Esquecimento

23 Pretérito: Triângulo Hermético - Parte 2


Notas iniciais
Penúltima parte desse curta. Espero que gostem. Boa Leitura :3

Esquecimento

Escrito por Kohana

Capítulo Vinte e Três: Pretérito: Triângulo Hermético — Parte 2

Se espreitou atrás da parede do corredor, impedindo assim de ser vista. Seu olhar estava melancólico, caído... Não era para menos. Há uma semana vinha observando a sua sala de madrugada, quer dizer, quem habitava em sua sala as madrugadas, somente para chorar.

Dois anos haviam se passado depois que teve seu filho, mais alguns meses e se formaria. Ainda sim, mesmo depois de todo esse tempo, não fora esquecida por Sasori, que ainda a procurava no único intuito de lhe atazanar.

Até voltar para casa ela pensou em fazer, tamanho era seu desespero.

Porém, quando esses pensamentos surgiam, ela sacudia sua cabeça e os jogava para longe. Era preferível aguentar Sasori com todas as suas loucuras e ameaças, do que Sasuke e sua memória perdida, ou seja, as que compartilhava com ela.

Isso não seria suportável. Além do mais, tinha um filho dele.

Resolveu se mudar e, no único propósito de proteção, pediu para que Shion a acompanhasse. Queria afastar ela de Sasori, que estranhamente estava a rondando além da conta. Ele não gostava de Shion, nem mesmo dela ele gostava, era puro delírio. Portanto, como sua casa era em uma distância considerável da faculdade, ou seja, de Sasori, ela poderia dormir mais tranquila.

Estava apenas se enganando.

No fim ela estava sendo ingênua. Nada impediria Sasori de continuar suas loucuras em busca de eu objetivo fracassado, muito menos a distância. E, enfim, ela também não tinha bons pressentimentos, por isso mesmo resolveu se mudar e pedir — lê-se implorar — para Shion acompanhá-la.

Olhando Shion naquele momento, sentada no sofá de sua sala com a cabeça entre as mãos, ela teve medo. Porque algo lhe dizia, palpitava' e gritava: as lágrimas de Shion tinha uma ligação mórbida com Sasori.

Era uma absoluta certeza, quase assustadora. Por quê? Bem, Shion, há alguns meses, lhe trouxe uma grande surpresa. Não, não era uma surpresa, no fim. Não para ela que teve que presenciar sua grande amiga dizer que estava namorando Sasori.

Sentiu cada nervo de seu corpo lagunar com uma raiva sem igual. Ele sorria para ela como se fosse o mais agradável convidado. Como se não fosse um monstro por detrás daquele cínico e falso sorriso.

Ele usava uma máscara escondendo quem ele realmente era para Shion, para no fim poder estar perto dela. Era um plano perfeito, pois ele tinha consciência de que Sakura não havia falado nada com Shion; a garota ainda era louca por ele. Sobretudo ele sabia, também, os motivos dela para não revelar.

Naquela mesma noite, depois que o desgraçado havia ido embora, ela se decidiu: era hora de abrir o jogo com a sua amiga, esta que tanto lhe ajudou e lhe deu apoio. Precisava retribuir o feito, enfim. Sem falar no quanto aquele homem iria lhe fazer mal se ela não contasse nada, aliás, não só a ela como Shion também. Gostava dela suficiente para não querer ela centímetros de distância dele. Contudo, as coisas não foram tão fáceis quando pensou.

Shion não gostou nada do que ouviu, tanto que arrumou suas coisas e foi embora, com muita raiva e tristeza. Na concepção dela, Sakura tinha inveja de seu relacionamento porque não tinha um, não com o homem que queria ao menos.

Foi um soco no estômago de Sakura.

Entretanto, semanas depois, Shion voltou. Seus olhos estavam vermelhos, seus cabelos emaranhados, sua face molhada... Ela chorava tanto, que parecia outra pessoa: Sasori havia terminando com ela.

Além do mais, não foi da melhor forma. Segundo ela, ele lhe proferiu múltiplos insultos e a lembrou inúmeras vezes o quanto ela era "inferior" a ele. Disse que não nutria sentimentos verdadeiros, tampouco qualquer tipo que seja, por ela. Que ela era isso e aquilo... Entre "isso" e "aquilo" Shion não soube dizer o que doeu mais, quem dera fosse mesmo somente essas palavras. Ele também disse a "verdade", que só estava com ela para ficar próximo de Sakura.

Sasori não tinha paciência, afinal. Mas tinha que admitir: Shion foi um bom brinquedo. Enfim, ele mostrou à ela quem ele realmente era.

Não completamente, claro.

Uma semana se passou depois disso. Sakura perdoou sua amiga, afinal ela sabia como era amar alguém, ainda que fosse um crápula feito Sasori. Ela sabia, também, que ele iria voltar, que não havia terminando assim, quer dizer, as coisas com Shion acabaram. Mas e as coisas que ele achava que tinha com ela? Essas com certeza o faria voltar, tinha certeza disso.

