Esquecimento
20 Com a Vitória a Verdade Vem a Tona
Esquecimento
Escrito por Kohana
Capítulo Vinte: Com a Vitória a Verdade Vem a Tona
"Então se ligue, pra existir história tem que existir verdade"
Juntou suas mãos, deixando-as entrelaçadas sobre suas pernas. Não piscava, não virava o rosto, sequer estava pensando em algo, estava paralisada diante aos cinco testes de gravidez alinhados em sua mesa de centro.
Shion, ao contrário dela, pisava freneticamente seus pés no chão daquela sala. Não era nervosismo pelos testes positivos, mas sim pelo silêncio. Queria que ela dissesse algo, queria que ela não estivesse parada, que desce um show de choro e desespero, que gritasse "O que eu faço agora?". Queria que ela fizesse qualquer coisa, menos ficar parada feito uma estátua.
– Sakura? — chamou-a, levantando-se e ficando a frente dela, porém ela ainda ficou no mesmo estado. — Oh droga, diz alguma coisa. — bateu com suas mãos em sua cintura.
Sakura não piscou, mas a encarou, do mesmo modo que antes, mas desta vez estava direcionando seu olhar a ela.
– Eu estou grávida... — disse o mais baixo que pôde, mas fora possível ser escutada por sua amiga.
– Sakura, testes de farmácia podem estar errados. — sentou-se ao lado dela com uma mão em seu ombro, uma forma de apoio que encontrou.
Enfim moveu-se, respirou alto, sugando o que pôde do oxigênio. Passou a mão por seu rosto, refletindo mediante a situação muito nítida em vários testes positivos. Encarou Shion tentando, assim, começar a entender a situação. Não que ela não soubesse o que estava acontecendo, só não conseguia ver desespero naquilo e, tal como sua amiga falou, ela deveria.
De certa forma, podia-se dizer que estava triste. Era um fato para ela quem era o pai do feto em seu ventre, do mesmo jeito que era um fato que ele estava vivendo em outro país sem sequer saber sobre ela. Ela era uma estranha para ele, tal como seu filho viria a ser.
A linha de seus lábios ficaram tortas, mostrando um sorriso nascendo aos poucos, conforme ela, porém, via outro lado daquela situação. Ela teria um filho, um presente de Deus, a bênção que toda mulher quer... Como poderia deixar que a tristeza e o desespero a tomasse, sendo que essa noticia não poderia ser melhor?
– Eu espero que não esteja. — sorriu colocando as duas mãos em seu peito, sentindo o que tinha sob ele: seu coração. Era a primeira vez que o sentia bater tão forte desde que tudo aconteceu. Estava feliz? De certa forma, sim.
Shion arqueou uma sobrancelha, tamanha era sua confusão. Já teve amigas em situações assim, mas nunca vira uma que tenha tido a mesma reação a primeira vista. Mas, mesmo estando surpresa e confusa, suspirou derrotada. Sabia dos problemas de sua amiga, sabia como a vida dela estava bagunçada e triste. No fim, era a melhor opção estar feliz, ao menos um pouco, já que isso é algo que ela não tinha feito muito.
– Tudo bem. — acariciou o rosto de Sakura que, virando-se novamente para ela, sorriu. — Eu estou aqui para cuidar de você.
Seus olhos inundaram de lagrimas e, extasiada pela felicidade, ela deitou-se no colo de sua amiga, buscando todo o conforto que precisava. E, naquele colo e no carinho que as mãos macias de Shion faziam em seu cabelo, ela pôde ter, ao menos, a certeza de que as dores diminuiriam.
Entretanto, enfim, sabia também que não sumiria.
[...]
Pela terceira vez batucou com os dedos na mesa, o que não agradou, mais uma vez, a mulher a sua frente. Desviou o olhar dela, suspirou em busca de calma e, enfim, pairou seu olhar sobre seu advogado ao seu lado, que lia um documento atentamente.
– Sabe, é regra de etiqueta chegar no horário certo. — soltou, desviando seu olhar de Sasuke e irritada com aquela situação.
Sasuke levantou somente seu olhar por detrás dos óculos, suspirando logo em seguida. O meritíssimo a sua frente se limitou a, como tinha feito desde que ela chegou, lançar-lhe um olhar nervoso, já estava se irritando com os gestuais dela, pior ainda seria se ela começasse a falar.
Iria dizer algo a mais, mas deixou suas palavras morrerem em sua boca quando a porta fora aberta e o homem passou por lá, indo em direção a sua advogada. Antes de desviar seu olhar para Sasuke, ainda pôde ver seu olhar cruzar com o dele, que não continha nada de bom a oferecer.
– Eu sinto muito meritíssimo, tive alguns problemas. — Sasori disse com um sorriso meia boca que fez Sakura revirar os olhos, tamanha era sua repulsa por aquele homem. O juiz, diferente dela, apenas assentiu.
