Notas iniciais
Demorei, eu sei. (Desvia das facas lol) rsrs. Mas entre provas e recuperações quase todos se salvaram!! Aí veio o Natal, Fim de Ano... Enfim desde já desejo boas férias pra vocês!! Frases aqui acolá de Kuroshitsuji mangá e de Supernatural (contexto diferenciado). Obrigada a: Calle, Caah Takashima, Victorique, Laura Jakubiak e Giulia por também favoritarem minha fic, espero que continuem lendo e gostando.

Talvez por sorte, a movimentação que havia era principalmente do tráfego noturno. Um vai e vem de carros se direcionavam aos destinos traçados por seus ocupantes depois de mais um dia exaustivo de trabalho. Outros faziam o oposto, saiam de sua zona de conforto e segurança e se lançavam na noite em Phoenix, procuravam diversão e tudo que pudesse servir para aliviar o desgaste e o marasmo da rotina semanal. Os poucos pedestres que transitavam nem imaginavam que a hostilidade que praticamente emanava daqueles dois homens parados em frente ao letreiro neon de um hotel barato fosse algo mais além de sua compreensão.

Isso era o que mais surpreendia qualquer entidade não terrena com relação aos habitantes deste mundo: A inocência humana. Ou, por que não dizer, a sua ignorância em não enxergar o que está bem à sua frente, que há muito mais entre o céu e a terra do que sua imaginação possa supor. Talvez esta fosse sua salvação, pois não desconfiavam que a alguns metros de distância da avenida principal daquele trecho da capital do Arizona, aquela batalha silenciosa e carregada de hostilidade se travava entre um caçador e um demônio. Não desconfiavam dos conhecimentos e reais habilidades do homem loiro de olhos verdes desafiadores, do quanto sua infância foi repleta de lições e responsabilidades que faria qualquer adulto querer abandonar sem pensar duas vezes, tampouco desconfiavam do inferno que foi o seu dia a dia até chegar à maturidade lidando com criaturas sobrenaturais que querem sua cabeça tanto quanto a do seu irmão que compartilha o mesmo peso da responsabilidade que ele, o destino de um caçador. Os poucos transeuntes que chegaram a se aproximar ao se depararem com tal situação apressavam seus passos para não se envolverem no que parecia ser o início de um conflito. Bom para eles. Também não passava por suas mentes que um dos envolvidos nem sequer era do mesmo plano que eles. Não imaginavam sua real natureza, que por baixo daquelas roupas caras e rosto que faria qualquer humano admirar estava um temível demônio, tão antigo talvez quanto as pirâmides do Egito.

O olhar destemido do caçador estava presente, não recuou diante do ser em pele humana parado há um pouco mais de três metros a sua frente. Seu olhar demonstrava segurança sem espaço para o medo ou hesitação diante do par de orbes castanhos avermelhados, que apesar da intensidade da cor quente eram frios e calculistas. Dean baixou a visão o suficiente para olhar a faca na mão do outro, letal para qualquer demônio e agora letal para o humano ali presente.

– Agora vai me matar? – Dean perguntou sua voz não transmitia qualquer emoção.

Sebastian analisou a faca com mais afinco e respondeu também sem qualquer emoção na voz. – Não seria conveniente.

– Essa é sua forma de dizer que não somos inimigos e que se me quisesse morto eu já estaria morto? – questionou o caçador analisando a situação com certo desdém.

– Não. Nós somos inimigos, isso é um fato. Você e seu irmão são caçadores e eu sou um demônio. – respondeu o akuma com altivez dando mais dois passos em direção do caçador. – Somos inimigos naturais. – Sebastian completou com um sorriso de escárnio.

– Então o que quer?

Sebastian a principio não respondeu, começou a se mover para a lateral a passos calmos, Dean se mantinha atento, também caminhou para a lateral oposta não desviando a atenção do akuma, pararam novamente um de frente um para o outro. O akuma se limitou a fitá-lo pelo canto do olho enquanto habilmente fazia rodopios com a faca na mão direita. Para Dean ser ameaçado por um demônio não era nenhuma novidade, sempre esteve preparado para a morte e se esse fosse o caso naquele momento tanto quanto em outros apuros que já passou estava preparado para lutar até o fim por sua vida. Porém nunca encontrou um demônio como Sebastian, não sabia o que esperar dele, nem o quão longe poderia ir com relação a um confronto direto.

– Dean, Dean... Confiança é tudo. – fala o akuma quebrando o silêncio. – Não é isso o que dizem por aí?

Dean estreitou os olhos e continuou a ouvi-lo, tinha um palpite ruim sobre o rumo dessa conversa.

– Achou mesmo que eu não iria perceber? Tsc... Tsc... que imprudente da sua parte. – Sebastian balançava a cabeça em negação e em tom provocativo.

Os olhos de Dean se endureceram mais. Sebastian faz um gesto indicando a localização de uma sacola preta de plástico próximo do Impala, Dean hesitou, mas acabou indo ao local e abrindo a sacola. Lá viu três pistolas ainda acompanhadas pelas mãos de seus donos, Dean as reconheceu de imediato. O Winchester tinha combinado com outros caçadores para que ficassem no encalço do akuma e reportassem para ele qualquer fato que pudesse ajudá-lo a descobrir mais sobre o demônio.

– Eles estão...

– Mortos? O que você acha?

– Maldito!

– Ora, quem mandou eles me seguirem foi você. Só o que posso dizer é que acabou sendo muito divertido, pelo menos para mim.

Dean permaneceu imóvel, parecia tentar digerir a informação dada. Por mais que tenha avisado para se manterem a uma distância segura ao que parece não deram ouvidos a ele e agora mais nada poderia ser feito. Um nó de raiva se formava na garganta do caçador enquanto um sorriso se formou no canto da boca do outro. Dean fechou a sacola plástica, não antes de pegar umas das pistolas e voltou a ficar em pé, seus olhos fitaram os do akuma com extrema acidez.

Sebastian não fez caso da arma na mão do caçador – Preciso avisar que não seria prudente mandar mais caçadores me vigiarem? – soltou um suspiro enfadonho fazendo uma expressão fingindo desapontamento. – Pensei que por um tempo estaríamos do mesmo lado.

– Não me faça querer rir num momento como este. Nós nunca estaremos do mesmo lado. Sou um caçador e criaturas como você nunca estarão do mesmo lado que eu ou meu irmão. Você não passa de um desgraçado que se aproveita da fraqueza dos outros para se alimentar e sobreviver! Como um abutre ou um corvo em cima da carne podre da humanidade.

