Esse Jovem Conde, No Século XXI!
20 Revelações e escolhas
Notas iniciais
Frases aqui acolá de Kuroshitsuji mangá e de Supernatural (contexto diferenciado). Em algumas das falas usei frases (poucas mesmo) da série Hannibal, achei que casava bem com o momento.
Obrigada a LRC, Zerochann, Yume Ashissu e LovelyDeath por também favoritarem minha fic!
Obrigada pela recomendação Mikl! Valeu mesmo!! Espero que continue gostando da fic.
Antes
– Jovem mestre? O que há de errado? – perguntou Sebastian ao ver o garoto tossindo compulsivamente.
– Garoto qual é o problema?? – pergunta Sam também surpreso.
Ciel perdeu um pouco as forças e caiu ajoelhado no chão tossindo muito e respirando cada vez mais rápido e com dificuldade, levou uma das mãos ao peito apertando o tecido da blusa...
Agora
Início da tarde...
– Acredito que conseguimos pegar todas as imagens das câmeras de segurança a tempo. – fala Sam. – Ninguém saberá o que aconteceu de verdade naquele hotel.
– Espero que sim. – Dean estacionou o impala em frente a um hospital e os dois irmãos saem do carro juntos com Castiel.
– Isobel está conseguindo muitos demônios para seu lado, parece até que está criando um pequeno exército particular. Mas para qual propósito? – Castiel falava se questionando enquanto caminhavam na direção da porta principal do hospital.
– Isobel parece ter planos maiores além de uma vingança por dor de cotovelo. – Dean responde.
Dentro do hospital pedem informações e por fim acham Sebastian ao lado da cama hospitalar em que o conde está.
– Asma...? – questiona Dean.
– Foi o que o médico informou. Apesar de ter estado com ele por três anos e agora desde que ele reapareceu nunca o tinha visto nessas condições. – Sebastian informa.
– Entendo... Uma crise asmática, dentre outros motivos, pode ser causada também por mudança de temperatura, períodos de estresse... – Sam explica.
Os quatro olham para Ciel que já tinha sido medicado e agora dormia ainda com um pouco de febre e se afastam mais para deixar o garoto descansar. Próximo da porta do quarto os quatro permaneceram calados, os dois caçadores avaliavam a situação e lembravam o quanto o akuma parecia verdadeiramente preocupado ao ver seu mestre passando mal sem nada poder fazer a princípio quando com uma rapidez sobrenatural o pegou nos braços e saiu em disparada pela avenida para o hospital mais próximo. De frente para o quarto Dean passa uma das mãos no cabelo visivelmente chateado e de certa forma preocupado com o conde. Depois que duas enfermeiras passam por eles Dean olha para o mordomo e questiona – Pensei que fosse mais esperto. Seu radar demoníaco está falhando ou o quê?
Sebastian o olha nos olhos e retruca – De fato subestimei Isobel. De alguma forma ela conseguiu se aproximar sem que a notasse, mas pode ter a certeza que isso não acontecerá novamente.
– Sei... E por causa dessa sua autoconfiança muitas pessoas inocentes morreram hoje naquele hotel.
– Sr. Winchester, não que me importe, mas acredito que já tenha percebido isso... Isobel está longe de ser uma bruxa convencional do tipo que você e seu irmão estão acostumados a lidar.
Dean ia responder, mas um médico ia passando e olha pra eles amontoados em frente ao quarto de forma que percebem que estão fazendo barulho. Dean faz um sinal com a cabeça para se direcionarem para outro local e conversarem melhor, Castiel permaneceu no quarto com Ciel.
Por sorte a cafeteria do hospital não estava cheia. Os três estavam sentados, os dois caçadores com os braços cruzados apoiados na mesa ficaram de frente para Sebastian, o olhavam de forma inquisidora enquanto o akuma revezava seus olhos carmesins entre os dois caçadores de forma até um tanto indiferente.
Dean começa a falar – Essa bruxa ruiva aprontou uma das grandes hoje. Todas aquelas pessoas no hotel... – Dean olha para Sebastian que estava com uma expressão insondável e continua – Você não se importa não é? Todas aquelas pessoas foram mortas inocentemente. – Dean eleva um pouco a voz enquanto Sebastian continua a ouvir calado olhando seriamente para o caçador. – Isso não é do meu feitio, esses últimos dias parece até que estamos cooperando com você ao invés de caçá-lo e isso é irritante!
– Não pedi ajuda a nenhum dos dois e muito menos do seu anjo da guarda particular – responde o mordomo asperamente, porém continua como que analisando a situação – Mas admito que é conveniente. Vocês dois são caçadores experientes e alguns dos poucos que merecem respeito, além disso o jovem mestre parece admirar um pouco vocês também.
– Ora seu... – Dean ia começar a xingá-lo.
– Senhores, por favor. Estamos em um hospital. – um enfermeiro interrompeu a conversa chamando a atenção dos três e logo foi embora. Depois que o enfermeiro saiu os três voltaram a se olhar de forma nada amistosa.
