Esquecimento

19 Sentimentos Opostos e Laço de Pai e Filho


Notas iniciais
Era para ter saído sábado, mas eu tive alguns problemas. Desculpem-me e.e' Boa Leitura :3

Esquecimento

Escrito por Kohana

Capítulo Dezenove: Sentimentos Opostos e Laço de Pai e Filho

Ao acordar vejo que está tudo bem, pela primeira vez em minha vida. Devagar eu olho em minha volta, estou tão impressionada. Eu penso nas pequenas coisas que fazem a vida ser boa. Eu não mudaria nada disso. Esse é o melhor sentimento.

Avril Lavigne — Innocence

Não tinha a mínima noção do que estava fazendo ali. Queria estar em casa, chorando suas angustias — o que vinha fazendo desde que havia chegado na cidade. Mas, por um motivo banal, Shion disse — lê-se, afirmou — que ela tinha que ir. Sabia que realmente precisava ajudar sua amiga, ela estava nervosa afinal. Sem falar na noite de suplícios que teve de aturar desta. Aquilo com certeza colaborou na sua decisão.

Estava há três semanas na cidade. Estar longe de todos lhe serviu de alguma ajuda — não precisava observar os olhares penosos sobre si. Porém, também não a fez esquecer-se de tudo. Por isso, quando Shion pediu para sair em um encontro duplo, ela acabou aceitando. Precisava respirar e, sobre tudo, começar a cogitar a ideia de viver. Ainda que soubesse que aquilo não adiantaria muita coisa.

– Então você nasceu aqui? — Perguntou Shion. Estava feliz, ela pôde notar. Talvez por isso não se deixasse arrepender de ter ido até àquela cafeteria, com dois completos estranhos. Mesmo que estivesse pouco confortável com àquilo.

– Sim, mas minha mãe é japonesa. — repondeu ele. Entretanto, muito pouco atento as perguntas dela.

Deixou de brincar com seu bolinho. Suspirou e, emfim, levantou seu olhar. Aquele par de amêndoas estava lá novamente, analisando-a, como fez na maior parte do tempo em que estavam ali. Tentou desviar-se deles, mas queria entender o porque de insistirem estar sobre ela. Aquela situação estava ficando incômoda e, por um momento, ela cogitou a ideia de se levantar e ir embora.

– E você Sakura? — Desviou seu olhar para o outro, tentando por um momento lembrar o nome daquele ser de cabelos loiros a sua frente. Desistiu, não conseguira. Rodou seus olhos pela cafeteria vazia, tentando assim encontrar, pelo menos, resquícios de sua pergunta, enfim, também não achou.

– Desculpe, poderia... — Deixou a frase morrer. Queria mesmo iniciar um diálogo com aquele homem?

– Perguntei de onde você é. — Repetiu, mesmo ela não tendo lhe pedido por completo.

– Japão. — Respondeu. Voltou a dar sua atenção ao seu bolinho, mesmo que nem soubesse seu sabor, já que nem o tocara.

– É um belo país. — sorriu o rapaz, tentando prolongar o assunto. Porém, foi em vão, ela não queria o mesmo que ele.

Suspirou, sorrindo minimamente. Estava mesmo se esforçando, mas não estava conseguindo engolir aquela situação. Algo nela não estava certo, era notório. E, como sempre andava acontecendo, não estava sentindo-se bem.

– Vou ao banheiro. — Levantou-se tomando todos os olhares sobre si.

– Vou com você. — Shion fez menção de se levantar.

– Fique com eles. — sorriu ternamente.

A viu sorrir também, sabia que ela queria aproveitar cada minuto com Sasori, o tal cara que ela gostava. Sabia também o quanto fora difícil chamá-lo para sair e o tanto que a incentivou para fazer aquilo. Não queria atrapalhar o encontro com seus devaneios. Ela era uma ótima pessoa e merecia ser feliz.

Mesmo que não tenha tido uma perfeita impressão do homem de cabelos ruivos.

Passou a mão molhada, de água, sobre o rosto; Apoiou-se logo depois na pia daquele banheiro; Encarou-se no reflexo do espelho: via ali uma imagem cansada. Não que ela não soubesse disso, tinha consciência de seu estado afinal, tinha ânimo para poucas coisas. Na verdade, não chegava a ser ânimo, era tal como precisão: como estudar que, de fato, era a única coisa que ainda conseguia fazer sem chorar.

