Esse Jovem Conde, No Século XXI!
17 Esse mordomo, revelações.
Notas iniciais
Gente, dessa vez demorei um pouquinho mais a postar. Este capítulo 17 já estava bem encaminhado quando postei o anterior, mas finalmente ficou pronto!!rs
Sei que no total já são treze pessoas que favoritaram minha fic e um obrigada a Hanii e liv por também favoritarem! Espero que todos que acompanham continuem gostando dos próximos capítulos.
Madrugada... Um homem alto, esbelto e jovem caminhava despreocupadamente pelas ruas quase vazias de um bairro nobre em Phoenix, sua presença não passava despercebida pelas poucas pessoas que transitavam pelo local, seria impossível não notá-lo. Parecia que dominava todo o espaço à sua volta ao mesmo tempo em que irradiava um perigo que fazia todos ficarem fora de seu campo de visão e jamais se colocarem em seu caminho. Direcionava-se a uma luxuosa mansão a passos calmos, o portão bem guardado por três seguranças foram abertos quando viram o homem se aproximando, continuou seus passos por um imenso jardim meticulosamente bem cuidado, um empregado abriu a porta principal e o cumprimentou, este passou sério e percorreu a mansão até chegar a um escritório. Ao entrar direcionou-se a pessoa que estava parada perto da janela, tratava-se de uma bela mulher em torno de seus vinte e cinco anos que vislumbrava o céu noturno da cidade pela janela do escritório. Estava com os longos cabelos ruivos balançando ao sabor do vento e usava uma camisola longa negra que parecia brincar entre fendas e transparências destacando seus atributos femininos bem cuidados e torneados de uma maneira sensual e delicada.
– Como previu Sebastian não sentiu minha presença e acompanhei tudo o que se passou ao longo do dia. – disse o homem fitando as curvas da silhueta feminina que continuava a observar a paisagem noturna.
– Huum, aquele tolo... ainda não conseguiu descobrir quem sou e nem sentir minha presença. Meus poderes estão cada vez mais fortes. – falou a mulher ainda fitando o céu estrelado de Phoenix, o belo homem caminhou para perto dela o que a fez direcionar seu belo par de orbes verdes claros ao encontro dos olhos em tom prateados e enigmáticos do homem a sua frente. – Tudo está seguindo como planejei, logo logo aquele demônio estará de joelhos diante de mim, implorando... – diz a ruiva. – O farei pagar por tudo o que me fez.
– Não deveria subestimar minha raça, Isobel. Ele está desconfiado pelo que ouvi. – informa o demônio a olhando nos olhos. – Sebastian não é nenhum idiota. Acredito que ele desconfie que estejam sendo seguidos. E ainda tem os dois caçadores.
A mulher se aproxima e acaricia as pontas dos cabelos negros e sedosos que caíam em um corte irregular até os ombros largos do belo homem. Pousou as delicadas mãos em seus ombros e o empurrou suavemente até chegar a uma poltrona escura o fazendo sentar e por fim sentou em seu colo cruzando as pernas. Desabotoou um a um os botões da camisa cinza de mangas compridas expondo o tórax firme e definido. Ela o olhou de forma que ele percebeu o quanto ela gostava do que via, ela aproximou seus lábios e se beijaram. As mãos esguias puxaram o corpo da mulher para mais próximo do seu, deslizando uma das mãos até as pernas da ruiva. Suas bocas se separaram e ela afasta seu rosto do dele analisando os traços perfeitos de sua face masculina. Verdadeiramente era um belo rosto que escondia a natureza demoníaca daquele ser.
– Não subestimo sua raça, meu querido Nicolas. Sei muito bem do que são capazes. – fala Isobel passando uma das mãos levemente pelo rosto de Nicolas. – Quanto aos caçadores são somente meros humanos. E o arrogante condezinho?
– Não tem a menor ideia de quem o trouxe para cá. Se o queria morto desde o início porque simplesmente não o matou antes? – questiona o demônio. – Teve muitas oportunidades desde que ele veio pra cá. Mas agora com Sebastian aqui não será mais tão fácil.
