Notas iniciais
A 9ª temporada de sobrenatural já está sendo exibida, vocês podem não acreditar mas não tenho tv a cabo, pelos spoilers que acabei vendo pelo face vi que a ruiva Abaddon está dando muito trabalho para Crowley. Posso estar enganada (afinal eu não assisti nenhum episódio da 9ª temporada), sei que tinha uma foto com a enquete Vote Crowley ou Vote Abaddon. Parece que Abaddon está tentando tirar o posto de rei do inferno de Crowley, é isso que deu pra entender, achei interessante foi a coincidência: Abaddon e Isobel são ruivas de olhos claros, as duas estão se metendo com o rei do inferno, ( se lembram do capítulo "Trato é trato" em algumas das frases de Crowley dá a entender que sabe que demônios estavam traindo ele e se passando para o lado de Isobel, " Não se pode servir a dois senhores" foi o que ele disse e levou os dois para castigá-los e servirem de exemplo para os outros. Castiel no capítulo 20 também questionou o porque de tantos demônios estarem servido Isobel... Enfim, se é isso mesmo, que coincidência hein, kkkkkkk Frases aqui acolá de Kuroshitsuji mangá e de Supernatural (contexto diferenciado). Obrigada a: Mandy Nyu, Crazy Dreamer, BlueCherry, Liny Nyan e AmoFics XP por favoritarem minha fic, espero não ter esquecido ninguém. Valeu pela recomendação Mikan Akun!

Peter acordou com o toque do despertador do seu celular, olhou para um canto e outro do quarto e tudo parecia completamente normal, a lembrança dos olhos negros demoníacos ainda estava em sua mente, mas ficou pensando se tudo o que aconteceu noite passada não teria sido somente um pesadelo ou se simplesmente não teria sido somente sua imaginação. Balançou a cabeça em negação, escolheu a segunda opção. “Eu não tenho mais nada a ver com isso.” Levantou e foi cumprir sua rotina matinal de esperar seus primos desocuparem o banheiro e tomar banho, ir para o café da manhã em família e seguir até a parada de ônibus para irem para a escola. Antes de sair, como esperado, seu tio e a esposa fizeram várias perguntas a respeito de seu comportamento na noite anterior. Mentiu sobre a verdade novamente, de que adiantaria dizer o que aconteceu? Provavelmente não acreditariam nele. Dizer que acha que viu demônios, sendo que um deles estava fazendo cooper no bairro, seria algo estranho de se dizer pela manhã antes de ir para a escola entregar um trabalho de biologia que em hipótese alguma poderia deixar de ser entregue. Deu uma desculpa esfarrapa e saiu às pressas para acompanhar os demais que já seguiam apressadamente.

Porém assim que saiu da casa parou na calçada, percebeu que todas as sensações ruins que sentiu durante a noite anterior não haviam se dissipado por completo, ainda insistiam em permanecer em sua mente apesar dele tentar dizer a si mesmo que aquilo tudo era ridículo. A impressão que tinha é de estar sendo observado. E isso o deixava inquieto.

– Peter, vai perder o ônibus se ficar parado aí! – seu primo mais novo de cabelos loiros e ondulados o alertou e logo seguiu o irmão mais velho que estava mais adiante.

Desperto de seus pensamentos o rapaz olhou ao redor e viu os mesmos rostos que já estava habituado a ver desde que mudou para aquele bairro, as mesmas brincadeiras matutinas dos adolescentes quando se encontram sem a presença dos pais para mandá-los se comportar, os bocejos que denunciavam a necessidade de sono que não foi completamente saciada, a pressa para não perder a hora... Como todos os dias a vida seguia seu rumo e não esperaria por ninguém. Respirou fundo e endireitou o corpo antes de seguir.

***

Horas depois em outro ponto da cidade... Já passava do meio-dia e diante da mesa com uma refeição farta o Conde Phantomhive comia sob o olhar do seu mordomo, entre uma garfada e outra Ciel olhava furtivamente para seu servo, parecia ainda atordoado com tudo que se passou entre eles, era evidente que estava confuso e até irritado. Sebastian por sua vez servia a refeição como de costume, estava com um olhar até suave pelo que Ciel pôde notar. Olhou rapidamente para outra direção não conseguia olhar diretamente para o mordomo, pois acabava lembrando-se da noite anterior e como foi seu despertar horas atrás...

Horas antes...

O sol já estava alto no horizonte quando Ciel despertou, abriu os olhos lentamente seu corpo parecia ainda pesado como consequência da noite anterior. Sentou na cama e fez uma pequena careta.

– Está sentindo alguma dor?

O jovem conde olhou na direção da voz e viu Sebastian em pé próximo à porta do quarto, usava sapatos pretos sem cadarços e calça escura de bom corte, camisa preta de um tecido leve e de bom caimento. Cansando o jovem conde ainda registra em sua mente como o outro parecia muito bem apresentável pela manhã, claro que como seu servo isso não é mais que natural, notou também a expressão que o outro tinha ao lhe observar, geralmente Sebastian mantinha uma expressão muitas vezes imparcial, e quando fazia alguma observação geralmente vinha acompanhada de algum sarcasmo, “Seria fingimento? Afinal ele não deixa de ser um demônio astuto”, porém não tinha como negar que vinha observando que ele agora era capaz de exibir outras expressões; não queria, mas se pegou observando os lábios do seu servo que estavam repuxados em um leve sorriso que lhe pareceu por um momento até sensual e desviou o olhar.

– E de quem acha que é a culpa? – respondeu rispidamente.

– É certo, é minha culpa. Ontem o seu rosto estava muito sexy. – respondeu o akuma olhando para o conde e sorrindo como quem se diverte com a situação.

