Notas iniciais
Espero que gostem do desfecho da DR, rs. Boa leitura!

Durante o caminho já vinham discutindo, chegando ao apartamento Ciel entrou já exasperado. – Você tinha que dizer essas coisas?! Não poderia ter saído sem dizer nada?? Mas nãããooo!! Você tinha que soltar uma bomba daquelas na frente de todos em uma lanchonete.

– Não posso mentir, meu jovem mestre sabe muito bem disso. – Sebastian respondeu tranquilamente enquanto fechava a porta do apartamento.

– Omitir já era o bastante! – o menor esbravejou.

– Em nenhum momento disse que iria esconder nossa relação. Por que te incomoda o fato que eles saibam?

– Que relação?? – Ciel retrucou e depois continuou – Além do mais isso pode se espalhar e...

– Te incomoda o que a sociedade vá pensar de você. – Sebastian afirmou.

Ciel virou o rosto e permaneceu calado.

Sebastian se aproximou o encurralando contra a parede e fala seriamente. – Aqui ninguém te conhece, aqui você não é mais o Cão de Guarda da Rainha, não tem mais uma noiva e ninguém que se importe mais com você além de mim. Eu até tento compreendo que tudo isso é difícil para você que até um tempo atrás era hetero. Eu também nunca imaginei que estaria aqui tentando ser aceito por um humano. – seu olhar era intenso na face de Ciel, como uma ameaça sensual. – Não me rejeite.

Ciel não desviou o olhar e depois de um breve silêncio falou: – Nunca imaginei que pelo contrato que temos meu papel acabaria sendo o de um escravo amante.

Os olhos de Sebastian se estreitaram com as palavras do menor, seus lábios formaram uma linha severa. Ciel manteve-se firme.

– Eu nunca o vi como escravo. Até porque este papel não lhe convém. – Sebastian esclareceu com a expressão ainda séria.

O menor passou por baixo de um dos braços do akuma e se afastou alguns metros. – Não sou um brinquedo para satisfazer seus desejos. Ou irá negar isso?

– Nunca o vi dessa forma, mas admito que de tudo que falou até agora “amante” foi o que mais chamou minha atenção. – Sebastian exibiu um sorriso malicioso. Antes que Ciel pudesse retrucar Sebastian se aproximou rápido demais para os olhos humanos – Sou eu que estou negando o óbvio? – o akuma que estava exatamente à frente do conde dá mais alguns passos adiante de forma um tanto ameaçadora, Ciel meio que foi forçado a sentar no sofá e ficou face a face com seu servo. Este apoiou um dos joelhos no sofá bem entre as pernas do conde, suas mãos estavam apoiadas no encosto do sofá uma de cada lado da cabeça do menor de forma que prendeu o jovem conde não lhe dando escapatória. – Não acha que sei o que está fazendo? – sussurrou próximo ao ouvido do menor – A quem você tenta enganar? Você também sente atração por mim. E está com medo. Tem medo desse sentimento que cresce cada vez mais e que não consegue controlar.

– Não seja ridículo!

– Esperei por muito tempo. Nunca deixei de pensar em você. – Sebastian uniu seus lábios com os de Ciel e depois voltou a fitar a face já enrubescida do conde. – Não diga que não me quer.

– Eu não entendo isso. – o conde murmurou e por fim esbravejou olhando fixo para seu mordomo – Como você pode dizer que me ama? Você é um demônio! É impossível que você ame alguém!

O olhar de Sebastian era firme sem espaço para dúvidas, eram tão intensos que pareciam queimar, o garoto poderia jurar que o akuma enxergava até sua alma naquele momento. – Às vezes mesmo quando você sabe que algo é impossível, você ainda tem que tentar. – respondeu o akuma por fim.

– Humph! Não me faça rir. – Ciel ergue uma sobrancelha em desafio – Que eu saiba é da natureza demoníaca enganar, tentar e levar os humanos à ruína.

– Não nego isso. – Sebastian responde se afastando em direção a porta de vidro da sacada.

– Vê, nem você pode negar o óbvio. – Ciel cruza os braços permanecendo sentado no sofá.

Houve um breve silêncio.

– Jovem mestre... Está arrependido de ter feito um contrato comigo? – Sebastian pergunta sem voltar sua atenção para o conde. – Se arrepende em ter-me ao seu lado?

Houve uma nova pausa, Ciel fechou os olhos e apertou a ponte do nariz e respondeu por fim – Já tivemos essa conversa antes. – diante do silêncio do akuma, Ciel prosseguiu – Quando nos conhecemos naquela fatídica noite você me salvou, mas ao mesmo tempo fiquei em uma prisão inescapável. Sua presença constante, seu sarcasmo, tudo que você é capaz de fazer eram uma lembrança constante que meus dias estavam contados. E estava preparado para isso como estou até agora. Porém os dias, os anos foram passando... Olhava para Lizzy e pensava em tudo que não poderia ter com ela, tudo que não poderia viver ou sentir. Mas estava conformado com a vida que tinha e com o tempo que me restava. – Ciel se levantou e ficou de frente para o mordomo, disse com firmeza: – Mas sem você eu não poderia ter seguido adiante, sem sua força eu não teria reerguido o nome de minha família e o meu orgulho. – caminhou alguns passos na direção do maior. – Você me surpreendeu. Insiste em dizer que me ama a cada dia... Você é um demônio com séculos de existência, eu sou um humano que terá uma vida curta. Sou o seu alimento, nada mais.