– Pensei nisso no princípio, mas queria ver até onde ele poderia chegar sozinho, sem sua fortuna ou seu status em uma terra estranha. Não contava que um pirralho mimado como aquele fosse durar uma semana aqui. Quando salvou aquela garota caiu nas graças dela e acabou encontrando um lugar para ficar e um apoio. – fala a ruiva chateada se pondo de pé e logo depois esboçando um sorriso perverso. – Mas de outra forma não teria graça. Seria muito fácil. Agora que se reencontraram imagine como seria se seu precioso bocchan fosse arrancado novamente de suas garras e dessa vez morto? – Isobel sorriu mais ainda e caminhou até a mesa do escritório, ali se encostou. – Conte-me o que aconteceu.
Nicolas fez um breve resumo do dia enquanto Isobel ouvia tudo atentamente.
– Não compreendo por que ele se deu ao trabalho de ir ao local do cativeiro para resgatar aquela garota, levando em conta que bastava uma ordem e aquele demônio poderia resgatá-la, Sebastian poderia ter matado todos eles sozinho. – fala a ruiva com desdém.
Nicolas que continuava sentado cruza as pernas e leva uma das mãos ao queixo numa postura pensativa – Achei curioso também. A cara de satisfação que aquele demônio fez ao ver o menino dar um jeito nos compradores das garotas... – Nicolas relembrou o momento e as palavras ditas pelo menor ao executá-los. A ruiva continuou a falar sem notar que o demônio estava com o pensamento longe e só depois ouviu com atenção o que ela dizia.
– Nicolas? Você está prestando atenção? – fala Isobel.
– Claro, você disse que o Conde Phantomhive é um idiota.
– E é um idiota mesmo. Pra que sujar as mãos tendo um demônio do lado? – fala a ruiva.
– Sim... Uma pessoa tola. – responde o demônio a fitando.
Isobel caminha em direção ao demônio – Com você ao meu lado será fácil destruir aquele maldito demônio. – ela contorna a poltrona enquanto passava uma das mãos suavemente no pescoço de Nicolas. – Só fiquei curiosa... Quando reencontrou o garoto pensei que o devoraria rapidamente. Pelo contrato a alma de Ciel Phantomhive seria dele quando tivesse completado sua vingança, as pessoas de quem o conde queria se vingar não existem mais.
– Nós akumas ajudamos a desenvolver a alma do nosso contratante e quando atingem seu objetivo as devoramos. Talvez ele queira usá-lo como isca ou está querendo adicionar um pouco mais de ódio e vingança aquela alma, afinal nós interrompemos sua vingança. E o garoto está cheio de ódio quanto a isso. Sendo Sebastian quem é, não deixará passar em branco e mesmo com sua bruxaria ele não tardará a te encontrar.
– Que eles venham, estarei preparada. – sussurra próximo ao ouvido de Nicolas e de maneira manhosa senta-se no colo dele novamente e o beija.
***
Horas depois, longe dali...
Já passava das 18hs, Sam e Dean voltavam de mais uma caçada pela cidade, dessa vez os problemas foram com fantasmas. Agora conversavam sobre o que tinha ocorrido na madrugada (caso de Rachel) enquanto se direcionavam ao quarto de hotel em que estavam hospedados. Ao abrirem a porta se deparam com um homem usando um sobretudo sentado no pequeno sofá do quarto, estava ao que parece esperando que os dois caçadores regressassem.
– Castiel?! – Dean exclama ao reconhecê-lo.
– Olá. – saudou o homem se pondo de pé com a chegada dos dois irmãos.
– Olá?! – Sam fala olhando para o anjo com uma expressão incrédula.
– É... – fala Castiel intercalando os olhos azuis entre Sam e Dean sem compreender o que Sam quis dizer. – A palavra ainda é essa, não é? Olá...?
– O que Sam quer dizer é que estivemos chamando por você faz tempo, precisávamos falar com você. – explica Dean. – Onde esteve todo esse tempo?
– Ocupado. – responde o anjo sem se prolongar.
– Ocupado? Então você e a patrulha do Céu sabem o que está acontecendo por aqui? – questiona Dean.
