Notas iniciais
O início desse capítulo se passa no mesmo dia que finalizou o capítulo anterior. Frases aqui acolá de Kuroshitsuji mangá e de Supernatural (contexto diferenciado).

Risos infantis ecoavam pela pracinha do bairro, debaixo das sombras de diversas árvores o ambiente era refrescante e tranquilo, crianças corriam animadamente em suas brincadeiras de pega-pega entre os brinquedos espalhados no local, outras se divertiam no balanço e também no escorregador, outras ainda brincavam na areia com seus baldes e pás de plástico coloridos sob os olhares atentos de suas mães ou babás... De repente um garotinho de uns seis anos correu atrás de uma bola que rolou até a rua, essa cena passou despercebida pelo adulto responsável pela criança. Um carro se aproximava e apesar do motorista ter avistado o menino o impacto não poderia mais ser evitado... Susan, a mãe da criança que por poucos segundos perdeu seu filho de vista agora corria desesperada, a tentativa de poder salvar seu filho mais novo do impacto parecia mais distante à medida que seus pés tocavam o chão em uma corrida desesperada contra o tempo, entre ofegos um grito com um misto de dor e desespero se formava em sua garganta ao perceber que seus esforços seriam em vão... Até que um homem arriscou sua vida para salvar o menino, correu o máximo que pode e aninhou o pequeno em seus braços com músculos longos e esguios, saltou rapidamente rolando com a criança no chão protegendo o menor do impacto da queda com seu próprio corpo na calçada do outro lado da rua. O motorista, que minutos antes tentava a todo custo frear seu carro, abriu a porta mais aliviado para conferir se estavam todos bem. O homem alto ainda mantinha a criança aninhada em seu peito até que a mãe do menor e outras pessoas que presenciaram a cena se aproximaram assustadas e depois respiraram aliviadas ao constatar que tanto a criança quanto seu herói estavam bem. Os ajudaram a se levantar, o homem deu algumas palmadas na própria roupa para sacudir a poeira enquanto a mãe do garoto chorava copiosamente abraçada ao pequeno que por pouco não vira morrer bem diante de seus olhos. Todos elogiaram a heroica façanha do jovem homem.

– Jacob, graças a Deus você está bem! – dizia a mulher enquanto abraçava a criança diante de todos.

Horas depois mãe e filho desciam do carro e já estavam em casa, a pracinha onde ocorreu o quase atropelamento da criança ficava no bairro vizinho que era composto por famílias mais abastadas, não era tão próxima da residência deles, mas gostava de vez outra levar seu caçula para brincar lá e por causa do acontecido ela estava decidida a tornar o restante daquele dia algo mais prazeroso para o menino. Na tentativa de fazer aquela manhã se tornar somente uma lembrança ruim, iria fazer a refeição preferida da criança, naquela tarde iria abraçar e mimar seu filho, só de imaginar que poderia tê-lo perdido um arrepio subiu por sua espinha, se acalmou e observou o menino em frente à televisão assistindo desenho animado, suspirou tranquila. No caminho para a cozinha olhou para algumas fotos da família penduradas em porta retratos na parede do corredor, uma fotografia com a família (ela, o marido e seus dois filhos) durante o pôr do sol em uma praia era a sua preferida, essa foi a que mais se deteve ao observar, definitivamente era uma pessoa feliz com a vida que construiu ao lado do homem que escolheu compartilhar o prazer de construir uma família. Lembrou-se também que seu filho mais velho chegaria logo, tinha saído para ir comprar alguns produtos para o projeto da feira de ciências da escola e chegaria a tempo para o almoço, chegando à cozinha lavou as mãos e colocou um avental, retirou alguns ingredientes da geladeira depositando-os no balcão, ligou a televisão da cozinha e entre o fatiar de alguns legumes e verduras observava o noticiário local. Fatiava com certa habilidade, estava agora concentrada no que fazia até que sentiu uma leve corrente de ar, olhou para a única janela da cozinha, tendo a certeza que estava bem fechada voltou sua atenção para os legumes que ainda precisam ser descascados e fatiados. Sentiu a presença de alguém, como se tivessem passado por trás dela rapidamente, olhou para trás instintivamente e caminhou até a porta da cozinha verificando a chave no trinco e afastou a cortina observando o quintal através do vidro da porta, tudo normal. Chegou rapidamente à conclusão que ainda estava agitada pelo ocorrido horas antes, suspirou e quando ia voltar para terminar o que estava fazendo teve um susto ao se deparar com Jacob na cozinha.

– Oh, Jacob! Você me assustou, querido. – o pequeno apenas sorriu. – Logo o almoço estará pronto ok? Vá terminar de ver o desenho, logo seu irmão e seu pai estarão em casa e vamos almoçar todos juntos.

O garotinho apenas assentiu e caminhou em direção à sala. Refeita do susto retornou ao balcão para começar a preparar a carne e deu por falta de um objeto: uma lâmina em aço inox de oito polegadas. Acabou desligando a televisão da cozinha, olhou na pia e nas gavetas, porém tinha certeza que havia deixado a lâmina no balcão para fatiar a carne. Sempre tomou o cuidado de guardar essa lâmina assim com também as demais facas da cozinha, mas agora não a encontrou. Ouviu um barulho vindo da sala, pensou na possibilidade de seu filho mais velho Joshua já ter chegado, porém estranhou o silêncio que se fez a seguir, se fosse Joshua já teria ouvido sua voz e provavelmente o rapaz já teria chegado à cozinha para falar com ela – foi o que pensou – ouviu outro barulho forte, como se algo tivesse sido derrubado no chão, estranhou não ouvir a voz de nenhum dos garotos, retirou o avental e caminhou devagar até o local. Chegando à sala procurou por Joshua e Jacob, desligou a televisão e varreu com os olhos a sala procurando algo quebrado que justificasse o barulho que ouviu da cozinha, foi até a escada que levava ao andar superior da casa e do último degrau chamou por seus filhos sem obter resposta, então algo lhe chama a atenção. Viu manchas vermelhas no chão, se abaixou para examinar melhor, a televisão nesse momento ligou sozinha com o volume no máximo o que a fez sobressaltar. Estranhou o fato, mas levantou-se e desligou novamente a televisão, voltou seus olhos para as manchas que pareciam uma pequena trilha que levavam até um pequeno depósito por baixo da escada.