– Não me culpe por querer somente me alimentar. Não acha infantil de sua parte querer me culpar pelos males do mundo quando vocês mesmos cavam suas próprias covas? – as palavras de Sebastian saiam com frieza e seriedade. – Humanos são egoístas. Dinheiro, prazeres, vingança... Só proporciono o que desejam. A escolha em aceitar ou não é puramente dos humanos. Livre arbítrio. Nada mais.

– Não me importo com o que você pensa ou deixa de pensar sobre as pessoas, sua opinião não vale nada para mim. Vocês demônios não passam de escória! – Dean se aproximou de Sebastian e ficou de frente com o demônio, seus olhos demonstravam determinação e raiva assim como suas palavras. – Você usa essa carcaça de bom moço e usa palavras doces para enganar suas vítimas para arrastá-las para o inferno e isso não será diferente com aquele garoto.

Os olhos carmesins o encaravam, as pupilas em fenda observavam o caçador de uma maneira indecifrável. Porém, Dean não parou, continuou a encará-lo e a falar. – Sei muito bem o que você sente por aquele garoto e não é amor. Ah, não é mesmo. – Dean deu dois passos para a lateral e parou do lado de Sebastian analisando a arma em sua mão e voltou a fitar o akuma. – Você sente fome por esse menino. Uma tremenda fome. – fala Dean analisando o peso de suas palavras no outro. – E quando essa fome aumentar? E quando o desejo por “alimento” for maior que tudo? O que fará?

Sebastian permanecia com a mesma expressão indecifrável.

– Mas eu sei o que fazer. – Dean apontou o cano da pistola na direção do akuma. – E não hesitarei em acabar com sua raça no momento certo. – e atirou.

***

Simultaneamente em outro ponto da cidade.

Peter desceu de um ônibus, caminharia mais duas quadras e estaria em casa, desde o acontecido semanas atrás estava vivendo na casa de parentes. Apesar das lacunas em seu depoimento para a polícia o tio o acolheu. O assassino de sua família nunca foi descoberto, Peter foi orientado por Sam e Dean que o melhor seria talvez não falar toda a verdade, ponderou e chegou à conclusão que o melhor seria omitir alguns fatos. Jamais diria que esteve possuído. Jamais diria a verdade para ninguém, seria tratado como um louco, seria visto como um assassino insano. Não queria isso. Bastava que ele mesmo soubesse a verdade. O que aliviava o peso de seus ombros e mantinha sua mente sã era saber que não imaginou tudo aquilo, Rachel sabia a verdade e o apoiava. Dean e Sam também o convenceram que ele nada poderia ter feito diante do fato de que esteve possuído e que já era um milagre ele estar vivo e caminhando com as próprias pernas. Agora Peter estava tentando virar a página e recomeçar. Faria isso, iria seguir em frente... Observou a hora pelo celular e apressou os passos, já estava na hora do jantar e seu tio detestava atrasos.

Passos soavam altos na calçada, Peter ignorou achando se tratar de alguém fazendo cooper, a medida que os passos se aproximavam Peter caminhava mais para a lateral dando assim mais espaço para o corredor noturno passar. Estranhamente os passos altos cessaram, o rapaz olhou então para trás e não viu ninguém próximo a ele, pessoas que estavam na rua naquele momento estavam distante dele e não havia ninguém próximo o suficiente para dar a impressão de alguém que se exercitava àquela hora. O bairro que Peter morava agora é mais movimentado, àquela hora da noite a maioria dos moradores estava dentro de suas casas, algumas pessoas entre eles mais adolescentes ficavam em pequenos grupos conversando ou trocando vídeos e mensagens, nada fora do comum. Peter continuou andando, a sensação de estar sendo seguido começou a dominá-lo, mas ao olhar para trás novamente não viu ninguém. Minutos depois ouviu novamente passos altos que vinham em sua direção, um homem alto estava dobrando uma das esquinas e agora corria na mesma calçada que Peter, à medida que seus passos se aproximavam parecia que os segundos se prolongavam, a proximidade fez com que seus olhos se cruzassem, o olhar severo do outro se encontrou com os olhos verdes de Peter e nesse exato momento os olhos do homem em torno dos seus 37 anos se tornaram completamente negros, demoníacos.

Peter parou na calçada, seu corpo pareceu congelar e os pelos de sua nuca se eriçaram, o impacto dos passos altos foi se afastando aos poucos, o rapaz ainda olhou para trás suando frio e observou o homem de um pouco mais 1.80cm continuando a correr. Peter apoiou as mãos nos joelhos com a respiração descompassada depois ergueu o tronco e respirou fundo, chegou a pensar que sua mente lhe pregava peças. Respirou fundo mais uma vez e forçou sua mente a agir e a se concentrar, “tudo aquilo é passado”. Seu comportamento acabou por chamar a atenção de alguns dos adolescentes que estavam na calçada, deviam ter entre catorze e dezesseis anos, se revezavam entre observar Peter e cochichos. “Que ótimo! Agora sou o esquisitão do bairro”, pensou o rapaz.

Antes de prosseguir Peter olhou novamente para o grupo na calçada e entre os cinco adolescentes um chamou sua atenção, pois o olhava fixamente, a pele do rosto do garoto se moveu rapidamente como se algo estivesse vivo por baixo de sua pele, ninguém mais percebeu. Um calafrio desceu pelas costas de Peter, a sensação de pânico começava a tomar conta do rapaz, ao dar dois passos para trás esbarrou em um homem que estava vindo pela calçada.

– Hey, cuidado rapaz!

Ao se virar para se desculpar Peter viu novamente um par de olhos demoníacos o encarado. Peter engoliu em seco e saiu correndo a toda velocidade, olhou para trás e viu o estranho homem no qual esbarrou ainda a observá-lo assim como o grupo de adolescentes. Peter correu o máximo que pode até chegar em casa, entrou rapidamente batendo a porta.

– O que aconteceu, Peter? – Philip, o tio de Peter, perguntou ao ver o rapaz chegar naquele estado.

– Na... Nada... – Peter respondeu ainda resfolegando.

A mulher de Philip e seus primos, um deles de dez e o outro de treze anos, se aproximaram e olhavam sem compreender o que poderia ter causado tal nervosismo no rapaz. Peter subiu as escadas correndo e se trancou no quarto.

– Peter, está tudo bem? O que houve? – Philip batia na porta preocupado. Insistiu mais um pouco sem sucesso.

– Não foi nada... Eu só... preciso ficar sozinho. – foi o máximo que o rapaz pode responder e se sentou na cama, preocupado.