Sam prosseguiu – Não fazemos isso por você. Mas não vamos simplesmente deixar você agir sozinho pra fazer o que bem entende.
– Não se preocupe agora eu estou encoleirado. – o akuma ergue sua mão esquerda mostrando o selo do contrato. – Sou fiel em cumprir as ordens de meu mestre.
– Sei... As ordens de um garoto de treze anos, muito confiável. – Sam retruca com sarcasmo. – Não pense que abaixamos a guarda pra você.
– O que você faz é bancar o bom moço na frente de todos, para ganhar a confiança das pessoas em sua volta sussurrando mentiras e mais mentiras. Você é um demônio e como outro qualquer você é um maldito manipulador, sempre querendo tirar vantagem das pessoas. – Dean fala de forma raivosa.
– Sua raça é corrupta e fraca. Você só precisa empurrar os humanos na direção certa e eles vão direto para o inferno com um sorriso no rosto. – Sebastian revida.
– Nem todos são assim, há muitas pessoas de boa índole... O desespero às vezes pode fazer uma pessoa ir pelo caminho errado, mas... – Sam foi interrompido por Sebastian.
– Assim como vocês dois? (Dean vendeu sua alma a um demônio da encruzilhada em troca da vida de Sam (2ª temporada), o caçador mais novo também tentou o mesmo para resgatar Dean do inferno, mas nenhum demônio quis fazer o pacto com ele) – Dean e Sam se entre olham, porém Sebastian continua – Humanos não conseguem resistir à tentação. Quando estão mergulhados nas profundezas do desespero, como no inferno, irão se segurar em qualquer coisa que os ajude a sair da situação em que estão, mesmo que seja uma mera armadilha de aranha.
– Essa é a opinião de um demônio, sem qualquer valor para mim. – Dean rebate.
– Ora, só estou sendo sincero como qualquer um. – o mordomo revida.
– Sincero? Isso eu não acredito. Demônios são mestres na mentira e persuasão. – Sam retruca.
– Um dos termos do contrato é que jamais devo mentir. E cumpro isso, sempre.
– Aí está! Este que está aqui na minha frente é só mais uma versão sua. Como uma casca de personalidade feita sob medida. – Sam explicou sustentando o par de orbes castanhos esverdeados na face do akuma. – Não tente bancar o bonzinho porque isso sabemos que você não é.
Sebastian permaneceu calado apenas com um sorrisinho um tanto cínico nos cantos da boca.
...
Ciel abriu os olhos lentamente e viu Castiel ao seu lado.
– Estou com sede... — Ciel tossiu um pouco.
Castiel pegou um copo com água para o conde.
– Onde está Sebastian?
– Conversando com Sam e Dean.
Um médico entrou no quarto junto com uma enfermeira e com mais duas pessoas que não usavam jaleco. Quando entraram no quarto se depararam com Castiel ao lado do garoto.
– A febre está mais branda agora. – disse o médico depois de analisar Ciel. – Descanse um pouco mais e logo poderá ir.
– Quem é você? Um parente? – um homem magro de descendência asiática usando terno, de estatura mediana aparentando uns 40 anos questiona o anjo.
– Ele é um amigo. – Ciel respondeu ao ver a hesitação de Castiel em responder, então mentiu por ele.
– Sei... – o homem não pareceu acreditar muito. – Foi este homem que trouxe o garoto para cá?
– Não foi ele. – a enfermeira respondeu prontamente. – Foi um homem mais alto, de cabelos negros.
O homem de nome Michael Baker continuava a conversar com a enfermeira e o médico. Ciel estava sentado na cama e encostou-se no travesseiro observando tudo o que se passava em sua volta assim como Castiel que também estava atento a tudo. A mulher de cabelos ondulados e pele cor de jambo se aproximou e se sentou na cama próxima a Ciel – Olá, meu nome é Melissa Phorbes. Qual o seu nome?
– Ciel Phantomhive. – respondeu o conde analisando a mulher que se aproximou dele de maneira tranquila esboçando um sorriso calmo e sincero. Ela tinha mais ou menos uns 38 anos e estava usando um terno feminino escuro.
– Está se sentindo melhor agora?
– Sim.
– Ciel, estou aqui para conversarmos. – ela falava com o garoto de forma gentil e educada. – Você chegou aqui com uma crise asmática. A pessoa que o trouxe ao preencher a ficha do prontuário de atendimento nos deu poucas informações. Ao que parece ele não é um parente seu. Quem ele é?
– Meu servo particular.
– Servo? Um empregado no caso?
– Sim. Mordomo mais precisamente.
Melissa parecia intrigada – E os seus pais?
– Morreram.
– Algum outro parente que possamos informar onde você está?
– Não. – Ciel olhou bem para a mulher e perguntou – Por que tantas perguntas?
...
Na cafeteria a conversa se prolongava...
