, mas Dandara interrompe.
– Vocês dois, podem parar com isso agora. — ela fala levantando a voz. — Ricardo, Bianca e eu somos as diretoras da Ribalta e concordamos em trazer o Pedro que foi muito gente boa em aceitar dá as aulas, então te peço para respeitá-lo. E Pedro ainda odiamos as brigas.
– Desculpa Dandara. — eu digo, enquanto o idiota continua me olhando feio.
Depois disso no sentamos e Bianca me integrou por dentro de como é trabalhar lá, ela até queria me pagar, mas resolvi deixar que o dinheiro fosse para qualquer pendencia do lugar, eu recebo muito bem, e ainda tem comerciais que a Banda faz, e várias outras coisa, não preciso ganhar pra fazer algo que pode ser divertido, e também não gostei do jeito que o tal de Ricardo me olhava e me acusou de ser, resolvi não me aproveitar disso.
Dei a primeira aula logo de manhã, e os alunos me aceitaram bem, teve até umas alunas que começaram a querer dá em cima de mim, mas logo cortei a onda delas, sei que já fui muito pegador, mas depois de amadurecer, descobri que não tinha tanta diversão assim ser desse jeito. Quando acabou a aula, dei uma passada rápida no restaurante e depois voltei para aula da galera de tarde, e quando acabou descobri que realmente gostei disso, de ensinar, claro que ainda prefiro os palcos, acho que nunca me cansarei dos palcos.
♫
Cheguei em casa cansado e esgotado por volta das sete da noite, tomei um banho e então me deitei no sofá para assistir algo e depois iria para uma balada com João que disse que ligaria. Foi quando estava passando por um programa de fofoca que escutei o nome do Cobra, e logo prestei atenção.
– Vocês com certeza se lembram daquele moreno bonitão lutador de MMA, que já ganhou tantos cinturões, e entrou em várias brigas e polêmicas. Aquele que sempre discutia publicamente sua ex namorada, também famosa, a dançarina Jade Gardel. Sim, Cobra o grande lutador, está sendo acusado de assassinato.
A mulher continua explicando, dizendo que Cobra voltou para o Brasil já fazia uma semana e que estava em Niteroí, e foi lá que tudo aconteceu, uma jovem que foi vista com ele várias vezes apareceu morta no apartamento do próprio, seus advogados não tem nada a declarar além de que ele está em prisão domiciliar.
Eu fico de boca aberta, e logo fico mais chocado, como isso aconteceu? Eu logo ligo para o Cobra, e só dá caixa postal. Sim, quem diria que eu e Cobra seriamos considerados amigos? Depois que consegui perceber que Cobra e Karina eram só amigos, tudo melhorou e viramos amigos, e também tinha o detalhe de que nossas namoradas eram amigas, o que facilitou, e tinha o João que Cobra sempre gostou apesar de dizer que ele era viciadinho, quando as meninas nos dispensava, nós três sempre saíamos, mas depois o Cobra estourou, o João foi pra faculdade e eu me concentrei na banda. Mas no fim, continuamos com contatos, ele e Jade brigaram feio e se separaram depois de irem juntos para Milão, e depois disso só conversávamos por SMS, João tinha mais contato pra ele.
– Jonhy, você está em casa? — eu digo, depois de ligar pro João pra saber se ele estava em casa.
– To sim, cara. — ele fala. — Já até sei por que ligou. Viu na TV que Cobra ta sendo acusado, né?
– Foi por isso mesmo, você sabe de alguma noticia dele? — eu pergunto.
– Nem sabia que ele estava no Rio, será por que voltou e não falou pra ninguém?
– Também não sei, mas você com certeza deve está sabendo de algo, sua irmã é melhor amiga dele. — eu digo.
– Você ainda tem ciúmes do Cobra? — João debocha.
– Claro que não, eu quero saber do cara, a gente é amigo. E por mais que ele seja super explosivo, não acho que matou alguém.
– Concordo com você, Cobra não mataria, ainda mais uma mulher. — Jonhy para de falar, assim que escutamos o telefone de sua casa. — Pedro, desce e vem pro meu apartamento. Eu liguei pro Gael e deve ser ele.
Eu concordo e desligo, eu coloco uma camisa já que estava sem, e logo saio, e tranco a porta. Quando estou no corredor, vejo o a porta do elevador fechando.
– Hey segura pra mim. — grito e corro, e a garota logo segura a porta e volta a atenção para seu celular, eu logo congelo ao entrar no elevador, pois claramente eu reconheço a mulher. Só que ela nem olha pra mim, e eu a seco descaradamente, por que ela tem que ser tão gostosa? Mais do antes. E desde quando ela usa blusa mostrando a barriga? E o cabelo dela assim até o ombro, fica lindo, mas não sei se prefiro ele curto. Saio do meu devaneio e a encaro.
– Você está no andar errado, Karina. — eu digo, e sem olhar pra mim, ela sorri.
– Não estou ... Espere, como sabe meu nome? — ela para e pergunta e se assusta quando me vê. — O que está fazendo aqui?
– Eu que pergunto, você veio visitar o João? — eu pergunto, e tento não olhar para suas pernas no short que ela está usando.
– Não, eu acabei de dizer, eu moro aqui, quer dizer, me mudei hoje. — ela explica, e então quando vou responder, o elevador dá um tranco, e ela tomba em mim, e logo a seguro. E olhamos juntos para o painel, e percebemos que está tudo apagado.
– Parece que estamos presos. — eu digo, ainda a segurando enquanto ela me olha com choque.
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