Abaixou-se novamente e tocou de leve a mancha vermelha, assustou-se ao perceber que se tratava de sangue. Outro barulho proveniente do depósito. – Joshua, é você? – não ouve resposta. – Jacob?? – insistiu. Nenhuma resposta, só ouviu o barulho de uma pancada vinda de dentro do depósito. Se aproximou devagar observando o rastro de sangue que chegava até a porta antiga de madeira, hesitou tocar a maçaneta, seu coração disparou e por fim girou a maçaneta. Seus olhos castanhos exibiam o terror da cena em sua frente. Jacob estava com a faca de oito polegadas que a pouco não achou na cozinha e tapava firme a boca de seu irmão nove anos mais velho, o terror estava estampado nos olhos castanhos claros do rapaz que apesar de ser maior e mais velho não conseguia se desvencilhar das mãos do seu irmão mais novo.

– Jacob, o que está fazendo filho? – falou tentando manter a voz firme e calma. – Solte o seu irmão.

Jacob apenas olhou para a mãe em pé próxima a porta, olhou a faca em sua mão a examinando e voltou a olhar para a mãe que estava tentando disfarçar o pavor que sentia. Fez a menção de entregar a faca, porém antes das mãos de Susan tocarem o objeto ele retrocedeu, a boca do menor esboçou um sorriso nada inocente e diante dos olhos da mulher atingiu o peito do rapaz acertando seu coração.

– Nãããooo!!! Joshua!! – gritou horrorizada vendo seu filho mais velho sucumbir. Se afastando do depósito pôs-se a chorar, cambaleou um pouco até que as forças de suas pernas falharam fazendo-a tombar no chão. Quando voltou a olhar para o depósito viu seu filho de seis anos em pé na porta a olhando fixamente, o olhar inocente daquela criança não estava mais ali, tinha algo por trás que ela não conseguia distinguir. A lâmina ainda estava em sua mão suja com o sangue de Joshua.

– Jacob, entregue essa faca! – a voz saiu com menos autoridade que desejava. Jacob exibiu seus olhos negros demoníacos e uma onda de medo invadiu Susan. – O que é você??

– Jacob não está mais aqui. – falou se aproximando de Susan até que correu na direção dela a acertando na mão direita que ela usou para se defender.

Susan conseguiu empurrar o garoto, que ficou sentado rindo perversamente apreciando a cena de vê-la conseguir reunir forças e retirar a lâmina, o demônio correu novamente na direção dela e começou a agredi-la, ela se defendeu o quanto pode, pois apesar de ser uma criança de seis anos a força era descomunal para ela. Ela conseguiu acertar um soco de esquerda na face dele e fugiu subindo pelas escadas para trancar-se no quarto, arrastou uma cômoda até a porta para impedir a entrada dele lá, começou a revirar as gavetas e pegou um lenço para enfaixar na mão que estava sangrando muito e logo se pôs a procurar algo para se defender.

– Mãe?! Abra a porta, o que aconteceu com Joshua?? – Jacob gritava batendo na porta. – Mãe, estou com medo!! Não me deixe aqui sozinho!

Susan ouvia atentamente e se encolheu num canto do quarto apavorada, aquele que estava lá fora a chamando de mãe não era mais seu filho, disso ela tinha certeza. As insistentes batidas na porta a estavam enlouquecendo. Praticamente se arrastou até chegar à janela, de lá de cima olhou buscando uma possibilidade para sair sem ter que passar pela porta ou por quem quer que seja que estivesse do outro lado dela. A janela parecia travada, por mais esforço que fizesse não conseguia abri-la.

– Sua vadia! Abra a porta!! – a voz agora não era mais a de um menino de seis anos. Uma risada maléfica ecoou pela casa. As batidas na porta ficaram mais fortes.

Susan pegou o celular no bolso da calça, suas mãos estavam trêmulas e acabou por derrubar o aparelho, o pegou e tentou ligar para a polícia. As batidas fortes na porta continuaram durante a ligação.

– Emergência, pode falar. – disse a atendente.

– Meu nome é Susan Brown, me ajude por favor! – disse com a voz embargada. Os gritos do outro lado da porta estavam apavorando-a. – Ele matou Joshua e quer me matar!!

– Senhora, alguém entrou na sua casa? Diga-me... – a ligação foi interrompida. Susan olhou desesperada para o aparelho que de repente parou de funcionar. A cômoda foi afastada da porta por uma força invisível, ouviu um click na porta e depois parecia que só as batidas de seu coração era o único som emitido naquele quarto até que...

– Susan, cheguei! – era Paul, seu marido que anunciava sua chegada. Susan ouviu passos que denunciavam o afastamento de Jacob, provavelmente ele teria ido para a sala.

– Oh, não! Paul!! – ela se desesperou, precisava avisar Paul sobre o que estava acontecendo, precisava alertá-lo. Abriu a porta e para seu espanto Jacob ainda estava lá e a acertou na barriga com outra faca, Susan caiu e se arrastava no chão tentando se afastar no garoto o quanto pôde. Em vão...

Não muito longe dali, caminhando na calçada...

– Nossa! Aquilo foi demais! – exclamou Rachel com euforia. – Se aquele cara não tivesse saltado e segurado aquele menino, teríamos presenciado um verdadeiro desastre!

– Ele foi muito corajoso! – Peter concordou. – E é porque aquela rua não é muito movimentada e acontecer uma coisa dessas...