***

O projétil atravessou a mão direita de Sebastian que não saiu nem do lugar. Sebastian acabou soltando um suspiro um tanto enfadonho – Já esperava por isso. – o akuma lambeu o sangue em sua mão ao mesmo tempo em que exibia um sorriso de escárnio.

Alguns dos pouco pedestres que passavam alheios a situação correram o mais rápido possível se afastando da presença dos dois.

– Acredito que não seja sua intenção causar mais alarde nesse lugar. Portanto lhe darei só mais um aviso: Ele me pertence.

Dean ficou em silêncio encarando o akuma.

– Eu sou um demônio, não é sábio de a sua parte testar os meus limites.

– Sei. – respondeu Dean com desdém e depois continuou. – Eu sou um caçador, não ficarei parado deixando você fazer o que bem entende.

– Estou apenas seguindo as ordens de meu mestre. Portanto, eu não irei tolerar interferências de mais caçadores e muito menos permitirei que tirem de mim a alma que eu cultivei todo esse tempo.

– Conveniente ou não como você disse, tenha a certeza de uma coisa, eu estou na sua cola. E mais cedo ou mais tarde eu irei matá-lo. – Dean lançou um olhar hostil ao mesmo tempo em que arqueou uma das sobrancelhas em desafio. – Estarei fazendo um favor para aquele pirralho e para o mundo ao me livrar de mais um demônio.

Sebastian exibiu um meio sorriso, perverso – Digo o mesmo, caçador. Não é o momento oportuno para matá-lo... Mas não quer dizer que não possa feri-lo.

Rápido demais para olhos humanos, antes que Dean pudesse reagir Sebastian se posicionou por trás e cravou a faca da Ruby na lateral do braço esquerdo do caçador que cambaleia e só não cai porque Sebastian o mantinha preso segurando-o por seu ombro direito. Sam que tinha reconhecido o barulho de um tiro se aproximou com sua pistola em mãos a tempo de se deparar com a situação e estava pronto para defender seu irmão. O Winchester mais novo se aproximou, só não disparou temendo que o irmão acabasse sendo usado como escudo pelo demônio. Sam olhou para Dean que fez um sinal com a cabeça para que não se aproximasse e então se deparou com os olhos demoníacos de Sebastian, a cor intensa e as pupilas em fenda transmitiam a mensagem: morte. O akuma empurrou Dean na direção de Sam, Dean cambaleou mais e diante da dor infligida seus joelhos cederam um pouco e ele foi amparado a tempo pelo irmão. Bobby Singer freou o carro na calçada abruptamente, tinha visto também essa última cena e assim como Sam começou a atirar imediatamente na direção de Sebastian, apesar de saberem que armas comuns não causariam danos ao demônio não se contiveram e descarregaram suas pistolas na direção do akuma até que os três observaram que a sombra de um dos prédios parecia estar se projetando na direção de Sebastian que mantinha seus olhos fixos neles, a sombra impedia que os três caçadores olhassem por completo a verdadeira face do demônio diante deles, porém o pouco que viram os fez desviarem rapidamente seus olhos para outra direção. Algumas penas negras começaram a surgir encobrindo mais ainda a verdadeira face demoníaca e foi possível ouvir com clareza uma voz gutural.

– Vocês são caçadores experientes, mas de certa forma eu também sou um caçador. Mais do que isso, eu sou um predador e se não me deixarem escolha eu também não terei porque hesitar...

Momentos depois Sebastian sumiu completamente na escuridão e a sombra do prédio retornou ao seu local de origem.

***

Poucos minutos depois Sebastian chega ao apartamento, antes de entrar conferiu o melhor que pôde se não estava sendo seguido por nenhum outro ser sobrenatural, mas por medida de segurança já estava em sua mente não permanecer muito tempo no mesmo local. Seria o mais prudente a fazer. Uma das primeiras coisas que fez foi verificar se o conde estava bem, Ciel estava despreocupadamente deitado na cama, usava uma blusa branca com listras pretas horizontais de mangas curtas com gola canoa que chegava até sua cintura delgada e um short de chambray em tom jeans com as barras dobradas, estava tão entretido no quarto com o celular que nem percebeu que Sebastian já tinha chegado o que deu tempo para o mordomo de ir tomar um banho e retirar as roupas que estavam sujas de sangue, dele e do caçador, não que o incomodasse que o conde o visse naquele estado, mas como mordomo tinha que estar sempre apresentável para seu mestre. “Terei que dar um jeito nisso mais tarde”, suspirou enfadonho ao ver o blazer branco que usava todo manchado. Ao sair do banheiro deparou-se com Ciel na sala, o menor o aguardava para saber o que aconteceu.

–Perdoe a minha demora. – falou o mordomo.

– Mais importante, fez o que ordenei?

– Certamente. Jacob Brown está em segurança no hospital em Kingman.

Ciel nada disse, apenas observou que Sebastian tinha acabado de sair do banho, o cheiro de roupa limpa impregnavam o ar daquela pequena sala, o mordomo usava agora calça jeans e uma camisa cinza com as mangas dobradas até os cotovelos, cinto e sapatos pretos. Sebastian por sua vez também já tinha sentido no ar o cheiro de pele limpa e o leve aroma de xampu que os cabelos do menor exalavam. A proximidade estava quase insuportável, quase como ver um oásis no deserto e não poder saciar sua sede, não conseguia deixar de respirar cada vez mais sua fragrância, estava se tornando inebriante. Mas no momento tinha tarefas a cumprir e como mordomo não podia falhar.

– Farei o jantar imediatamente.

– Já jantei.

– O quê? O que comeu?

– Pão com manteiga de amendoim. – respondeu o conde inocentemente sem perceber como aquelas palavras afetavam o seu servo.

Depois de um minuto Sebastian que quase parecia ter uma veia saltando da testa, caminhou para a cozinha e depois retornou à sala, abriu tranquilamente a porta de vidro que separava a sacada do pequeno apartamento e arremessou o mais distante possível o pote de manteiga de amendoim. O mordomo pigarreou e falou novamente com uma expressão mais satisfeita, apesar da atitude um tanto atemorizante – Farei o jantar imediatamente.

O queixo de Ciel quase caiu, mas se manteve no lugar, se limitou a olhar para o mordomo que caminhava para a cozinha exibindo um sorriso satisfeito e presunçoso, depois voltou a olhar através dos vidros da porta da sacada. “Tsc”.

