Esse Jovem Conde, No Século XXI!
12 Investidas
Notas iniciais
Boa leitura!
Do lado de fora próximo da delegacia quatro pessoas olhavam sorrateiramente para o local cercado de policiais.
–E agora o que faremos? – pergunta Sam. – Não podemos entrar na delegacia e simplesmente tirá-lo de lá.
– A denúncia do pessoal do necrotério foi rápida mesmo. – fala Dean. – Não contava que o pegassem primeiro que a gente.
– Precisamos elaborar um plano. – fala Ciel de maneira pensativa – Ele tem duas acusações, ele é suspeito de fraude por estar se passando por um médico legista, isso é roubo de identidade e é suspeito da morte do verdadeiro Dr. Carter. Ele ficará na delegacia por um bom tempo. O suficiente para planejarmos algo. – conclui o garoto.
– Detesto ter que concordar, mas o anãozinho tem razão – conclui Dean fitando a expressão de Ciel que estava emburrado depois de ter ouvido a palavra “anãozinho”. – Precisamos bolar um plano primeiro. Mesmo que a gente tire esse cara de lá o que faríamos com ele?
Sebastian se aproxima de Ciel se abaixando um pouco para falar com ele
– Jovem mestre, já está perto da hora do seu jantar e o senhor nem mesmo fez seu lanche da tarde. – fala Sebastian ao garoto.
– Posso esperar mais um pouco... – responde Ciel olhando seriamente para a direção da delegacia.
– Ah e ele ainda é sua babá? – questiona Dean com tom zombeteiro. – Vivendo e aprendendo... quem diria que um demônio serviria de babá pra um fedelho? – termina com uma pequena risada.
– Não é nada disso! Ele só cuida da minha alimentação já que ele é meu servo. – retruca o conde com raiva.
– Precisamos ficar aqui e bolar um plano, comemos depois e... – antes que Dean pudesse concluir sua fala...
Rooonc (barriga roncando)
Nesse momento os três olham para Ciel que vira o rosto meio sem graça.
– Bom, ele não deixa de ser um garoto. – fala Sam baixinho para o irmão.
– Senhores, tem um ótimo restaurante aqui perto onde meu mestre poderia se alimentar enquanto “bolam” um plano. Acredito que seria de seu agrado também – fala Sebastian com um meio sorriso no rosto se referindo a Dean –, levando em conta que também nenhum dos dois se alimentou até agora.
Os dois irmãos se entreolham e dão de ombros acatando a sugestão.
No restaurante próximo. A refeição já estava servida, os três humanos na mesa comiam enquanto o demônio sentado próximo ao garoto só esperava.
– Só vai comer isso garoto? – questiona Dean ainda se servindo. – Para quem estava com a barriga roncando minutos atrás só vai comer esse pouquinho aí? Não é a toa que sente fome rápido.
– Já estou satisfeito. – fala o garoto passando suavemente um guardanapo nos lábios. – Além disso, quero a sobremesa.
Sebastian faz um breve movimento com a cabeça e um garçom se aproxima trazendo uma fatia de torta de chocolate depositando na frente do garoto.
– Hey, vamos querer torta de chocolate também. – fala Dean ao garçom que retorna depois com mais duas fatias de torta. – Ei, garoto. Estou curioso, por que se importa?
– Se em parte é por minha causa que essa coisa escapou de sua jaula, é meu dever ajudar a colocá-lo em seu lugar novamente. – responde Ciel rapidamente – Em todo o caso senhores, Undertaker disse que vocês têm amigos bastante influentes, deveriam entrar em contato com esses seus amigos para levar essa criatura para o local de onde não deveria ter saído.
Ciel se levanta para ir embora e Sebastian deixa uma quantia na mesa e um número para contato.
– Não tenho como negar que o garoto é um carinha decidido. – reconhece Dean.
Minutos depois Dean e Sam terminam o jantar e seguem por uma das avenidas de Phoenix. Em um galpão Sam dava os últimos detalhes em uma mesa com estranhos artefatos, velas, ervas e símbolos.
– Ainda não tenho certeza disso – fala Dean.
– Eu também não, mas se precisamos mandar essa criatura de volta ao lugar dele precisamos falar com ele. – responde Sam que logo em seguida segura uma faca e estende o braço fazendo um pequeno sangramento e direcionando gotas de seu próprio sangue em um prato rústico repleto de ervas. Sam começa a falar em um dialeto antigo enquanto Dean acende um fósforo jogando em cima da estranha mistura que incendeia quase que instantaneamente.
As luzes do galpão começam a falhar e depois é possível distinguir uma nova silhueta no local.