– Ele também é um gato! – disse Rachel.

– Ele é mais velho que você, Rachel. – falou Peter depois de revirar os olhos.

– E daí? Logo terei dezoito.

– Não é tão logo assim que eu saiba.

– Que seja! Agora isso não vem ao caso. – Rachel deu de ombros. – Será que ele é pai de alguma daquelas crianças? – disse com uma expressão pensativa.

– Não sei, acho que não. Pelo que entendi naquele bombardeio de perguntas que aquelas babás e mães fizeram deu a entender que ele se mudou para cá recentemente e estava ali só de passagem conhecendo a vizinhança.

– Hum. Interessante... Será que vamos topar com ele novamente? – falou empolgada.

– Quem sabe. – Peter colocou as mãos nos bolsos da calça e continuou – Não gostei dele.

– Por quê?

– Eu... não sei. Algo nele não me agrada...

– Peter, o cara arriscou a vida para salvar uma criança, até hoje só tinha visto isso em filmes. Além disso, e não menos importante, o cara é um gato! O que nele não te agrada? Você tá ficando paranoico. Definitivamente. – Rachel balançou a cabeça em negação.

– Pra mim ele não é nenhum gato, além do que tenho minhas razões para não querer confiar em todo mundo como antes, você sabe... – Peter falou abaixando um pouco a cabeça antes de terminar a frase.

Rachel que caminhava ao lado do rapaz, outrora considerado aposta certa para uma bolsa de atletismo e que agora tentava refazer o que sobrou de sua antiga vida, tocou em seu ombro e disse com sinceridade – Ok, tem razão. Me desculpe.

Peter permaneceu em silêncio enquanto recebia um afago da amiga – Também não sou de porcelana. – disse em tom de brincadeira arrancando um sorriso da garota. – E... você ainda mantém contato com Ciel?

Rachel hesitou um pouco, mas por fim respondeu – Sim. – a garota cruzou os braços enquanto caminhava e continuou a falar – Às vezes ligo para ele, às vezes ele liga pra mim. Não falamos muito, mas ainda mantemos um certo contato.

– Por quê? Você sabe quem é aquele que banca o mordomo dele.

– Ciel salvou a minha vida, mais de uma vez. Não estaria aqui com você nesse momento se não fosse por ele, Sam, Dean e aquele... cara.

– Então é por gratidão? Não se engane, se ele é... mestre daquele... cara – Peter pigarreou, era evidente que tanto ele quanto a garota não se sentiam a vontade nem para falar o nome de Sebastian – Bem, você já tira daí.

– Não é somente por gratidão. Eu não sei explicar, até que gosto de Ciel, afinal convivi com ele por um tempinho antes de saber daquele... cara. O que posso dizer é que as pessoas reagem de formas diferentes diante da dor, não concordo com a escolha dele, mas não serei eu que vou julgá-lo. – Rachel falou com sinceridade – Acho totalmente normal que venha a me acostumar com a presença dele como se fosse um irmão mais novo problemático. – deu de ombros por fim.

– Ele é muito mais que problemático. – Peter suspirou, Rachel definitivamente parecia ter o radar para detectar problemas defeituoso. Por fim olhou para a garota de relance – Irmão mais novo...? Sei...

– Que é que você tá insinuando aí hein?? – Rachel deu um beliscão em Peter.

– Ouch!! Nada, nada! – Peter exclamou esfregando a mão no braço que a garota beliscou. – Até porque sei que você não seria louca o suficiente de se envolver demais com alguém assim. – essa frase soou mais como um conselho pra Rachel. Peter continuou – Também prefiro que ao conversar com ele não mencione meu nome. – os dois caminharam por alguns metros em silêncio.

Não é que Peter fosse covarde ou algo do tipo, mas era compreensível para Rachel que seu amigo quisesse manter distância de tal situação. Ela própria, apesar de manter contato com Ciel entendia que isso seria completamente desaprovada por qualquer um que soubesse da história por completo. Peter pigarreou e resolveu voltar ao assunto que tratavam antes e amenizar a situação que se instalou entre ambos.

– Ok... Quanto ao herói sem capa, notei que ele atraiu a atenção de muitas babás naquela pracinha, acho que você terá muita concorrência. – Peter alfinetou sorrindo.

Rachel sorriu percebendo o que Peter tentava fazer – Também, um Adônis daqueles!

– Ah, ele nem era tão bonito assim!

– Você tá é com inveja. Já vi como você olha pra srª Martinez e vi também o jeito que ela olhou pra ele.

– Você tá imaginando coisas. – Peter pigarreou e depois acabou sorrindo – Afinal pelo menos o nome dele você sabe?

– Claro que sim, não cheguei muito perto mais ouvi claramente, é Nicolas.

***

Tarde do dia seguinte.

Dean estava com uma expressão de espanto. Seus olhos verdes observavam atentamente com certa incredulidade, olhou para Sam que estava ao lado, seu irmão mais novo também estava meio surpreso pelo que vira. Seus olhos se cruzaram por um momento e voltaram a fitar a etiqueta com o preço de uma camisa branca de mangas longas que estava em um manequim. Deixaram a peça de lado e passaram a observar o local em que se encontravam, uma das lojas de grife no capital do Arizona, estavam em um bairro onde se concentravam lojas de marcas famosas mundialmente. No momento tinha poucas pessoas no local e um trio de vendedoras conversava animadamente enquanto vez outra revezavam seus olhos em uma dada direção, Sam e Dean seguiram os olhares animados das funcionárias e avistaram Sebastian que escolhia algumas roupas que outras duas vendedoras se revezavam em trazer para mostrar-lhe. Uma hora antes Ciel tinha ligado para Dean dizendo que queria conversar com os dois caçadores e agora se reuniram no local indicado pelo mordomo.