Shion lhe pediu perdão inúmeras vezes, sentia-se culpada por não ter acreditado em Sakura, sobretudo do que disse à ela. Sakura disse que não tinha importância, só queria ver a amiga bem. Entretanto, não foi bem isso que aconteceu.

Ela era acordada em todas as suas madrugadas pela constante insônia que havia se apossado de sua mente, por isso sempre acordava e seguia seu rumo a cozinha, para beliscar algo ou beber água. Todavia, em uma noite ela não fez isso, pois os pequenos e finos gemidos a impediram. Era como se ela estivesse agonizando. Sakura pensou em perguntar seus motivos para estar tão depressiva, mas tinha receio, no fim, por ela mesmo. Ela sabia, como havia citado, que era por Sasori. Entretanto, algo no fundo de seu coração lhe alertava que não era somente isso. Não somente no sentido "fossa" ao menos.

Com esses pensamentos e a determinação nascendo dentro de seu ser, ela se pos a andar para, finalmente, entender a situação.

Seus passos eram lentos, mas foi inevitável não perceber que ela estava ali. Somos sensíveis a presença alheia, afinal.

Shion, que estava com a sua cabeça baixa, levantou-a lentamente. Não teve reação quanto ao ver Sakura ali, parada em sua frente. O cansaço de ter chorado tanto lhe abatia ao ponto de nem sequer conseguir mudar a sua expressão. Ela somente descansou suas costas no sofá e fungou', secando suas lágrimas em ritmo lento, em seguida.

– Você vai me contar o que está havendo? — Sakura perguntou de braços cruzados, diante a ela que estava sentada, quebrando o silêncio do recinto.

Ela pareceu pensar um pouco... Olhando para o chão, suspirou o costumeiro e longo suspiro que vem quando se chora demais. Após o que pareceu uma eternidade para Sakura, mas na verdade foram só alguns segundos, ela, com mais lágrimas caindo, levantando lentamente sua cabeça e um gemido tortuoso, disse:

Estou grávida.– logo após, voltou a abaixar a sua cabeça para continuar suas lagrimas.

Não houve reação da parte de Sakura naquele momento. Não que ela estivesse pensando em algo cabível para falar, ela realmente nem sabia o que pensar para se falar para ela. Sabia o quanto ela deveria estar sofrendo, passou por isso também. Porém, visto de quem era o filho, a situação dela deveria estar pior. Porque, era óbvio quem era o pai da criança.

Sasuke, no caso de Sakura, não sabia que tinha um filho. Entretanto, se soubesse, seria um ótimo pai. Agora, no caso de Shion, aquele filho nunca teria um pai. Sakura tinha certeza absoluta disso. Conhecia Sasori perfeitamente, sabia o que ele pensava, como ele via o mundo, como as coisas eram para ele... Sasori não assumiria esse filho.

Estava doendo, era notável. Shion não tinha família, seus pais morreram à pouco mais de cinco anos. Não tinha irmãos ou parentes apegados. Ela não tinha ninguém, tampouco o pai de seu filho. Sem sombra de dúvidas, era ainda mais doloroso para ela. Não havia comparação. Sakura tinha muitas pessoas que a amavam, que cuidariam dela se ela não quisesse superar isso sozinha. Além do mais, sua situação financeira era ótima. Já Shion havia começado a estagiar em um hospital, pois havia se formado em enfermagem a pouco tempo. E seus pais não tinham tanto, não o suficiente para deixar algo para ela.

Com um suspiro cansado, tendo como cena a sua frente a sua amiga chorando e se lamentando, ela se direcionou ao sofá em que Shion estava, sentando-se ao lado dela.

Shion amenizou seus gemidos, levantando a cabeça para ver o que Sakura faria. Já era tarde demais, porém. Sua cabeça já estava sendo apoiada no colo dela, enquanto as mãos da mesma acalentava seus longos e loiros cabelos.

– Não há palavras no mundo que faça você se sentir bem agora. — ela disse, sem cessar seus carinhos. — Está doendo e, por enquanto, não vai passar. Estaria sendo hipócrita se dissesse que sim. — levantou o rosto dela, para que pudesse olhar em seus olhos. – Mas, não importa o que aconteça, não importa o que você faça... Você pode ter uma certeza: eu sempre estarei com você. Você pode contar comigo, igual eu pude contar com você. – as primeiras lágrimas de Sakura já desciam de seus olhos, enquanto as de Shion só aumentavam.

Shion sabia qual seria o futuro da criança que tinha em seu ventre: ela não teria um pai. E sim, ainda doía. Era uma dor descomunal, indescritível. E talvez Sakura tivesse razão, nada a faria melhorar, não por enquanto pelo menos. Todavia, naquele momento, ela também teve uma certeza: Sua filha seria amada, tanto por ela quanto por Sakura. Sua filha, de fato, não teria um pai. Contudo, para compensar, teria mais uma mãe.

E isso era o suficiente para ela.

Notas finais
Estão entendendo o passado dos três? Eu espero que sim. Caso não estejam, coloque nos comentários suas dúvidas e eu bou responder cada um. Até o próximo e ultimo capítulo desse curta. Espero que esse sim saia rápido, para que