Imaginou o que ele estaria fazendo naquele momento. Acabou por sorrir, deveria estar gravando mais um dos vídeos dele. Porém, lembrou-se: Fazia isso apenas com ela, para seus futuros filhos — assim ele mesmo dizia. Não que fosse exclusivo para ela, afinal, agora ele poderia ter outra pessoa fazer isso.

Suspirou, já estava acostumada com as lágrimas. Elas sempre apareciam na hora errada, enfim, a dor insistia para que elas se fizessem presente. Infelizmente, porém, não estava acostumada com a tal dor. E seu maior medo era nunca conseguir se acostumar, pois, sabia, ela nunca sumiria.

Molhou novamente seu rosto, antes de sair. Contudo quando enfim saiu, ficou parada diante aquela figura. Queria, assim, entender o que ele estava fazendo ali.

– Shion estava preocupada. — Falou, como se lesse sua mente.

– Só estava com alguns problemas de mulher. — disse firme em sua desculpa esfarrapada, tentando não fungar aquela lágrima que insistia em querer descer de seu nariz.

– Posso ser sincero? — se aproximou ignorando o que ela havia dito — Eu também estava preocupado.

Deu um passo hesitando estar próxima dele, porém deu com as costas na porta do banheiro feminino. E ele continuou em frente, antes mesmo dela pensar em sair andando por qualquer brecha ali.

– Estou bem. — virou seu rosto para não sentir seu hálito, já que a boca dele não estava tão longe da sua.

– Eu só vim porque queria te ver. — Sussurrou em seu ouvido o duplo sentido daquela frase. Entendeu, nesse momento, seus olhares sobre ela naquele maldito encontro.

Fechou os olhos, tentando apertar àquela porta, tamanha era sua raiva. Ainda sim, estava atônita internamente. Não teve uma boa impressão dele, porém não esperava isso.

– Porque não disse a ela então? — Mostrou sua raiva em suas palavras firmes.

Encarou seus olhos, querendo ouvir sua reposta. Porém tudo que ela viu foi um sorriso vigarista, provando que suas más impressões estavam corretas.

– O coração de uma garota apaixonada é facilmente ferido. — Sussurrou novamente, porém, contra seus lábios. Foi só então, quando tentou sair dali, que percebeu estar presa por seus braços. Respirou, não iria demonstrar o quanto estava assustada. Iria encarar a ironia notável de suas palavras.

– Sinto muito, mas você não faz meu tipo. — Sorriu de lado, cuspindo na face de Sasori suas singelas palavras frias.

O viu estreitar os olhos, aceitando aquilo como um desafio. O incomodou, sabia disso. Mas notara também o quanto ele era firme.

– Posso ser o seu tipo. — Riu com um suspiro contra seu pescoço, tirando um arrepio involuntário seu.

Tentou soltar-se mais uma vez, mas suas mãos o seguravam com força. Sentiu nojo. Raiva. E fez questão de mostrar-lhe aqueles sentimentos com seu olhar.

– Eu não quero. — Disse por fim, sessando suas investidas para desvencilhar-se de seu aperto. Não era confortável como era nos braços de Sasuke, tão pouco aceitável. Só lhe trazia total repulsa.

– Eu quero. — Continuou os sussurros, alisando a pele de seu braço com o polegar.

Sua respiração ficou acelerada. Sentiu seus olhos arderem. Pediu a Deus para que, em um milagre, Sasuke aparecesse ali e lhe arrancasse daqueles braços. Queria estar nos braços dele. Queria ser transportada para eles, somente eles. Sentiu seu rosto novamente molhado, porém, ela sabia, não era pela situação que Sasori a proporcionava que ela chorava, era porque ele não estava ali. Porque se ele tivesse, nada disso aconteceria.

– Faça como quiser. — tentou manter sua voz firme, ainda que estivesse fanha e tremula. — Mas faça por você, não por mim. Porque só uma pessoa pode me tocar e, ao mesmo tempo, me deixar feliz. E essa pessoa não é você. Nunca será.

Seus braços foram soltos. Franziu o cenho alternando em olhá-los, levemente vermelhos, e olhar para ele. Ficou em postura ereta quando o viu se afastar, secando às lágrimas que caiam em seguida. Ele a observava, mas não com um olhar irônico como a pouco, estava com raiva.

Viu o dar as costas, dando os primeiros passos rumo a longe dali. Porém, antes de atravessar outra porta, ainda disse:

– Pouco me importa. Terei você de qualquer jeito.