Ciel voltou sua atenção imediatamente para o mordomo, seu rosto expressava constrangimento e raiva pela observação do outro, esbravejou por fim – Ora seu... ontem... foi pior que a primeira vez!

Sebastian se aproxima, seu olhar estava suave, porém especulativo apesar do sorriso libertino que se formou em seus lábios. Sentou na beira da cama próximo a Ciel que o olhou com certa desconfiança. O maior observou com cobiça as marcas vermelhas espalhadas pela extensão da pele branca do conde, marcas que ele tão prazerosamente infligiu, esticou um pouco o braço e passou a mão suavemente no rosto do menor e acariciou com o polegar os lábios um tanto inchados e rosados do conde. Os frios dedos fizeram um calor percorrer todo o corpo do menor enquanto um sorriso aumenta na face do maior. O mordomo se inclina e une seus lábios aos do conde suavemente e se afasta voltando a fitar o garoto já enrubescido.

Ciel permaneceu calado, beijos matutinos já era um hábito há vários dias, muitas vezes acordava com o toque suave dos lábios de Sebastian. E agora era inevitável não esperar por isso todas as manhãs. – Você adora me provocar.

– E você diz isso mesmo que tenha gostado.

O conde se vira bruscamente e levanta-se da cama perdendo um pouco o equilíbrio. Caiu apoiado na cama.

– Ops! – Sebastian levou a mão à boca abafando o riso diante da expressão de surpresa do conde.

Ciel grita de raiva, depois se ergue tentando manter a compostura ao mesmo tempo em que se enrola com o lençol da cama. Seguiu de maneira desajeitada para o banheiro e bateu a porta.

Voltando à mesa...

– Algum problema, bocchan? Está ficando cada vez mais vermelho. – pergunta o akuma se aproximando e fitando a face do nobre. Ciel tinha a sensação que o outro ria dele.

A proximidade fez parecer que pequenas descargas elétricas percorriam o corpo de Ciel. Nunca sentiu tamanha sensação só por estar perto de alguém, nesse caso só porque estava próximo de Sebastian, ao perceber o olhar especulativo do outro se recompôs.

– Quer parar de ficar me analisando! – exclamou o conde com o rosto um pouco corado.

Sebastian o olhava, absorvia com prazer tudo o que o conde lhe oferecia. Estava satisfeito em perceber o que acontecia com seu jovem mestre, mesmo que ele não admitisse sua simples aproximação o afetava.

Antes que pudesse reagir Ciel sentiu o toque da mão do maior em seu peito. – O que está fazendo??

– Gosto se sentir como seu coração bate cada vez mais rápido. – olhou para o conde o observando com atenção. – Sinta meu toque em você. Como ainda pode negar o óbvio?

– Suficiente. Afaste-se. – Ciel ordenou.

Sebastian hesitou, mas acatou a ordem. Falou ainda próximo do conde: – Qual o problema que te toque? Você me pertence. Também não vejo problemas com relação ao sexo, seu corpo se adaptou bem ao meu.

Ciel nada respondeu o único sinal de que o ouviu o outro era um músculo se contraindo na mandíbula. Por fim deixou escapar um suspiro aborrecido.

– Mais importante, os Winchester ligaram para dizer alguma novidade?

– Ainda não.

– Então não fique aí parado. Ache um jeito de entrarmos naquela festa e acabarmos com a alegria daquela bruxa ordinária!

– Como queira, my lord. – Sebastian fez uma reverência acatando a ordem dada.

***

Dias depois...

Era a hora do intervalo, Rachel e Peter conversavam próximos a uma das árvores do pátio, tinham se afastado um pouco mais para tentarem ter uma conversa mais reservada. Foi a jovem que propôs a conversa por estar achando Peter estranho há dias.

– Peter, eu não estou duvidando de você. – Rachel falou para o rapaz, ele tinha contado o que aconteceu algumas noites atrás. – Só acho que você ainda pode estar impressionado por tudo o que passou.

Peter que estava ao lado da jovem se posicionou diante dela. – Não estou imaginando, não estou paranoico ou nada desse tipo! Sei muito bem o que vi, cheguei a pensar que poderia ser minha imaginação me pregando peças, mas acho que é mais que isso.

A jovem de grandes olhos castanhos ficou a observar o rapaz em sua frente que parecia bastante aflito, as roupas dele estavam ficando cada vez mais folgadas e as olheiras mais acentuadas. Não é que não acreditasse nele, ela sabe melhor do que ninguém todo o sofrimento que seu amigo passou, viu com seus próprios olhos coisas que pareciam ter saído diretamente de um filme de terror, porém só não queria ver seu amigo remoer todo o sofrimento que passou.

– Será que estou enlouquecendo? Ou será que estão vindo atrás de mim? E se... eu for possuído novamente? Eu... não quero passar por tudo aquilo novamente... – Peter estava aflito e começou a andar de um lado a outro.

– Primeiro que tudo mantenha a calma. – Rachel tocou no ombro do rapaz que parou bem diante dela a olhando ainda aflito. – Seja o que for você não está sozinho nessa. Eu estou aqui para te ajudar. – ele a abraçou, com as palavras de Rachel se sentiu um pouco mais seguro e relaxado. – Pelo que estou entendendo não foi só uma ou duas vezes que aconteceu, não é?

– Isso mesmo. – o rapaz confirmou, se afastou alguns passos e ficou com a expressão pensativa. – Vejo aqueles... olhos estranhos em vários lugares. Tenho a impressão que estou sendo observado constantemente. Minha família parece perceber que algo estranho está acontecendo comigo, meus primos estão com medo e se afastaram. Não me sinto seguro na casa deles, mas também não tenho outro lugar para ir.

– Posso falar com minha tia, temos quartos livres na casa.