– Estão se divertindo? – fala Crowley que aparece diante dos dois caçadores encostado em uma das paredes do galpão. O demônio trajava seu costumeiro terno preto bem alinhado.
– Você deve saber por que estamos aqui. – fala Dean observando o demônio em pele humana se aproximar. Dean e Sam direcionam os olhares ao teto do local o que faz o demônio olhar para cima e perceber que está preso em uma imensa armadilha do diabo impossibilitando sua aproximação até os dois caçadores e o obrigando a ficar.
– Pelo que sei vocês estão bem ocupados tentando colocar ordem nessa bagunça – responde o demônio com desdém. – Mas porque exatamente me chamaram? Ah, deixa adivinhar! Problemas com demônios?
– Depois que Lúcifer foi pro brejo você é o chefão lá em baixo. – fala Sam.
– Vejo que andam lendo as notícias, apesar de que essa já está velha. Sim, eu sou o chefão agora e isso de certa forma graças a você, Sammy.- fala dando ênfase a última palavra, pois sabe que ele não gosta de ser chamado assim. – Para uma morte, até que a sua foi graciosa. (se referindo a morte de Sam que acabou levando Lúcifer de volta a sua gaiola no inferno).
– Problemas no paraíso? – pergunta Dean observando melhor a expressão de Crowley. – Você parece meio abatido.
– Caras, vocês não fazem ideia. Quando peguei o cargo achava que ia ser moleza, mas para ser honesto, tem sido o inferno.
– Essa é a ideia. – fala Dean.
– Demônios são sempre problemáticos. Malvados, mentirosos e estúpidos! – continuou o rei do inferno.
– E o que você queria? São demônios. – fala Dean com tom de deboche.
– E o que vocês querem? Desembuchem. – fala o demônio irritado.
– Precisamos que você leve um funcionário seu de volta. – responde Sam. – Pelo que soubemos matar um amaldiçoado não resolve o problema. Ele precisa ir diretamente para o inferno só com passagem de ida.
– É, é isso mesmo. Só tem um detalhe, o que ganho com isso?
– Demônios, sempre querendo levar vantagem! – fala Dean.
– São apenas negócios. – fala Crowley dando de ombros. – O que esperavam? Que desse uma de bom samaritano e ajudasse vocês?
– Como você agora é o dono do pedaço tem os meios necessários para levá-lo de volta. Afinal pelo que soubemos também, “lá” está mais desorganizado do que antes. – fala Sam. – Alguns demônios conseguiram sair do inferno, por causa da chegada de um garoto que não é dessa época e sua chegada acabou trazendo sérios problemas.
– Estou sabendo e daí? – responde o demônio.
– Como e daí? Argh! Demônios, sempre distorcidos e perversos. – esbraveja Dean.
– E o que você queria? Sou um demônio. – fala Crowley em deboche usando as palavras que Dean tinha falado a pouco o deixando mais irritado.
– Se vocês não se tem nada para me oferecer, se não se importam... – fala o demônio direcionando o olhar ao teto para que o liberassem.
Dean e Sam se afastam um pouco e começam a conversar baixo.
– E agora? Pensei que ele iria cooperar, pelo que pensei lá em baixo deve tá uma zona pior que antes. – fala Dean.
– Não sei, não tem nada que possamos oferecer pra ele. Talvez devêssemos conversar com aquele akuma e tentar descobrir um jeito... – Sam falava quando foi interrompido por Crowley.
– Você disse akuma? – pergunta o rei do inferno.
– Sim... porque? – questiona Sam.
– Qual é o nome que esse akuma usa agora?
– Ouvimos o garoto chamá-lo de Sebastian. – responde Dean.
– Huum, sei de quem se trata... senhores podemos fazer negócio se eu puder falar com ele. – responde o demônio seriamente.
– Não sabemos onde eles estão, mas ele deixou um número para contato. – responde Dean. – Porque esse interesse repentino? Agora a pouco você até queria ir embora.
– O que você quer com ele? – questiona Sam.
– Akumas são demônios muito antigos, são mais independentes e bastante poderosos. Quando se dedicam ao trabalho se dedicam por completo e eles são alguns dos poucos demônios que conseguem se materializar nesse plano sem precisar usar um corpo humano. – explica Crowley. – Não é nada fácil persuadi-los. Por isso seria interessante se ele me devesse um favor...
– Pelo que sei esse akuma serve um pirralho e cumpre todas as ordens dele sem pestanejar por mais bobas que sejam. Na verdade achei isso muito estranho... Por que um demônio como ele tão poderoso se curva diante dos caprichos de um garoto? – Dean pergunta.
