Notas iniciais
Aqui o final da saga do sequestro de Rachel.
Frases aqui acolá de Kuroshitsuji mangá e de Supernatural (contexto diferenciado).
Obrigada a Joliette Collins, adorei a recomendação!
Espero que gostem

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Horas depois de revelado os nomes das pessoas que pagavam Russo e Joe para ficarem atormentando Rachel descobrem se tratar da tia da garota, Madison Collins. Sam descobriu o endereço da casa dela através do número de telefone que conseguiram e assim direcionavam-se para a residência dela que fica do outro lado da cidade, quase vizinho a Tempe. Ciel ia no carro com os dois caçadores e Sebastian os aguardaria lá.

– A própria tia... O que ela ganha com isso? – Dean parecia refletir sobre a informação.

– A soma de dinheiro que aqueles caras receberam não era baixa. Então dá a entender que essa tia dela iria se beneficiar muito com tudo isso. – explica Sam.

– É o que tá parecendo. – Dean concorda.

– Além disso, pela descrição dada desse tal de Frank seu mordomo poderá localizá-lo também. – Sam completa.

Dean olha para Ciel que está no banco detrás do carro pelo espelho retrovisor interno e diz: – Você ficou bem surpreso com isso tudo, hein?

– Sim e não. Por não a conhecer e por elas não terem muito contato não imaginei que essa tia dela estivesse envolvida, mas por outro lado as pessoas sempre podem surpreender. – fala Ciel (relembrando a sensação ao descobrir que sua tia, Madame Red, no caso de Jack o Estripador era a verdadeira culpada junto com Grell Sutcliff pelos assassinatos em Londres).

– Pois é, Ciel. Ter o mesmo sangue não faz de alguém família. Tem que merecer. – fala Dean. Ciel escutou atentamente as palavras ditas pelo caçador de certa forma concordando com elas, quanto a Sam reconheceu a frase dita a ele em outros tempos e direciona a atenção para a estrada. – Em todo o caso, vamos investigar isso até o fim e descobrir o que está acontecendo. Não se preocupe vamos achar sua amiga. – Dean parecia tentar reconfortar Ciel. Sam dá um sorrisinho de lado e continua a examinar os documentos que acharam no escritório da casa clandestina de jogos.

– Ao que parece eles não entregaram tudo o que acharam na casa da garota. – Sam começa a falar. – Alguns desses documentos são de ações de empresas. Pelo que aqueles dois disseram quando foram na casa e vasculharam tudo só estavam revirando o que foi deixado para trás por esse tal de Frank.

– Então, pelo que estou entendendo Rachel tinha em sua posse documentos importantes que valem uma boa nota e não sabia? – questiona Dean.

– Provavelmente. – Sam confirma. – Você disse que ela é emancipada e que não se dava muito bem com a tia, não é isso?

– Sim. Apesar de que não gosto de tirar conclusões precipitadas tudo leva a crer que isso aconteceu por causa das desavenças entre elas. – Ciel estava pensativo sobre toda a situação. – Quando a traição é feita por quem menos se espera o choque sempre é maior.

Sam e Dean pareciam refletir sobre essas últimas palavras do garoto.

– Você está muito preocupado com o que possa ter acontecido com ela, não é mesmo? – Dean fala. – Apesar de que você tenta não demonstrar isso com esse seu ar de indiferença e de que “eu sou maduro”.

– Sem sentido. Se for o caso dela estar em apuros só quero pagar minha dívida de gratidão com ela. – responde o garoto virando o rosto em direção à janela do carro fitando a rua.

– Não acho que seja só por isso. – Dean continuou – Na verdade você está preocupado com ela e não queria que seu mordomo visse isso, por isso escolheu vir com a gente.

– Como disse, sem sentido. – fala o menor corando um pouco o que fez o caçador mais velho esboçar um pequeno sorriso acompanhado por Sam.

– Impressão minha ou seu mordomo parece confiar um pouco em nós? – Sam questiona mudando de assunto. – Permitir que você venha conosco apesar de que vocês não descobriram ainda quem o trouxe para cá e quais são seus planos...

– O mestre sou eu e não o contrário. Portanto ele não tem que permitir nada, se é da minha vontade vir com vocês ele não poderia se opor. – responde Ciel ao comentário feito pelo maior.

– Ok, ok. – fala Sam depois olhando para Dean.