– Não posso fazer isso, não seria seguro para você ou sua família.

Rachel pensou um pouco e falou – Ainda tenho o número daqueles dois, os caçadores. Eles poderiam te ajudar, o que acha?

Peter suspirou, não sabia o que fazer, já tinha ido até a Igreja do bairro e nada parecia dar certo, as pessoas já o olhavam torto, quase como se ele fosse um desequilibrado. Apesar de tudo, Rachel parecia querer dar um voto de confiança ao rapaz. Para ela que viu o que ele viu, que sabe melhor do que ninguém o que se passou com ele era mais fácil acreditar.

O sinal soou, fim do intervalo.

– Vou ligar para eles assim que der. Mantenha a calma e tente agir naturalmente. – a jovem de longos cabelos negros diz enquanto os dois seguiam lado a lado pelo pátio. Antes de seguirem cada um para sua direção, reforçou: – Mantenha a calma.

A alguns metros de distância na mesma rua em frente à escola alguém escutava atentamente a conversa entre eles. Ergueu os cantos da boca em um sorriso satisfatório enquanto ajeitava as luvas pretas e os óculos escuros, deu a partida na Harley-Davidson preta e seguiu pela avenida principal.

***

Um dia depois, pela tarde...

O Impala 1967 parou em frente à casa de Madison Collins. Dean, Sam e Bobby desceram e se encaminharam para a residência da tia de Rachel. Não era uma visita comum, os três caçadores foram chamados pela jovem de olhos castanhos que já os aguardavam em frente da porta principal da residência. Rachel os guiou até Peter que aguardava na sala de estar. Dean foi informado por Rachel que a tia e primos não estavam em casa e poderiam conversar tranquilamente. O rapaz estava visivelmente abatido e parecia até mais magro que da última vez que o viram. Sam foi o primeiro a se aproximar, mostrou uma garrafinha de metal para Peter. – Beba. – falou seriamente.

Peter ficou em pé e estudou a situação em silêncio. Seu olhar demorou um pouco mais na face de Rachel, ela parecia nervosa. A jovem fez um aceno com a cabeça o incentivando a cooperar, então Peter segurou a garrafinha metálica, olhou para Dean que se mantinha com a expressão atenta e severa, bebeu um gole do líquido e devolveu a garrafa para Sam. Dean agora se aproximou e segurou firme o braço de Peter, puxou a faca de prata que estava presa à cintura e fez um pequeno corte no antebraço do rapaz até que o sangue fluiu.

Peter fez uma pequena careta, mas nada aconteceu.

– É, ele está limpo. – fala Dean limpando a faca e exibindo um sorriso rápido. Dean apontou o sofá para o rapaz e se sentou no outro de frente para ele. Antes de sentar Peter olha para o caçador mais velho com desconfiança. – Peter, este é Bobby. – Dean faz as apresentações – Ele também é um caçador e está aqui pra ajudar.

Peter assentiu e se sentou, Rachel gesticulou para que os outros dois também sentassem no sofá a frente deles e permaneceu ao lado do amigo.

– Bem, queremos que você nos conte em detalhes o que está acontecendo, só assim podemos saber o que fazer.

Peter começou a falar com detalhes quando tudo começou, falou ainda da sensação de estar sendo seguido e de não se sentir seguro em lugar nenhum. – Não consigo dormir mais tranquilamente. Ouço barulhos no quarto quase todos os dias, escuto vozes chamando meu nome durante a noite. Nas ruas vez outra noto pessoas me observando com aqueles estranhos olhos... e depois seus olhos voltam ao normal e deixam de me observar...

A conversa se prolongou e depois os três caçadores se afastaram para conversar.

– O que acha Bobby? – Sam pergunta.

– Evidentemente ele não está possuído. Muito menos é um maluco. Mas tem algo que não se encaixa... Tem algo acontecendo, mas não consigo saber o que é.

– Ele pode estar um pouco paranoico. – Dean falou e os três olharam ao mesmo tempo para Peter que ainda estava sentado no sofá. – Depois de tudo o que ele passou não seria de se estranhar.

– Pode até ser, mas no nosso ramo esquisitices como essas podem ter um significado... Pelo que vocês me disseram ele e a garota eram amigos do tal conde, o mestre daquele akuma – disse Bobby.

– Isso mesmo. Soube que agora somente Rachel mantém um pouco de contato com Ciel. Peter não quer nenhum tipo de aproximação com os dois – Sam informa.

– Sabe, eu creio em muitas coisas. Coincidência não é uma delas – fala Bobby aos dois irmãos.

Horas depois os cinco estavam próximo da casa do tio de Peter. Aproximaram-se com cautela e quando perceberam que o caminho estava livre logo depois se separaram, Sam ficou com Rachel e Peter na casa enquanto Dean e Bobby percorreram algumas ruas do bairro.

– Bom, aparentemente está tudo tranquilo. – Dean falou assim que chegou a casa, depois perguntou. – Tem certeza que não chegará ninguém nas próximas horas?

– Sim, meu tio está trabalhando, meus primos ainda estão na escola e minha tia foi para a reunião da paróquia.

– Ok, já conferi as duas salas e a cozinha, falta os outros cômodos. – Sam informou.

– Ao trabalho. – Bobby disse já subindo as escadas até chegar aos quartos, Dean o acompanhou enquanto Sam continuou a verificar outros cômodos na parte térrea.

Minutos depois...

– Tudo limpo. – Dean falou olhando para Peter e Rachel.

– Não pode ser. Não conseguiram encontrar nada?? – Peter questionou.

Dean e Sam afirmaram que não.

– Isso não quer dizer que nada está acontecendo. – Sam explicou. – Acreditamos em você, mas o que pode ser feito por enquanto é fazer você se sentir seguro. Aqui, pegue.