– Sim e não. Sabemos o que está acontecendo aqui nesta cidade, mas não sabemos quem ou o que provocou tudo isso. Se tivéssemos alguma pista eu teria respondido antes, mas eu não sei.
– Como não sabe? Você é um anjo. – questiona Sam.
– Não é tão simples assim, nós anjos não somos oniscientes. – informa Castiel. – Sabemos de todos os problemas que vem acontecendo nesse local desde a chegada daquele menino. Mas não sabemos quem o trouxe ou o porquê. Precisamos colocar um fim nisso tudo.
– Crowley disse que o problema maior não foi a chegada do garoto, mas sim quem o trouxe para cá. – Sam fala.
– Sim. Com certeza o problema maior é a pessoa que está por trás do sequestro de Ciel Phantomhive. Quem quer que seja está usado magia muito poderosa, e quanto mais a usa mais problemas está causando.
– Então se trata de bruxaria... – fala Dean.
– Sim e do tipo que não via há muitos séculos. Gostaria de ver esse humano, talvez possa descobrir alguma coisa com ele. Levem-me até onde está esse garoto. – fala Castiel.
...
Simultaneamente em outra parte da cidade.
Ciel aproveitava uns breves momentos de descanso para assistir a programação local. Era uma forma de compreender o que se passava na época atual (apesar de que no momento estava assistindo a reprise de Seinfeld).
– O jovem mestre parece cansado, não conseguiu dormir direito desde que chegamos. – afirma o mordomo.
– Não. – fala o conde sem se prolongar.
– Algo o preocupa? – Sebastian questionou.
– Será que existe alguma forma de voltar a minha época? – responde o menor olhando para Sebastian. – Será que encontraremos quem me sequestrou?
– Não posso responder isso com precisão, mas acredito que mais cedo ou mais tarde descobriremos quem forçou sua vinda para esse ano. – responde o mordomo. – Sente falta do século XIX?
– De certa forma. Mas aos poucos estou compreendendo como as coisas funcionam hoje em dia...
Olhou o relógio pendurado na parede branca do quarto, as horas pareciam se arrastar e suspirou por fim deixando o controle da televisão no sofá e indo até a sacada encostando-se ao parapeito e ficou a olhar a movimentação das ruas distribuídas em largas avenidas. Os cabelos lisos acinzentados de Ciel balançavam ao sabor do vento e o garoto fechou os olhos parecendo apreciar a brisa ainda morna que chegava até ele, tudo era muito diferente de sua terra natal aquele clima quente era de certa forma aconchegante. Sebastian caminhou até o garoto e sentiu o cheiro que vinha de sua direção. Era um cheiro saboroso para o demônio que se aproximou mais e acabou por colocar as mãos por sobre o parapeito, uma de cada lado do conde e encostou seu corpo ao dele cheirando seu pescoço e cabelo.
– Hã? O que está fazendo?? Afaste-se! – exclamou o garoto arrepiado com a ousadia de seu servo. Os olhos de Sebastian brilharam com a ordem dada, porém não se afastou, agora passou seus braços circundando a cintura delgada do pequeno e o abraçou. Ciel se remexeu tentando se desvencilhar do abraço do maior, porém não conseguiu que Sebastian se afastasse um milímetro sequer.
O demônio virou o garoto e ficou cara a cara com este o prensando contra o parapeito olhando com malícia os olhos bicolores, poderia se perder facilmente no azul penetrante e impetuoso do olho esquerdo do menor, passou a mão esquerda com o contrato numa carícia por cima da sobrancelha direita do conde olhando a marca púrpura do contrato em seu olho, a marca que os unia, e sorriu de canto – Eu sempre estou te observando. Prefiro não envolver o profissional e o pessoal, mas já está se tornando insuportável para mim. – e o beijou. A destreza com que o beijava deixava Ciel meio tonto, lógico não era a primeira vez que fazia isso, porém a cada vez que fazia parecia se tornar mais intenso e lascivo.
