Esse Jovem Conde, No Século XXI!

18 Esse mordomo e seus desejos consumados.


Notas iniciais
Olá pessoal! Aqui mais um capítulo da estória. Sobre as tempestades de areia coloquei em itálico algumas informações verdadeiras sobre isso que acontece lá no Arizona, modifiquei somente alguns números para não ficar totalmente igual.E um obrigada a Kunimitsu e a Lívia por também favoritarem minha fic.Vamos ao capítulo...

Sebastian estava com Ciel no colo, Dean e Sam estavam no chão ainda com a postura de defesa (estavam protegendo a cabeça) quando perceberam que estavam no quarto de hotel que os caçadores estavam hospedados. Castiel os levou no último segundo para lá, o quarto estava com areia por toda parte.

– Lá se foi nosso depósito. – fala Dean ao olhar o estado do quarto e ainda balançando a cabeça para se livrar da areia. Os demais faziam o mesmo.

– Do nada apareceu aquela tempestade de areia. – Sam diz. – Ou foi obra daquela bruxa?

– Segunda opção – responde Castiel.

– E aquela risada no momento da tempestade? Ela é uma doida! – Dean esbraveja indo ao banheiro passar água no rosto. – Tem terra em mim por toda parte, até por dentro das calças! Eu hein.

– Ao que parece ela queria dar um oi. – diz Sebastian.

– Um “oi”? Ela nunca ouviu falar de celular não? – fala Dean secando o rosto. – Imagina uma frase inteira então?

– De agora em diante mais coisas como essas vão acontecer – diz Sebastian entregando uma toalha limpa a Ciel que também tinha ido lavar o rosto. – É bom estarem preparados.

...

Já passava das 01h30min quando os cinco estavam na mansão do bairro nobre de Phoenix, Castiel conseguiu rastrear o ponto de partida da tempestade de areia. Já estavam no jardim e se encaminhavam agora a uma das portas da casa, Sam retira do bolso uma maletinha com pequenas ferramentas e começa a mexer na fechadura da porta enquanto Dean olhava ao redor para conferir se ninguém os pegava em flagrante de invasão. Ciel aguardava ao lado de caçador mais novo o vendo em ação.

– Você é muito habilidoso com isso. – constata o garoto.

– Ora, isso é um elogio? – questiona Sam já abrindo a porta.

– Só foi uma constatação. – responde o conde.

– O melhor é não chamar tanta atenção. – fala Sam entrando com cuidado na casa. Os demais também entram e como suspeitavam não tinha ninguém na mansão. Caminham pelo local em busca de pistas do paradeiro da bruxa e não encontram nada.

–Uau... que mansão! – Dean fala um pouco baixo já na sala principal. A sala era enorme em tons neutros nas paredes (cinza claro e detalhes brancos). Poucos móveis, porém bastante sofisticados, uma escada branca que leva ao andar superior e alguns quadros nas paredes.

– Não faça barulho! – alerta Sam ao irmão.

– Foi mal. – Dean responde baixinho. – Mas a casa parece vazia.

Sam e Dean olham ao redor e nada. Nenhum sinal da presença da bruxa ou de algum outro demônio na casa. Os cinco resolvem se separar Sebastian e Ciel vão revistar os cômodos da casa no andar superior, Castiel e os dois caçadores ficaram com a parte térrea, porém seguiram em direções diferentes. Quase uma hora depois os cinco se reúnem na sala novamente e se deparam com um grande espelho suspenso bem no centro da grande sala. Aproximam-se com cautela, Dean fica de frente para o espelho com moldura dourada e não vê nada além de sua própria imagem que de súbito ergue os cantos da boca em um sorriso debochado, o que surpreende o caçador.

– Dean Winchester, eu presumo. – fala a imagem do caçador o fitando de cima a baixo.

– A bruxa, eu presumo. – responde o caçador com desdém encarando a própria imagem.

– Meu nome é Isobel, caçador. – fala a bruxa que sem mover um dedo sequer dá uma bofetada na face do loiro. – Mais respeito.

Dean leva a mão até a bochecha voltando a face para a bruxa no espelho meio que surpreso pelo que aconteceu. Os outros quatro ficam de frente para o espelho também.

