Esse Jovem Conde, No Século XXI!
4 Difícil adaptação
Notas iniciais

– Eh? Como isso é possível?! Tá dizendo que esse garoto tá falando a verdade? Que por algum passe de mágica esse menino veio parar aqui? – fala Rachel, incrédula – Esse menino pode ter somente lido informações sobre esse tal conde e inventado tudo isso Peter.
– Cara que loucura!! Aqui tá dizendo que ele não gostava de tirar fotografias, mas tem umas imagens aqui e em outras páginas fala sobre sua linhagem. Dá uma olhada nas imagens! – fala Peter entregando para ela o tablet.
– Estou vendo mais não acredito!
Os dois correm pela escada aos tropeços e chegam ao quarto que ficou para Ciel, abrem a porta, mas ele não estava, correm em direção ao banheiro e abrem a porta surpreendendo o garoto no banho.
– Você é Ciel Phantomhive! Um conde inglês! – Rachel praticamente gritava assustada apontando em direção ao menino.
– Vimos suas fotos na internet! – grita Peter.
Passam alguns segundos, é quando se dão conta da situação vexatória que os três estão. Totalmente surpreso pela invasão dos dois no banheiro, Ciel viu o sangue subindo na face, agarra a toalha cobrindo seu sexo, ficando assim embaixo do chuveiro ainda aberto.
– Vocês poderiam ao menos esperar até que eu estivesse vestido?? – grita Ciel muito constrangido.
Rachel também fica ruborizada por tal situação.
– Ih, caramba!! Desculpe, desculpe!! – fala Peter tampando os olhos de Rachel e a puxando para fora do banheiro.
– A culpa é sua por não fechar a porta!! – grita Rachel já do lado de fora.
***
Minutos depois os três conversavam na sala com Ciel devidamente vestido (com as roupas de Peter).
– Então agora acreditam em mim? – pergunta o conde sentado no sofá próximo a Peter.
– Sim – os dois respondem ao mesmo tempo.
– Mas como isso é possível? – pergunta Rachel andando de um lado a outro, ainda tentando assimilar as informações.
– Não sei. Só sei que acordei confortavelmente na minha mansão, horas depois vim parar nessa cidade – responde o conde.
Peter ainda pesquisava em seu tablet, o que chamou a atenção do conde para o instrumento nas mãos do rapaz. Vendo a curiosidade do garoto, Peter explica o funcionamento básico do tablet.
– Sr. Thompson, o que é essa internet que mencionou antes? – pergunta o garoto curioso.
– Pode me chamar de Peter mesmo. É uma rede de comunicação em escala mundial, aqui temos dispositivos interligados que permitem o acesso a informações de todo tipo – fala Peter enquanto mostrava algumas imagens para Ciel.
– Então foi aqui, nesta pequena máquina, que achou informações sobre minha linhagem? O que mais diz aí?
– Que você era de uma família de condes; que após o assassinato de seus pais assumiu as finanças e dirigia a empresa Funtom, que fabricava brinquedos, doces e alimentos. Diz aqui que você era um grande empresário apesar da pouca idade.
– Fala alguma coisa sobre o dia do meu desaparecimento?
– Deixa ver... Aqui está dizendo que no dia do seu desaparecimento... – Peter deu uma pausa.
–O quê? – insiste Ciel.
– Houve uma chacina na sua mansão e seis corpos foram encontrados lá já em estado de decomposição... – Peter parou e olhou para Ciel que ouvia tudo atentamente – Você foi dado como morto, apesar de que não acharam seu corpo.
– Você disse seis corpos, diz aí quem eram as vítimas?
– Quatro servos da mansão e duas damas da nobreza, aqui diz os nomes das duas: Marquesa Middleford e sua filha lady Elizabeth, noiva do jovem conde Phantomhive... – à medida que ia lendo Peter foi reduzindo aos poucos o tom da voz, surpreso com a informação – Sinto muito Ciel.
Ele nada fala, estava com a expressão pesada e séria enquanto absorvia cada informação dada. Rachel e Peter olhavam o garoto imaginando a dor que ele devia estar sentindo ao saber de tudo aquilo, Ciel levanta-se e diz que vai para o quarto.
– Isso deve ter caído como uma bomba para ele. – fala o rapaz.
– Pois é... E agora? – diz Rachel.
No quarto, o jovem conde senta-se próximo a janela e observa pensativo o movimento da rua em frente da casa.
– Quatro servos, não é...?
***
Alguns dias depois...
– Vamos lá Ciel! Combinamos que você e Peter iriam me acompanhar no trabalho hoje!– fala Rachel perto da porta esperando Ciel de maneira impaciente.