– Para poder devorar a alma dele, claro. – responde rapidamente o demônio. – Essa raça de demônios é muito exigente, permanecem sempre juntos a suas presas ajudando a desenvolver as almas com ódio, desejos e sacrifícios ... quando atingem o objetivo que os fizeram aceitar o pacto são devoradas por fim.
– Você disse devoradas, quer dizer que essas almas não vão para o inferno? – questiona Sam. – Pelo que sei todas as almas que fazem contrato com demônios vão para o inferno e lá são torturadas até perderem por completo toda sua humanidade, é assim que surgem os demônios. – continuou Sam.
– Isso não se aplica as almas que fazem pactos com akumas ou “contratos” como eles gostam de dizer. –fala Crowley.
...
***
Simultaneamente longe dali em uma luxuosa suíte presidencial.
Sebastian estava como sempre impecável, um maldito demônio sexy. Estava usando calça jeans escura de corte reto, uma blusa de mangas ¾ cinza de bom caimento e sapatos pretos, estava parado em pé próximo à janela observando o movimento da rua, seus cabelos negros balançavam com o vento noturno e vez outra direcionava seu olhar ao pequeno que bocejava já com suas roupas próprias para dormir enquanto assistia a um filme em uma poltrona confortável.
– Qual o problema? Você já está parado aí faz um tempão. – pergunta o garoto meio sonolento.
– Está preocupado comigo, jovem mestre? – responde o demônio com voz mansa.
– Claro que não. Porque estaria preocupado? Só fiquei curioso, você está parado aí faz tempo.
Sebastian se aproxima e senta-se em outra poltrona próxima ao garoto.
– Então, se não tem problema me sentarei próximo ao mestre e desfrutarei mais de sua companhia. – responde o mordomo com um de seus sorrisos confiantes.
Ciel fica meio surpreso, geralmente o servo demoníaco não é de ficar tão informal, porém não se incomoda e continua assistindo ao filme, como o dia foi deveras agitado para um adolescente foi cedendo aos poucos ao sono ali mesmo na poltrona. Sebastian o ergue e o leva a cama depositando o pequeno corpo com suavidade nos lençóis macios, senta-se ao lado do menor e o olha minuciosamente, a suavidade de sua pele alva e de seus cabelos macios eram convidativos ao toque e assim o fez.
Aproximou-se de seu jovem mestre e tocou com a ponta dos longos dedos a bochecha do garoto e desceu até sua boca rosada fazendo o contorno com o dedo indicador o que fez a boca do garoto se abrir um pouco e o demônio pôde sentir na ponta de seu dedo o calor vindo de seu interior. Ciel se mexe um pouco por causa do toque mais o demônio continua e desce sua mão pelo pescoço do garoto até que chega em seu peito e começa a fazer pequenos círculos por cima do tecido fino da blusa ao redor de um dos mamilos, o toque frio de sua mão faz o menor arrepiar-se deixando escapar um leve gemido lamurioso dos lábios finos para o deleite do demônio. Ciel abre lentamente os olhos e se depara com seu servo que estava praticamente curvando sobre ele de modo que o menor não via nada mais além dele, seu cabelo escuro roçava em sua testa, os lábios tão próximos dos dele, o par de orbes carmesins insondáveis prendendo o seu olhar.
– Sebas... Sebastian! O que pensa que está fazendo? – esbraveja Ciel que esperou o maior recuperar a compostura e se afastar, porém isso não aconteceu. Sebastian nada falou, o encarava com olhos desejosos como que tramando os passos a seguir. Ciel se moveu tentando se afastar, porém o que aconteceu em seguida fugiu inteiramente da experiência (ou melhor, da inexperiência) dele.
Sebastian pegou-o com precisão, mantendo-o preso num aperto impossível de sair. Depois baixou a cabeça e o beijou. Os braços fortes o seguravam de uma forma terna deixando-o imóvel sem machucá-lo. O corpo do demônio era frio no dele e o beijo foi longo. Ciel relutou tentando sair dos braços do demônio até que o aperto se desfez. Ciel e Sebastian se olharam, o menor arfava. O jovem conde reuniu suas forças e desferiu uma bofetada no rosto de Sebastian. O cabelo liso do demônio ficou um pouco despenteado fazendo-o parecer um libertino, talvez porque este também estava com um ar um tanto provocativo. Ciel virou um pouco o rosto e sentou mais afastado, Sebastian por sua vez manteve os olhos fixos no rosto do menor que tinha sua boca um pouco mais rosada e inchada agora. Esse foi o primeiro beijo do jovem conde, apesar de que desde sua infância já era noivo nunca tinha beijado sua prima, nunca avançou o sinal com ela e agora seus lábios castos tinham sido corrompidos pelos lábios de um demônio luxurioso.