Poucos minutos depois a mesa estava posta, diante de um conde sem tanta fome Sebastian serviu salmão tropical, trata-se de uma receita mais light, porém nutritiva e com um toque de refinamento que o mordomo está acostumado a ter e a oferecer a seu mestre. Bom, Ciel como um bom apreciador de comida refinada e bem preparada como seu título de conde o acostumou, acabou apreciando bem, para seu deleite próprio e do seu mordomo. Terminada a refeição o mordomo conferiu os exercícios que tinha passado para Ciel, notou imediatamente que o conde teve um pouco de ajuda e refez a lição com o dobro de questões. Quando Ciel retornou à sala depois de sua higiene bucal a muito contragosto estava respondendo as novas questões. O conde estava sentado à mesa da cozinha, vez outra resmungava, mas quando se tratava de Sebastian no modo tutor não tinha muito que fazer e se resignou a terminar a atividade e deixá-la o mais apresentável possível, senão seria o caso de ter que refazê-la... O menor não notou o olhar de seu mordomo para si. Sebastian observava todas as reações do seu bocchan que iam desde raiva, resmungos e por fim alivio quando finalmente terminou as questões.

– Excelente! Tudo está correto.

– Então é melhor combinarmos o que faremos para entrar nesse grande evento que Sam falou que terá na cidade, lá teremos uma ótima oportunidade para pegar Isobel.

A conversa se prolongou e agora Ciel estava relaxadamente sentado com as pernas no sofá, suas coxas brancas estavam parcialmente e despreocupadamente exibidas pelo short bem na frente de um akuma faminto. Sim, faminto pelo desejo. Ciel agia muitas vezes como um descuidado cordeirinho na frente de um lobo selvagem, Sebastian não sabia se Ciel fazia isso consciente ou não de como suas ações por mínimas que fossem o afetavam. Mas olhar o garoto a uma distância tão curta sem ter a consentimento para tocá-lo estava deixando-o no limite. Enquanto o menor continuava a falar Sebastian percorreu seus olhos pela boca rosada do garoto, apreciou a curva do seu pescoço e pousou seus olhos por cima da blusa percorrendo toda sua silhueta e assim ali estavam eles naquele pequeno apartamento, estavam completa e unicamente a sós, Sebastian queria de uma forma quase incontrolável o que qualquer humano deseja de outro humano que ama. Mas isso nunca pareceu tão difícil quanto agora. Isso de certa forma é hilário, aquele garoto no fim pertence a ele, aquele garoto que ele está ajudando a esculpir e a moldar como uma joia entre a humanidade (pelo menos do ponto de vista dele) parece ser alguém inalcançável.

– Você está me ouvindo? – questiona o conde ao perceber que seu mordomo parecia estar com o pensamento longe.

– Perfeitamente. Quer que eu repita o que acabou de dizer?

– Não será necessário, basta que você tenha compreendido e cumpra minhas ordens.

– Certamente.

Ciel bocejou sonolento.

– Seu cabelo cresceu jovem mestre. – fala Sebastian tocando uma mecha do cabelo do menor.

Ciel pegou uma mecha da franja e também analisou. – Amanhã você pode cortá-lo.

Sebastian ainda segurava a mecha de cabelo, sentia a textura dos fios macios e observava o brilho da cor quando se aproximou mais do garoto e cheirou seu cabelo, fechou os olhos e apreciou o momento como único, o garoto se afastou empurrando a mão do maior para longe de si e se levantou do sofá. A impressão é que Sebastian estava perfeitamente controlado, frio e desinteressado, mas por dentro parecia que iria perder o controle a qualquer momento. Essa fachada era importante, nunca demonstraria diante de seu mestre outra imagem que não fosse a do mordomo perfeito, mas com a recusa do menor isso estava ficando cada vez mais difícil. Sebastian observou Ciel corar de leve e virar a cabeça em outra direção, o viu se afastar com seu jeito de andar confiante e orgulhoso, era perceptível para ele as mudanças de humor do conde, como demônio podia ouvir nitidamente as batidas cardíacas descompassadas de seu mestre com a mínima aproximação dele, isso é uma evidência forte, por mais que o conde queira negar a simples proximidade do mordomo o afetava e o akuma sabia que não era exatamente por medo. Por que então negar o que está escancarado à sua frente? Ah, a complexidade das relações humanas... Isso nunca o interessou, a não ser quando era necessário fazer uso delas para atingir seus objetos ou para cumprir alguma ordem dada pelos contratantes, e agora ali estava ele tentando entender os mistérios da atração humana e se fazer ser notado e aceito por um garoto totalmente inexperiente no quesito amar, assim como ele. Por ser um demônio essa situação já estava chegando num ponto crítico, apesar de tudo Ciel não parecia querer ceder, “Tsc, maldito orgulho”, pensou o akuma.

Sebastian se aproxima ficando de frente com o garoto, seu rosto a poucos centímetros do dele. – Por que não tenta ser mais honesto? – sugere.

– O quê? Não seja ridículo! – Ciel o empurrou e se afastou em direção à cozinha. Mas Sebastian o impediu segurando sua mão.

– Com sua boca você tenta negar a verdade, mas é só olhar pra você que percebo o que realmente quer dizer. Por que não admite? – Sebastian praticamente devorava cada reação do pequeno, o sangue subiu rapidamente para as bochechas de Ciel e sua pele se aquecia.

– Isso é ridículo! Eu não tenho que admitir nada. – o conde parecia um pouco nervoso, mas mantinha o ar superior. – Não tire conclusões precipitadas. – Ciel se afasta novamente soltando suas mãos.

– Meu humor não é o mais tolerável esta noite, bocchan.

Ciel se virou para olhar seu servo pronto para retrucar o que considerou mais um atrevimento por parte dele e viu um sorriso estranho no outro. Não era um de seus costumeiros sorrisos debochados, ou perversos ou de desdém, Sebastian estava com raiva, mas ainda assim estava um tanto vulnerável. Levantou apenas um lado da boca. Isso fez Ciel involuntariamente tremer. Não por medo, sabia que Sebastian não o machucaria, simplesmente não conseguiu evitar um tremor lhe percorrer.

– Você não se atreveria... – Ciel alertou estreitando seus olhos para o akuma.

