Esse Jovem Conde, No Século XXI!
8 Yes, my lord.
Notas iniciais
– Está atrasado – fala Ciel asperamente. – E muito.
– Perdoe-me milorde – responde Sebastian de maneira cortês. – Não foi fácil achá-lo depois de mais de um século.
– Se você fizesse seu trabalho direito nada disso teria acontecido e também não estaríamos tendo essa conversa – fala Ciel rudemente. O jovem analisa as roupas de seu mordomo. – Vejo que está muito bem adaptado a este século. – de fato, Sebastian estava impecável no quesito roupas, não trajava o costumeiro fraque de mordomo do século XIX, usava então botas pretas, jeans perfeitamente ajustado e camisa de alfaiataria de bom corte com listras verticais e mangas dobradas, tudo preto e sem as luvas. Porém, as roupas eram somente um adorno, o que chamava atenção mesmo era o contraste da pele pálida com seus cabelos lisos e negros como a mais escura noite, que vez outra insistia em cair despreocupadamente em seu rosto de feições elegantes. Ele era o mesmo que aquele garoto conheceu há mais de um século atrás. Era o seu mordomo.
– Bem como dizem, se está em Roma, faça como os romanos fazem. – Sebastian responde ao mesmo tempo em que observa os trajes de seu mestre. Ciel usava roupas evidentemente maiores que ele, estava com uma aparência meio desleixada, além de estar um pouco ferido. – Mas vejo que o jovem mestre não se adaptou muito bem. – Sebastian continuou a falar esboçando um leve sorriso cínico no rosto. Ciel vira o rosto chateado pelo comentário do maior.
Na sala os três amarrados, Sam, Dean e Rachel observavam surpresos com a naturalidade com que os dois se tratavam. Dean resolve interromper – Hey, garoto! Isso aí é um demônio!
Os dois olham ao mesmo tempo para os demais na sala e Ciel responde – Eu sei. Ele também é meu mordomo. – Dito isso o garoto dirige-se a sala seguido pelo belo demônio sob os olhares atentos de todos. À medida que os dois se aproximam os dois caçadores se posicionam na defensiva colocando-se em frente de Rachel que estava bem assustada. Sebastian olhava bem o ambiente, pôde sentir o medo e a angústia por parte da maioria e a indecisão de um possível ataque por parte dos dois irmãos.
– Sou Sebastian Michaelis. Humilde servo do Conde Phantomhive. – Sebastian se apresenta de maneira simpática como se nada tivesse acontecido – Vim buscar meu mestre.
– Conde?? Servo?? – Dean questiona incrédulo – Que baboseira é essa? – Dean imediatamente saca a faca da Ruby e aponta em direção ao mordomo.
Sebastian não se moveu, os olhos castanhos avermelhados fitavam seriamente os olhos verdes desafiadores do caçador.
– Ora, ora... Dean Winchester, destemido caçador, irmão dedicado, sedutor irrecuperável e apreciador de fast food...
– Em carne e osso – fala Dean sem tirar os olhos do inimigo. – Que história é essa que esse moleque é seu mestre?
– Isso mesmo. Enquanto o “contrato” estiver com meu jovem mestre serei seu servo fiel e estarei ligado a ele. Estava em busca de seu paradeiro há um bom tempo. Sinto pelo incomodo de ter que cuidar dele na minha ausência senhorita Collins – fala Sebastian dirigindo-se a garota sem desviar o olhar de Dean.
De súbito ouve-se um barulho na sala e ao mesmo tempo todos desviam o olhar para ver o que é, era Rachel que caiu desmaiada em choque por tudo o que presenciou.
– Acredito que seria prudente ajudar a jovem caída no chão. – Sebastian diz com naturalidade.
Sam vai até a garota e confere a pulsação dela fazendo um gesto de confirmação que ela está bem para o irmão. E Dean volta sua atenção ao demônio em sua frente pronto a atacar.
– Ele é meu servo particular, não atacará se vocês não o provocarem ou sem uma ordem explícita minha. – informa Ciel se interpondo entre os dois – Quanto a você Sebastian, limpe a bagunça que fez lá fora, não seria bom os vizinhos verem tudo aquilo.
