Esquecimento
12 Plano em ação: Itachi não é o único
Notas iniciais
Esquecimento
Escrito por: Kohana
Capítulo Doze: Plano em Ação: Itachi não é o único.
Você é linda...
Suspirou após ouvir a voz dele em seus pensamentos. Era tudo que ela vinha ouvindo ultimamente e, se não fosse suas duas crianças, tinha certeza que já teria morrido por conta de sua falta de atenção, antes de chegar a frente dos grandes portões da mansão Uchiha.
Último lugar que ela queria estar.
O lugar que te trouxe felicidade e ao mesmo tempo tristeza, que trouxe sorrisos e ao mesmo tempo lágrimas. Cada pedaço daquela casa tinha uma lembrança dela.
Lembranças que ele não tinha.
Ninguém nunca entenderia o quanto lhe doía apenas olhar aqueles portões.
Você só precisa pular pro meu colo...
Sorriu discretamente com a lembrança. Um sorriso quase imperceptível, mas com vários sentimentos dolorosos, guardados em seu seu cansado coração sofredor.
Aquela grama, tão aparada e bem cuidada, verde viva, com um cheiro especial de terra fora palco de várias quedas dela, por conta de suas tentativas de fugas dele.
Você nunca vai fugir de mim...
Era até irônico lembrar dele lhe dizendo aquilo.
Não fora ele quem fugiu dela? Não fora ele quem a deixou no martírio de uma dor sem fim? Não fora ele que...
Nunca chegou em seu destino para enfim, lhe pedir em casamento?
Lhe passava pela sua cabeça: o que teria acontecido se não tivesse ganhado Daisuke? Ela amava Sasuke e sabia que era forte.
Mas não contra ele...
Não contra o amor deles.
Poderia ela aguentar a perda dele se não tivesse Daisuke? Poderia ter vívido uma vida sem ele?
Ela não queria viver sem ele, ainda que tivesse o filho para amenizar suas dores. Porém seria ainda mais doloroso ver seu semblante triste, por não lembrar dela, por não sentir algo pelo filho.
Poderia ser tachada louca. Oras, ela conhecia Sasuke. Ele seria um mulherengo de primeira se não tivesse se envolvido com ela. Ela sabia cada reação que ele teria caso isso viesse a tona.
E no fim, as coisas só poderiam piorar ao ter que dar ao filho um pai que nem ao menos sabia quem era sua mãe.
Uma das várias mulheres que ele dormira, talvez?
Humilhante, triste, doloroso, a quebrava, a apunhalava, a furava... A deixava a mercê de ser escrava de seus próprios demônios. E era exatamente isso que ela não queria.
Porém, ela não poderia lutar contra si mesmo. Era o homem dela, o amor dela, o pai de seu filho. Sasuke Uchiha.
Que jogasse a primeira pedra aquele que conseguiria lutar contra o amor, caso estivesse no lugar dela.
Era algo como descer uma montanha com uma bicicleta sem freios: Você sabe que poderia vir a se machucar, mas não pode evitar não querer sentir a maravilhosa sensação que a descida lhe proporcionaria.
E no fim, de qualquer jeito, em qualquer situação, ela sempre seria levada a ele.
Estando ele ou não com memórias, ela era e sempre seria de Sasuke Uchiha.
Amigo, amor da vida dela e pai de um de seus bens mais preciosos.
– Nan Daike — sorriu Mia olhando pela janela do carro — aquela mulher que esmaga já esta na porta — Sakura sorriu com sua pequena lhe despertando. Olhou pela janela e viu Mikoto, sorridente na porta de sua casa.
– Tomara que não seja mais uma tramoia sua — suspirou Sakura desligado o carro.
[...]
Adentrou a grande sala dos Uchiha com sua filha no colo e seu filho ao seu lado com uma mão dada a dela. Respirou aquele doce aroma suspirando. A doce amarga lembrança.