Sebastian sentiu o desejo de puxá-lo para sim, apesar de que o jovem conde deixava claro que não queria sua aproximação, mas não reprimiu mais seu desejo. Encurtou a distância entre eles com dois passos e segurando sua nuca o beijou. Havia urgência em seu beijo, uma urgência em sentir a mesma sensação de quando fez isso pela primeira vez. Ciel tentou empurrar o maior em vão, Sebastian ergueu o corpo pequeno entrelaçando suas mãos na cintura delgada do garoto em um abraço impossível de sair e o colocou sentado na bancada da cozinha com seu corpo entre as pernas do menor, separou suas bocas permitindo a Ciel tomar fôlego, o akuma apertou a cintura do conde o puxando mais para si, ergueu a mão esquerda para tocar com suavidade a face enrubescida que tanto atraia sua atenção. Os olhos bicolores brilhavam com uma intensidade vivaz, únicos para aquele demônio. A outra mão de Sebastian deslizava por cima da blusa do menor e parou novamente na cintura de Ciel, o mantendo preso. Sebastian o beijou novamente e mordiscou de leve seu lábio inferior, o suficiente para sentir o gosto de sangue na boca do garoto, o beijo se prolongou com mais intensidade, de uma forma selvagem e esfomeada... O akuma sugava com volúpia os lábios agora um tanto inchados do conde que não conseguia mais reagir. Quando suas bocas se separaram Ciel arfava, mas pôde ver os olhos rubros do outro com uma intensidade que parecia jamais ter notado, parecia que o outro podia ver toda sua existência naquele momento... O que era uma verdade em se tratando de akumas, através do sangue era possível sentir o sabor de uma alma, era possível vislumbrar toda a existência de um ser humano à medida que devoravam por completo seu alimento vital. Apesar desta não ser a única forma era a mais eficaz. Uma outra forma era através do contato íntimo e demônios adoravam sexo, isso é um fato, mas por motivos geralmente diferentes do ponto de vista humano. Ludibriar e profanar o corpo humano inundando-os com sua essência pecaminosa em um momento tão íntimo os deixavam extasiados, de uma forma quase letal para o humano envolvido. Os que tinham o azar de cruzar o caminho de um demônio e chamar sua atenção geralmente não saiam vivos, afinal demônios são demônios, e os que por sorte conseguissem sobreviver estariam marcados para sempre. Como demônios fiéis aos seus princípios os akumas se alimentam de seus mestres só ao término do contrato, mesmo que isso demorasse anos. Sua raça é conhecida por sua frieza e autocontrole, ter contato com o sangue de um humano assim como com alguns dos seus fluídos corporais era até de praxe levando em conta o contratante ou a ordem a ser cumprida, porém isso não significa que diante de um prato saboroso nenhum akuma possa sucumbir, bastava o estopim e isso poderia desencadear a fome por seu alimento natural, poderia deixá-los cegos e o instinto falaria mais alto.

E esse era o problema.

Sebastian não conseguia mais manter o controle com relação ao jovem conde, quanto mais contato tinha com Ciel mais o desejava. Tendo em vista o quanto se dedicou e o quanto ainda se dedica àquela alma, provar o verdadeiro sabor de Ciel e não se deixar levar por seu instinto primário era algo para poucos. Nem ele sabia ao certo por que se dava ao trabalho. Tais contradições já estavam em sua mente durante os anos que o serviu no século XIX, quantas vezes por pouco não se deixou sucumbir diante do desejo de macular ainda mais aquela alma com o seu pecado, mas se continha, pois Ciel já lhe pertencia. Devorá-lo era o que mais queria e deveria ser o suficiente, chegava a salivar ao imaginar o êxtase desse momento. Momento este que foi adiado por mais de um século.

Agora ao se deparar com o garoto em pleno século XXI poderia ter dado um fim a tudo isso, um fim a todas essas contradições. Ciel era o mesmo, não tinha mudado em nada, a mesma impetuosidade e o mesmo atrevimento estavam ali presentes no menino como se um século de distância não tivesse existido entre eles. Tão nostálgico... Por noites, ficou a olhar o garoto dormir e quantas vezes passou em sua mente dar um fim a toda essa onda de contradições que recomeçavam a surgir. Afinal as pessoas de quem o garoto queria se vingar já estavam mortas há tempos, não existia mais uma meta a se cumprir. E Ciel é dele novamente.

Na verdade um século não é nada diante da eternidade de um demônio, mas quando seu jovem lorde foi levado então um século se tornou pela primeira vez tempo demais... Tempo este dedicado principalmente a sua procura, quando se deixou dominar pelos instintos novamente e a imagem de mordomo perfeito sumiu dando lugar à carcaça demoníaca cheia de raiva e rancor, sua aura demoníaca tomou proporções aterradoras tamanho o seu ódio, causando espanto e questionamentos entre os de sua espécie, estava como um animal selvagem ferido, ou melhor, um demônio ferido em seu orgulho. Nesse meio tempo voltou a se alimentar como antes fazia. Inconscientemente buscou em outros contratantes um pouco que fosse da impetuosidade e inocência que encontrou em seu bocchan, porém contratos eram iniciados e findados sem que nada despertasse o seu interesse, pelo menos não como antes.

Quando o selo do contrato retornou à sua mão esquerda e pôde sentir novamente a presença de Ciel varreu o mundo à sua procura, precisava conferir com seus próprios olhos que seu mestre tinha voltado, e encontrá-lo foi surpreendente, até para ele. O mesmo rosto emburrado quando contrariado, a mesma impetuosidade e o olhar inabalável e nobre que o fazia seguir como o mordomo perfeito para cumprir seus mínimos caprichos estava ali. Quando pensou que enfim teria sua tão cobiçada refeição o menor o surpreendeu novamente, o brilho em seus olhos denunciava seu orgulho ferido, a vingança que por direito era sua foi roubada e o conde não perdoará e nem poupará esforços para destruir quem ousou interferir em seu caminho e em suas decisões, não hesitaria mesmo que seu inimigo desta vez fosse outro demônio. E assim, à medida que os dias e as noites iam passando enquanto Sebastian velava o sono de seu mestre, parecia refletir quando tudo começou... Em qual momento esse humano passou a ser insubstituível para ele? Se ele soubesse que seria assim, teria feito o contrato?

Humanos são como momentos fugazes de luz. Demônios são eternos. Por que não prolongar o êxtase desse sabor? E no futuro, quando Ciel não puder mais resistir ao fim que aguarda todos os humanos pegaria o que era seu por direito e ficariam de certa forma unidos por toda a eternidade... E assim uma batalha interna estava sendo travado por Sebastian, ir de encontro com seus instintos não era algo muito natural, mas há tempos ele vinha se preparando para isso a cada vez que beijava seu pequeno conde, a cada vez que o tocava com desejo, a cada vez que sentia o sabor daquela arrogância e daquela alma maculada, vingativa e mesmo assim tão doce... Seu desejo por mais crescia. Isso era para aquele akuma como uma dose de veneno que precisava ser absorvido pelo seu corpo gradativamente para ganhar resistência.