– Podemos dar inicio? — perguntou ele quando não mais tinha pessoas falando ali. Todos assentiram, o que deu a deixa para que ele continuasse. — Este foi um processo aberto por Sasori Akasuna, contra Sakura Uzumaki, pela guarda de Mia Uzumaki... — dizia enquanto lia tudo aquilo em algumas folhas a sua frente — Começamos com o depoimento da senhorita Uzumaki — olhou para ela, atento em cada gesto. — Por favor, advogada, você pode começar. — encarou a advogada de Sasori que, antes de se levantar e ir até a cadeira a frente do juiz, cochichou algo no ouvido de Sasori.
Depois do juramento e alguns murmúrios dos promotores, finalmente começou:
– Senhorita Uzumaki... — começou ela andando de um lado para o outro, mas sem tirar o olhar do seu, que permanecia tão firme quanto o dela. — Em um depoimento passado, você deixou claro que ficou com a guarda da pequena Mia com a permissão da falecida mãe dela, certo? — Sakura apenas acenou em positivo, não desviando seu olhar do daquela mulher por um minuto sequer. — Isso é algo bom. — sorriu em lateral, mas era visível o quão venenoso aquele sorriso era — Você agiu conforme a lei mas, já que havia pedido permissão da mãe, por que não pediu a do pai também?
Respirou fundo, pois, se não fizesse isso, iria pular encima daquela mulher idiota. Ela sabia o porque, estava com plena consciência disso. Mesmo irritada, com um desejo mortal de cometer um homicídio e entediada com o olhar vigarista de Sasori, ela se manteve calma, respirando fundo e pensando em seus filhos antes de lhe responder:
– Simples, porque ele deixou muito claro que Mia não era sua filha. — a calmaria do seu tom surpreendeu até mesmo Sasuke, que estava sentado em outra mesa, mas observando tudo muito atento. — E claro, que minha falecida amiga era uma vadia que dava para todos. — se inclinou a frente, encarando Sasori. — Como foi mesmo que você disse? — perguntou retoricamente. — Ah, lembrei. "Essa bastarda nunca será minha filha"
– Protesto! — quase gritou a advogada, encarando-a mortalmente. Não que isso a pressionasse, ao contrário.
– Protesto concedido. — disse o juiz, encarando-a com seu olhar firme. — Cuidado com o uso das palavras, senhorita Uzumaki. — finalizou.
Sakura o encarou do mesmo jeito, mas em seguida desviou seu olhar para Sasuke que maneava sua cabeça em negativo, como que para alertá-la de que aquilo não estava certo. Suspirou baixo, fechou os olhos por uma pequena pausa e, quando abriu, sorriu minimamente.
– Sinto muito. — voltou-se ao juiz, que acenou em positivo para que aquilo continuasse.
– Essa é uma demonstração perfeita de que Sakura Uzumaki não serve como mãe de Mia. — disse a advogada convicta, de braços cruzados diante a Sakura. Ela, por sua vez, sorriu, tão serena e zen que chegou a assustar as poucas pessoas ali. — Posso saber o porque do sorriso? — perguntou a advogada.
Por alguns segundos houve a guerra de olhares entre elas, mas esta foi cortada por Sakura, que desviou seu olhar sobre um ponto imaginário. Queria, assim, pensar nas palavras que iria usar, pois não queria, mais uma vez, ser chamada a atenção novamente.
– Por um acaso você sabe o que é ser mãe? — perguntou de braços cruzados, esperando uma resposta da advogada que, por sua vez, se pegou desprevenida. Não era para menos, não só ela como todos se surpreenderam com a pergunta de Sakura.
– Isso não vem... — começou a advogada depois de se recompor.
– Não, você não sabe. — interrompeu-a, apertando sua saia para que não perdesse a pouca compostura que tinha. — Eu criei meus filhos sozinha, sem ajuda de ninguém. Eu passei noites e noites sem dormir quando Mia ficava doente. Eu estava com ela quando ela disse sua primeira palavra, quando sorriu pela primeira vez... — sorriu, como se estivesse perdida nas lembranças de sua filha mais nova, deixando visíveis algumas lágrimas. Porém firmou sua voz em seguida depois de um suspiro. — Eu nunca pedi a ajuda dele. — encarou Sasori, que passou sua mão na testa demonstrando sua irritação — Até porque ele deixou claro que não queria ligação com ela. — sorriu sem humor algum, encarando o par de amêndoas em sua frente. — Eu amei ela, eu cuidei ela, eu e Daisuke demos a ela o que, se dependesse dele, ela não teria. — cuspiu suas palavras na cara da advogada que tentava falar ora outra, mas não conseguia. — Então, senhora advogada, não compare meus atos aqui, com a capacidade que eu tenho de ser mãe. O que acontece comigo aqui é por causa da raiva que tenho de, depois de quatro anos, estar na frente de um narcisista idiota, que não ama nem a própria mãe, que está pedindo a guarda da minha filha.