...

Minutos depois chegaram em um bairro residencial muito elegante em Phoenix, estavam em frente ao suposto endereço da casa da tia de Rachel. Sebastian estava esperando perto da casa encostado em uma árvore na calçada. Parecia um humano comum aproveitando a sombra da árvore naquela tarde ensolarada em Phoenix, qualquer um pensaria isso. Qualquer um menos os dois caçadores e o garoto que os acompanhava naquele dia, os três sabiam muito bem sua real natureza e o quanto sua elegância suave irradiava perigo.

– Bom, vamos lá. – Dean caminha em direção à casa seguido pelos demais.

Tratava-se de uma bela residência, era uma casa bastante ampla com jardim bem cuidado nas laterais, garagem para dois carros e um primeiro andar com várias janelas onde provavelmente ficavam os quartos da casa. É o tipo de casa que demonstra o poder aquisitivo de seus donos. A vizinhança parecia ser tranquila, do tipo que as crianças tinham um pouco mais de liberdade para brincar e os mais velhos poderiam desfrutar das tardes tranquilas para conversar. Conforme combinaram durante o trajeto feito até o local tentariam chegar como amigos de Rachel e assim descobrir alguma coisa sobre o paradeiro da garota de forma a não levantar tantas suspeitas, afinal com a prisão de Russo e Joe estes não tinham como avisar sobre eles e de que descobriram ser ela a mandante dos crimes. Queriam descobrir a localização da garota antes que a tia desse um sumiço de vez nela. Dean toca a campainha.

– Pois não? – uma mulher aparentando ter uns quarenta e cinco anos atendeu a porta, não chegou a abri-la, falava por trás de uma grade de segurança e apesar de falar educadamente os olhava de cima a baixo com um certo ar de superioridade e de desconfiança. – O que desejam?

– Madison Collins? – Dean pergunta.

– Quem quer saber? – pergunta a mulher madura e um tanto rígida. Claramente era a tia de Rachel, pois possuía traços semelhantes a da jovem.

Dean olha para os demais como que pedindo ajuda diante da postura severa da mulher, todos ficaram calados esperando que ele resolvesse a situação.

– Er... somos amigos de Rachel Collins. Viemos conversar com a tia dela Madison Collins, que deve ser você. – fala o caçador tentando mostrar um sorriso simpático mesmo desconfortável pela situação, sorriso esse que se desfez diante da resposta da senhora.

– Se são amigos dela saberiam que ela não mora aqui. – responde a mulher secamente.

Quando estava prestes a fechar a porta Sam a interrompe: Viemos aqui por causa do desaparecimento de sua sobrinha. – A mulher pareceu se surpreender com o que ouviu. – Sabe algo a respeito? – Sam perguntou de modo a tentar descobrir por suas reações se ela escondia algo.

– Desaparecimento? Não estou sabendo. – Madison abriu a porta e a grade cruzando os braços para ouvir o que eles tinham a dizer.

Minutos depois os quatro estavam dentro da casa e conversavam sentados no sofá da sala de visitas. Era verdadeiramente uma bela casa, móveis clássicos bem escolhidos e distribuídos pelos cômodos, foi possível notar uma estante com alguns troféus e fotos da família, Sam estava próximo olhando cada troféu e cada foto com atenção. Os caçadores, Ciel e Sebastian expuseram a situação para a tia de Rachel, queriam descobrir pelas reações dela alguma pista do paradeiro da garota. Dean perguntou minutos atrás se podia ir ao banheiro, usou essa desculpa para olhar os quartos da casa e outros cômodos na tentativa de encontrar alguma pista, quase foi pego em flagrante por uma das empregadas da casa, não achando nada comprometedor resolve descer para não levantar suspeitas. Madison estava sentada com as pernas cruzadas em uma poltrona parecia refletir sobre o que as pessoas em sua frente disseram.

– Como estava dizendo, não tenho muito contato com minha sobrinha, não nos damos muito bem. Então não sabia que ela tinha desaparecido. – Madison diz preocupada. – Melhor ligar para a polícia logo.

– Isso já foi feito. Ela morou com você por quanto tempo? Tem algumas fotos aqui dela com a senhora e seus filhos. – Sam pergunta olhando a estante com fotos da família.