– Perfeitamente, milorde. – responde Sebastian desviando sua atenção do caçador e saindo rapidamente para cumprir a ordem dada.
Dean olha para Sam que balança a cabeça negativamente, o caçador mais novo não sabia o que fazer nem o que dizer. Dean olha então para o menino que agora estava abaixado próximo a Rachel tentando reanimá-la.
– Que tipo de garoto é você? Como você pode ser mestre de um demônio como aquele? – questiona Dean se aproximando de Ciel.
Ciel olha pelo canto do olho para o caçador e nada responde.
– Ei, estou falando com você! – esbraveja Dean já direcionando sua mão para segurar o garoto.
– Não seja rude com o jovem mestre.
Dean imediatamente se vira e fica face a face com o demônio, a essa distância ele deveria ter sentido sua presença ou tê-lo ouvido se aproximar se fosse um ser humano normal, mas evidentemente ele não era humano. Dean recua alguns passos sem desviar o olhar do “homem” a sua frente. Sem mais delongas, Dean saca a faca da Ruby tentando acertar o mordomo em sua frente que o golpeia fazendo a faca voar longe, Sam também ataca sem sucesso, logo começa então a proferir palavras de exorcismo, porém o efeito não sai como esperado, pois Sebastian arremessa uma cadeira com força nele. Enquanto isso, Peter que se debatia como um louco consegue se soltar e sobe pela parede até se aproximar do jovem conde, Sebastian rapidamente o segura pelo pescoço firmemente e o arremessa em direção aos Winchester enquanto mostrava levemente as presas afiadas em um sorriso perverso.
Peter acaba caindo próximo a Sam e tenta mordê-lo, Sam procura forças para se defender, pois já estava um pouco exausto por causa da cadeira arremessada contra ele, pôde até sentir o hálito quente daquela criatura em seu pescoço que babava enquanto dava mordidas em pleno ar na tentativa de acertá-lo. Dean vai a seu socorro tentando inutilmente retirar Peter de cima do irmão.
– Sebastian – Ciel o chama.
De imediato Sebastian compreende o que seu mestre quer e ergue a menina do chão a colocando no sofá. A situação estava deveras caótica e nada favorável para os dois caçadores, porém conseguem imobilizar o rapaz que se debatia tentando se soltar mais uma vez. Sebastian se aproxima dos dois irmãos a passos calmos.
– Como disse, vim buscar o meu mestre. – fala o mordomo com olhar desafiador. – Não se intrometam e poderão sair vivos daqui.
Dean, que estava abaixado próximo a seu irmão, olhou para Sebastian praticamente o fuzilando com o olhar.
– Quero saber o que aconteceu, como vim parar aqui? – pergunta Ciel enquanto se aproxima de Sebastian.
Sebastian volta sua atenção para o pequeno conde em sua frente o analisando detalhadamente. Seu jovem mestre, apesar das roupas impróprias para seu tamanho e os ferimentos no rosto e nos pulsos, ainda mantinha o mesmo ar nobre e orgulhoso que o atraiu desde o primeiro dia que o conhecera.
– Busquei pistas de seu paradeiro desde o dia que sumiu das terras de sua mansão na Inglaterra. Não sentia sua presença ao longo de todos esses anos, até que há quase um mês atrás a marca do contrato reapareceu em minha mão esquerda. – explica o mordomo ao mesmo tempo em que ergue a mão mostrando o selo em pentagrama ao garoto.
– Quem pode ser? Quem teria esse poder e com qual propósito fez isso? – Ciel questionava-se de maneira pensativa.
– Ainda não sei, mas vou dilacerar quem quer que seja! – rosnou Sebastian, e era verdadeiramente o grunhido de um animal.
– Hunf! Faça isso! De modo algum isso deve permanecer impune.
– Yes, my lord – fala o mordomo fazendo uma reverência.
– Bem, de certa forma ficamos em um impasse. O contrato original foi que você teria minha alma quando terminasse minha vingança, porém como vim parar aqui não tenho mais de quem me vingar pelo passado. – Ciel fitava Sebastian sem esboçar nenhuma emoção, parecia ser simplesmente um negócio que não terminou como desejado.
