Notas iniciais
Boa leitura!

Século XIX

Nos arredores de Londres em uma imponente mansão atrás de uma densa floresta o dia começava como todos os outros, o jovem mestre da casa sentia pouco a pouco a luz da manhã adentrar o quarto através dos vidros das janelas agora expostas pelas mãos do mordomo que abriam as cortinas.

– Bom dia, bocchan – fala o mordomo ao garoto ainda relutante em abrir os olhos à claridade que inundava o quarto.

Indiferente à saudação dada o jovem patriarca dos Phantomhive permanecia deitado sendo observado minuciosamente pelo belo mordomo que após um breve momento se direciona ao carrinho com uma bandeja de prata onde está um elegante conjunto de chá.

– Bochan, é hora de despertar – fala novamente o mordomo enquanto colocava chá em uma xícara – para o desjejum preparei salmão escalfado e salada de hortelã. Como acompanhamento há scones.

– Humm – resmungou Ciel sentando-se na cama. Enquanto é vestido por Sebastian, Ciel pergunta de maneira desinteressada: Qual a agenda de hoje?

– Após o desjejum terá documentos da empresa para analisar no escritório. Após o almoço aulas de geografia e para o chá da tarde receberá a visita da Marquesa Middleford e de sua noiva, senhorita Elizabeth – responde Sebastian.

Ciel dá um suspiro insatisfeito com a notícia, não que odiasse a tia ou a prima, mas porque em sua mente sabe que sua vingança em breve será concluída. Pensa em quantas experiências que não desfrutará, a família que nunca poderá construir com sua prima e tantas outras possibilidades... Que, portanto não existirá um final feliz em sua vida. Perdido em seus pensamentos mergulhava cada vez mais nos olhos de Sebastian, enquanto este dava um laço na fita em volta do pescoço do menor, e assim, se encararam por alguns segundos. Aqueles olhos castanhos avermelhados que transbordavam luxúria retribuíam o olhar do garoto fitando-o com curiosidade.

– Algum problema, bocchan? – pergunta o mordomo dando um leve sorriso, despertando Ciel de seus devaneios. – Arrepende-se de algo?

É quando Ciel se dá conta que encarava o mordomo com olhos que beiravam a melancolia e ao mesmo tempo uma raiva contida pelos pensamentos que insistiam em pairar em sua mente. Se recompôs e olhou seriamente o mordomo que encarava-o parecendo ler seus pensamentos.

– Não me arrependo de nada! Não faça perguntas tolas! – disse o garoto de maneira ríspida.

O que falou não fora nenhuma mentira, o jovem conde sabia muito bem que não teria chegado ao que era hoje sem a presença daquele demônio, sem sua “proteção”. Não se arrependia do contrato e nem de suas ações. Ele se vingaria completamente daqueles que ousaram manchar seu nome e seu orgulho, mesmo isso custando sua alma.

Sebastian permanecia ao lado de seu mestre saboreando as reações do garoto – “A alma que tanto desejo...” – pensou o akuma ao mesmo tempo em que esboçava um sorriso de satisfação.

– Tire esse sorriso bobo do rosto e comece imediatamente os preparativos para receber a Marquesa e minha prima. Conhecendo-as bem, estarão aqui antes do previsto! – disse Ciel tomando logo em seguida um pouco de chá.

– Perfeitamente, milorde. – fala Sebastian fazendo uma reverência.

Como esperado, pouco tempo depois chegaram as visitantes.

– Bem-vindas. Faz muito tempo desde a última vez que nos encontramos Marquesa Middleford. – disse Ciel de maneira cortês.

Antes que a Marquesa pudesse responder, Elizabeth correu ao encontro do jovem conde se atirando em seus braços, esfregando rosto com rosto.

– Cieeeel!! Que saudades!

– Elizabeth! Esse tipo de ação é muito imprópria, comporte-se! – falou a nobre dama chamando a atenção da filha.

– Eu sinto muito mamãe – disse Elizabeth soltando Ciel que agora conseguia respirar melhor.

A tia do jovem conde, Marquesa Middleford, é uma nobre dama bem quista na alta sociedade inglesa, rígida e altamente respeitada. Dirigindo sua atenção ao mordomo que lhe dava as boas vindas, subitamente o agarra pelos cabelos – Tanto o mestre quanto seu mordomo são homens, mas usam franjas! É asqueroso! – disse a Marquesa que em segundos deixa os dois perfeitamente penteados. – Você é o homem que casará com minha filha no futuro. Vim fazer um chek-up na casa e na criadagem.

Dito isso, Sebastian as guia pela mansão e constata que nada está no lugar: o jardim e o hall central foram arruinados por Finny e Mey Rin e a estufa fora destruída por Bard. Por fim o mordomo as leva para verem os estábulos e a mais nova aquisição do jovem conde, um belíssimo cavalo negro. Nesse momento Ciel é desafiado pela marquesa para uma caçada, feito os preparativos seguem para a floresta ao redor da mansão; sendo muito competitivo Ciel sai à caça deixando Elizabeth com Sebastian.

Ciel permanecia atento a cada ruído, pois não iria perder a disputa contra sua tia; à medida que cavalgava adentrava mais e mais na floresta a procura de possíveis presas. Não percebeu de imediato que o ambiente aos poucos parecia ficar mais escuro, mais sombrio... Sentia-se observado... De repente um forte vento soprou balançando violentamente os galhos das árvores e um vulto, que não pode distinguir o que era, movia-se rapidamente de um lado para outro assustando o cavalo que o derruba e sai galopando. Ciel, sentindo dores nas costas por causa do tombo, se levanta com certa dificuldade e grita:

– Quem está aí? – sem obter resposta grita novamente. – Quem é você?

– Hu Hu Hu... Ciel Phantomhive... – fala uma voz vinda da escuridão.

– Quem é você? Apareça! – grita Ciel.

– Sempre tão altivo... Tão orgulhoso de si... – a voz agora estava mais próxima.

Quando Ciel ergue a mão na tentativa de se proteger e chamar seu fiel servo demônio a escuridão o envolve por completo, sendo possível distinguir apenas um sussurro:

– Sebastian...

E a luz retorna à floresta

Notas finais
Espero que tenham gostado...