Ciel desce as escadas usando uma calça jeans, tênis e uma camisa de malha amarela, meio emburrado por ter que ir com ela.
– Não vejo qual a necessidade de tudo isso...
– Você precisa sair mais de casa, conhecer mais pessoas... Já que está aqui precisa agir mais como os outros garotos de sua idade – fala Rachel tentando dar ânimo ao jovem conde – Além do mais, NÃO VOU DEIXAR VOCÊ QUEBRAR MAIS NADA AQUI EM CASA!
– Eu avisei que não sabia lavar louça e muito menos limpar uma casa – fala Ciel passando tranquilamente para o lado de fora da casa.
No caminho encontram Peter.
Chegando ao trabalho...
– Oh, então você trabalha em um restaurante? – fala Ciel.
– Sou uma garçonete. Esse restaurante é de um amigo dos meus pais que me deu um grande apoio depois do falecimento deles. Aqui não é nenhum cinco estrelas, mas a comida é boa e aqui é conhecido por ter um bom atendimento – explica Rachel.
– As sobremesas daqui são ótimas! – diz Peter já sentando em uma mesa disponível.
O local era um restaurante simples e até bem organizado, era um local frequentado por trabalhadores locais e até alguns empresários que estavam familiarizados com a culinária do restaurante. Minutos depois Rachel aparece já com seu uniforme de trabalho trazendo consigo uma badeja com refrigerantes e alguns salgados deixando na mesa para os dois.
– Vou começar a trabalhar, vocês podem ficar aqui enquanto isso – disse Rachel indo em direção de outras mesas.
Minutos depois Peter nota que algumas pessoas olhavam para Ciel com certa curiosidade, não sabia dizer se era por causa do estranho tapa-olho que o garoto insistia em usar ou se era seu modo refinado que chamava atenção. Isso realmente não passava despercebido, seu comportamento e sua elegância pareciam ser algo natural, tão natural quanto seu ar distante ou talvez quem sabe, de indiferença. Peter possuía muitos amigos, mas nunca conheceu alguém como ele, os traços infantis da sua pouca idade contrastavam com sua postura altiva e de aspecto voluntarioso. Era evidente o refinamento de suas ações, devia ser algo comum na época que Ciel veio, porém não nesta época. “Isso é o que era ser da nobreza?” Os demais amigos de sua idade com certeza achariam engraçado tal comportamento, porém ele não. Sentia um certo fascínio crescendo dentro de si.
– Você não é de falar muito não é, Ciel? Deve estar sendo difícil pra você... Ser “arremessado” em uma época que não conhece e viver de uma maneira mais simples... – fala Peter.
– Não está sendo nada fácil... – responde o conde pousando calmamente o copo com refrigerante na mesa.
– Você vai acabar gostando daqui, tem muitas coisas legais para fazer! Lugares para conhecer...
–Por exemplo?
– Ah, tem o parque de diversões, você vai pirar na montanha russa! – fala Peter muito empolgado – Na próxima folga de Rachel vamos levar você!
– Pirar? – Ciel muitas vezes tinha dificuldade em entender o que aquele rapaz falava.
– É, digamos enlouquecer. Ficar fora de si. – explica ele – Ah e tem também o Grand Canyon! Vou todo ano com meus pais lá, você também poderia ir! Hoje poderíamos ir ao cinema quando Rachel sair do trabalho!
Ciel surpreendia-se com a disposição que Peter tinha pra falar.
– Você e Rachel estão se dando muito bem... Já que ela vivia sozinha, vocês podem fazer companhia um para o outro – fala Peter.
– Também aprecio a companhia dela e tudo o que ela e você tem feito por mim.
– Ela me disse que você está aprendendo rápido a usar os programas do computador e a internet...
– Quero ficar a par do que aconteceu de importante ao logo desses anos. E também não deixa de ser é um bom passatempo.
– Ciel, você também quase não sorri... Tente demonstrar mais alegria! Um sorriso atrai outros sabia? – fala Peter tentando animar o garoto.
– Eu... Desaprendi a sorrir com alegria há muito tempo. – responde Ciel enquanto passava a mão, melancolicamente, em seu anel no polegar esquerdo.
– Esse anel é valioso para você. Você nunca o retira. – observou Peter. – É um exemplar único, pertenceu ao meu antecessor, sempre o uso.
– Entendo... – Peter prefere não prolongar a conversa vendo tratar-se de um assunto delicado pela expressão do garoto.