Sebastian fitava o rosto daquele que outrora era o temível cão de guarda da rainha, com certeza ainda era uma alma bastante saborosa, é a alma que ele tanto desejava e que foi abruptamente retirada dele. Ansiava por esse encontro, poder estar perto de seu bocchan e poder ver novamente aquele pequeno ser frágil de alma sádica. Abaixou-se para ficar na mesma altura que seu mestre, retirou seu tapa-olho ao mesmo tempo em que passava a mão delicadamente em seu rosto.

Ciel ficou cara a cara com aquele ser em forma humana, olhava em seus olhos oscilantes entre o carmesim e rosa vibrante demoníaco sem desviar sua atenção. Todos na sala olhavam a cena com certa curiosidade. Dean, Sam e os três bandidos que ainda estavam ali amarrados não compreendiam o que se passava ali, viam aquele ser sobrenatural, aquele ser capaz das piores atrocidades se deleitar, afagando com suas mãos o rosto de uma criança humana.
– Bocchan...
– Sebbyyyyyy!!!
– Essa voz irritante! – fala Sebastian entredentes pegando ao mesmo tempo seu jovem mestre e se afastando para outro ponto da casa.
Um barulho comparado ao de uma serra elétrica começa a se aproximar da casa fazendo Rachel despertar e se deparar com uma cena que nem em seus piores sonhos imaginaria, Ciel estava meio que a tira colo no braço de um demônio com aparência deveras perturbadora de tão bonito, no outro canto da sala um pouco mais afastados três invasores amarrados e chorando como crianças, mais adiante os dois prováveis salvadores que imobilizaram seu amigo que se debatia como um bicho selvagem e agora para completar, um outro ser sobrenatural aparece, com longos cabelos vermelhos erguendo uma motosserra barulhenta e exibindo um sorriso assustador com dentes serrilhados, este ser ataca o mordomo com sua motosserra fazendo o outro se defender com uma faca de prata.
– Grell Sutcliff – fala Sebastian visivelmente incomodado com a presença daquele ser.
– E mais essa! – fala Dean surpreso.
– Sebastian, querido! – fala Grell mandando um beijo em direção ao demônio, que se arrepia de repulsa por tal ousadia. – Kyaaaaaa, você nunca perde a pose! Há quanto tempo não o vejo, eu simplesmente adooooro esta sua forma, ah esse olhar de puro ódio e luxúria arrepia todos os pelos do meu corpinho!
– Não seja repugnante. O que faz aqui? – Sebastian pergunta secamente.
– Meu trabalho, querido. Vim recolher umas almas por aqui. – fala fazendo sua pose clássica passando a língua no lábio superior e erguendo a mão somente com seus dedos médio e anelar curvados – Está na hora da Death!
Rachel permanecia imóvel, estava assustada demais para se mexer ou correr dali. Dean apenas dirigiu seu olhar para ela como quem diz que permanecesse quieta e tudo acabaria bem. Rachel então assentiu em compreensão.
– Além do mais, quando percebi que estava aqui vim imediatamente para esta área. Ainda tenho esperança para nós Sebby... – dito isso Grell percorreu a sala observando o cenário e acabou fixando seus olhos amarelos com reflexos verdes nos rostos dos dois caçadores – Ah que homens de beleza estonteante! É demais estar em um lugar com homens tão perfeitos!! – fala se aproximando de Sam e Dean.
– É ruim hein, sai fora! – falam Sam e Dean ao mesmo tempo em que ficam de pé.
– Oh, vejo que finalmente achou seu tão precioso mestre. Como isso é possível? Está igualzinho ao que era naquela época! – Grell questiona direcionando seu olhar para a pequena figura nos braços do demônio e se aproximando um pouco. – Garoto, esse demônio fez muitos estragos desde sua partida repentina há mais de um século atrás.
– Coloque-me no chão, Sebastian. – o mordomo acata o desejo de seu mestre, pois estaria pronto para qualquer ataque. – O que quis dizer com isso? – pergunta o garoto sem entender o que o outro falou.
– Ah, um Sebas-kun dilacerado pelo amor... Fez minha cabeça girar...
Sebastian de imediato dá um chute acertando a cabeça de Grell.