– Dois humanos que caçam criaturas sobrenaturais, um anjo, uma criança arrogante e um demônio... uma equipe deveras interessante. – fala a bruxa olhando um a um até chegar a Sebastian, a bruxa o olha nos olhos. A imagem no espelho começa a ficar tremula com pequenas ondas e quando fica nítida novamente Isobel está na sua forma original, uma bela mulher ruiva de formas voluptuosas que sai do espelho e caminha na direção do akuma, Isobel estava ali mais não totalmente, era possível ver através dela, não era uma imagem sólida. Isobel usava um vestido longo azul marinho com um decote profundo, caminhava de uma forma provocante em direção ao akuma – Sebastian... quanto tempo não o vejo. Você continua lindo e elegante como sempre... – fala a ruiva tocando o rosto do demônio com suavidade – Sua beleza é atemporal.

– Obrigado. Devo dizer que você continua muito bonita também. – responde o akuma.

– Sim, eu sei. – fala a ruiva sorrindo erguendo um pouco a saia do vestido e dando um leve rodopio. Depois voltou a olhar para o akuma e se aproxima – Ah, meu querido. Nós éramos perfeitos juntos... Até esse garotinho aparecer. – a ruiva agora olhava Ciel de cima a baixo de forma indiferente, não compreendia como um simples mortal como aquele com tão pouca experiência de vida poderia atrair a atenção de um demônio como aquele.

– Sabe, crianças como você deveriam ter cuidado com suas escolhas. – fala a bruxa em tom de provocação.

– Sabe, as escolhas que faço é problema meu, com a idade que tem ainda não aprendeu a cuidar da sua própria vida? – revida o garoto.

Os dois se encaram sem desviar a atenção sendo interrompidos por Castiel: – Você mexeu em um delicado equilíbrio ao trazer esse garoto para esta época, e quanto mais usa sua magia mais caos está trazendo. Você deve parar. Devolva o garoto Ciel Phantomhive a sua época original e não use mais sua magia.

– Não. – responde a ruiva olhando para o anjo. – Quero Ciel Phantomhive implorando por sua vida. Quero Sebastian do meu lado novamente, como antes.

– Tch... que mulher problemática. – fala o conde de maneira provocativa.

– Não se preocupe garotinho, quero acabar com você lentamente. – fala a bruxa dando dois passos na direção de Ciel.

Sebastian caminhou com uma elegância tranquila se interpondo entre os dois encarando a ruiva com uma postura protetora e ameaçadora – Isobel, você não iria querer me ver descontrolado. – fala o demônio em um tom gélido perfeito que era muito assustador aos ouvidos humanos.

O clima na sala ficou extremamente tenso, os dois caçadores e até Ciel olharam para Sebastian e chegaram a pensar o quanto aquela imagem de mordomo perfeito encobria sua real selvageria, pois aquelas palavras fizeram a bruxa o encarar com raiva e de forma que no momento não queria pagar para ver, ela acabou dando meia volta e se aproximou do espelho novamente, prestes a entrar voltou a olhar para Sebastian.

– Sei que a vida desse garoto será um breve instante diante da nossa eternidade... Mas eu quero você comigo. Farei você perceber que sou ideal para você. – disse a ruiva dando também uma olhada para Ciel e entrou no espelho. – Por enquanto deixo vocês em boa companhia. – e sua imagem com um sorriso alvo aos poucos se desfez e um silêncio perturbador tomou conta do local.

– ... Não estou gostando disso. – Dean fala em tom de alerta ao irmão.

– Também não estou gostando nada disso. Está muito quieto. – Sam diz.

– Melhor sairmos daqui – o anjo alerta. Castiel tentou levar todos para fora da casa mais algo o impedia, foi até a porta principal e não conseguiu abrir. Dean foi até uma das janelas e não conseguiu abri-las, Sam jogou uma cadeira e o vidro da janela não quebrou.

– Não adianta. Ela nos trancou aqui. – fala Sam olhando para Dean. – Não tem como um de vocês dois quebrarem uma parede dessas pra gente sair? – Sam questiona ao anjo e ao demônio.

– Se fosse o caso já teríamos feito isso. – responde Castiel. Sebastian deixou os demais e foi verificar os outros cômodos da casa em busca de uma saída, os quatro ficaram na sala principal.