– Um pouco mais de um ano. Depois da morte do meu irmão e da minha cunhada ela veio morar aqui. Meus filhos já são crescidos e estão estudando fora e nossa convivência veio se tornando difícil. Sempre ocorriam discussões comigo ou com meu marido. – informa a mulher.

– Posso saber por que vocês duas não se davam muito bem? – questiona Ciel.

– Às vezes discutíamos por bobagens. Bom, talvez bobagens para mim, mas para ela não. Faz tempo que tive 16 anos, esqueci como é ter essa idade. – Madison responde com calma e firmeza. – Sei que sou severa em muitas coisas e disciplina é algo que prezo muito e Rachel sempre foi um pouco indisciplinada.

Sebastian se aproxima de Ciel e se abaixa para falar: Jovem mestre, essa mulher não tem nada a ver com o desaparecimento da senhorita Collins.

– Tem certeza? – pergunta Ciel que tem a confirmação de seu mordomo. Dean escutou a pequena conversa entre os dois e questionou baixinho.

– Como ele pode ter certeza que não é ela? – Dean cochicha mais foi um pouco alto.

– Meu mordomo tem sentidos mais apurados que o restante de nós. Se ele disse que não é ela eu acredito, ele não mente. – Ciel fala baixinho.

– Vocês desconfiavam de mim? Mas por quê? – questiona a mulher surpresa pelo que acabara de ouvir, pois eles não falaram tão baixo quanto imaginaram.

– Calma senhora, vamos explicar tudo. – Sam diz e começa a falar.

Minutos depois de ouvir atentamente cada palavra Madison permaneceu em um breve silêncio parecendo absorver cada informação.

– Então vocês vieram aqui com a certeza de que eu era a culpada e por que não vieram logo com a polícia? – questiona a mulher.

– Não seria prudente. Caso você fosse mesmo a mandante Rachel logicamente não estaria aqui e seria fácil “se livrar da prova do crime” tendo em vista o tipo de pessoas que estava pagando. – Ciel explica.

– E como vocês tiveram a certeza que não sou eu a mandante?

– Quisemos lhe dar o benefício da dúvida já que é a tia dela. E tenho meus meios. – Ciel responde olhando para Sebastian com cumplicidade.

– Sei... então por isso esse homem foi investigar os outros cômodos da casa? – fala Madison fitando Dean. Todos ficaram surpresos pela perspicácia da mulher em ter percebido o que ele fez, levando em conta que geralmente ninguém nota. – Quase estava dando uma desculpa pra me afastar e ligar para a polícia.

Dean pigarreia e fala: Não se preocupe. Não somos malucos nem nada do tipo, só estamos preocupados com sua sobrinha. Queremos encontrá-la o quanto antes.

– Madison, cheguei! – um homem alto e esbelto de uns quarenta e oito anos entra na casa e se aproxima despreocupadamente da sala com as visitas.

– Oh, que bom que você chegou. – fala Madison indo recebê-lo. – Este aqui é meu marido, Franklin Stuart.

Todos olham para o homem que sorria com simpatia para todos. Seu sorriso se desfez ao olhar melhor as expressões sérias dos que estavam presentes.

– Franklin é? – Ciel diz analisando-o.

– Madison querida, o que está acontecendo aqui?

– Senhora Collins, nos não informamos quem tratava dos pagamentos daqueles homens. – Dean começa a falar. – Eles disseram se tratar de um homem alto, quase cinquenta anos, de pele clara e olhos castanhos que disse se chamar Frank.

– Como é que é? Do que vocês estão falando? – o homem perguntou.

Madison que estava perto do marido volta sua atenção para Dean surpresa pelo que ouviu.

– Estamos aqui por causa do desaparecimento de Rachel Collins. – Sam explica.

– Rachel desapareceu?? – o homem parecia surpreso. – E quem são vocês? A polícia?

– Não somos policiais. – Sam responde. – Somos apenas amigos dela.

– Ah, entendo. – Franklin fala direcionando-se ao sofá e ali colocando uma pasta que trazia. – Pela forma como vocês me olham parece até que sou um suspeito. – o homem dá um meio sorriso. – Olha aqui, admito que às vezes não nos dávamos bem, mas isso não significa que desejasse algo de ruim para ela.

– Onde você estava Franklin? – Madison pergunta.

– Trabalhando, ora! Está desconfiada de mim? Eu sou seu marido. – Franklin fala um tom mais elevado. – Se não acredita em mim ligue para a empresa!