– Aaai!!!! Por que esse tratamento bruto?! – fala Grell passando as mãos na cabeça por causa da dor.
– O primeiro a atacar foi você. – fala o belo mordomo ajeitado sua camisa. – Além disso, tenho trabalho a fazer aqui. Não atrapalhe!
– Não precisava fazer isso! Vim aqui só cumprir meu trabalho! – fala Grell fazendo biquinho e pegando um livro do bolso do casaco vermelho o folheando – Esta cidade está uma bagunça! De um mês para cá várias mortes e ondas de crimes estão acontecendo aqui, só que o grau de crueldade está aumentando cada vez mais. Preciso de férias!
– Um mês é mais ou menos o tempo que Ciel “apareceu” por aqui. – fala Rachel agora tentado ficar mais calma e manter a racionalidade.
– E quem é o Leatherface aí? – fala Dean fazendo uma alusão ao personagem do filme Massacre da Serra Elétrica.
– Ele é alguém que caça almas das pessoas, um shinigami ou o que muitos chamam de um deus da morte. Ele veio aqui coletar as almas dos mortos. – explica o jovem conde para Dean e Sam.
– Pelo que sei nenhum ceifador pode aparecer na frente dos vivos... – Sam diz.
– Não sou um SHINIGAMI qualquer, querido. Não queria privar vocês de minha beleza extraordinária – fala Grell dando uma piscadinha para Dean, que torce a boca numa visível expressão de horror.
– Ondas de crimes, aumento de assassinatos há quase um mês nessa cidade... Há mais ou menos um mês também senti a presença de meu mestre depois de mais de um século sem saber de seu paradeiro... – analisa Sebastian. – Ao que parece está tudo relacionado com a sua volta, jovem mestre – conclui o demônio direcionando seu olhar ao garoto.
– Pelo que estou tentando entender esse garoto não é desse país e ao que parece nem dessa época? – questiona Dean dando uma pequena trégua.
– Vocês estão dizendo que pode haver alguma relação dessas mortes com esse garoto? – questiona Sam tentando fazer uma ligação com os fatos.
Nesse momento todos olham para Ciel.
– Nasci em 1875, na Inglaterra. De fato, parece haver uma ligação nos acontecimentos – informa o jovem conde. – Parem de me chamar de garoto, meu nome é Ciel Phantomhive! – completa asperamente.
Sam e Dean se entreolham confusos e bastante surpresos. Ao que parecia uma possível trégua foi dada mesmo, pois era muito a ser assimilado.
– Apesar das várias mortes, nem todas as almas foram coletadas. – Grell informa com expressão de desânimo – O que está dificultando meu trabalho, tive que fazer até algumas horas extras.
– Humm... Talvez nosso amigo aqui possa dizer alguma coisa. – fala Ciel direcionando seu olhar determinado para Peter. – Sebastian, interrogue-o.
– Hu, hu... Mas jovem mestre, pensei que ele fosse seu amigo – o mordomo diz em tom zombeteiro. – Posso acabar ferindo mais o corpo dele.
– Não me faça repetir uma ordem. – fala Ciel olhando Sebastian de forma azeda.
– Interrogar? Essa coisa precisa sair de dentro dele o mais rápido possível, senão o rapaz pode não conseguir sobreviver! – esbraveja Sam.
– E como você faria isso? Vi você tentando exorcizar essa coisa sem sucesso alguns minutos atrás – fala Ciel olhando seriamente Sam que se cala diante da resposta.
– Mas deve haver alguma forma. – fala Rachel se direcionando ao garoto – Meu Deus, o que direi aos pais de Peter?
– Nada. Já estão mortos há algumas semanas. – Sebastian responde friamente para o espanto dos presentes.
Ciel e Rachel olham ao mesmo tempo o rapaz que estava com uma expressão deveras assustadora. Os olhos estavam esbranquiçados e da sua face, vez outra, movimentos ondulatórios apareciam como se algo estivesse dentro dele entre sua pele e seus ossos.
– O que não podemos é deixar mais um inocente morrer aqui a mingua. – Dean se intromete – Vamos fazer umas ligações e procurar respostas.