– Tudo bem, mãe? — indagou Daisuke sempre protetor. Ela apenas assentiu com um sorriso forçado.
Agradeceu em mente quando sua tia voltava de algo que ela dizia ter de fazer. Daisuke não era enganado facilmente e tinha a maldita desconfiança Uchiha, cujo ajudava em suas várias perguntas.
– Deus, que saudade — disse a matriarca pegando Mia no colo e se abaixando para abraçar Daisuke ao mesmo tempo.
– Sem... ar — foram as únicas palavras de Daisuke, cujo não afetaram Mikoto e fizeram um sorriso brilhar no rosto da rosada. Mia somente ria com a reação do irmão, o que ajudou para a morena continuar.
Depois de Sakura quase a puxar a força, ela se afastou dando ar as crianças. Mikoto foi de encontro a Sakura, que foi pega pelo mesmo abraço.
Daisuke sorriu e depois rodeou a casa com seus olhos, junto de Mia. Porém não era a decoração maravilhosa que eles olhavam, tão pouco olhavam por olhar.
Eles procuravam algo ou, talvez... alguém.
Sakura conseguiu se soltar da tia que voltava o olhar as duas crianças que se encolheram.
– Tia... — chamou Sakura antes dela começar outra sessão de tortura — eles precisam de ar.
– Ne, Sakura-chan, eles são tão fofos que não consigo evitar. — disse manhosa, como se fosse uma criança.
– Perdoe a Mikoto crianças — disse o patriarca Uchiha surgindo dos corredores, tomando toda atenção — ela adora crianças. — Sakura sorriu pelo nariz, estendendo os braços e indo em direção ao Uchiha mais velho lhe dando um abraço.
– Não foi uma desculpa para vir aqui, huh? — indagou Sakura ainda no abraço.
– Dessa vez não. — sorriu ele fazendo a rosada suspirar aliviada e desfazer o abraço.
– OK — sorriu Mikoto dando palminhas — vamos para o escritório? — Sakura sorriu assentindo, enquanto Chiyo aparecia na sala — cuide de meus ne... — Daisuke arqueou a sobrancelha enquanto Mia saltitava no colo de Chiyo. Sakura lançou um olhar reprovativo e a matriarca revirou os olhos — Dos me lindinhos, huh Chiyo? Encha eles de mimos. — a mulher assentiu indo em direção a cozinha com os pequenos.
– Tchau mamãe, Mia ama você e o Daike também ama — dizia a pequena ruiva, como se fosse ficar muito tempo longe da mãe, balançando as mãozinhas enquanto Daisuke sorria.
– Mamãe ama vocês também — Sakura sorriu. Mikoto e até mesmo Fugaku deixaram seus sorrisos se formarem. Não tinha palavras para descrever aquela cena. Lindo, maravilhoso ou incrível seria pouco demais para algo tão prefeito, a ponto de um sorriso se formar sem seu consentimento. O amor dos três era algo que aquecia o mais duro coração de pedra.
[...]
Sakura entrou depois dos mais velhos, vendo Itachi sentado no sofá mexendo em seu celular. Logo que a viu, guardou o celular e foi ao seu encontro.
– Tudo bem? — indagou ele depois que desfez o abraço.
– Sim one-san — sorriu largo se sentando no sofá ao lado dele, enquanto Fugaku sentava na cadeira que estava de encontro em frente a mesa e Mikoto sentava em em uma poltrona perto de uma estante de livros.
Todos suspiraram, menos Sakura que esperava alguém começar.
– Então... — começou depois de segundos, que pareceram horas, em silêncio. — bem... eu tenho que viajar sábado e...
– Sakura... — cortou Fugaku ríspido fazendo a rosada o encarar — Vou ser bem direto com você — Sakura sentiu o estômago revirar. Não gostava nada daquele tom.
Sentia que algo estava errado.