[...]

Game Over!!!

Não disse nada, nem mesmo o vencedor disse. Era a quarta vez que perdia para ele, mas o garoto sequer comemorava. Não o ver comemorar a vitória, conseguia ser mais humilhante do que perder para ele.

– Por que não comemora? — Perguntou. O silêncio de sua derrota o incomodava.

Daisuke o olhou, largando o controle de seu video-game em sua cama. O viu se mexer sobre a cama, suspirar uma três vezes e, enfim, o encarar. Porém, não parecia conseguir falar algo.

– Quer dizer algo? — indagou. Colocou seu controle de lado também, abaixando-se em sua altura. Pode perceber que ele estava aflito. Acenou em positivo com sua cabeça, uma forma de lhe incentivar a continuar.

– Se eu te perguntar algo, irá me responder sinceramente? — indagou o garoto, olhando-o diretamente.

Ele acenou, novamente, em positivo. Ainda sim, o garoto remexeu-se mais um pouco, olhou vários cantos daquela casa e hesitou antes de lhe perguntar:

– Você gosta mesmo da minha mãe? — Ao que parecia, pelo seu nervosismo poucas vezes notável, ele queria muito uma resposta.

Demorou a responder, não por não saber qual resposta daria, mas sim por estar surpreso. Lembra-se dele lhe perguntar algo assim, porém não estava tão sério e nervoso. Entretanto, após se recompor, ele sorriu. Sorriu porque, mais uma vez, era notável seu instinto de proteção. E, novamente, ele conseguia lembrar-se de sua infância, onde ele também era protetor. Mesmo que não conseguisse lembrar o que ou a quem protegia. Só sabia, mesmo sem lembrar, que o queria proteger também.

– Eu amo ela. — disse enfim, sentindo uma sensação maravilhosa lhe invadir. Era a certeza. A certeza de que àquele sentimento era verdadeiro. Sobre tudo, de que amava senti-lo.

Daisuke surpreendeu-se, ficando completamente atônito. Porém, quando repetiu muitas vezes a frase de Sasuke em sua cabeça, se recompôs com um sorriso lateral. Sentiu, também, algo dentro dele se aquecer. Era bom ouvir ele dizer aquilo.

– Eu quero que fique com ela. — virou seu rosto, evitando deixar Sasuke notar o vermelho de sua bochechas. Porém, era tarde, ele já tinha o visto. E riu baixinho com àquilo. Daisuke ficava mais adorável assim, e sua inteligência contribuía com isso.

– Eu também quero ficar com ela. — suspirou, sentando-se no tapete do quarto de Daisuke.

Daisuke foi até e seu lado, sentando-se em seu tapete também.

– Por que não leva ela pra sair essa noite? — indagou ele.

Sorriu. O garoto conseguia lhe deixar surpreso em vezes sucessivas.

– Não acho que ela esteja com cabeça para isso. — Disse, com a certeza de que ela deveria ainda estar aflita pelo ocorrido passado.

– Ela sempre está com cabeça para você. — Riu o garoto. Ele o encarou, novamente, surpreso. Às vezes esquecia que Daisuke era uma criança.

Daisuke, recebendo silêncio como resposta de sua indireta, continuou:

– Se ela saísse com você, tenho certeza que a tensão dela, notável, melhoraria. - Suspirou, seu pai estava com o metabolismo lento.

Ele não tinha noção do efeito que causava em Sasuke.

Ele riu alto, não aguentando mais. Estava orgulhoso e feliz. Sobre tudo feliz, a cada dia que passava ele queria mais estar ali.

– Vou seguir seu conselho. — Disse por fim recebendo um grande sorriso.

Antes de se levantar, não pôde ignorar os pequenos braços envoltos ao seu pescoço, tão rápido que só percebeu quando sentiu-se quente. Levantou sua mão, mas estava surpreso demais para retribuir-lhe. Afinal, o garoto sempre era discreto, nunca fizera nada do tipo. E ficou mais imprecionado ainda quando o garoto murmurou em seu ouvido:

– Obrigada Pai.

Porém, também houve uma explosão de sentimentos.

Depois de tanto tempo, sentiu seus olhos arderem. Ele sentiu vontade de chorar. Estava emocionado. Estava, sobre tudo, inebriado com aquela frase e aquele abraço. O apertou contra si, como se o garoto fosse sumir a qualquer momento. Afundou seu rosto na curvatura de seu fino pescoço, sentindo as lágrimas caírem sobre seu rosto. Queria que, assim, aquele momento fosse infinito. Ele estava completo, enfim.