De repente foi possível ouvir dois fortes rosnados e algumas lufadas de ar frio foi sentida próximo aos quatro, quando viraram-se para olhar não conseguiram enxergar nada da direção que vinha o barulho, Dean reconheceu a situação, porém apenas Castiel conseguiu ver dois imensos cães negros com garras enormes e presas afiadas. (os três humanos presentes não conseguiam ver porque os únicos que podem vê-los são demônios ou pessoas com contratos de pactos vencidos que os cães estão caçando).

– São dois cães do inferno. – Castiel alerta. Não conseguiu retirá-los da casa, mas conseguiu leva-los a outro cômodo, no caso a cozinha, Sam e Dean mais que depressa procuram sal e colocam na porta e janelas da cozinha pra impedir a entrada dos cães que agora batiam na porta sem conseguir entrar.

Um vento forte começou a soprar retirando o sal na porta aos poucos, Castiel empunhou sua adaga longa prateada e se colocou na frente dos dois imensos cães negros do inferno e os ataca, apesar de não conseguirem ver os dois cães conseguem observar a agilidade do anjo ao atacá-los de forma mortal. Com os dois cães mortos Sam e Dean respiraram aliviados.

– Esses eram dos grandes. – fala o mordomo se aproximando da cozinha observando o estrago feito pelo anjo aos dois imensos cães. – Acredito que com isso poderemos sair dessa casa agora. – Sebastian diz já se encaminhando em direção a porta e a abrindo para Ciel passar.

Do lado de fora, afastados da casa, os cinco caminhavam pela calçada...

– Argh! Eu detesto bruxas! – Dean exclama com uma expressão de nojo.

– Acredito que ela não nos importunará mais no momento, melhor irmos descansar e depois conversamos sobre os próximos passos. – fala Ciel depois de um bocejo. Todos concordam.

– Aqueles cães do inferno... Aquilo foi assustador! – Dean fala.

– Imagino que sim, levando em conta sua experiência com esse tipo de cão. – fala o demônio com desdém para Dean que praticamente fuzila Sebastian com os olhos.

Dean preferiu não cair mais na provocação do demônio e volta a atenção para Ciel – Pode-se dizer que você é um carinha de sorte em ela não ter te mandado pra outro planeta, garoto. Ela é uma bruxa poderosa.

Ciel dá um suspiro enfadado e acabam pegando direções opostas em determinado trecho do caminho.

– Que noite doida. – fala Dean balançando a cabeça em negação.

***

Já passava das 13hs quando Ciel desperta. Esticou os braços espreguiçando-se e olhou em volta do imenso quarto viu seu mordomo sentado na mesma poltrona escura a olhá-lo “isso já está virando um hábito...” pensou ele, mas preferiu não dizer nada, apenas desviou os olhos do olhar carmesim do demônio e virou-se para a lateral da cama e sentou-se enquanto o mordomo se levantou e foi abrir as persianas deixando a luz do dia entrar no quarto. Tinha sido uma madrugada agitada, quando ele e seu mordomo finalmente chegaram ao hotel o dia já estava quase amanhecendo e o jovem conde praticamente apagou devido o cansaço.

– Hoje tire o resto do dia livre, bocchan. A madrugada foi deveras cansativa. – Sebastian sugere.

– Sim. Prepare meu banho. – Ciel falou em meio a um bocejo.

Sebastian foi até a banheira e a preparou com sais de banho, Ciel adentrou ao banheiro e falou para mordomo se retirar.

– Posso saber por que não quer mais minha ajuda no banho? – questiona o mordomo logo depois exibindo um meio sorriso torto. – Tenho a impressão que está tratando de me evitar.

– Não seja ridículo. Não estou te evitando, estamos no século XXI, Sebastian. Todos tomam banho sozinho. – responde o jovem conde retirando a blusa. – Enquanto estou no banho peça meu almoço.

– ... como desejar. – e o mordomo se retira. Apesar das palavras ditas tanto o mordomo quanto o garoto sabem que estas não eram totalmente verdadeiras. Desde que o demônio demonstrou suas reais intenções o garoto não via mais a hora do banho como antes, pareceu despertar das reais ações meticulosas de seu servo de todas as vezes que o banhou e o quanto ele se deleitava mais do que o próprio garoto com aquele momento.