Sebastian levantou o olhar na direção de Ciel que sentiu sua pele esquentar, o mordomo caminhou na direção dele e deslizou sua mão entre os dedos do menor. – Não posso dizer que está errado. Quando olho para um humano uma das primeiras coisas que observo é se seria uma boa refeição ou não, está na minha natureza. – Sebastian aproxima sua face da do menor, seus lábios convidativos estavam entreabertos liberando propositalmente sua respiração fria próximo aos lábios do conde. – Os séculos que temos de diferença não significam nada para mim, pois desde que o conheci sou este que está a sua frente. Sou Sebastian Michaelis, seu humilde servo, sou o seu mordomo perfeito, aquele que cumprirá todos os seus desejos bastando para isso uma simples ordem. Mas também sou eu que irei consumir a alma que você me ofereceu por completo. – o akuma aproxima mais ainda seus lábios quase tocando os do conde e fala por fim: – Mas não agora.

Ciel não desviou o olhar da face do akuma, se revezava entre os lábios a poucos centímetros dos seus e entre o par de orbes carmesins que o atraiam como imã.

– Agora só o que quero é que me pertença. Por inteiro. – o servo demoníaco sussurrou enquanto Ciel permaneceu parado, sua boca a centímetros dos lábios do maior, depois o akuma habilmente roçou seus lábios na bochecha rosada do conde e seguiu até seu pescoço.

Ciel estremeceu com a proximidade e o toque em sua pele, mais ainda ao sentir o cheiro inebriante que o outro exalava, suas mãos espalmaram-se no peito do akuma, mas sem muita convicção.

– Se não quer isso então me rejeite com mais firmeza. – fala Sebastian com a voz já um pouco rouca próximo dos lábios de Ciel.

– Não... Saia de perto de mim... – “Porque não consigo resistir?!”, Ciel chegou a pensar.

– Não... Vamos me empurre. – Sebastian sussurrou mais uma vez próximo ao ouvido do conde – Se não fizer isso vou beijar você de novo.

Sebastian virou o rosto de Ciel para que pudesse olhar seu jovem mestre de frente, retirou o tapa-olho do conde sem que este protestasse, seus olhos eram intensos nos do menor e Ciel retribuiu o olhar. Sebastian contornou com a mão a face do conde que já estava enrubescida, adorava a coloração do rosto do jovem quando ficavam mais íntimos.

O coração do garoto começou a bater mais rápido, estava aturdido com a situação. Não queria admitir, mas não tinha mais volta, já estava aferrado também a este sentimento tão novo e inesperado – Eu... não estou acostumado a isso...

– A ser amado? Acredite, eu muito menos, mas cá estamos nós.

Sebastian o beijou e para sua satisfação Ciel estava acompanhando o beijo, mesmo que timidamente. Suas línguas se entrelaçavam com calma, Sebastian estava deixando Ciel comandar o beijo, guiou uma das mãos do garoto até seu pescoço e o conde o abraçou enquanto Sebastian também fazia o mesmo o erguendo do chão. O conde tentava imitar os movimentos que o maior fazia com a língua. E assim o beijo se prolongou...

– Me perdoe se te assustei, bocchan. Afinal é a primeira vez que você está apaixonado. – murmurou próximo ao ouvido do conde.

– Quem... quem está assustado?

Sebastian exibiu um sorriso perfeito e convidativo diante da resposta do menor. Seus rostos estavam na mesma altura quando o akuma falou: – Não tenha medo de gostar de mim.

Ciel soltou um suspiro nervoso e olhou bem para a face do akuma à sua frente antes de falar – A verdade é que parte de mim está... confuso, a sua intensidade, sua devoção, a sua verdadeira natureza... mas a outra parte está... atraída por você.

E os olhos de Sebastian pegaram os dele e se fixaram nele, calculando o peso daquelas palavras e de cada um dos seus movimentos. – Escutei isso forte e claro. Eu jamais te deixarei ir.

As palavras pareciam fugir de sua mente, o conde precisou desviar o olhar para conseguir pensar com certa coerência sobre o que estava fazendo, dizendo e quais seriam as consequências disso.

Sebastian liberou o garoto de seu abraço e se afastou dois passos e diante do conde retirou o blazer escuro que usava e deixou cair no chão, começou a desabotoar um a um os botões da camisa branca até que a retirou exibindo seu abdômen liso e definido.

Ciel não conseguiu deixar de observar toda a cena, e enquanto o admirava se despir se deu conta de sua própria excitação se desenvolvendo, a princípio ele tentou ignorar sua própria necessidade, mas isso falhou diante daquele ser que agora atraia sua atenção tão sedutoramente. O mordomo ergueu a mão em direção ao conde, Ciel a observou analisando rapidamente o contraste da pele pálida e as unhas negras que esperavam o seu contato... e uniu sua mão na daquele ser que o olhava com cumplicidade e encantamento, como se ele fosse a coisa mais preciosa em seu mundo. E provavelmente o era tendo em vista a ternura que tal demônio apresentava diante daquele pequeno ser.

Caminharam até o quarto do conde e diante da cama o constrangimento de Ciel veio à tona novamente, sua face parecia queimar nesse exato momento, sentia-se um idiota por ficar vermelho e por não saber como agir diante daquele “homem” que estava quebrando todas as suas barreiras, barreiras estas que seu próprio servo ajudou a levantar, mas que agora não pareciam mais resistentes como antes... Manteve a cabeça erguida apesar de enrubescido, tentaria ao máximo não expor seu nervosismo diante de seu servo, afinal, mesmo em uma situação como essa, mesmo imaginando que nada se pode esconder daquele ser diante de si, ele ainda é o Conde Phantomhive.