– Rapaz, nunca tinha visto tantos zeros quanto nas roupas dessa loja. – Dean fala para Sam enquanto os dois se aproximavam do akuma.

– Dean, esqueceu a suíte em que eles estavam hospedados? – lembra Sam falando próximo ao irmão.

Dean volta a olhar para Sebastian que apesar das vendedoras só faltarem se jogar para cima dele de tão próximas que ficavam escolhia de maneira até monótona algumas peças, o akuma só indicava qual peça escolhia e a outra vendedora se aproximava mostrando mais algumas.

– O jovem mestre já virá falar com vocês. – avisa Sebastian sem nem se dar ao trabalho de olhá-los.

Dean olhou torto para ele, definitivamente aquele akuma lhe dava nos nervos. Logo depois Ciel saiu de um dos provadores, estava usando jeans escuro e camisa branca de mangas dobradas até os cotovelos (alguns números menores, mas provavelmente se tratava do mesmo modelo da camisa que viram no manequim) e sapatos marrons.

– Olá Ciel. Como você está? – Sam foi o primeiro a falar.

– Estou bem. – respondeu o conde se aproximando dos dois.

– Bem, o que você quer baixinho? – questiona Dean colocando as mãos no bolso fitando a pequena figura. – Aconteceu alguma coisa?

– Em primeiro lugar, eu tenho um nome e você já sabe qual é. – responde depois que revira os olhos e caminha até uma cadeira próxima e se senta. – Em segundo lugar, liguei por que precisamos conversar e buscar um meio de acabar com essa balbúrdia que se instalou nessa cidade.

– Também queremos o fim dessa bagunça. Desde que chegamos aqui é trabalho atrás de trabalho, GAROTO. – Dean obviamente não fez caso do que o conde falou inicialmente, e até gostava de irritar o menor.

– Seu comportamento às vezes é muito infantil, Dean. – revida o menor fitando o caçador com certa indiferença.

Sebastian se aproxima dos três e ao olhar para Ciel solta um pequeno suspiro. – Jovem mestre, deveria prestar mais atenção ao se vestir, os botões da camisa estão abotoados errados e seus cadarços desamarrados.

– Pfff... quem é infantil mesmo? – Dean provoca tentado esconder o riso.

– Dean, para de ficar provocando ele. – Sam repreende o irmão mesmo tentando esconder um risinho.

Ciel pigarreou e foi até um dos espelhos ficando de frente tentando organizar os botões como se deve, uma das vendedoras se aproxima para ajudar, mas antes de tocar na camisa do menor Sebastian a impediu.

– Não será necessário, senhorita. Eu me encarrego disso. – Sebastian falou com um sorriso aparentemente amistoso no rosto ao olhar a funcionária, ela por sua vez sentiu o coração bater mais rápido um pouco ao ver o sorriso do homem em sua frente e se afastou acatando a decisão de que ele ajudaria o menor nessa tarefa.

O akuma dava os retoques necessários na roupa do menor sem se importar com a presença dos demais o vendo se abaixar para arrumar desde a camisa e calça até a amarrar os cadarços do conde que de maneira altiva permanecia parado esperando seu mordomo terminar. Por fim o demônio se posicionou por trás de Ciel com as duas mãos nos ombros do pequeno e olhou o reflexo de ambos pelo espelho com um leve sorriso nos cantos da boca, quase imperceptível. Era difícil dizer se era um sorriso de deboche pela evidente falta de talento do menor em organizar a própria vestimenta ou se apreciava ver a dependência que o conde ainda tinha em relação a ele para algo tão trivial, o que não deixava de ser contraditório tendo em vista que o garoto era capaz de atos que deixariam qualquer um de boca aberta, mas simplesmente não sabia amarrar os próprios cadarços. Depois Sebastian se afastou fitando de relance as funcionárias que imediatamente entenderam o significado implícito em seus olhos estranhamente castanho avermelhados de que deveriam deixar de fofoca e voltar ao trabalho.

– Senhores, é melhor deixarmos essa conversa para outro local. Quando terminarmos as compras poderemos conversar melhor. – Sebastian disse enquanto passava pelos caçadores e voltou a observar as peças de roupas que a vendedora da loja mostrava, o akuma só indicava qual preferia e outra vendedora se aproxima mostrando mais duas camisas esporte fino e Sebastian indicava novamente sua escolha.

– Senhor Michaelis, o que acha dessa calça? – questiona a vendedora de descendência asiática mostrando seu melhor sorriso.

– Chegou hoje de manhã da França. – Sebastian então se aproxima para examinar a peça. – Pela conversa delas acho que esse akuma já é cliente da loja tem um tempo. – Sam diz observando a forma como Sebastian é tratado no local e Dean concorda.

Os Winchester por fim perceberam uma estranha situação, as outras vendedoras assim como alguns dos clientes da loja evitavam um local no estabelecimento, passavam meio que de longe da estranha figura que parecia ter uma aura negra pairando por cima dele, tratava-se de Grell Sutcliff que agora caminhava de um lado a outro resmungando. Vez outra o ruivo olhava torto para o akuma e continuava a caminhar de um lado a outro, outro momento lançava um olhar choroso para Sebastian que nem se dava ao trabalho de fitá-lo. Uma vendedora se aproximou com calma do ruivo e antes que pudesse dizer alguma coisa ele praticamente a enxotou e ela saiu apressadamente assustada.

– Baixinho, o que deu no Leatherface ruivo? – questiona Dean.

– É C-I-E-L, e as loucuras desse shinigami não me interessam. – o conde responde rispidamente.

– Senhor Grell, faça o favor de parar de chamar a atenção, está assustando as funcionárias. – fala o akuma de forma monótona.

– Aaahh Sebastian... Eu posso lhe guiar melhor do que ele nos caminhos tortuosos do amor. – explica o ruivo afastando a vendedora – O que esse garoto tem que eu não tenho? – faz então uma de suas poses para chamar a atenção.

