Notas iniciais
Aqui mais um capítulo, espero que gostem...

– Está gostando da cidade, conde? É bonita não é? Pena que não poderei ficar por muito tempo, hi, hi... – fala o funerário com a voz oscilante, parecendo até bem mais velho do que o corpo aparentava ser.

– Undertaker? Como...? – questiona Ciel.

– Acompanhem-me, vamos para outro local para conversarmos melhor. – Undertaker continuou a empurrar a maca em direção a uma sala, inclinou depois a cabeça fitando os dois irmãos. – Pode ser do interesse de vocês também...

Minutos depois os Winchester e Ciel juntamente com seu demônio estavam em uma das salas do necrotério. Dean e Sam se perguntavam como as coisas tinham chegado a esse ponto. A estranha figura de cabelos compridos e franja longa estava sentando em cima de uma maca hospitalar sob os olhares curiosos dos presentes.

– Acomodem-se por aí... – fala o homem visivelmente confortável entre os mortos na sala.

– Undertaker, como e porque está aqui? – questiona o jovem conde com curiosidade, pegando da mão do mordomo um lenço e levando ao nariz na tentativa de afastar o odor do local.

– Primeiro que tudo, quem é você? – questiona Dean olhando a estranha figura.

– Sou um veeeelho conhecido do Conde Phantomhive, – responde enquanto batia de leve suas enormes unhas pretas da mão direita, uma a uma, no metal da maca –não é mesmo jovem conde? Bem não exatamente tão jovem agora, afinal, biologicamente você tem 13 anos, cronologicamente tem mais de 130 anos hu, hu, hu...

– Ele é um agente funerário, um velho conhecido do meu antecessor e meu. – o garoto responde a pergunta feita pelo caçador. – Mas, como chegou até aqui? – Ciel volta sua atenção para o funerário.

Undertaker levanta-se e caminha em direção ao garoto – Tenho os meus meios, conde. A pergunta talvez devesse ser outra, seu mordomo já sabe quem eu sou... he he...

Ciel olha para Sebastian que explica – De fato, naquela época ele conseguiu se esconder muito bem, já que manteve seus olhos escondidos. Só tempos depois é que identifiquei sua real natureza...

Antes que Sebastian pudesse concluir sua explicação de súbito algo atinge a parede da sala fazendo Ciel, Sam e Dean se esquivarem um pouco, segundos antes Sebastian tinha esquivado a cabeça para não ser atingido, o que se pode ver na parede foi um buraco deixando por um estranho instrumento retrátil que se tivesse acertado uma pessoa comum a teria matado imediatamente. O estranho instrumento estava em posse de outro shinigami chamado William T. Spears.

– Eu pensei ter sentido uma aura desagradável. Então era você. – deu um suspiro de desânimo ajeitando os óculos. – Honestamente. – o que houve em seguida foi outro ataque ao mordomo que consegue se desviar novamente. – Francamente senhor, precisa voltar a Divisão de Gerenciamento de Despachos de Shinigamis. – fala William para Undertaker.

– E o que voc...? – antes que Ciel pudesse concluir a frase o homem de cabelos compridos e prateados afasta sua longa franja dos olhos para que o garoto o identificasse.

– Esses olhos são da mesma cor que os do outro shinigami! Undertaker é... Um shinigami?! – Ciel conclui surpreso.

Dean, Sam e Ciel olhavam surpresos se tratar de mais seres sobrenaturais, a questão era: amigos ou inimigos?

– Vocês estão tendo muitos problemas por aqui, não é? – pergunta o shinigami de cabelos prateados para os Winchester, direcionando o penetrante par de orbes amarelos com reflexos verdes agora para eles que ficam encarando o estranho homem em sua frente. Os dois caçadores notam que algo mudou, o ar em volta daquele homem parecia ter se tornado um pouco mais letal.

– Sim, estamos. Sabe algo a respeito? – questiona Sam.

– Talvez sim, talvez não. O que será hein? O que será que tá acontecendo? Ghu, hu, hu... – fala o shinigami em meio a risadinhas.

– Ora, se sabe alguma coisa fale! Pessoas podem estar morrendo enquanto conversamos! – Dean perdeu a paciência.

– Olhe seus modos! Este homem julgou a alma de Robin Hood, ele sentenciou Maria Antonieta ao inferno, entre tantas outras pessoas consideradas importantes da humanidade. Ele é o lendário deus da morte. – se intromete William com o olhar de poucos amigos para Dean.

– Ele pode ser até o Elvis Presley, mas se sabe alguma coisa é o seu dever contar! – Dean esbraveja.