O akuma observava seu mestre com um misto de desejo, admiração e até certa compreensão. Apesar de que em nenhum momento chegou a pensar em desistir de seu intento compreendia que para Ciel isso era algo muito difícil de assimilar e muito menos admitir dada a personalidade do menor, mas Sebastian percebia claramente as reações do corpo em puberdade a sua frente, os batimentos desordenados que ouvia claramente, os cabelos em sua nuca que se eriçaram com o simples toque de suas mãos, seu arfar... e principalmente o brilho que tomava conta dos olhos bicolores, Ah... poderia se perder facilmente no azul profundo de sua íris naquele exato momento...

Apesar do evidente constrangimento Ciel o olhava intensamente, seus olhos revelando sua decisão, brilhando de desejo, a proximidade de seus corpos e o fato que de certa forma entraram em consenso deixou os dois com ânimo e era evidente a necessidade que sentiam de se tocarem mais intimamente. Sebastian se aproximou e não iria se conter, afinal Ciel deixou claro que também o queria. Começou a beijar o pescoço de Ciel provocando-o e mordiscando-o do jeito que ele sabia que o menor gostava, o conde estava ficando completamente excitado enquanto Sebastian já o despia. Exposto diante dos olhos luxuriosos do akuma, Ciel com o volume de sua intimidade revelava sentia-se mais nu do que realmente estava e essa visão vulnerável na cama excitava o akuma cada vez mais, estava como que maravilhado e o akuma desabotoou sua própria calça e a retirou exibindo assim sua própria ereção já amadurecida.

Ciel percorreu os olhos por toda a extensão do homem ao seu lado maravilhado com sua estrutura sem exageros, sua musculatura firme e sua pele sem imperfeições era um convite ao toque. Estando nu não havia nenhuma maneira de esconder seu desejo crescente, Ciel suspirou e Sebastian investe rapidamente sua boca contra a dele explorando sua boca lenta e sensualmente como se fosse a primeira vez e em seguida, com um pouco mais de força, correu com sua mão para cima e para baixo em sua carne nua até que estendeu sua mão até seu ponto de luxúria o acariciando com delicada firmeza, Ciel passa as mãos por seus cabelos, puxando-o com força para si e geme baixo emitindo um som sexy que sai do fundo de sua garganta e reverbera em Sebastian. Mais uma vez Ciel sentiu-se confuso, seu orgulho o incitando a rejeitar cada avanço daquele ser, ainda que cada fibra de seu corpo dissesse completamente ao contrário naquele momento de paixão cega. Sebastian interrompe o beijo permitindo a Ciel que agora estava com a boca entreaberta a levar um pouco mais de ar aos pulmões, o conde estava ofegante quando seus olhos se encontraram novamente com os de Sebastian que o encarava determinado, mas satisfeito com a resposta evidente ao seu toque, sentindo que, enfim, ele havia conquistado seu afeto.

Um pequeno gemido fugiu dos lábios de Ciel quando Sebastian começou a brincar com um de seus mamilos com a língua para depois sedutoramente a percorrer pelo abdômen se demorando em seu umbigo antes de chegar ao seu definitivo propósito. Deslizou a mão pelo membro ereto e em seguida girou sua língua na glande deliciando-se com o sabor que anunciava as emissões pré-ejaculatórias, explorou com cuidado até que o tomou em sua boca. Ofegando Ciel estendeu suas mãos até os cabelos negros do seu servo mal podendo se conter diante de tais habilidades tão precisas e prazerosas. Sebastian abriu os olhos contemplando as reações de seu mestre enquanto lhe dava prazer, Ciel se apoiou nos cotovelos para poder olhar também para Sebastian, nesse momento que seus olhos se encontraram Ciel reconheceu o quanto aquele akuma era bonito, erótico e intenso, tentou se segurar, mas o desejo em expelir sua semente era avassalador demais. Segurou novamente os cabelos de Sebastian de maneira que deixava clara sua urgência à medida que intensificava os movimentos dos quadris e suas estocadas na boca do maior... e no ápice sua essência foi expelida na garganta do outro. Ciel relaxou na cama e Sebastian se moveu para o lado dele o puxando para si, inalando seu cheiro o akuma percebeu que a muito tempo esse aroma se tornou o seu favorito, pois era o cheiro dele, o perfume de seu mestre. Inconfundível e agora inesquecível.

Os minutos se prolongaram até que Ciel sentiu as mãos de seu servo em seu corpo novamente, explorando-o com entusiasmo. Sem pressa Sebastian o reposicionou virando-o deixando Ciel com a barriga para baixo, e para sua total surpresa o conde sentiu a língua úmida e fria do seu mordomo serpentando em sua entrada.

– Idiota, não me lamba aí! – esbravejou constrangido.

Sem lhe dar ouvidos Sebastian continuou e Ciel gemeu ruidosamente dominado pelo prazer que o outro lhe proporcionava ao passo que enrubescia violentamente devido ao toque tão íntimo e impensável até aquele dado momento. Uma voz no fundo de sua mente questionava sua própria sanidade, mas a única palavra que conseguiu verbalizar foi o nome do seu servo – Sebastian... – ondas de prazer o consumiam até que Sebastian se posicionou entre suas pernas. Ciel não havia percebido, mas Sebastian tinha colocado próximo um frasco de óleo que pegou e derramou uma boa quantidade em sua mão, o conde não compreendeu a princípio a finalidade de seu uso, porém logo veio a compreensão quando Sebastian começou a espalhar o líquido em suas nádegas em suaves movimentos e logo depois inseriu um dedo lubrificado em seu reto, o menor tentava conter seus gemidos enquanto Sebastian estava empenhando na prazerosa tarefa. O conde sentiu a penetração de um dedo, logo foram dois... encostando seu corpo ao do menor continuou a empurrar seus dedos enquanto beijava-lhe o pescoço, aquilo estava sendo demais para Ciel, Sebastian sabia exatamente o que fazer para lhe dar prazer e a reação não tardou, seu pênis ficou rijo novamente.

