Sam e Dean conseguiram rastrear o endereço de Peter e vigiavam de dentro do carro. Já era tarde da noite, no bairro poucas pessoas passavam pela rua, aparentemente tudo estava tranquilo.

– Pra mim esse garoto já se tornou o suspeito número um! – esbraveja Dean – Aqueles três só queriam nos impedir de segui-lo.

– Também acho isso. – fala Sam – Se ele for o assassino, se está possuído, porque está na companhia daquela garota e daquele menino? Não consigo entender a ligação entre eles.

– Nem eu. O caçador que chamamos fez os testes no restaurante com a garota hoje e ela está limpa. – explica Dean. – Ela mora naquela casa próxima a de Peter. – Dean mostra a casa a Sam.

– E o garoto? O do tapa-olho. – pergunta Sam.

– Conseguiram colocar água benta no copo dele também. Está limpo! – completa Dean – Pra mim chega, vamos chegar mais perto da casa desse rapaz, talvez entrar e dar um oi! – Dean já estava para abrir a porta do carro quando Sam o impede.

– Espere Dean! Não sabemos o que esperar desse cara. Vamos ficar de olho até descobrirmos.

– Ele está matando pessoas junto com seus outros amiguinhos e nós vamos ficar aqui esperando sentados? – Dean questiona enfurecido.

– Não servimos de nada mortos. Não podemos fazer nada até sabermos qual é o lance – responde Sam prontamente.

Três homens se aproximam da casa de Rachel de maneira suspeita, arrombam a porta e conseguem entrar, logo em seguida ouve-se um grito da adolescente assustada.

– Droga! – esbraveja Sam – Ladrões ou demônios?

– Vamos descobrir! – fala Dean já engatilhando o revólver e pegando a faca da Ruby.

...

Sam e Dean se aproximam da casa e observam pela janela o que está acontecendo.

Dentro da casa...

Rachel e Ciel foram rendidos pelos três homens, tratava-se de Russo, Joe e outro capanga.

– Vocês não desistem! – fala o jovem conde bastante irritado.

– Seu pirralho! Achou que ia ficar barato? Mãos para cima, você e sua amiguinha! – grita Russo para Ciel.

– Aqui não tem nada de muito valor, se é dinheiro posso entregar para vocês o meu pagamento! – Rachel estava muito nervosa e assustada.

– Onde está sua valentia agora garoto? – Russo apontava a arma na direção de Ciel, enquanto Joe segurava Rachel – John amarra esse garoto!

As mãos de Ciel foram envolvidas por fita adesiva resistente de modo a impossibilitar seus movimentos. Russo de imediato guarda a arma e esbofeteia o garoto, em seguida começa a vasculhar rapidamente a casa em busca de objetos de valor. Russo se aproxima de John, um sujeito deveras grande e de expressão carrancuda.

– Estão pagando um bom dinheiro pra ficarmos na cola dessa menina, deve ter algo de valor na casa... – Russo informa para John. – Vigie a porta! – depois voltou sua atenção para a garota – Onde estão as joias da sua mãe, onde fica o cofre da casa? – Russo gritava com impaciência para Rachel – Fale senão acabo com sua raça!

– Não guardo nada de muito valor aqui em casa! Estou dizendo a verdade!

– Deixe-a em paz! – Ciel interfere – Quem está pagando vocês? – Ciel conseguiu ouvir um pouco da conversa entre os dois bandidos.

Russo dá um chute em Ciel – Não se meta moleque!

Ciel dá um gemido de dor.

– Ciel!! – Rachel se debatia tentando se livrar de Joe, ainda conseguiu desferir um tapa no rosto dele que a segurou firme pronto para acertá-la no rosto também.

Do lado de fora Dean e Sam resolvem intervir, Dean vai pela frente da casa e Sam pelos fundos. Dean bate na porta e grita – Telegrama!

O terceiro capanga vai até a janela achando estranho alguém ir entregar correspondência de noite e abre lentamente a cortina. Para sua surpresa Dean quebra a janela com um vaso de plantas que estava na varanda, acertando ele em cheio. Dean entra na casa pela janela apontando o revólver para Russo, Joe que segurava Rachel leva uma cotovelada da garota sendo forçado a soltá-la. Russo aponta sua arma para Dean, mas desiste da ideia quando sente o cano de uma pistola apontada pra sua cabeça, era Sam que o rendia. Minutos depois os três invasores estavam com pés e mãos atados sendo forçados a sentar no chão. Rachel desamarrava as mãos de Ciel.

– Você está bem garoto? – pergunta Dean olhando a pequena figura que estava com marcas vermelhas no rosto e nos pulsos por causa das agressões.

Ciel fitava os dois homens que os salvaram, não pareciam ser da polícia. O mais alto estava conferindo se os três invasores estavam bem amarrados enquanto o mais baixo analisava seu rosto esperando uma resposta – Já estive melhor. – responde por fim.

Dean volta sua atenção em seguida para os três bandidos, dirige-se para Russo e pergunta – Quem são vocês?