Peter segurou um saquinho de tecido e o abriu olhando com atenção o estranho pó que estava dentro. – O que é isso?

– Pó dos bobos. – Bobby começou a explicar e lhe entregou outro saquinho – Este aqui é mojo. Os dois são eficazes contra demônios. Use também este amuleto.

Peter segurou o amuleto analisando o pingente.

– Este amuleto impede a possessão. – Dean informa. – Mas tem que estar sempre com ele. Aqui está um para você Rachel.

– Isso funciona mesmo? – Rachel pergunta analisando o pingente no cordão. – Porque vocês não estão usando um?

Dean e Sam afastaram as golas das camisas exibindo suas tatuagens no peito, Rachel e Peter puderam notar logo que se tratava do mesmo símbolo que estava em seus pingentes.

Os dois olharam para Bobby.

– Não vou mostrar a minha. – Bobby respondeu ao interpretar o olhar dos dois.

Assim trataram de colocar logo o colar no pescoço.

Sam, Dean e Bobby espalharam pelos quartos ervas anti-demônios e sal pelas janelas. Embaixo do tapete próximo a janela do quarto de Peter foi desenhada uma Chave de Salomão, Dean explicou que demônios podem ser aprisionados dentro daquele círculo. Peter e Rachel observavam com atenção tudo que os três caçadores faziam. Já era fim de tarde e Rachel teve que ir, Sam acompanhou a jovem enquanto Bobby e Dean permaneceram escondidos na casa, precisavam ficar e ter a certeza que a família de Peter estava bem.

A primeira que chegou foi Mary Thompson esposa de seu tio, logo depois os primos de Peter, os três estranharam o rapaz ter chegado em casa antes, porém este disse que não participou do treino hoje. Beberam água tranquilamente sem saberem que toda a água da casa agora era benta. Bobby habilmente tinha colocado um terço benzido no reservatório da casa, por último seu tio Philip que acabara de chegar também foi testado, usaram a água tranquilamente mesmo no banho, todos passaram pelo teste da água benta. Na hora do jantar Peter deu um jeito que todos usassem os talheres de prata dizendo se tratar de uma ocasião especial. Por fim, Bobby e Dean que observavam tudo saíram da casa sem levantar suspeitas com a ajuda de Peter que os agradeceu, entraram no carro de Bobby se afastaram e seguirem pelas ruas do bairro e depois de várias noites finalmente Peter pôde dormir tranquilamente.

...

Seguindo outra rota...

Sam levava Rachel para casa e durante o caminho conversavam no carro.

– Rachel, como estava dizendo não é seguro você manter contato com Ciel. Ele, assim como aquele demônio, não são nada confiáveis.

– Olha, eu entendo o que você está dizendo e eu SÓ mantenho contato com Ciel por SMS, raramente conversamos. – Rachel deu ênfase na frase para deixar claro que não se aproxima de forma alguma do akuma.

– Sei que preza suas amizades e também sei de tudo que você e Ciel passaram, mas mantenha-se afastada disso. Afaste-se dele. Isso pode não acabar bem. Veja o que aconteceu com Peter, antes foi possuído quase morreu e agora isso.

– Acha que Ciel tem algo a ver com isso? – Rachel sobressaltou-se com a possibilidade. – Mas Peter e eu não somos uma ameaça para nenhum dos dois, pelo contrário, eu não estaria aqui hoje se não fosse por eles.

– Ciel pode ter muitos defeitos, mas acredito que ele não faria nada contra você ou Peter. Ele provavelmente não... Mas é bom não confiar...

– Sabe, isso tudo é louco demais. Imaginar que existem tais... coisas... em pleno século XXI, é... inacreditável.

– Essas coisas sempre existiram, Rachel. Menos os homens de preto, aquilo é filme mesmo. – Sam explicou com um meio sorriso para amenizar a informação.

– Mas como informações como essa não chegam à televisão ou jornais?

– Não seria seguro. Acredite, se as pessoas tivessem a plena certeza que o que acham serem lendas ou folclore existe, seria um verdadeiro pandemônio. A humanidade não está preparada para isso.

– Entendo...

Sam estacionou o Impala em frente à casa de Rachel, ela saiu e deu a volta ficando na calçada de frente para Sam que permaneceu no carro.

– Bom... então você marcou de ver Ciel amanhã perto da escola?

– Sim, em uma lanchonete. – a jovem respondeu.

– Nós estaremos lá. Que horas marcaram?

Rachel ficou pensativa, teve um pouco de receio, não queria que ocorresse uma briga entre eles. Mas também, depois da conversa que tiveram e, sobretudo o que está acontecendo com Peter, tinha dúvidas. Ciel já a tinha alertado sobre isso, que talvez não fosse bom para ela se aproximar de uma pessoa como ele. Mas ela teimosa como é achou que estaria tudo bem, já que é com Ciel que ela mantém contato. A primeira vez que viu Ciel achou que ele era um idiota maluco, idiota porque estava tentando enfrentar dois bandidos armados sozinho, maluco porque veio com a história de ser um conde inglês do século XIX. Mas com a convivência percebeu que ele não era uma coisa nem outra. Era simplesmente alguém que perdeu a família muito cedo e teve que crescer rápido demais, assim como ela. Porém, ao contrário dela, não teve o apoio e nem o carinho de ninguém para lhe mostrar um caminho para seguir em frente. Ela gostava de Ciel e não tinha como mudar esse fato.

– Não se preocupe nada demais vai acontecer. – Sam disse parecendo ser sincero. – Só precisamos conversar com eles.

– Pela tarde, umas 4:30. – ela falou por fim.

Um breve silêncio se fez.