– Não estou te acusando de nada. – fala Madison cruzando os braços.

– Com essa sua pergunta não é o que parece. – o homem retruca.

– Calma, não estamos acusando ninguém. – Sam se intromete na discussão. – Como dissemos, somos somente amigos de Rachel, viemos aqui informar a tia dela sobre seu desaparecimento, já estamos de saída.

– Por favor, se souberem de qualquer outra informação nos avisem. – Madison diz prestes a acompanhá-los até a porta.

– Querida, ela é só uma adolescente problemática. Logo, logo ela vai aparecer afinal tem somente dois dias que ela sumiu. – Franklin diz colocando a mão no ombro da esposa.

– Não dissemos quanto tempo faz que Rachel desapareceu. – Ciel fala voltando-se na direção do marido de Madison.

– Claro que disseram. – Franklin diz.

– Tenho certeza que eles não disseram e você disse “tem somente dois dias que ela sumiu” com clareza. – Madison fala afastando-se do marido.

– De fato, tudo indica que chegamos à pessoa certa. – Sebastian diz.

– Eu não acredito que você prefere acreditar em estranhos do que em mim, seu marido, pai dos seus filhos, sua família! Eu realmente estou decepcionado com você, “querida”. – o homem se afasta de maneira indignada em direção ao sofá e mexe na pasta. – Estou decepcionado por você não ter percebido logo. – Franklin pega rapidamente uma pistola com um silenciador que estava na pasta e aponta na direção da esposa.

– Franklin! – Madison se assusta. – Por que?

Franklin fez um gesto com a outra mão livre para que todos ficassem próximos à parede da sala.

– “Por que”? Ora, você é tão perspicaz Madison. Não consegue adivinhar? – Frank debocha. – Aquela sua sobrinha estava com uma fortuna em mãos e nem imaginava. Descobri por acaso que seu irmão tãããão altruísta tinha feito um seguro de vida em nome da sua linda filhinha, ah e ela nem sabia das ações e títulos que ficou para ela também, já que eu como um bom tio me certifiquei em “ajudá-la”.

– Seu maldito! – Madison esbraveja.

– Mantenha a calma. – Sam diz a mulher. – Não se precipite.

– Escute ele, Madison. Ele tem razão. – Franklin fala piscando o olho direito para ela. – Quanto a vocês, pelo visto aqueles palhaços deram com a língua nos dentes. Tsc, tsc... se não tivessem descoberto no último minuto poderiam ter ir embora e seguir com suas vidas normalmente, mas agora além da Madison terei que matar vocês também. – fala o homem com uma calma sinistra.

Todos ficaram em silêncio.

– Por quem devo começar... Por minha adorável esposa? Por esse grandalhão (se referindo a Sam)? Ou por esse lindo garotinho? – a medida que falava apontava sua arma na direção deles e por último estava apontando para a cabeça de Ciel.

– Não faça nada com o garoto! Seu problema é comigo e não com nenhum deles. – fala Madison. – Franklin responda por que está fazendo isso? Você é meu marido, pense em seus filhos.

– Argh! Você é tão irritante! Esse seu jeito autoritário me dá nos nervos! – o homem esbraveja sem afastar a arma da direção de Ciel. – Até num momento como esse você age dessa forma.

– O que...? – Madison parecia não entender o que ele falou.

– A vida toda eu sempre pensei em você e nos nossos filhos, você não sabe a pressão que é ser casado com você, a pressão que é tentar ser o marido perfeito pra essa sociedade que parece um bando de abutres nos rondando! E o que ganhei com isso? Um trabalho que detesto, uma gastrite e uma vida cheia de regras e limites! – Franklin estava alterado – Detesto esse seu jeito tão certinha de ser, sempre tão correta. Todos te admiram, todos te elogiam, Madison isso, Madison aquilo... Sempre Madison, Madison!!

Dean revira os olhos pensando: “Ótimo, agora estão lavando a roupa suja na nossa frente.”

– Isso não justifica o que você está fazendo! – fala a mulher irritada. – Se algo estava te incomodando poderíamos conversar e não chegar a esse ponto.

Franklin dá uma risada – Minha linda esposa sempre tão ponderada. Não é uma graça? – ele atira na parede próximo a cabeça de Madison para assustá-la. – Bom, agora estou pensando em mim, estou com uma boa grana na mão e duvido que vão suspeitar de mim, afinal eu sou um marido perfeito. – o homem falava apontando dessa vez a arma em direção da cabeça da esposa. – Irei herdar tudo.