Terminado o banho apesar de se vestir sozinho ainda precisava que seu servo desse alguns ajustes para ficar melhor apresentável, quanto a Sebastian fazia isso com a mesma máscara insondável que sempre utilizava apesar dos desejos que ocultava dentro de si. Depois do almoço Ciel agora usava o computador do quarto, aprendeu tempos atrás com Peter a usar a internet e estava agora aproveitando para pesquisar os rumos da Inglaterra desde seu desaparecimento. Sebastian fitou Ciel mexendo no computador, o jovem olhava com um interesse infantil as imagens que pouco a pouco iam se abrindo.

– Seu desejo de conhecimento tem aumentado cada vez mais, jovem mestre. Isso é esplêndido levando em conta o pouco tempo que está aqui. – fala Sebastian.

– Esta época é muito diferente da minha, é bom saber como as coisas funcionam hoje em dia. – Ciel se deteve ao abrir a caixa de entrada e ver alguns e-mails, eram de Rachel e outros de Peter. – Ora... – Rachel fez um e-mail para Ciel, apesar deste dizer que não era necessário devido não ter outros com quem trocar mensagens além dela e de Peter, até o momento nunca se interessou em visualizar porém hoje acabou sem perceber indo até a caixa de entrada e acabou vendo mensagens dos dois de semanas atrás, antes deles descobrirem que ele era o contratante de um demônio. Os e-mails constavam de mensagens curtas em que tiravam brincadeiras com ele. – Aqueles dois são uns bobos.

Ciel se deteve ao ver reportagens sobre a tempestade de areia na noite anterior, era o assunto do dia e ao que parece seria o assunto da semana também. Ninguém desconfiava que aquilo fosse obra de um feitiço de uma bruxa com mais de 600 anos. Sebastian se aproximou para conferir também as principais manchetes e imagens.

“Apesar de frequentes, as tempestades de areia ou haboobs do Arizona nem sempre significam perigo aos moradores. Muitas vezes, apenas reduzem a visibilidade na região.”

“Uma enorme tempestade de poeira envolveu a cidade de Phoenix, no estado do Arizona, sudoeste dos Estados Unidos, na noite de xxx deixando-a na escuridão e derrubando postes de energia elétrica, reduzindo a visibilidade na região.”

“A nuvem tinha cerca de 100 km de largura com ventos de mais de 95 km/h, segundo a rede de televisão ABC. Não foram reportadas vítimas ou danos materiais.”

“O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos confirmou que uma ‘tempestade de poeira muito grande e histórica’ havia passado pela região, sem dar mais detalhes.”

Minutos depois o telefone do quarto toca e Sebastian vai atender, era Rachel que queria falar com Ciel. Sebastian entrega o telefone para o conde.

– Rachel, como vai? Estou bem também. Estava olhando agora mesmo uns e-mails que você e Peter tinham mandado pra mim. A tempestade de areia? Estou vendo umas imagens no computador. Surpreendente mesmo. – os dois continuaram a falar por um longo tempo, Sebastian permaneceu calado só observando a situação, até que Ciel desligou o telefone.

As horas se passaram e Ciel cansando de ficar na frente da tela do computador levantou-se e caminhou até a sacada, de lá olhava a movimentação das ruas de Phoenix. – Humph, Elizabeth teria gostado daqui, todas essas novidades com certeza a deixaram de boca aberta... Iria querer comprar roupas, conhecer tudo... – fala o jovem conde olhando o vai e vem das pessoas na calçada. Sebastian apenas ouviu seu comentário sem nada dizer. Minutos depois se sentou confortavelmente no sofá para ler o jornal, folheava entre as manchetes quando percebeu o olhar indagador do mordomo. Diante do silêncio do maior diz – Se vai continuar olhando pra mim com essa cara de quem quer dizer alguma coisa... vá em frente e diga logo.

– Sente saudades de lady Elizabeth, sua noiva? – questiona o mordomo inclinando a cabeça.

– Ela era irritante. Mas da forma dela sabia que gostava de mim... – responde Ciel com o jornal praticamente o escondendo.