– Quanto a Peter, a maioria das pessoas provavelmente se afastaria dele com tudo isso que está se passando... Sua amizade com esse rapaz é de se admirar. – Sam disse.

– Nossos pais eram amigos, sendo assim nos conhecemos desde crianças. Além do mais estudamos na mesma escola.

– Tudo isso deve estar sendo difícil pra você também.

Rachel que estava com o olhar um tanto perdido voltou sua atenção para Sam e falou: – Peter é meu melhor amigo. Não quero ver ele passar por tudo isso de novo. Vocês podem mesmo ajudar, não é?

– Faremos tudo que estiver ao nosso alcance. – Sam respondeu com sinceridade. Esperou a jovem entrar em casa, ligou o carro e voltou para encontrar Dean e Bobby.

...

Dia seguinte, pela tarde...

O sinal tocou anunciando que mais um dia de aula terminou mais uma vez, Rachel guardava seu material e estava preste a sair do laboratório de química quando a conversa de quatro colegas da sala chamou sua atenção, falavam entre risinhos sobre a chegada de dois desconhecidos em frente ao portão da escola.

– Nunca os vi por aqui antes. Devem estar esperando alguém. – uma loira de cabelos lisos falou analisando através dos vidros da janela.

– Quem será que eles estão esperando? – outra perguntou.

– Ah, aquele ali é pequeno mais é uma gracinha... – todas riram com o comentário.

Rachel se aproximou da janela para conferir e reconheceu de imediato de quem se tratava, terminou de guardar rapidamente seus livros e se apressou até à saída. Um grupo de garotas dos primeiros anos observava a uma curta distância, olhavam de cima a baixo o garoto de postura orgulhosa que usava jeans escuro e tênis All Star, blusa branca e colete azul escuro. Entre risos e cochichos questionavam o porquê dele usar um tapa-olho e principalmente quem ele estava esperando, “Ciel é mesmo muito bonito” Rachel chegou a pensar assim que o viu agora mais de perto. E como ela já imaginava, ele não estava sozinho. Outro circulo de curiosos estava formado a uns poucos metros adiante, era Sebastian que estava em pé próximo ao portão, usava tênis pretos com cadarços brancos e calça jeans escura de bom corte, camisa branca de um tecido leve e de bom caimento e um blazer escuro com os punhos da camisa branca expostas, o que lhe conferiam elegância, jovialidade e praticidade levando em conta que se encontravam em um dos pontos mais quentes do condado de Maricopa em pleno outono. Ambos atraíam a atenção de boa parte dos estudantes que saiam da escola, mas suas atitudes deixavam claro que não queriam conversa e que provavelmente não eram nada simpáticos.

A jovem nunca tinha olhado com calma para Sebastian, das vezes que o viu não foram situações em que pudesse observá-lo com clareza e agora que apareceu essa oportunidade o olhou com atenção. Homem jovem e alto, bem vestido, corpo definido sem exageros, fisicamente Sebastian não parecia nenhum demônio, bem, Ciel também não parecia ser um contratante de demônios. E até um tempo atrás Rachel talvez tivesse achado uma loucura alguém falar sobre a existência de anjos e demônios, mas depois de tudo que viu quem era ela pra negar o obvio. A postura do mordomo demoníaco era até descontraída, porém atenta. Seus olhos eram vigilantes com todos que se aproximavam de seu jovem mestre, e logicamente sua aproximação não foi nada despercebida. Seus olhos de coloração curiosa a fitaram com um brilho que fez com que se arrepiasse por completo. “Era sempre assim ou a avaliava?”, não sabia responder, desviou o olhar e seguiu até Ciel que a aguardava.

– Ciel. – Rachel encurtou a distância que os separava e ficou bem diante de sua face exibindo um sorriso amistoso. – Bem pontual.

– Não é educado deixar uma dama esperando.

– Ora, o cavalheirismo não morreu mesmo. – a jovem falou se afastando alguns passos seguindo pela calçada da escola. – Vamos?

Ciel assentiu e a acompanhou. Os dois passaram por Sebastian que os aguardavam.

– Senhorita Collins. – Sebastian a cumprimentou de uma maneira educada e formal.

Rachel apenas o olhou, mas ficou emudecida. Sabia que ao marcar com Ciel acabaria tendo que lidar com seu “servo”, porém agora de frente com aquele akuma em pele humana simplesmente travou.

Mais cochichos e risadinhas. A curiosidade sobre quem os desconhecidos esperavam foi revelada, mas isso acabou dando margem a mais especulações sobre o que queriam com a jovem de longos cabelos negros e que tipo de relacionamento teriam.

Ciel a tocou no ombro e com um gesto indicou que ela continuasse andando e não desse tanta importância ao seu mordomo. E foi o que ela fez. Depois que atravessaram a rua seguiram alguns metros até chegar a uma lanchonete, no caminho a jovem vez outra olhava de esguelha para Sebastian. Evidentemente não se sentia a vontade a uma distância tão curta de um demônio... Sentados à mesa fizeram seus pedidos. Sebastian permaneceu mais afastado para que Rachel se sentisse mais à vontade.

– Bem, o que precisava falar comigo? – questiona Ciel.

– Na verdade eu só queria ver você. Saber se está mesmo bem depois do que aconteceu no hotel em que estava. – Rachel respondeu enquanto mexia o canudo do seu milk shake de morango. – Conversar um pouco... essas coisas.

– Você continua a mesma. – disse Ciel analisando a jovem, deu um suspiro por fim. – Sabe, depois do que descobriu sobre mim achei que iria se afastar, que não iria querer mais saber notícias minhas.

– Bom, não vou negar que isso me passou pela cabeça. Mas acredito que todos merecem uma segunda chance, inclusive você. – Rachel respondeu e logo tomou um pouco do seu milk shake.