– O... o que foi isso? – fala o garoto tocando de leve os lábios e com sua voz quase equilibrada.
– Um beijo. – responde o demônio fitando-o.
– Isso eu sei, mas porque fez isso? – questiona o garoto com um tremor percorrendo o corpo, estava visivelmente assustado.
Sebastian deu um suspiro e passou as mãos nos cabelos, se levantou logo em seguida e caminhou contornando a cama até ficar próximo do garoto.
– Porque quero você. – responde o demônio.
– Sei disso! Foi por isso que firmou um contrato comigo, você quer minha alma. Mas isso que você fez...
Sebastian sorriu de uma maneira lasciva: – Acha mesmo que agora é somente isso que eu quero?
Ciel nada disse estava atordoado pelo que aconteceu e pelas palavras que acabara de ouvir. Logo depois o queixo endureceu e seu rosto corou rapidamente. Um turbilhão de emoções atravessava seu rosto, o assombro, a incredulidade e por fim uma espécie de choque delicado...
– Vingança em troca de sua alma. Este foi o real motivo do contrato. Não foi nada fácil cumprir os caprichos de um garoto arrogante como você. Mas enquanto pudesse matar o tempo e no fim pudesse saborear uma boa refeição estava de acordo. – explica o mordomo sem tirar os olhos da mais mínima expressão do conde. – Mas sua alma imprudente, orgulhosa e pura me fascina e esse fascínio cresceu ao longo do tempo que o sirvo, mesmo naquela época algo em mim mudou, passei a desejar você além-mais do que me foi oferecido. – continuou o demônio.
Ciel ouvia tudo atentamente seu coração batia aceleradamente e ele sabia que o demônio podia ouvir suas batidas cardíacas frenéticas de assombro e sentir no menor a inquietação por causa de suas palavras. Sebastian aproximou-se do jovem conde abaixou-se encostando um dos joelhos no chão e segurou suavemente seus braços frágeis.
– Jovem mestre, sei que está confuso...
– Confuso? Acho que vou pirar. – havia um toque de desprezo na voz do garoto, estava nervoso além de confuso, não sabia como agir diante de tal situação.
– Eu já existo há muito tempo, como qualquer demônio sou desprovido de qualquer emoção humana, minha raça nutre e cuida dos seres humanos contratantes para depois nos alimentarmos deles, porém algo mais forte me liga ao mestre, o desejo de tê-lo vai além de cumprir o contrato. – Sebastian dizia isso com seu rosto cada vez mais próximo ao do garoto.
Ciel ao notar uma nova investida do maior fala: – Sebastian, pare com isso é uma or... — antes de concluir o mordomo o beijou novamente.
Sebastian beijava Ciel com desejo. Como demônio não era a primeira vez que beijava um ser humano, entre todas as humanas que beijou só fazia isso para cumprir ordens, nada mais. Até mesmo se tratando de sexo só o fazia por capricho de suas contratantes; um demônio possui naturalmente a aparência sedutora que atrai suas vítimas e os meios de “cativar” sua presa (sejam elas homens ou mulheres), porém nenhum desses artifícios se aplicava ao jovem conde, talvez devido a sua pouca idade e aos traumas que passou. Mas agora Sebastian queria isso, queria fazer o garoto sentir o seu desejo guardado há mais de um século. O demônio explorava com destreza a boca do jovem conde, depois percorreu sua língua entre o pescoço e o ombro do menor que arfava diante das investidas e quando parecia conseguir reunir forças para falar era calado novamente pelos lábios pervertidos do demônio. Um breve momento se passou e um celular começa a tocar no bolso da calça de Sebastian que não dá a mínima.
– Po... pode ser importante... – conseguiu falar por fim o garoto.
Sebastian solta o pequeno a contragosto e se afasta um pouco para atender o celular.
– Alô, aqui é o Dean. Precisamos conversar com você e seu “bocchan”.
– É bom que seja algo realmente importante, tendo em vista o que você atrapalhou. – fala o mordomo em um tom gélido, praticamente um rosnado que saia do fundo de sua garganta. O que fez Dean estranhar já que o mesmo a todo custo tentava manter uma aparência gentil.
– É importante sim, o cara que pode mandar a criatura de volta para o inferno disse que pode cooperar se entrar em um acordo com você. É o Crowley – explica Dean.
Um breve silêncio se fez e Sebastian responde por fim: – ... Entendo. Passe-me os detalhes do local e hora. Passada as informações Sebastian desliga o celular e volta sua atenção para Ciel que já estava de pé do outro lado da suíte.