– Acredito que Isobel sabia muito bem onde encontrá-los. Vocês deram muito na vista, ficar na suíte de um dos hotéis mais caros da cidade não foi uma boa ideia, você a subestimou demais. O pouco que sei sobre vocês dois está na cara que o primeiro lugar que ela iria procurar era um lugar assim.
– Por mais que queira negar devo dizer que tem razão. Ela sabe minhas preferências e sabe que o jovem mestre também tem gostos refinados.
– Então, para evitar mais mortes desnecessárias faça o favor de escolher um local mais seguro para todos. – Dean fala esboçando um falso sorriso que foi retribuído da mesma forma por Sebastian.
– Antes de vermos a notícia do incêndio no hotel estávamos tentando obter mais informações a respeito da bruxa ruiva. – Sam interrompe a disputa de sorrisos forçados dos dois – Descobrimos que ela mantém esse mesmo corpo há séculos e vimos umas fotos antigas de bailes da elite inglesa em que ela está.
– Teve que pesquisar muito para descobrir somente isso? Bastaria ter me perguntando que teria dito isso a vocês. – Sebastian falou com sarcasmo e agora foi a vez de Sam esboçar um sorriso forçado de desdém para o akuma.
...
Michael e Melissa conversavam agora mais afastados junto com o médico tentando não transparecer o teor da conversa para Castiel e Ciel.
– A crise já passou. Ele só precisa descansar, por sorte ele não inalou fumaça no incêndio do hotel. – informou o médico. – Não sei se o que informamos a vocês é correto ou não, mas já que estão aqui poderiam averiguar melhor.
– Sim, obrigado por nos informar, a partir daqui assumimos. – Michael se despede do médico que deixa o quarto e questiona Melissa – O que você achou dele?
– Um garoto muito inteligente e um tanto arrogante. Mas ainda não consigo identificar se está me dizendo a verdade ou não. As informações que a pessoa que o trouxe deu combina com o que ele disse. – Melissa disse pensativa – Bem, vamos tentar conferir o que nos foi informado pela enfermeira e o médico, dependendo do resultado faremos o possível para impedir qualquer outro dano.
Melissa caminhou até Ciel e Michael até Castiel.
– Sr. Castiel, conhece Ciel Phantomhive há muito tempo? – Michael questionou enquanto guiava Castiel para fora do quarto, deixando assim Melissa e Ciel conversando a sós.
– Hã? Bem...
E continuaram a conversar...
...
Ainda na cafeteria...
– Já lhe passou pela mente que não confiamos no que você nos diz? – Sam fala em tom provocativo. – Você é um demônio.
– Como se eu também fosse confiar em dois caçadores. – o demônio revida.
– Que bom que deixamos isso claro. – Dean falou e os três permaneceram em um breve silêncio. Àquela hora já não tinha quase ninguém na cafeteria do hospital, as poucas pessoas que estavam nas outras mesas ficavam também concentradas em suas próprias conversas ou em seus laptops.
– Vocês poderiam ficar com meu jovem mestre por uma hora?
– Agora confia na gente? – Dean fala meio debochado.
– Podem ou não?
– Para onde você vai? – Dean pergunta.
– Preciso me precaver.
– Como assim? – Sam questiona.
– Vou buscar algo que impeça aquela mulher de descobrir onde meu mestre e eu estamos.
– Como o quê? – Dean pergunta.
– O que é melhor para afastar uma bruxa do que uma bruxaria? Fogo contra fogo pode ser uma boa opção.
– Que ótimo. Mais coisas de bruxas e demônios. Muito confiáveis. – Dean fala ironizando.
Antes de sair Sebastian direciona seu par de orbes carmesins ao caçador mais novo – Se quer perguntar alguma coisa, pergunte.
– O que aquele demônio disse no hotel é verdade? – Sam encarava Sebastian com uma expressão bastante séria.
...
– Seu sotaque não é daqui, você é britânico? – Melissa pergunta a Ciel.
– Sim.
– Está há quanto tempo na cidade? – Melissa tentava fazer Ciel ter mais confiança nela ao mesmo tempo em que tenta obter mais informações de maneira casual.
– Cheguei aqui no mês passado. Mas você não me respondeu, por que tantas perguntas? – Ciel tossiu novamente e olhou nesse momento para Castiel que estava próximo à porta do quarto conversando com Michael, parecia tranquilo quanto àquelas pessoas, então deduziu que eram humanos normais.
– Só quero conhecer você melhor. Acho que posso ser uma boa amiga para você.
– Amiga? Humph. Não responderei mais nada até que seja clara comigo.
Melissa esboçou um pequeno sorriso, estava na dúvida se achava graça no comportamento desconfiando do garoto ou da forma como ele tentava fazê-la cooperar. Analisou bem a expressão do menor e constatou que era um garoto esperto e que não iria liberar mais informações sem obter alguma em troca também, de certa forma um pequeno manipulador.
– Tudo bem, então. Sou uma assistente social, assim como meu colega ali. Estamos aqui no hospital conferindo um caso de uma criança que estamos acompanhando e acabamos sabendo da forma que você chegou aqui no hospital.