– Está pronto novamente. – o akuma sussurrou virando Ciel um pouco de lado para poder deslizar sua mão pela ereção do conde acariciando-o. Ciel fechou os olhos quando o akuma começou a esfregar seu polegar sobre a cabeça do órgão. – Diga que me quer. – o akuma exigiu.

Ciel virou um pouco a face para olhar seu servo que naquele momento se atrevia a fazer exigências e seus olhos bicolores se encontraram com o olhar em chamas do outro, porém a voz de Ciel falhou. – Maldição... Não me... torture... – conseguiu falar por fim.

Mas Sebastian insistiu esfregando agora seu sexo nas nádegas do menor – Fale.

– Tsc. Eu... Eu quero... Você. – admitiu.

Satisfeito Sebastian o penetrou, seu pênis deslizando com um pouco mais de facilidade depois de também espalhar óleo por ele, segurando firme os quadris de Ciel, Sebastian mergulhou completamente dentro dele, o que a princípio arrancou de Ciel um gemido de agonia. – Despertar o interesse sexual de um demônio não é tarefa fácil, estamos acostumados a sermos assediados, mas não seduzidos. Arque com a responsabilidade. – o akuma murmurou.

– Ah... Sebastian...

O mordomo continuou empenhado em tal prazerosa tarefa e não tardou a iniciar uma lenta movimentação em vai e vem... e era tudo tão perversamente prazeroso que Ciel gemia continuadamente, dominado por aquelas sensações prolongadas, saboreando o encaixe perfeito... E a intensidade das estocadas que Ciel já conhecia começaram a aumentar o ritmo, tão profundo e intenso que logo os dois chegaram ao auge, ambos liberando sons tão eróticos e lascivos que causou arrepios nas costas de Ciel o que foi pontuado por pequenos espasmos de prazer.

Depois Sebastian caiu por cima dele por alguns instantes, lentamente se retirou e deitou-se na cama ao lado de Ciel e o aninhou em seus braços. Ciel fechou os olhos, permitindo-se saborear aquele momento tão intimo aquele momento de total entrega. E agora mais que nunca Sebastian estava convencido que Ciel o aceitava e o queria.

***

Longe dali...

Rachel estava voltando para casa, apesar de não estar com ânimo para sair acabou atendendo o pedido de sua tia para ir na casa de uma das amigas dela devolver umas revistas de moda e apesar de saber que provavelmente não era uma boa ideia ficar andando sozinha à noite, dado os acontecimentos recentes, resolveu prolongar a caminhada pegando o caminho mais longo antes de voltar para casa. O bairro residencial no qual mora é até tranquilo e não estava em absoluto sozinha pelas ruas, viu outras pessoas circulando pelas calçadas arborizadas, uns fazendo exercícios e outros somente conversando para passar o tempo, vendo tal cena muitos se perguntariam se realmente estavam na capital do Arizona, um dos estados mais populosos do país... O clima de Natal já estava presente pelas ruas, apesar de que neve era algo raro naquele ponto do Arizona algumas pessoas já começavam até a enfeitar com artigos natalinos as fachadas de suas casas.

Vez outra olhava o céu estrelado enquanto refletia sobre o encontro que teve com Ciel e os caçadores, sua curiosidade aflorando cada vez mais... “O que será que está acontecendo? Gostaria de saber...” quantas coisas já aconteceram em sua vida desde que conheceu Ciel, parece que o garoto tinha o dom de atrair o perigo, bom definitivamente encrenca deveria ser seu nome do meio... Lembrou-se da conversa que teve anteriormente com Sam e pensava se tinha alguma relação entre o garoto e o que estava acontecendo com Peter. Rachel queimava o cérebro tentando encontrar uma explicação razoavelmente coerente, mas se tratando de “Ciel Phantomhive” isso estava difícil (enfatizou o nome em sua mente lembrando e até tentando imitar a postura altiva que o garoto assume ao dizer seu próprio nome), se recompôs esperando que ninguém tivesse visto sua pequena brincadeira e continuou a caminhar... Estava concentrada novamente em seus pensamentos quando foi interrompida ao ouvir o ronco de um motor se aproximando.

Viu uma moto se aproximando da garagem dos MacMiller, era uma Harley-Davidson, disso ela tinha certeza, pois tanto ela quanto Peter sempre gostaram de motos, portanto uma Harley-Davidson preta não passaria despercebida por ela. Seu ocupante desceu, um homem alto, jovem e de estrutura bem definida, estava vestido inteiramente de preto, incluindo uma jaqueta de couro e luvas, retirou o capacete, mas não foi possível ver seu rosto claramente. Rachel estranhou um pouco, “Será algum parente dos MacMiller?”. O estranho caminhou pelo jardim à frente da casa, direcionava-se aos degraus da varanda quando deparou-se com os olhar curioso da jovem de cabelos longos.

– Olá. – o estranho parou nos degraus e a cumprimentou.

