Esse Jovem Conde, No Século XXI!
3 Quem está ajudando quem?
Notas iniciais
Rachel e Ciel estavam parados em frente a uma casa com varanda em um bairro residencial em Phoenix, o bairro era composto por casas largas com amplos jardins bem cuidados, aparentemente um bairro seguro. Já a casa era de aspecto simples e antiga à primeira vista, deve ter passado por uma reforma, mas manteve sua estrutura original em perfeito estado de conservação . A jovem estava imóvel, tentando digerir o que havia escutado:
– Deixa ver se entendi. Você está me dizendo que veio do passado, do século XIX e que não sabe como veio parar aqui no Arizona?
– Isso mesmo.
Rachel abre a porta da casa e entra seguida por Ciel.
– E que é um conde inglês?
– Sim.
– Cada louco que encontro... — falou baixinho a jovem enquanto fechava a porta.
Ciel olhava atentamente a casa que era composta por uma sala ampla e bonita, a sala de jantar ficando próxima a cozinha, viu uma escada que leva provavelmente aos quartos e banheiro no andar superior. Uma casa simples, não muito grande comparada com a dele e que com certeza nem de longe lembrava o conforto de sua mansão na Inglaterra. Porém teria que servir.
– Pelo que entendi, a senhorita mora sozinha aqui, não é? Onde estão seus pais?
– Morreram há dois anos.
– Como?
Rachel se encolhe visivelmente triste
– Morreram em um acidente de carro.
Houve um minuto de silêncio e a aspereza no olhar do jovem conde pareceu ceder minimamente.
– Deve ter sido difícil – disse ele parecendo sincero. – Em todo o caso não é perigoso uma jovem dama morar sozinha?
– Tenho uma parenta, mas não nos damos muito bem. Então fui emancipada aos 16 anos e moro aqui, é uma vizinhança tranquila e segura.
– Então você vive por conta própria e sozinha? Sem criados?
– Criados? – Rachel dá uma risada achando engraçado o questionamento do garoto. – Não, não tenho criados para me servir, mas tenho um trabalho de meio período e aulas pela manhã! Portanto, acho melhor mostrar onde você irá dormir.
Dito isso Rachel leva Ciel ao andar superior mostrando o quarto de hóspedes e entrega a ele uma toalha de banho indicando o banheiro. Ciel olha o banheiro de cima a baixo.
– O que foi? Algum problema? Ah, já sei. Como você é um conde do século XIX não está familiarizado com os banheiros modernos, é isso? – fala Rachel em tom zombeteiro – Quer que mostre como tudo funciona?
– Não é necessário. Apesar de algumas modificações reconheço o funcionamento perfeitamente – fala o garoto seriamente – Apenas achei muito pequeno e não estou acostumado a me banhar sozinho.
– Como é que é? Você não toma banho sozinho? – disse ela surpresa.
– Não. Meu mordomo me banhava e me vestia – disse ele com naturalidade adentrando o banheiro.
– Tsc... que menino problemático. – fala Rachel enquanto dirigia-se à cozinha .
Como já era tarde prepararia suco e alguns sanduiches, de manhã resolveria o que fazer quanto a Ciel. Sentia-se curiosa quanto ao menino. A estória era absurda demais para acreditar. O que fazer? Não poderia simplesmente deixá-lo à própria sorte, principalmente depois de ele ter se arriscado para ajudá-la.
...
Depois do banho Ciel examina seu olho direito pelo espelho e vê que a marca púrpura do contrato com Sebastian ainda está lá. Constata que isso só pode significar que ainda tem uma ligação com aquele demônio, porém não entendia porque até agora ele não aparecera. Talvez o contrato não tenha mais validade, afinal naquele século não teria de quem se vingar, seus inimigos estavam todos mortos. Se esse fosse o caso, apesar de tudo, aquele akuma não deixaria de vir buscar sua alma, disso Ciel tinha certeza... Ou estaria de certa forma, livre do contrato? Ciel refletia sobre seu dia e de como acordou normalmente em sua mansão, sobre o que aconteceu na floresta e sua chegada naquela terra estranha... Conseguiria voltar? Ou iria ficar ali até o fim de seus dias? Sem sua fortuna, sem status, seu título e influência ficaram no século XIX... Estava sozinho, dependendo da ajuda de uma estranha em um lugar que não conhecia...
– Maldição! – esbraveja o jovem conde
Ouviu batidas na porta.
– Ciel? Trouxe roupas limpas para você. Peguei emprestadas de um amigo, são um pouco grandes, mas vão servir. – fala Rachel
– Ok , deixe-as perto da porta que as pegarei.
Ciel abre a porta e fica cara a cara com Rachel parada em sua frente e ela o olha de cima a baixo. Ele estava usando somente a toalha presa em sua cintura, possuía um corpo magro com poucos músculos, um corpo de alguém que está aos poucos deixando a infância, rosto de traços suaves e ao mesmo tempo elegante, que denunciavam sua pouca idade, emoldurados por cabelos negros acinzentados, que ainda pingavam água cobrindo parcialmente seus olhos azuis mais escuros que o azul do céu. O jovem ficou ruborizado imediatamente por ter sido visto pela garota praticamente nu, Rachel vendo seu constrangimento ergue a roupa para entregá-las.