Sebastian o olhou de cima a baixo e nada disse, seria enfadonho demais se dar ao trabalho de responder.

Grell olhou enraivecido para Ciel que estava sentado bebendo um suco que outra funcionária tinha trazido e esbravejou – Não vou deixar Sebas-kun a sua mercê, pivete! – Ciel não deu a menor importância, depois Grell voltou sua atenção para o akuma e desandou a falar empolgado – Sebastian tive uma ideia! Vamos fugir! Podemos ir para alguma ilha remota no Pacífico, você não teria mais que servir esse moleque, construiríamos uma cabana, você pescaria e eu colheria frutas e...

– Não sigo essa dieta. – disse o mordomo para cortar os devaneios do outro.

Grell pigarreou e mesmo assim continuou a falar – Viveríamos juntos em uma ilha paradisíaca como Richard Lestrange e Emmeline (alusão à Lagoa Azul), ninguém iria interferir no nosso amor... – nesse meio tempo ele começou a imaginar toda a cena, ele caminhando seminu na beira da praia ao entardecer quando se depara com a visão de Sebastian saindo do mar totalmente nu, lhe abrindo um sorriso sexy enquanto caminhava em sua direção. – Kyyyaaa, seria perfeito!! – o ruivo juntou as mãos e deu um rodopio, quando caiu na real viu Sebastian perto de Ciel mostrando algumas cuecas boxer.

– Que tal estes modelos, jovem mestre? – questiona o mordomo mostrando as peças para o conde.

– Tanto faz. – respondeu o menor de forma desinteressada.

Grell se aproximou e pigarreou para chamar a atenção, não surtiu efeito. Pigarreou novamente e mais alto, também não surtiu efeito – Não me ignorem!! – esbravejou por fim.

– Não tem almas para coletar, sr. Grell? – pergunta o akuma. – Não vou deixar vocês dois sozinhos! Sebastiiiaaan será que você não vê que esse pirralho só quer se aproveitar de vocêêê?? – Grell falou enquanto passava o dedo indicador no braço do akuma fazendo beicinho.

– Eu?? Você precisa trocar esses óculos ou o quê? Só enxerga o que quer é? – retruca o conde.

Grell estava pronto para responder quando dois seguranças da loja se aproximaram alertados sobre o comportamento do ruivo com duas das funcionárias e por ele, ao que parece, estar incomodando os clientes.

– Senhor, temos que pedir que se retire, está incomodando os clientes da loja. – falou o segurança que parecia ter quase dois metros de altura e no momento cara de poucos amigos.

– Não podem fazer isso com uma dama!! – Grell foi levado até o lado de fora esperneando, os seguranças ficaram em pé de braços cruzados em frente à porta principal para que o ruivo não entrasse mais no estabelecimento, então o ruivo passou a olhar através dos vidros da vitrine com as bochechas infladas de tanta raiva.

Minutos depois Sebastian também saiu de um dos provadores, usando sapatos marrons com cadarços e calça de tecido azul escuro de bom corte, camisa azul clara de um tecido leve e de bom caimento e um blazer branco, os punhos da camisa azul estavam expostas e dobradas, o que lhe conferiam elegância, jovialidade e praticidade levando em conta que se encontravam em um dos pontos mais quentes do condado de Maricopa em pleno outono. Para o deleite das funcionárias o mordomo caminhou até um dos espelhos e pôs-se a observar a roupa que usava, estavam inteiramente de seu agrado, elas e algumas clientes observavam a figura do homem elegante, tanto para a moda quanto para modos, qualquer roupa lhe cairia bem, foi o que chegaram a pensar, a elegância vai além de boas roupas trata-se também de compostura e bom senso, e Sebastian sabia disso muito bem.

As vendedoras cochichavam um pouco até em resposta às clientes na loja, Dean e Sam ainda puderam ouvir algumas coisas entre os risinhos. “Quem é aquele homem de cabelos negros lisos?; É o sr. Michaelis, lindo não é? E tão educado; Como seria bom mais clientes assim; Queria um homem desses em minha vida; Esse garotinho que está com ele é muito fofo também, apesar desse tapa olho esquisito, mas é um pouco mal-humorado; Quem será esse garotinho? Eu ouvi ele chamá-lo de mestre...; Mestre? Que estranho; Ele deve ser filho de algum ricaço; Nunca imaginei que o sr Michaelis era um empregado...”. Inclusive alguns homens que entraram para fazer algumas compras chegaram a olhar para o mordomo, tentando saber o que estava deixando as funcionárias e até algumas clientes tão em polvorosas.

– É mole? – Dean falou dando alguns passos e parou de frente para o irmão, Sam por sua vez achava incrível como algumas pessoas se enganavam facilmente pelas aparências, mas no fim não podia culpá-las, pois para qualquer um que não sabia a verdade aquele homem não deixava de ser um humano.

– Sempre é assim quando vocês saem para fazer compras? – pergunta Sam.

– Às vezes. – respondeu o menor de maneira monótona. – Hoje Sebastian está mais comportado.

Minutos depois Dean também saiu de um dos provadores. Usava uma calça jeans, blusa preta de mangas curtas o que evidenciava seus braços e abdômen bem torneados e um par de botas pretas, dentro do seu estilo estava muito bem, se olhou bem no espelho diante de Sam e Ciel.

– Digam aí, ficou bem em mim, não acham? – questiona Dean para os dois ao perceber que o observavam, Sam concordou balançando a cabeça sem muito entusiasmo, Dean acabou dando de ombros e voltou a se olhar pelo espelho. – Ah, vou levar a jaqueta também e mais aquelas duas camisas. – falou por fim para a vendedora que o atendia. Ao contrário do mordomo Dean não se fez de rogado e acabou pegando o número do celular da vendedora que o atendeu, depois akuma e caçador se dirigiram ao caixa para pagar com seus respectivos cartões de crédito.