– Onde está Rachel? O que fez com ela? – Ciel pergunta ao homem que volta sua atenção para ele surpreso pela interrupção.

– Ora o que temos aqui? Um garotinho corajoso. Se aproxime, venha aqui. – o chamava gesticulando com a arma.

Ciel deu alguns passos e se aproximou do estranho homem diante dos olhares atentos dos demais. Franklin o olhou de cima a baixo e disse: – Você não é muito pequeno para ser namorado da Rachel?

Ciel pigarreia: – Ela é uma amiga. Nada mais.

O homem parecia avaliar Ciel e aponta sua pistola para ele e diz para ninguém se mexer.

– Você não parece ser qualquer um... Se o tivesse visto antes poderia conseguir alguma coisa com você também. – dizia isso com o cano do silenciador na direção do menor. – Então está preocupado com a garota? Mesmo que eu diga onde ela está, você não conseguirá ajudá-la. Afinal daqui a pouco estará morto já que não posso deixar testemunhas.

– Onde ela está? – insiste o jovem conde.

Franklin se aproxima de Ciel e o vira de modo que ambos ficaram de frente para os demais e se abaixa para falar perto do ouvido do menor como se fosse uma confidência, porém falava em tom normal de voz enquanto olhava a reação de sua esposa – Sabe, fui eu que provoquei várias das discussões entre Rachel e Madison e coitadas, nunca desconfiaram. Bastava um mal entendido aqui outro acolá, fofocas e BAM! Crise em família. E depois que ela saiu daqui desta casa, tudo ficou muito mais fácil sem a tia Madison para cuidar dela. E Rachel é uma garota muito bonita, muito jovem... muitos pagariam caro por uma garota como ela. Então, eu a entreguei como pagamento. Pelo que me disseram ela será vendida ainda hoje para estrangeiros junto com mais outras duas garotas. Há dois dias que ela está em um cativeiro não muito longe daqui já perto de Tempe, provavelmente com fome e com sede... quase tenho pena dela.

Todos ficaram surpresos pelas palavras que ouviram, ditas por um homem que outrora ninguém ousaria desconfiar de sua conduta.

– Você está louco? – Madison falou chocada.

– Mas que canalha! – Dean fala.

– Basta. Já ouvimos o suficiente. – Ciel fala encarando o homem de maneira altiva. – Sebastian.

Compreendendo o desejo de seu mestre Sebastian pega a arma rapidamente da mão de Franklin que fica surpreso pela rapidez com a qual foi desarmado.

– Com licença. Fico com isso. – Sebastian diz segurando a arma. – Bocchan, o que quer que faça com ele?

– Espera aí! Como você conseguiu pegar a arma tão rápido? – questiona o homem atônito – Nem vi quando você se aproximou.

Dean e Sam já estavam cercando o homem que agora desarmado se sentiu intimidado por eles e antes que Ciel pudesse dar uma ordem para Sebastian...

– Podem deixar ele comigo! – Madison fala olhando com frieza o homem que um dia chamou de marido e respeitou.

– Madison, mantenha a calma. – Franklin falava tentando se afastar da esposa zangada.

Dean, Sam, Sebastian e Ciel se afastaram enquanto Madison acertou um soco de direita no rosto de Franklin que cai no chão. Ela vai pra cima dele e lhe dá um golpe mata-leão.

– Uau! Ela é boa hein. – Dean fala admirado com a rapidez de Madison em imobilizar o agora futuro ex-marido.

– Aqueles troféus são dela. – Sam mostra sorridente a estante com troféus e medalhas de competições de jiu-jitsu de anos atrás, voltando logo a atenção para os dois no chão. – Uuuh, isso deve tá doendo!

Minutos depois de Madison (tão habilmente) ter conseguido mais detalhes sobre as pessoas que estão com Rachel e sua localização exata avisaram a polícia. Ciel e Sebastian foram na frente e os dois caçadores seguiram de carro ao local do cativeiro da garota.

...