– Itachi não poderá ir com você, não poderá — deu uma pause, olhando rapidamente para Mikoto. — pegar o seu caso — Tão direto quanto um tiro. Podia não ter haver, mas era algo relacionado a dor que Sakura sentiu. Seus olhos o encaravam mostrando a incredulidade. A garganta seca, fazendo-a engolir o nada, o tremor que começou devagar mas que alimentava a cada momento em que ela repetia, em mente, as palavras ditas.
Ela tentou ignorar o que foi dito, soltando uma risada incrédula, tentando a todo custo se fazer acreditar que era só uma brincadeira... uma maldita brincadeira de mau gosto.
– OK, vamos direto ao ponto...
– Já fui ao ponto — interrompeu-a novamente. Sakura o olhou. Os ônix cansados não se abaixaram contra os esmeraldas já dando sinal de que a ficha vinha a cair.
– C-Como assim? — andou de um lado para o outro — você... você está brincando — Itachi virou o rosto e Mikoto o abaixou — Ei, tia? — olhou a mulher que não a olhou — sério que vai deixar isso acontencer? Eu... eu — seus olhos já ardiam e ela já podia sentir o nó em sua garganta — Preciso de vocês... — soluçou voltando a sentar no sofá e escondendo o rosto nas palmas das mãos — eu pago o que for... só não deixem... snif... a tirarem de mim... -
Mikoto se limitou-se a esconder o rosto nas palmas das mãos também, porém o que ela queria era abraçar a moça que ela tinha como filha. Itachi não estava diferente, mas estava controlado por fora.
– Nunca aceitaria-mos seu dinheiro — disse o patriarca
– Então por que não quer... me ajudar? — levantou seu rosto para ele, como se fosse uma criança. Sua maquiagem borrada, seus olhos vermelhos e a voz falhada. Fugaku, mesmo sendo controlado e presar isso, não conseguiu não amolecer a sua face, surpreendendo até Itachi.
– Criança, nunca negaria-mos ajuda a você, que é como nossa filha e ainda por cima nos deu netos, dos quais estão envolvidos nisso.- se levantou indo até ela, sendo seguido por Mikoto que sentou ao seu lado afagando os cabelos rosados dela — Eu disse que Itachi não podia ir. — Sakura franziu o cenho olhando para Itachi que sorria par ela.
– C-Como assim?
– Não temos só o Itachi como um advogado Uchiha — Sakura arregalou os olhos.
[...]
Daisuke brincava com Mia no jardim, sendo observados por uma das empregadas.
– Mia — chamou-a assim que sentaram — O que acha do Sasuke? — indagou observando as reações da irmã, que se limitaram a um enorme sorriso.
– Gosto — disse ela alisando a gramas volta — você goista dele? — Daisuke se viu surpreso pela pergunta da irmã. Ele não sabia dizer se gostava do homem que ele julgou gostar de sua mãe.
Tinha raiva as vezes, pois ele parecia querer engolir a sua tão delicada mãe, como se fosse um lobo. Mas do mesmo jeito que ele parecia um lobo mau faminto, sabia que esse lobo poderia proteger ela, somente por olha-lo.
E ele, mais do que qualquer um, sabia que a mãe gostava dele, que no fim das contas não era tão mau assim.
– Sabe — começou ele tendo a atenção da irmã — Ele gosta dela. Já viu como ele a olha?
– Comum lobo — sorriu ela pulando no garoto, como se fosse um. Porém, estava mais para um gatinho lindo.
– Você nunca esquece o que digo, huh? — ela sorriu assentindo e abraçando o irmão que afagava seus cabelos. — Eu gosto dele sabe... sempre que ela está com ele ela sorri como quando está com nós. Talvez ele possa gostar da gente também...
– Ele gosta — disse Mia levantando seus lindos olhinhos perolados.
– Será? — fez uma careta e a ruivinha assentiu animada — Bem, isso já é uma coisa boa. Talvez fosse bom ele ficar com a gente... ela disse que gosta dele mesmo. Se ela gosta, deveria deixarmos eles dois juntos né? — os olhos da garotinha brilharam.