Foi quando a jovem o reconheceu, tratava-se do homem que arriscou a própria vida dias atrás para salvar uma criança de um atropelamento, ela o olhou de cima a baixo surpresa. Seus cabelos negros pendiam nos ombros largos em um corte irregular e balançavam ao sabor do vento noturno lhe transmitindo um ar selvagem, quase predatório, sua pele era pálida e sem nenhuma imperfeição. Diante do silêncio da garota ele se aproximou alguns passos e foi quando ela percebeu o quanto aquele homem é mais bonito do que ela se lembrava. À medida que ele se aproximou seus olhos se encontraram e eram atentos nos dela, possuíam uma coloração cinzenta curiosa, como se fossem prateados, porém incrivelmente bonitos e envolventes. Ele exibiu um sorriso que era meio debochado e sedutor, foi quando ela percebeu que provavelmente deveria estar com cara de boba, pigarreou antes de responder – Oi! Er... bela moto.

– Ah, obrigado. Então gosta de motos? – seus olhos pareciam estudar a face da jovem de longos cabelos negros.

Havia algo tão envolvente na forma como ele a olhava que Rachel sentiu suas bochechas esquentarem quase que imediatamente.

– Ah... sim. Gosto. – respondeu timidamente olhando para a Harley-Davidson estacionada a alguns metros de distância em frente à garagem.

– Então sabe pilotar? – ele passou a mão no queixo parecendo avaliar a situação.

– Mais ou menos. – respondeu colocando as mãos no bolso timidamente. – Para a minha família veículo motorizado só de quatro rodas.

– Entendo. Sempre que vou sair a minha família me enche de recomendações. – ele se aproximou de Rachel lhe estendendo a mão – Meu nome é Nicolas. Nicolas MacMiller.

Rachel segurou a mão estendida com luvas pretas, sua pele ficou arrepiada, como se tivesse sido eletrizada naquele momento, porém... – Eu sei. – respondeu meio abobada e depois recuperou a compostura. – Quer dizer... Eu ouvi seu nome quando... quando você salvou aquele garotinho.

– Ah, sim? Estava por perto? – ele perguntou fingindo surpresa.

– Estava passando com um amigo e vimos tudo o que aconteceu. – Rachel soltou a mão de Nicolas e depois prosseguiu – Foi incrível!

– Foi por pouco também.

A conversa se prolongou um pouco mais sobre o dia do acidente.

– Mas você ainda não me disse seu nome... – o sorriso dele tinha um ar provocativo.

– Rachel Collins. – respondeu com um sorriso um tanto tímido, estava se sentido uma boba atrapalhada. – Então você é parente do senhor MacMiller? – perguntou tentando manter a conversa.

– Sim. Sobrinho para ser mais exato. – esclareceu.

Antes de prosseguirem a conversa um senhor de uns cinquenta e cinco anos saiu de dentro da casa e foi até a varanda. – Nicolas. É você?

– Sim tio. – Nicolas respondeu virando-se para dar atenção ao seu tio. – Já vou entrar.

– Ah, oi Rachel! Vejo que já conheceu meu sobrinho. – o senhor falou com uma expressão simpática.

– Oh, sim, senhor MacMiller. – respondeu direcionando o olhar para Nicolas.

– E como vai sua tia?

– Ela está bem. E sua esposa?

– Martha está com uma gripe daquelas. Diga para sua tia nos fazer uma visita um dia desses. Ah, e venha também.

– Ok, pode deixar. – Rachel acenou de onde estava para o senhor de cabelos grisalhos que já retornava para a casa e depois voltou sua atenção para Nicolas, a conversa acabou se prolongando um pouco mais, porém logo o celular da jovem começou a tocar, assim que viu o nome da tia a garota se despediu e sem mais demoras foi embora.

O akuma fechou o sorriso que exibia assim que a garota se afastou o suficiente e entrou na casa. O proprietário da casa e sua esposa foram ao seu encontro, seus olhos negros demoníacos revelando a verdadeira natureza por baixo da aparência humana, de maneira até submissa a mulher se aproximou para pegar o capacete e as luvas que Nicolas lhe entregava para guardá-los.

– Guarde a moto.

O demônio assentiu e se direcionou até a saída para fazer o ordenado. Não demorou muito e o celular de Nicolas tocou.

– Sim, aqui foi mais fácil do que imaginei. Claro que sim, Isobel. Depois que salvei aquele garoto caí nas graças das pessoas do bairro e bastou uma pequena encenação familiar e a garota parece à vontade, até se demorou mais na conversa comigo. – falou com evidente deboche. Enquanto Isobel continuava a falar Nicolas caminhou até o bar que fica na sala e começou a vasculhar nada satisfeito as marcas de bebidas que encontrava. Foi até a geladeira e deu de ombros quando achou uma cerveja para beber. – Ele esteve aqui. Sim, veio acompanhando a “princesa” (falou com desdém) até sua casa, provavelmente deve ter sido uma ordem dele. Se ele suspeita de algo? Evidentemente, aquele akuma não é nenhum idiota. Mas com sua magia ele não tem como sentir minha presença claramente, porém isso só será mais uma questão de tempo. Sim, tempo suficiente para agirmos. – Nicolas foi até a sala e se sentou cruzando as pernas elegantemente, tomou mais um gole da bebida. Depois que desligou o celular pegou-se pensando em um certo apartamento a alguns quilômetros de distância, não exibiu nenhum sorriso sarcástico ou zombeteiro, mas parecia indagativo...

...

Minutos depois já em seu quarto Rachel conversava animadamente pelo celular com Peter.