Ao anoitecer perto de Tempe, em uma casa grande de aspecto rústico que servia como cativeiro estava Rachel e mais duas garotas. Estavam sendo vigiadas de perto por dois homens horríveis que conversavam abertamente sobre o futuro que aguardaria as três em um país distante e o quanto lucrariam com a “mercadoria de boa qualidade que conseguiram”. Visivelmente feridas as três estavam perto uma das outras com as mãos e pés amarrados, suas expressões vazias denunciavam os maus tratos que vinham sofrendo. Rachel estava triste, pois ficou a par de tudo o que acontecia por suas costas há dois dias por Franklin, marido de sua tia. Relembrava as vezes que fora enganada e induzida por ele a discutir com sua tia, pois ele fez questão de vir tripudiar dela revelando tudo o que fez para que chegassem a essa situação. E agora estava ali, diante de pessoas que não conhecia e com garotas que irão compartilhar com ela o mesmo destino traçado por aqueles homens desprezíveis que as agrediram.

Minutos depois, conforme o esperado, dois carros caríssimos se aproximaram da casa e de cada um desceu quatro homens. O que faziam ali naquele subúrbio? Dois deles tinham negócios a tratar naquela casa rústica. As poucas pessoas que viam a estranha movimentação naquela rua não tinham a menor ideia de que tipo de negócios aqueles “empresários” tinham a tratar ali. Ou talvez tivessem, mas o medo às vezes comanda mais que o bom senso e o sentimento de ajuda ao próximo, então geralmente não interferiam, simplesmente quando algo assim se passava entravam em suas residências e aguardavam a rua voltar a sua normalidade para saírem novamente.

Ciel e Sebastian se aproximam da casa que Frank indicou. À distância observaram a chegada daqueles carros e a entrada daquelas pessoas na casa. O mordomo fitou a expressão de seu jovem mestre, que parecia avaliar toda aquela situação e visivelmente Ciel estava muito irritado.

Sem mais delongas Ciel e Sebastian caminham na direção da porta principal da casa e tocam a campainha. Ocorreu uma pequena demora, pois as pessoas na casa não imaginavam que alguém em sã consciência se aproximaria da residência sabendo que estavam lá naquele momento. Diante da insistência finalmente atenderam a porta. Um homem alto e de aparência truculenta, provavelmente um dos guarda-costas, abriu a porta e fitou a pequena figura em sua frente.

– Está perdido garoto? Aqui não é lugar pra você. – fala o homem com sotaque estrangeiro olhando Ciel de cima a baixo. Sem dar atenção o conde entra na casa e o homem acompanha seus passos surpreso pela audácia do menino. Dentro da casa quatro homens viram a cena e se levantaram do sofá velho indo em direção do garoto. – Ei! Ou você é muito burro ou é muito corajoso em entrar aqui dessa forma! – o homem truculento se aproxima de Ciel pronto a atacá-lo.

Antes que o homem o tocasse Sebastian o ergueu no ar com uma das mãos – O que deseja que faça com eles? – pergunta o mordomo ao seu mestre.

– Livre-se deles. – Ciel fala depois segue adiante pegando uma das armas que um dos bandidos largou ao ter seu braço quebrado pelo demônio.

Começaram a atirar e o demônio rapidamente pegou todas as balas disparadas.

– Acredito que isto pertença aos senhores. – fala o demônio mostrando as balas e atirando-as na direção deles. Logo depois Sebastian caminhou na mesma direção que Ciel tinha ido, gracioso como uma fera a espreita, pronto para atacar quem ousasse se colocar no caminho de seu mestre e do que ele pretendia fazer.

Enquanto isso chegando ao andar superior, Ciel procura nos quartos e acaba por encontrar as três garotas e ninguém mais. As três estavam cabisbaixa, pareciam não perceber o que se desenrolava mais naquele local. Ciel se aproxima de Rachel e começa a desamarrar suas mãos.

– Rachel, você está bem? – o garoto pergunta.

Rachel ergue um pouco a cabeça e reconhece o jovem conde. – Ciel...?

Dois homens bem vestidos entram no quarto acompanhados por um segurança e por um dos carcereiros das jovens e se deparam com o garoto e Sebastian desamarrando as três.

– Fantástico! Achei que a casa estava sendo invadida pela polícia ou algo assim. Mas é somente um cara e uma criança. – fala o mais alto.

Ciel dá um passo à frente e olha desafiadoramente para o pequeno grupo.