Sebastian desceu a língua pelo pescoço de Ciel enquanto suas mãos hábeis tratavam de se livrar das roupas do garoto, a começar pelos botões da camisa azul royal que abriu um a um para logo depois passar suas mãos grandes e frias no peito quente do menino em uma quase adoração; Ciel ruborizou-se. O demônio comportava-se de uma maneira um pouco mais diferente das outras investidas. Parecia mais decidido, a que Ciel nem ousaria imaginar... Ciel sentiu depois as mãos em suas costas o puxando para mais perto do maior, ele se inclinou para trazer a boca ao ouvido do conde – Nada de ruim vai acontecer. Muito pelo contrário...
– Isso... é loucura!! Saia ...de perto de mim! – o conde conseguiu dizer por fim.
Então Sebastian selou sua boca novamente com um beijo de tirar o folego até para um mero expectador da cena. Depois separou suas bocas quando o ar se fez necessário para o garoto que parecia que a qualquer momento perderia a consciência antes mesmo do demônio continuar o que tinha começado. Aproveitando o torpor do conde, Sebastian deslizou até encostar um dos joelhos no chão enquanto roçava os lábios pela barriga de Ciel e abriu o zíper da calça jeans a baixando até os joelhos do garoto, acariciou o membro ainda por cima da peça íntima notando uma leve ereção, em seguida começou a explorar o umbigo do garoto com a língua arrancando pequenos gemidos do conde. “Não pode ser! Isso fui eu??” Se questionou o garoto levando as mãos a boca na tentativa de conter outros possíveis sons vergonhosos.
– Não se contenha, jovem mestre. Deixe-me ouvir mais. – fala o mordomo com uma voz deveras sensual continuando a acariciar com uma das mãos o membro do jovem conde que já estava totalmente desperto e com a outra acariciava um dos mamilos rosados. Não tardou em arrancar mais alguns gemidos do conde que apertava os olhos como em uma tentativa de fuga frustrada, fuga do olhar faminto de Sebastian que por outro lado apreciava cada reação, a inocência roubada em suas mãos era um prazer que ele queria ter e proporcionar. Não se contendo mais levou dois dedos à boca e os sugou para depois deslizar os dedos por entre a roupa íntima até as nádegas do garoto que se sobressaltou com o toque mais ousado e corou violentamente principalmente quando deram por si da presença de três pessoas que olhavam atônitos e boquiabertos essa última cena...
– Puta merda! Que porra é essa?? – exclamou Dean com os olhos verdes arregalados.
– Caramba! – exclamou Sam.
Castiel só ficou parado olhando (mais ou menos com a expressão da imagem do capítulo).
Sebastian mais do que rápido para os olhos humanos organizou as roupas de seu mestre e as próprias, agora estava parado em pé do lado do garoto dando um de seus sorrisos desconcertantes e disse: – Seria de bom tom baterem na porta ou mandarem anunciar sua chegada quando vierem nos visitar.
– Lembraremos disso da próxima vez que viermos no expresso angelical. – falou Dean com sarcasmo.
Um silêncio constrangedor se fez, sendo possível só distinguir o barulho dos carros que passavam na larga avenida, os três pares de olhos indagadores se intercalavam entre mestre e servo.
Ciel pigarreou – Como entraram tão rápido aqui sem serem notados por Sebastian? Quem é esse homem? – fala o conde ainda corado, mas tentando se manter calmo e sério.
– Meu nome é Castiel, eu sou um anjo do Senhor.
Ciel permaneceu calado e fitou pelo canto do olho seu servo que se mantinha em alerta.
– Então, por que alguém ocupado como você está aqui? – pergunta o demônio com desdém.
Castiel dá alguns passos na direção do demônio em forma de ameaça – Não devo explicações para uma criatura vil como você. Porém devo dizer que estou começando a ficar preocupado com os rumos da situação aqui.
Sebastian não saiu do lugar mantendo a cabeça erguida, encarava o anjo em pele humana de forma atenta e também ameaçadora.
– Antes de tudo, garoto você está bem? – questiona Sam olhando seriamente para Ciel.
– Es... Estou. – responde o garoto timidamente logo depois caminhando até o banheiro. Lá apoiou as mãos na pia fria de mármore branco antes de direcionar os olhos para o próprio reflexo no espelho, estava totalmente corado. Não há como negar o que eles acabaram de presenciar. Abriu a torneira enchendo as duas mãos juntas de água e passou no rosto voltando a olhar seu reflexo pelo espelho, mil e uma coisas se passavam em sua mente, entre elas uma sempre se repetia “que vergonha...”. E repetiu o gesto várias vezes para se acalmar.