– Pois é, sobrinho do senhor MacMiller. Inacreditável! Ai, ele é tão lindo!! Ele deve ser algum modelo ou coisa assim, se não for é um claro desperdício. Ah os olhos dele... cinzentos e frios são irresistíveis. – ela liberou um suspiro – Quando ele se aproximou de mim, senti minha respiração acelerar.

Peter ria do outro lado da linha com os devaneios da amiga – Mas ele é mais velho que você, acha que ele vai se interessar por uma pirralha como você? – Peter cutucou em tom zombeteiro.

– Também não é assim, e o que é que tem? Me deixa sonhar! – Rachel também acabou rindo da situação. Depois ficou um pouco mais séria. – Mas não liguei só por isso. Como você está?

Peter sorriu com suavidade do outro lado da linha, era evidente que ela se preocupava com ele – Estou bem, nada aconteceu desde que passei a seguir o que aqueles caçadores disseram. Acredito que logo tudo isso será coisa do passado.

– Graças a Deus. Então... Durma bem. Amanhã depois do seu treino poderíamos sair como nos velhos tempos. Tem um filme que está em cartaz que queria ver.

– Argh! Se for um daqueles filmes melosos eu não quero.

– Deixa de ser bobo! – os dois riram. – Bom, então boa noite.

– Boa noite, Rachel. – antes de desligar Peter a chama novamente – Rachel?

– O que foi?

– Obrigado.

Rachel sorriu – Pelo quê...

...

***

Voltando ao apartamento...

Enrolado no lençol Ciel analisava o frasco com óleo que Sebastian tão estrategicamente tinha deixado no criado mudo ao lado da cama, leu com curiosidade sua finalidade e depois o colocou no lugar “Esse demônio pensa em tudo”. Depois lembrou-se das palavras do akuma momentos antes “Arque com a responsabilidade”, pelo canto do olho viu Sebastian deitado na cama com parte do lençol cobrindo seu sexo “Sei”.

– Está na defensiva novamente. – Sebastian constatou.

Ciel se limitou a olhá-lo. Simplesmente não sabia como se comportar depois de momentos tão íntimos.

Apesar do sorriso suave que exibia, os olhos de Sebastian eram penetrantes e até intimidadores, observando cada um dos movimentos do garoto. Ciel tinha a sensação de que um sorriso travesso pairava no canto da boca do outro. Teve a impressão de que o mordomo estava se lembrando de todos os detalhes de momentos atrás. O garoto dizia a si mesmo que não deveria se importar com isso, mas...

– O que está pensando? Seu rosto está ficando todo vermelho. – Sebastian comentou depois de um momento.

– Pessoas com a pele clara como a minha não podem fazer nada com relação a isso!

– Está com vergonha? Depois de tudo o que fizemos? – dessa vez não reprimiu o sorriso.

– Não estou!

– Mentiroso.

– Idiota. – Ciel murmurou desviando o olhar.

Sebastian acabou achando graça e Ciel se levantou e foi até o banheiro, precisava de um banho.

No chuveiro a água estava na temperatura certa e o jovem conde relaxou um pouco mais, porém por dentro era como se estivesse em um cabo de guerra. Era idiotice voltar atrás na sua decisão, disso ele tinha certeza, até porque diante dos fatos não tinha mais o que negar. “Isso não é justo! Ele está tão confiante que isso me irrita.”, suspirou. Depois não pôde deixar de lembrar o quanto Sebastian gostava quando ele ficava corado, balançou a cabeça em negação pra afastar a sensação que começava a lhe invadir novamente. “Droga! Estou ficando quente lá embaixo de novo.”

Ciel viu que Sebastian entrou no banheiro e estava nu. – O que faz aqui? – questionou surpreso.

– Também preciso de um banho. – Sebastian se aproximou mais posicionando seu corpo embaixo do chuveiro molhando-se também.

– E não poderia esperar?? – Ciel se afastou um pouquinho, não queria que seu servo percebesse seu estado, mas não pôde deixar de olhar furtivamente como a água escorria sinuosa pelo corpo do akuma. Aos olhos de Ciel, Sebastian estava especialmente muito atraente todo molhado. Balançou a cabeça em negação novamente “Maldição! Terminamos de fazer, mas porque estou pensando nisso novamente?”.

Estava prestes a sair quando Sebastian chamou sua atenção – Está corando novamente. – depois volta a olhar sua face.

Ciel não deu nenhuma resposta ao comentário feito, somente pensou em se afastar, mas o akuma não permitiu, se aproximou pressionando seu corpo contra o dele o forçando a abrir a boca com um beijo tão excitante que era impossível de se ignorar. Depois Sebastian sussurrou de uma maneira erótica enquanto passava o dedo pela face enrubescida do menor – Gosto da suavidade de sua pele.– desceu a mão de maneira provocativa pelo pescoço do garoto fazendo-o se arrepiar – Adoro seu cheiro.

– Suficiente! – encabulado Ciel afastou a mão do servo. – Eu já entendi! Não fale mais nada!

– Não, porque você vai esquecer. Não importa quantas vezes diga que te quero, depois você se afasta de mim como se não tivesse acontecido nada. E eu estou cheio disso. – Sebastian exibiu um sorriso malicioso e por fim falou – Terei que deixar isso memorizado no seu corpo mais e mais...

Ciel abriu bem os olhos nesse momento ao ver a aproximação do akuma com um sorriso na face.

Sebastian o beijou puxando Ciel para mais junto de si. O mordomo não se conteve ao beijar o garoto, desceu sua língua pelo pescoço do conde inspirando seu cheiro limpo e agradável, chegando até um dos mamilos rosados lambeu e mordiscou arrancando ofegos que o menor tentava conter.