O segurança de maneira confiante ao invés de pegar sua pistola saca uma faca com punho contendo um soco inglês e apontava para a direção de Ciel, estava disposto a dar uma lição no garoto por ousar entrar naquela casa e o afrontar diante de seus patrões, porém aguardaria a ordem para atacar. Sebastian por sua vez observava o desenrolar da situação, se for necessário agirá em defesa de seu mestre, mas até o último minuto aguardará. Isso é o que mais o agradava em Ciel, apesar de ter um demônio poderoso ao seu lado o menor muitas vezes preferia resolver seus assuntos por conta própria.

– O príncipe veio salvar as donzelas em perigo? – o outro debochou fitando o menor.

– Quem são vocês? – o garoto pergunta.

– Nós dois somos os novos donos dessas três belezinhas aí, pagamos muito caro por elas e elas vão vir conosco. – o mais alto respondeu sacando uma arma e apontando na direção do jovem conde. As três garotas estavam apavoradas vendo tudo aquilo acontecer diante de seus olhos.

Ciel, que estava em pé, os olhou de cima a baixo analisando desde suas expressões debochadas e despreocupadas até o luxo que ostentavam em joias caras provavelmente conquistadas com atos semelhantes ao que acabaram de dizer.

– Meu caro, está tentando somente ser convincente ou está apontando sua arma para mim numa intenção letal? – fala o garoto ao homem armado e antes que este respondesse a provocação Ciel pega a arma presa à cintura e atira o acertando.

Diante disso o segurança avança enquanto o outro comprador tenta pegar sua arma, só que Ciel foi mais rápido e os acerta, ficando só o carcereiro que tenta correr e dá de cara com Sebastian na porta que o impede de ir.

– O que faço com este aqui e o outro lá embaixo que está tentando fugir? – questiona o mordomo.

– Sabe o que fazer – fala o jovem conde. Então Sebastian se afasta satisfeito levando consigo o homem que tentava fugir inutilmente das garras do demônio.

Quando Ciel volta sua atenção para as três percebe olhares assustados em sua direção e caminha até a janela jogando a arma nos fundos da casa. Dean e Sam chegam e encontram os corpos pela casa e correm em direção aos quartos, lá encontrando as três e Ciel em completo silêncio.

...

Já era madrugada quando Rachel e as outras duas garotas foram liberadas pela polícia depois que prestaram depoimento. A polícia há tempos estava em busca dessa quadrilha e ainda teriam muito o que investigar sobre as circunstâncias das mortes assim como as três ainda teriam muito o que explicar a polícia, porém elas acabaram concordando num ponto, aquele menino e seu mordomo as salvaram. Agora Rachel encontrava-se segura na casa de sua tia Madison e da porta os quatro observavam as duas se abraçando na sala emocionadas. Quando estavam indo embora Rachel os chama para agradecer todo o empenho que tiveram em resgatar ela e as demais. Por fim Rachel pede para conversar a sós com Ciel.

Caminharam calados alguns metros um ao lado do outro até que chegaram a uma pequena praça infantil vazia no bairro e sentaram em um banco branquinho.

– Esse silêncio já está ficando ridículo! – fala a garota virando-se para Ciel e o olhando nos olhos. – Obrigada!! Se você e aquele... aquele... você sabe! Não tivessem aparecido nem sei o que aconteceria comigo e com aquelas duas meninas!

– De nada... – a principio só foi o que Ciel conseguiu falar diante do agradecimento tão impetuoso da jovem. – Bom que chegamos a tempo.

– Nunca poderia imaginar que o marido de minha tia estivesse por trás disso, aquele canalha! Mas pelo que soube minha tia deu uma lição nele! – fala a garota ficando em pé e dando um soco no ar.

– Me surpreendeu também. – fala Ciel erguendo um dos cantos da boca em um sorriso torto. – As mulheres dessa época são cheias de surpresas.

Rachel se aquietou novamente e se sentou – Eu me sinto tão mal. Acreditei em tudo o que ele disse todo esse tempo, duvidei de quem verdadeiramente se preocupava comigo e me distanciei... tudo o que disse para a minha tia... tudo o que aquele patife me fez passar... Como as pessoas podem ser tão falsas e tão egoístas?

– Sabe, não sou a melhor pessoa para responder perguntas como essas. Perdi minha fé nas pessoas há muito tempo... – fala o garoto fitando o céu estrelado de Phoenix. – Mas acredito que sua tia não guarda nenhum tipo de rancor. Ela sabe que não foi sua culpa.