Ciel estudou o rosto da jovem em busca de algum traço de falsidade ou cinismo.

Rachel percebeu o olhar especulativo do menor em si – Eu confio em você. – ela continuou falando apoiando-se na mesa e se aproximando mais do conde. – É nele que não confio. – falando baixo ela indicou a direção de Sebastian com a cabeça.

– Rachel, independente de confiar ou não em mim, eu acho que pode ser arriscado nos vermos.

Rachel ficou um pouco pensativa com as palavras do conde e até um pouco triste, Ciel percebeu e acabou liberando um suspiro, olhou para ela novamente e disse por fim: – Escute, Rachel. Eu aprecio e muito sua preocupação comigo e admito que gosto de conversar com você através das mensagens, entretanto precisa compreender que é um risco se envolver comigo quando tantas coisas estão acontecendo.

– E o que está acontecendo? – a jovem questionou parecendo não dar ouvidos ao que o conde acabou de explicar. – Por que não conta pra mim? Quem sabe posso ajudar em algo.

“Ah, humanos e sua curiosidade instintiva”. Sebastian pensou ao ouvir a conversa.

O que os dois não sabiam é que Rachel também tinha seus motivos para querer saber. Não é que não se preocupasse verdadeiramente com Ciel, mas sua preocupação maior agora é com o estado de Peter e se isso tem alguma coisa haver com Ciel e seu mordomo, como Sam deu a entender, ela precisava tirar essa história a limpo.

– Quanto menos você souber será melhor. – Ciel respondeu e preferiu mudar de assunto. – Mas e você? Saiu-se bem nas provas?

– Matemática e química para mim sempre serão um mistério, mas acho que me sai bem. O recesso escolar (winter break) está quase começando. Poderíamos no ver no Natal, que acha?

Ciel não respondeu, bebeu um pouco mais do seu milk shake de chocolate enquanto observou bem a garota. Rachel é uma garota muito bonita, garota forte e decidida, diferente da maioria das jovens damas que conheceu em vários dos eventos sociais que participou em sua época, mas um tanto teimosa quanto aos avisos de não se aproxime.

– Ciel...

– Sim?

– Eu... não sei muito sobre o que está acontecendo, mas deve ser algo muito sério. Descobriu alguma coisa? Alguma forma de voltar para sua casa?

Ciel se encostou melhor na cadeira. – Tem uma possibilidade. Sebastian e eu estamos trabalhando nisso. – o conde preferiu não entrar em detalhes e mudou de assunto novamente. – E Peter? Como ele está? – perguntou. Não teve notícias do rapaz desde quando ele foi hospitalizado, pois mesmo trocando mensagens com Rachel só perguntou por ele uma vez e a resposta da jovem foi um pouco evasiva.

– Ele... ele está bem. – a jovem preferiu mentir. Na verdade Peter sempre pediu que Rachel não falasse sobre ele a Ciel e principalmente agora preferia manter total distância e sigilo.

Sebastian que estava próximo percebeu a mentira na hora e acabou por olhar a jovem de soslaio. Rachel percebeu seu olhar e acabou se atrapalhando e derrubando o milk shake. O mordomo rapidamente segurou a taça antes que se espatifasse no chão.

Sebastian coloca a taça de volta na mesa sob o olhar atento e até meio assustado de Rachel. – Não pude deixar de notar seu colar, senhorita Collins. – e se aproxima examinando o colar.

Rachel ficou impactada com a aproximação do akuma de repente e mais ainda deste estar lhe dirigindo a palavra novamente.

– É um presente. – Dean fala se aproximando da mesa, tinha visto essa última cena e se interpõe entre Rachel e Sebastian. – Quer um pra você?

– Obrigado, mas não faz muito meu estilo. – o mordomo responde secamente.

Os dois se encararam por uns breves segundos até que Sam se aproxima mais.

– Calma vocês dois.

– É isso aí bonitão. Não vamos armar nenhum barraco em público. – Bobby falou se aproximando também.

– Não esperava encontrá-los aqui. – Sebastian começou a falar. – Foi a senhorita Collins que os convidou?

Rachel percebeu a tensão no ar imediatamente, Ciel só bebeu um pouco mais de seu milk shake.

– E aí, garoto? – Dean falou com Ciel.

– É Ciel.

– Sei, sei. – Dean se aproximou de uma cadeira vazia ao lado do conde. – Podemos sentar?

– É um país livre. – o garoto respondeu.

– Com certeza. – Dean sentou do lado do conde enquanto Sam e Bobby sentaram do lado de Rachel, Sebastian que estava antes mais afastado por causa da garota decidiu permanecer mais próximo de seu mestre.

– E você quem é? – Ciel se referiu a Bobby.

– Meu nome é Bobby Singer. Também sou um caçador.

Ciel e Bobby se analisavam com as expressões sérias.

– Você é menor do eu esperava.

Ciel ficou surpreso com o comentário do mais velho. Dean e Rachel seguraram um risinho.

– E você tão inconveniente quanto supus.

– Ora, o pequeno tem a língua afiada.

– Não menos que você.

– Ei, ei. Calma aí vocês também. – Sam se intrometeu. – Viemos para conversar numa boa.

Os dois reviraram os olhos ao mesmo tempo.

– Não esperava encontrá-los aqui. – Ciel começou a falar. – Afinal tem dias que não davam notícias.

– Nos mantemos afastados por causa do nosso trabalho e também porque eu precisava esfriar a cabeça. – Dean respondeu dirigindo seu olhar para Sebastian que lhe retribuiu com um sorriso irônico.

– Como assim? – Ciel acompanhou o olhar de Dean para Sebastian.