– Não vou dizer nada sem a presença do meu advogado. – responde Russo com ar de indiferença.

Dean se abaixa ficando com o rosto na mesma altura que o homem amarrado no chão – Não estou com paciência para seus joguinhos! – falou friamente em tom de ameaça.

– Dean! Tem umas pessoas lá fora. – Sam chamou o irmão para próximo da janela.

Os dois afastam um pouco as cortinas e observam o lado de fora, vendo quatro pessoas paradas próximas a casa, os olhos experientes dos irmãos analisavam os quatro e notaram se tratar de demônios.

Rachel foi também para perto da janela e disse: – Estes são meus vizinhos, Sr. e Sra. Lewis, os outros dois não conheço. Melhor ir lá dizer que está tudo bem. – Rachel já se dirigia a porta quando Sam a impede.

– Não está tudo bem. – Sam diz se colocando na frente da porta. – Confie em mim. Não está nada bem.

– Por quê? Quem são os outros dois? – questiona a garota.

Sam olha para Dean em cumplicidade e diz: – Essas pessoas lá fora não são o que parecem.

– Nos entregue o menino, – gritam lá de fora – ou vamos entrar para buscá-lo.

Sam e Dean olham imediatamente para Ciel que estava sentado no sofá da sala surpreso também pelo que ouviu.

– Temos que nos proteger! – Dean correu e vasculhou a cozinha em busca de sal, em seguida espalhou o produto nas portas e janelas para assim impedirem a entrada dos quatro possuídos.

Rachel estava sentada no sofá próxima a Ciel, observavam tudo sem nada falarem.

– Não precisam ficar assustados. – fala Sam tentando tranquilizar os dois. – É só permanecerem sentados e calmos que nada de mal vai acontecer.

– Eles estão tão calmos lá fora... Que estranho. – comenta Dean – Por que não tentam entrar?

Sam volta sua atenção para Ciel e pergunta – Por que eles querem você?

– Não os conheço. – responde Ciel fitando a expressão interrogativa de Sam.

Ouvem-se ruídos vindos de dentro da casa, os dois irmãos sacam suas armas e cuidadosamente olham em sua volta, se aproximam de Rachel e Ciel em posição de defesa. Vindo calmamente da cozinha Peter se aproximava em passos lentos e um tanto desordenados, resmungos indecifráveis saiam de sua boca, sendo difícil distinguir de imediato que idioma ele pronunciava. Seus olhos evidenciavam que não se tratava mais do amigo de infância de Rachel, havia algo mais, algo inumano. Imediatamente Sam e Dean apontam suas armas para o rapaz.

– Ele é meu amigo, não atire! – Rachel alerta Dean.

– Ele não é mais o seu amigo... – fala Dean com sua arma apontada para o rapaz.

– Não atire, estou com medo! – falou Peter com seu tom de voz normal parecendo voltar à normalidade e por fim dando uma risada com uma voz gutural.

Peter repetiu essa frase mais umas duas vezes em meio a risadas sob os olhares atentos de todos que estavam na casa. Coisas na sala começaram a levitar e a serem atiradas contra a parede e contra os Winchester. Sam e Dean se desviavam o melhor que podiam enquanto Rachel gritava abraçada a Ciel.

De súbito os olhos de Peter começaram a mudar, ficaram esbranquiçados e a pele se movia como se algo tentasse sair. Gritou de uma maneira animalesca avançando em direção a Sam o derrubando. Dean atirou acertando o ombro do rapaz que cai no chão sob os olhares aterrorizados dos três bandidos, Rachel e Ciel. Aos poucos Peter começava a se mexer novamente, se contorcendo de forma completamente inumana. Sam começou o ritual de exorcismo, o vento começou a soprar dentro da sala, o que já estava gerando outro problema, o vento estava espalhando o sal que estava impedindo que os quatro do lado de fora entrassem.

– Dean, não está dando certo!! Essa coisa não está saindo de dentro dele! – grita Sam.

Dean pega a faca da Ruby e avança contra o rapaz, porém só consegue ferir ele levemente, Peter consegue saltar e rasteja em direção a Ciel, porém Sam consegue chutá-lo com força dando tempo para que Ciel e Rachel corressem para a cozinha. Sam e Dean decidem atacar juntos e tentam segurar o rapaz que se debate, Sam usa água benta no rapaz enquanto profere em latim as palavras do exorcismo. Peter desmaia e é amarrado.

– Mais o quê que é isso?? – fala Dean praticamente gritando.

– Essa coisa ainda está dentro dele. Precisamos sair daqui logo. – Sam alerta ainda arfando.

– Como? Os quatro ainda estão lá fora – responde Dean.

– Agora são seis. – fala Ciel que olhava pela janela.

Sam e Dean se posicionam próximo à janela e conferem o que o garoto acabara de dizer. Não tinha ninguém mais na rua além daqueles seis, provavelmente os vizinhos ficaram assustados com o que estava acontecendo e se trancaram dentro de suas casas.

– E mais essa! – esbraveja Dean. – Garoto o que eles querem com você? – questiona Dean se abaixando para ficar na mesma altura que Ciel.