– Os irmãos Winchester, famosos caçadores de criaturas sobrenaturais... Vocês realmente não tem tempo a perder, deveriam seguir mais seus instintos caçadores... – fala Undertaker se posicionando ao lado do outro shinigami.

– O que você sabe sobre a gente? – questiona Sam com uma calma mais aparente.

– Tudo... E algo mais. Sei do quanto se esforçam em proteger a todos que possam. – fala Undertaker um pouco mais sério.

– Basicamente não podemos interferir em nada, mas devido à sucessão de fatos que aconteceram... – fala William fitando Ciel. – Bem, como vocês sabem a retirada brusca desse garoto de sua época original causou desequilíbrio entre os dois mundos e a fuga de alguns demônios entre outras coisas.

– Isso já não é nenhuma novidade... – fala Dean.

– Se já não bastasse perder algumas almas para seres deploráveis como esse aí. Ainda ter que fazer hora extra... Francamente. – William fala de maneira irritada se referindo a Sebastian e a outros demônios.

– Então nos contem o que sabem – Sam diz.

– Claro, mas isso tem um preço. – Undertaker interrompe a conversa se aproximando de Sam que arqueia as sobrancelhas intrigado com o que ele quis dizer. – Então, conde... Eu quero “aquilo” em troca. – o shinigami volta-se rapidamente na direção do jovem conde que revira os olhos.

William ajeita os óculos novamente achando tudo enfadonho.

– Quero uma “risada” de primeira categoria...!! Em troca, pode perguntar o que quiser!! – falou o ex-funerário sacolejando e rindo um pouco sob os olhares descrentes dos caçadores.

– Como assim? Você quer uma piada?? – questiona Dean arqueando uma das sobrancelhas incrédulo, encarando depois o irmão que estava com a mesma expressão. – Err... Tudo bem então...- Dean dá de ombros. – Sei umas bem engraçadas, pode deixar comigo! – fala Dean se aproximando de Undertaker e começando a contar uma piada.

Undertaker se senta em outra maca em completo silêncio, ao que parece não gostou nada da piada. Dean olha para Sam fazendo um gesto com a cabeça para que o irmão tentasse também.

– Nem olha pra mim, nunca fui bom com piadas. – diz Sam dando de ombros.

– Agora, só sobrou o conde. – fala o ex-funerário.

– Droga... – diz Ciel, evidentemente não era nada bom nisso.

Sebastian dá um passo à frente dando a entender que resolverá a situação – Não tenho escolha. Todos saiam da sala e não espiem o que acontecerá aqui.

Os dois caçadores e Ciel ficaram do lado de fora aguardando, William foi o único que permaneceu na sala. Um breve silêncio se fez sendo rompido abruptamente por uma gargalhada alta: – Gyahahahahaha...

– Podem entrar. Ele está pronto para cooperar. – diz Sebastian abrindo a porta com um de seus sorrisos no rosto.

Todos os olhares se voltam para Undertaker que estava no chão se recuperando da gargalhada: – Aaaah... a satisfação... é tão booom...

William do outro lado se mantinha de pé ajeitando seus óculos sem olhar para ninguém e com o rosto virado em outra direção como quem não quer compactuar com isso.

– O que você fez? – questiona Dean.

– Nada de mais. – responde o mordomo com o rosto sério.

– Ghe, he, he... Fazia algum tempo que eu não ria tanto... Conto tudo que quiserem hu, hu...

– Sujeito maluquinho, hein? – Dean conclui.

– Como disse agora a pouco, vocês deveriam confiar mais em seus instintos caçadores... Esse amaldiçoado que vocês procuram está mais perto do que parece... hu, hu, hu... – fala Undertaker sentando-se em uma cadeira próxima e apoiando os cotovelos numa mesa cruzando assim os dedos das mãos. – Você acredita em Deus, caçador? – questiona o shinigami analisando a expressão de Dean.

– Eu não sei. Eu gostaria. – responde Dean indo se encostar em uma parede próxima e voltando o olhar para o shinigami.

– Enfim, esta criatura está causando grandes problemas. – fala William. – As almas que deveriam ser recolhidas só daqui alguns anos estão sendo pegas por ele.

– Como podemos matá-lo? – questiona Sam.

– Matar não resolve o problema. Só fará os abrigados irem para outro corpo, no caso o cadáver mais próximo. – responde William.

– Assim fica difícil... – fala Dean.

– Como seria possível detê-lo? – pergunta o jovem conde.

– Mandá-lo de volta para o inferno seria a opção mais viável. – responde William. – Vocês devem capturá-lo e fazer ele voltar para o inferno.

– Como? – pergunta Ciel.

– Os dois caçadores possuem amigos bastante influentes também, jovem conde. – Undertaker responde.