– Eu não sei o que dizer. – fala Dean passando uma das mãos nos cabelos e voltando a olhar para o demônio. – Primeiro Sam que se deixa seduzir por aquela Ruby, agora isso! Vocês demônios adoram tirar vantagem dos humanos.
– Não nego essa afirmação – revida o demônio esboçando um sorriso diabólico.
– Castiel você não vai fazer ou dizer nada?? – Dean esbraveja.
– O que ele faz ou deixa de fazer com seu mestre não é da minha conta. O contrato foi feito, esse fato não mudará por toda a eternidade. A alma desse menino pertence a este akuma. – responde o anjo de maneira firme direcionando o olhar ao garoto que depois de uns minutos saia do banheiro, depois voltou sua atenção ao demônio. – Sabe por que estou aqui?
– Imagino. – responde o akuma cruzando os braços na altura do peito.
– Já encontrou a pessoa? – questiona o anjo.
– Não. Mas desconfio que aparecerá em breve. – fala o demônio. – Encontrei algumas pistas de bruxaria. E percebi que ao longo do dia de ontem estávamos sendo seguidos. Ainda aguardei um possível ataque enquanto o jovem mestre estava na companhia dos caçadores, porém isso não ocorreu.
– Então, você sabia que estávamos sendo seguidos? – questiona Sam.
– Tanto eu quanto meu jovem mestre já sabíamos. – responde o mordomo o que faz todos olharem para Ciel.
– Como falei ontem, Sebastian desconfia de quem pode ser. – explica o conde.
– Ontem poderíamos ter sido atacados e em nenhum momento pensou em dizer isso a gente? – Dean questiona completamente chateado.
– Em nenhum momento menti ontem para os dois. – fala o conde.
– Mas omitiu um fato muito importante. – responde Dean olhando nos olhos do garoto. – Um fato que poderia ter colocado nossas vidas em perigo.
Depois de um breve silêncio Ciel voltou a falar – De que adiantaria dizer? A intenção de quem nos seguiu era somente vigiar, observar nossas ações.
– Mas talvez estivesse procurando uma brecha em nossa defesa, a melhor hora para atacar! – Dean reclama alto olhando para o demônio e o conde. – Você pode ter o seu demônio shotacon particular aí, mas eu e meu irmão só temos um ao outro em quem se apoiar! Um possível ataque a você poderia respingar na gente e se não estivéssemos preparados?
Ciel permaneceu em silêncio, caminhou e se sentou com calma cruzando as pernas no sofá da sala da suíte presidencial e olhou firme nos olhos verdes do caçador, porém começou a falar com brandura: – Você fala como se vocês fossem completamente indefesos. Nem você ou o seu irmão estavam em perigo. Quem quer que seja está me vigiando de perto a maior parte do tempo desde que cheguei nesse país. Se quisesse me atacar e me matar logo não acha que teria feito isso há mais tempo? Estive morando com Rachel por mais de um mês, teria sido uma boa oportunidade não acha?
Dean, Sam e Castiel estavam parados a uns três metros de distância do garoto olharam para o conde com atenção enquanto este continuou a falar.
– Esse aí é um demônio em miniatura, só pode ser. – fala Dean para o irmão se afastando um pouco passando a mão na cabeça para se acalmar.
– Quem quer que seja parece estar gostando de brincar de gato e rato conosco. – conclui o garoto.
– Gostaria de tentar algo. – Castiel fala se aproximando do garoto o que fez Sebastian se posicionar do lado do menor. Castiel olha para o demônio e prossegue – Quero mandá-lo de volta a sua época original. – Ciel voltou sua atenção ao anjo. – Talvez fazendo isso as coisas por aqui voltem ao normal.
– Isso seria possível? – questiona o garoto se pondo de pé perto do anjo. – Seria possível me mandar de volta agora?