– Estivemos muito ocupados apagando nosso rastro e limpando a sujeira que “alguém” fez. – Dean falou com raiva olhando para o mordomo. – Precisa levar esse demônio mais na rédea curta, pirralho.

O conde olhou para Sebastian – Explique.

– Três caçadores enviados pelos Winchester acharam que poderiam me matar, isso foi enquanto cumpria sua ordem de resgatar Jacob Brown. Obviamente os matei.

Rachel engasgou um pouco com seu milk shake depois da declaração do mordomo. A expressão do akuma era de como se falasse de algo trivial e não de assassinatos.

– Ele os esquartejou! – Sam falou e depois se conteve para não chamar atenção das outras pessoas na lanchonete. – Tivemos que localizar os corpos e dar um jeito para que outros caçadores não descobrissem e viessem se vingar. – murmurou. – Além disso, ele esfaqueou Dean no braço esquerdo, ele perdeu muito sangue.

– E porque mandaram caçadores atrás de Sebastian? – Ciel questionou.

– Como “porque”? – Dean falou dois tons mais altos. – É o nosso trabalho! Além disso, acredito que você seria um dos mais beneficiados com o fim dele já que ele não o vê mais como uma simples refeição se é que me entende.

Ciel pigarreou com o comentário do caçador, Rachel não compreendeu o real sentido da frase, mas sua expressão era claramente especulativa.

– Ora, se um simples ferimento acabar com Dean Winchester significa que você não é tudo o que dizem. – Sebastian provocou.

– Olha aqui, seu engomadinho dos infernos! – Dean se levantou bruscamente olhando para Sebastian que também o encarava. – Não pense que isso vai ficar barato. O que disse antes ainda está valendo, vou acabar com sua raça!

– Compreendo. Estarei esperando por esse momento. – retrucou o akuma com um sorriso perverso.

– Parem com essas provocações! Estão chamando atenção demais. – Ciel os repreendeu. – Enfim, conseguiram algum progresso?

– Com certeza fizemos nossa lição de casa. – Dean respondeu e continuou. – Acredito que podemos ter uma chance. E você?

Ciel olhou para Sebastian e depois confirmou – Tudo arranjado.

– Do que estão falando? – Rachel quis saber.

– É um assunto nosso, melhor não se envolver. – Dean aconselhou. – É mais seguro assim.

– Acho que já é tarde pra dizer isso. – Rachel revida. Ela levantou da cadeira, achou melhor ir embora, pois pelo visto não iriam dizer muita coisa a ela. – Falem o que tem que falar, mas me sinto no direito de saber do que se trata. E eu vou querer saber.

Os cinco olharam a jovem de longos cabelos negros partir impetuosa e depois se entreolharam. Ciel se encostou novamente na cadeira e questionou: – Está acontecendo alguma coisa com ela?

Os três não responderam.

– Vocês estarem aqui ao mesmo tempo que ela não é somente uma coincidência. E esse seu “presente” é muito suspeito tendo em vista Sebastian ter lhe prestado atenção.

O akuma sorria com a perspicácia do menor.

– Sebastian. Acompanhe Rachel até a casa dela sem que ela perceba e verifique se está tudo em ordem com a vizinhança. Depois volte para me buscar.

– Certamente. – o mordomo assentiu tendo em vista que deixaria seu mestre com os três caçadores, portanto, seguro. Ele rapidamente partiu antes que os caçadores pudessem protestar.

– Compreendo que não confiam muito em mim e muito menos em Sebastian, mas não quero que nada aconteça a ela.

Os três caçadores se entreolharam e compreenderam a situação.

– Sebastian deu um jeito para que nossos nomes estejam na lista de convidados. – Ciel informou.

Sam o olhou com um ar interrogativo.

– Não se preocupe. São nomes falsos como vocês já estão acostumados.

– Arrume mais um nome pra lista, pois Bobby irá com a gente. – Dean informou e depois continuou – Nós conseguimos os ingredientes necessários, feitiço contra feitiço geralmente dá certo. Mas só para registrar, bruxas são de longe as mais poderosas. E essa Isobel então...

– Que seja. – Ciel falou e tomou mais um pouco do seu milk shake. – Sebastian me disse que é quase impossível uma pessoa normal matar uma bruxa como ela. – explicou. – Mas pelo histórico de vocês o “quase impossível” pode se tornar possível.

Dean deu uma olhada rápida no cardápio e chamou a garçonete. Os três caçadores pediram um lanche também enquanto conversavam sobre as possibilidades que tinham ao entrar na festa, se seria viável chamar outros caçadores como apoio e o que fazer para manter a segurança dos humanos que também estariam no evento.

Ciel percebeu que Sam ficava olhando para ele e vez outra parecia querer perguntar alguma coisa e depois desistia. – Se quer perguntar algo pergunte.

Sam olhou para Dean e depois para Bobby antes de falar. – Eu só queria saber se você está bem. Afinal pelo que já flagramos ele está te forçando a...

Ciel estreitou os olhos na direção de Sam, sua intimidade estava sendo exposta e isso o enraivecia.

– Calma. Só queremos que saiba que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance. – Sam explicou. – Queremos te ajudar, mas até então não conseguimos descobrir uma forma de anular o contrato ou de te afastar dele.

– Garoto, essa é a primeira vez que escutei algo desse tipo. Nunca ouvi falar que um demônio pudesse dizer que ama alguém. – Bobby falou.

– Sebastian disse isso a vocês? – parecia que o sangue de Ciel agora fervia na face.

– Sim, lá no hospital. – Dean confirmou. – Provavelmente esse foi também um dos motivos para que ele me atacasse.

– Sebastian não é muito agradável quando é contrariado. – Ciel diz.

– Eu percebi. – Dean retruca.