– Saike vai ser noss pai, one-chan? — saltitou para fora do colo do irmão
– Você quer? — indagou com um sorriso Uchiha.
– Uhum — afirmou com a cabeça — você que? — O garoto pareceu pensar e então sorriu.
– Eu quero.
[...]
Não sabia como expressar os vários sentimentos bons que sentiu. Era uma montanha russa sem fim, sempre trazendo o frio bom na barriga, como em um primeiro beijo também. Mal acreditava nas palavras que ouvira e mal acreditava no tamanho de sua felicidade. Era muito... tão inexplicável que deveria assustar.
Mas não o assustava...
Parecia tão normal e certo que ele queria mais... queria muito mais.
Queria achar seus pais que o chamarão até ali, mas encontrou algo tão bom quanto encontrar eles.
As duas imagens que ele tanto queria ver que, como um precioso bônus, significava que ela estaria lá. Só Deus e ele sabia quanto aquilo havia clareado seu dia. Eles eram as luzes para o dia escuro dele. E até quis procurar ela mas...
O que acha do Sasuke...?
Depois disso seu corpo não obedeceu mais a sua mente, que insistia que era errado escutar conversa alheia, ainda que fosse de duas crianças.
E a cada movimento que seus lábios faziam, para se alargar mais, ele não conseguia mais sair.
Agora, mais do que nunca queria estar com ela e cuidar dela.
Deles.
Porém, aquele lindo presente deles, um presente que eles nem sabiam que haviam dado, não havia terminado.
Saike vai ser noss pai, one-chan?
Oh droga... ele ia sair, mas não conseguiu. Ele sabia, não, ele tinha certeza que queria mais do que Mia ouvir aquela resposta.
Por um motivo, ouvir aquele Daisuke dizer as palavras "eu quero" era seu maior desejo. Não entendia o porquê, era uma coisa estranha para um homem que nunca se quer se apaixonou...
Mas ele queria, e sua mente dizendo que seus sentimentos eram estranhos, era o menor de seus problemas.
Você quer?
Oh droga... a ansiedade, sentimento que ele odeia, o tomava.
Uhum
Sentiu um alívio, que só não o tomou por completo porque queria ouvir mais... mais e mais....
Ele...
Diga sim...
Ele precisava ouvir o sim...
Eu quero...
Ele poderia cogitar a ideia de chorar. E droga, ele nem sabia o porquê daquilo, somente queria.
E com um sorriso bobo, olhos ardendo e seu coração pulando de alegria...Ele saiu antes de ser pego. Com, não só o dia ganho, mais o resto da vida...
[...]
Sakura iria falar algo... porém, as batidas na porta não deixaram.
– Entre — disse Fugaku se levantando e vendo a porta se abrir.
Automático. Todos sorriram. Foi contagiante, nem mesmo Sakura escapou. O sorriso bobo, olhos brilhando... algo que contagiava qualquer um. Seus ônix pousaram sobre Sakura e ambos sorrisos se alargaram. Ela nem sequer lembrava de sua maquiagem borrada e ele... bem, ele sabia que ela estava ali e isso era suficiente.
Fugaku se levantou e iria falar algo.
– Poupe sua saliva pai — se levantou Itachi tendo a atenção, sem deixar os sorrisos morrerem — E vamos ignorar a cara de idiota do Sasuke — Sasuke nem ao menos se importou com o dito do irmão. Fugaku o pediu para continuar — Sakura, sábado você irá voltar para Nova York, para a audiência — ela o olhou, ainda sorrindo, sem nem entender o que o seu "one-san" dizia. Estava embriagada com a chegada de Sasuke, ainda daquele jeito, só piorou. — E vai levar seu advogado — apontou para Sasuke — Sasuke.
E na mesma rapidez que o sorriso nasceu, ele morreu.
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