– Perfeitamente. O tempo é fluídico. Não é fácil, mas podemos mexer nele às vezes como você bem sabe. – fala Castiel se aproximando do garoto sob os olhares atentos dos presentes. Castiel encosta seus dedos indicador e médio na testa do garoto e se concentra, Ciel fechou os olhos e... NADA. – Hã? – Castiel tentou mais duas vezes – Como imaginei algo está interferindo nos meus poderes. Uma magia muito poderosa o está prendendo aqui. Mas com qual objetivo?
– Que tipo de bruxaria é essa que é mais forte que a de um anjo? – questiona Dean.
– Uma muito antiga. Com a magia certa é possível bloquear o poder de um anjo. – responde Castiel olhando para o demônio. – Desconfio que seja...
– Sim, provavelmente... – fala o demônio.
– Gostaria de ver o local de sua chegada, Ciel Phantomhive. – fala o anjo.
Minutos depois os cinco estavam na mesma praça que foi o local da chegada de Ciel nos Estados Unidos. Olhavam com atenção o gramado da praça próximo do canteiro de flores, buscavam qualquer pista que esclarecesse a situação. Na verdade apenas Castiel e Sebastian olhava com atenção, tudo ali estava perfeitamente normal para os olhos humanos dos caçadores e de Ciel.
– Acharam alguma coisa? – pergunta Dean.
– Sim, minhas suspeitas estavam corretas... – responde Castiel.
– Sem dúvidas... – Sebastian também fala.
E ambos falam uníssonos – Isobel.
A três quarteirões de distância em uma cafeteria um certo demônio de olhos prateados observava as últimas cenas esboçando um leve sorriso enigmático. Ergueu-se da cadeira confortável deixando o dinheiro da conta, colocou a revista que estava folheando embaixo do braço e com as mãos no bolso caminhou despreocupadamente pela calçada do bairro.
Voltando a praça...
– Agora tudo ficou mais claro... – fala o demônio com a expressão pensativa.
– Quem é Isobel? – questiona o conde.
Sebastian olha o relógio de bolso e diz: – Senhores, poderíamos prolongar a conversa em outro lugar? Já está na hora do jantar do meu mestre.
Todos reviram os olhos com a preocupação do mordomo em seguir os horários estabelecidos como um lorde inglês.
Minutos depois estavam em um restaurante Francês bem conhecido por Sebastian. Já estavam na sobremesa quando decidem ir conversar em outro local. Caminhavam aparentemente despreocupados por uma praça bem arborizada e cuidada em uma área mais afastada. Poucas pessoas passavam no local a estas horas da noite, sentaram-se em uma das mesas dispostas na praça, só permanecendo Sebastian e Castiel em pé em lados opostos.
– Então, quem é Isobel? – Dean questiona.
***
Em outro ponto da cidade em um nobre bairro residencial. Nicolas se aproximava da ruiva que olhava o caminhar despreocupado deste. Nicolas esboçou um sorriso para a mulher que retribuiu com a mesma intensidade, compreendendo o que aquele sorriso queria dizer.
***
– Isobel, é alguém que conheci há séculos atrás. É uma bruxa poderosa como poucas que conheci. – fala o demônio sendo escutado com atenção pelos demais na mesa. – Nos conhecemos um pouco depois que espalhei a peste negra na Europa e...
– Peraí, peraí... Você espalhou a peste negra na Europa?? – questiona Sam arqueando as sobrancelhas e logo depois olhando para Dean.
– Sim. Mas agora isso não vem ao caso...
Sam e Dean se entre olharam e depois olharam para Castiel que não estava com uma expressão de nenhum pouco surpreso, quanto a Ciel folheava sem muito interesse uma revista de jogos modernos que tinha comprado em uma loja de conveniência pelo caminho.
– Passei alguns séculos na companhia de Isobel, entre idas e vindas saiamos juntos para destruir e levar o caos a algumas nações. Éramos amantes e de certa forma parceiros, pelo menos ela considerava assim. Porém nunca nos privamos da companhia de outras pessoas ou demônios – explica o demônio esboçando um sorriso malicioso sob o olhar perplexo dos caçadores. – Se vocês tivessem uma eternidade pela frente saberiam que muitas coisas podem se tornar entediantes.
– Ok, e depois o que aconteceu? – Sam perguntou.