Sebastian encostou sua cabeça no ombro de Ciel, sentindo sua respiração lenta e profunda, parecia aspirar a excitação que exalava do garoto – Eu não sou o mocinho. Muito pelo contrário. Sou o egoísta. E eu quero você. Então não fuja mais. Enfrente isso. – sussurrou as últimas palavras próximas ao ouvido do menor enquanto segurava uma de suas mãos.

O hálito frio e inebriante de Sebastian e seus sussurros roucos pareciam quebrar aos poucos a resistência do conde, seu coração ainda batia acelerado por causa da sensação que o outro lhe deixava. – Você nunca se rende não é?

– Não. – o olhar de Sebastian agora era intenso nos de Ciel. – Não te deixarei ir dessa vez... Não importa quem venha a chegar aqui neste momento. – e começa a provocá-lo tocando-o em suas áreas sensíveis.

A pele quente do garoto exibia mamilos enrijecidos por baixo da blusa. Sebastian enfiou as mãos por baixo da blusa de Ciel sentindo a pele arrepiada e sensível ao toque e começou a massagear os mamilos recém-despertos. Um tremor de prazer percorreu o corpo do jovem conde, Sebastian observava o garoto com uma expressão quase contemplativa. Ciel é lindo e inteiramente dele. Perdê-lo uma vez foi a pior coisa que acontecera em toda sua existência, não seria cogitada uma segunda vez.

Sebastian logo notou a ereção de Ciel por baixo do short e dá um sorriso malicioso. O sangue do menor pareceu arder nesse momento.

– Depois do que aconteceu entre nós é normal que seu corpo reaja ao meu. – diz Sebastian erguendo com delicadeza o queixo de Ciel o fazendo olhar para ele, depois o beija novamente dando especial atenção ao lábio inferior, ora chupando-o ora mordiscando de leve.

– Pare... eu não... aguento mais isso. – Ciel conseguiu falar entre ofegos.

– Acha mesmo que não sinto nada quando me aproximo de você? – Sebastian ergue o conde ainda mantendo seus corpos colados, envolvendo uma das pernas de Ciel em volta de sua cintura se encaminha para o quarto, lá a cama de casal simples seria a testemunha das próximas ações dos inquilinos daquele pequeno apartamento. Sebastian coloca Ciel na cama e o conde não consegue compreender em qual momento foi completamente despido pelo mordomo. – Não resista mais. – sussurrou com a voz rouca.

Sebastian se posicionou por trás de Ciel o abraçando pelas costas, apertando-o mais próximo de si. Enquanto beijava a nuca do menor passou também a acariciar um de seus mamilos o que deixou Ciel cada vez mais excitado e enrubescido. Ciel sente a ereção de Sebastian ainda por cima da calça pressionando suas nádegas.

– Adoro o seu cheiro – murmura o maior roçando os lábios na nuca e no ombro do conde. Sebastian desce sua mão por cima do abdômen de Ciel até chegar ao seu sexo, o conde estava rijo. A mão esguia envolve a ereção do menor, este envergonhado não conseguiu reprimir por completo um gemido que se formou em sua garganta. Sebastian mantinha sua boca entreaberta, por puro deleite despejava sua respiração fria na nuca de Ciel fazendo todos os pelos finos do seu corpo ainda em puberdade se eriçar como na primeira vez que fez isso. O mordomo concentrou-se agora na prazerosa tarefa, sua mão subia e descia com habilidade enquanto Ciel enrubescia vulnerável às suas ações. Seus gemidos eram baixos, contidos, mas inevitáveis. Bastaram mais alguns poucos movimentos para fazer o garoto chegar ao clímax. E assim o fez.

Sebastian lambeu os dedos satisfeito e ergueu-se da cama ainda com os olhos na direção de Ciel, seus olhos estavam em brasa. Olhava o menor percebendo a respiração dele aos poucos se normalizar. O maior então retira seu cinto e o coloca em cima do criado mudo ao lado da cama, começa a abrir botão por botão da camisa cinza que usava e a retira exibindo seus músculos definidos e sem exageros, retirou um por um os sapatos e as meias, por fim abriu o botão da calça e se despiu devagar. Com sua ereção revelada exibiu um sorriso satisfeito ao notar o quanto o garoto gostava do via.

Ciel franziu o cenho ao perceber a satisfação que inconscientemente provocou no outro. Ainda pensou em levantar da cama, mas o maior o impediu puxando-o de volta se inclinando sobre ele de modo que o jovem conde só via seu rosto pálido e seus olhos fixos nos dele como uma ameaça sensual, Ciel sempre percebeu que os olhos de Sebastian geralmente eram frios, mas agora existia um fogo neles quando o olhava e isso lhe causava um certo desconforto. Parecia mais nu do que já estava diante dele.

– Não se atreva a fazer coisas estranhas... – Ciel falou um pouco mais alto, sobressaltado.

– Você já sabe o que farei com você.

Sebastian pairava por cima de Ciel, seu olhar era intenso e examinador, nada de sorrisos provocativos, não havia qualquer resquício do sarcasmo habitual. Mantinha seu semblante sério, mas de uma forma sensual, o que fez o sangue de Ciel praticamente latejar em suas veias. O maior encosta seus lábios com suavidade nos do jovem conde, sua língua pedindo passagem que o menor prontamente negou. O contato pele com pele deixava Sebastian cada vez mais excitado, enquanto a distância entre seus corpos era encurtada o akuma puxou delicadamente o cabelo desalinhado do conde o fazendo gemer em resposta. Sebastian mordiscou seu pescoço agora mais exposto e fez um trajeto até a orelha de Ciel e mordiscou o lóbulo, depois refez o trajeto dando mais atenção ao pescoço alvo, moveu seus lábios entreabertos entre o pescoço e o ombro, os mamilos de Ciel endureceram novamente em resposta.

– Você é muito sensível. – Sebastian murmurou.

– Cale a boca. – Ciel retrucou com as bochechas coradas.

– Com prazer a manterei ocupada, my lord. – disse antes de atacar novamente os mamilos rosados do conde.

Isso já estava ficando fora de controle para Ciel. Todas as terminações nervosas do garoto pareciam corresponder aos lábios hábeis do seu servo naquela tarefa nada casta. Sebastian lambia, mordiscava e chupava com extrema satisfação se alternando entre um mamilo e outro enquanto suas mãos o arrastava para mais perto de si, sua pele fria envolvendo a pele quente que nesse momento estava completamente ardente o instigava a seguir. Ciel entrelaçava seus dedos nos cabelos sedosos de Sebastian, ora o puxando mais para si ora em tentativas vãs de afastá-lo. E Sebastian queria mais, muito mais daquele garoto. Não iria mais se contentar em olhar, não iria mais se contentar a imaginar suas reações. Queria ver tudo de Ciel. Queria tudo que o garoto pudesse lhe proporcionar.