– Assistente social?
– Entre outras coisas cuidamos da segurança de crianças e adolescentes.
– E o que querem comigo?
– Queremos saber se você está bem, dada às circunstâncias que chegou aqui. A enfermeira achou melhor me avisar sobre você já que chegou aqui sem ser por parentes e por causa...
– Por causa... ? – Ciel tentou fazê-la continuar.
– Bem, você é um garoto esperto e parece um pouco mais maduro para a sua idade... Tanto a enfermeira quanto o médico acharam estranha essa marca em seu olho direito, essa que você tenta esconder com o cabelo na frente, ela é semelhante a que seu mordomo tem na mão esquerda pelo que a enfermeira e o médico disseram.
De manhã Ciel acabou não colocando o tapa-olho que costumeiramente usa e com o incêndio que teve no hotel acabou esquecendo de vez desse detalhe tão importante. O conde a olhava seriamente, porém nada disse só continuou a ouvi-la.
– A princípio acharam ser uma lente de contato. Mas não é o que parece.
– Lente de contato...? – Ciel repetiu as palavras sem entender o seu significado.
– Essa marca parece ter sido feita diretamente no seu olho direito... Você deve ter sofrido bastante... – Melissa falou em quase um murmúrio, tentando compreender o que se passou. – Ciel, pelo que falou e a forma que se comporta claramente você é de uma família com posses. Você disse que seus pais estão mortos. Quem é responsável por você?
O conde permaneceu em silêncio, deu um suspiro enfadonho e por fim respondeu – Meu mordomo.
– Entendo... – Melissa parecia refletir sobre as informações. – Muitas famílias ricas possuem criados dedicados e de confiança. Mas você ainda não respondeu por que tanto o patrão quanto o empregado tem as mesmas marcas em seus corpos. – a assistente social fazia o possível para que o jovem em sua frente confiasse o bastante nela para falar com segurança – Ciel, você quer me contar alguma coisa?
...
– Pode me olhar do jeito que quiser. Mas não negarei o fato. – Sebastian responde fitando Sam tranquilamente e com ar confiante.
Dean ia esbravejar quando um médico passou, conteve mais sua voz e por fim falou – Cara, você é um tremendo de um sacana! Ele é só um garoto humano, você é um demônio, isso foi algo muito baixo.
– Por que você não relaxa caçador?
– Por que você não vai se ferrar?
– Ora, acho que no mínimo podemos tentar ser educados um com o outro.
– Educados? Estou diante de um maldito demônio em pele de um mordomo almofadinha e você espera que seja educado com você? Ah, e fazer o que você fez com o garoto foi educado? – Dean elevou um pouco a voz
Sebastian se aproxima mais da mesa apoiando seus braços e olha bem nos olhos verdes do caçador – Não lhe devo explicações. O único a quem devo qualquer tipo de explicações é ao meu mestre.
– Você está se aproveitando da pouca experiência dele para tirar vantagem isso sim! O garoto não tem um adulto por perto que o oriente, você o cerca por todos os lados para que o único que ele veja seja você.
– O que posso fazer? – Sebastian fala com um dar de ombros e se encosta novamente na cadeira tranquilamente – Meu desejo de monopolizar é muito forte.
– Escute bem. Se aquele garoto uma vez que seja me pedir ajuda eu não vou hesitar em livrar ele das suas garras. – fala Dean em tom bastante sério.
– Está me ameaçando, caçador? – por alguns segundos os olhos de Sebastian adquiriram o tom rosado demoníaco e as pupilas em fenda, o akuma falou com uma calma assassina. – Sei todos os seus truques e posso localizá-los em qualquer lugar que possam ir. Não escapariam de mim tão facilmente.
– Quem está ameaçando quem? – Dean retruca sem desviar os olhos do demônio.
– Você sabe que em nossa época atual o que você fez é um crime dos grandes – Sam interrompe e continua – Não é fácil pra gente saber o que está acontecendo bem diante dos nossos olhos e ficarmos quietos.
– Compreendo o que quer dizer... Os tempos mudaram. Casos como esse passariam talvez despercebidos pela maioria das pessoas a séculos atrás.
– Não estamos na Idade Média, seu maldito! – Dean esbraveja.
– Shhh... Estamos em um hospital, caçador. – Sebastian falou com o dedo indicado nos lábios pedindo silêncio – Quer ser chamado a atenção novamente? – Sebastian falava ao mesmo tempo em que direcionava um olhar de escárnio ao Winchester mais velho que parecia fuzilá-lo com os olhos. – Se não fosse pela boca grande daqueles malditos demônios de classe baixa... Esses tipos adoram expor os segredos dos outros. – Sebastian continuou a falar como se fosse algo até banal. Na verdade ele não se importava em manter segredo sobre o que se passou entre ele e o conde, mas sabe que o garoto não gostou nada que outros soubessem e isso poderia ser um incomodo futuramente dada a personalidade do menor.