– Porque estão nos ajudando? – questiona Dean. – Pensei que seres como vocês que deveriam ficar neutros entre Deus e os homens não iriam intervir.

– Só demos uma dica – fala Undertaker –, vocês é que terão que decidir se vão adiante ou não. Livre arbítrio... he, he, he... E era muito mais divertido quando o Conde Phantomhive estava no século XIX.

– Além do mais o problema começou por sua causa. – fala William se referindo a Sebastian – Sua raça sempre causando problemas.

Sebastian arqueia uma sobrancelha atento às palavras do shinigami retornando logo depois a expressão impassível.

– E quanto ao jovem conde? O que fará o “aristocrata do mal”? – questiona Undertaker fitando a pequena figura em sua frente. – Ele vai continuar matando... hi, hi, hi...

– Ele vai parar. Não mediremos esforços para isso – fala o garoto em tom firme e seguro o que faz o demônio erguer um dos cantos dos lábios em satisfação.

– Agora temos que ir senhor – falou William.

– Apesar de tudo foi bom reencontrá-lo, conde. Espero que de alguma forma tudo se resolva – diz Undertaker para Ciel. – Livre arbítrio, conde Phantomhive, lembre-se disso: livre arbítrio... hee, hee – continuou Undertaker direcionando o olhar para o demônio e indo em direção à porta seguido pelo outro shinigami.

Dean e Sam vão até a porta e veem os dois shinigamis que à medida que caminham por um dos corredores do necrotério vão desaparecendo.

O jovem conde se aproxima dos dois caçadores e pergunta: – E agora o que faremos senhores?

– Caçar. É o que faremos. – responde Dean.

...

Próximo a um dos escritórios do necrotério um pequeno grupo de pessoas conversavam com a porta semiaberta e uma palavra chama a atenção dos quatro que já estavam de saída: “polícia”. Resolvem ouvir a conversa, o que só fez confirmar as suspeitas de Dean.

– Como disse, vou confirmar se este homem é ou não o Dr. Joseph Carter. Se não for chamarei a polícia imediatamente. – fala um homem que ao que parece é o diretor do necrotério. – Não entendo, eu pessoalmente confirmei os documentos de sua transferência e os laudos que ele fez as assinaturas combinam e falei pessoalmente com ele quando chegou para trabalhar aqui...

– Mas o homem que está trabalhando agora aqui não é o mesmo da foto – fala um dos funcionários com a pasta com os dados do médico legista. – Posso garantir.

– Também confirmo isso, este aqui na foto não é o mesmo que está vindo trabalhar aqui. – diz o outro funcionário.

– Que estranho... Nesse caso vou ligar imediatamente para a polícia. – o diretor pega o telefone e começa a discar o número.

Os quatro se afastam da sala

– Filho da... – esbraveja Dean batendo a mão num balcão próximo. – Tinha certeza que era ele!

– Também já desconfiávamos desse sujeito, tudo levava a ele... – fala Ciel.

– Dean suspeitou dele só que a mão direita desse cara não tem nenhuma marca de nascença. Nós conferimos. – Sam informa.

– Os que servem de “abrigo” algumas vezes assumem características físicas dos abrigados, alguns mudam até a cor dos olhos de acordo com a alma absorvida. – explica Sebastian. – Provavelmente ele assumiu a personalidade que tinha mais facilidade em se aproximar de outras pessoas.

– Então foi isso que o shinigami quis dizer quando falou para confiarmos no nosso instinto de caçador. – conclui Sam.

– Eu não confio em vocês! Se o que você falou que não medirá esforços pra parar isso for verdade, ótimo, não está fazendo mais que sua obrigação! Apesar de que estamos caçando a mesma coisa não significa que vamos confiar em vocês. – esbraveja Dean.

– Dean, seja como for precisamos achar ele e se esses dois querem o mesmo... – Sam é interrompido.

– Ele é um demônio, Sam! Demônios mentem, e se de repente ele vira a casaca? – Dean continuou.

– Eu não minto. Nunca. – fala Sebastian para Sam e Dean. – Se é da vontade de meu mestre caçar essa criatura eu farei isso.

– Você só está tentando contar vantagem. Só sei que demônios são do mal. – fala Dean encarando Sebastian.

– E humanos são tão adoráveis... – revida o demônio.

– Mas já estou deixando claro, não vamos baixar a guarda pra vocês! Não confiamos em vocês! – Dean fala por fim.

– Humph! Digo o mesmo, senhor Winchester. – fala Ciel logo em seguida virando o rosto e seguindo por outro corredor com Sebastian.

– E não vire a cara seu pirralho! – esbraveja Dean novamente.

As duas duplas se separam e começam suas buscas pelo necrotério, acabam se encontrando na sala de atendimento.