Por nada... filho.– Disse por fim, com um sorriso. Sentindo um alívio curioso, mais como um sentimento triunfante correndo por todo seu corpo.

Daisuke sorriu. Tinha plena consciência de que ele não sabia da verdade. Entretanto, sabia que, sobre tudo, ele estava lhe retribuindo aquele abraço como só um verdadeiro pai faria.

Os dois sabiam, mesmo que um não tivesse plena consciência, que aquele sentimento era único de pai e filho.

E, não era só Sasuke que estava completo.

[...]

Nova York conseguia ser ainda mais bonita no inverno, principalmente a noite. Suspirou, era de seu agrado. Olhou para o lado e encontrou seus cabelos negros, pois seu rosto estava virado para o outro lado, observando algo. Sorriu, ele era lindo. Desceu mais um pouco seu olhar e observou sua mão entrelaçada a dele. Suspirou novamente, era reconfortante dividir aquele gesto com ele, tal como a sensação de proteção que sentia. Apertou forte sua mão, sentindo algo quente lhe percorrer a espinha. Ele a olhou, confuso de certo modo, mas riu em seguida, puxando-lhe para mais perto.

– Está com frio? — Perguntou-lhe sobre um sussurro no seu ouvido.

– Uhum. — foi tudo que conseguiu fazer. Queria poupar palavras, aquela sensação de estar tão perto era muito boa.

A puxou pela mão e ela, extasiada pelo seu toque, se deixou ser conduzida. E, ainda que não estivesse perdida naquela sensação, ela se deixaria ser levada por ele. Pois, enfim, sempre fora assim.

– Vou esquentar você. — sussurrou contra a pele exposta de suas bochechas, lhe arrancando um arrepio maravilhoso, quando enfim encostaram-se em seu carro.

Não disse nada, apenas envolveu seu pescoço com os braços, esperando a sensação boa do toque de seus lábios. E assim aconteceu, pois ela lhe rendeu em uma bandeja. Envolveu seus lábios com os deles, fazendo assim um movimento sucessivo. Sentiu a mão dele subir por dentre seu cabelo, enquanto seus rostos se movimentavam em um gesto sincronizado. Lhe mordeu os lábios, puxando-os para si. Sentiu ser precionada pelo seu corpo. Suspirou pelo nariz, estava tudo nublado. Como se não houvesse mais nada e nem ninguém ao redor, somente eles. Não queria que o ar faltasse, queria sentir aquela sensação de primeiro beijo pelo resto de sua vida. Entretanto, infelizmente, o ar lhe faltou. Ainda sim, felizmente agora, pode continuar sentindo a sensação boa de seu toque, pois, sem saber como, seu cachecol não estava mais ali, dando assim passagem para mais de seus beijos.

Estava a queimando, mas era de um modo tão bom. Era como se sua saliva, deixada pelo caminho de beijos e mordidas que fazia, fosse fogo. O que fez, assim, ela arquear o pescoço, pois queria sentir mais. Seus beijos chegaram a sua clavícula e ela não resistiu, soltou um pequeno gemido. Pelo forte pressionar de seus corpos, aquilo havia lhe agradado. Sorriu, abaixando seu rosto para poder suspirar em seu ouvido. Sentiu a eletricidade passando pelo seu corpo, sentindo, também, sua pele tremer contra a dela.

Não precisava de palavras, ela não as queria. Queria somente sentir àquela sensação. Seus toques... Como sentiu falta deles, como precisou deles. Sonhou por oito anos em senti-los, não queria que aquilo acabasse. Nunca. Ainda sim, antes de cair no branco de seus devaneios, disse:

– Eu amo você, Sasuke. — logo após, levantou seu rosto. Sorriu, quando ele assim o fez, alisando sua face, lhe proporcionando mais forças. Não sentia-se mais cansada, estava revigorada, completa do jeito que só ele conseguia fazer.

– Eu também amo você, Sakura. — Fora tudo que ele disse antes de puxá-la para outro beijo.

Ainda tinha medo, tinha certeza. Mas, curiosamente, sabia que seria protegida. E, sobre tudo, sabia quem seria seu protetor.

O inverno nunca fora tão quente

Notas finais
Saike :3 Momento pai e filho :') Sakura e Sasuke e.e heuheu, safados u.u'