Ciel arfava, porém gemia baixo. Isso excitava ainda mais o akuma que o beijou novamente, sua língua tendo agora total liberdade explorava cada pedaço da boca do conde com experiência, sua boca era faminta na do menor principalmente ao constatar que o conde estava excitado novamente. Ciel estava entregue novamente ao “homem” a sua frente. Os anos em sua companhia e a intimidade anteriormente forçada pelo contrato e por ordens a serem cumpridas deram lugar às descobertas diárias sobre o corpo humano, os pontos de prazer eram diferentes de um corpo para outro, mas com satisfação descobriria um a um os pontos sensíveis do garoto como já estava fazendo. Sentou-se na cama colocando Ciel por cima de suas pernas pressionando suas ereções e guiou a mão do garoto por baixo da sua em um movimento de sobe e desce ritmado. Ciel não aguentou mais tamanho o seu constrangimento em estar se masturbando junto com seu servo e encostou a cabeça no ombro do maior tentando fugir do seu encarar libertino. Talvez não tenha sido uma boa ideia, agora era ele a inalar o aroma sedutor que o akuma liberava em sua pele fria, o cheiro daquele demônio o deixava cada vez mais excitado, Sebastian beijou a nuca do menor e deixou para Ciel a tarefa que estava em suas mãos, este a continuando timidamente. Os braços longos envolveram a cintura de Ciel o puxado mais para si depois deslizaram por suas coxas apertando-as, seguiu até seu quadril e por fim chegou à sua abertura, encostou o dedo úmido pelo líquido que já começava a escorrer de suas ereções, pressionou seu dedo indicador na cavidade até que o introduziu, o garoto gemeu reduzindo o movimento que estava executando com as mãos.

– Não pare, continue. – ordenou ele com a voz imperiosa, porém sexy.

Ciel continuou e Sebastian agora movimentava o dedo dentro do conde com mais força, o retirou e introduziu agora dois, retirava e introduzia os dedos dentro de Ciel, logo eram três. O jovem conde gemia e se contorcia movendo os quadris, a dor e o prazer se mesclavam e Ciel estava chegando ao ápice quando Sebastian o deitou novamente na cama e se mete entre as pernas do garoto, afastando-as. Posicionou a glande e o penetrou lentamente de modo a não machucá-lo. O garoto gemeu, sua boca entreaberta liberava uma respiração áspera enquanto Sebastian continuava parado para o corpo do menor se acostumar novamente ao volume dentro de si. Sentindo o momento certo Sebastian começou a se mover lentamente mantendo um ritmo constante e tortuoso. O conde apertava os lençóis, seu corpo estava suado e estremecia, seus pensamentos estavam tumultuados e desordenados naquele turbilhão de sensações indescritíveis, Sebastian se retirava e voltava a penetrá-lo repetindo as estocadas sem tirar os olhos de Ciel, seus corpos completamente tensos naquela agonia gostosa fez com que suas bocas se unissem novamente, esfomeadas e selvagens. Sebastian segurou o membro rijo do conde o estimulando, mais três estocadas e os espasmos foram intensos, Ciel liberou seu prazer na mão de Sebastian e este se esvaziou dentro de Ciel.

Arfando Ciel abriu os olhos piscando-os lentamente, seu corpo estava um pouco dolorido, mas ainda estremecia de prazer. Sebastian estava deitado ao seu lado, apoiado no cotovelo. Ciel não sabia pra qual direção olhar, estava tentando não olhar na direção do mordomo, porém mais que isso definitivamente não sabia o que dizer agora, afinal ele acabou cooperando, novamente.

– Você é muito gostoso.

Ciel corou violentamente com tal declaração e olha perplexo para Sebastian. Este o fitava com firmeza e intensidade, além de ter um sorriso satisfeito brotando-lhe dos lábios.

– Não seja tímido depois de tudo o que fizemos.

– Humph! Não diga bobagens. – murmurou Ciel, a voz ainda se normalizando.

Os dedos longos com unhas negras começaram a percorrer Ciel desde o tórax até o baixo ventre, percorrendo o abdômen com movimentos sinuosos. O menor estava exausto, seu corpo parecia pesado demais, até para falar.

– Não é hora de dormir, Ciel. – Sebastian fala provocativo.

Os olhos de Ciel se encontraram novamente com os de Sebastian ainda intensos, eram como duas brasas que poderiam queimar qualquer um naquele momento, a excitação ainda estava presente no maior que se inclina e beija a barriga do garoto enfiando a língua em seu umbigo, Ciel suspira com o toque lascivo. Sebastian se ajoelha na cama erguendo uma das pernas de Ciel e se colocando entre elas, este o acerta bem na barriga com a outra perna livre tentando empurrá-lo, ação que Sebastian pareceu nem notar.

– Eu não acredito que você quer fazer isso de novo!? – Ciel esbravejou de maneira desajeitada com sua voz entrecortando.

Sebastian nem respondeu a princípio e começa a deslizar suas mãos nas pernas do garoto, concentrando carícias em suas coxas e virilha, Ciel estava totalmente exposto vendo seu servo fazer com ele o que bem quisesse ali naquele pequeno apartamento. Sebastian ergue os olhos novamente para o conde que sentiu seu coração palpitar e o sangue latejar novamente rumo à sua face, sem tirar os olhos de Ciel o maior se inclinou deitando-se na cama entre as coxas do menor, o conde também não conseguia desviar os olhos e se apoia nos cotovelos para ver o que o outro ia fazer. Sebastian pôs-se a lamber as coxas de Ciel, primeiro uma depois a outra, se demorando segundos intermináveis de uma deliciosa tortura em sua virilha, o menor segurou firme com uma das mãos o cabelo do outro tentando manter a respiração mais equilibrada. Sem quebrar o contato visual Sebastian segurou o membro recém-desperto do conde e deu leves lambidas na glande, passando depois a percorrer com a língua da base até a ponta arrancando gemidos lamuriosos do garoto que se retorcia mexendo os quadris, Sebastian deslizou a outra mão por trás da coxa de Ciel roçando seu dedo na entrada e o introduziu com mais facilidade tendo em vista que a poucos momentos tinham acabado de fazer sexo, então fecha os olhos com uma expressão de prazer e aos poucos coloca o membro rijo de Ciel em sua boca o explorando com a língua proporcionando ao jovem rapaz um prazer indescritível.

