Pânico. Esta era a sensação que tomava conta de Ciel. Parecia estar caindo, mas não conseguia enxergar onde estava. Gritava, mas sua voz não saía, sentia-se sufocado e aos poucos perdia a consciência...

Lentamente recobrava a consciência e abria os olhos azuis se acostumando a claridade em sua volta, sentia dor de cabeça. Estava deitado em um gramado próximo a um canteiro de flores, o local era uma praça com várias árvores e flores diversas, levantou-se e começou a caminhar analisando o lugar em sua volta; constatou de imediato que não estava mais em sua propriedade e, ao que parece, nem em Londres. Observou assustado tudo a sua volta, enormes edifícios, ruas repletas de carros, as calçadas cheias de pessoas usando trajes esquisitos; estranhou principalmente as roupas das mulheres, algumas usavam roupas mais justas marcando a silhueta denunciando assim as formas de seus corpos. Homens e mulheres passavam apressados sem se importar com a presença solitária do garoto que olhava abismado de um lado a outro.

Decidiu seguir andando até chegar a uma rua bastante movimentada, a cidade parecia um caos à visão do jovem conde, carros diferentes de sua época, pessoas com penteados e trajes estranhos.

– Hey, pirralho! Preste atenção no farol! – grita um motorista de ônibus que quase atropela Ciel.

Ciel corre para a calçada assustado, as pessoas passam esbarrando nele apressadas para chegarem a seus destinos. Ele corre para uma rua estreita e ali se encosta na parede tentando se acalmar e compreender que lugar era aquele e como foi parar ali. Retira seu tapa-olho e diz:

– Sebastian, venha aqui! – sem obter resposta insiste em mais algumas tentativas.

Sem perceber um homem se aproxima e o segura pelo braço.

– Que lindo garotinho. Está sozinho? – pergunta o homem de aparência suspeita – Pode confiar em mim.

– Que cidade é essa? – pergunta Ciel olhando seriamente o homem em sua frente.

– Ohh, está perdido? – pergunta o homem agora tocando o rosto de Ciel. – Que belo rosto você tem.

– Não me toque tão facilmente! – diz Ciel irritado com a proximidade do estranho dando um tapa na mão dele.

O homem esboça um sorriso malicioso e se aproxima mais do garoto encurralando-o contra a parede.

– Seja um bom garoto e me acompanhe, posso ajudar você.

Ciel chuta o mais forte que pode a perna dele e sai correndo, vez outra olhava para trás para ter a certeza que não estava sendo seguido. Minutos depois passa próximo a um local de venda de jornais pega um e confere a Phoenix, Outubro de 20xx. Abriu bem os olhos descrente da informação lida – Mas como isso é possível?? Como vim parar aqui?? – indagava.

– Garoto, se não vai comprar o jornal não mexa – disse o vendedor.

Ciel deixa o jornal e sai andando sem rumo...

Anoitecia, estava cansado, com fome e com sede. Passou o dia caminhando de um lado para outro naquela imensa cidade, precisava de um lugar para ficar, o dinheiro que tinha consigo não era válido ali. As ruas em Phoenix eram bem iluminadas, as luzes dos edifícios e vitrines deixavam as avenidas claras, mas como todas as grandes cidades tornavam-se perigosas para crianças ou adolescentes andarem sozinhas tarde da noite. As pessoas em sua volta eram completos desconhecidos, algumas olhavam para ele e podiam até se questionar o porquê de um garoto daquela idade estar na rua tão tarde, outras até tiravam gracinhas por causa de suas roupas, porém não paravam para perguntar, simplesmente não se importavam ou não queriam ter problemas. Ciel andava ainda sem ideias do que fazer quando uma situação chama sua atenção: uma jovem garota sendo arrastada para uma rua estreita por dois homens mal encarados. A princípio pensa em passar direto sem se importar com o que viu, assim como as demais pessoas em sua volta, porém quando escuta os pedidos de socorro corre na direção deles. Chegando ao final na rua a vê sendo segurada por um homem alto de expressão severa enquanto o outro segurava firme seu rosto dizendo: – Ora, ora, o que temos aqui meu amigo Joe? Não é sempre que assaltamos uma belezinha como essa.