A sala estava em silêncio absoluto, nem mesmo o juiz sabia o que falar. As poucas pessoas que tinha ali se entre olhavam, admirados e surpresos com as palavras de Sakura. Ela respirava fundo, aproveitando o peso de suas costas se esvaindo, suspirando aliviada por sentir-se livre. Ele, que estava com seu dedo no queixo atento a todas as suas palavras, admirava a figura a sua frente com um minimo sorriso, mas, diferente do tamanho do sorriso, o valor que ele tinha era muito grande. Estava orgulhoso e, por incrível que pareça, nada surpreso. No final, ela não precisava dele além de a representar, pois ela sabia muito bem se defender e, sobre tudo, defender seus filhos.
O juiz soltou um pigarro, encarando os papéis em sua mesa. Respirou fundo, encarou Sasori, que observava ele supostamente aflito, e Sakura que também o olhava, porém esta estava com uma expressão indescritível.
– Mais alguma pergunta advogada? — perguntou olhando-a por fim.
A advogada abriu sua boca para falar algo mas desistiu, fechando-a em seguida. Encarou a expressão nada boa de Sasori e, enfim, encarou Sakura, que a olhava nula como anteriormente.
– Não meritíssimo. — respondeu derrotada, voltando ao seu lugar.
[...]
Levantou seu rosto depois de algum tempo encarando a comida a sua frente. Pôde ver a sua frente os ônix serenos, estavam, também, encarando algo, mas não era a comida.
– O que tanto olha? — indagou ela com um meio sorriso.
Sem piscar ou se mover ele respondeu:
– Você.
Desviou seus olhos dos deles, um gesto que mostrou o acanhamento dela. Ele sorriu, se inclinando a ela e pegando sua mão sobre mesa. Beijou-a, acariciou seu rosto com a mão dela entrelaçada a sua, fechou os olhos e aproveitou a sensação que aquele gesto o proporcionava.
– Você é incrível. — disse, aproveitando ainda do seu momento.
Ela sorriu, observando ele fazer aquilo. Com a sua outra mão começou a acariciar o outro lado de sua face, sentindo-se prestigiada por tal ato.
– Obrigada Sasuke. — disse enquanto os dois juntavam suas mãos, apertando-as com força.
– Você sabe que eu não fiz nada, não é? — indagou ele risonho, beijando freneticamente aquele "laço" das mãos deles.
– Se não fosse por você, não teríamos vencido. — sussurrou contra sua mão, sendo aquecida por um calafrio.
Sorriu, tinha plena consciência do que falava. Sasuke quem dava forças a ela e, se não tivesse ele ali naquele momento, tinha certeza que nada diria para aquela advogada.
Mas, quando Sasuke a soltou, ela percebeu que havia algo que aquilo significava. Engoliu em seco, sabia que ele havia lembrado daquilo também, somente em olhá-lo. Estava inquieto, talvez por não querer entrar naquele assunto. Sendo assim, fez questão de entrar ela mesmo.
– Eu vou contar. — viu as ônix pairarem sobre ela, o que piorou seu estado de nervosismo.
Contudo, mais do que ninguém, ela queria que aquilo acabasse. Queria tirar mais aquele peso de suas costas, contar o que devia a ele a muito tempo.
Respirou fundo e, quando abriu a boca novamente, seu celular tocou.
– É a Brit. — disse olhando o nome na tela de seu celular. — Só um minuto. — atendeu. — Algum problema? — ouvi-a falar por algum tempo. — Tudo bem, vou ir pegar eles. — desligou. Soltou um suspiro frustrado enquanto jogava seu celular em sua bolsa.
– O que houve? — indagou ele bebericando seu suco.
– Brit teve um problema. Vou buscar os garotos na casa dela. — explicou já colocando sua bolsa no ombro. — Quer ir comigo? — perguntou por fim.
– Tenho que assinar alguns papéis para entregar pro forum. — suspirou resignado. — Espero vocês em casa, tudo bem? — indagou, olhando as bagues esmeraldas diretamente.
– OK. — sorriu levantando-se e indo até ele.
Com uma mao tocando um lado de seu tosto ela selou seus lábios varias vezes, encostando sua testa na dele em seguida.
– Quando eu chegar a gente conversa. — o viu sorrir como se concordasse, ele sabia muito bem ao que ela se referia.
[...]
Sentou-se a frente daquela torre de papéis, ser advogados às vezes cansava. Pegou a sua caneta e, emfim, começou assinar as 'papeladas'. Entretanto, na quarta ou quinta folha, sua caneta começou a falhar, dando sinais de que a tinta estava acabando. Praguejou baixo, sacudindo a caneta para que voltasse a pegar, mas fora em vão. Suspirou, levantou-se e começou a andar para fora daquele escritório em busca de outra caneta.