Dean se exaltou mais e estava a ponto de gritar com o akuma novamente. A forma como o demônio lidava com o tema era difícil para os dois caçadores engolirem.
– Quanto ódio. Planejam me matar? – Sebastian provoca e volta seu par de orbes carmesins para Dean que claramente estava mais nervoso – Acha que uma arma tão simplória como essa faca daquela demônio Ruby seria suficiente para acabar comigo?
– Quer pagar pra ver? – Dean ameaçou.
– Quando quiser.
...
– Não tenho nada a dizer, srª Phorbes. – Ciel respondeu tranquilamente.
– Tem certeza? – Melissa questionou o garoto em sua frente, não sabia se o garoto estava se fazendo de forte ou se a postura dele era arrogante mesmo. – Só estamos preocupados com seu bem estar. Sou acostumada a lidar com todo tipo de situação.
– Sim, não tenho nada a dizer. – falou o conde com o semblante sério apesar de vez outra levar a mão à boca por causa da tosse que insistia em incomodá-lo.
– Gostaria de conversar com seu responsável.
– Sebastian pode ser o adulto responsável, mas quem dá as ordens sou eu. – Ciel falou em tom arrogante. – Eu sou o mestre. Qualquer coisa que perguntaria a ele pode perguntar para mim.
– Mesmo assim, preciso conversar com ele.
...
Discussão vai, discussão vem...
– Não é a sua espécie que mistura as coisas há séculos? Eu só não estou fazendo a separação por gênero. Já escutei pessoas dizendo que amor não escolhe sexo ou idade e é isso que estou fazendo.
– Como é que é? Então você está dizendo que está apaixonado por aquele garoto ranzinza? – Sam pergunta completamente surpreso. – Nunca imaginei que era... tão sério o que estava acontecendo.
Diante do silêncio do akuma Dean solta uma risada provocativa – Um demônio com sentimentos. Essa é boa! Há um monte de gente que poderia discordar de você.
– Ora, e por que não? Vocês mesmos são testemunhas que o impossível às vezes acontece.
– Isso já é loucura demais! Não acha que vamos cair nessa de demônio apaixonado, não é? – Dean fala com seu tom de ironia de sempre. – Muito menos vamos aceitar isso.
– Não preciso convencer vocês de nada e muito menos preciso da aprovação dos dois.
Dean e Sam continuaram a olhar para o demônio de forma indagativa, acreditar nisso era algo um tanto surreal. Até para eles.
– Esse mundo tá perdido... – Dean murmurou com os olhos um tanto arregalados e balançando de leve a cabeça em negação.
...
Quase meia hora depois Sam e Dean chegaram ao quarto em que Ciel está com Castiel.
– Onde está Sebastian? – Ciel pergunta.
– Foi resolver uns assuntos e chegará logo. – Dean responde e depois pergunta ao vê-lo tossir um pouco – Está se sentindo melhor?
– Sim.
Sam e Dean foram informados por Castiel sobre as duas pessoas que estavam há alguns minutos no quarto. Dean se aproximou da cama de Ciel enquanto Sam e Castiel conversavam mais do lado de fora do quarto.
– Dia difícil hein garoto? – Dean falou puxando assunto com o conde enquanto se sentava na cama próximo do garoto.
– Dias difíceis, para ser mais exato. – Ciel respondeu sem direcionar seus olhos para o caçador, estava encostado ao travesseiro com o semblante sério e pensativo.
Dean olhou bem para o rosto de Ciel. Não fosse por tudo o que sabe a respeito do menor nunca imaginaria que aquele menino de traços bonitos e postura orgulhosa era o alvo de uma maldita bruxa antiga e seus lacaios demônios. Passaria por um garoto rico e bem educado (tá, arrogante também) e completamente normal não fosse aquele pentagrama em seu olho direito que marcava tanto seu olho como também sua alma. O caçador soltou um suspiro enfadonho, olhou para as paredes brancas do quarto hospitalar como que buscando as palavras corretas.
– Você passou por muitas coisas desde que chegou aqui... Não, antes mesmo de chegar aqui... Sua vida não é nada fácil. – Dean falou em tom sério, sem nenhum sarcasmo ou ironia em sua voz, muito menos falou em tom de reprovação dado o que já sabia a respeito do jovem conde. Quanto a Ciel, se limitou a ouvir. – Sabe, tanto eu como meu irmão também já passamos por muitas coisas, desde nossa infância até agora. Não temos nenhum outro parente vivo, não temos amigos a não ser Bobby que é como um pai para nós... Sam e eu continuamos o que nosso pai começou e nos ensinou, continuamos de onde ele parou. Salvar pessoas, caçar coisas, o negócio da família... Então, sei que você não está nessa por que quis, deve ter sido muito difícil estar onde esteve e chegar aonde chegou.
Ciel continuou a olhar e ouvir o que o caçador dizia com atenção e por fim falou com um dos seus sorrisinhos sarcásticos, daqueles que se usa quando simplesmente tentamos disfarçar o que poderia vir à superfície – Você está tão gentil que está até me dando calafrios, Dean.