– Sebastian...
Antes que o garoto proferisse uma ordem o demônio já estava ao seu lado impedindo-o de falar com uma das mãos.
– Bocchan, perdoe a minha ousadia, mas não me dará essa ordem. – fala o demônio com a voz sedutora olhando nos olhos coléricos do menor. – Sei que foi muito por hoje, apesar de que não sou muito paciente tentarei ir com mais calma. Quero sua palavra que não vai dar nenhuma ordem de que me afaste ou que não poderei mais tocá-lo.
O garoto abre mais os olhos como quem quer dizer “O quê?” E o mordomo insiste.
– Quero sua palavra de Conde inglês, a palavra do Conde Phantomhive. Afinal, não seria prudente de sua parte que me ordene a me afastar, levando em conta que está em uma época estranha, sem sua fortuna e com seres sobrenaturais em seu encalço. – o garoto diante da situação balança a cabeça em confirmação. – Vou tirar a mão de sua boca, não tente me enganar. – avisa o demônio.
Ciel permaneceu calado com um olhar indagador. Sebastian sentou-se na poltrona novamente e com um gesto com mão convidou o menor a sentar-se também para poderem conversar melhor. O jovem conde acaba preferindo ficar em pé.
– Jovem mestre, está assustado? – fala o demônio ao ver como o conde tentava se manter afastado. – Um simples beijo deixou o “cão de guarda da rainha” tão assustado? – falou em tom de deboche. – Sou o mesmo, ainda sou seu servo fiel.
– Sei... tão fiel que se atreve a tocar-me dessa maneira. – responde o garoto rispidamente.
– Melhor se preparar para isso, pois não vou desistir. – informa o mordomo.
– Não ache que cederei aos seus caprichos facilmente – fala o garoto com altivez.
– Não esperaria menos do meu bocchan. – fala o mordomo com um sorriso malicioso.
Ciel tentou agir o mais normalmente possível, ocultando sua irritação com a provocação e falou calmamente:
– Sei que demônios são seres amorais e sem sentimentos, sei também que pelo nosso contrato você me protegeria de qualquer um que tentasse me fazer mal. Não acha que está sendo contraditório? – fala o garoto cruzando os braços e o olhando seriamente.
– Astutas palavras, jovem mestre. – analisa o servo demônio – Continuarei protegendo-o até o fim, meu senhor nunca teria um servo tão dedicado quanto eu.
– Então, o que mudou? – questiona o conde impaciente. – Porque está agindo dessa forma?
– ...não sei explicar, apesar que demônios são seres sexuais em todo a minha existência eterna ceder aos apelos da carne era só uma das funções a se cumprir de acordo com a vontade da pessoa que me contrata. – explica o demônio. – Já possuí mulheres de beleza incomparável e agora cá estou eu cedendo aos apelos da carne por um garoto mimado e arrogante.
– Não precisa se dar a esse trabalho... – fala o garoto de maneira rude. – Deixe como está e esquecerei isso.
– Impossível. Quero estar ligado ao meu mestre em corpo e alma. – continuou o mordomo analisando as expressões do jovem conde. – E agora não voltará atrás com sua palavra, vai?
– Eu não concordei com nada disso! — esbraveja o jovem conde.
– Isso não muda o fato que uma promessa foi feita e agora não pode ser quebrada – o demônio concluiu por fim com um sorriso travesso.
Ciel fechou os olhos por um momento, reorganizando os pensamentos e concluiu que estava a sua mercê. Não havia lugar no mundo onde ele não o achasse e o garoto sabia disso.
***
Longe dali
– Acho que atrapalhamos alguma coisa... – fala Dean se aproximando de Sam. – Mas ele topou conversar.
– Então, senhores... – Crowley direcionou os olhos para o teto para que o liberassem. Sam sobe em uma escada e raspa um pouco da tinta da armadilha do diabo e assim Crowley sai calmamente – Nos vemos amanhã rapazes.
...
De manhã no mesmo galpão, os dois caçadores, Ciel e Sebastian estavam aguardando a hora exata para convocar Crowley.
– Você está péssimo. – fala Dean para Ciel que aparentava cansaço. O garoto parecia ter passado a noite em claro.
– Já estive melhor. – responde o garoto chateado fitando pelo canto do olho seu servo.
Dean direciona seu olhar ao demônio que tinha a máscara de perfeito mordomo novamente posta, sem nada perceber vai em direção a Sam que faz os últimos preparativos para o ritual que chamará o rei do inferno e minutos depois Crowley já estava lá, face a face com Sebastian.
– Como vai, “Sebastian”? – fala o rei do inferno.
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