– Seus mamilos estão duros.

– Não fale isso!! – Ciel esbravejou envergonhado.

Sebastian deu atenção ao membro do garoto que já estava excitado. – É lindo quando fica assim...

– Não diga essas coisas vergonhosas! – não resistiu mais e talvez até para calar a boca do seu servo o beijou.

Sebastian ficou surpreso pela ação do seu mestre a princípio, mas com certeza aproveitou bem o momento. A recente experiência que o conde adquiriu com seu servo aos poucos eram comprovadas, Ciel entrelaçava seus dedos nos cabelos úmidos e sedosos de Sebastian enquanto prolongava seus beijos. O akuma o puxou para mais junto de si unindo seus corpos molhados, a excitação chegando a níveis altíssimos novamente, Sebastian virou Ciel encostando seu corpo nas costas do menor fazendo-o sentir sua excitação, começou a brincar com os mamilos de Ciel enquanto beijava e mordiscava seu pescoço, Ciel arfava e apoiou suas mãos nos azulejos do banheiro, seu servo sabia muito bem o que fazer para deixar Ciel no limite, os toques na pressão certa e as carícias, tudo que o deixava excitado rapidamente. Deslizou sua mão até o membro rijo do menor deslizando seu polegar pela glande avermelhada arrancando gemidos que Ciel tentava sem sucesso impedir de serem emitidos.

– Eu não posso mais esperar – o ergueu e começou a penetrá-lo iniciando aos poucos sua movimentação, vendo a excitação de Ciel o mordomo aumentou o ritmo de suas estocadas e chegou ao clímax rapidamente.

Depois, se abaixou para dar alívio a Ciel com sua boca, o menor estremecia com o prazer lhe proporcionado enquanto entrelaçava seus dedos nos cabelos sedosos de Sebastian, arfava e por fim gemeu quando seu tão desejado alívio veio na língua do seu servo.

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Um dia depois...

Fim de tarde, ginásio da Escola xxx, Peter errou mais uma cesta, correu para pegar a bola e voltou para o centro do garrafão novamente, tinha ficado na escola pra treinar basquete. Desde que foi hospitalizado tinha perdido o ritmo, não queria ficar para trás no time da escola e já que se sentia bem o suficiente teve permissão do professor para utilizar a quadra e treinar. Peter respirou e olhou com atenção a trajetória que a bola deveria fazer, a bola tocou o chão três vezes antes de ser arremessada e... errar o aro novamente. O jovem outrora promessa da escola em uma bolsa de atletismo agora se esforçava em conseguir voltar à antiga forma física e pelo menos manter o ritmo de suas jogadas. Correu atrás da bola novamente e voltou ao centro do garrafão, se posicionou e fixou os olhos na cesta, parecia que um filme se passava em sua mente neste momento. Lembrou-se dos treinos intensos antes das finais, dos ginásios lotados e a emoção de quando participava dos jogos, a alegria da vitória e a tristeza diante da derrota, sempre gostou de basquete e sempre se esforçou para atingir suas metas. Precisava recuperar tudo isso. Precisava ter sua antiga vida de volta. Arremessou a bola e dessa vez sua trajetória foi perfeita, ponto! Prosseguiu com o treino e vibrou sozinho no ginásio com cada ponto que marcava. Seguir em frente não era uma escolha qualquer, para Peter era uma meta e com certeza seus esforços não seriam em vão.

Manteve o treino e arremessou a última bola daquele fim de tarde, errou. Deitou-se exausto no chão da quadra sob as luzes artificiais do ginásio, o treino intenso teve o resultado esperado, estava satisfeito em deixar seus problemas saírem através do suor e focar sua atenção em algo mais produtivo. O ginásio estava agora em silêncio...

Alguns minutos se passaram até que ouviu o som da bola de basquete quicando, achou estranho, pois tinha a certeza que estava sozinho àquela hora no ginásio. Bem, poderia ser o zelador fazendo a limpeza de rotina. Subitamente ouviu uma batida forte, sentou-se e olhou na direção da origem do barulho e a porta dupla do ginásio estava semiaberta.

– Billy? É você? – Peter chamou pelo nome do zelador da escola. Ficou olhando na direção da porta e nada. Olhou na direção da outra porta dupla do ginásio que estava aberta e também não ouviu resposta alguma. A bola rolou até tocar em sua perna, Peter a segurou e ficou em pé. Sobressaltou-se com o barulho da porta batendo, bateu uma, duas, três vezes. “Corrente de ar?” Largou a bola no chão enquanto olhava com desconfiança na direção da porta que perdia impulso e ainda balançava, devagar foi até ela. À medida que se aproximava um calafrio lhe percorreu a espinha, mas prosseguiu, antes de tocar a porta as luzes da quadra começaram a piscar, olhou para trás e as lâmpadas começaram a apagar desde o final do ginásio e gradativamente o local ia ficando mais e mais escuro. O som de várias bolas de basquete tocando o chão ao mesmo tempo começou a ecoar na escuridão da quadra, Peter não viu ninguém, mas sentia claramente a presença de algo naquele lugar. O barulho parecia ensurdecedor, a ponto que o rapaz ergueu as mãos e tapou seus ouvidos, Peter resolveu sair dali, fechou a porta do ginásio atrás de si e ficou parado no corredor segurando com força o amuleto que estava em seu pescoço, lembrou-se do estranho pó que os caçadores lhe deram e que desde então levava sempre um pouco consigo, rapidamente espalhou o mojo de um lado a outro da porta dupla do ginásio e agora o silêncio era perturbador. Precisou de alguns segundos para se acalmar e pensar com coerência, ele estava na escola então obviamente não estava sozinho, as luzes piscando e de repente se apagarem só poderia significar um defeito na instalação ou provavelmente um curto. Sorriu pensando nas besteiras que se passaram novamente em sua mente, tinha dado poucos passos quando as portas duplas do ginásio se abriram abruptamente e a escuridão que antes achou ser um defeito somente na instalação da quadra começou a preencher aos poucos o corredor, Peter começou a recuar sem compreender como era possível isso estar acontecendo, era como se aquela escuridão tivesse vontade própria. As lâmpadas do corredor também começaram a falhar uma a uma à medida que a escuridão engolia a luz no local. Ouviu o som de passos se aproximando, novamente um calafrio lhe percorreu a espinha.