Nesse momento Sam e Castiel entraram novamente no quarto e ouviram o restante da conversa. Dean sorriu de relance – Não se engane, não estou passando a mão na sua cabeça, nem o vejo como coitadinho, só estou dizendo que compreendo o que é ser refém de nossas próprias escolhas. Você poderia ter tido uma vida feliz, poderia ter tido uma vida bem diferente da que tem agora e isso foi tirado de você.
– Não sei se teria uma vida feliz ou não. Talvez teria uma vida comum. – Ciel falou.
– O comum não é ruim.
– Não, não é. – Ciel soltou um suspiro melancólico – Mas também só por ser um Phantomhive minha vida já estava fadada a não ser nada comum.
Dean olhou para o garoto em sua frente, apesar da aparente fragilidade às vezes o menor parecia mais um adulto do que um adolescente recém-chegado a puberdade. – Sabe, às vezes você não parece ser um pirralho mimado.
– Nem você um idiota narcisista. – o garoto tossiu um pouco novamente, os dois se olharam e deram de ombros, depois o conde voltou a falar – Eu poderia ter sido um pirralho mimado se... aquele mês não tivesse existido... – Ciel falou em quase um sussurro, relembrando o momento exato em que chegou à mansão e o desespero que sentiu ao encontrar sua família morta, relembrou o momento que foi pego e depois de tanto tempo sendo machucado e torturado seu ódio por seus torturadores culminou na convocação acidental de Sebastian. Ele, então, fez um contrato com o demônio e ordenou que ele matasse todas as pessoas na sala, fazendo o acordo de sua alma em troca de vingança por todos que o maltrataram e ainda estavam vivos. Ciel levou a mão até seu olho direito e continuou – Minha família foi assassinada, minha casa incendiada, e passei por humilhações e sofrimentos que nenhum animal suportaria. Eu era criança e fraco. Por isso voltei para meu lugar de direito. Para fazer com que os responsáveis passassem pela mesma dor da humilhação que me fizeram passar.
Sam, Dean e Castiel ouviam tudo atentamente em silêncio, era a primeira vez que o menor falava abertamente sobre sua estória para eles, e de uma maneira tão franca.
– Se os Phantomhive eram uma ameaça ao grupo que matou meus pais, era muito provável que eles voltassem mais uma vez para tentar me assassinar. Já que tinha me tornado o patriarca da família. E eu estava esperando que viessem me matar. Estava preparado para isso.
As palavras duras do garoto pareciam perfurar a mente dos dois caçadores, todos têm seus problemas e razões para serem o que são. Ouvir isso da boca de uma criança às vezes os fazia pensar quem eram os verdadeiros monstros na realidade. Que algumas pessoas se comportam mais como demônios do que humanos propriamente.
– Eu até compreendo que o que se passou com você foi... perverso. Mas a vingança não o levou a nada. A vingança só o destruiu. – Castiel falou com a expressão um tanto pesarosa.
– Você não é humano, você nunca sentiu fome, nunca sentiu sede, você nunca se sentiu pequeno e fraco, nenhum humano seria capaz de feri-lo, então não me diga que compreenderia se sua natureza não é capaz disso, não é capaz se sentir dor como nós.
–Não, mas sou capaz de me compadecer com a dor. A dor do próximo pode ser também a minha dor. – Castiel completou.
– E de que adianta ficar se lamentando sem fazer nada? Qualquer um pode ficar parado, até um morto. – Ciel falou olhando bem para o anjo. – Mas eu estou vivo e de pé com minhas próprias pernas. De um jeito ou de outro, vamos todos virar pó um dia. Então, prefiro morrer sem arrependimentos.
– Você se permitiu corromper pelo ódio das pessoas que o feriram... ódio das pessoas que mataram sua família. Vingança e ódio são sentimentos tolos. E pelo que sei nenhum dos dois nunca trouxe total satisfação a qualquer humano. Acha que será diferente com você? – questionou o anjo.
– Eu não sei. – Ciel falou de forma um tanto indiferente.
– Além do mais as pessoas que mataram seus pais e feriram tanto seu corpo quanto seu orgulho não existem mais.
–Sim, não existem mais... E Isobel foi a responsável por isso, ela tirou isso de mim. – Ciel apertou as mãos enquanto falava em uma expressão de raiva – Nunca a perdoarei por isso! Esse é um jogo para saber quem será o vencedor e eu irei destrui-la completamente.
Sebastian chegava trazendo um pequeno pacote e entrou silenciosamente no quarto, tinha ouvido claramente boa parte da conversa e preferiu não interrompê-la, os olhos do akuma não cansavam de ver esse lado de seu jovem mestre, a forma como a pequena figura dava as costas para a luz sem hesitação sempre o surpreendia.
– Eu não irei parar. – Ciel falava seriamente – Não abandonarei o meu ódio. Eu não irei me arrepender de movimentos que me auxiliaram a prosseguir. Não irei perdoar falhas! Entendeu Sebastian? – o menor encarava o akuma com altivez.