– Sempre soube que o jovem mestre levava em consideração todo o carinho que lady Elizabeth sentia. – disse Sebastian caminhando até o jovem conde abaixando-se e o olhando nos olhos depois de afastar um pouco o jornal nas mãos do garoto. – Ela sentia um profundo e puro amor pelo conde.

– Amor... que sentimento tão bobo. – fala Ciel pensativo e depois ergue novamente o jornal.

– O que sentia por ela jovem mestre?

– Não sei... desde que eu nunca teria um futuro não me preocupava em dar nomes ao que sentia... Sempre pensei que o melhor para ela seria não gostar de mim, não ser tão próxima a mim. – fala o garoto com sinceridade na voz. – Não a odiava se é o que quer saber.

Sebastian lentamente ergueu os cantos da boca em um leve sorriso – Meu jovem mestre, sempre tão gentil... Por trás dos tratamentos que tinha para com ela na verdade eram tentativas de afastar sua noiva para não fazê-la sofrer, apesar de nunca conseguir êxito.

– Eu não sou tão gentil assim. – responde o conde.

– Você é gentil à sua maneira. – fala o mordomo se pondo de pé e caminha até perto de uma das janelas. – O amor que os humanos sentem... Os sacrifícios ou loucuras que costumam fazer em nome desse sentimento é algo muito difícil de compreender por minha espécie.

– Não só por sua espécie. – conclui o garoto fitando o jornal despreocupadamente.

– Eu também não compreendo o que se passa comigo. – fala o mordomo pensativo.

– Muito menos eu, parece até que sente ciúmes. – fala o menor folheando tranquilamente o jornal sem se dar conta do peso que as palavras tiveram para o maior. – Talvez por isso venha agindo estranho. – falou por fim um pouco mais baixo, não ouvindo nenhuma negação ou palavras sarcásticas por parte do maior acabou por baixar o jornal para olhar em direção do servo, o que viu foi uma expressão séria e ao que parece reflexiva do demônio que olhava em sua direção.

– Ciúmes... Hmm, talvez seja isso mesmo. – o mordomo diz dando passos calmos na direção do garoto que o escutava. – Talvez nunca tenha lhe contado isso, mas poucas almas merecem atenção da minha raça, despertar o apetite de criaturas como eu não é algo fácil. Às vezes encontramos almas puras, almas únicas tão cheias de dor e sofrimento que desejam um alívio imediato... – deu uma breve pausa nas palavras e depois continuou – Antes de encontrar o jovem mestre só sabia comer, agora não quero mais nada além de estar ao seu lado. – ao dizer isso Sebastian estava parado em frente ao garoto que permanecia sentado o olhando meio atônito.

– Tsc! Modere mais suas palavras. – falou o conde desviando o rosto. – Sou seu mestre e você é meu servo, nada mais nada menos. Se é minha alma que tanto anseia, você a terá quando acharm...- Sebastian abaixou-se colocando o dedo indicador sobre os lábios de Ciel o interrompendo.

– Ao que parece o jovem mestre não entendeu o que quis dizer, devo então ser mais claro. – Sebastian atacou firmemente a boca rosada de Ciel seus lábios ávidos pediam passagem, segurou os punhos do menor e apertou um pouco quando este tentou soltar as mãos.

Ciel desvencilhou-se dos lábios do maior, o garoto ficou rígido da tensão que o seu corpo acumulou naquele instante. A sua máscara séria retornou para afastar o constrangimento. – Detenha-se! Não brinque comigo dessa forma! – Ciel falava emburrado e com o rosto vermelho.