***
Já era um pouco tarde quando os três deixam o cinema, caminhavam em direção do ponto de ônibus quando Rachel de imediato reconhece os homens que tentaram assaltá-la dias atrás os seguindo; ela puxa os dois rapazes tentando desviar do caminho daqueles dois, porém em vão, pois eles já estavam em seu encalço. Russo mostra uma arma presa na cintura e aponta para que eles os sigam até um local menos movimentado.
– Sabia que se fosse paciente acabaria encontrando vocês, não esqueci o que você e sua amiguinha fizeram comigo – fala Joe mostrando uma horrível marca na orelha.
– Você atrapalhou meus planos aquela noite, não achou que ia ficar barato não é? – fala Russo se aproximando de um jeito ameaçador de Ciel.
– Não queremos confusão! Deixem-nos em paz! – grita Peter.
Ciel permanecia próximo a Rachel ficando em sua frente para protegê-la dos dois encrenqueiros.
–Vai bancar o cavalheiro valente, garoto? – fala Russo aos risos.
– Vocês dois só estão mostrando o quanto são valentes em atacar uma garota indefesa e dois homens sem chance de defesa – fala Ciel em tom firme.
– Que moleque atrevido! – esbraveja Joe que puxa Ciel pelo braço e o empurra no chão.
– Ciel!! Não toque nele seu brutamonte! – fala Rachel que tenta avançar sendo impedida por Peter que a segura pela cintura – Ele é só um garoto!
Russo dá um chute em Ciel que se encolhe diante da dor eminente.
– Esse garotinho se acha muito valente! Vejamos o que temos aqui... – diz Russo erguendo Ciel pela camisa e arrancando seu tapa-olho – E esse tapa-olho? Vai pra algum baile à fantasia, pivete?
Como Ciel não abre o olho Russo acaba desferindo uma bofetada forte no rosto de Ciel que acaba sangrando um pouco pelo canto da boca. As poucas pessoas que passavam pelo local perceberam a estranha situação e tratavam logo de apressar os passos para sair dali.
– Solte o garoto! Vou chamar a polícia! – disse uma mulher já pegando seu celular e se afastando.
– Não se meta vadia! Senão vai sobrar pra você também! – grita Joe.
Russo ao se distrair não conseguiu evitar que Ciel pegasse a arma que agora estava apontada para a sua cabeça. Ciel olhava agora nos olhos do homem que estava em sua frente, a marca púrpura do contrato acendia em uma fúria evidente assustando o homem que nunca vira algo assim. Ciel começa a falar:
1º Não desvie a atenção do seu alvo
2º Saiba com quem está lidando, e
3º Não comece algo que não pode terminar
– Me coloque no chão! – fala o jovem conde, autoritário.
Sob os olhares atentos de Rachel, Peter e Joe o jogo se inverte e Russo coloca devagar o garoto no chão, fitando-o com incredulidade.
– Seja um bom garoto e me entregue a arma.
– Não sou um bom garoto – fala Ciel dando um sorriso perverso.
– Você não teria coragem...
– Quer apostar? – fala o jovem conde engatilhando o revólver.
Russo suou frio com a atitude do menino, estava à sua mercê. Uma palavra errada ou um movimento brusco poderia ser fatal diante daquela criança raivosa. Ciel rapidamente percebeu o quanto Rachel e Peter estavam assustados e ponderou que o melhor a fazer era não se expor apesar de estar evidente o quanto desejaria descarregar o revólver naquele homem que ousou encostar suas mãos imundas nele. Os três jovens escutam o barulho da viatura policial se aproximando.
– Ajoelhem-se! – Ciel fala firme com os dois que se ajoelham rapidamente – Peter venha aqui.
O jovem se aproxima sem entender o que poderia fazer. – Dê um soco bem forte em cada um!
– O quê?! – Não podemos ficar até a polícia chegar, teríamos que dar explicações sobre tudo. Talvez inclusive da minha história, seria perda de tempo e talvez tivessem que chamar seus pais. Faça esses dois desmaiarem e vamos embora! Rápido! – explica Ciel.
A calma do garoto, o raciocínio rápido assim como sua frieza impressionaram Peter que acatou a ideia rapidamente.Peter não era o mais forte do time de basquete da escola, mas com certeza os anos de treino fez muito bem a ele.
Peter acerta em cheio a face de Joe que cai imediatamente, com Russo teve que ser dois socos. E assim os três vão embora deixando para trás os dois desmaiados junto as suas armas para a polícia.
Rachel, Ciel e Peter não notaram, porém desde o início estavam sendo observados por três homens a uma certa distância. Preferindo olhar o desenrolar da situação até o fim, os olhos completamente negros e impuros analisavam a cena esboçando, cada um, um sorriso malicioso e seguem em direção à cidade.
Fale com o autor