Dean que a essa altura da conversa já estava em pé ao lado do irmão fitava, assim como Sam e o anjo, a expressão severa de Ciel que acompanhadas com aquelas palavras não pareciam mais de um garoto de treze anos que falava.
– Sebastian continuará a ser meu escudo e minha espada!– Ciel sentou-se na lateral da cama de modo que ficou de frente para o akuma e continuou a falar de forma firme e autoritária – Isto é uma ordem. Você nunca irá me trair. Você nunca deverá sair do meu lado. Não importa o que aconteça.
A marca púrpura do contrato no olho direito de Ciel brilhou e o mordomo deu um sorriso diabólico enquanto se curvava em uma reverência com um dos joelhos no chão, ergueu a mão esquerda a levando ao próprio peito e disse orgulhoso – Yes, my lord. – Sebastian ergueu-se e em confirmação à ordem dada completou – Se for o que você deseja, eu irei te seguir a todo lugar.
Os dois, mestre e akuma, em silêncio trocavam olhares de aprovação pelo que um ouviu do outro. Os dois caçadores e o anjo observavam a cena, concluíram que nada poderia ser feito. Tudo já tinha sido decidido.
– Sebastian me falou toda a história de vocês, de como chegaram até aqui... – o conde voltou a olhar para os Winchester – Dean, você achou que estou nessa não por que quis, mas tanto eu quanto você e seu irmão fizemos nossas escolhas. Nesse quesito não sou diferente de vocês. Quando as escolhas e oportunidades aparecem devem ser seguradas firmes diante do nosso propósito. Mas agarrar ou não a chance depende de cada um.
Dean e Sam permaneceram calados assim com Castiel. No momento estavam exaustos, tinha sido uma manhã difícil. Tentar argumentar com ele agora não parecia ser algo nada fácil.
– Cansei dessa conversa. Sebastian, vamos embora daqui, precisamos encontrar uma forma de acabar com a raça daquela bruxa ruiva o quanto antes.
– Sim, milorde.
Apesar da tosse persistir Sebastian cuidaria do que fosse preciso e necessário para a plena recuperação do menor, então deu os últimos retoques nas roupas do conde para poderem sair. Caminharam tranquilamente um ao lado do outro pelos corredores do hospital até a saída assim como os caçadores e Castiel.
Dean entregou um celular na mão de Ciel – Caso precise falar comigo ou com Sam nossos números estão salvos na discagem rápida. Qualquer coisa é só nos chamar. – Dean foi embora não sem antes olhar de forma inquisidora para o akuma que não fez caso disso. Seguiram por lados opostos para depois retornarem o contato e à caçada contra Isobel.
...
Minutos depois os dois assistentes sociais voltaram ao quarto que agora estava vazio. Buscaram imagens na câmera de segurança para tentar identificar o responsável pelo garoto que saiu sem falar com eles.
– Esse garoto pode estar sendo vítima de maus tratos ou abusos. – Michael falou em tom de alerta para Melissa.
– Na maioria das vezes em agressões sexuais a marca da mordida tem uma mancha roxa no meio, um hematoma de chupada. Em alguns casos não tem. Mas claramente foi isso que vi. – disse a morena. – Seria bom investigar mais para descobrirmos o que está acontecendo com esse garoto.
– Srª Phorbes, tem algo estranho aqui, veja. – falou o segurança responsável pelas câmeras de segurança.
Quando começaram a rever as imagens gravadas no circuito de câmeras de segurança do hospital todas as imagens em que aparecem Sebastian estavam desfocadas e distorcidas, ficando impossível reconhecer os rostos de todos que estavam junto com Ciel enquanto ele ficou no hospital. (Será melhor assim? Quem sabe...).
***
Início da noite...
Longe dali Isobel estava impaciente, andava de um lado a outro sendo observada por um par de olhos prateados. Nicolas estava parado encostado na parede observando Isobel já fazia um bom tempo, vez outra a ruiva jogava algum objeto no chão e esbravejava.
– Você se expôs demais. – disse o akuma que logo depois desvia a cabeça de um vaso que foi arremessado na sua direção. – Ora, está descontando em mim? Que frustrante, não? – o akuma deu um meio sorriso desdenhoso.
– Como ele ousa me trocar por um garoto?? Um humano?!