– Não acaricie meu sádico ser... – Sebastian suspirou e voltou as orbes oscilantes entre o castanho avermelhado e o rosa vibrante demoníaco em direção ao conde – Não estou brincando. Vê-lo todos os dias, a pessoa que eu quero... e ter que me conter. Não me provoque porque não serei mais capaz de me conter. – Sebastian o beija novamente enquanto as pequenas mãos espalmaram-se contra o peito do demônio na tentativa de criar uma distância segura. Em vão. Os avanços continuaram e agora Sebastian estava praticamente por cima do menor no sofá, Ciel arfava enquanto o mordomo beijava seu pescoço e ombros. Sem esforço o demônio segurou as duas mãos do conde pelos pulsos acima da cabeça deste e com a mão livre rasgou o tecido da camisa branca que o impedia de ter contato direto com a pele alva de se mestre. Percorreu primeiro sua mão fria no peito do garoto sentindo a textura suave de sua pele macia e quente, com a boca fez um trajeto do pescoço até um dos mamilos rosados e começou a sugá-lo arrancando um pequeno gemido dos lábios do conde, desceu sua mão esguia até o short que o menor usava e tocou o membro estimulando-o, baixou o short e provocou com a boca o membro do garoto ainda por cima da cueca o fazendo reagir imediatamente ao estimulo e ter uma pequena ereção.

– Pa... pare! Não quero isso!! Nós dois somos homens e além de tudo você é um demônio! Não podemos... Isso é estranho... – Ciel falava tentando reprimir os gemidos que insistiam em escapar de seus lábios.

– Deveria ser mais honesto, jovem mestre. Seu corpo é muito mais honesto do que suas palavras. – disse o demônio lambendo os lábios ao ver a expressão do garoto. – Serei gentil como estou sendo até agora.

– Quando você agiu com gentileza?? – questiona Ciel perplexo.

– Ora, todas as vezes que o toquei e me contive. Estava pouco a pouco o preparando para o que estava por vir. – responde o demônio com calma soltando os braços do menor e segurando delicadamente o rosto de Ciel entre suas mãos – Não há outro alguém que se adapte a você além de mim. Eu sou perfeito para você. – e o beijou lentamente, de uma forma intensa e gentil.

Ciel sentiu o rosto queimar diante das ações e declarações de seu servo e verdadeiramente não tinha como evitar as sensações que pouco a pouco passou a conhecer através dos atos de Sebastian, sensações indescritíveis para sua pouca experiência transbordavam de seu interior e pior, eram agradáveis por mais que tentasse demonstrar que não eram. “Não podemos. Se me deixo levar...” pensava o garoto.

– Não pense em mais nada, bocchan. Deixe-me preencher seus pensamentos. – fala o demônio sussurrando ao ouvido do conde parecendo compreender a batalha que se travava na mente do menor que se sentia vulnerável e exposto. Conhecia bem seus traumas, suas dores e suas vontades... os anos que passou lhe servindo o ensinou o quão contraditória aquela alma poderia ser, infantil e sádica, gentil e audacioso, perverso e ainda assim tantas vezes ingênuo. Esse era seu pequeno nobre, um jovem humano que o fizera querer sentir...

Sebastian estava por cima de Ciel o prendendo com o corpo, estava com os joelhos apoiados no sofá quando ergueu o tronco e começou a desabotoar um a um os botões de sua camisa grafite e a retirou deixando-a cair no chão, retirou o cinto, abriu o botão da calça, porém não a tirou. Ciel não conseguiu evitar direcionar seu olhar a forma como o demônio se despia, olhou cada pedaço da pele do peito e do abdômen exposto de seu servo, percebendo talvez pela primeira vez que ele era na verdade muito bonito, com proporções equilibradas, músculos definidos, mas sem exageros, a pele pálida e sem marcas contrastando com a suavidade dos fios negros dos cabelos lisos que balançavam diante de seus olhos, quanto ao demônio possuía total consciência desse fato, usar tais atributos para seduzir ou enganar os humanos era algo comum para um akuma, porém naquele momento o que mais queria era fazer seu bocchan sucumbir aos seus desejos, fazê-lo seu. – Tenho necessidade de tocar sua pele, de saboreá-la. – Sebastian sussurrou próximo ao ouvido do conde liberando sua respiração fria no pescoço alvo do garoto que sente todos os pelos finos de seu corpo se ouriçarem e o servo voltou a beijá-lo de uma forma calma e gentil. Ciel corou em constrangimento tentava recuar, mas estava sem forças, estava sem defesas diante dos avanços de um demônio insistente e das sensações até então desconhecidas para seu corpo em puberdade.