– O.. o.. obrigado! – fala o garoto pegando rapidamente as roupas e fechando a porta do banheiro.
– ... De nada... – responde Rachel, ainda embasbacada por tal situação.
De manhã
Ciel estava visivelmente cansado, pois não conseguira dormir direito, o quarto era confortável mas a inquietação dos fatos ocorridos não deixavam sua mente. Ele olha Rachel enquanto ela prepara uma tigela com leite, açúcar e despeja alguns grãos e coloca na frente dele e depois prepara mais para ela.
– O que é isso? – diz Ciel enquanto mexe com uma colher a estranha mistura.
– Cereais. É bom para o café da manhã.
– Por que voltou a colocar o tapa olho? Ontem você estava sem ele, tem alguma coisa errada com seu olho?
– Eh? ... Isso é... foi um acidente. – diz ele tocando o tapa olho, desconfortável com a pergunta da jovem.
A campainha toca e Rachel vai atender, volta minutos depois acompanhada por um rapaz de altura mediana, olhos verdes, corpo não muito musculoso mas definido, cabelos ondulados e escuros.
– Ciel este é meu amigo Peter Thompson. Ele que emprestou as roupas para você.
–Obrigado pela gentileza – diz Ciel de maneira cortês.
– Não foi nada. Rachel me disse o que fez por ela. Foi muito corajoso, apesar que poderia ter saído machucado. – disse Peter enquanto bagunçava com a mão os cabelos de Ciel.
– Foi meu dever. Como homem, não poderia permitir tal ação. – dizia Ciel enquanto afastava a mão de Peter.
Peter fica surpreso com a resposta firme do garoto
– Está na hora de irmos para a escola, você fica aqui em casa até a gente voltar. Tem comida na geladeira e já que está aqui pode lavar a louça do café. – fala Rachel
– Ah? Lavar a louça??
– Sim! Já que combinamos que você pode ficar aqui por uns dias até resolvermos sua situação o mínimo que pode fazer é ajudar nas tarefas da casa.
– Bom... está bem ... Vou tentar. – diz Ciel de maneira insegura.
Rachel dá as últimas instruções para Ciel sobre a casa e vai para o ponto de ônibus com Peter. Ciel tranca a porta conforme o indicado, olha a casa que agora está sob seus cuidados e a louça suja que tem para lavar – Que decadência... — suspira pesaroso indo fazer o combinado.
Perto do ponto do ônibus escolar Rachel e Peter conversam sobre Ciel
– E então? O que acha da estória? – fala ela.
– Viagem no tempo? Claro que ele está inventando isso! Deve ter fugido de casa e está perdido com medo de voltar. Melhor avisar a polícia. Eles saberão o que fazer.
– Não sei não. Apesar de que não acredito na conversa dele, tem algo diferente nele... Notou o sotaque dele? Além disso as roupas que ele usava ontem, parecia até que tinha saído de um filme de época!
– Vai dizer que acreditou numa conversa dessas? — questiona Peter
– Não, só está tudo muito confuso.
– E o que vai fazer? Deixar ele na sua casa até a família dele aparecer?
– Porque não? Ele é só um garoto. Apesar de que às vezes parece um adulto falando... Ele me chama de senhorita ou jovem dama, poderia me acostumar com isso – fala Rachel dando uma risadinha.
– E aquele tapa olho? Ele é cego do olho direito?
– Não sei. Ontem o vi sem aquilo rapidamente, tem uma estranha marca que não deu para ver o que é. Ao que parece foi um acidente... Hoje de tarde vamos conversar melhor com ele e decidir o que fazer. –fala Rachel entrando no ônibus seguida por Peter.
De tarde
– Se pesquisarmos o sobrenome dele na internet talvez apareça algo sobre ele ou a família dele. Qual o sobrenome dele mesmo? — fala Peter pegando seu tablet da mochila – Onde ele está?
–Está no quarto, acho que tá querendo ficar sozinho. O sobrenome dele é Phantomhive – diz Rachel
...
– Ok, isso tá ficando muito estranho mesmo! – fala Peter lendo com atenção as informações pelo seu tablet.
– O que tem dizendo aí? — pergunta Rachel
–...
– Responde logo Peter! — fala Rachel já impaciente
– Ao que parece esse garoto ou é um grande imitador ou realmente É o conde Ciel Phantomhive do século XIX! – fala Peter lendo rapidamente as informações obtidas.
– Tá de brincadeira?! – fala ela achando que o amigo estava fazendo piada da situação.
– Olha aqui! Está dizendo que esse conde sumiu no dia de seu aniversário de 13 anos e nunca mais se soube notícias dele! – fala Peter mostrando para Rachel as páginas da internet.
– Eh? Como isso é possível?! – grita Rachel
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