Antes que Ciel gozasse Sebastian libera o membro do jovem conde e o vira de bruços se deitando em suas costas, seu membro totalmente desperto a minutos atrás roçando entre suas nádegas.

– Eu quero fazer isso de novo. Quero estar dentro de você de novo. – sussurra com a voz rouca e sexy. E volta a beijar a nuca do menor que fica imobilizado embaixo dele.

Ciel gemia baixo enquanto seu corpo estremecia diante dos avanços e toques lascivos do outro, sentiu o maior erguer seus quadris e lhe invadir. Por reflexo talvez, começou gradativamente a se mexer até que agora estava de quatro com seu servo particular o penetrando com luxúria com seu corpo plenamente consciente do outro. Sebastian levou a mão ao pênis de Ciel o estimulando mais e mais... E ali entre as quatro paredes daquele apartamento simples em Phoenix seus desejos estavam sendo novamente consumados...

Minutos depois Ciel estava totalmente entregue ao sono, estava completamente esgotado e adormeceu (ou desmaiou) praticamente depois que gozaram juntos, Sebastian limpou o seu corpo tendo o devido cuidado para não despertá-lo. Seminu, caminhou até próximo à sacada e ainda de dentro do apartamento apoiou o braço na porta de vidro com a expressão séria e os olhos fixados num ponto adiante.

***

Os três caçadores deixaram o local do ocorrido antes da polícia chegar, estavam agora em outro quarto de hotel e Sam cuidava do ferimento de Dean. Enquanto isso Bobby conferia a segurança do lugar espalhando ervas para afastar demônios entre outras coisas.

– Não seja criança. – Sam repreende o irmão depois que este se queixou da dor.

– Ai, meu Deus. – Dean se queixou novamente.

– Estou quase terminando. Dean bebeu dois goles de uísque direto da garrafa. – Você é um açougueiro?! – reclama mais uma vez.

– De nada. – Sam ironiza.

– Já acabou?

– Não vai ajudar em nada se você sangrar até a morte. Então fique quieto.

Minutos depois...

– Pronto, terminei. – Sam se encaminhou ao banheiro para lavar as mãos enquanto Dean permaneceu à mesa conferindo o curativo.

– Agora que terminaram os dois poderiam me dizer o que está acontecendo? – exige Bobby se aproximando do caçador ferido.

– Isso tem haver com o nosso atual caso. – Dean responde.

– Sei, sobre o akuma. – Bobby fala.

Sam retornou à sala enxugando as mãos numa toalha, Dean olha sério para Sam e começa a falar tudo que descobriram sobre o akuma e sobre Isobel contando todos os detalhes de tudo o que ocorreu até aquele momento para Bobby ficar a par de tudo...

Bobby agora andava de um lado a outro na pequena sala com a expressão pensativa

– Então, aquele é o akuma?

– Sim. – os dois confirmaram ao mesmo tempo sentados no sofá.

– Feio pra caramba.

– Demais. – Dean concordou.

– É. – Sam também concordou.

– E você achou mesmo que ele não fosse perceber três caçadores na cola dele? – Bobby andou de um canto a outro na pequena sala do quarto de hotel e voltou a olhar para Dean e o repreendeu. – Acontece, Dean, que não dá pra enganar um malandro.

– Eu não imaginei que acabaria assim. – Dean falou com pesar. – Avisei para aqueles três que não tentassem nada, mas eles não me deram ouvidos.

– E por causa disso agora temos três corpos. E você foi quase morto. – Dean baixou um pouco a cabeça de forma reflexiva, Bobby continuou – Aliás, porque não te matou já que teve essa oportunidade? E ainda ele praticamente te devolveu a faca.

– Ele disse “não é conveniente”. – Dean tentou imitar o jeito de falar de Sebastian sem muito sucesso. Bobby pareceu não entender muito bem.

– De certa forma, estamos querendo pegar a mesma pessoa, a bruxa que te falamos. – Sam explicou.

– E pra isso vocês estão unindo forças com o inimigo? – Bobby retrucou.

– Não estamos unindo forças. Essa não é a intenção. – Dean responde.

– Ah é? E qual é a intenção? – Bobby volta a retrucar.

– Acredite Bobby, estamos fazendo o melhor que podemos. – Sam fala se levantando e se aproximando de Bobby.

– Tudo bem. – Bobby solta um suspiro e volta a perguntar. – E o que mais vocês não podiam falar por telefone?

– É que não sabíamos se acreditaria em nós. – Sam explica.

– Humph! Eu acredito em muita coisa.

– Não, eu sei. É que nunca vimos nada parecido antes. – Sam voltou a explicar. – E queríamos uma terceira opinião.

– E o que é? – Bobby pergunta e cruza os braços com a demora dos dois em responder.

Sam e Dean se entreolham e o Winchester mais velho fala. – Bom, é bem sinistro.

– Sinistro como?

– Achamos muito sinistro. Até para nós. – Dean volta a dizer deixando Bobby mais confuso.

– Pelo amor de Deus! Desembucha logo! – Bobby esbravejou não aguentando mais a demora dos dois em falar.

– Nós flagramos... – Dean olha pra Sam e depois para Bobby. – Flagramos aquele akuma dando uns pega no garoto! Pronto falei! – Dean se afasta erguendo as mãos.

O caçador mais velho ficou em silêncio, olhou para Sam depois olhou para Dean – Como é que é?

– Isso mesmo que você ouviu. Chegamos de repente lá com Castiel e pegamos ele em flagrante dando uns amassos no tampinha. – Dean falou erguendo os braços novamente nervoso.

– O quê? Mais que merda é essa?

– Não para por aí. A coisa ficou pior. – Sam fala voltando a se sentar no sofá com a expressão séria.

– Pior como?? Dean e Sam explicam para Bobby a conversa que os dois tiveram com Sebastian no hospital quando o akuma solta a declaração que ama Ciel.

Bobby ficou boquiaberto com tantos fatos e se senta no sofá. – Credo.

– Pode crer. – Dean concorda e toma mais um gole de uísque.

Notas finais
A frase: "Eu não sou o mocinho. Muito pelo contrário. Sou o egoísta." é de Diários de um Vampiro, Damon é quem fala e não resisti, achei que combinava Sebastian dizer, rs. Espero que tenha ficado um pouco mais claro as contradições que Sebastian está passando, ele quer Ciel, mas ao mesmo tempo tem que lutar contra sua natureza.