Depois de vasculhar toda aquela casa, ao menos os cômodos que deveriam ter uma caneta, desistiu. Mas, sentado no sofá da sala, ele lembrou de um lugar que poderia encontrar.
Abriu a porta do quarto, acendendo a luz ao lado da mesma em seguida. Sorriu, aquele cheiro lhe acertou em cheio, como uma criança abraçando-o com carinho... Como Daisuke o abraçava, como Mia... Sentiu naquele quarto o que sentia na sua casa, no seu quarto... E não era só o perfume daquele quarto que fazia aquilo, como todo e cada canto deste. As cores, o jeito de como tudo era organizado... Ele queria ficar ali.
Entretanto, tinha que fazer o seu trabalho. Espantou aqueles pensamentos e, ainda que não pudesse espantar a sensação boa, com um belo sorriso começou a vasculhar o quarto com os olhos, pois não chegaria ao ponto de mexer nas coisas dela.
Enfim, achou a bendita encima de um dos criado-mudo da cabeceira da cama. Se direcionou a ele em passos largos, tamanha era sua pressa. Pegou a caneta com alivio e um suspiro. Todavia, por um descuido de sua pressa, deixou-a cair no chão. Ao olhar para este, a viu rolar para debaixo da cama. Praguejou com raiva de seu descuido, enquanto abaixava-se até o chão, olhando embaixo daquela cama. Não via nada, pois, além estar escuro, uma caixa atrapalhava sua visão. A puxou para fora, vendo a caneta em seguida. A pegou enquanto se levantava. Ficando de joelhos, empurrou a caixa para de volta em seu lugar. Porém, antes de coloca-la por toda embaixo da cama, algo que seus olhos pegou fez com que ele interrompesse seus movimentos.
Sasuke
Arqueou uma sobrancelha lendo seu nome escrito na tal caixa. Esqueceu-se da caneta, enquanto puxava aquela caixa de volta.
Abriu-a e se deparou com várias caixas próprias para DVD. Quando abriu uma delas, pode ver, o que já era um fato.
Cada um estava com frases diferentes, alguns eram versos conhecidos, outras frases de musicas... Mas, o que de fato chamou sua atenção fora um só. O pegou, atordoado com o DVD em sua mão. Lia, re-lia, olhava para os lados, era um sonho ou ele deveria estar lendo errado. Leu de novo, releu de novo... Estava lendo perfeitamente certo.
Levantou-se, olhando diretamente para a TV que tinha em frente a cama. Respirou fundo, era certo fazer aquilo? Poderia ter algo por trás, algo que não tivesse nada haver com ele... Estava incerto mas, com esses pensamentos fora de jogo, ele fora em direção ao aparelho de DVD na comoda que tinha abaixo da TV. Abriu o aparelho e, enfim, colocou o DVD dentro dele. Sentou-se na ponta da cama, esperando começar.
A primeira coisa que ele viu foi a frase que estava escrita no disco:
"O dia em que decorei o apartamento de Sasuke."
Seu coração se apertou, enquanto ele apertava a cocha daquela cama, tamanha era sua ansiedade. Suas respiração estava começando a ficar alta, a falhar... Sentiu seus olhos arderem, sua boca secar... Fechou os olhos, queria mesmo ver aquilo? Algo o dizia que não, que não podia ver, algo dizia, seu interior gritava, que aquilo iria doer.
Ignorou tudo, o medo e a ansiedade, abrindo seus olhos, quando ouviu a voz dela invadir o ambiente pelas caixas sonoras de sua televisão.
– Você sabe que não deveria estar aqui.– ela disse irritada, totalmente suja de tinta branca, com um rolo em sua mão direita. Seus cabelos estavam curtos, amarrados, mas, ainda sim, bagunçado.
E, o que veio a seguir, o fez ficar atônito a tudo aquilo.
– Estou com medo, sabe, dessa sua decoração. – ouviu sua voz dizer, risonha, como só ele poderia reconhecer.
Quis creditar, por um momento, que não era sua voz. Quis tanto fazer isso, que nem se importou com o ambiente em que eles estavam, queria ignorar aquilo que fez de todo aquele video um fato. Entretanto, como que para o dar certeza, com o decorrer do video pôde, não só ouvir, mas também ver ele naquela sala.
– O que sera que irá sair disso? – perguntou olhando para câmera, enquanto Sakura xingava ele logo atras.
Ainda que quisesse e tentasse, não pôde evitar uma lágrima descer de um de seus olhos. E, depois dela, várias fizeram-se presentes.
Quando aquele video chegou ao fim, tudo fez sentido.
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