O demônio envolvia o menor habilmente sussurrando em seu ouvido, fazendo-o arrepiar-se a proximidade de sua boca e de seus corpos, estava extasiado excitado em apreciar todas as reações do pequeno, reações a seu ver, tão provocativas. Sebastian retirou por fim a última peça que cobria o sexo do conde, esboçou satisfação de uma forma sensual e maliciosa ao ver a resposta clara do corpo de seu mestre em sua frente. Deslizou as mãos até as coxas e virilha de Ciel até tocar a pequena ereção e começou a estimular suavemente o que acabou por arrancar um suspiro do jovem conde, Ciel ofegou envergonhado e virou o rosto mordendo os lábios determinado a conter os gemidos que chegavam a sua garganta. Com uma das mãos o demônio continuou os movimentos ritmados de sobe e desce no membro de seu mestre provocando pequenos espasmos no pequeno corpo que não lhe passavam despercebidos, então Sebastian aumentou a velocidade deixando Ciel completamente rijo. Agora sugava os mamilos rosados intercalando com leves mordidas, deslizou a boca até o ventre chegando a área sensível passando a ponta da língua na glande avermelhada do garoto que estremeceu com o toque tão intimo, não se contendo mais o demônio deslizou sua língua pela ereção, lambendo a virilha e os testículos do garoto que não pôde mais abafar seus gemidos. Sebastian sugava o membro rijo e delicado com desejo e intensidade, depois afastou mais as pernas do garoto e lambeu um dos dedos introduzindo-o lentamente (repetindo o movimento ousado que teve anteriormente antes de ser interrompido pelo anjo e os dois caçadores), Ciel sobressaltou diante da ação do maior que o olhou com os olhos cintilantes de prazer.

– Relaxe... o desconforto e a dor logo irá passar. – falou o demônio de forma terna. Ciel podia sentir os olhos dele agora nos lábios, no pescoço e por seu peito que subia e descia em uma respiração descompassada. O demônio se curvou aproximando seu rosto e o garoto sentiu os lábios frios tocando novamente seu pescoço parecendo aspirar sua respiração. Introduziu mais um dedo fazendo o pequeno nobre fechar os olhos envergonhado e ofegar enquanto o outro movia os dedos habilmente. Com um pouco mais dos estímulos o que antes estava doloroso e desconfortável tornou-se prazeroso para Ciel. O conde sentia todo seu corpo queimar diante dos toques e carícias tão intimas, negligentemente pousou os dedos no cabelo de Sebastian, ele os entrelaçou nas mechas escuras e sedosas. Não o afastou. Não conseguiu, pois era inútil negar, seu corpo reagia ao dele. Sebastian apreciou o gesto percebendo que seu bocchan parecia aceitar melhor agora suas investidas, um momento depois e o akuma colocou as pernas do garoto uma de cada lado se acomodando no meio delas, ficando ele a vislumbrar todas as reações de seu bocchan enquanto cada uma das mãos se empenhava na tarefa de proporciona-lhe prazer. O que não tardou a acontecer. O corpo do jovem conde relaxou em meio aos espasmos de tais sensações, era a primeira vez que sentia essas ondas de prazer lhe percorrerem o corpo, estava em êxtase. Quando Ciel abriu os olhos numa fenda viu Sebastian lambendo os dedos em completa satisfação, saboreava o líquido quente da inocência perdida de seu mestre. Logo o mais velho retirou a calça escura que usava ficando somente com a peça intima e guiou a mão do menor até o volume por baixo do tecido – Toque-me também... – falou com malícia.

Ciel ficou constrangido ao sentir o volume em sua mão e o demônio colocou sua mão por cima da do menor o guiando a fazer os primeiros estímulos, o toque inocente acabou por arrancar um gemido por parte do maior praticamente inaudível que retirou a última peça que lhe cobria o corpo, voltou a posição que estava por entre as pernas do garoto roçando suas áreas sensíveis, o contato pele a pele só os deixavam mais excitados, Sebastian reiniciou o beijo e para sua surpresa Ciel tentou acompanhá-lo timidamente o que fez o maior prolongar o beijo com brandura e com mais ternura. A mão esguia desceu pela lateral do corpo magro do garoto e levantou uma das coxas apertando-a, as pequenas mãos do conde tocavam timidamente as costas de seu mordomo, pensou em afastá-las do contato com a pele do maior, porém foi impedido pelo akuma que segurou uma de suas mãos e a beijou, depois guiou a mão até seu pescoço, se deitou por cima do conde pressionando seu membro na entrada apertada enquanto o olhava nos olhos.