– ... É por isso que você tem aquele demônio do seu lado? – questiona Rachel. – O que aconteceu com você para chegar a esse ponto?

Ciel permaneceu calado e fitou as folhas das árvores do parque que balançavam ao sabor do vento noturno.

– ... Deve ter sido algo muito difícil... em parte eu compreendo que quando se passa por uma situação como tipo a que passei, você acaba deixando de acreditar que coisas boas podem acontecer... deixa de acreditar que pessoas boas existem... – Rachel falava de maneira pesarosa fitando os pulsos ainda marcados e machucados pelas amarras que colocaram nela. – Quando estava lá há dois dias eu rezei tanto e tanto e nada acontecia... me perguntava o que tinha feito para merecer tamanho castigo... Se fui uma péssima filha e por isso perdi meus pais também... tantas coisas se passaram em minha mente. Quase cheguei a acreditar que Deus tinha se esquecido de mim...

– Só porque tem algumas maçãs podres não significa que toda a macieira está bichada. – Ciel a interrompe. – Até onde sei Deus odeia tipos como esses.

– Sim. Isso mesmo. – fala a garota olhando para Ciel. – Você também me surpreendeu... Chegar lá e enfrentar aqueles caras e você mesmo os... matar. Acredite eu lhe serei eternamente grata, apesar de que me assusta e muito o fato de que você e aquele... demônio... – fala a garota de maneira sutil sem conseguir concluir a frase. – Por que você foi me ajudar mesmo depois da forma indiferente que o tratei no hospital?

– Por que não quero desmerecer toda a gentileza da pessoa que me ajudou. – fala o garoto a fitando com sinceridade.

– Ciel, e o que acontecerá daqui para frente?

– Você seguirá com sua vida. Terá um futuro feliz. Poderá se formar, ter um emprego, uma família, brincar com seus filhos e netos em um parque como esse. – fala o conde se levantando e ficando de frente para ela.

– E quanto a você? Pelo que entendi você e aquele demônio... sua alma pertence a ele, não é isso?

– Sim. O trato original consiste em quando concluísse minha vingança ele poderia ficar com minha alma. Mas agora, depois que fui trazido para cá estamos nos empenhando em descobrir quem é essa pessoa e acabar com a raça dele, daí...

– Daí depois aquele demônio irá pegar o que pertence a ele...?

– Provavelmente.

– E não há nada que se possa fazer?

– Não. Ele é meu mordomo e é um demônio. A escolha foi feita há tempos atrás e apesar de que estou neste século não muda o fato que uma escolha foi feita. – Ciel fala de uma maneira segura. – A escolha que fiz foi necessária e não me arrependo dela, talvez você nunca entenda.

Sam e Dean se aproximam dos dois, assim como Sebastian.

– Sua tia pediu para buscá-la. Já está tarde e você precisa descansar. – fala Sam para Rachel.

Sebastian se aproxima do conde e toca a sua face com sutileza – Está ficando frio jovem mestre. Melhor voltarmos para o hotel. Irei pedir ao serviço de quarto um copo de leite com mel.

A forma como o demônio trata o jovem conde não passa despercebido aos olhares de Rachel assim como para dois caçadores.

– Senhorita Collins que tenha uma boa recuperação. – fala o demônio para a garota que se assusta um pouco com o fato dele estar lhe dirigindo a palavra.

– O...obrigada. – responde por fim a jovem.

– Quanto aos senhores, claramente são dignos de receber alguns dos elogios do meu mestre. – Sebastian fala direcionando-se aos dois caçadores que ficam surpresos diante da revelação e olham simultaneamente para o garoto.

Ciel pigarreia sem graça e começa a se afastar com Sebastian, depois de alguns passos volta o olhar para Rachel – Cuide-se. Se precisar de mim é só me procurar pelo número que deixei.

Minutos depois os caçadores e a garota seguem na direção oposta indo para a casa de Madison.

...

Nas sombras uma silhueta masculina alta e a princípio imperceptível se destacou, a uma distância segura observou ao longo do dia tudo o que se passou. Sorria satisfeito enquanto passava a língua nas presas afiadas lascivamente.

– Interessante...

Notas finais
Para quem assistiu o último filme de Quentin Tarantino talvez reconheçam aqui uma frase do filme, hehehe