– Quem está aí? – sem resposta. Perguntou mais uma vez e como não obteve resposta decidiu não ficar para ver o que era, deu meia-volta e correu. – Ajuda... preciso de ajuda! – gritou e sua voz ecoou por todo o corredor. Tentou abrir as portas das salas por onde passava na tentativa de encontrar mais alguém ou para pelo menos se proteger do que quer que fosse que estava se aproximando, nenhuma se abriu e ao que parece estava completamente sozinho naquela ala da escola. O que é muito estranho. Aquele corredor geralmente tinha alguma movimentação, seja de funcionários da escola ou de alguns alunos que ficavam treinando assim como ele no contra turno, mas agora ele estava sozinho.

A escuridão o alcançou e sentiu frio. Passando as mãos pelas paredes, era obrigado a confiar somente no seu tato, alcançou mais uma porta e para seu desespero esta também estava fechada, voltou a usar as paredes como guia e seguiu pelo corredor, os passos pareciam estar cada vez mais próximos até que cessaram. “O que quer que seja, desistiu?”. Prosseguiu tateando e finalmente conseguiu chegar ao corredor das salas de aula, de um lado estavam os armários dos alunos e do outro as salas. O local estava mal iluminado, porém conseguia ver por aonde ia, com certeza seria mais fácil chegar à saída, provavelmente encontraria alguém, sempre tinha algum professor que acabava ficando mais tempo na escola, talvez encontrasse o zelador ou algum outro aluno. Continuou andando, mais adiante dobraria a esquerda por mais um corredor de salas e chegaria ao portão principal da escola e sairia. Com a visão periférica percebeu como se alguém tivesse se movimentado, mas não viu ninguém.

– Quem está aí?? – apesar do local estar escuro, pôde perceber algo se movimentando na escuridão. Foi baixo, mas pôde ouvir vozes, não compreendeu o que falavam. Correu e dobrou a esquerda, escorregou e caiu assim que viu o portão principal, conseguiu se levantar rápido e correu até ele, tentou abrir e não conseguiu, estava fechado. Olhou pelos vidros do portão que já era noite, sacodiu o quanto pôde o portão que não cedeu. Freneticamente voltou para procurar outra saída, porém as vozes se aproximavam cada vez mais assim como a escuridão, rapidamente entrou em uma das salas, apoiando-se contra a porta com a respiração acelerada, lembrou que ainda tinha um pouco do estranho pó que lhe foi entregue pelos caçadores e espalhou de um canto a outra da porta da sala de aula, olhou em volta e ergueu a carteira escolar de metal a atirando contra o vidro de uma das janelas. Para sua surpresa o vidro não quebrou, ergueu mais uma carteira e arremessou novamente e novamente e novamente até ficar exausto, as lâmpadas da sala começaram a falhar, Peter ainda acertou dois socos em uma das janelas antes de olhar em volta buscando algo que pudesse servir como uma arma. As luzes se apagaram. Somente a luz proveniente de fora da escola iluminava fracamente aquela sala de aula, as pernas do rapaz cederam e no chão ele pode notar algo disforme se aproximando, com a respiração descompassada fechou os olhos com força esperando o inevitável...

– Peter! Peter! – o rapaz reconheceu a voz do seu professor de química, sr. Campbell. Relutou mas acabou abrindo os olhos depois que este o chamou insistentemente. Peter olhou em volta e estava na sala de aula, reconheceu o professor Campbell que recuou alguns passos na defensiva, outros garotos estavam também na sala e olhavam assustados para Peter que agora examinava apavorado o local, “Teria sido uma alucinação?”, não sabia dizer. Sentiu as mãos e um dos joelhos doerem e percebeu que tinha ferimentos nas mãos, olhou em volta de onde estava apoiando as pernas e viu vários cacos de vidros espalhados pelo chão e verificou que as janelas estavam todas quebradas. Mais que isso, observou que ainda era fim de tarde. Ouviu ao longe uma voz que pareceu reconhecer, era Rachel que tentava se livrar dos braços do professor que a segurava impedindo que ela se aproximasse de Peter, seus olhos verdes se fixaram nos olhos castanhos da jovem que parecia desesperada e preocupada. A última coisa que viu antes de desmaiar foram as lágrimas que escorriam pelo rosto de Rachel.

Notas finais
Como gosto de avisar: Neste capítulo (a segunda cena no apartamento) coloquei umas frases aqui acolá de um mangá que gostei de ler (The Reason His Earboles Redden), achei que dava pra usar como alguns dos pensamentos de Ciel e uma das falas de Sebastian, MAS SÓ USEI ALGUMAS FRASES, nada mais, de resto é minhas ideias mesmo. Achei a imagem na internet, combinou com a cena, rs. O título desse capítulo é da 1ª Temporada de Supernatural, achei que combinava também, rs.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.