– Nunca amei em toda minha longa existência. Não sei o que é esse... sentimento tão humano, mas se isso também significa admiração, querer estar junto nos bons e maus momentos, o desejo pelo corpo do outro só para si... se isso significa conhecer suas qualidades e defeitos e mesmo assim achar que você é a pessoa mais preciosa em minha existência, então acredito que o amo.

Ciel ficou emudecido pelas palavras do seu servo. Não sabia o que dizer diante da declaração feita pelo maior.

– Sei que é difícil acreditar devido a minha real natureza, mas te estou mostrando o quanto sou sério em relação a você. Não espero uma resposta imediata, serei paciente para ser merecedor de ouvir tais palavras vindas da boca do meu bocchan.

– Você está bastante confiante hein? – fala o garoto por fim de frente ao rosto pálido e atraente de seu mordomo.

– Sim, estou. – e o akuma o beijou novamente.

A pressão do membro de Sebastian na entrada de Ciel começou a ficar maior e o conde apertou com força suas unhas nas costas de Sebastian ao mesmo tempo em que encostou sua cabeça no ombro do akuma, com a penetração ainda incompleta o akuma pediu para Ciel tentar relaxar, na pausa dada para o garoto se acostumar com o corpo do outro uma lágrima ou duas caíram dos olhos de Ciel e Sebastian as lambeu. Quando percebeu que o garoto parecia um pouco mais relaxado ergueu o tronco ainda permanecendo entre as pernas de Ciel e continuou com a penetração, Sebastian fazia o possível para que o prazer fosse sentido pelos dois, até que o penetrou completamente, Ciel gemeu com a ação; houve uma segunda pausa curta para que o conde se acostumasse novamente antes do outro começar a se mover. Quando achou que o momento chegou começou a se mover lentamente segurando os quadris do conde, deliciava-se com a sensação de seu desejo sendo consumado e melhor ainda com uma certa “aceitação” de seu mestre que parecia estar começando a aproveitar um pouco também; o akuma começou a dar estocadas lentas e profundas queria que aquele momento fosse inesquecível para Ciel, que assim como ele que seu corpo jamais esquecesse aquelas sensações e aquele momento de total entrega dos dois. A penetração estava mais fácil agora com os fluidos que saiam de ambos, a estranha sensação inicial para o garoto começou a ser bem recebida, Ciel estava rijo novamente e Sebastian aos poucos foi intensificando seus movimentos começando um vai e vem tocando-o cada vez mais fundo, os gemidos de Ciel agora eram mais diferentes, o jovem conde entregou-se ao prazer, ofegava e arqueava as costas, o suor fazia seus cabelos grudarem em sua testa, era uma visão sedutora para o demônio que apreciava cada reação do garoto. Sebastian deslizou para cima do garoto em um encaixe perfeito não se contendo mais aumentando o ritmo das estocadas, Ciel abraçou o demônio em total entrega.

– Sebastian... – Ciel gemeu até que um jato quente chegou ao abdômen do mordomo e ao do próprio garoto. Quanto ao orgasmo de Sebastian veio logo em seguida preenchendo toda a cavidade do garoto com seu líquido. Os espasmos de prazer continuaram em meio à respiração descompassada.

Sebastian beijou Ciel carinhosamente que sentiu o maior sair de dentro do seu corpo, Sebastian ficou do lado de Ciel beijou seu ombro e sua bochecha bem pertinho da boca percebendo a respiração do garoto aos poucos se normalizar. Ciel olhou para Sebastian, estava exausto e estava extasiado. Com poucos minutos Ciel dormiu. Sebastian o limpou com cuidado para não acordá-lo e o levou para a cama com seus corpos ainda nus, lá o cobriu e o observou enquanto passava a mão levemente nos cabelos lisos do garoto que estava entrando em um sono profundo e sussurrou: – Meu Ciel... Meu Lorde.

Notas finais
Esse é meu primeiro yaoi então tentei escrever o melhor possível. Sério, o que acharam? rs