– Não sinto mais a presença dele aqui. – diz Sebastian. – Ele já foi embora.

Dean se aproxima de um funcionário e mostra o distintivo falso pedindo o endereço do médico.

– Nos vemos lá, senhores. – fala Sebastian depois de aninhar o garoto no colo meio que a contragosto deste e seguir correndo rapidamente pela rua e subindo depois em alguns prédios.

– Por isso que ele sempre chega primeiro que a gente. – fala Dean para Sam que em seguida entram no carro rapidamente dando a partida.

No endereço indicado...

Dean e Sam estacionam o carro do lado oposto do prédio onde fica o apartamento indicado pelo funcionário do necrotério. Ao chegar no apartamento encontram Sebastian e Ciel que já estavam lá a algum tempo.

– Ele não está. – fala o garoto sentado confortavelmente no sofá enquanto Sebastian revirava algumas gavetas. – Em todo caso achamos um corpo em um dos quartos.

– Deve ser do verdadeiro Dr. Carter. – fala Dean se direcionando ao quarto indicado pelo conde. Chegando lá Dean e Sam abrem a porta e entram no quarto, seguem até o banheiro e assim que abrem a porta se deparam com um corpo enrolado em vários lençóis dentro de uma banheira, o cheiro estava insuportável. Sam se aproxima e desenrola um pouco o lençol e vê o corpo já em estado de decomposição e vão para sala depois de trancar a porta do quarto.

– Argh! Que nojo! – fala Dean já pegando o celular e ligando para a polícia.

– Alô, quero avisar que encontramos um corpo no apartamento ****, quem sou eu? Meu nome é ... – desliga o celular logo em seguida.

– Bem, agora temos que capturá-lo. – fala Ciel se pondo de pé.

– Como? Se nem sabemos onde ele está? – questiona Sam.

– Sebastian pode encontrá-lo agora mais facilmente. – fala Ciel com um sorrisinho nada amigável no rosto.

– Não podemos matar ele sabichão. – fala Dean para Ciel.

– Undertaker disse que vocês têm amigos influentes, não é? Lembram-se de alguém que se encaixa no perfil de mandar uma pessoa com passagem direta para o inferno? – pergunta Ciel olhando seriamente para os dois irmãos.

Os dois irmãos se entreolham como que concordando. E todos deixam o apartamento antes que a polícia chegasse.

Sebastian os guia até próximo ao centro da cidade e se deparam com policiais prendendo o “Dr. Carter” na rua e o encaminhando até a viatura, provavelmente pela primeira denúncia feita pelo necrotério.

– Só faltava essa! – esbraveja Sam que observava a cena de dentro do carro juntamente com seu irmão. Ciel e Sebastian também observavam tudo a alguns metros de distância se misturando com alguns dos curiosos do local que viam o desenrolar da ação dos policiais.

Minutos depois na delegacia em uma sala reservada...

– Você foi reconhecido por funcionários do necrotério como a pessoa que está se passando por Joseph Carter. Onde está o verdadeiro Dr. Joseph Carter? – um policial interroga o suspeito.

– Já falei que vocês pegaram a pessoa errada! Eu não conheço esse Joseph Carter. Quero o meu advogado! – responde o suspeito algemado na cadeira.

– É melhor dizer logo antes que se meta em mais encrencas... – continua o policial.

Um policial chega à porta da sala e chama o colega. Fala com ele e ao que parece não eram notícias nada boas.

– Foi achado o corpo do Dr. Carter no apartamento dele já em estado de decomposição. Estão investigando a causa da morte.

Quando os dois policiais entram na sala se deparam com uma cena muito esquisita. O suspeito se debatia e se contorcia na cadeira compulsivamente, a cabeça pendia para trás de uma forma inumana e balbuciava palavras desconexas.

– Ei, você está bem? – pergunta o policial. Se aproximando um pouco. O outro nada disse saiu da sala falando alto para chamarem um médico.

Quando o suspeito pareceu se acalmar o policial se aproxima e mais dois policiais chegam na sala.

– O que aconteceu? O médico já foi chamado. – fala um dos policiais. – Ele parece meio tonto. Ei, você está bem?

– Onde estou? – pergunta o suspeito.

– Na delegacia, oras. – responde um dos policiais. – Lembra-se que está aqui sendo interrogado pelo desaparecimento do Dr. Joseph Carter?

– Desaparecimento do Dr. Joseph Carter? Mas eu sou o Dr. Joseph Carter. – responde ele.

– Acho que além do médico é melhor chamar um psiquiatra também. – fala um dos policiais.

– Ou talvez um padre. – fala o outro policial.

Eu hein.