– Ainda dando golpes no cartão de crédito? – sussurra o akuma para o caçador.

– Acha que é fácil dar golpe com cartão? – Dean também sussurra. – Você pelo visto também escapou da malha fina do governo.

– Na verdade, eu sempre gostei de apostar na bolsa de valores. – revida o akuma e os dois trocam falsos sorrisos amigáveis um para o outro diante da funcionária que estava efetivando o pagamento, para esta não desconfiar do teor da conversa.

– Jovem mestre, podemos ir. – informa o akuma para Ciel – Podemos voltar para o apartamento e conversar lá.

Porém, antes de saírem... Grell, por suas evidentes vantagens como um ser sobrenatural também, enganou os dois seguranças na porta e já estava dentro da loja novamente, estava usando óculos escuros e um lenço na cabeça para não ser reconhecido, quando estava para se aproximar mais foi acertado na cabeça – Ai!! Mas quem foi o filho da... – quando se virou para o lado deparou-se com uma expressão nada amistosa de William T. Spears, tal cena acabou atraindo a atenção de todos na loja, inclusive dos dois seguranças que se aproximaram trazendo mais outro colega de trabalho.

– Francamente. – o shinigami ajeitou os óculos e olhou de canto para o ruivo que se encolheu com a expressão nada amistosa do outro. – Nosso trabalho está se acumulando e você aqui perdendo tempo. Se por sua causa eu tiver que fazer hora extra... Os três seguranças ficaram surpresos com a cena, até pensaram em intervir para não haver um tumulto na loja, mas o estranho homem de óculos tinha uma aura intimidadora e ao que parecia tinha como se livrar do também estranho ruivo dado à forma como este se encolheu com a presença do recém-chegado.

– Mas William... esse moleque está seduzindo meu Sebas-kun!! – Grell esbravejou tentando justificar sua escapadinha do trabalho.

– Não me importa, contanto que ele esteja encoleirado e acompanhado do seu dono. – falou direcionando um olhar enfurecido para o akuma, evidentemente a linha tênue de tolerância à presença do demônio poderia se findar a qualquer momento, pela expressão do mordomo percebeu que o sentimento era mútuo, porém compreendia que a culpa dessa vez era do shinigami ruivo – Mantenha-se em seu posto!

Grell correu em direção do akuma tentando abraçá-lo quando foi suspenso pela foice de William, o ruivo choramingou e se debateu, mas não conseguiu escapar da foice do outro shinigami.

– Você já foi informado que não deveria se intrometer em nada e que sua licença poderá ser cassada, não que me importe, mas já que sou um dos responsáveis do setor não vou tolerar falhas. – William continuou a falar enquanto arrastava Grell porta afora diante de todos que estavam no local e antes que os humanos percebessem sumiram. A última coisa que ouviram foi a voz do ruivo gritando que voltaria.

Silêncio total dentro da loja que só foi quebrado com uma afirmação do jovem conde – Lunático.

Ninguém discordou.

Antes de saírem as funcionárias da loja foram se despedir do grupo de clientes que atenderam, não economizaram sorrisos e palavras gentis e principalmente “voltem sempre”. Dean claro era só sorrisos e confirmações de que voltaria, Sam se limitou a sorrir, quanto a Ciel e Sebastian mantinham suas expressões sérias e não disseram nada.

...

Antes de chegarem ao apartamento Sebastian, verificou se não estavam sendo seguidos.

– Deixa ver se entendi, quer dizer que o Mister Magoo da serra elétrica ficou com vocês todo esse tempo? – questiona Dean esboçando um sorriso debochado. – Não é a toa que o engomadinho aí (Sebastian) tá com essa cara de pouco amigos e o moleque tá mais azedo que de costume.

– Dean, não provoca... – Sam alertou o irmão. – Vejo que tomou todas as precauções necessárias – disse para o akuma ao observar com seu olhar experiente o apartamento que estava bem protegido contra a entrada de seres sobrenaturais. – Mas isso tudo aqui não te incomoda ou não causa nenhum dano à você?

– Estaria mentido ao dizer que não me incomoda, porém não fiz mais do que minha obrigação, já que meu dever é proteger meu mestre. – responde o akuma.

– Sei... – Sam responde sem se prolongar. Evidentemente era um servo fiel, quanto a isso não poderia questionar mais.

Dean por força do hábito (talvez por curiosidade mesmo) dá uma checada rápida pelo apartamento, também observando que o akuma pensou em tudo mesmo. Reconheceu, assim como Sam, o pó escuro espalhado pelas janelas do apartamento como também as ervas que afastam demônios que possuem humanos, não somente no apartamento, mas em vários pontos estratégicos do hotel e daí pode constatar o quão forte é aquele demônio em poder estar confinado em um lugar assim e aparentemente estar tão bem, chegando à conclusão também que aqueles itens não são nada eficazes contra akumas. Sam se aproximou do irmão que estava agora próximo ao único quarto da casa, Dean arqueou uma das sobrancelhas, não por espanto, mas de certa forma analisando a situação.

– Vamos ao que interessa. – falou Dean se sentando no sofá de maneira despreocupada, Sam sentou próximo ao irmão e ficou atento ao desenrolar da conversa. – Teve alguma ideia que possamos usar?

– Na verdade não. Mas Isobel pode estar tramando alguma coisa nesse exato momento enquanto estamos aqui. – falou Ciel se encaminhado para uma cadeira que seu mordomo puxou para ele se sentar do lado do sofá. – Mas acredito que quanto mais sabemos a respeito do inimigo poderemos achar algum ponto fraco ou uma brecha nesse cerco fechado em que ela se mantém.