– Foi uma época que só sabia comer. Até que perdi o interesse por almas de má qualidade.
– Humph! Bem dito por um mísero demônio. – Castiel fala o olhando nos olhos.
– Eu estava farto do comportamento das amostras disponíveis há muito tempo, – fala o demônio com a voz mais rouca e demoníaca fazendo todos prestarem mais atenção em seu sorriso exibindo de relance suas presas afiadas – até que encontrei o jovem mestre, naquela época pensei “se puder matar o tempo e ter uma boa refeição estou de acordo”. – fala o demônio olhando para Ciel de lado e logo depois prosseguiu com sua voz mais normalizada para os ouvidos humanos – As expectativas que tinha para com ele foram mais além.
Todos olham para Ciel que permaneceu calado.
– Isso responde muitas coisas... Estava curioso para saber por que uma besta feroz como você está bancando o mordomo gentil. – fala Sam.
– De certa forma foi bom você e aquela mulher se separarem. Apesar de que eu não vejo ele (Ciel) como um produto de alta classe, mas... honestamente demônios são tão... – fala Castiel dando um suspiro enfadonho.
– Então você acabou deixando de lado essa Isobel? – questiona Dean.
– Com certeza, como um akuma que encontra uma boa refeição me dedico por completo ao meu mestre. E também o mestre é o tipo de pessoa que quando toma uma decisão irá trabalhar sem descanso. Mesmo que o caminho que ele escolher for longo e escuro, ou mesmo frio e sem misericórdia alguma, é por isso que sempre estarei ao lado dele.
– E Isobel não aceitou isso com facilidade. – Sam afirma.
– Então tudo isso por causa do fim de um relacionamento mal resolvido entre um demônio e uma bruxa de mais de 600 anos? – Dean questiona.
– É o que parece... – fala Sam.
– Que idiotice! – fala Ciel em meio a um bocejo. – Em todo o caso essa era a peça que faltava no quebra-cabeça.
– Sim, ela foi a responsável pelo seu sequestrou. – fala Castiel. – Estava fazendo o possível para afastá-lo de Sebastian.
– No entanto não a encontrei sequer uma vez no período do desaparecimento do bocchan até o momento.
– Ela provavelmente estava vendo tudo de camarote de algum lugar – fala Dean.
– Talvez, mas porque não me matou quando teve a chance? – questiona o garoto.
– Porque provavelmente estava vendo o circo pegar fogo a uma distância segura. – responde Sam.
– A conhecendo bem, também diria que por curiosidade. Ela com certeza iria colocar meu mestre a prova. Iria querer ver por quanto tempo ele sobreviveria sozinho, sem sua fortuna e sem seu título de nobreza em um país estranho, em um século diferente. Por isso o vigiava no inicio a distância com aqueles demônios classe baixa – fala o demônio parecendo orgulhoso de seu mestre por ter conseguido extrapolar as expectativas de ambos. – Logo depois ela não conseguiu mais interferir na localização do selo do contrato e o encontrei.
– Pelo menos agora sabemos por que os demônios estavam atrás de Ciel. Então você sabia disso e por isso estava fingindo dar uns pegas no garoto para irritá-la? – questiona Dean ao akuma.
Fez-se um silêncio constrangedor sendo possível ouvir somente o barulho do vento chacoalhando a copa das árvores e um grilo solitário na praça – Às vezes você pode também ser bem inocente, hein? – Sam diz tocando a mão no ombro do irmão mais velho que se toca pelo que disse (ou não).
– Acredito que ela enxergou bem o que estava por acontecer... – Castiel fala.
– Eu sei que você é, tecnicamente, mais velho do que eu ou que qualquer um que eu já tenha conhecido, mas isso é... impactante. – fala Dean olhando para Ciel que ficou constrangido com a colocação da frase. – Um garoto de mais de 130 anos e um demônio... prato cheio para a psicanálise.
– Não permiti a esse demônio de ter tais liberdades comigo se é o que insinuou! Mas vocês bem veem que ele é muito maior e mais largo do que eu! – Ciel esbraveja emburrado.