– Eu não sei! Sou novo na cidade. Não entendo porque estão atrás de mim. – responde Ciel de maneira franca.

– Essa coisa pode acordar a qualquer minuto cara! Deixa a gente sair daqui! – fala Russo chorando de medo.

– Lá fora ou aqui dentro vocês correm perigo do mesmo jeito. – explica Sam – Dean, vou ligar para Bobby talvez ele possa nos dar uma dica com o que estamos lidando.

Sam se afasta um pouco e vai para a cozinha fazer a ligação, voltando alguns minutos depois.

– Diga que tem boas notícias. – fala Dean sentado no sofá com as mãos apoiadas no queixo.

– Não. Pelo que falei para Bobby essa coisa dentro desse rapaz é um dybbuk.- fala Sam de maneira desanimada.

– Dy o que?

– Dybbuk. Segundo o Judaísmo é um espírito deslocado. Geralmente esses demônios procuram um corpo hospedeiro, se ligam a pessoa, se alimentando aos poucos até não restar mais nada. – explica Sam.

– Como um parasita... Então esse rapaz não tem mais salvação? – questiona Dean.

– Depende do tempo que essa criatura está alojada nele.

– Eu ouvi tudo. – fala Rachel se levantando do sofá e indo em direção aos dois caçadores – Tem algumas semanas que percebi a mudança de comportamento dele. Podem ajudá-lo?

– Vamos fazer o melhor possível. – responde Sam fitando o olhar preocupado da garota.

De repente Joe consegue se soltar e corre desesperado em direção à porta. Dean e Sam tentam impedi-lo.

– Não abra a porta! Se você fizer isso eles vão entrar! – grita Dean – Se tirar o pouco sal que sobrou ao abrir a porta eles entrarão!

– Não vou ficar mais aqui, isso é uma loucura! – grita Joe já pegando na maçaneta da porta.

Ouve-se um tiro. Joe cai com a perna baleada. Para a surpresa de todos foi Ciel que disparou.

– Cala a boca! – diz Ciel em tom de ameaça – Minha paciência está no limite! Da próxima vez acerto sua cabeça.

Todos olharam boquiabertos para Ciel, não esperavam essa atitude de um garoto.

– Dá aqui essa arma! – esbraveja Dean tomando a arma de Ciel. – Por que você atirou nele?

– Ele e seus comparsas são irritantes! Precisamos pensar em como vamos sair daqui e eles estão atrapalhando. Além disso, como você mesmo falou ele ia nos expor ao perigo se conseguisse sair.

Sam e Dean analisavam incrédulos a postura do menino, não parecia haver nenhum remorso em sua atitude pelo que fez. Rachel assistia toda a cena, ela nunca imaginou que Ciel pudesse ter tamanha atitude, mesmo que fosse para salvá-los. Ela não conseguia tirar seus olhos do jovem conde, a postura altiva e determinada daquele garoto a fez sentir um pouco de medo, principalmente ao lembrar o que aquele velho índio dissera sobre ele.

Um barulho do lado de fora chama a atenção dos que estavam na casa de Rachel. A noite parecia aos poucos ficar mais escura, as luzes dos postes se apagaram sendo a rua iluminada apenas pelo luar, ouviu-se o bater de imensas asas; pela janela Sam , Dean, Rachel e Ciel notaram que o ar se tornava mais frio, árvores e postes chacoalhavam num frenesi, depois tudo ficou em um absoluto silêncio. Os seis demônios começaram a olhar como que assustados o que acontecia em volta. Passos calmos e firmes começaram a quebrar o gélido silêncio noturno e uma nuvem de penas negras encobria o rosto do ser que se aproximava, sendo possível somente notar suas imensas garras e um par de olhos rosa vibrante com pupilas em fenda. Um sorriso perverso foi dado revelando presas afiadas dando início ao que poderia ser uma dança; em meio aos gritos e tentativas de fuga movimentos precisos e controlados com uma fúria esmagadora destroçavam os seis seres ali presentes. De dentro da casa Dean, Sam e Rachel se afastavam aos poucos da janela, somente Ciel permanecia olhando o que se passava do lado de fora, ele reconhecia bem quem era aquele ser que amedrontava os demais por sua fúria aterradora. Dean acaba retirando Ciel de perto da janela. Minutos depois os gritos cessam.

Um vento gélido tomou conta da casa e foi possível ouvir passos indo em direção à porta que se abria revelando a escuridão da rua. Ciel se afasta de Dean que estava completamente surpreso pelo que presenciou. Uma mão demoníaca surge na porta estendida em direção para o garoto parado em sua frente, Ciel ergue a mão e a deposita delicadamente na do outro ser que a medida que se direciona a luz do ambiente muda sua forma para um humano de uma beleza perturbadora.

Diante de todos na casa esta imagem perturbadora ergue a mão direita em direção ao peito e se inclina em uma breve reverência o saudado.

– Bocchan...

Notas finais
Bom, finalmente Sebastian apareceu, rsrsrs