– Isso é verdade. – Sam concorda. – Mas o que consegui descobrir sobre ela é mínimo. As pessoas que contatei nunca ouviram falar sobre ela, até interrogamos outras bruxas e alguns demônios, mas ninguém ouviu falar dela ou tem medo de falar.

– Ora, e quem melhor pra nos dizer quem é Isobel do que um ex-amante? – fala Ciel direcionando sua atenção ao mordomo assim como Sam e Dean.

Sebastian se aproximando com uma bandeja trazendo chá e uma torta de maçã com passas para todos na pequena sala. – O que desejam saber?

Dean e Sam olharam para a bebida e torta em sua frente, estavam relutantes em aceitar.

– Não está envenenado, se é o que estão pensando. – informou o mordomo esboçando um sorriso meio que desafiador. – Vamos, provem.

Ciel bebeu um pouco do chá e logo estava comendo da torta, porém os caçadores preferiram deixar essa passar. Até podem estar de certa forma unindo forças com um demônio para atingir alguém que está fazendo um estrago maior, mas definitivamente confiar era algo demais para esses dois caçadores que já viram muito ao longo desses anos nas estradas do país caçando todo tipo de criatura sobrenatural, e definitivamente aquele demônio ainda era uma incógnita para os Winchester.

– Fale-nos um pouco mais sobre Isobel. – disse Sam.

Sebastian se direcionou a cozinha sendo observado pelos três humanos na sala, levava de volta na bandeja as xícaras com chá que fora recusado para depositar na pia, logo ia lavá-las. O apartamento é daqueles estilos comuns norte americano, de modo que da sala eles tinham a visão da cozinha e poderiam ouvir o que o mordomo dizia – Durante a Baixa Idade Média, precisamente durante a peste negra foi o período que Isobel vendeu sua alma, tornou-se uma bruxa temida e respeitada em seu meio, passado o prazo de 10 anos os cães do inferno a buscaram, ela conseguiu adiar sua morte por três anos, mas no fim acabou sendo levada e como todo humano que vende sua alma e vai para o inferno, sofreu todo tipo de torturas até perder por completo a humanidade. Tornou-se uma bruxa demônio e, também como vocês perceberam com vários seguidores que acabaram se tornando seus lacaios por toda a eternidade.

O akuma continuou a falar... (basicamente o que foi citado nos parágrafos finais do capítulo 20).

– E ela acabou se envolvendo com o cara que acabou com a vida dela? – Dean constatou se aproximando da cozinha. – Louco demais.

– Algo mais para acrescentar? – questiona Sam.

– Bem, os que já foram humanos ainda guardam muito rancor pelos da sua espécie. Quando perdem sua humanidade não significa que perderam as memórias de sua vida terrena. Simplesmente fica tudo mais ampliado. – Sebastian deu de ombros.

– Hum, todos tem um ponto fraco. – disse Ciel pensativo. – Sabe qual é o ponto fraco dela?

– Fisicamente, acredito que se destruir o corpo de Isobel ela só iria procurar uma nova casca. – Sam deduz.

– Mas com certeza ela ficaria puta da vida! – Dean completou e Sebastian concordou com ambos.

– Bruxas são seres muito poderosos, destruí-las não é nada fácil. – Sam disse.

– Mesmo assim ela não deixa de ser um demônio. E demônios podem ser mortos com essa faca que vocês sempre usam e podem ser presos por feitiços. – Ciel explica os lembrando desse fato.

– Isso é verdade. – Dean concorda. – O que precisamos é ter uma oportunidade.

– Mas primeiro que tudo precisamos descobrir onde ela está e uma forma de nos aproximarmos. – o conde conclui.

– Ela adora festas, bailes e todos esses tipos de eventos sociais. – explica Sam deduzindo pelas fotos que descobriu de Isobel em diferentes épocas. – Daqui a alguns dias haverá um grande evento na cidade, poderia ser uma chance de nos aproximarmos. Isso caso ela vá.

– Então precisamos dar um jeito de ir também. – Dean afirmou.

– Então até lá manteremos contato, mas agora temos um caso para resolver. – disse Sam para Ciel. Sam pegou o jornal que estava numa mesinha. – Talvez você ainda não tenha visto isso. – Sam abre o jornal e mostra uma das notícias, lá estava escrito que uma família tinha sido morta em circunstâncias ainda a serem desvendadas e somente o filho mais novo do casal estava ainda desaparecido.

O conde não tinha lido o jornal ainda hoje devido a presença de certo shinigami em seu encalço, por isso não sabia dessa notícia. – Enxofre?

– Sim, já averiguamos. – Dean respondeu. – E esta criança continua desaparecida? – Ciel perguntou ao olhar a foto do menino estampada no jornal.

– Sim. – Sam respondeu. – Depois que encontrarmos ele, vamos pensar em uma forma de prender Isobel.

– Sebastian. – o menor chamou o akuma que de imediato foi em sua direção e olhou a foto do garoto no jornal. – Vá.

– O que você pretende fazer? – questiona Sam ao ver Sebastian se direcionar a pequena varanda do apartamento, o pó foi afastado da porta de vidro que separava a sala da varanda sem nem ao menos o akuma tocá-lo.

– Não o mate. – falou Ciel por fim.

– Entendido. – respondeu o akuma já do lado de fora do apartamento, estava em pé no parapeito da varanda e só saiu quando o mojo retornou ao local preenchendo de uma extremidade a outra da porta de vidro.

– Agora vocês terão mais tempo para se dedicar a achar algum feitiço que aprisione aquela bruxa.

Dean e Sam a principio não gostaram do rumo da situação, mas com certeza sabiam que aquele akuma cumpriria a ordem dada do menor e com maior rapidez. O que seria bom, pois é fato que quanto mais tempo a criança permanecesse possuída seria pior para ele, talvez até não sobrevivesse. Então, permaneceram um pouco mais no apartamento com o conde, Sam estava usando o laptop fazendo as pesquisas necessárias, Dean folheava o diário do pai deles, Ciel também pesquisou junto com Sam e agora estava respondendo um exercício de inglês e francês que Sebastian tinha passado para ele. Dean até que tentou dar umas dicas, mas nas questões de francês ficou totalmente perdido. Sam acabou surpreendido ao ver Dean comendo uma fatia de torta de maçã enquanto retornava a ler o diário do pai deles.