– Não há muito tempo – alerta Sebastian – Posso interrogá-lo como meu mestre me ordenou e arrancá-lo de dentro do rapaz, se assim ele o deseja. De antemão falo que ele sentirá uma dor excruciante. – informa o mordomo exibindo um sorriso maléfico.
Ciel acata a sugestão.
– Então, peço que se retirem. Ninguém deve espiar o que acontecerá aqui. – fala Sebastian com um olhar gélido se direcionando a Peter.
Dean e Sam atravessam a sala de jantar em direção à cozinha acompanhando Ciel e Rachel ao mesmo tempo em que encaminhavam os três bandidos para lá também. Da cozinha era possível ouvir palavras ditas em um idioma que não reconheciam em vozes inumanas, gritos que denunciavam uma profunda dor sendo causada alternadamente.
– Argh! Que nojo! – fala Grell vindo da sala. Ele a principio queria ver Sebastian em ação, mas desistiu logo em seguida.
Rachel passou as mãos no cabelo e suspirou. Olhou pausadamente para todos que estavam na sua cozinha e principalmente para Ciel que estava sentado com as pernas e braços cruzados em uma cadeira próxima à mesa, custava a acreditar em tudo o que presenciou. Ciel voltou sua atenção para a jovem que o fitava, seus olhos se encontraram, Rachel olhava agora o jovem conde sem seu tapa-olho, um dos olhos era de um azul tão profundo e intenso quanto o céu ensolarado de Phoenix, porém o outro tinha uma marca púrpura exposta, marca esta de um contrato com a criatura na sala de sua casa, a marca do demônio que ele tentava esconder. Ela reuniu toda a sua força para conter uma lágrima que balançava em seu olho e desviou sua atenção do garoto.
Ciel notou a expressão triste e pesarosa da jovem, assim como a tentativa falha de esconder suas lágrimas. De certa forma sentiu por não conseguir poupá-la de tudo o que se passava, afinal, Rachel foi a única em que ele encontrou um apoio desde o momento que chegou nessa terra estranha, nunca quis arrastá-la para algo assim, para o “seu mundo”. Porém, agora não tinha mais volta. Precisava de respostas, precisava descobrir os reais motivos de seu sequestro e porque estava sendo, de certa forma, vigiado.
Dean e Sam estavam encostados na parede próximos um ao outro, vez outra se entre olhavam em cumplicidade, estavam evidentemente nervosos e preocupados com a guinada dos fatos.
Depois de alguns minutos os gritos na sala cessam e todos direcionam sua atenção para o demônio que entra na cozinha. Ele estava com manchas de sangue em suas roupas e adentrava a cozinha com uma expressão bastante séria.
– E então, o que descobriu? – pergunta Ciel.
– Ele estava vigiando seus passos, mestre. Não ficou claro quem dava as ordens. – responde o mordomo seriamente. – O que ficou claro é que sua chegada aqui neste século causou certo distúrbio no equilíbrio natural das coisas.
– Como assim? – questiona Dean.
– A retirada abrupta do meu jovem mestre de sua época causou um desequilíbrio entre os dois mundos, mudando fatos ou situações atuais e libertando alguns inquilinos infernais, em sua maioria demônios de classe baixa.
Rachel que ouvia tudo atentamente levou instintivamente as mãos à boca na tentativa de conter gritos assustados.
– Alguns se sentiram atraídos pela presença de meu mestre, devido a forte atração exercida pela ruptura do tempo espaço. – continuou Sebastian.
– E o que faremos? – questiona Sam preocupado.
– Acredito que tentar atrai-los para assim descobrirmos quem ou o que está por trás disso e assim destruí-lo. – responde Ciel.
– Como usar uma isca... – fala Dean. – E quem seria essa isca?
– Sou quem eles querem. E também quero desenterrar essa verdade.
– Como sempre, meu mestre. – fala o demônio esboçando um leve sorriso de satisfação.– Eu vou achá-lo, não poderá mais se esconder por mais que tente. – acrescentou Sebastian num tom tão gélido que provocou calafrios nos humanos presentes.
– E quanto a Peter? – perguntou a garota de forma preocupada. – Como ele está? Sobreviveu?
– Agora tudo depende da força de vontade dele. – fala o mordomo sem esboçar nenhuma emoção.
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