– Depressa Russo! Pode aparecer alguém. Pega logo a grana dela!

– Você ouviu o homem gracinha, passa logo pra cá a grana! – falou Russo enquanto pegava uma mecha dos cabelos da jovem e cheirava.

– Fique longe de mim! – subitamente a garota dá um pisão no pé de Joe e tenta escapar sem sucesso. Sendo rendida novamente pelos dois acaba levando uma bofetada no rosto e cai.

– Não deveria ter feito isso garota! – falou Joe prestes a agredi-la novamente.

– Hey, solte-a! – Ciel fala de maneira firme e autoritária.

Os três olharam ao mesmo tempo para Ciel.

– Quem é esse almofadinha? Vem de algum baile a fantasia? – pergunta Russo.

– Vai dar uma de herói garotinho? – fala Joe enquanto dá uns passos na direção de Ciel – Quem é você?

– Não tenho que falar meu nome a dois brutamontes que não sabem nem como tratar uma dama! – Ciel responde.

– Ora seu fedelho! Quem você pensa que é para falar com a gente assim?! – grita Russo sacando um canivete de seu terno barato. – Não sei se é corajoso ou burro, mas se quer encrenca é o que terá!

Os dois se aproximam de Ciel prontos para atacá-lo quando a garota já esquecida por eles pula em cima de Joe o mordendo na orelha fortemente até sangrar, aproveitando a distração Ciel empurra Russo conseguindo derrubá-lo. A jovem rapidamente solta Joe que fica com a orelha muito machucada e xingando o acontecido, puxa Ciel pelo braço e saem correndo sendo perseguidos pelos dois agora muito bravos.

Depois de conseguirem despistá-los eles diminuem o ritmo até que param para descansar, ambos encostam-se a parede de um prédio e por fim acabam sentando no chão. A garota ficou sentada em silêncio observando o rosto de Ciel que ainda estava recuperando o fôlego e por fim fala:

– Obrigada por sua ajuda, se você não tivesse aparecido nem sei o que teriam feito comigo.

Ciel nada responde e depois de se recuperar levanta-se ajeitando suas roupas de maneira orgulhosa.

– É meu dever como homem. Não poderia ficar parado vendo dois homens agredirem uma mulher, mesmo que depois daquele seu ato selvagem você não pareça ser tão indefesa.

– Uma garota precisa se defender nos dias de hoje – falou a garota ficando de pé fitando-o.

– Não é de bom tom uma jovem dama estar na rua a essas horas. – repreende Ciel.

– Também não são horas de garotinhos estarem na rua. – revida a garota.

Os dois se encaram e Ciel analisa a jovem de corpo esbelto que é um pouco mais alta e alguns anos mais velha que ele, dona de longos cabelos negros lisos, usa uma franja reta acima dos grandes olhos castanhos, possuía feições delicadas; não era uma menina, mas não era uma mulher ainda, era uma donzela aparentemente forte e decidida. Usava blusa branca com imagens que ele não reconhecia e uma saia curta preta com suspensórios, meias e sapatos pretos bem envernizados, as meias não cobriam totalmente suas pernas, deixavam a vista a pele alva de suas coxas.

– Sabia que é feio ficar encarando? – fala a garota tentando quebrar o gelo entre eles. Ciel a olha nos olhos e ela estende a mão para ele: – Meu nome é Rachel Collins. E o seu?

O jovem conde olha a mão estendida e pensa se deve ou não confiar na pessoa em sua frente, porém sem alternativa aperta a mão da jovem em um gesto de confiança e responde:

– Ciel Phantomhive.

Notas finais
Preferi não determinar se era 2010, 2011 ou 2012 o ano da chegada de Ciel no século XXI