– Ciel, demônios mentem e fazem de tudo pra ferrar os humanos. Você pode achar que tem domínio sobre ele, mas não tem. Você não deixa de ser um garoto e ele um demônio. Não tem como você lidar com isso sem sair ferido. – Sam explicou e depois prosseguiu – E ainda mais essa situação que você está passando...

“Demônios mentem...” Ciel refletiu nessa frase. Pensou que é impossível Sebastian mentir, afinal um dos termos do contrato é ele sempre dizer a verdade. Ficou pensativo, saber que Sebastian falou isso para eles mexeu com ele.

– Rachel já está segura em casa. – Sebastian se aproxima. Os quatro não tinham percebido que o akuma tinha voltado. – Verifiquei a vizinhança e não achei nada suspeito.

Os quatro permaneceram calados e os três caçadores se entreolharam.

– Quero deixar claro também que disse a verdade. – Sebastian se posicionou de frente a mesa de alumínio industrial de forma que ficou de frente para os três caçadores e Ciel. – Um dos termos do contrato é que nunca devo mentir.

– Isso é papo furado! – Bobby esbravejou ficando em pé.

– É impossível um demônio sentir tal sentimento por um humano. – Sam completou. – Parem com isso! Querem que sejamos expulsos daqui ou que descubram sobre Sebastian? – Ciel murmurou alertando ao olhar que algumas pessoas já estavam observando a situação, inclusive o gerente do estabelecimento.

Bobby se sentou e houve um breve silêncio.

– Como já disse eu o amo. Como um akuma meu amor não é puro, é obsessivo, profano e pecaminoso. E demonstro esse amor com intensidade quase todas as noites. Seria bom que todos se acostumassem logo com a ideia. – havia um “ou então” implícito no final da frase.

Os três ficaram boquiabertos com a declaração atrevida e detalhista do akuma. Quanto a Ciel... ficou de cara no chão.

Recomposto da situação Ciel pigarreou, levantou da cadeira e deu alguns passos em direção da saída. – Manteremos contato até a noite da festa. – ergueu a cabeça e caminhou até a saída diante dos olhares atentos dos caçadores e entre cochichos de outros clientes que estavam no local e ficaram sem entender muito bem a cena.

– Estejam apresentáveis nesta noite. – Sebastian alfinetou e seguiu seu mestre.

Bobby quebrou o silêncio – Ele é exatamente como vocês descreveram.

– Eu disse. – Dean confirmou. – O tampinha é carne de pescoço.

Quando voltaram sua atenção para a mesa novamente se surpreenderam ao ver que a cadeira vazia do conde estava ocupada por Grell que já estava tomando um pouco de chá.

– Mãe de Deus! Quem ou o que é ele? – Bobby questionou analisando a figura de longos cabelos vermelhos e olhos de coloração estranha que bebia chá com uma expressão melancólica.

– Bobby Singer este é Grell Sutcliff. Ele é um ceifador, ou melhor, um shinigami. – Dean fez as apresentações.

– Um ceifador? E o que ele faz aqui? Não me diga que ele veio nos...

Sam interrompeu Bobby, disse que provavelmente não era nada para se preocupar, pois o shinigami aparecia e desaparecia sem muitas explicações sempre que estavam próximos de Sebastian.

– Se veio atrás de Sebastian, ele saiu agora a pouco. – Sam informou.

Grell deu um suspiro e tomou mais um gole de chá.

Dean estranhou o fato do shinigami estar tão calado e quieto. – Aconteceu alguma coisa?

– Tudo aconteceu. – Grell respondeu por fim.

– Como é que é? – Dean não entendeu, olhou para Sam que deu de ombros. Bobby estava com uma expressão interrogativa analisando desde o cabelo chamativo as roupas do shinigami até que parou alguns segundos no par de sapatos vermelho e preto de salto.

– Eu me sinto abandonada, ultrajada, traída... – o shinigami começou a falar fazendo um beicinho.

Bobby com a boca entreaberta olhou para Sam sem compreender o que o outro falou.

– Ele é apaixonado por Sebastian. – Sam esclareceu.

Agora era Dean que estava com a boca um pouco entreaberta e a expressão enfadonha.

– Aaah, Sebastian! – Grell apoiou a cabeça na mesa fria de metal industrializado da lanchonete e começou a bater com o punho na mesa várias vezes. – O que ele tem que eu não tenho??

– O que é que tinha nesse chá, hein? – Dean cochichou para Sam que balançou a cabeça em negação.

– Mas eu não vou desistir! – Grell ficou em pé e se afastou um pouco mais da mesa. – O amor que sinto por você, meu Sebas-kun, é tão intenso quanto o vermelho das chamas escarlates. Eu vou mostrar que tenho muito mais sexy a pill que esse fedelho que mal saiu das fraldas!

Dean revirou os olhos, enquanto Grell recebeu até alguns aplausos na lanchonete e uns gritinhos de incentivo.

Grell agradeceu os aplausos e se sentou novamente bebericando o chá.

– Ué, pensei que depois desse pequeno discurso você iria imediatamente atrás deles – Dean falou.

– Do jeito que saíram daqui com certeza terão uma DR. – Grell respondeu.

– Uma DR? – Dean questionou.

– Sim, uma DR. Eles provavelmente irão Discutir a Relação. – Grell explicou como se isso fosse óbvio. – E como aquele fedelho disse, Sebastian não é muito agradável quando é contrariado. No meio de uma DR então...

Bobby estava com o cotovelo apoiado na mesa só observando a cena. – Esse mundo tá perdido

Notas finais
Só para lembrar: a história se passa em dezembro que é período de aulas nos Estados Unidos (o ano letivo é diferente do nosso). Dividi o capítulo em duas partes porque acabou ficando muito longo, estou terminando o lemon para depois postar outro dia.