– Tá, tá, calma! É que teve um momento lá na suíte que você pareceu estar gostando, então fiquei confuso... – Dean fala e depois é interrompido.
– É melhor você não tentar mais concertar a frase. – fala o garoto estreitando os olhos bicolores para Dean.
Quanto a Sebastian levou a mão a boca tentando conter um riso.
– Se é assim, por que não ordena que pare? – questiona Sam. – Pelo que sei a marca do contrato em seu olho direito tem um grande poder autoritário.
– Sim, mas esse maldito me fez dar minha palavra de conde inglês que não daria nenhuma ordem que o proibisse de me tocar. – explica o conde. – Assim, pelo que entendi, uma promessa foi feita. Nem me pergunte como!
– Sujeitinho aproveitador... – fala Dean perplexo se referindo ao demônio.
– Não há como quebrar essa promessa? – Sam questiona olhando para Castiel.
– Promessas são levadas muito a sério por minha raça. – responde o demônio olhando para Sam com um sorriso perturbador.
E a discussão continua com as vozes alteradas...
***
Do outro lado da cidade...
– Então Sebastian já sabe que sou eu? Então devo mandar pelo menos um oi. – fala a ruiva caminhando em direção ao jardim da mansão, usava um vestido tubinho preto que contrastava com sua pele clara, abaixa-se e toca o solo em seu jardim, pega um punhado de terra e leva a mão próxima da boca soprando delicadamente os grãos de terra que começam a se espalhar de uma maneira desordenada e crescente, por fim abre um sorriso perverso mostrando os dentes alvos emoldurados por lábios na cor coral.
***
Ciel pigarreia para chamar a atenção e focalizar o assunto – Todos esses problemas por causa de uma bruxa estúpida e seus comparsas... Se conseguirmos derrotar essa mulher, essa bruxa, eu poderia voltar para minha época original? – pergunta a Castiel.
– Quanto mais tempo você passar nessa época mais difícil será seu retorno. – responde o anjo. – Talvez ainda não seja tarde de mais para isso.
– Isso está virando uma corrida contra o tempo. O que fará? – Sam questiona.
– Essa bruxa tem que pagar por me privar da minha vingança. Eu vou deixá-la saber do fim para aqueles que me envergonharam e humilharam. Entendeu Sebastian?
– Yes, my lord.
– Pfff... Que frase mais dramática – Dean fala.
– Dramático seria ir antes de matar quem fez isso comigo. Mostrarei que não se mexe com Ciel Phantomhive.
– Em todo o caso pode contar com a gente. Quanto mais cedo isso se resolver melhor. – Sam fala e Dean concorda.
– Não. – responde Ciel curto e grosso. – Essa briga é minha e de Sebastian. Além disso, vocês podem atrapalhar.
– Garoto, você está numa época estranha, em um país estranho, cercado por pessoas estranhas, seu único porto seguro é um demônio pervertido e ainda quer recusar nossa ajuda? – Dean questiona. – Se tratando de esquisitices não encontrará ninguém melhor do que nós. E assim como vocês, queremos por um fim a isso.
***
Isobel sorria cada vez mais com a mão erguida liberando aos poucos os grãos de areia que ganhavam mais e mais volume. Devido a forte bruxaria nem Castiel e Sebastian estavam percebendo o que estava por vir.
***
– Sabe, pode não ser da minha conta, mas... Anjos e demônios são inimigos naturais, por que não se atacaram? – Dean questiona parecendo até querer instigar essa situação a acontecer.
– De fato, somos inimigos. Mas por ser um demônio não significa que tenho que ser mal educado em atacá-lo primeiro. – responde o demônio de maneira provocativa.
– Só não o extermino agora porque uma briga nossa poderia destruir metade dessa cidade e provavelmente tiraríamos as vidas quem queremos poupar.
– Anjos. Sempre prudentes. – provoca o demônio. – Afinal, o único meio dessas pessoas viverem felizes é não saberem de nada que possa preocupar suas mentes...
A conversa é interrompida quando se deparam com um gigantesco paredão de poeira e terra que vinha em suas direções, os cinco ainda puderam ouvir uma risada feminina antes de sumirem na tempestade de areia...
Notas finais
Boas festas juninas!!
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