– Que que foi? Isso aqui tá muito bom. – foi a única frase que Dean falou em relação a isso.

...

Depois

– Espero que fique tudo bem em deixar o tampinha sozinho. – Dean falou já de saída do hotel com seu irmão ao lado. – Ele ficará bem. O local está bem protegido e logo Sebastian deve chegar. – respondeu Sam. – Está preocupado pelo menino? Logo você que implica com ele direto.

– O garoto tá com um monte de demônios na cola dele. Só não quero outra carnificina por aqui. – respondeu Dean. Até que se preocupava pela segurança do menino, mas principalmente sabia as consequências de um embate de frente entre demônios como foi visto anteriormente.

– É tem razão. – Sam concordou. – Então o que podemos fazer é torcer que possamos achar uma forma de destruir essa Isobel o quanto antes e por um fim nisso tudo. Foram até onde um carro alugado que estava estacionado do outro lado da rua.

– Apartamento aconchegante não achou? – questionou Dean ao irmão enquanto se direcionavam para o carro.

– É mesmo. Mas até agora não entendi por que será que o shinigami deixou seu posto e passou todo esse tempo com eles? Eles não têm uma lista a seguir? Acho que mais um pouco e Sebastian tinha matado o ruivo com dentes de tubarão.

– Seria a briga do século! – falou Dean em deboche.

– Nem brinca com isso, cara. Mas não duvido de mais nada.

Dean parou pensativo diante da porta do lado do motorista, apoiou suas mãos no teto do carro enquanto Sam se encaminhava para o outro lado para entrar – Acho que sei o porquê desse shinigami ter ficado na cola dos dois... Ele tem uma queda por esse akuma...

– E daí? – questionou Sam. – Notou que só há um quarto? Provavelmente deve ter somente uma cama... talvez ele tenha visto alguma coisa... né não? Que você acha? – Dean falou insinuando para Sam a possibilidade deles terem sido pegos em flagrante pelo shinigami.

– Obrigado Dean. Agora mais essa imagem ficou para sempre gravada na minha memória. – Sam resmungou franzindo o cenho enquanto deslizava para o assento do carona.

Dean arqueou uma das sobrancelhas e inclinou a cabeça, decidido a não aprofundar o pensamento mais no assunto senão seu estômago poderia embrulhar também e entrou no carro.

Minutos depois no hotel que os dois caçadores estavam hospedados Dean também conferia produtos espalhados pelo quarto para impedir um possível ataque de demônios enquanto estivessem lá. Fez uma pausa, o que chamou a atenção de seu irmão que notou a expressão pensativa do outro.

– E como ficará esse garoto depois disso tudo? – Dean questionou.

Sam olhou bem para Dean, seu irmão por mais que tentasse não demonstrar de certa forma se preocupava com o que aconteceria depois e respondeu por fim – Sinceramente, eu não sei.

– Sei que ele é só um garoto que fez a escolha errada.

– Escolhas erradas como as que já fizemos. – Sam afirmou pensativo. – E isso tem consequências.

– Sim, mas ele continua sendo só um garoto, Sam. Entende?

– Sim... entendo. — responde Sam pensativo.

Dean foi até a geladeira e pegou uma cerveja, sentou na cadeira próxima a janela e bebeu fitando a rua diante do quarto de hotel...

...

Já devia ser quase sete horas da noite quando Dean estava de saída, iria dar uma volta pela cidade e comprar alguma coisa para o jantar dele e do irmão, se aproximando do Impala notou a presença de alguém. A rua não estava bem iluminada, mas reconheceu com clareza se tratar de Sebastian.

– Perdeu alguma coisa por aqui ou somente veio apreciar minha companhia? – falou com deboche se encostando no carro e fitando o akuma.

Sebastian nada respondeu, caminhou a passos calmos em direção da parte mais iluminada da rua e parou a alguns poucos metros diante do caçador. Dean notou a expressão séria do outro quando seus olhos verdes se encontraram com o par de orbes carmesins, por um breve momento os dois se mantiveram em silêncio.

– Deixei o garoto no hospital em Kingman.

– Kingman? Como ele está? – Dean questiona.

– Vai sobreviver.

– Estava muito machucado?

– Como disse, vai sobreviver. Mas talvez fosse interessante seu amigo angelical fazer uma visitinha para ele, o garoto pode acabar muito traumatizado. – falou com um pouco de veneno.

– Ok. Muito prestativo de sua parte. – Dean disse com ironia – Mas acho que você não veio aqui só para me dar essa boa notícia. – Dean manteve os olhos nos dele sem recuar, a expressão séria do akuma deixaram seus instintos de caçador em alerta, tateou discretamente sua cintura em busca da faca da Ruby e ficou surpreso ao perceber onde ela estava.

– Procura por isso? – Sebastian exibiu a faca que o caçador procurava a analisando com afinco sem transpassar qualquer emoção em suas ações.

Dean não recuou. E agora eles se encaravam debaixo da luz vacilante do letreiro neon do hotel com evidente hostilidade.

Notas finais
Obrigada a todos que estão acompanhando apesar da minha demora... Próximo capítulo as coisas esquentam mais, rs. Imaginei Sebastian com uma roupa assim tendo em vista que estão no Arizona em pleno outono que é quente: http://3.bp.blogspot.com/-CzR3RNo5bR8/UjB2Ho1yGGI/AAAAAAAAHG4/MEMmVTQZqpE/s1600/esporte_fino_masculino+%286%29.jpg