– Quanto a isso não faço ideia. – Nicolas se direcionou ao bar na luxuosa sala, lá pegou uma garrafa de Whisky das mais caras que estavam ali e colocou um pouco em um copo, bebeu puro em um gole só. Voltou a olhá-la pelo canto do olho e com um sorriso provocativo disse – Algo de interessante ele deve ter. – colocou mais da bebida no copo e virou o líquido na boca, deixou o copo no balcão do bar e caminhou em passos elegantes e calmos na direção da ruiva que parecia já estar se cansando do próprio teatro que fazia. A olhou por cima de uma maneira até debochada e segurou firme seus longos cabelos ruivos pela nuca forçando a bela mulher a direcionar suas orbes verdes ao encontro de seus frios olhos prateados. Isobel tentou se desvencilhar, mas o demônio a segurava firme – Acho curiosa a forma como você diz “humano”. Parece que esqueceu que você também já foi uma humana. Você não passava de uma bruxinha simplória até que vendeu sua alma para se tornar o que é hoje. – Nicolas cheirou os cabelos da ruiva enquanto ela o olhava com ódio por suas palavras – Você foi torturada até perder por completo sua humanidade. Esqueceu disso? – O akuma aproximou seu rosto do dela, seus olhos frios demoníacos analisavam suas reações, olhos que seriam incrivelmente assustadores para qualquer humano ou até demônio, irritada a ruiva o encarava, a míseros centímetros de distância ele a olhava por cima, com um olhar de escárnio. – Lembro-me claramente que vendeu sua alma para não morrer de fome ou por causa da peste. E agora está aqui se lamentando pelo demônio que causou a sua queda. Que curioso... E patético. – a ruiva nada disse só desviou o olhar do par de orbes prateados inquisidores e desafiadores.
Isobel se desvencilhou do demônio e se afastou sob seu olhar atento, sentou em uma poltrona confortável, cruzou as pernas e ficou imóvel, estava com a expressão irritada e pensativa. “Curioso e patético”, aquelas palavras pareciam apunhalar sua mente. – Tsk... – Aquele maldito demônio sabia muito bem o que dizer para atingi-la. Nicolas, obviamente, não se importava em nada com Isobel e muito menos fazia caso de seus planos e vingança, seu ritmo de existência apenas não o desagradava, eles eram amantes ocasionalmente, nada exclusivos um do outro. Quando não estava servindo em algum contrato vez outra se encontravam e juntos causavam um bom estrago, por capricho algumas vezes a ajudava em suas artimanhas, nada demais, e essa última com certeza o agradava. Roubar a refeição de outro akuma nem lhe passava pela cabeça, mas acabou cooperando quando a ruiva fez o feitiço que trouxe o conde para o futuro, sendo dele as mãos que agarraram com precisão o menor o puxando para pleno século XXI. Nicolas estava longe de ser um simples lacaio da bruxa demônio, mas com prazer fazia alguns favores em troca de almas que ela habilmente conseguia ou por puro prazer de se livrar da mesmice que a rotina eterna às vezes lhe pregava.
Sim, Isobel já foi humana. Sua existência demoníaca começou na Idade Média, a peste negra foi o estopim que faltava para levá-la ao lado negro da existência. Nunca tinha sido uma boa pessoa, isso era um fato. O lado obscuro sempre a atraiu, por anos andava na corda bamba, até que por fim cedeu por completo à escuridão e se afastou da luz. Para não sucumbir à fome e a morte pela doença que dizimou um terço da população europeia fez uma escolha, escolha essa que não dava cabimento para arrependimentos. Posteriormente sofreu todo tipo de tortura no inferno e perdeu completamente qualquer resquício de sua humanidade a não ser pelo corpo que a base de feitiçaria de alto nível (do tipo que pouquíssimos bruxos conseguem) a custo conseguiu recuperar quando pôde retornar ao mundo humano.
E que contradição, acabou se envolvendo com o demônio que causou seu fim humano ao lançar tal epidemia na Europa há séculos atrás. Por ser uma bruxa demônio obviamente isso não importou mais. Amor entre demônios isso era claramente impensável. Afinidade? Talvez essa fosse a palavra correta a seu ver. Encontrou naquele akuma uma afinidade sem igual, mas mais que isso odiou o fato de ser deixada para trás. Odiou a dedicação com que o outro cultivava aquela alma vingativa. Odiou ver a satisfação nos olhos do outro por ter encontrado uma alma rara que merecia uma dedicação que ela nunca presenciou em outros que o mesmo serviu. Vê-lo satisfeito a irritava... Demônios possuem todos os sentimentos negativos humanos muito ampliados. Portanto, o ódio e a rivalidade entre demônios é algo indescritível para humanos compreenderem em suas limitações terrenas.
A ruiva estava perdida em pensamentos, algo nada atrativo para o akuma ali presente que resolveu sair e não presenciar aquela atitude deveras patética.
– Uma vez humana, sempre humana. – o akuma falou com desdém antes de sair do apartamento em que estavam. Isobel não era alguém que claramente prendia sua atenção em demasia, começou a caminhar tranquilamente sem destino certo até que esboçou algo passou em sua mente, deu um sorriso diabólico exibindo suas presas afiadas e sussurrou – Hu hu hu... Conde Ciel Phantomhive...
Notas finais
Quanto aos assistentes sociais, eu tentei levar um pouco de realismo nisso, não sei se agradou, mas pensei: Ciel foi parar no hospital, é claro que iriam estranhar uma marca esquisita dessas no olho de um adolescente bem como as marquinhas avermelhadas em seu pescoço e tórax, kkkkk
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